Podres poderes

Bolsonaro, sempre idiota

Por Ronaldo Souza

Na esteira das mentiras deslavadas, tudo é permitido.

Ainda mais agora (já há algum tempo) que o abominável se incorporou às nossas vidas, amenizado e contando com a colaboração da nossa tradicional postura de eternos colonizados.

Sob a força da americanização da nossa fala e escrita, a própria imprensa recorre com frequência assustadora às fake news.

Como fez, mais uma vez para o deleite dos seus iletrados leitores, a revista Veja.

Capa da Veja

Quando o desprovido de tudo que ocupa a presidência postou o texto no seu twitter lá em cima, ele já sabia que a matéria da Veja era mentira.

Em menos de 24 horas, o delegado que tomou o depoimento de Marcos Valério negou o que diz a capa do “detrito sólido de maré baixa”, como Paulo Henrique Amorim chamava a Veja.

Observe o que diz o delegado, que inclusive tem os vídeos do depoimento.

“O Marcos Valério nunca afirmou que Lula é o mandante do assassinato de Celso Daniel”, disse ao DCM o delegado Rodrigo Pinho de Bossi, a autoridade que tomou o depoimento que Veja utiliza para construir a versão de que o ex-presidente está envolvido na morte do ex-prefeito de Celso Daniel.

“A Veja está querendo influir no julgamento da segunda instância, e nessa farsa posso dizer, com certeza, que há a ação de Mara Gabrilli”, afirmou, em referência à senadora do PSDB que é filha de um empresário do setor de ônibus que admitiu, em depoimento a uma CPI de Santo André, que participou, conscientemente, do esquema de corrupção que existia na cidade mesmo antes da administração petista.

Na sequência o promotor do caso e o empresário Ronan Maria Pinto também negaram a matéria da Veja.

Mas, ao desprovido de tudo nada importa. Só importa o que o beneficia.

O desprovido de tudo nada mais tem a dizer, ele sabe disso.

Mas ele precisa continuar dizendo nada.

Como, em visita à China, dizer que a China é um país capitalista.

Não procure entender porque ele consegue dizer nada, ou tudo quando se trata de asneiras, com a convicção de que é assim que ele cativa os seus seguidores/eleitores.

Ele fez tanta bizarrice que a conseguiu fazer rir.

A frase acima consta em um dicionário como exemplo para ajudar na definição de bizarrice.

O que seríamos se ríssemos da bizarrice do bizarro presidente eleito por eleitores bizarros?

Bizarros também.

O que faz ele, então?

Aposta nos seus seguidores/eleitores, o que mostra que, mesmo sem saber, recorre ao surreal; não se pode confiar no que não tem base.

E, por mais que até professores tentem negar, a base de qualquer coisa será sempre o conhecimento, jamais o desconhecimento.

É o absurdo desconhecimento sobre política que faz coisas como eleger um inútil político de 28 anos de inútil atividade política, cuja campanha foi feita como não político, atacando e desqualificando política e políticos.

É muita burrice junta.

Só idiotas consagrados entram em canoas furadas como ‘escola sem partido’, ‘mamadeira de piroca’, ‘kit gay’…

Como se chama o que ele fez quando “conversou” com ex-colegas de parlamento por 28 anos para aprovar as reformas que retiram direitos da sociedade, inclusive dos nossos sábios e dignos professores?

Até pouco tempo, na velha política, isso se chamava de toma-lá-dá-cá.

Como se chama hoje, na nova não-politica?

Mimo?

Um singelo mimo para para os que votarem pela aprovação?

Alheios a tudo, ontem os miquinhos amestrados estiveram com Aécio, hoje estão com o desprovido.

Outro desprovido já está sendo preparado para eles votarem amanhã.

Um televisivo animador de auditórios?

Deem ao povo qualquer coisa.

Pão e circo?

Podemos?

Uma coisa é fato.

Já há mostras evidentes de que, mesmo entre os desprovidos seguidores, muitos já estão abandonando a nau bolsonarista, por perceberem que o naufrágio é inevitável.

“Aqueles”, não.

“Aqueles” continuarão existindo porque constituem o equilíbrio da vida, a imperfeição do perfeito, sem a qual a vida seria um tédio.

Como dizia Eduardo Galeano, escritor e jornalista uruguaio, “o enfadonho mundo perfeito dos deuses”.

Tão claro quanto isso é reconhecer que a vida vazia e sem razão dos cães raivosos os fará continuar latindo e espumando ad aeternum.

Necessários para a existência do dito popular; “enquanto os cães ladram, a caravana passa”.

Lembra quando escrevi Somente idiotas?

Bem antes daquele texto já estava claro que eles não são somente idiotas, vai muito além disso.

Naquele momento, a canalhice já se tornara evidente e se exibia sem nenhum pudor.

Mas, justiça se faça; já há algum tempo eles a assumiram definitivamente.

Um velhinho de 74 anos

Em uma das viagens de Lula à Europa, ainda como presidente, Clóvis Rossi foi um dos jornalistas destacados para cobrir a viagem.

Em um dos eventos, Rossi tomou uma queda e fraturou (soube-se depois) duas ou três costelas, não lembro exatamente. Lula interrompeu o que estava fazendo no encontro e não só se aproximou de Rossi como determinou que o médico da presidência o acompanhasse até o hospital. Terminada a reunião, Lula foi até o hospital visita-lo.

Todos sabiam que Clóvis Rossi vivia “esculhambando” Lula e ficaram surpresos com o seu gesto, porém, quem conhece o ex-presidente de perto diz que isso é típico dele.

Conversaram, brincaram, muitos surpresos com o clima que Lula conseguiu criar no ambiente, Lula teve que voltar. Não sem antes ouvir de Clóvis Rossi:

‘Presidente, o senhor é um péssimo presidente, mas uma figura humana formidável’.

Trago o texto acima de um artigo que escrevi em novembro de 2014 e nunca postei aqui, para mostrar o que sempre fizeram com Lula.

Veja o que o próprio Clóvis Rossi, jornalista da Folha, dizia; “… acho que os governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva foram os melhores …”.

Ou seja, Rossi tinha que se desfazer de Lula e seu governo e, mesmo atenuado, o veneno tinha que ser expelido.

Por que buscaram sempre humilhar Lula?

Por que continuam tentando incansavelmente elimina-lo da cena política?

Não, não, por favor, não argumentem com “Lula ladrão, o mais corrupto…”, nem vocês acreditam mais nisso, a não ser que a estupidez tenha chegado a níveis inimagináveis.

“A inteligência humana tem limite, a estupidez não”.
(Frase atribuída a muita gente mas que parece ser de Claudinei Pereira)

Por que o temem tanto?

Como não conseguem perceber que nessa perseguição irracional só o fizeram crescer e agigantar-se?

Seria Lula de fato um gigante ou simples reflexo da burrice e incompetência dos seus adversários?

Chegaram a tentar transformar um pobre coitado em mito, um homem que só fez agigantar-se a sua própria estupidez, tamanha a necessidade de eliminar aquele que há muito tempo, ele sim, tornou-se um verdadeiro mito para o povo brasileiro.

Todos os poderes desse país, com seus homens e mulheres poderosos, estão ajoelhados na sua pequenez e mediocridade diante dele.

Prenderam-no mas nunca conseguiram e jamais conseguirão lhe tirar o espírito da liberdade, que goza enjaulado numa cadeia criada por homens e mulheres pequenos e covardes, todos presos no seu pequeno mundo de poderes apodrecidos por auto-degradação.

Sucumbiram e se degradarão mais ainda diante de algo muito maior que todos eles juntos.

Homens e mulheres descerem mais ainda os degraus dos porões que levam ao mais sujo e podre dos mundos.

Tudo pela tentativa de destruir um velhinho que está fazendo 74 anos.

Lula, feliz aniversário.

Reconvexo

Reconvexo

Por Ronaldo Souza

A deselegância grosseira de um bobo

Poucos dias antes, Renato Gaúcho tinha questionado a competência de Jorge Jesus, o técnico do Flamengo.

“(…) ele tem uma seleção nas mãos, qualquer um é técnico assim. Ele tem o que, 65 anos? Com essa idade, qual o título importante que ele tem…?”.

Além de mais uma vez se autoelogiar e se autoproclamar o melhor técnico do Brasil, foi quase que literalmente com essas palavras que Renato Gaúcho pretendeu desqualificar Jorge Jesus.

Inaceitável.

Como explicar essa agressão?

Nada justifica.

Um visitante que deveria ser bem-vindo, como todos têm sido ao longo da história desse país.

Não bastasse isso, alguém cuja origem e ligação com a nossa própria História dispensa apresentações e comentários.

Dias depois, o triunfo do Bahia sobre o Grêmio.

Dispenso-me de qualquer comentário sobre o jogo em si, para o qual os comentaristas atribuíram a vitória do Bahia aos seus próprios méritos.

Por que, apesar de não cita-lo nominalmente, aquela agressividade com Roger Machado, afinal, como treinador do Bahia, ele era talvez a principal razão da derrota do time de Renato?

Ainda que a absoluta certeza da vitória antes da partida, que só a arrogância e prepotência possibilitam, permitisse a Renato ostentar a soberba que lhe é característica, por que a tentativa de tirar o mérito do Bahia com aquela deselegância grosseira?

A elegância sutil de Bobô

Zózimo (Barroso do Amaral), consagrado colunista social do Rio de Janeiro, não suportou.

Era demais para ele.

Um time baiano chegava ao topo do nosso futebol; o Bahia se sagrava, mais uma vez, campeão brasileiro.

Naquele time um jogador se destacava; Raimundo Nonato Tavares da Silva.

Não, você não o conhece.

Talvez o conheça como Bobô.

Um grande jogador, fora do padrão.

O fora do padrão não interessa, pelo contrário.

Ele é “sinônimo” de fora da ordem.

Baiano, para alguns ele era mais um “baiano”, para outros mais um “paraíba”.

Nordestino.

Sem fazer o vestibular do Sul (para entender essa expressão, leia Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo), como bem definiu Alceu Valença, grande compositor/cantor pernambucano, Bobô foi convocado para a Seleção Brasileira jogando no futebol baiano, no futebol do Nordeste.

Direto da Bahia para a seleção brasileira.

E a carioquice de Zózimo não estava preparada para isso.

Como tem acontecido com frequência nos últimos tempos, o comentário pejorativo feito por Zózimo à época só expôs a causa de tudo que acontece neste país; o preconceito.

Preconceito que encontra nas mentes frágeis a sua morada ideal.

O futebol de Bobô nasceu na Bahia.

O futebol de Bobô se fez na Bahia.

A “elegância sutil de Bobô” era baiana.

E aquela elegância sutil não era comumente vista entre muitos daqueles que, como ele, jogavam futebol.

Ele não fazia parte da corrente.

Estava um pouco à margem dela.

Era, portanto, um marginal.

Um estranho no ninho.

Não, não é comum que alguém que não seja do “sul maravilha” ou que não tenha “passado” por lá se destaque no Brasil.

Não se aceita.

Aproveito mais um pouco de Caetano Veloso, quando ele diz em outra de suas belas músicas que “alguma coisa está fora da ordem, fora da ordem mundial…”, para dizer que muita coisa está fora da ordem.

Entretanto, não haveremos de permitir a grosseria, a tentativa de desqualificação das pessoas, o xingamento, a ofensa, a agressão gratuita.

Nada disso pode se incorporar a um povo que sempre teve como característica marcante tentar com todas suas forças  espaços iguais para os Bobôs e Renatos.

Particularmente a Bahia e o Bahia, que apresentaram Bobô ao Brasil, mas souberam receber muito bem Renato Gaúcho quando aqui esteve como técnico do Bahia e agora o faz com Roger Machado que, como Renato, é mais um gaúcho que nos honra com a sua presença.

Veja um trecho da entrevista de Roger à revista Época:

Época: Hoje o senhor mora em Salvador, cidade de população majoritariamente negra. Isso também estimula a falar sobre racismo?

Roger: Há uns dias, estava trocando mensagens com Guilherme (Bellintani, presidente do Bahia) e disse: “Hoje eu acordei com uma sensação de pertencimento tão grande a esse lugar e estou tão feliz de estar aqui no clube”.  Depois de minha manifestação, novamente a gente trocou mensagens e lembrei dessa conversa. Disse para ele que a Bahia e o Bahia me empoderaram para que eu tivesse a coragem de dar aquela declaração. O fato de, hoje, estar inserido nesse contexto me ajudou muito a dar aquela resposta sobre o tema.

A Bahia soube e sabe entender Renato, mas se permite amar Roger.

A Bahia, com sua eterna magia e beleza, estará sempre de braços abertos.

O Bahia, o primeiro campeão brasileiro, o primeiro time do Brasil a disputar a Libertadores, retoma o seu lugar no futebol brasileiro.

Um clube que se renova, inova e assume, mais uma vez, o pioneirismo que faz parte da sua história ao promover ações sociais jamais vistas no futebol.

Se a Bahia é o berço do Brasil é também a consolidação da sua independência, pois foi aqui que se deu a confirmação da Independência do Brasil.

Como reza a nossa tradição, estaremos sempre de braços abertos, para todos e, como demonstram as suas histórias, a Bahia e o Bahia representam um povo que se formou na luta e por isso sabe absorver como poucos eventuais agressões sofridas aqui e ali.

Somos assim.

Continuaremos sendo assim.

Com a elegância sutil de Bobô.

Além das fronteiras

Pink Floyd''

Por Ronaldo Souza

Há várias maneiras de se fazer sucesso, ou, quem sabe melhor dizendo, de parecer aos outros que é uma pessoa bem sucedida.

Se Hamlet já se debatia com o “ser ou não ser?”, hoje a angústia está na busca do parecer ser.

Não à toa, muitos precisam do carro importado, caro e bonito.

Frequentar determinados ambientes faz parte desse cardápio.

Assim, restaurantes precisam ser aqueles que pessoas de bem frequentam.

O vinho à mesa não pode faltar.

É claro que ambos, o bom restaurante e o bom vinho, são de fato merecidos e curtidos por muitos, mas para alguns o objetivo é mais abrangente e menos nobre.

Há algum tempo um colega disse a outro que se associara ao Yacht Clube da Bahia, ou simplesmente Yacht, porque “precisava ser visto frequentando o Yacht”.

Não, não estou brincando.

Ou fingiremos sempre dizendo que não somos assim?

Todos, o que quer que sejamos, somos verdadeiros?

Nem a Santa Dulce perdoaria tamanha “ingenuidade”.

Gosto de homens e mulheres que se “atiram” em alguma coisa.

Homens e mulheres que não se limitam.

Que ousam ir além do jardim.

Se sabemos o quanto é difícil vê-los hoje em qualquer segmento, como imagina-los no futebol?

Olhe para trás e veja o quanto você pode tirar do que já viu e ouviu.

Há atores consagrados, inclusive entre nós, que saem da zona de conforto e se transformam em diretores e ousam.

Quantos o fazem na música, na literatura, na Odontologia, na Medicina, no Direito…?

Quantos o fazem na política?

Quantos o fazem no futebol?

Roger Machado fez, Roger Machado faz.

Gosto de homens e mulheres que ousam.

Gosto de homens e mulheres que rompem limites.

Esses homens e mulheres têm um encontro marcado.

Com eles mesmos.

Roger Machado e Época

Por Elton Serra

Quando chegou à sala de imprensa do Maracanã, Roger Machado, de 44 anos, não imaginava que sua entrevista coletiva pudesse ganhar repercussão nacional.

Para o treinador, explicar a derrota de sua equipe, o Bahia, para o Fluminense parecia ser a tarefa mais difícil.

Ele se preparava para responder às críticas pela derrota de 2 a 0 no último sábado 12. Até que uma pergunta sobre racismo no esporte alterou o foco da conversa.

Machado e o técnico Marcão, do Fluminense, são os dois únicos treinadores negros da elite do futebol brasileiro.

O vídeo com a resposta de Machado a respeito do tema passou a ser compartilhado nas redes sociais e alcançou até mesmo o público que não acompanha o Campeonato Brasileiro.

Gaúcho de Porto Alegre, Machado começou a carreira de treinador em 2014, quando assumiu o time Juventude de Caxias do Sul.

Com passagens marcantes por Grêmio, Atlético-MG e Palmeiras, chegou ao Bahia em abril deste ano e logo criou uma relação de afinidade: o time baiano, engajado em questões sociais, cativou um técnico que procura seguir os mesmos princípios.

“Negar e silenciar é confirmar o racismo. Minha posição como negro na elite do futebol é para confirmar isso”, disse o treinador na entrevista coletiva.

Formado em educação física, Roger ingressou no ensino superior depois dos 34 anos. Antes, buscava conhecer um pouco mais a sociedade por meio de livros presenteados por sua irmã e os devorava durante as viagens como atleta de Grêmio, Fluminense e Vissel Kobe, do Japão.

Em entrevista exclusiva a ÉPOCA, o treinador do Bahia fala sobre como construiu sua visão política e analisa o preconceito racial que ainda existe no Brasil.

O senhor esperava tanta repercussão após sua entrevista coletiva no Maracanã?

Não esperava. Na verdade, o que relatei, me baseando em dados, foi algo que sempre foi de senso comum. O racismo estrutural é de conhecimento geral. Confesso que não esperava uma repercussão tão grande de algo que, para mim, as pessoas sempre souberam. Como muita coisa no Brasil é um tabu, talvez as pessoas não queiram discutir o tema. Descobri que muitas pessoas não querem ouvir sobre esse assunto.

O senhor disse que não deveria ser novidade ter dois técnicos negros treinando clubes da Série A e que o preconceito no Brasil é estrutural. Como é possível acabar com essa forma de racismo no país?

A gente precisa deixar de negar que o racismo existe. É preciso aceitar essa condição, refletir sobre isso e, conjuntamente, buscar alternativas para solucionar esse problema. Ou a gente entende que não há esse problema, o que para mim é hipocrisia, ou assume que existe racismo. Na medida em que as pessoas afirmam que não existe racismo no Brasil, a gente pelo menos precisa tentar entender o porquê de tanta desigualdade. Uma parte importante é a educação. Um cidadão educado tem a condição de discernir com mais facilidade o que é certo e o que é errado.

Como o ambiente do futebol tem recebido seu posicionamento sobre o tema?

Muita gente me parabenizou, falou de minha coragem e tranquilidade, do aspecto didático e do conhecimento apresentado com embasamento. Confesso que coragem não é ausência de medo, porque senti receio de como as pessoas receberiam o que eu estava falando. Por dentro eu estava fervendo, meu coração estava batendo a 180 por minuto. Eu entendia que tinha de estar tranquilo para não parecer que estava me vitimizando, muito menos usando o tema como uma tentativa de revanche diante de um problema social tão sério. Não acho que deva ser parabenizado pelo que falei, sendo esse um assunto que todos deveriam abordar.

Hoje o senhor mora em Salvador, cidade de população majoritariamente negra. Isso também estimula a falar sobre racismo?

Há uns dias, estava trocando mensagens com Guilherme (Bellintani, presidente do Bahia) e disse: “Hoje eu acordei com uma sensação de pertencimento tão grande a esse lugar e estou tão feliz de estar aqui no clube”.  Depois de minha manifestação, novamente a gente trocou mensagens e lembrei dessa conversa. Disse para ele que a Bahia e o Bahia me empoderaram para que eu tivesse a coragem de dar aquela declaração. O fato de, hoje, estar inserido nesse contexto me ajudou muito a dar aquela resposta sobre o tema.

O senhor também citou temas como misoginia em sua entrevista coletiva. Outras questões sociais além do racismo precisam ser debatidas dentro do futebol?

Acredito no futebol como uma ferramenta. Ele é meio, e não fim. O futebol tem poder de alcance muito grande, por meio da paixão e do amor. Nós vivemos estruturalmente numa sociedade cheia de preconceitos e não devemos ter vergonha de assumir que temos preconceito de algum tipo, porque nós crescemos nessa estrutura de sociedade machista. A primeira coisa que precisamos fazer para mudar é aceitar que o preconceito existe. Não falar sobre racismo, homofobia, machismo e violência doméstica não diminui os casos. Falar sobre o assunto, ter órgãos para defender a mulher, ajuda. O que falta a nossa sociedade é empatia, se colocar na condição do outro para poder entendê-lo sem julgá-lo e aceitá-lo da forma que ele é.

Roger Machado '

O papel de um técnico de futebol vai além da discussão sobre o jogo?

Tanto dentro como fora de campo, tento influenciar positivamente as pessoas, seja por meio do jogo, de posicionamentos ou condutas. O futebol pode ser uma ferramenta de transformação social e que pode ser alcançada pelo jogo. Não faria sentido nenhum trabalhar num segmento em que você pode ter alcance e atingir apenas um lado. Eu me vejo também como um ativista político dentro do futebol. Muita gente diz que futebol e política não se misturam, mas eu discordo. Viver é fazer política. Se no final do livro da minha vida estivesse escrito: “Esse indivíduo ajudou a construir o esporte, mas acima de tudo ajudou a usá-lo como uma ferramenta de transformação”, eu estaria satisfeito e poderia morrer em paz.

Roger Machado, um grande técnico de futebol, um grande homem

Roger Machado

Por Ronaldo Souza

Como é que se perde um gol daquele, debaixo da trave?

Como é que um jogador de futebol profissional comete um pênalti infantil daquele?

O time se desencontrou no gol sofrido naquelas condições e fez um primeiro tempo ruim.

Voltou completamente diferente, jogou muito mais do que o Fluminense e o dominou em boa parte do segundo tempo.

Apesar de não dito por alguns, ficou bem claro para todos, inclusive para os comentaristas, que o Bahia merecia ganhar o jogo.

Gerson, o canhotinha de ouro, campeão mundial na Copa de 1970 e hoje comentarista de futebol, disse que o Bahia merecia ganhar de pelo menos 5 a 2.

Fiquei tão chateado com o resultado que não queria mais ver futebol ontem à noite.

Pensei em procurar um filme para assistir.

Resolvi, porém, assistir ao Troca de Passes, do SporTV, que tinha transmitido o jogo.

Liguei a televisão na hora da coletiva pós-jogo de Roger Machado.

Na coletiva ele mostrou com clareza e palavras cuidadosas, como sempre o faz, o que me tinha feito ficar chateado com o resultado; “confiança excessiva gera autossuficiência”.

Veja o que disse Flávio, volante do Bahia; “menosprezamos o Flu; quando acordamos, estava 2 a 0”.

Ainda que se saiba que é simplesmente impossível um time se manter concentrado todo o tempo, a rigor, nenhum jogador ou time poderia ter esse tipo de relaxamento.

Independente disso, há algum tempo desejo falar do Bahia e Roger Machado, mas o pouco tempo de que disponho nesses últimos dias não tem permitido.

Mas hoje, não.

Deixando esse texto sobre o Bahia e Roger para depois, tenho que falar alguma coisa porque seria impossível ficar indiferente à entrevista dele após o jogo contra o Fluminense.

Mais uma entrevista de Roger.

Tom de voz sempre sereno, faz ótima leitura do jogo, com honestidade, simplicidade, sem fazer malabarismos para enganar o torcedor. É uma das melhores coletivas pós-jogo do Brasil.

Mais uma entrevista de Roger.

Não, não foi.

Uma repórter lhe fez duas perguntas, a primeira sobre a campanha publicitária contra o racismo que ele e Marcão, técnico do Fluminense, também negro como Roger, protagonizaram no Maracanã e a segunda sobre sua rejeição ao convite do Internacional para dirigi-lo após a demissão de Odair Helman.

Disse que ia começar pelo fim e com toda elegância falou sobre o convite do Internacional e porque optou por ficar no Bahia.

E aí Roger sai da entrevista e entra Roger.

Sai o técnico de futebol e entra o homem.

Ao palco, quem sobe para falar não é o dentista, o médico, o arquiteto, o advogado…

É o professor.

Muitos não entendem que existem diferenças sutis e numa considerável quantidade de vezes nem tão sutis, entre uma e outra coisa.

Daí esse horror de palestrantes que rodam por aí e pouco ou nada dizem, só vendem.

O verdadeiro professor, não, um auditório inteligente percebe a sua presença e o distingue.

Aos palcos do futebol têm subido pessoas ligadas ao mundo do futebol, um mundo, permito-me toda a franqueza, onde, apesar dos altos salários, há enorme pobreza.

Acostumamo-nos a ver no futebol uma pobreza monumental e não falo dos jogadores, mas também dos dirigentes (com poucas exceções), dos técnicos e de boa parte da própria imprensa.

Ressalve-se que entendemos, acho que todos nós, as dificuldades que existem nesse sentido entre os jogadores, dificuldades que têm origem na condição social e que cada vez mais vão diminuindo, ainda que lentamente.

Observe, por exemplo, como se manifestam os técnicos de futebol, quando o fazem, sobre os diversos problemas da sociedade.

É assustador.

Inclusive técnicos campeões mundiais de futebol.

Nunca, em qualquer momento da minha vida, vi uma pessoa ligada ao futebol se agigantar da forma como Roger Machado fez.

Foi uma verdadeira aula de História, sensibilidade, bom senso, serenidade, coisas poucas vezes vistas no futebol.

Quando a reportagem voltou aos estúdios do SporTv, o comentarista André Lofredo estava perplexo e disse que nos seus 20 anos de futebol nunca tinha visto nada igual, comentando em seguida; “não tenho nada a acrescentar, nada a dizer a não ser bater palmas”.

E o fez, bateu palmas para Roger Machado em pleno estúdio do SporTv.

Coisa que eu tinha feito poucos minutos antes na minha casa.

Em seguida, Ana Thaís Matos disse; “gente, eu nunca vi isso, ele falou de feminicídio, deu uma aula de História…”

Ainda a se considerar, a coragem de Roger de falar sobre um tema tão delicado, particularmente no futebol, onde representa um tabu, ainda mais nesse momento por que passa o país.

Roger Machado vai além, muito além do que “pede” a sua profissão.

São homens assim que fazem a História.

Veja a parte da entrevista à qual me refiro.

Moro, o juiz que se desqualificou como homem

Por Ronaldo Souza

Antes de qualquer coisa, deixemos bem claro o seguinte.

Ao escrever ou trazer textos de jornalistas independentes sobre os heróis dos bolsominions, a ideia não é tentar convence-los de qualquer coisa.

Não conto com isso.

Sei o quanto o instinto de sobrevivência pode levar à irracionalidade e diante de situações assim não há porque esperar nenhuma capacidade cognitiva.

Há uma diferença considerável entre mostrar e esperar que entendam aquilo que se mostra.

São as diferenças sutis, por isso frequentemente imperceptíveis, que existem entre a informação e a possibilidade de assimilação e transformação em conteúdo.

Assim, a “reserva selvagem” de Bolsonaro e Moro pode ficar tranquila.

Não é minha intenção convence-los de absolutamente nada.

Esse poder, todos sabem, tem a Globo, e o exerce muito bem, tanto é que fez o que fez deles.

Como pretender “convencer” quem é Moro a uma sociedade que conseguiu eleger Bolsonaro, ainda que tenha sido uma eleição fraudulenta?

Como pretender “convencer” a essa sociedade que a eleição foi fraudulenta?

As informações sobre “essas coisas” estão disponíveis, mas como a Globo não mostra…

Como já dizia Ricardo Teixeira (sim, aquele mesmo, presidente da CBF, a da camisa amarela que eles usam aos domingos no Farol da Barra e nas avenidas paulistas do país), se não deu na Globo, não existe.

Por instinto de sobrevivência, eles precisam acreditar que nada do que tem sido mostrado é verdade.

Conscientemente, ignoram tudo.

É uma necessidade.

Nesses últimos dias, também a Folha desistiu de resistir; desistiu de Moro.

Colocou isso de forma bem clara, assumindo que reconhece o quanto errou ao defender Moro e a Lava Jato durante todos esses anos.

Razões para isso não faltaram.

Moro e a amnésia

Moro e caixa 2 de Lorenzoni'

Moro acusou o golpe.

No entanto, muito maleável, tem se mostrado camaleônico.

Desesperado, também nele o instinto de sobrevivência falou mais alto. Mudou tanto ao ponto de atropelar tudo que já tinha dito.

E não deixa de ser triste, muito triste, mesmo sendo Moro, ver um homem se humilhar tanto.

A defesa que fez de Onyx Lorenzoni é daqueles gestos que mostram o que pode haver de mais baixo na degradação moral do homem.

Dizer que o admirava e que já o tinha perdoado do crime de caixa 2 porque ele pediu desculpas, mostra o que já se sabia mas não se conhecia na sua real dimensão; a sua falta de dignidade e caráter.

Moro e caixa 2 de Lorenzoni'''

Mas aí veio à tona mais um novo caixa 2 de Lorenzoni.

Moro e caixa 2 de Lorenzoni''

Nada mais restou a Moro para dizer.

Calou-se.

Fechou os olhos, em mais um momento Moro de “não vem ao caso”.

Mostrava assim a sua inimaginável capacidade de perdoar.

E essa enorme capacidade de amar ao próximo e perdoar a todos foi evoluindo, até o ponto de se ver perdoando e protegendo outro mito, por sua vez também um homem de grande altruísmo e amor ao próximo; Moro não só perdoou o presidente da república como o está protegendo contra tudo e contra todos.

Flagrado pela Polícia Federal, o ministro do Turismo foi acolhido por Bolsonaro, a quem não restava outra atitude; o ministro sabe demais.

Foi quem comandou o episódio dos laranjas e do dinheiro ilegal que irrigou campanhas, inclusive a de Bolsonaro, conforme membros do próprio partido, que já admitem.

Tudo sob o guarda-chuva da omissão vergonhosa do ministro da defesa.

Resta a dúvida.

Quem será que está autorizando a Polícia Federal a investigar os laranjais, o partido (PSL) e o próprio presidente da república?

Faça um exercício de imaginação.

A Polícia Federal está sob o comando de quem, a qual ministro ela é subordinada?

Não, esqueça, deixa pra lá.

Pergunte ao presidente que ele sabe.

Só não pergunte onde está o Queiroz.

Ele vai responder que ‘tá com sua mãe’.

Moro acima de todos!

Bolsonaro acima de tudo!

A traição entre os membros do governo, todos sabem, é grande.

Lá, é ao contrário; ninguém segura a mão de ninguém.

Eu te amo meu Brasil, eu te amo
Ninguém segura a juventude do Brasil

Ainda que se entenda a sua preocupação, por estar envolvida no processo e ser a maior responsável pela criação do “mito” Moro, até onde irá a Globo na loucura dessa proteção insana, quando todos já perceberam quem é Moro?

Mesmo sabendo que também ela não vai resistir e em breve o abandonará, a Globo foi longe demais nessa irresponsabilidade.

Ainda que numa escala menor, juízes e ministros do judiciário sofreram um desgaste enorme pelo alinhamento automático à Globo e Lava Jato, mas, sem dúvida, Joaquim Barbosa e Carmen Lúcia sofreram um apequenamento bem maior, irreversível.

O que são eles hoje?

Não há, entretanto, como negar.

Como previ aqui há tempos, Sérgio Moro sairá muito menor do que todos os demais.

Ele morre desmoralizado.

Bolsonaristas, por favor, a morte aqui é uma metáfora, não como vocês a desejam a muitos na lucidez dos seus dias.

Dispenso-me de qualquer comentário sobre Dallagnol e companheiros, pequenos demais para que se gaste “tinta e papel” com eles.

Moro, sim.

Ninguém será melhor exemplo que ele do bagaço de laranja chupada e jogado fora pela janela.

Veja abaixo a matéria do jornal espanhol, EL PAÍS.

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Moro e caixa 2

Moro e caixa dois'

Por Marina Rossi, no EL PAÍS

A cruzada de Sergio Moro pelo combate à corrupção começou a enfrentar obstáculos desde que ele deixou a toga de juiz e foi nomeado ministro da Justiça e Segurança Pública pelo presidente Jair Bolsonaro. Em um passado recente, o juiz curitibano fora celebrado durante as manifestações contra a corrupção. Super Moro estampava camisetas e bonecos nas ruas e, enquanto a personificação da Operação Lava Jato, fazia palestras e dava entrevistas condenando veemente crimes como o caixa dois. “É uma trapaça”, dizia, sobre essa prática.

Mas agora, à frente do Palácio da Justiça, o ministro mudou seu discurso. Ao apresentar seu pacote de medidas para combater os crimes de corrupção –bandeira que elegeu Bolsonaro–, teve de fatiar em três partes o plano e deixar em separado a proposta que criminaliza a mesma prática de caixa dois condenada no passado porque “vieram reclamações” dos políticos. “Alguns políticos se sentiram incomodados de isso [crime de caixa dois] ser tratado junto com corrupção e crime organizado. Fomos sensíveis”, disse o ministro. O Governo sabe que, do contrário, o pacote não seria aprovado. Além disso, ao anunciar o fatiamento, o ministro ainda atenuou a gravidade desse crime, afirmando que “caixa dois não é corrupção”.

Siga a cronologia da mudança de opinião do ministro:

Agosto de 2016: Caixa dois é “trapaça”

“Eu particularmente sou favorável a essa criminalização [de caixa dois]. Tenho uma posição muito clara: eu acho que o caixa dois muitas vezes é visto como um ilícito menor, mas é trapaça em uma eleição. E há uma carência da nossa legislação de tipificar esse tipo de atividade. E essa carência acaba gerando suas consequências no sentido de que se isso não é criminalizado, é tipo como permitido”. A frase fora proferida pelo juiz durante um debate no Congresso sobre o pacote que promovia as 10 Medidas Contra a Corrupção, que acabou não sendo aprovado.

No mesmo debate, Moro afirmou que o que mais lhe chamou a atenção no decorrer das investigações da Lava Jato foi o fato de os investigados citarem “de forma muito natural” o pagamento e o recebimento de propina. Em um discurso de aproximadamente uma hora, o então juiz também cobrou maior participação do Executivo e do Legislativo no combate à corrupção.

Abril de 2017: “Caixa dois é crime contra a democracia”

“Tem que se falar a verdade, caixa dois nas eleições é trapaça, é crime contra a democracia. Alguns desses processos me causam espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre corrupção para fins de enriquecimento ilícito, e a corrupção para fins de financiamento de campanha eleitoral. Para mim, a corrupção para financiamento de campanha eleitoral é pior que para o enriquecimento ilícito”. Sérgio Moro falou a uma plateia de estudantes brasileiros na Universidade Harvard no dia 8 de abril de 2017, sobre diversos assuntos. Dentre eles, a corrupção. “Se eu peguei essa propina e coloquei numa conta na Suíça, isso é provável crime, mas esse dinheiro está lá, não está fazendo mais mal a ninguém naquele momento. Agora, eu utilizo isso para ganhar uma eleição? para trapacear numa eleição? Isso pra mim é terrível”, seguiu.

Novembro de 2018, sobre caixa dois de Onyx Lorenzoni

“Ele foi um dos poucos deputados que defendeu a aprovação do projeto das 10 Medidas [contra a corrupção] mesmo sofrendo ataques severos da parte dos seus colegas. Quanto a esse episódio do passado, ele mesmo admitiu seus erros e pediu desculpas e tomou as providências para repará-lo”, amenizou Sérgio Moro, no final do ano passado, quando já havia sido anunciado para compor o novo Governo.

Moro deu uma entrevista coletiva em que foi questionado sobre o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Lorenozini, atual ministro-chefe da Casa Civil, admitiu, em maio de 2017, que recebeu 100.000 reais de caixa dois da JBS para a campanha que o elegeu deputado federal em 2014. “Usei sem [fazer a] declaração das contas”, afirmou em entrevista para a rádio Bandeirantes de Porto Alegre. “Quero pedir desculpas ao eleitor que confia em mim pelo erro cometido”, afirmou ele, que foi relator do projeto 10 Medidas Contra a Corrupção.

Fevereiro de 2019: “Caixa dois não é corrupção”

“Não, caixa dois não é corrupção. Existe o crime de corrupção e existe o crime de caixa dois. Os dois crimes são graves. Aí é uma questão técnica”. Pressionado pelos parlamentares, Moro fatiou seu projeto, como amenizou o discurso sobre o caixa dois.

Você conhece histórias como essa?

Por Ronaldo Souza

Por uma grande coincidência, há poucos dias pensei em escrever algo sobre essa história e talvez ainda o faça algum dia.

Pelo menos por agora, Bob Fernandes me poupa dessa tarefa em mais um vídeo muito interessante.

Roberto Fernandes de Souza, mais conhecido como Bob Fernandes (Barretos, 18 de maio de 1955) é um jornalista brasileiro. De pais baianos, é “Cidadão Baiano”, título outorgado pela Assembléia Legislativa, e um “baiano naturalizado”. Formou-se em jornalismo em Salvador, na Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Comunicação (FACOM). Mora em São Paulo, sobretudo por força de sua atividade profissional, mas viaja frequentemente à Bahia, onde reside grande parte das famílias materna e paterna.

Assim Bob Fernandes é “descrito” pelo Wikipédia.

Consta também no Wikipédia que “Bob Fernandes é autor do livro Bora BahêeeaA História do Bahia contada por quem a viveu, de 2003 (Ediouro), e coautor de O complô que elegeu Tancredo, de 1985″.

Não está escrito lá, mas Bob Fernandes é torcedor do Bahia.

Daí, claro, o livro que escreveu.

Não precisa dizer mais nada.

Está sempre por aqui e o vi há pouco tempo na Fonte Nova num jogo do tricolor.

Sobre o vídeo completo (enviado por minha irmã), espero ter tempo para conversar com você a qualquer momento.

Mas aqui vai uma parte dele, a parte que fala de um canal de televisão, cuja história de como surgiu é possível que poucos conheçam.

Esse episódio do estrangulamento da NEC, de Mário Garnero, com a Globo e ACM, do qual ele fala no vídeo, é escabroso.

São histórias de como se constrói o poder, diante do qual a hipocrisia hoje reina no Brasil.

Terreno fértil para a canalhice.

Faça as associações. 

Circo dos horrores

A grande obra do STF

Por Ronaldo Souza

Em função de alguns projetos pessoais que exigem tempo para ler e escrever, estou sem tempo para escrever e falar das coisas da vida de um modo geral.

No entanto, em nome da minha saúde, tenho que abrir o peito para de lá tirar as dores que me angustiam.

Faço-o escrevendo.

Previno assim, quem sabe, um infarto.

A minha perplexidade parecia ter encontrado o seu ápice, tamanha é a decadência da sociedade brasileira, particularmente daquele segmento no qual estou inserido; a classe média.

Composta, entre outros, de profissionais liberais, muitos eternamente aspirantes à elite com sua indigência intelectual e nos seus pequenos universos, a nossa classe média é um desastre.

Não pretendo me reportar ao pobre homem que ocupa a cadeira da presidência do Brasil atualmente.

Ainda que um completo asno, desqualificado para qualquer cargo, a indignação que ele provoca em qualquer ser pensante deve ser debitada à sua total e completa ignorância, mas também e sobretudo aos seus “graves distúrbios psicológicos”, conforme relatório quando da sua expulsão do Exército Brasileiro.

Flagro-me com certa frequência desejando perdoa-lo pela loucura que o aprisiona. Quem sabe isso poderia representar a minha elevação como ser humano.

Porém, diante de tantas coisas ruins que ele já fez e faz, diante da sua covardia, da sua maldade, dos seus sentimentos baixos, entristece-me a percepção de que estou longe de tamanha elevação espiritual.

Falo mais de quem está à sua volta, particularmente dos seus ministros civis e militares e dos seus assessores de um modo geral.

Pequenos homens e mulheres a serviço do preconceito e do ódio, que desmerecem qualquer sentimento de nobreza e dignidade destinado ao ser humano.

Falo também dessas coisas chamadas ministério público, judiciário, imprensa, monstrengos criados no Brasil nesses últimos tempos.

Mas falo principalmente da classe média.

“Uma abominação política porque fascista, uma abominação ética porque violenta, e uma abominação cognitiva porque ignorante”.

Forçada a se olhar no espelho por Marilena Chauí, que a definiu como poucos conseguiriam, a nossa classe média não consegue se ver.

Graças a isso, o que vemos se implantar hoje no país?

O fascismo bolsonarista.

Alguém pode negar essa violência que tomou conta de todos os cantos, particularmente das redes sociais?

A ignorância, que dói e deprime, dispensa comentários, por já ter sido reconhecida há muito tempo.

Agora, porém, além das palavras agudas e certeiras de Marilena Chauí que feriram a ferida, a classe média tem a lhe atormentar a doença da alma, a perda da dignidade a que se submeteram pessoas importantes da cena brasileira, num processo autofágico jamais visto.

Uma imprensa que perdeu completamente qualquer ligação com o jornalismo e se pauta por objetivos escusos.

Poderíamos realmente esperar algo diferente do SBT-Sílvio Santos, da Record-Edir Macedo e outros órgãos de imprensa, reconhecidos como moralmente falidos?

O que nos permitiria imaginar que o Grupo Globo assumiria uma postura digna e que pudesse ser chamado de órgão de imprensa, onde deveria imperar o compromisso com o jornalismo, se em nenhum momento da sua história ele nos deu qualquer sinal de que poderia ser este o seu caminho?

O que dizer de homens e mulheres escalados para viabilizar esse projeto de destruição do orgulho de ser do brasileiro e da soberania que este país há pouco tempo ousou ensaiar?

Homens e mulheres que vestem capas pretas assustadoras, que possuem o poder de transformar esses pobres homens e mulheres em seres humanos sórdidos.

Capas pretas que outros homens e mulheres conhecem em determinados momentos de sua atividade profissional e que, ao sentirem o poder que elas lhes outorgam, terminam, às vezes sem perceber, também se afastando das outrora nobres funções que lhes foram atribuídas, comprometendo o futuro das novas gerações.

Um triste cenário.

Janot esperança

Não é Janot que está louco, é o Brasil

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Ora, vamos, o surto nárciso-canalho-psicótico de que foi acometido o senhor Rodrigo Janot não é um episódio isolado na vida brasileira.

É apenas uma erupção explícita do grave processo de infecção autoritária que, há anos, passou a acometer nossa sociedade, desde que as corporações judiciárias entraram em metástase, potencializada pela mídia, e passaram a pretender ser o poder supremo entre nós.

Valeram-se, para isso, do mais primário maniqueísmo, erigindo na Justiça lugar do “homens do bem” e, na política, os “do mal”.

O próprio Janot, no momento em que se associou à fúria dos imberbes de Curitiba, apanhou carona na condição de “herói” , com o patético cartar em que se exibia como “Esperança do Brasil”

Ser – neste caso sentir-se e ser visto como – “do bem” dava a eles direitos extraordinários, poder absoluto sobre as pessoas.

Aos “pecadores” da política era só esperar a chegada de seus arcanjos da Polícia Federal, bem cedinho, com seu Japonês ou Lenhador, trazendo a implacável ordem do Zeus de Curitiba e, depois, de suas sucursais: Marcelo Bretas, Valisney de Oliveira…

A política trocou programas, ideias, compromissos e passou a ser feita com prontuários e promessas de armas, balas e tiros.

O direito, à base de conveniências que o adequem aos imperativos morais como o de “não prejudicar a Lava Jato”.

Veja-se agora o caso em que quer-se “modular” um princípio constitucional, o da ampla defesa, condicionando-o a que o acusado o tenha reivindicado “tempestivamente”, o que é um rematado absurdo em se tratando de direito indisponível.

Estaremos condenados a um mundo onde a realidade deva conformar-se aos ditames morais, aos dogmas de um fundamentalismo judicial, onde o crime – como o que esteve à beira de ser praticado por Rodrigo Janot se justifica pela vítima?

Pessoas com inteligência emocional mais baixa são propensas a ser de direita, constata estudo

Bolsonaro e a cognição da direita

Por Kiko Nogueira, no DCM

A matéria saiu no PsyPost, portal especializado em psicologia:

Novas pesquisas da Bélgica fornecem evidências de que os déficits no entendimento das emoções e no gerenciamento das emoções estão relacionados a atitudes de direita e preconceituosas. O estudo foi publicado na revista especializada Emotion.

“Eu tenho um interesse ao longo da vida em psicologia política e em ideologia política em particular. A observação de que adeptos de esquerda e de direita tendem a diferir em tantas características psicológicas é surpreendente ”, disse o autor do estudo Alain Van Hiel, professor da Universidade de Ghent.

“Muitos estudiosos investigaram a base cognitiva da ideologia em geral e as atitudes ideológicas da direita em particular. No presente estudo, queríamos investigar se um relacionamento semelhante existiria para habilidades emocionais. ”

Em dois estudos, os pesquisadores avaliaram as habilidades emocionais e a ideologia política de 983 estudantes belgas. O segundo estudo também examinou a capacidade cognitiva dos participantes.

A capacidade emocional foi medida com três testes: o Teste Situacional de Entendimento Emocional, o Teste Situacional de Gerenciamento de Emoções e o Teste de Reconhecimento de Emoções.

Os pesquisadores descobriram que indivíduos com habilidades emocionais mais fracas – particularmente compreensão e gerenciamento emocional – tendem a pontuar mais alto em uma medida de autoritarismo de direita e orientação de dominância social.

O autoritarismo de direita é um traço de personalidade que descreve a tendência de se submeter à autoridade política e de ser hostil a outros grupos, enquanto a orientação de domínio social é uma medida da preferência de uma pessoa pela desigualdade entre os grupos sociais.

“Os resultados deste estudo foram unívocos. Pessoas que apóiam autoridade e líderes fortes e que não se importam com a desigualdade – as duas dimensões básicas subjacentes à ideologia política de direita – mostram níveis mais baixos de habilidades emocionais ”, disse Van Hiel ao PsyPost.

Aqueles com habilidades cognitivas e emocionais mais baixas também estavam mais propensos a concordar com declarações descaradamente preconceituosas, como “a raça branca é superior a todas as outras”. (…)

“Os resultados foram obtidos em um contexto particular. Resultados semelhantes seriam obtidos em outros contextos além de um país ocidental com uma democracia estável de longa data? Se essas tendências são universais ou limitadas a contextos particulares, é muito intrigante.”

Fonte: www.psypost.org/2019/09/people-with-lower-emotional-intelligence-are-more-likely-to-hold-right-wing-views-study-finds-54369

A grande farsa

Moro flagrado na armação

Por Ronaldo Souza

Há muito tempo vivemos uma grande farsa no Brasil.

Não pense em atribuir isso à ingenuidade.

Ainda que essa possibilidade exista, não ver o que na verdade nos rodeia constitui uma estupidez sem tamanho se considerarmos que vivemos num mundo de doutores.

Ressalve-se que quando cogito a possibilidade de ingenuidade não incluo a “reserva selvagem” de Bolsonaro, como muito bem definiu o jornalista Fernando Brito, referindo-se aos cães raivosos que, incansáveis, continuam vomitando barbaridades sem o menor pudor.

Para esse segmento não há retorno.

Escolheram o mundo da obscuridade e lá vão ficar, como também vão permanecer por muito tempo ainda no grande palco deles; as redes sociais. Onde todos já os identificam e conhecem o latido.

Ficarão sozinhos mais cedo do que podem imaginar.

O Bolsonarismo não resistirá e ficará restrito a essa “reserva selvagem”.

Muitos dos políticos que se elegeram com o mico, ratos que são, pularão do barco, como já estão fazendo.

Portanto, não falo para eles, mas para outros que, mesmo tendo votado no mico, ainda guardaram no seu íntimo algo que remeta à racionalidade que distingue o homem do animal.

Há, sim, muitas pessoas, anônimas ou famosas, jornalistas, profissionais liberais, artistas, políticos, que se arrependeram do pecado cometido contra o país.

Algumas já assumiram publicamente e outras assumirão

Tudo fica cada vez mais claro.

A começar por homens deploráveis como Miguel Reale Jr., o jurista que comandou a farsa jurídica do golpe contra Dilma e depois pediu desculpas por ter apoiado o golpe.

Claro que ela também não poderia ficar de fora; Janaina Paschoal, a tresloucada musa do golpe. Lembra dela?

Também reconheceu publicamente que foi golpe.

Janaína''

Como sabiam que Dilma não tinha nenhuma participação na corrupção mas precisavam elimina-la, inventaram a farsa das pedaladas fiscais, uma questão contábil à qual Reale Jr. deu suporte como jurista.

E agora, cinicamente, diz que Dilma não caiu pelas pedaladas.

O jornalista Fabio Pannunzio (Band) não deixou por menos e disse que a farsa acabou.

Mais uma vez, todos foram feitos de idiotas.

Ressalve-se, porém, que já aceitam essa condição naturalmente.

Como você já sabe, Dilma foi inocentada pouco tempo depois.

Os homens e mulheres que comandaram o golpe e controlam a corrupção ficaram soltos.

Mas como diria Moro, não vem ao caso.

O grande herói

E é justamente ele o grande responsável por todos os descaminhos que tomaram conta do país nos últimos anos.

Dispensem-se comentários sobre sua atuação, já por demais conhecida.

Ainda que muitos, por diferentes razões, continuem a defende-lo, Sérgio Moro representa o que há de pior em um homem.

Com a sua dissimulação, cinismo, covardia e canalhice, ele comandou o processo que jogou na cadeia o maior presidente que este país já teve.

Se, cinicamente, ele e sua equipe de procuradores, sempre argumentaram com o “ninguém está acima da lei”, foram eles próprios que se puseram todo o tempo acima dela, como vem mostrando o The Intercept.

Sabendo agora, como todos sabem porque já está comprovado e reconhecido, que tudo divulgado por Glenn Greenwald é verdade, forjaram situações inimagináveis que desonram qualquer juiz, procurador, desembargador, ministro, seja qual for o cargo que se ocupe no campo da justiça de um país.

Como homens e mulheres, como seres sociais e, principalmente, como seres humanos, foram de uma desumanidade e crueldade poucas vezes vistas, se vistas, na história do Brasil.

Ainda que permaneçam nos cargos que desonraram, o preço é alto.

Deltan Dallagnol hoje é o que é.

Nada.

E o que restou de Moro?

Humilhado publicamente seguidas vezes por Bolsonaro, aceita a humilhação com a passividade dos covardes que mendigam por cargos.

Chegou a tal ponto que membros da Polícia Federal pediram que ele se demitisse para não perder o pouco de credibilidade que ainda lhe restava.

Não resta mais, porque se agarrou ao posto que ocupa e dele não quer arredar pé.

Assumiu de vez que se transformou em um bajulador frágil, por descartável, de Bolsonaro.

Ao ponto de criticar a Globo, que o criou e sem a qual nada seria, pela matéria da revista Época que envolvia a mulher do 03.

Moro sequer pensa em deixar o governo por conta de um detalhe; foro privilegiado.

Moro morre de medo de perder o foro privilegiado porque sabe de todos os riscos que corre.

Um breve comentário.

Já se sabe hoje que ele manipulou a questão da nomeação de Lula como ministro de Dilma, como demonstraram recentes divulgações do The Intercept.

Ele tinha 22 gravações de conversas de Lula com outras pessoas, entre elas conversas com Michel Temer (ainda vice-presidente), pois Lula acreditava que poderia evitar o golpe em Dilma.

Observe que no programa Roda Viva de ontem, 16/09, Temer não só confirma que foi golpe por duas vezes, como também confirma as conversas em que Lula tentava impedir que o golpe se confirmasse.

Temer é somente mais um que assume a farsa do golpe, da qual, apesar de tentar negar, fez parte.

O mais importante, porém, é saber que algumas das conversas gravadas de Lula mostravam claramente que ele não queria aceitar ser ministro de Dilma. Pensava somente em salvar o governo dela.

Moro escondeu todas, mas vazou para o Jornal Nacional uma delas que, bem editada, poderia fazer as pessoas pensarem que Lula estava atrás somente do foro privilegiado.

Justamente ele, Moro, que fez de tudo para passar a impressão de que Lula quis ser ministro de Dilma somente para ter foro privilegiado, hoje faz qualquer negócio para preservar o seu próprio foro privilegiado.

Por isso, poucos levam a sério a possibilidade de ele deixar o ministério da justiça.

Ameaça e fica, ameaça e fica.

Ele não vai se demitir.

Bolsonaro já percebeu e por isso o humilha, mas o mantém no cargo para desgasta-lo mais ainda.

Enfraquece-lo significa um eventual concorrente a menos nas próximas eleições presidenciais.

Bolsonaro sabe mais do que ninguém que um país que o elege é capaz de eleger qualquer um.

Talvez não haja um sentimento mais deprimente do que ter pena de alguém, mas hoje é o que muita gente sente por Sérgio Moro, por vê-lo, sem dignidade, arrastar-se na lama de quem perdeu a honra.

Estamos diante de um ministro da justiça completamente incapaz e inoperante.

Nada mereceu sua investigação e o que não falta são casos que a exigiram.

Como o Diabo foge da cruz, ele foge de qualquer coisa que lembre Queiroz.

A revista Veja (a “reserva selvagem” a conhece, já ouviu falar dela?) fez o papel que cabia à Polícia Federal e descobriu onde está Queiroz.

Sim, e daí?

Alguém foi lá?

Será que deixaram de ler a Veja e por isso não ficaram sabendo que Queiroz foi localizado e está morando no Morumbi, ali pertinho de uma das sedes da própria Policia Federal?

Você ouviu falar de alguma investigação, interrogatório ou qualquer outra coisa sobre os milicianos?

Sobre as mortes que vêm acontecendo?

Sobre as ameaças que várias pessoas estão recebendo?

Você soube que Bolsonaro demitiu o chefe da polícia federal no Rio de Janeiro, justamente onde ocorriam as investigações sobre as ligações de Flavio Bolsonaro com Queiroz e as milícias?

Se choca a surpreendente ausência de firmeza e falta de atitude de Sérgio Moro como ministro da justiça diante de tantos fatos, muito mais chocante se tornou a sua falta de dignidade.

O que fazem os poderes constituídos?

Nada, além de se acovardar como faz o Supremo Tribunal Federal.

Estamos perdidos e sem ter a quem apelar.

Moro e Lava Jato, corrupção explícita e vergonhosa

Moro apanha de Kennedy Alencar

Por Kennedy Alencar

É gravíssima a reportagem publicada hoje pela “Folha de S.Paulo” e o “The Intercept Brasil” com o título “Conversas de Lula mantidas sob sigilo pela Lava Jato enfraquecem tese de Moro”.

A reportagem revela que Moro, policiais federais e procuradores da República agiram para interferir no processo político a fim de evitar a nomeação de Lula para a Casa Civil no governo Dilma e contribuíram para radicalizar o ambiente político no país, tramando a queda da então presidente do PT do poder.

Leiam a reportagem e os diálogos na íntegra no final deste texto. Procuradores celebram estratégia política e ilegal. Sem humanidade, chamam Lula de “9”, numa referência pejorativa aos nove dedos do presidente, que perdeu um deles em acidente de trabalho. Deixam claro que seguiram orientações de “Russo”, apelido de Moro, que agiu como acusador e não juiz na Lava Jato. Todos demonstram ter ciência de que praticavam ilegalidades e alguns zombam disso no Telegram. Neste episódio, vazaram o que interessava para manipular a opinião publica, criar mobilizações nas ruas contra o governo e envenenar o debate político.

Moro, agentes da PF e procuradores mantiveram em segredo diálogos de Lula com o então vice-presidente Michel Temer na busca de um entendimento para evitar o impeachment. Esconderam também toda a hesitação do petista em aceitar ser ministro da Casa Civil. Quem acompanhou os bastidores de verdade e tinha informação na época sabe que o motivo principal daquela articulação era tentar salvar o governo, não obter foro privilegiado no STF.

Mas a Lava Jato, ciente disso, manipulou a opinião pública e mudou o rumo da história do país para que chegássemos hoje ao governo Bolsonaro. Até agora, muita gente dizia que a Lava Jato contribuiu para o impeachment. Essa reportagem mostra que a Lava Jato atuou para que Dilma fosse derrubada e jogou ilegalmente para prender Lula. Isso não é papel do sistema judicial. É uma forma de corrupção grave. Autoridades públicas têm compromisso com a lei que os criminosos não possuem.

Se as ações de Moro, delegados da PF e procuradores da República são um combate legal à corrupção, o país está frito. Está nas mãos de um estado paralelo que persegue inimigos políticos. Ontem foi Lula. Amanhã serão os críticos desses messiânicos que abusaram do seus poderes.

Se o Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria Geral da República, o Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Nacional do Ministério Público e o Congresso tinham dúvidas de que precisam tomar providências para investigar e punir crimes e abusos de poder das estrelas da Lava Jato, a reportagem de hoje elimina qualquer hesitação ou objeção a uma resposta dura da parte de nossas instituições.

Leiam a reportagemVejam os diálogos da Lava Jato sobre conversas de Lula. Leiam os resumos de conversas grampeadas de Lula com Temer e aliados.

Tirem suas conclusões se são métodos de um Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal de uma democracia plena ou de uma república de bananas. A lei e o jornalismo devem valer para todos. A Vaza Jato está dando uma contribuição ao combate à corrupção no Brasil. Só não enxerga quem não quer.