“A tua piscina tá cheia de ratos”

Por Ronaldo Souza

Queiroz vive num bairro luxuoso de SP e faz tratamento no Albert Einstein. O segredo do sucesso? Venda
de carros e plantação de laranja. Ah, ele é muito amigo dos Bolsonaro também. Mas isso não importa muito

A ironia do advogado João Gabriel Prates no Twitter dá a medida desse episódio.

BolsoQueirozadvogado

Deixemos de lado os detalhes da “história” de Queiroz, milicianos, empregos de sua gente em gabinetes de políticos onde nem apareciam, os “pedágios” que pagavam pelos empregos, dinheiro depositado na conta de Michele Bolsonaro…

Deixe tudo isso de lado.

O homem que sumiu há meses e que Moro e sua polícia federal não conseguiam achar, foi “achado” (houve quem  insinuasse que ele estaria morto, como o grande deputado e [ex] grande amigo da famíglia, Alexandre Frota).

A reportagem da revista Veja (já ouviram falar dessa revista?) mostra que ele está morando no Morumbi. Segundo o deputado Paulo Pimenta, “a Polícia Federal fica a 12 quilômetros do Morumbi” e pergunta; “incompetência ou omissão determinada por Moro?”.

Mais do que responder à “pergunta” de Pimenta, estou interessado em lhe fazer uma.

Qual é a sua opinião sobre tudo isso?

Das tantas perguntas que esse homem misterioso precisa responder, algumas mais simples.

Quem pagou a sua estadia e cirurgia no Albert Einstein, um dos hospitais mais caros desse país?

Quem paga para ele morar no Morumbi, bairro da classe alta de São Paulo, inimaginável para a maioria absoluta dos mortais?

Quem paga pelo tratamento atual no mesmo hospital?

Por que ele estava sumido, escondido e a polícia federal (você duvida da competência dela?) não conseguia saber “do seu paradeiro”, como diriam alguns, morando ele ali pertinho de uma das sedes da mesma polícia?

E eles, presidente e seguidores, se acham os representantes da honestidade, dignidade, homens de bem, casta da luta contra a corrupção do país, bla bla bla.

Pausa para rir ou chorar.

Escolha.

Em mais uma divulgação do The Intercept, ficamos conhecendo melhor o perfil psicológico e o comportamento rasteiro, cruel e desumano dos homens e mulheres que compõem a Lava Jato.

Os comentários sobre as mortes de familiares de Lula e seu direito de ir aos enterros, negado com desdém e humilhação, são de uma baixeza e pequenez jamais vistos, mesmo na ditadura militar.

Já tinha falado aqui sobre como são iguais, o pobre homem que hoje ocupa a presidência da república e seus seguidores.

Não lhe parece que em tudo são muito parecidos com Moro e esses pobres homens e mulheres da Lava Jato.

Procuradora pede desculpas a Lula 1

A Procuradora da República, Jerusa Burmann Viecili, pediu desculpas pelos comentários feitos por ela sobre a morte de familiares de Lula que foram divulgados pelo The Intercept.

Mais uma vez, deixemos tudo de lado (sensibilidade, leveza, dignidade, caráter… que possuem algumas mulheres) e vamos ao mais importante.

Você percebeu, claro, que ao fazer isso ela passou a ser mais um que reconheceu a veracidade dos diálogos divulgados.

Faustão, da Globo, também reconheceu quando confirmou a sua conversa com os procuradores da Lava Jato.

Para encurtar a conversa, Moro e Dallagnol também já tinham reconhecido no primeiro momento que eram verdadeiros. Depois da orientação que receberam é que passaram a falar de hackers, crime de invasão de privacidade, etc.

Portanto, por mais bobagens que já tenham dito ou venham a dizer, só quem continua questionando a veracidade deles são os idiotas assumidos, levando-se em consideração que idiotas todos eles são; só não assumem.

E o público dele?

Sensacional!

O presidente chama o país do qual ele é presidente de LIXO e o que fazem eles?

Dão gargalhadas e aplaudem!!!

“Brasil acima de todos!”

Meu Deus, como são burros!

Eles não percebem nada.

Essa é a famosa “reserva selvagem” do mico.

“Tô com ele e não abro”!

Você tem ideia de quantas pessoas já estão fazendo as devidas correlações?

Se já está demonstrado que tudo é verdade, se já está demonstrado que cometeram corrupção de tudo que é jeito no processo da Lava Jato, se já são reconhecidos como corruptos, o que estão pensando ou irão pensar pacientes/clientes dos profissionais liberais que mostram que continuam defendendo Bolsonaro e Moro a qualquer preço?

Se esse profissional que cuida de mim defende abertamente essa corrupção, do que ele é capaz sobre coisas das quais ninguém toma conhecimento, inclusive eu, que estou sob seus cuidados?

E o meu professor?

https://www.youtube.com/watch?v=vPAlphS6LtE

Te perdoo por te trair

Bolso, porra, é legal ser presidente

Por Ronaldo Souza

Hoje faço ao contrário.

Primeiro, o interessante texto da jornalista Denise Assis. Depois, lá embaixo, converso com você.

Bolso traição'

Te perdoo por te trair

Por Denise Assis, jornalista

O que não dá para engolir é o discurso de Gustavo Bebianno, a muito pouco tempo
das eleições municipais, e muito tempo depois de descer do (des)governo

Nem precisava dos resultados da última pesquisa, que aponta uma rejeição de 40% a Bolsonaro, para saber que as fileiras dos arrependidos de optar por apoiá-lo, só fazem crescer. Dos menos ostensivos, como o cantor Fagner, aos mais ruidosos nos comentários sobre o conjunto de ações que nos legaram esse momento/vergonha, há de tudo. Inclusive o cineasta José Padilha, diretor do filme B, “O Mecanismo”, que pretendeu retratar (e incensar) a operação Lava-Jato – hoje transformada em Vaza-Jato. Isto, sem esquecer de mencionar o cantor e compositor Lobão, um dos mais entusiastas na defesa do candidato, no período da eleição.

Para esses, olhamos com certa benevolência. Boa vontade mesmo, murmurando: “perdoai-os senhor, eles não sabem o que fizeram” … O que não dá para engolir é o discurso de Gustavo Bebianno, a muito pouco tempo das eleições municipais, e muito tempo depois de descer do (des)governo.

Ora, Bebianno. O senhor foi um dos coordenadores da campanha, conviveu com esta pessoa, revirou o seu passado para transformá-lo em um produto a quem os desavisados chamaram “mito”. O senhor foi responsável por vender para a sociedade este “sabonete”. Quem não sabia que ele era alguém irrecuperável, impermeável ao conhecimento e “misógino internacional”?

Depois de ser descido do cargo de secretário-geral da Presidência, seis meses e um dia depois o senhor vem a público nos falar de Bolsonaro como falamos nós, nas ruas, nos bares, nas passeatas e por todo o canto desse país. Seria crível, se não soasse oportunista, nesta hora em que se dá o troca-troca de partidos, e a discussão para nomes a candidaturas para as eleições municipais.

Bem-vindo ao time. Mas quando é que o senhor vai nos revelar os bastidores da campanha, de que participou ativamente e, não vamos esquecer, é motivo de processo no TRE (talvez se saiba o resultado lá por 2030)? O que o senhor tem a nos falar sobre o uso de abuso econômico, para bancar o jorro de “fake news”, cujo time de envio é definido pelos coordenadores do comitê da campanha? E sobre o episódio da “facada”, que o senhor acompanhou de perto, como braço direito do candidato? E o almoço com o porta-voz da Globo, na véspera do segundo turno, para pegar “bizus” de assessoramento?

Aqueles arrependidos citados acima puderam entrar e sair do bonde do “mito” quando bem quiseram. A eles é facultado do direito de alegar – embora já bastante crescidinhos para isto – que se equivocaram. Não emprestaram serviços para obtenção do resultado. Quanto ao senhor, a sua indignação tardia, o seu silêncio cúmplice, como já foi dito acima, soa oportunista. A construção do “mito” foi sua. 

Em entrevista para o jornal, O Estado de São Paulo, no dia 18 de agosto último, o senhor disse: “Acho que posso ajudar minha cidade que está um caos. O Rio precisa hoje de menos ideologia e de melhor gestão, mais eficiência. Como gestor, acho que posso ajudar de alguma maneira, não necessariamente como prefeito. Recebi alguns convites e, na hora certa, vai ser decidido”. Pelo seu afiar de bico, não é difícil saber em que muro estará em 2020. Guarde a sua indignação. O caos que vivemos hoje, em todo o país, já está debitado na sua conta.

Mil Perdões

Por Ronaldo Souza

Volto a falar com você.

Primeiro, para comentar o título do texto de Denise Assis.

“Te perdoo por te trair” é de uma obra prima de Chico Buarque (“Mil Perdões”) que, por sua vez tem a ver com a peça de Nelson Rodrigues, “Perdoa-me por me traíres”.

Venha comigo.

“Te perdoo por te trair” não seria “Te perdoo por me trair”?

“Perdoa-me por me traíres” não seria “Perdoa-me por te trair”

O que ambos, Chico e Nelson, fazem com  música e peça respectivamente deveria fazer parte de cursos de Psicologia e Psicanálise.

Acredito até que alguns façam isso.

Em segundo lugar, penso como a jornalista Denise Assis quanto a (Gustavo) Bebianno.

Por homens como ele não tenho nenhum respeito, e não posso defini-los como gostaria porque seriam grandes as chances de ser processado.

Como ele, gente como Miguel Reali Jr., o jurista que comandou o processo do golpe contra Dilma (que chamaram de impeachment, tentando emprestar-lhe alguma dignidade) e já se confessou arrependido.

Você sabia que logo após o golpe a justiça brasileira inocentou Dilma Rousseff?

Pois é, fique sabendo.

Mas vou discordar da jornalista quanto a outros e começo com o cantor Fagner, um babão bobão.

José Padilha é imperdoável. Fez a apologia de Bolsonaro e Moro diversas vezes, inclusive nos seus filmes, onde colocou Moro como herói e a Lava Jato como a redenção do país.

Hoje, Padilha não perdoa Moro, a quem finalmente reconheceu como um grande oportunista. Disse que “seu pacote anticorrupção é, também, um pacotinho de chiclete que parece ser de tutti-fruti, mas na verdade é de pimenta.”

Mas, convenhamos, Padilha não é nenhum garoto e não consigo ver como inocência a sua postura inicial.

Essa inocência, no nível em que se deu, ou seja, ultrapassando com incrível facilidade a fronteira com a completa estupidez, é inadmissível em um cineasta que se preze.

Moro é um oportunista covarde.

O ex-todo poderoso tem sido humilhado de todas as formas pelo mico.

Alguém que se acovarda dessa maneira por causa de um cargo não é homem de verdade.

Os holofotes, aos quais perigosamente se acostumou, não podem se apagar, o que aconteceria com a sua saída do palco do governo.

Hoje, sem honra (ao ponto de membros importantes da Polícia Federal pedirem para ele se demitir em nome do pouco que ainda lhe resta de dignidade), luta desesperadamente para se manter no cargo.

O juiz que ajudou a perseguir, orientou os procuradores, comandou a agenda da Lava Jato, julgou e condenou o homem que estaria hoje na presidência da república.

Presenteado com um cargo no governo eleito, não só desonradamente o aceitou como briga desesperadamente para não perde-lo.

Pare pra pensar e você verá que Moro mostra claramente que todo o tempo agiu por aspirações políticas.

Miriam Leitão e mesmo Merval Pereira, ela principalmente, não merecem nem um pingo de compreensão, muito menos de credibilidade.

A empresa na qual trabalham, a Globo, é a grande responsável pelo Ovo da Serpente.

Moro nem se fala, mas também Bolsonaro, são frutos da Globo e não acredito que nenhum dos seus jornalistas desconheça essa paternidade e o que ela significa.

Sugiro aos iletrados miquinhos amestrados que procurem se informar do que se trata.

Já há um sem-número de pessoas arrependidas por terem votado em Jair Bolsonaro, algumas das quais já manifestaram o seu arrependimento.

Deixemos de lado, pelo menos por ora, as razões que os levaram a gesto de tamanha insanidade.

As pesquisas mostram que o mico segue ladeira abaixo e não há previsão de quando e como tudo isso vai terminar.

O mico derreteu, acabou.

Hoje é um homem ridicularizado e desprezado em todo o mundo e está completamente perdido e desesperado.

O envolvimento da sua família é assustador e vergonhoso, por isso, abafado a qualquer preço.

Há sim pessoas que foram enganadas na sua boa fé e não haveria porque condena-las pela inocência.

Não teria, entretanto, um tratamento tão compreensivo com muitos deles, alguns dos quais citei aqui.

Os interesses foram e continuam sendo muitos.

Lucraram muito, a corrupção tem sido grande e está correndo solta.

Mas os miquinhos amestrados continuam rosnando e latindo todos os dias nas redes sociais em nome do combate à corrupção.

Sem comentários.

Vejo-os com alguma frequência quando “entro” no “feicibuqui” para fazer uma postagem com o link para o meu site.

Sabemos que é a eles particularmente que o mico se dirige e que por eles é mantido.

Imaginava-se que fossem em maior número, talvez pelo fato de que latem muito e alto, porém, pelos últimos resultados das pesquisas Vox Populi e DataFolha, o número é bem menor, cerca de 12%.

Esta é a parcela que se propõe a continuar entrincheirada atirando para todos os lados tentando salva-lo.

Ainda que isso signifique muita gente, é um segmento bem menor do que aquele que votou nele (as pesquisas estão mostrando a grande queda que vem ocorrendo na sua aceitação em todos os segmentos da sociedade), o que parece querer mostrar um erro de estratégia do mico.

Alimentar-se de 12% dos eleitores, a “reserva selvagem” de Bolsonaro, como bem definiu o jornalista Fernando Brito, não deve permitir grandes voos ao ex-capitão daqui em diante.

Por falar em voo, vamos voar um pouco com a música de Chico.

É coisa de Chico, esse gênio das artes brasileiras.

Só ele poderia fazer algo assim.

Bestas humanas

Bolso covarde'

Por Ronaldo Souza

O nível é muito baixo.

Infelizmente, porém, já estamos nos acostumando com os dejetos que saem da boca do presidente da república, o que é um péssimo sinal porque não se pode acostumar e aceitar o que não presta.

Ele é tão pequeno, nojento, indigno e covarde que o que diz ou faz já está deixando de impactar.

Mas quando vi o seu comportamento diante do casal Macron, percebi que ele não se cansa de se superar e que essas baixarias não terão fim.

É o mais asqueroso e burro dos presidentes que esse país já conheceu.

E o que fizeram alguns  dos seus principais ministros e o 03, o nosso futuro embaixador?

Também ofenderam Macron.

O que mais poderiam fazer se nada mais sabem fazer?

Apesar disso, entretanto, resolvi que nada escreveria sobre o episódio.

Acostumar-se ao baixíssimo nível do presidente se tornou uma necessidade, afinal teremos que vê-lo fazer isso por mais cerca de três anos e meio.

Alternativas?

Darcy Ribeiro, incansável sociólogo brasileiro, dizia que ao brasileiro restariam duas alternativas; indignação ou resignação.

Duas mais parecem ter surgido no cenário político brasileiro; depressão ou infarto.

Estupidez e canalhice

Tudo se inviabiliza quando a podridão de caráter se dissemina e é incorporada por toda a matilha.

Aí veio a indignação.

Mas não pelo trogloditismo do pobre homem que nesse momento ocupa o mais alto cargo desse país.

Foi por ver, não sem sentir enorme repulsa, o baixíssimo nível intelectual e moral que, de forma lamentável e irreversível, tomou conta de pessoas com as quais convivemos todo esse tempo.

À burrice já tínhamos nos acostumado.

Samir 1

José Cordeiro

Coisas assim não provocam indignação, mas risos.

Portanto, ainda que também já estivéssemos nos acostumando com o cinismo e a canalhice dessas pessoas e, por isso, ignorando seus gestos e ações, há um limite suportável.

E esse limite foi ultrapassado há muito.

Vários dos momentos que registram isso ficaram marcados, como o do professor que postou montagens grosseiras de Manuela d’Ávila (candidata a vice-presidente na chapa de Haddad) com enormes olheiras e inúmeras tatuagens, com a clara intenção de exibi-la como uma drogada.

E a pergunta cruel e covarde; “você votaria nessa mulher para presidente do Brasil?”.

No seu mundo pequeno e horroroso o professor não deve ter pensado por um segundo sequer o quanto isso deve ser doloroso para os filhos dela, todos crianças.

Como muitos estão fazendo, era mais um que covardemente se escondia nas fake news.

Não há mais dúvidas sobre o que os une, presidente e seguidores, e os torna iguais.

A barbárie.

Samir

Dispenso-me de qualquer comentário sobre essa postagem, de tão indigna e covarde que é.

Enquanto o país vive um momento delicado e complexo e exibe a truculência que nunca fez parte da vida do seu povo, idiotas fazem trocadilhos infames com o incêndio que devasta boa parte da floresta amazônica.

Se inveja mata ou queima não sei.

Sei, porém, como é difícil conviver com seres tão primitivos.

Não é à toa que relações e convívio com algumas pessoas já vêm se inviabilizando há algum tempo, pessoas com quem eventuais contatos agora se limitam a situações bem específicas, geralmente de cunho profissional.

Civilização e barbárie

Não se trata de política há muito tempo.

Quando foi que opções políticas inviabilizaram a convivência das pessoas no Brasil?

Nunca.

A ignorância absurda, a violência (frequentemente resultado da ignorância), o ódio, a desqualificação agressiva aos que pensam diferente, a ofensa gratuita… chegaram a níveis insuportáveis.

É o odor fétido que emana de tudo isso que está afastando as pessoas.

O terceiro milênio nos expõe a confrontos que ainda parecem inevitáveis.

Perguntado sobre a asquerosa manifestação do presidente do Brasil sobre sua esposa, o presidente da França deu uma resposta que não alcança o nosso presidente porque ele não consegue entendê-la.

Infelizmente, entretanto, de maneira elegante e civilizada, o presidente Macron deu uma resposta que humilha a todos nós brasileiros.

“Isso é triste. É triste para ele e para o povo  brasileiro. As mulheres brasileiras provavelmente sentem vergonha de ouvir isso do presidente. Como tenho uma grande amizade e respeito pelo povo brasileiro, espero que tenham rapidamente um presidente que se comporte à altura”.

O presidente Macron pôs a culpa em nós.

Sabe o que é pior?

Ele tem razão.

A culpa do bode na sala não pode ser do bode.

Palcos azuis

Inocência ou hipocrisia

Por Ronaldo Souza

Dias cinzentos.

Dias de céu azul.

Como neste inverno de Salvador, os dias se alternam.

Entre tristezas e alegrias.

A música diz que “Os dias eram assim”.

Os dias eram assim, mas não eram assim.

Os dias eram assim porque sempre houve dias cinzentos e de céu azul.

Os dias eram assim porque sempre houve tristezas e alegrias.

Os dias não eram assim porque há tempos não eram tão cinzentos.

Os dias não eram assim porque há tempos não eram tão tristes.

Descoloridos.

Preciso respirar.

Sair.

Urgente.

Seguir Bandeira.

“Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei”

Mas não quero ser amigo do rei.

Quero ser amigo de Chico.

Chega de reis.

Léguas e léguas de distância deles.

Não posso deixar que os dias cinzentos acinzentem a minha alma.

Não posso deixar que a tristeza me deixe sem fôlego.

Luz, quero luz!

Por favor, me deem um Chico.

Hoje não tem Bolsonaro

ChicoCamões

Por Joaquim Ferreira dos Santos, jornalista

Meu caro amigo me perdoe, por favor, mas hoje não tem Bolsonaro ou qualquer esquisitice de seu circo de gente ordeira e virtuosa, essa nova nata da malandragem.

Hoje tem Chico Buarque, prêmio Camões de literatura, e ele vem com o chocalho amarrado na canela. Não interessa se é na da esquerda ou na da perna direita. Aos gênios, a feijoada completa e a festa, pá!, da morena dos olhos d’água.

Consta nos astros, nos autos, nos signos, que hoje não vai se perder tempo com mané Crivela ou com o que-será-que-será que andam cochichando nas reformas da previdência, nas contingências de verbas e demais desinteressências. Todo dia tudo sempre igual. O malandro agora é presidencial e dia-sim dia-não, com honra e júbilo, ele medalha de mérito os próprios filhos. Tijolo por tijolo num desenho sórdido. Vão passar.

Hoje é dia de lembrar satisfeito, o radinho tocando direito, que por aqui já passaram sambas imortais e, a despeito do Sanatório Geral que a todos loucupleteia, o piano do compositor popular, essa glória nacional, vai continuar subindo a Mangueira.

Deus é cara gozador, a ponto de botar o filho para pregar em cima das goiabeiras nordestinas. Mas também joga a favor. Ele podia colocar qualquer um de nós cabreiro, fazer nascer mexicano e morar debaixo de um ridículo sombreiro. Só que não. Em troca do fardo de ser brasileiro, Deus, com açúcar e com afeto, deu a todos nós o upgrade de viver no mesmo período em que aqui está, a caminhar ligeiro pelo Leblon maneiro, o Chico Buarque de Holanda peladeiro.

Hoje não tem o diploma falso do Witzel. O personagem da semana é um herói de verdade. Montado num cavalo que fala o mais fino português, Chico educa o ouvido nacional quando diz, no meio de um sambinha, que ‘a porta dela não tem tramela e a janela é sem gelosia’. Drummond invejou o ritmo. Em meio a tanta lama, tão pouca brahma, meninos se alimentando de luz, vive-se num país em que é possível ouvir no rádio do táxi que nós gatos já nascemos fortes e somos capazes de enfrentar os batalhões, os alemães e os seus canhões. Mire-se no exemplo.

Outras nações são feitas de homens e livros, elementos que faltam aqui. Chico Buarque é a voz que nos resta, a veia que salta, aquele que torna suportável essa noite de mascarados e pigmeus de boulevard. Sempre que tira o violão da capa e pega o dicionário de rimas, o país melhora. Há quem prefira escrever a história do Brasil com fuzil, desligar o radar da estrada e azucrinar os golfinhos de Angra com turistas esporrentos. Chico, armado com a bemol natural sustenida no ar, atira de volta o “luz, quero luz” que cantam os poetas mais delirantes.

O Brasil de 2019 é uma pátria-mãe tão distraída que parece ter perdido a noção da hora. Ao Deus-dará. É um trem de candango, um bando de orangotango, todos com um bom motivo para esfolar o próximo. A maioria, trancada em pânico nos seus camarins, toma calmante com um bocado de gin. Lá fora, no Brejo da Cruz, desfila a estarrecedora banda de napoleões cretinos, todos de marcha-ré em permanente ode aos ratos e às tenebrosas transações. Nas horas vagas, apedreja-se a mais recente Geni.

Chico dá esperança. Mesmo com todo o problema, todo o sistema, ele inventa um outro país – e a gente vai levando. É só uma página infeliz da nossa história.

Farsa e farsantes

Moro, Barroso, Ackerman, Dallagnol indecentes

Por Ronaldo Souza

Houve um evento realizado em 10 de agosto de 2016, sob a coordenação de Luis Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal, cujo título foi “Democracia, Corrupção e Justiça: Diálogos para um país melhor”.

Exatamente o que está projetado atrás dos palestrantes na imagem acima.

O evento teve como palestrantes a professora Susan Ackerman (na foto), da Faculdade de Direito da Universidade Yale, o professor Oscar Vilhena Vieira, da FGV-SP, o Procurador da República Deltan Dallagnol e o então Juiz Federal Sergio Moro. Por cerca de três horas, o debate girou em torno de ideias e soluções para o Brasil.

Observe a data do evento; 10 de agosto de 2016.

À época, Moro e Dallagnol gozavam de todo o prestígio, poder e um pouco mais que um homem pode ter.

Poderosos, o juiz de primeira instância e o procurador da república davam as cartas e eram exibidos como reservas morais incontestáveis do país.

Por sua vez, com uma vaidade que cabe em poucos lugares, o ministro Barroso é o que se pode chamar de um verdadeiro pavão.

Entretanto, qualquer que fosse a tentativa de comparação entre o ministro, o juiz e o procurador seria inconcebível, tão grande é a diferença entre os três.

Inteligente e preparado, não há como não reconhecer a competência do ministro.

Ainda que às vezes pareça um pouco mais preparado, o procurador Dallagnol não está muito distante do juiz ignorante, tosco e provinciano que Moro é, mas ambos perdem de goleada para o ministro em qualquer requisito. Inclusive na exibição da cauda empavonada.

Mesmo assim, o ministro, como de resto praticamente todos os seus pares, sempre esteve completamente “alinhado” com as decisões dos dois. O temor e automático acatamento do STF às decisões da Lava Jato são por demais conhecidos.

Ah, como as aparências enganam.

Diante da foto acima, um olhar desatento nos diria da dignidade desses homens e da sua obediência às leis e à Constituição Brasileira, como devem fazer juízes e ministros.

No entanto, desde que Glenn Greenwald, The Intercept e alguns órgãos de imprensa começaram a divulgar as conversas entre Moro, Dallagnol e os demais membros da Lava Jato, muita coisa mudou.

O que pareceu ontem um momento de grandeza e riqueza em termos de palestrantes e palestras, hoje é apenas a caricatura de algo que se pretendeu sério e tem sido exposto como uma grande farsa, que reinou neste país por muito tempo.

Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo.
Abraham Lincoln

De forma ridícula, inicialmente tentaram desqualificar as primeiras conversas flagradas na noite que envolvia o país, negando a sua veracidade. Porém, a cada vez que tentavam eram surpreendidos e nocauteados com novas divulgações que iam sendo mostradas e comprovadas.

O evento acima, coordenado pelo ministro Barroso, não deixou de ser um desses momentos.

Não só ele apareceu nas conversas como também o jantar que houve à época.

Somente depois da divulgação pelo The Intercept é que o ministro se reportou a ele. Até então não se tinha conhecimento de que tinha ocorrido.

Uma vez que vazou, o ministro não perdeu a oportunidade para dizer que a professora Susan Ackerman tinha sido sua professora na Universidade Yale e era uma grande amiga, como também o era seu marido, o também renomado professor Bruce Ackerman, professor Sterling de Direito e Ciência Política da Universidade Yale.

Aliás, esta é uma característica cultural forte entre alguns professores brasileiros, dizerem-se grandes amigos de professores estrangeiros.

E não falo aqui somente dos professores de Direito, mas também de outras áreas.

Eles adoram.

À época, o convite, restrito a algumas personalidades, se fez acompanhar de um pedido; tudo deveria ter um caráter sigiloso e “reservento”, como diria Odorico Paraguassu, magnificamente interpretado por Paulo Gracindo na novela “O Bem Amado”, de Dias Gomes.

Diga-se de passagem, época em que se faziam boas novelas.

Merecidamente reverenciados como personalidades de destaque do mundo jurídico internacional, esses dois professores voltaram à cena.

Nesses últimos dias, alguns dos maiores juristas do mundo tomaram a iniciativa de fazer um manifesto e condenaram Moro, Dallagnol e a a Lava Jato pelos desmandos cometidos por eles e chegaram a dizer que “a Justiça brasileira vive atualmente uma grave crise de credibilidade dentro da comunidade jurídica internacional”.

Foi muito forte o manifesto.

Quem o assinou?

Ninguém mais, ninguém menos do que a Profa. Susan Rose-Ackerman, a “grande amiga” do ministro Barroso e reconhecida pelo próprio Dallagnol como “a maior especialista do mundo sobre corrupção”.

Dallagnol elogia Susan Rose-Ackerman

A Profa. Susan Rose-Ackerman, “a maior especialista do mundo sobre corrupção”, assinou um manifesto que diz que “a Justiça Brasileira vive atualmente uma grave crise de credibilidade dentro da comunidade jurídica internacional”.

Por que ela assinou o manifesto que destrói seus “amigos” brasileiros?

Além dela, quem mais assinou?

O seu marido, o também renomado professor Bruce Ackerman.

Além deles, quem mais assinou?

O também renomado Luigi Ferrajoli, professor emérito de direito da Universidade Roma Três, considerado o mais importante jurista do mundo em matéria de “garantismo” no direito penal.

Além deles, quem mais…?

E agora?

O que dirão Moro, Dallagnol, o ministro Barroso e seus colegas?

O que dirá a gloriosa imprensa brasileira?

Dirão que reconhecidas autoridades do Direito Internacional estão interessadas em preservar as práticas corruptas?

Dirão que elas estão entre os que são acusados por Moro, Dallagnol, Barroso e parte da imprensa de querer derrubar a Lava Jato por serem a favor da corrupção?

Digo aqui há anos que a Lava Jato é uma grande farsa.

Aí está mais uma comprovação.

E o que são esses homens e mulheres que de forma vergonhosa e canalha se especializaram em manipular a boa fé de milhões de brasileiros?

Leia o manifesto.

Lula não foi julgado, foi vítima de uma perseguição política

Nós, advogados, juristas, ex-ministros da Justiça e ex-membros de Cortes Superiores de Justiça de vários países, queremos chamar à reflexão os juízes do Supremo Tribunal Federal e, mais amplamente, a opinião pública do Brasil para os graves vícios dos processos movidos contra Lula.

As recentes revelações do jornalista Glenn Greenwald e da equipe do site de notícias The Intercept, em parceria com os jornais Folha de São Paulo e El País, a revista Veja e outros veículos, estarreceram todos os profissionais do Direito. Ficamos chocados ao ver como as regras fundamentais do devido processo legal brasileiro foram violadas sem qualquer pudor. Num país onde a Justiça é a mesma para todos, um juiz não pode ser simultaneamente juiz e parte num processo.

Sérgio Moro não só conduziu o processo de forma parcial, como comandou a acusação desde o início. Manipulou os mecanismos da delação premiada, orientou o trabalho do Ministério Público, exigiu a substituição de uma procuradora com a qual não estava satisfeito e dirigiu a estratégia de comunicação da acusação.

Além disso, colocou sob escuta telefônica os advogados de Lula e decidiu não cumprir a decisão de um desembargador que ordenou a liberação de Lula, violando assim a lei de forma grosseira.

Hoje, está claro que Lula não teve direito a um julgamento imparcial. Ressalte-se que, segundo o próprio Sérgio Moro, ele foi condenado por “fatos indeterminados”. Um empresário cujo depoimento deu origem a uma das condenações do ex-presidente chegou a admitir que foi forçado a construir uma narrativa que incriminasse Lula, sob pressão dos procuradores. Na verdade, Lula não foi julgado, foi e está sendo vítima de uma perseguição política.

Por causa dessas práticas ilegais e imorais, a Justiça brasileira vive atualmente uma grave crise de credibilidade dentro da comunidade jurídica internacional.

É indispensável que os juízes do Supremo Tribunal Federal exerçam na plenitude as suas funções e sejam os garantidores do respeito à Constituição. Ao mesmo tempo, esperamos que as autoridades brasileiras tomem todas as providências necessárias para identificar os responsáveis por estes gravíssimos desvios de procedimento.

A luta contra a corrupção é hoje um assunto essencial para todos os cidadãos do mundo, assim como a defesa da democracia. No entanto, no caso de Lula, não só a Justiça foi instrumentalizada para fins políticos como o Estado de Direito foi claramente desrespeitado, a fim de eliminar o ex-presidente da disputa política.

Não há Estado de Direito sem respeito ao devido processo legal. E não há respeito ao devido processo legal quando um juiz não é imparcial, mas atua como chefe da acusação. Para que o Judiciário brasileiro restaure sua credibilidade, o Supremo Tribunal Federal tem o dever de libertar Lula e anular essas condenações.

– Bruce Ackerman, professor Sterling de direito e ciência política, Universidade Yale

– John Ackerman, professor de direito e ciência política, Universidade Nacional Autônoma do México

– Susan Rose-Ackerman, professora emérita Henry R. Luce de jurisprudência, Escola de direito da Universidade Yale

– Alfredo Beltrán, ex-presidente da Corte Constitucional da Colômbia

– William Bourdon, advogado inscrito na ordem de Paris – Pablo Cáceres, ex-presidente da Suprema Corte de Justiça da Colômbia

– Alberto Costa, Advogado, ex-ministro da Justiça de Portugal

– Herta Daubler-Gmelin, advogada, ex-ministra da Justiça da Alemanha

– Luigi Ferrajoli, professor emérito de direito, Universidade Roma Três

– Baltasar Garzón, advogado inscrito na ordem de Madri

– António Marinho e Pinto, advogado, antigo bastonário (presidente) da ordem dos advogados portugueses

– Christophe Marchand, advogado inscrito na ordem de Bruxelas

– Jean-Pierre Mignard, advogado inscrito na ordem de Paris

– Eduardo Montealegre, ex-presidente da Corte Constitucional da Colômbia

– Philippe Texier, ex-juiz, Conselheiro honorário da Corte de Cassassão da França, ex-presidente do Conselho econômico e social das Nações Unidas

– Diego Valadés, ex-juiz da Corte Suprema de Justiça do México, ex-procurador-Geral da República

– Gustavo Zafra, ex-juiz ad hoc da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Sob o comando do intestino

Bolso ensacando cocô

Por Ronaldo Souza

Vejamos um breve currículo de Dilma Rousseff.

Economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, secretária da Fazenda de Porto Alegre (1986-1988), presidente da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (1991-1993) e secretária de Estado de Energia, Minas e Comunicações (1993-1994 e 1999-2002). Em 2002, coordenou a equipe de Infraestrutura do Governo de Transição, instituída pelo Presidente Lula. Foi ministra de Minas e Energia entre 2003 e junho de 2005.

O seu conhecimento no setor de energia é reconhecido, o que se pode confirmar e entender ao observar alguns cargos ocupados por ela.

No episódio da estocagem de vento, fizeram parecer que ela recomendara algo como estocar vento em sacos e guardar no armário.

Foi uma festa.

De tudo se disse.

Ao mesmo tempo em que choviam ironias, sarcasmos e ofensas, alguns foram pesquisar sobre o tema e tiveram surpresas.

Algumas publicações já falavam do tema e a Europa já estava com projetos avançados nesse sentido.

Dilma estava certa; era possível sim estocar vento.

É claro que a grande imprensa, aquela que controla o país (e vocês, miquinhos amestrados), não quis divulgar; mais importante que o dever de informar a sociedade era destruir o governo dela.

Mas já havia um entendimento do que ela disse e isso foi divulgado por jornalistas e pela imprensa independente e séria do país.

Dilma estoca vento

Fonte: www.dm.com.br/opiniao/2015/10/dilma-esta-certa-ciencia-mostra-que-ja-e-possivel-estocar-vento/

É claro também que além da desinformação, que impera em alguns segmentos da sociedade (aqueles “bem informados”), o fato de que nunca tiveram nem têm o menor interesse em saber.

Além de alguns poucos órgãos de imprensa, matérias sobre o tema podiam ser vistas em sites dedicados à Engenharia, como neste abaixo.

Estocando vento

Estocando vento'

Fonte: www.engenharia360.com/e-possivel-estocar-vento/

Em outras palavras, mais uma vez a presidenta Dilma Rousseff se dirigia à nação brasileira com informações técnicas relevantes e com a mesma seriedade e dignidade que sempre foram e são suas características e dever de um presidente da república.

Ignorância e molecagem

“É só você deixar de comer menos um pouquinho. Você fala para mim em poluição ambiental. É só você fazer cocô dia sim, dia não, que melhora bastante a nossa vida também”.

Esta foi a resposta do presidente Jair Bolsonaro à imprensa diante de uma pergunta sobre política ambiental.

Mereceu este comentário abaixo do jornalista Fernando Brito.

“Além de um idiota, um porco… Até desperta dúvidas se os competentes médicos que o atenderam religaram corretamente os intestinos.

Pode ser que em algo ele tenha razão: se o presidente falasse apenas dia sim, dia não, melhoraria “bastante a nossa vida também”. 

Deixemos de lado a absoluta incapacidade do senhor presidente em construir uma simples frase.

Não parece lógico a você que “deixar de comer menos” significa passar a comer… mais?

Quem deixa de comer muito, passa a comer menos.

Quem deixa de comer pouco, passa a comer mais.

Seria interessante procurar alguém na equipe do governo que entenda algumas coisas, entre elas a nossa língua, para orientar o presidente.

Ainda que fezes mentais não guardem relação direta com a alimentação das pessoas, passar a comer mais certamente tornaria mais difícil cumprir a sugestão do presidente de “fazer cocô dia sim, dia não”, tendo em vista que a alimentação tem, isso sim, relação direta com a necessidade fisiológica em questão, que de maneira sutil, inteligente e delicada foi trazida para a conversa do presidente com seu povo.

Assim, como proposta peculiar e sui generis para a preservação do meio ambiente, é possível que a do presidente (que já passou a fazer parte dos anais da literatura da fisiologia humana e sua relação com a questão ambiental), tenha que ser repensada.

A lamentar, o tempo e esforço intelectual despendidos pelo presidente na elaboração de teoria tão rica, mas quem está acostumado a militar nessa área (atenção, presidente, o verbo em questão, militar, nada tem a ver com o adjetivo. Por favor), sabe que teorias podem ser aceitas ou não.

Mestre na arte de agredir e ofender, o presidente da república já não exerce mais essa sua qualidade somente com mulheres, negros, nordestinos e homossexuais, mas com todo o povo brasileiro, pela forma como se dirige a ele.

Juntos e misturados, a ignorância e o desrespeito acima de tudo e de todos.

Tudo dito, correm sempre para desdizer, com as escusas (como diria Sérgio “Conje” Moro) de sempre, ou tentar dar uma interpretação mais amena.

Não cola mais porque já foram tantas e outras mais ocorrerão, que ninguém duvida mais do que é capaz esse homem quando se trata de dizer asneira e ser primitivo.

Tentar minimizar mais um desarranjo intestinal, cuja manifestação oral já se tornou uma tônica no presidente, dizendo que foi uma ironia e criticar os que “levaram a sério a história do cocô” (como ensaiaram fazer) seria muito pior.

Se eles não têm noção (e não têm) de que se dirigir à nação de maneira irônica e esculachada seria muito pior do que se fosse simplesmente mais uma estupidez fruto da ignorância dele, só mostra os completos sem noção que são. Falar dessa maneira ao povo brasileiro é um desrespeito absurdo, com nítidos contornos de molecagem.

Mesmo percebendo hoje o seu desequilíbrio mental e comportamento bárbaro, como muitos já o fazem, um povo não pode se acostumar a ser desrespeitado pelo seu presidente.

Consta no folclore político da Bahia que Antônio Carlos Magalhães desejava nomear alguém para a Secretaria de Saneamento do Estado.

Em dúvida diante dos nomes sugeridos por sua equipe, teria escolhido um determinado político com esse argumento; “como é para ser secretário de saneamento, que lida com merda e ele só faz merda, ponham o…” e deu o nome do seu escolhido.

A sugestão de Bolsonaro na luta para preservar o ambiente me fez lembrar dessa analogia feita por ACM.

Tendo em vista que a questão é cocô, quem você acha que seria a pessoa mais adequada para conduzir essa luta contra a poluição ambiental?

Acertou.

Voos sem controle

Glen bate em Moro

Por Ronaldo Souza

Moro, Dallagnol e Lava Jato sempre atacaram as palestras de Lula dizendo que eram uma forma de receber propina. Nunca tocaram nas de Fernando Henrique Cardoso, feitas nas mesmas condições.

Quando Dallagnol mostrou o famoso Power Point, fez questão de afirmar e não deixar sombra de dúvida de que Lula era o chefe da maior quadrilha de que se tinha conhecimento no Brasil.

Como duvidar dos paladinos da moral e da justiça?

Como duvidar dos homens de bem?

E o país seguiu o destino que lhe foi traçado pelos seus novos heróis; Moro, Dallagnol e Lava Jato.

Eles apontavam e prendiam os corruptos do país.

A presunção de inocência, cláusula pétrea da Constituição Brasileira, tinha sido abolida do Direito.

Por alguma razão estranha, que fugia da compreensão de muitos, todos os corruptos eram de um único partido; PT.

O PSDB era um partido inimputável.

Ainda que aparecessem com frequência, as provas de corrupção contra políticos como Aécio, Serra, Alckmin e Cia. eram simplesmente ignoradas e, em seguida, arquivadas.

Na campanha de Aécio à presidência, na qual vocês, cinicamente, fazem de conta que não tiveram nenhuma participação, tudo foi permitido a ele dizer e fazer.

Agressões e ofensas diárias, desrespeito absoluto a Dilma, tudo era permitido.

Com o apoio decisivo de Moro, Dallagnoll, Lava Jato (trio intocável), judiciário, MPF, mídia…

Os demais partidos eram deixados de lado.

E vocês fazendo o jogo sujo do compartilhamento e disseminação de todo o processo de mentiras, difamações e assassinatos de reputação nas redes sociais, tudo que pudesse atingir ao PT e seus membros.

A baratinha

Tudo era possível e permitido, menos para Lula, Dilma e o PT.

Absolutos e impunes, todos se sentiram à vontade.

Soltaram-se, sem pudor.

Sem amarras.

Todas as transações se tornaram possíveis.

Voltava a ecoar nas nossas cabeças a música de Chico Buarque.

Passava outra vez na “avenida um samba popular…”.

Estavam de volta “os barões famintos, o bloco dos napoleões retintos e  os pigmeus do boulevard”.

“Dormia a nossa pátria mãe, tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”.

Mais uma vez, desfilava na avenida o samba da desfaçatez, da farsa, da corrupção.

Um carnaval em que velhos conhecidos outra vez se travestiam de homens de bem, em nome do combate à corrupção.

Nessa confraria, estavam todos eles, mas havia também a participação de novos membros.

Juntos e misturados, coube aos novos membros, “imaculados” que eram, representantes da “nova política”, da política que não é política, assumirem o papel principal.

Embriagados pelo carnaval, jogaram fora todas as rédeas.

E todos os cuidados.

E foi aí que em plena quarta-feira de cinzas, o Sol resolveu aparecer.

Os seus primeiros raios entraram pelas frestas da festa.

Glenn Greenwald e o The Intercept começaram a desnudar os bastidores dos guerreiros anti-corrupção.

E das trevas fez-se a luz.

Descobriu-se a volúpia de Moro e Dallagnol por poder e dinheiro, já revelada e cada vez mais confirmada em cada conversa entre eles registrada pela Vaza Jato.

Entre outras coisas, Moro e Dallagnol tinham se transformado em grandes palestrantes.

Palestras bem remuneradas, mas não declaradas, como confessa o próprio Moro.

Projeto de criação de empresa em nome das esposas para ganhar dinheiro com as palestras.

Por trás das cortinas, corriam soltos comentários pejorativos, zombarias, risadas…

O deboche, escancarado e cínico, era a tônica das conversas entre juízes e procuradores.

Cá fora, o mundo era perfeito sob os aplausos dos miquinhos amestrados.

Talvez aí caibam algumas considerações.

Destaco dois “detalhezinhos” para os quais os miquinhos amestrados certamente nunca atentaram.

  1. Todas as palestras de Lula foram divulgadas e declaradas.
  2. Quando Lula fez as palestras não era mais presidente, já estava fora do governo, portanto, não era mais servidor público.

Mesmo assim, eram taxadas de propina pelos heróis nacionais.

Aqui cabem mais dois “detalhezinhos”, para os quais os miquinhos amestrados certamente também nunca atentaram. Nem querem.

  1. As palestras de Moro e Dallagnol foram inicialmente feitas às escondidas, não eram do conhecimento da sociedade e muitas vezes sequer declaradas (quantas?). Depois é que se tomou conhecimento.
  2. Foram realizadas com Moro e Dallagnol exercendo os cargos, como servidores públicos.

Pego com a boca na botija, a defesa de Moro foi uma verdeira pérola;

“Puro lapso”.

Voltava à tona a amnésia do ex-juiz e atual-até quando-só Deus sabe-ministro da justiça.

Ele teria esquecido de declarar o que tinha feito e para o qual tinha sido muito bem remunerado, segundo ele próprio.

Postou umas desculpas esfarrapadas.

Recorro a Jarbas Passarinho, ministro do Trabalho e da Previdência Social do Governo Médici.

Quando ele foi assinar o AI 5 no regime militar, disse.

“Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência”.

Moro e Dallagnol fizeram o mesmo.

Quando perceberam que estavam acima do bem do mal, mandaram “às favas… todos os escrúpulos de consciência”.

Há um detalhe, porém, que, por razões diversas, raras vezes é observado.

“O poder corrompe o homem”.

Esta é a frase que todos dizem.

Não vejo assim.

Digo há muitos anos que ‘o poder mostra o homem’.

Quando o homem manda os escrúpulos às favas, há no seu gesto fortes indícios de que ele não tem escrúpulos.

Moro resolveu fazer voos sem controle, por ilegais que eram.

Voos ilegais não são autorizados pelas torres de controle e não é incomum que terminem em graves acidentes.

E é quando ocorrem esses acidentes que as consequentes investigações expõem a sua ilegalidade.

As baratas devem saber dos riscos que correm nos seus voos.

“A baratinha iaiá, a baratinha ioiô, a baratinha bateu asas e voou”.

Haverá sobreviventes?

Se houver, por quanto tempo resistirão?

Por favor, não argumentem com a atividade docente que é permitida aos magistrados de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura Nacional, porque só confirmarão os cínicos que vocês são, como também estarão fazendo pouco da inteligência das pessoas, algo talvez difícil de ser identificado por vocês.

Estamos numa encruzilhada!

Quem combate a corrupção dos que combatem a corrupção?

Quem controla esses voos clandestinos?

E o que fazem vocês, miquinhos amestrados?

Sob o comando do pensador que atualmente ocupa a cadeira da presidência, que “pensa” por vocês e para vocês, ficam agredindo Glenn Greenwald.

Sob o comando do pensador que atualmente ocupa a cadeira da presidência, que “pensa” por vocês e para vocês, ficam agredindo a mãe de Glenn Greenwald.

Sob o comando do pensador que atualmente ocupa a cadeira da presidência, que “pensa” por vocês e para vocês, querem prender Glenn Greenwald, ou expulsa-lo do país.

E vocês, miquinhos amestrados, defenderam, defendem e vão continuar defendendo (alguém tem dúvida?) esses homens e mulheres como honestos, dignos e que lutam contra a corrupção.

Só eles são canalhas?

Não se preocupem.

A gente entende a atitude de vocês.

É corporativismo de classe.

Glenn Greenwald e The Intercept exibem Moro e sua lava jato como eles são

Por Ronaldo Souza

MoroDallagnol e juízes federais

MoroDallagnol e juízes federais''''

Observe aí em cima (“caixa” em vermelho) que as três associações de juízes existentes no Brasil veem ‘ilegalidades no conteúdo das mensagens’. No corpo da matéria os juízes não só reconhecem como descrevem como ‘fato grave’ e ‘verdadeiro absurdo’, expressões que constam do título lá em cima.

Chamo a atenção desse detalhe porque tenho visto os miquinhos amestrados ainda hoje dizerem coisas como “Moro é um juiz honesto que tem coragem pra combater a corrupção do PT”, “Perseguem Bolsonaro porque ele quer fazer um governo diferente e não deixam ele governar”, “os esquerdopatas querem culpar Moro e Bolsonaro”, “os petralhas…” e mais outras pérolas.

Vou pedir a eles algo impossível, mas vou pedir.

Pensem um pouquinho só, pelo amor de Deus!

Proteção é o que não está faltando aos dois, particularmente a Moro.

Sem falar do corporativismo que há em todas as classes.

Sem falar também no interesse de muitos juízes que protegem Moro, simplesmente porque Moro forte, eles, juízes, também ficam fortes. Aliás, como estão.

Vocês conseguem entender?

Vejam, porém, que, apesar de tudo isso, são as três associações de juízes do Brasil que estão dizendo que veem ‘ilegalidades no conteúdo das mensagens’, que elas descrevem como ‘fato grave’ e ‘verdadeiro absurdo’.

Além delas, todos os juristas e professores de Direito dizem a mesma coisa.

Não são os esquerdopatas que estão dizendo!!!

O fato de vocês entenderem ou não e aceitarem ou não, não tem a menor relevância.

Mas, é claro, podem continuar indo para o Farol da Barra e para as avenidas paulistas brigar contra a corrupção.

Nós já entendemos essa questão de vocês.

E podem continuar gritando “Lula tá preso babaca”, “Dilma é vagabunda”, “Brasil acima de tudo”, essas frases complexas que vocês gostam de dizer.

Como eu disse no artigo Herói ontem, capacho hoje, Moro já é lixo da História, Moro e Dallagnol “só não foram afastados dos seus cargos porque o Brasil de hoje é um país que perdeu o respeito por si próprio”.

Mais uma vez, não errei.

Apesar de os novos diálogos do The Intercept publicados pela Folha mostrarem que as arbitrariedades e falta de escrúpulos de Moro e Dallagnol foram longe demais, o afastamento de Dallagnol não deverá acontecer.

Pelo menos é assim que pensa a procuradora geral da república (letras minúsculas mesmo), Raquel Dodge, que já declarou que ele não será afastado, chegando a afirmar que ele é “inamovível”.

A procuradora demonstra que não está nem um pouco preocupada com questões de justiça, caráter e dignidade. Nada disso importa.

Não é incomum que, uma vez alcançado o objetivo, muitos mudem de opinião.

Assim, poderíamos esperar que depois de reconduzida ao cargo a procuradora tomasse uma atitude que lhe poderia devolver parte que fosse da dignidade, mas nada sugere que se deva esperar por isso.

Nesse sentido, ela é “inamovível”.

Preocupada única e exclusivamente em ser reconduzida ao cargo, manda às favas qualquer escrúpulo.

Ela só quer agradar à categoria da qual faz parte.

Assim, acredita ela, deverá aumentar as chances de se manter como procuradora geral da república.

Como para muitos homens, também para muitas mulheres não importa o merecer, importam tão somente homenagens, títulos e cargos.

Olhe à sua volta e é o que você verá.

Independentemente disso, mantenhamos a esperança de que alguma coisa ainda poderá acontecer em nome da correção dos rumos desse país.

Moro suspeito'

Não esqueçamos, porém, de que há outros bandidos.

Moro, apesar das aparências, vem sendo investigado há muito tempo.

Moro suspeito

Ocorre que todos tinham medo dele, inclusive o STF, e qualquer investigação sobre ele era imediatamente arquivada.

Entretanto, desde a chegada de Glenn Greenwald e do The Intercept muita coisa mudou, afinal os diálogos têm mostrado que ele é o verdadeiro chefe da hoje reconhecida como quadrilha da Lava Jato.

Moro suspeito''

Moro, o ex-juiz que destruiu reputações e vidas de pessoas, hoje não tem mais o controle da sua.

Sua vida está nas mãos da Globo e de Bolsonaro.

Até quando a Globo vai protege-lo?

Até quando o mico vai pagar esse mico?

Mesmo sabendo que, da mesma forma que com o pastor Dallagnol, que tem linha direta com Deus e Dele recebeu a nobre missão de acabar com a corrupção no Brasil (miquinhos amestrados, vocês são canalhas, ninguém tem mais dúvidas, mas também são muito burros), com Sergio “Conje Moro” também nada deverá acontecer, mas não podemos esmorecer.

Todas as tramas estão sendo descobertas e ainda que permaneça a possibilidade da impunidade, todos já foram desmoralizados.

A não ser seres primitivos, ainda que possuidores de diplomas que os transformam em seres de formação de “nível superior”, poucos hoje não percebem, por exemplo, que o Power Point de Dallagnol foi completamente distorcido à época, aliás, como tudo deles sempre foi manipulado e distorcido.

Desde sempre, agora demonstrado e comprovado pelo The Intercept, o Power Point teria os dois, Moro e ele, como figuras centrais e não Lula.

MoroDallagnol power point

Obs. Quem quiser ler a matéria completa da Folha, pode clicar aqui www1.folha.uol.com.br/poder/2019/08/janaina-defende-deltan-enquanto-associacoes-veem-fato-grave-e-verdadeiro-absurdo.shtml

EL PAÍS detona Moro e Dallagnol

MoroDallagnol apagando

Por Ronaldo Souza

Moro e Dallagnol dizem há algum tempo que já apagaram as mensagens nos seus celulares.

Assim, estariam livres de comparações entre as mensagens originais dos seus telefones e as dos hackers que, segundo eles, estariam alteradas.

Mais claro não poderia ser que eles não querem fazer nenhuma comparação.

Perceberam um pouco tarde o tiro que deram no pé com a história dos hackers e vão fugir de qualquer comparação como o Diabo foge da cruz.

Mais do que qualquer outra pessoa, eles sabem que ela só iria mostrar que tudo é verdade.

Você ainda tem alguma dúvida de que eles não têm nenhum interesse em fazer isso?

Vamos lá.

Na sua edição em português, o jornal espanhol EL PAÍS liquida a argumentação de Moro e Dallagnol ao dizer que “obteve documentos da própria Operação Lava Jato e fez entrevista com o fornecedor de uma ferramenta utilizada pela Polícia Federal que demonstram que, sim, é possível recuperar mensagens apagadas do Telegram e de outros aplicativos”.

Você acha que Moro, Dallagnol e a Polícia Federal desconhecem essas ferramentas?

Não é possível, pois a Lava Jato fez isso várias vezes nos celulares e computadores de empresários e delatores, como mostra a matéria abaixo do EL PAÍS.

Então por que eles não fazem?

É inacreditável como não cansam de se desmoralizar.

Haveria outra possibilidade?

Talvez.

Já se sabe que os hackers são estelionatários, entretanto, a própria Polícia Federal disse que não via neles conhecimento de tecnologia suficiente para fazer um trabalho do porte do que foi feito e aí talvez possa surgir uma questão.

E se de repente, no material hackeado não houver nenhum diálogo do que tem mostrado o The Intercept?

Veja a matéria do EL PAÍS.

Moro se esconde no hacker

Por Daniel Haidar, no EL PAÍS

Enquanto o mundo político debate as possíveis consequências legais das conversas de Deltan Dallagnol e Sergio Moro publicadas pelo site The Intercept, o procurador e o ex-juiz da Lava Jato, agora ministro da Justiça, repetem um discurso que lhes ajuda a conter os riscos de investigações na esfera criminal, o único tipo de cerco que poderia apreender seus telefones celulares e verificar a autenticidade dos diálogos vazados. Moro e Dallagnol, desde as primeiras conversas vazadas, afirmam que os diálogos poderiam ter sido adulterados por hackers que roubaram criminosamente as conversas. Afirmaram ainda que não podiam provar essa eventual adulteração porque apagaram os aplicativos do Telegram de seus celulares e, consequentemente, as mensagens.

“Várias análises mostraram que os diálogos são falseáveis. A origem são pessoas acusadas de crimes, inclusive de falsificação, e quem tem o documento com os diálogos não o apresentou para verificação”, repetiu Dallagnol em entrevista à rádio CBN, na sexta-feira, após a prisão dos hackers suspeitos de ter tentado roubar dados de seu celular e de quase mil autoridades.

Mesmo depois que o principal detido confessou o suposto crime à Polícia Federal e disse não ter alterado o conteúdo, o procurador de Curitiba segue repetindo que suas conversas podem ter sido mudadas e não é possível cotejar com as originais (ainda que não detalhe se apenas deixou de usar o Telegram no celular ou se apagou a conta em si no serviço, o que mudaria o tempo de armazenamento do conteúdo). O EL PAÍS, no entanto, obteve documentos da própria Operação Lava Jato e fez entrevista com o fornecedor de uma ferramenta utilizada pela Polícia Federal que demonstram que, sim, é possível recuperar, em muitos casos, mensagens apagadas do Telegram e de outros aplicativos.

Tanto é possível resgatar mensagens deletadas de SMS, WhatsApp, Telegram e até de outros aplicativos que peritos da PF recuperaram várias conversas dos celulares de presos da Lava Jato. Desde o começo da megainvestigação em Curitiba, em 2014, a Superintendência da Polícia Federal no Paraná utiliza a tecnologia que executa a tarefa. Trata-se de um dispositivo eletrônico batizado de UFED (Universal Forensic Extraction Device), parecido a um microcomputador em formato de maleta, que foi vendido pela empresa israelense Cellebrite. O dispositivo, que também é oferecido como aplicativo para instalação em computadores ou notebooks, já foi vendido para outras unidades policiais do país.

A ferramenta funciona da seguinte forma: uma vez apreendido o celular, basta conectar por cabo o celular à maleta ou ao computador com a ferramenta instalada. Pelo aplicativo da Cellebrite, o perito escolhe se faz a extração integral dos dados ou se produz relatórios específicos. A Cellebrite, no entanto, explica que nem sempre é possível recuperar mensagens deletadas de um aparelho celular. É preciso que os dados estejam acessíveis na memória interna do aparelho, que costuma deixar os dados registrados mesmo depois de deletados dos aplicativos, ou na nuvem de dados do aplicativo utilizado. Também é preciso que a versão do aplicativo da Cellebrite esteja atualizada para acessar os sistemas operacionais mais recentes dos aparelhos. A empresa israelense oferece novas atualizações à medida em que fabricantes como Apple e Samsung criam novos sistemas operacionais.

Leia o texto completo aqui www.brasil.elpais.com/brasil/2019/07/31/politica/1564606298_023940.html