“Vou estar enviando um e-mail; vou estar fazendo isso ainda hoje; vou estar orientando sua tese em breve; vou estar apresentando essa palestra no mês que vem; vou estar trabalhando…”.
Acho que posso afirmar com pouca possibilidade de erro que a pessoa que “inventou” o gerúndio como forma de falar não fazia a menor ideia do que estava fazendo e do sucesso que iria ter.
As coisas são assim, surgem e tomam conta de tudo, sem mais nem menos.
Não fazem nenhum sentido, nada com nada, lé sem lé, cré sem cré, mas viram o charme do verão.
Você viu isso onde?
Ah, não sei, mas “tá todo mundo falando”!
Cria-se uma onda e todos vão.
“Eu, enquanto ser humano…”
Um mantra.
A impressão que se tem é que parece que falar assim dá um ar solene, uma certa distinção.
Um ar superior.
Por que será que o “superior” é tão sedutor?
“Eu, enquanto ser humano…”
Haveria algo premonitório nessa frase?
O que distingue o humano do animal?
Racionalidade, pensamento…
“Eu, enquanto ser humano” pressupõe, portanto, que eu raciocino, penso e consequentemente ajo como um ser humano.
Portanto, enquanto ser humano, eu penso, reflito, planejo, desenvolvo, evoluo, cresço.
Mas há um “tempo” embutido, é uma condição temporária.
Está implícito que a condição de ser humano em mim vai se esgotar em algum momento.
Vai durar somente enquanto…
Até quando serei?
Quando chegar a hora em que não serei mais humano, serei capaz de perceber?
Aterrorizante!
Chegou.
Agora que não há mais o enquanto, que findou a minha validade como ser humano, o que sou?
Instinto!
Xingamentos, ofensas, agressões e assassinatos homofóbicos, agressões e assassinatos de mulheres, negros, índios, assassinatos por encomenda, queima de arquivos, ódio e violência explícitos na primeira fila, já fazem parte dos nossos dias como algo natural.
Esses urros não são desconhecidos.
São familiares, pois fazem parte da história dos nossos antepassados.
Como também na história dos antepassados, poderosos envolvidos e poderosos abafando todos os pecados e ruídos são os comandantes e direcionam gestos, palavras e ações que, por instinto, seguirei.
Terreno apropriado, homens e mulheres assumem de forma despudorada nas redes sociais a “legalização” da escravidão, quem sabe a maior chaga da raça humana.
Pessoas que nunca tiveram direito a nada.
E nada mudou.
Mesmo travestida de doutor, a ignorância abre a sua cauda e como um pavão exibe toda sua exuberância.
Os que comandam e seus seguidores/eleitores estão irmanados nessa ignorância asquerosa revestida pela podridão humana.
Manifesta-se o que pode haver de pior no ser humano.
As bestas estão soltas.
Deu-se a premonição!
Chegou.
Pior.
Chegaram.
Chegaram ao fim ao mesmo tempo muitos prazos de validade de ser humano.
Como deputado, passou 28 anos de sua vida xingando, ofendendo e agredindo mulheres, negros e índios, todos, por razões diversas, pessoas pertencentes a segmentos mais vulneráveis e fragilizados.
Nada mudou.
Não compareceu a nenhum debate na campanha presidencial, fugiu de todos.
Escondido atrás de ridículos atestados médicos, ia para outra emissora de TV dar longas entrevistas na mesma hora dos debates.
Recorrendo a atestados médicos como fez, ridicularizou-os à vontade, num absoluto desrespeito à classe médica que calada estava, calada ficou, calada está e calada vai permanecer, em flagrante contraste com tempos recentes, tempos em que sempre foi tratada com respeito.
Estão preocupados com princípios esses profissionais?
Gestos e atos vergonhosos do então candidato e atual presidente não representam nenhuma novidade, muito pelo contrário.
Gestos e atos vergonhosos da classe médica até hoje não foram explicados à sociedade.
Vergonhoso.
Vergonhoso e deprimente foi também o encontro com Putin, em Davos, em 2019.
Talvez a covardia nunca tenha sido tão explícita.
As explicações que deu só o tornaram mais ridículo, o que não se imaginava possível.
Depois de tamanho fiasco, não foi a Davos agora em 2020.
Fugiu de novo.
A incompetência que pairou sobre Davos, quando era recém eleito, foi tão grande que tremeu de vez e o fez acovardar-se novamente.
Não se tem notícia se mandou atestado médico para justificar sua ausência.
Já disse várias coisas no governo para logo depois recuar por pressões que sofre.
Em uma das recentes, disse que ia tirar a secretaria de segurança do ministério da justiça.
Pressionado (houve quem preferisse dizer ameaçado; por quem???), recuou mais uma vez e disse que não ia mais tirar.
Depois de fazer elogios rasgados ao novo ministro da cultura, expressão do seu nazismo escancarado-enrustido, e agradecer por ele ter a coragem de aceitar o cargo, “demitiu-o” cerca de 48 horas depois.
Mas, corajoso como sempre, não teve coragem de demiti-lo pessoalmente (por isso o “demitiu-o” está entre aspas).
Pediu aos ministros que avisassem a ele que estava demitido.
Mas, quem apareceu diante das câmeras (por favor, alguém aí pode perguntar a Moro se aqui devo usar câmara ou câmera?) e microfones para anunciar a demissão?
Ele.
O mico.
O valente.
O destemido.
Enquanto isso, o outro, sempre humilhado e se humilhando mais, aceita tudo porque não pode perder espaço na mídia.
A dignidade pelo emprego.
O caçador implacável de corruptos (como eles aparecem nesses momentos de grande porre da sociedade) chegou ao ponto de tirar o miliciano amigo do chefe da lista de procurados.
O homem agora aparece assassinado.
Os de sempre, da imprensa e eleitores que constituem a reserva selvagem do presidente e que tanto falavam de queima de arquivo, agora se calam.
O que poderia ser um momento único de combate à corrupção, em que crimes de corrupção e assassinatos coexistem no mesmo cenário, em que estão diretamente envolvidos a família presidencial e colaboradores, será jogado para debaixo do tapete, como há tempos acontece com outros casos, como o de Marielle.
Sob o olhar que nada vê de dois heróis nacionais.
Enfim, heróis que não se sustentam em pé e por isso se seguram um no outro, mesmo sabendo que se traem mutuamente.
Ocorre que há muito tempo o presidente já sabe que é traído dentro do seu próprio governo, o que o torna mais inseguro ainda. Daí as idas e vindas nas decisões tomadas, sob os aplausos do seu rico auditório.
O outro, bem munido de informações, que alguns chamam de dossiês, e de olho numa vaga no STF ou na candidatura à presidência, o que sobrar, faz qualquer negócio.
Vivemos dias difíceis, onde a ignorância reina e dá as cartas.
O absoluto desprezo pelo mínimo de inteligência, sensibilidade e leveza nos deixa assustados e a percepção de impotência é inevitável e paralisante.
Impossível de ignorar, estou numa luta comigo mesmo para tentar “não ver” o que está acontecendo à minha volta.
Estou tentando ser o cego que a personagem de Saramago não conseguiu ser;“se tivesses olhos para ver o que sou forçada a ver todos os dias, também quererias ficar cego”.
Conviver se tornou um martírio, uma tortura, e não é privilégio meu, sei disso.
Estou no quarto dia em que procuro não ver nada relacionado a esse retrocesso estúpido, tosco e violento que chamam de “política”.
Omisso, fraco, covarde…, pode me chamar do que quiser, não vou me aborrecer com você.
E todo doente precisa de tratamento, que muitas vezes não passa de repouso.
Repousar o corpo é frequentemente recomendado pelos médicos.
Mas não é desse repouso que preciso.
Não é o corpo, que só sofre as consequências.
É o espírito, a alma.
Procurando algo para ler e em que buscar alívio para as minhas dores, fui me refugiar em Rubem Alves.
E reli “Saúde Mental”.
Reli e reli de novo.
“… saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso”.
É o que diz Rubem Alves.
Em certos tempos, lucidez é algo indesejável porque traz danos à saúde mental.
Tente ser o cego que tanto deseja a personagem de Saramago.
E fiquei pensando.
Não podia ser melhor para salvar, ou pelo menos aliviar, o meu domingo.
Não peço a ele que salve a minha semana, seria querer demais, carga muito pesada.
O domingo já serve.
E aí o meu drama de consciência.
Fiquei sem saber se devia dizer alguma coisa antes de também lhe presentear com Rubem Alves, este senhor bonito (infelizmente recentemente falecido), sorriso mais bonito ainda e convidativo e acolhedor na imagem logo aí embaixo.
Mas senti que precisava conversar com você.
Já o fiz.
E aí está o presente que me dei e agora dou a você.
Bom domingo.
Saúde Mental
Por Rubem Alves
Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei. Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia. Eu me explico.
Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh se matou. Wittgenstein se alegrou ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakovski suicidou.
Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.
Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as ideias se comportam bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado, nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme!), ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, que tenha a coragem de pensar o que nunca pensou. Pensar é coisa muito perigosa…
Não, saúde mental elas não tinham. Eram lúcidas demais para isso. Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idiotas de gravata. Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental. É claro que nenhuma mamãe consciente quererá que o seu filho seja como Van Gogh ou Maiakóvski. O desejável é que seja executivo de grande empresa, na pior das hipóteses funcionário do Banco do Brasil ou da CPFL. Preferível ser elefante ou tartaruga a ser borboleta ou condor. Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego. Mas nunca ouvi falar de político que tivesse stress ou depressão, com exceção do Suplicy. Andam sempre fortes e certos de si mesmos, em passeatas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.
Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.
Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas se chama hardware, literalmente coisa dura e a outra se denomina software, coisa mole. A hardware é constituída por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. A software é constituída por entidades espirituais – símbolos, que formam os programas e são gravados nos disquetes.
Nós também temos um hardware e um software. O hardware são os nervos, o cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo espirituais, sendo que o programa mais importante é linguagem.
Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software. Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam. Não se conserta um programa com chave de fenda. Porque o software é feito de símbolos, somente símbolos podem entrar dentro dele. Assim, para se lidar com o software há que se fazer uso de símbolos. Por isso, quem trata das perturbações do software humano nunca se vale de recursos físicos para tal. Suas ferramentas são palavras, e eles podem ser poetas, humoristas, palhaços, escritores, gurus, amigos e até mesmo psicanalistas.
Acontece, entretanto, que esse computador que é o corpo humano tem uma peculiaridade que o diferencia dos outros: o seu hardware, o corpo, é sensível às coisas que o seu software produz. Pois não é isso que acontece conosco? Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos do Drummond e o corpo fica excitado.
Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e acessórios, o software, tenha a capacidade de ouvir a música que ele toca, e de se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta, e se arrebenta de emoção! Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei, no princípio: a música que saía do seu software era tão bonita que o seu hardware não suportou.
A beleza pode fazer mal à saúde mental. Sábias, portanto, são as empresas estatais, que têm retratos dos governadores e presidentes espalhados por todos os lados: eles estão lá para exorcizar a beleza e para produzir o suave estado de insensibilidade necessário ao bom trabalho.
Dadas essas reflexões científicas sobre a saúde mental, vai aqui uma receita que, se seguida à risca, garantirá que ninguém será afetado pelas perturbações que afetaram os senhores que citei no início, evitando assim o triste fim que tiveram.
Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes. Cuidado com a música. Brahms e Mahler são especialmente perigosos. Já o roque pode ser tomado à vontade, sem contra indicações. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do Dr. Lair Ribeiro, por que arriscar-se a ler Saramago? Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. A saúde mental é um estômago que entra em convulsão sempre que lhe é servido um prato diferente. Por isso que as pessoas de boa saúde mental têm sempre as mesmas ideias. Essa cotidiana ingestão do banal é condição necessária para a produção da dormência da inteligência ligada à saúde mental. E, aos domingos, não se esqueça do Sílvio Santos e do Gugu Liberato.
Seguindo esta receita você terá uma vida tranquila, embora banal. Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, ao invés de ter o fim que tiveram os senhores que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já não mais saberá como eles eram.
O homem deve alguma coisa ao homem. Se ele ignora a dívida, isto o envenena e se ele tenta pagá-a, o débito só faz crescer. Sim, o homem deve alguma coisa ao homem e a qualidade da sua doação é a medida do homem. John Steinbeck
Por Ronaldo Souza
Eles ficavam logo no primeiro box do ambulatório, à direita.
Uma aluna e um aluno faziam a dupla.
Diante de uma dificuldade me chamaram.
Ainda estava “no ar”, sentando no mocho, quando ela sentenciou:
“Professor, o senhor não cansou de ensinar não? Eu cansei de ensinar”.
Olhei-a e somente aí vi o que ainda não me tinha chamado a atenção; ela parecia ter a idade um pouco acima da média dos outros alunos, o que “confirmava” que já tinha tido tempo para ter ensinado alguma coisa em algum lugar.
Em outras palavras, em algum momento e por algum tempo de sua vida ela tinha sido professora. Por quanto tempo e de que, não perguntei.
Comecei a mostrar o que deviam fazer, iniciei o procedimento e logo em seguida disse que dali por diante eles continuariam.
Nos poucos minutos em que orientava e mostrava como fazer, o questionamento dela tinha fincado âncoras na minha mente.
E, incrível, ao mesmo tempo, desenhou-se toda a resposta na minha cabeça, de tal maneira que antes de levantar me dirigi a ela e, ainda sentado, respondi.
Para mim foi tão marcante aquele momento que ao me levantar já tinha como certo que um dia escreveria alguma coisa sobre o acontecido.
Isso foi há cerca de 2 ou 3 anos.
Apesar do tempo decorrido, posso lhe garantir que seria capaz de contar a você sem margem de erro o que disse a ela.
Naquele momento, havia um paciente na cadeira, o que não me permitia me alongar na resposta.
Aqui, entretanto, vou me permitir estende-la um pouco mais.
Ninguém cansa de ensinar
Olha, quanto ao que você disse, acho que ninguém cansa de ensinar.
Se você perguntar a alguém, qualquer pessoa, que já tenha tido oportunidade de dar uma aula, fazer uma palestra, uma conferência, o que seja, se ela gostou, muito provavelmente você a ouvirá dizer que foi sensacional e uma das coisas mais prazerosas que ela já fez.
E essa coisa sensacional, esse prazer, parece que não tem fim.
Que fique bem claro, entretanto, que entre as razões para isso, reconheça-se, está o ego.
Não há como negar.
Poucas vezes o ego é tão confortável e prazerosamente massageado quanto quando se dá aula. A endorfina abre uma “nova” rede de capilares e se dissemina pelo corpo, ilumina o professor e acende a sua alma.
E é bom que seja assim, pois o ego ocupa lugar de destaque no mundo acadêmico.
O grande problema é quando ele se apossa do professor, algo que não é incomum, pelo contrário. Alimenta-lo nessas condições muitas vezes significa atropelar até mesmo as amizades.
Pode haver algo mais prazeroso e saudável do que contribuir para o desenvolvimento do ser humano?
Por que razão você acha que professores são as referências maiores em países com alto IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)?
Algo assim, tão forte e prazeroso, não existe por um desejo que se manifesta e se faz somente no momento em que você entra na sala para dar aula. Implica em muito mais coisa, desde o momento em que se organiza a aula, algo também muito prazeroso.
Para desenvolver a atividade, para ensinar, há todo um contexto, no qual o relacionamento com diversas pessoas, como colegas professores e alunos, tem peso muito grande. Incluem-se o diretor/coordenador da faculdade, cúpula diretora da instituição, funcionários…
Nesse contexto, você verá e terá que aprender que as inter-relações nem sempre são tão simples e há momentos em que elas passam por retrocessos que têm a ver com a estagnação ou até mesmo involução do desenvolvimento.
De grande relevância nesse processo, contribui para isso o momento que se vive.
Por mecanismos que parecem se repetir ciclicamente, não é incomum que a inteligência e a sensibilidade sofram abalos graves e o conhecimento seja desprezado.
Nesses momentos, todo o panorama se modifica e aí tudo fica mais difícil ainda. Resta-nos então a esperança, eterna companheira, de jamais perdermos a esperança.
Não pelo ensinar, mas por todo o contexto, é bem possível que se aquela aluna fosse professora hoje, tivesse ficado mais cansada ainda.
Talvez nunca tenha sido tão difícil ensinar.
Está muito cansativo e não são poucos os professores que dizem que está ficando insuportável.
E, por favor, dizer que isso seria mais um desafio da docência é desprezar a sensatez.
A complexidade do ensino-aprendizagem não se resolverá com pensamentos lineares como esse.
Para que serve a esperança?
Como a utopia descrita uma vez pelo escritor uruguaio Eduardo Galeano, para caminhar.
Caminhemos então de mãos dadas com ela.
Se neste momento parece ser a nossa única alternativa, que o façamos com força.
“Somos muitíssimo mais do que nos dizem que somos”. Eduardo Galeano
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
“Navegar é preciso; viver não é preciso”.
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
Não sei se já havia um roteiro traçado, se foi obra do destino, se foi um presente, se foi o tempo necessário para aprender a ser e a respeitar, não sei.
A verdade é que só fui ser professor quando já tinha 27 anos de formado.
Foram 27 anos de consultório.
Todos os dias, pela manhã e à tarde, no início entrando pela noite.
Depois, mais 10 anos entre consultório e docência, com o primeiro ainda dono da maior fatia das minhas horas.
Trinta e sete anos, no total.
Hoje, docência e pesquisa.
Quando aconteceu de me tornar professor, a sala de aula passou a ser uma espécie de palco, o palco da minha vida.
No melhor dos sentidos, como se fosse um grande auditório ali passou a se dar o espetáculo da minha vida.
E todos os palcos e auditórios pelos quais já passei sempre foram e são uma sala de aula.
Nada mais que isso.
Entenda assim o que representa a sala de aula para mim.
Talvez eu ainda nem saiba direito o que é exatamente ser professor, mas a sala de aula é uma espécie de território sagrado.
Na sala de aula não há negociação.
Na sala de aula não pode haver negociação.
A sala de aula não é lugar de negociação.
É, como disse, território sagrado.
Ali é onde o professor se despe e expõe vasos e vísceras.
Ali é onde o professor se mostra bom e ruim, belo e feio, forte e fraco, virtuoso e vergonhoso.
Como ele é.
Ali não há o “ser ou não ser”, o professor é.
Ainda que cada vez mais pareça ficar mais claro que o aluno sequer percebe, ali, naquele lugar sagrado, o verdadeiro professor é.
Que bom seria que todos percebessem.
Que bom será quando todos perceberem.
Mas entenda que o professor não vive esperando por essa resposta.
Como dizia (Heitor) Villa Lobos; “quando faço uma música, é como se escrevesse uma carta para a posteridade; não espero resposta”.
O professor já tem a resposta.
Já tem a resposta do que ele é, do que ele representa, perceba-se ou não, e essa resposta não depende do juízo de outros.
O professor não bate metas.
Não precisa.
Não deve.
Ele não concorre ao funcionário do mês e a sua foto não precisa de uma parede.
Mas quando o professor esquece o que é ser professor e “abandona” a sala de aula, quando tem outros encontros marcados e desvia o olhar, tudo muda.
É quando tudo fica feio.
“Eu sou um acadêmico, não um gerente”.
Esta frase faz parte de um dos ótimos diálogos entre o Papa Bento XVI e o ainda Cardial Jorge Bergoglio (hoje Papa Francisco), no belo filme “Dois Papas”, do brasileiro Fernando Meirelles.
O professor é um acadêmico, não um gerente ou qualquer outra coisa.
Estamos nos perdendo.
“O erro não se torna verdade por se difundir e multiplicar facilmente. Do mesmo modo a verdade não se torna erro pelo fato de ninguém a ver.” Gandhi
A verdade não pode surgir pela força da repetição do descompromisso, por mais que isso possa parecer normal.
Tem sido muito triste ver professores esquecerem o compromisso com o ensino, com o aluno.
Ainda que certos valores possam trazer mais conforto e bem-estar à vida pessoal do professor, não deveriam ser esses os que norteiam a sua vida.
Por esses professores, o respeito deixa de existir com relativa facilidade, por mais que não seja demonstrado e consequentemente percebido.
Tem sido muito difícil conviver e lidar com o momento!
O aperto de mão!
O abraço, esse então, é terrível!
Tornou-se mais difícil conservar o sorriso, tão necessário para a foto do álbum.
Como conceber um professor que não fala mais pela Universidade, ou pelo menos somente por ela?
Os seus dois olhos não mais são um.
Agora são dois.
Cada um em uma direção, cada um visando objetivo diferente.
Olho por olho.
Para quem trabalha a Universidade?
Como pode ela ser plena se o professor não é mais.
Como pode ela ser plena se o professor se autoimpôs a perda do maior dos seus bens, a liberdade?
Quando o professor perde a liberdade, decreta-se a sua morte.
Levantar a bandeira contra a corrupção e fazer dela uma “luta diária” é uma das melhores, mais práticas e acertadas formas de oportunismo e de esconder a própria corrupção de maneira que poucos percebam.
A experiência ensina que é muito comum o corrupto assumir a linha de frente do combate à corrupção.
Não precisa fazer nenhum esforço para confirmar, basta observar o momento atual.
Não pense que o moralismo é novidade.
Há muito tempo é assim, pelo menos no Brasil.
Em vários momentos da nossa história isso ocorreu e sempre com a participação decisiva da imprensa, judiciário e boa parte dos políticos brasileiros.
A participação da sociedade se dá de duas maneiras; através dos donos do dinheiro bancando a empreitada (o custo é alto) e a pressão que passa a existir por parte de alguns segmentos que se deixam enganar sempre e muito facilmente.
Chega a um ponto em que quem se põe no meio do caminho tentando desmascarar o “conto do vigário” (expressão antiga usada em Portugal e no Brasil que define uma história criada para enganar alguém), passa a ser taxado de corrupto.
E aí, inocentemente ou mal intencionadas (nos tempos atuais a segunda alternativa tem sido o padrão), essas pessoas que lutam contra “a corrupção que tomou conta do país” saem chamando os outros de corruptos.
Qualquer pessoa que tenha o mínimo de inteligência e discernimento percebe isso facilmente, particularmente nas redes sociais.
Nelas vivem e delas se alimentam pessoas que são conhecidas dentro de suas categorias profissionais e especialidades como desonestas, mas que aos domingos costumam ir ao Farol da Barra e às demais avenidas paulistas espalhadas pelo país com as suas indefectíveis camisas amarelas da CBF (padrão FIFA) para protestar contra a… corrupção.
Achando pouco, alguns chegam a se enrolar na bandeira brasileira, numa demonstração inequívoca do amor pelo país e de que são exemplares pessoas do bem.
Deixemos de lado a hipocrisia, também tão em moda atualmente. São facilmente identificados, reconhecidos e citados em conversas informais.
Só eles não sabem disso.
Por mais que sejam desonestos, como muitos são, por mais que sejam cínicos, como muitos são, por mais que sejam canalhas, como muitos são, como falar deles?
A ética não permite.
Ética!
Como Democracia, é uma palavra que anda na boca de todos e que se tornou algo sem valor.
Tão repetidas que são, ambas se tornaram vulgares e provocam irritação só em serem ouvidas.
Veja o futebol, para muitos um ambiente não muito recomendável.
Observe que quando um comentarista, um repórter, um jornalista, seja o que for, fala mal de um jogador, não se considera algo antiético.
Mas quando um comentarista fala de outro comentarista, isso é antiético.
Quando um repórter fala de outro repórter é antiético.
Da mesma forma, quando um jornalista fala de outro jornalista.
A mesma coisa se o jogador fizer isso com relação a outro jogador.
Aproveito e abro um parêntese.
Há muitos anos fiz parte do Departamento Médico do Bahia e um dos ambientes mais éticos que conheci foi o dos jogadores.
Diria que praticamente não ouvi um jogador falar mal de outro (um em particular não era respeitado por eles e acho que foi o único que vi não ser poupado).
Talvez muitos estranhem o que acabei de dizer (não sei como é hoje, muita coisa mudou), mas conviver um pouco com eles me ensinou algumas coisas.
Fecho o parêntese.
Por que eu disse que o futebol é “para muitos um ambiente não muito recomendável”?
Todos achamos que o futebol não é um ambiente recomendável pelo “baixo nível” dos jogadores.
Infelizmente, devemos reconhecer que muitos jogadores de futebol têm origem em estratos sociais menos favorecidos sob o aspecto socioeconômico, o que leva a uma educação formal de nível inferior ou até inexistente.
Como consequência, somos induzidos a um erro grosseiro; confundir esse aspecto com caráter.
Onde eu disse “aproveito e abro um parêntese”, agora faço questão de reafirmar; foi entre os jogadores de futebol onde vi um dos mais fortes exemplos de ética.
Não teria muitas facilidades para dizer a mesma coisa em relação a outros segmentos sociais com os quais convivi e convivo.
Olhe à sua volta.
Por que precisamos de Conselhos de Ética nas nossas profissões?
Por que precisamos de Conselhos de Ética nos nossos cursos de graduação e pós-graduação?
Quem são os professores de Ética?
Você os conhece bem?
Já parou para pensar nisso?
Quais são os resultados práticos desses cursos?
Ética é algo ensinável?
Ética é algo que se aprende?
Freios e filtros
Ao longo dos séculos as sociedades precisaram de freios, que foram sendo instituídos de diversas maneiras.
O maior deles, sem dúvidas, a religião nos diz muita coisa e daí podemos tirar, quem sabe, o maior exemplo; os Dez Mandamentos, da Igreja Católica.
Até que ponto sociedades ou segmentos sociais mais desenvolvidos poderiam “dispensar” esses freios?
E os códigos e conselhos de Ética?
Diante dos tantos questionamentos (alguns vistos aí em cima) que parecem existir com relação a eles, quem poderá nos dizer que somos éticos ao falar de um jogador de futebol, mas não somos se falarmos de um colega de profissão?
Por que?
Quem poderá nos julgar?
Quem poderá nos condenar?
Sem dúvida, este é um tema muito delicado, mas há nisso tudo uma questão muito importante.
Que prejuízos o gesto, a palavra ou a ação do profissional traz ou pode trazer a um colega ou à classe?
Por que gestos, palavras ou ações no sentido contrário e que, portanto, visam proteger colega e/ou classe são passíveis de condenação moral ou mesmo judicial?
Mais do que freios, em sociedades ou pelo menos em segmentos sociais desenvolvidos, filtros seriam bem mais adequados a situações assim.
Freios são imposições da sociedade, que para isso conta com a ajuda de instituições como a Igreja e o judiciário.
Os freios costumam ser punitivos, expressão de sociedades ainda repletas de seres subdesenvolvidos.
Filtros são atributos adquiridos pela educação continuada, pelo desenvolvimento civilizatório.
Por isso, mais do que filtros sociais, eu os chamaria de filtros civilizatórios.
Apesar de não ser tão simples (precisaríamos de uma educação muito apurada, que só investimentos e tempo poderiam trazer), certamente seriam, se não a solução, mecanismos importantes nesse processo.
Freios são necessários?
Ainda sim, porque sociedades civilizadas ao ponto de elimina-los exigiriam muitos recursos, de investimentos e tempo.
Mas se freios ainda são necessários, deveriam existir em quantidade e intensidade menores.
A barbárie nada exige, a não ser bárbaros e estes ainda existem em todo o mundo.
A civilização, ao contrário, é muito exigente.
Muitas gerações são necessárias para que de fato o processo civilizatório de um povo manifeste os seus primeiros sinais.
Estamos no caminho certo?
Uma coisa é certa.
O fracasso dos códigos e conselhos de Ética e o fracasso de medidas meramente punitivas em detrimento à educação da sociedade parecem saltar aos olhos e refletem uma sociedade com grande atraso do seu processo civilizatório.
É claro que filtros, como tudo mais, também precisam de análises constantes.
Observando-os recentemente com mais atenção, percebi que alguns me seguraram demais quando me fizeram impotente diante de colegas que não apresentavam comportamento compatível com o juramento profissional, feito naquela noite inesquecível em que tudo foi festa.
Diante dos erros cometidos, o que poderia ter sido feito?
Olhando-os com mais atenção agora, vejo que alguns ainda me seguram quando me fazem outra vez impotente diante de professores que se perderam em compromissos que vão além, mais do que deveriam, daqueles assumidos pelo professor ciente do seu papel.
A omissão diante do visto traz enorme desconforto nesses bons mas duros tempos em que a lucidez se tornou uma cruel companheira.
Seria melhor ficar cego.
“Se tivesses olhos para ver o que sou forçada a ver todos os dias, também quererias ficar cego”. Personagem de (José) Saramago, no seu antológico livro “Ensaio sobre a Cegueira”.
A cegueira é amiga, traz conforto.
“O que os olhos não veem, o coração não padece”.
A lucidez fere, machuca e lhe tira o sono.
“Vocês não sabem o que é ter olhos num mundo de cegos… sou simplesmente a que nasceu para ver o horror”. Mesma personagem, no mesmo livro.
A estupidez não é novidade no Brasil, temos uma história de ódio e violência que vai longe. A novidade é a estupidez com acesso às redes sociais
Por Ronaldo Souza
Essa entrevista de Luis Fernando Veríssimo está sensacional.
Brilhante como sempre, a sutileza dele chega a níveis inalcançáveis (seria inalcanssáveis? Por favor, liga aí e pergunta ao ministro da educação) para a reserva selvagem do deprimente da república (segundo Fraga, jornalista gaúcho e um dos entrevistadores, o primeiro à esquerda na imagem aí embaixo).
Tentei trazer só as questões principais, mas como ficou difícil “deixar” alguma coisa terminei trazendo quase toda ela. Como sei que “eles” não vão ler (tem mais de cinco linhas e aí eles nem tocam) e se lessem não iam “pegar” nada mesmo, fiquei mais tranquilo.
Como diz a apresentação (logo abaixo), Veríssimo aceitou dar a entrevista em nome do combate à estupidez.
E como disse o próprio Veríssimo em outra entrevista há cerca de 3 semanas, combater a estupidez desanima.
Realmente, o estágio em que se encontra a estupidez no país é altamente desanimador.
Veja a apresentação feita pelo próprio Brasil de Fato e em seguida a deliciosa entrevista.
Por que o maior cronista brasileiro vivo aceitou esta entrevista? Não oferecemos grana nem glória – que glória, aliás, poderíamos oferecer a quem acaba de ter o romance O Clube dos Anjos traduzido para o mandarim? Aceitou pelo combate, o melhor deles, o combate à estupidez. Aí, deu no que deu: Luis Fernando Verissimo concedeu sua maior entrevista, tanto em número de perguntas como de respostas – para quem fala pouco, o homem fala pra chuchu. De quebra driblou, com brilho, não apenas o Bolsonaro como a malícia dos entrevistadores. Enfim, todos saímos ganhando, exceto o governo. Governo? Pobre palavra, como tantas outras, nas mãos dos brilhantes ustras da incomunicação.
Entrevista com Luis Fernando Veríssimo para Jornal Brasil de Fato
‘O nosso lado está com a razão mas o lado deles está armado’
Ayrton Centeno – Lembro que, lá na virada do milênio, no auge do neoliberalismo, você disse que estávamos entrando em um novo século só não se sabia qual. E agora, já descobriu?
Luis Fernando Verissimo – A gente só conhece o futuro quando ele chega, e aí não é mais futuro, é presente, e irreversível. Quem diria que o século em que estávamos entrando, no Brasil, era o 19?
Ernani Ssó – Quando Bolsonaro disse I love you ao Trump não deveria estar vestido de rosa, conforme orientação da ministra Damares?
Verissimo – Dizem que o mais constrangedor foi o Bolsonaro pedir uma mecha do cabelo do Trump e oferecer, em troca, a Petrobras.
Fraga– Vamos supor o clássico clichê com o Bozonaro: que um dia ele fosse, de espontânea vontade, pruma ilha deserta. Que livros, discos e filmes tu achas que o deprimente da república levaria?
Verissimo – Gibis do Capitão América.
Ernani– Por falar em clichê, digamos que você, num desses acasos tão comuns nas anedotas, está em um elevador com o Bolsonaro, o Moro e o Guedes e a joça tranca entre dois andares. Você daria uma bolacha em cada um e depois alegaria escusável medo, surpresa ou violenta emoção?
Verissimo – O difícil seria decidir em quem bater primeiro. O Guedes não porque só ele sabe como fazer o elevador funcionar, ou diz que sabe mas não conta? O Moro porque nem registraria o golpe, continuaria com a mesma cara de “o que é que eu estou fazendo aqui?” e saudade de Curitiba? Ou o Bolsonaro por qualquer razão?
Schröder– No teu entendimento, qual o ministro realiza melhor o projeto de gestão intelectual e técnica anunciada pelo Bolsonaro?
Verissimo – A competição entre ministros e secretários de governo é grande e fica difícil escolher o pior. No momento a liderança está entre o novo chefe da Funarte, segundo o qual o rock leva ao satanismo, e a conselheira cultural que disse que dois minuto de sexo bastam para impregnar uma mulher e mais do que isso causa dependência e socialismo.
Centeno– Paulo Guedes declarou que os pobres não sabem poupar. Como mais da metade da população vive com até R$ 413 mensais, parece que o ministro da economia fez faculdade sempre colando na prova de matemática. Ou não?
Verissimo – Guedes tem razão. Se todos os pobres do Brasil poupassem seu dinheiro nossos problemas estariam resolvidos, sem necessidade de um ministro da Economia. Mas os pobres insistem em gastar seu dinheiro em supérfluos, como comida. Assim não dá.
Centeno– Tem gente que acha que Bolsonaro e sua trupe nos prestaram um serviço: destamparam a face mais estúpida, sórdida e violenta do país que nunca havia aflorado até então. Você acha que devemos dizer “Obrigado” para ele?
Verissimo – A estupidez não é novidade no Brasil, temos uma história de ódio e violência que vai longe. A novidade é a estupidez com acesso às redes sociais.
Centeno– A sociedade brasileira está, como nunca, polarizada. Amigos rompem relações, famílias se dividem. Pior é que pessoas que você pensava que conhecia, de repente, aparecem falando em terra plana e votando em Bolsonaro. Você viveu esta experiência?
Verissimo – Sei que já tem gente usando faixas na testa com os dizeres “Estou com o Bolsonaro”, “Sou contra o Bolsonaro” e “Não quero falar de política”, sem as quais nenhum tipo de vida social será possível.
Centeno– Voltando àquela outra questão: lembra daquele clássico B de ficção científica, Invasores de corpos, do Don Siegel? Aquele onde as pessoas, ao dormirem, são substituídas por vagens vindas do espaço e se transformam em cópias sem empatia alguma. Não lembra algo familiar?
Verissimo – Estamos nos transformando em vagens. Hmmm… De certa maneira é um futuro menos assustador do que a reeleição do Bolsonaro com o Alexandre Frota como vice.
Centeno– Durante muito tempo, nossas elites sentiram-se afrontadas por Marx, homem do século 19. Hoje, parece que se sentem afrontadas por Copérnico, homem do século 16, que comprovou que nosso planeta gira em torno do Sol. Qual será a próxima conclusão secular da ciência que iremos afrontar?
Verissimo – Dizem que Copérnico, Galileu, Darwin e todos os opositores do criacionismo serão banidos dos livros escolares brasileiros e substituídos pela nova teoria do evolucionismo militar, segundo a qual toda a raça humana começou como soldados rasos e foi subindo de grau.
Ernani– Todo governo mente, claro, mas o caso do reinado Bolsonaro é especial: os mentirosos não apenas mentem como parecem, eles próprios, acreditar nas mentiras que dizem…
Verissimo – No caso do Bolsonaro o rei não só está nu como desfila com uma radiografia computadorizada do seu interior, e mesmo assim poucos, curiosamente, gritam “Ele está nu!”
Centeno– “Agora é guerra” você escreveu recentemente sobre a loucura que estamos vivendo. O problema é que, do outro lado, estão as milícias…
Verissimo – O nosso lado está com a razão mas o lado deles está com os AK 154, certo. Mas lembrem-se que o David não precisou de mais do que um estilingue.
Fraga– Dá pra imaginar como são as reuniões do condomínio do Bozo, com ele presente? Qual seria uma pauta típica?
Verissimo – Discutiriam, certamente, a contratação de porteiros mais confiáveis.
Schröder– Entre o Cabo Anselmo, o Tenente Bolsonaro e o General da Banda, quem representa melhor a tradição militar brasileira?
Verissimo – Sem dúvida o General da Banda, que nos impede de desesperar por completo dos nossos militares.
Ernani– Naquela velha comédia One, two, three (no Brasil, como sempre, ganhou um título “criativo”: Cupido não tem bandeira) do Billy Wilder, um jovem acha justo que a humanidade seja varrida da terra. Então, o personagem do James Cagney responde: “Não se saiu tão mal uma espécie que deu o Taj Mahal, Shakespeare e a pasta de dentes com listinhas”. Bom, Bolsonaro não criou a estupidez que se vê do Oiapoque ao Chuí, apenas levou as pessoas a ostentarem ela na rua e baterem no peito com orgulho. A pergunta é: depois disso a espécie tem alguma defesa, apesar da pasta de dente com listinha?
Verissimo – Além de Shakespeare, do Taj Mahal e da pasta de dente com listinha eu teria uma enorme relação de justificativas para a passagem do homem sobre Terra, começando pelo pudim de laranja e terminando pelo Charlie Parker. A espécie não é culpada pelos seus dementes e torturadores.
Edgar Vasques – Como imagina que os historiadores descreverão este período que enfrentamos? Que começou em 2016 e virou demência em 2018. E qual o papel da mídia na abertura das portas do inferno?
Verissimo – A História terá dificuldade em entender o fenômeno Bolsonaro, mas talvez desenvolva uma lógica para explicá-lo. Para a História, o tempo acaba explicando até o ilógico. Quanto ao papel da mídia, não existe uma mídia só. Entre coniventes, subservientes, bem e mal-intencionados, heroicos e bandidos, tivemos de tudo. Acho que com o tempo a História também nos compreenderá.
Centeno– A propósito, o jornalista H. L. Mencken tinha uma definição implacável do jornal médio dos EUA. Diz que tinha “a inteligência de um carola caipira, a coragem de um rato, a imparcialidade de um fundamentalista, a informação de um porteiro de ginásio, o gosto de um criador de flores artificiais e a honra de um advogado de porta de cadeia”. E os nossos?
Verissimo – Mencken era um misantropo genial. O que ele pensava da espécie humana se multiplicava quando comentava a imprensa do seu país. Não sei se a nossa imprensa merece um rancor parecido. Ou talvez não mereça outra coisa.
Ernani– Bolsonaro quer transformar todas as escolas em escolas militares. Mas, considerando o nível intelectual do general Heleno, do general Mourão e do próprio Bolsonaro, não é de se pensar que a inteligência militar é uma contradição em termos, como dizia Gore Vidal?
Verissimo – Escolas militarizadas são a consequência natural do espírito que se instalou no país, com a eleição do Bolsonaro. Vamos ver qual será a primeira a receber o nome Coronel Ustra.
Centeno– Admitindo-se a hipótese criacionista – o que parece ser questão de tempo nas escolas públicas ou não – onde Deus errou ao criar o Brasil?
Verissimo – Deus criou um paradoxo, um país gigantesco e menor ao mesmo tempo.
“Influenciada por Jéssica Senra – a jornalista baiana que viralizou ao falar sobre o caso – a atriz Juliana Paes também engrossou o coro contra a contratação do goleiro esquartejador de mulheres.
Ela lançou a tag ‘Meu ídolo não é feminicida’ e declarou-se, enfim, ‘defensora da causa da violência contra a mulher’.”
Este é um trecho da crônica “Juliana Paes não entendeu que lutar contra violência de gênero é lutar contra Bolsonaro”, de Nathalí Macedo, jornalista também baiana, noDiário do Centro do Mundo.
Nathalí sabe que há palavras e palavras, frases e frases, entrevistas e entrevistas.
Sabe também que as ditas ou feitas por “artistas” como Juliana Paes têm pouca ou nenhuma credibilidade.
Em cima do muro, veja o que ela disse há pouco tempo numa entrevista ao jornal O Globo:
“Torço para que o país dê certo independente de quem esteja em Brasília; Não bato palma para tudo que o presidente Jair Bolsonaro diz, mas vamos apoiar já que ele está lá. Não vou boicotar. Essa polarização é boba”.
Platitude na sua mais pura expressão.
É esperta quando diz“não vou boicotar”.
Será que imagina que ela ou qualquer outro mortal tem o poder de boicotar um presidente da república e faz isso a hora que quer e como quer?
Frase inteiramente descabida e tola que pretende ter algum efeito além de ser ridícula.
Não se trata de boicotar, até porque, de tão incompetente, o próprio governo se boicota e não faz outra coisa desde que tomou posse.
Pessoas como Juliana Paes dizem frases que parecem, aos tolos, ter algum conteúdo, quando, na verdade, nada dizem. Não dizem o que talvez até desejassem dizer e se escondem em palavras e frases ditas ao vento, sem nenhum valor.
Talvez por ignorância mesmo ou por conveniência cínica, desconhecem ou ignoram a verdade que poderia estar na frase, mas, por desonestidade ou covardia, não está.
Fazer uma tag ‘Meu ídolo não é feminicida’ e declarar-se “defensora da causa da violência contra a mulher” nessas condições é absolutamente lamentável.
Típico de quem, mais uma vez, por ignorância, cinismo, oportunismo ou covardia, seja o que for, não assume que para ser isso que ela quer mostrar não pode sair por aí dizendo que“vamos apoiar (Bolsonaro) já que ele está lá. Não vou boicotar. Essa polarização é boba”.
Puro oportunismo e demonstração de desconexão total com os fatos.
Como conceber tamanha incapacidade de correlacionar as coisas em pessoas que, como ela, têm acesso à informação?
Hastear a bandeira contra o feminicídio e dizer-se “defensora da causa da violência contra a mulher” e eleger e defender Bolsonaro é jogar pra torcida de forma vergonhosa.
E o que é pior, joga para as duas torcidas.
Bolsonaro representa tudo isso e mais alguma coisa que ela agora diz lutar contra.
Se agora Juliana Paes é isso que tenta mostrar ser, que venha a público, afinal ela é uma personagem pública, e assuma a sua reprovação aos homens que ofendem, humilham, agridem, estupram e matam mulheres, porque assim fazem mulheres de verdade.
Só assim ela teria alguma credibilidade, seria respeitada e fortaleceria a luta das mulheres.
Caso contrário, ela se torna uma mulher desprezível.
Ou será que somente o goleiro Bruno justifica a tag ‘Meu ídolo não é feminicida’?
E o outro ídolo, o mito?
E Mariele?
E Maria do Rosário?
E as tantas mulheres, inclusive jornalistas e atrizes, que foram e são ofendidas, humilhadas e agredidas por ele em todos esses anos de sua vida como político?
Será que a artista de novelas Juliana Paes não está vendo o que esse governo fez e está fazendo com a atriz e grande dama da dramaturgia brasileira Fernanda Montenegro, mulher como ela?
Ou ela, como tantas outras, também não é capaz de associar e correlacionar palavras, gestos e ações de homens como ele e os que o assessoram?
“Defensora da causa da violência contra a mulher”???
Como diria o escritor português Eça de Queiroz, “ou é má fé cínica ou obtusidade córnea”.
Voltei no tempo, doze anos atrás, quando escreviA vida é bela.
“Todos vamos ao teatro, ao cinema, aplaudimos, rimos, choramos e depois vamos a um jantar, deixando para trás qualquer relação que aquilo que nos fez aplaudir, rir, chorar, possa ter com as nossas vidas. É só diversão, lazer, entretenimento. Perdemos o senso crítico. Não aquele de julgar o desempenho do ator e da atriz, mas, o que nos leva a fazer projeções, inferências, tentando trazer aquela obra para a vida, ou vice-versa…
Falei então sobre o filme Central do Brasil, por coincidência, brilhantemente interpretado por Fernanda Montenegro e concluí assim o texto.
A vida é bela. Viram? Então, com toda certeza, riram e choraram. Mais uma vez, a arte tenta mostrar como, às vezes, fazem a vida. Quem poderia, nas nossas vidas, gerar atos de tamanha violência, mesmo que disfarçada. Quem, pelo poder, poderia esquecer os mais elementares direitos à vida, através da arrogância e da prepotência. Mas, sobretudo, quem, como a personagem do filme, tem procurado dar vida à vida?
Sem profundidade, Juliana Paes representa um segmento que nada tem a acrescentar, que não vê e não sente a vida como ela é.
São passageiros do barco da conveniência.
Um barco de viagens curtas, cujo destino é a meta traçada.
Nada mais.
“Boa Praça”
Era o primeiro “Boa Praça” deste ano.
É como é conhecida uma “feirinha” muito legal, realizada regularmente em algumas praças de Salvador. Nesse caso, naquela em que faço minhas caminhadas, sobre a qual falei há poucos dias emLuzes do Natal.
Um pequeno pedaço da noite de domingo, 12/01.
A emoção tomou conta.
Hey Jude, don’t make it bad Take a sad song and make it better Remember to let her into your heart Then you can start to make it better
Something in the way she moves Attracts me like no other lover Something in the way she woos me I don’t want to leave her now You know I believe and how
A praça se emocionava a cada música, estava bonito demais.
Com a minha mulher e nossas filhas, emocionei-me algumas vezes ao som da banda cover dos Beatles.
Imagine.
Viajei.
Uma viagem gostosa, doce, suave, romântica.
Uma viagem em que emoção e lágrimas insistiam em não aceitar qualquer tentativa de contenção, como se quisessem se exibir.
Mas havia algo estranho, que incomodava.
Algo não batia.
O que queria dizer John Lennon com “Imagine there’s no countries…, nothing to kill or die for…, living life in peace…, a brotherhood of man…, and the world will be as one?
Um mundo sem fronteiras, sem posses, o homem vivendo uma irmandade, em paz, o mundo vivendo como se fosse uma coisa só, igual.
Será que aquelas pessoas sentiam John Lennon e atendiam ao seu pedido “to let her into your heart”?
Não, não conseguia acreditar que os que estavam ali participando entusiasticamente daquele pequeno e maravilhoso pedaço da noite de domingo estivessem sendo capazes de sentir os Beatles.
Não acreditava que estivessem sendo capazes de entender que para sentir os Beatles é preciso amor.
Não existe Beatles sem amor.
Apesar das aparências, aquele contexto já é conhecido e não permite grandes esperanças.
Ou alguém duvida que naquela praça, daquele bairro, onde só residem pessoas do bem, muitos que estavam ali, eu diria com grandes chances de serem maioria, seriam pessoas que, como Juliana Paes, falam do amor, do amor à mulher, mas idolatram quem a maltrata?
É possível entender e sentir o pulsar da alma da mulher e cantar o amor por ela “ao lado” de alguém que descreve o nascimento da filha como uma “fraquejada”?
Eles amam?
Conhecem verdadeiramente esse sentimento que alimenta o mundo, que o transforma e permite que os que amam ainda encontrem força e razão para viver nele.
Será que aqueles que estavam naquele espaço conseguiam entender a conexão que deveria existir ali para dali levar para tantos outros espaços como aquele?
Estavam sentindo as vibrações que emanavam naquele momento ou simplesmente mais uma vez voltariam para casadeixando para trás qualquer relação que aquilo que nos fez aplaudir, rir, chorar, possa ter com as nossas vidas?
Haveria ali, de fato, vida pulsante, ou seria aquele mais um barco da conveniência, com meros passageiros sem nada a acrescentar, que não veem e não vivem a vida como ela é?
Lembra que citei o escritor português Eça de Queiroz aí em cima, quando ele diz “ou é má fé cínica ou obtusidade córnea”?
Acho que são as duas coisas.
Eles se deixaram levar pelo preconceito e ódio e se tornaram obtusos e cínicos.
Desejo-lhes o mal?
Não, a cada um deles desejo que evolua, se reencontre e se reconcilie consigo mesmo para que tenha um final com a alma menos atormentada.
E aí só com amor no coração.
Só ele constrói.
Ou reconstrói.
All you need is love All you need is love All you need is love Love Love is all you need
Cantamos mais um no sábado (11/01) da inauguração do novo Centro de Treinamento do Bahia.
Centro de Treinamento, CT, Cidade Tricolor, Centro de Treinamento Evaristo de Macedo… como quer que venha a se tornar mais conhecido, é… mais um, mais um Bahia, mais um, mais um título de glória, mais um, mais um Bahia, é assim que se resume a sua história.
Sim, é assim que se resume a sua história, uma história repleta de glórias.
Desse passado de glórias, dá-se agora mais um grande passo para um futuro que honra e dignifica a existência de um clube de futebol.
E muitas coisas ocorreram até a chegada desse momento.
Coisas que também aconteceram na vida de outros clubes, mas que não tiveram a mesma resposta, algo aliás muito natural, afinal os clubes não são iguais.
Não é pelo desejo de alguém, seja do presidente ou mesmo da torcida, que um time é ou se torna grande.
Como disse Guilherme Bellintani, atual presidente do clube, no seu discurso, entre os requisitos necessários para que um time seja de fato grande, ele precisa de ousadia.
Não a ousadia dos simplesmente ousados, dos atrevidos, fruto da ignorância ativa.
A ousadia construída e alicerçada na consciência da visão capaz de transformar o imaginado no por realizar.
A inauguração da Cidade Tricolor – Centro de Treinamento Evaristo de Macedo, sem dúvida, pelas suas características, eleva o Bahia a um patamar jamais alcançado pelo clube e representa o grande salto de qualidade que está sendo dado.
Mas não é essa a maior ousadia.
O Bahia foi o primeiro campeão nacional do Brasil.
O Bahia foi o primeiro time do Brasil a disputar a Copa Libertadores das Américas.
O Bahia é o único time do Nordeste a se sagrar bicampeão brasileiro.
O Bahia foi o primeiro…
Não, não vou dizer que o Bahia foi o primeiro time do Brasil a ser manchete no The Guardian.
Não vou dizer que o Bahia foi o primeiro time do Brasil a merecer uma matéria especial no The Guardian.
Talvez até seja, não sei.
Afinal, o Bahia é o primeiro em um bocado de coisa.
E hoje é o time mais progressista do Brasil.
Não pense que é porque o The Guardian disse.
O The Guardian só fez reconhecer, como outros já o fazem e mais outros ainda o farão.
O Bahia é!
Ponto.
E também não é porque inaugurou o Centro de Treinamento (ainda inconcluído) mais moderno do Norte e Nordeste e um dos mais modernos e melhores do Brasil.
O Bahia é o time mais progressista do Brasil porque ousou ir muito além do jardim.
Nunca, jamais, em tempo nenhum, qualquer outro time de futebol do país se voltou para o seu povo, para a sua torcida, a Torcida de Ouro do Brasil como há poucos anos reconheceu a CBF, como fez e faz o Bahia.
Num esporte cuja origem das pessoas que na sua imensa maioria o praticam tem as suas raízes nas camadas mais simples da população, nunca um clube de futebol fez e está fazendo tanto para trazer essas pessoas de volta para o centro das discussões.
Nunca, jamais, em tempo nenhum, um clube de futebol ousou tanto assim.
Nunca, um clube de futebol estimulou e promoveu tantas ações de inclusão social como fez e está fazendo o Bahia.
Nunca, um clube fez tanto para trazer de volta esse segmento da sociedade cujo mérito, o fato de ter sido a grande razão de existir do futebol brasileiro, de te-lo feito forte e motivo de orgulho nacional, como já foi, pasmem, foi esquecido.
Aos poucos afastado, o povo brasileiro, berço de grandes craques e do gênio do futebol nacional e internacional, vê agora o acenar de uma bandeira.
Uma bandeira branca, chamando para a Paz no futebol.
Uma bandeira branca que traz todas as cores, raças, credos, religiões, gêneros…, hoje tremula no coração de um clube de futebol.
Sim, um clube que tem coração e alma.
Que deu ao seu povo o direito de escolher o presidente do seu time, algo tão parte da sua vida, como nenhum outro fez.
Até pelo preço da cerveja para o seu torcedor dentro da Fonte Nova o Bahia brigou.
E ganhou.
Fez reduzir o seu preço.
“O Bahia reduziu preços, deu voz aos torcedores, abordou questões políticas e se dedicou ao ‘carinho, integração e amor”, diz a matéria do The Guardian.
Sem dúvida, ousadias jamais tentadas.
Ousadias ousadas demais.
Ousadias do Bahia.
Bahia Bahia minha vida Bahia meu orgulho Bahia meu amor…