Moro Mente

Moro mente'

Associação Brasileira de Juristas pela Democracia

Preocupada com o discurso de Sergio Moro de relativização da legalidade e de normalização de desvios, a ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) lança nesta quinta-feira (01/08) a campanha #MoroMente para mostrar à população quais foram as violações de direitos cometidas pelo ex-juiz, e apontar as mentiras que ele conta para justificar sua atuação criminosa durante a Lava Jato.

A ação contará com a participação de juristas que irão explicar como os envolvidos na operação Lava Jato atropelaram leis e corromperam a Constituição.

Nesta abertura, o juiz de Direito da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luís Carlos Valois, esclarece porque Moro está mentindo quando diz que é normal o contato regular e de tanta influência com representantes do Ministério Público (MP) no curso de um processo. Assista.

Um ato público será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Francisco, em São Paulo, para denunciar a conduta do atual ministro da Justiça, que segue extrapolando limites éticos e do cargo que ocupa, sem sofrer uma investigação séria e rigorosa.

Gravidade dos fatos

A ABJD considera fundamental que a sociedade entenda que os diálogos divulgados são de uma gravidade absoluta, e que Moro e os procuradores da Lava Jato agiam de forma ilegal para atingir pessoas e fins específicos.

Desde que foi flagrado em conversas com o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da operação Lava Jato, Moro insiste em dizer que não reconhece a autenticidade das mensagens, que elas podem ter sido parcial ou totalmente adulteradas e, mais impressionante, que o conteúdo não traz nada de ilegal, e que ilustra a atuação normal de um juiz, comum ao dia a dia de uma operação.

 Para a entidade, o discurso do ministro da Justiça é falso e mentiroso, porque não é normal um juiz antecipar que está faltando determinada prova, sugerir testemunhas, sinalizar quando as ações devem ser realizadas, verificar petições antes que elas sejam protocoladas e façam parte do processo, avisar dos prazos, opinar sobre delações premiadas e combinar ações de investigação de atos processuais. Tudo isso em relação a uma das partes, enquanto trata com desrespeito a outra.

#VazaJato

Considerado o grande herói do combate à corrupção, a imagem mítica de Sergio Moro começou a se desfazer no dia 9 de junho de 2019, quando o portal de notícias The Intercept Brasil lançou uma série de reportagens com as conversas privadas, obtidas de forma anônima, do ex-juiz com o procurador chefe da força-tarefa da Lava Jato Deltan Dallagnol e entre o grupo de procuradores.

As divulgações, em parceria com outros veículos, mostram ao Brasil e ao mundo que as ações da operação eram combinadas e coordenadas entre os membros do Ministério Público Federal, que conduziam as investigações e Moro, que era o responsável pela análise e julgamento dos envolvidos.

Desde então, a ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) está entre as entidades que busca respostas dos órgãos competentes, e exige medidas rigorosas e necessárias contra os envolvidos.

Herói ontem, capacho hoje, Moro já é lixo da História

Moro merda e hacker

Por Ronaldo Souza

A degradação de Sergio “Conje” Moro foi muito rápida.

Quantos conseguem ou querem ver é o que menos importa, ou simplesmente não importa.

O herói nacional que entrou no governo do mico para lhe dar respaldo moral, o super ministro que seria a grande referência do governo, derreteu.

Completamente desmoralizado, foi-se por completo o sonho de ser presidente da república, seu desejo de há muito.

Sonho esse que ele já trabalhava como ministro da justiça, o que o tornava alguém perigoso para o pensador que hoje ocupa a cadeira da presidência.

O pensador, também conhecido como mico, já fora alertado para isso por assessores; “Cuidado! Na sua sanha por poder, Moro vai lhe trazer dificuldades”.

Claro que não nesses termos, pois traria “dificuldades” para a compreensão do mico.

Foi esse o teor, mas dito de outra forma.

Os vazamentos iniciais do governo do mico para a Globo deram os primeiros sinais de que realmente as coisas fugiriam do controle e acenderam a luz amarela. O mico, num esforço mental que quase queima seu esforçado neurônio, começou a perceber que de fato corria risco.

A rapidez com que andavam as investigações no ministério público do Rio de Janeiro sobre um dos vice-presidentes, Flávio Bolsonaro, um rico plantador de laranjas, chamaram a atenção também.

E aí, como que de repente, Bolsonaro deixou de brigar para dar o Coaf a Moro.

Vamos lá.

Não é pelo Coaf que se investigam as movimentações financeiras?

Estas não ‘abririam’ de vez a caixa preta das relações com os milicianos?

Nas mãos de Moro, como andariam, por exemplo, as investigações do Coaf sobre o vice-presidente Flavio Bolsonaro e sua íntima relação com os milicianos?

Você percebe que com o Coaf, Moro teria um poder enorme?

Percebe também que ele teria Bolsonaro na mão?

Mesmo o mico percebeu que, de lá de dentro, Moro trabalharia para detonar seu governo.

O que fez?

Como um Red Bull ao contrário, cortou-lhe as asas.

Tirou o Coaf dele.

Enquanto isso, os geniais gênios de genialidade genial, sentados com as suas camisas amarelas CBF-padrão FIFA nas confortáveis poltronas dos auditórios da estupidez no Farol da Barra (como dói falar assim de algo que é tão caro aos baianos como o Farol da Barra, símbolo de tanta coisa na nossa história e ao mesmo tempo de rara beleza) e nas avenidas paulistas espalhadas pelo país, defendiam bravamente o Coaf nas mãos do Conje; em nome do combate à corrupção.

Como se Bolsonaro quisesse realmente que fosse assim.

Meu Deus!

Como são geniais os geniais gênios de genialidade genial, também conhecidos como miquinhos amestrados, nata da inteligência e intelectualidade da nossa rica e culta classe média.

Aproveito para parabenizar a Polícia Federal.

Que se registrem, com os devidos elogios, a competência e rapidez da Polícia Federal em localizar bandidos.

Viram como rapidinho, rapidinho chegaram nos hackers!

Por falar nisso, cadê Queiroz?

O problema é que o episódio dos hackers só complicou a vida de Moro e expôs toda a sua incapacidade de pensar, acostumado que ficou a não precisar fazer isso. A força que teve como juiz lhe permitiu fazer o que agora mostra ser a sua grande característica; a truculência.

Mesmo partindo de um homem do qual sempre chamei a atenção para as evidentes limitações de inteligência (falo disso há anos), é incrível como ele não percebeu o tiro que daria no pé por conduzir a questão dos vazamentos e dos hackers como fez.

Moro prenderam os hackers

É inacreditável.

Nitidamente tentando tirar do foco mais uma fraude que cometera, atraiu a atenção do país para a necessidade de identificação dos “criminosos invasores” do celular de autoridades brasileiras, como brilhantemente afirmado por Dallagnol, o procurador que procura e acha dinheiro com extrema facilidade.

Foi tão convincente na necessidade de se buscarem os criminosos, que por pouco os miquinhos amestrados também não saíram à procura daqueles miseráveis bandidos.

E, não esqueça, bandido bom é bandido morto.

Ou pelo menos deportado.

O He-Man (eu tenho a força, lembra?) usou o que tinha; a força.

Não pensou.

Não pensou e procurou os autores do que não existia.

Afinal, depois de reconhecerem os diálogos, ele e Dallagnol passaram a dizer que eram falsos, que não reconheciam e que caso fossem verdadeiros poderiam estar alterados.

No entanto, ele se apressou a pedir desculpas ao MBL por causa de uma crítica feita a eles, revelada nos… diálogos.

Pedir desculpas por uma crítica feita em diálogo que não existe!!!

Descer do pedestal da arrogância e prepotência e pedir desculpas só mostra uma coisa quando se trata de Moro; o desespero que tomou conta dele. Ele está de tal forma que não pode desagradar a ninguém. Agora precisa de todos, sem exceção, até do MBL.

Por outro lado, se os diálogos são falsos por que tamanha preocupação em descobrir os hackers?

Depois de tanto procura-los e perceber que só fizeram confirmar que os diálogos são verdadeiros, o que faz Moro agora?

Tenta desqualifica-los!!!

E nisso, desqualificar os adversários (agora no Brasil juízes têm adversários e não eventuais réus para julgar), há que se reconhecer; eles são mestres.

Mas algo mais ainda estava por vir.

O maior escândalo do judiciário brasileiro estava para vir à tona.

E foi aí que aconteceu.

Moro revelou qual era o verdadeiro objetivo em descobrir os hackers.

Uma violência jamais vista no Brasil.

O Ministro da Justiça do Brasil propôs a destruição de provas.

Destruição de provas.

Diante de todos os microfones e câmeras, diante de toda a nação.

Abertamente.

Escancaradamente.

Vergonhosamente.

O rei está, definitivamente, nu.

Moro e a corrente

Ainda há mais, que aos poucos vai aparecer, mas a podridão que já veio à tona desse reinado em qualquer país que se diga sério seria suficiente para, no mínimo, afastar esses homens dos seus cargos públicos.

É uma verdadeira imoralidade.

Para Moro foi-se de vez o sonho da presidência.

Mas há ainda um plano B.

Supremo Tribunal Federal.

STF. 

A sigla mágica.

A que faz homens e mulheres pensarem que são supremos homens e mulheres, quando muitas vezes sequer são homens e mulheres.

Mesmo para esse tribunal também vergonhoso, Moro está completamente desqualificado, como desqualificado está para qualquer cargo público.

Moro é um homem indecente.

O super ex-juiz, agora super ex-ministro, continua ardentemente desejando ser um supremo ministro.

Por conta disso, tornou-se um dependente da boa vontade do mico.

Passou a comer na sua mão.

Um capacho que agora se limita a concordar e aprovar tudo que o mico propõe ou faz.

Não que isso represente qualquer tipo de dificuldade para ele.

Camaleônicos se adaptam a qualquer situação.

Para eles, nenhum energético é mais efetivo que a ambição pelo poder.

Moro é a maior fraude do Brasil nesses longos e tenebrosos últimos anos.

Ele e Dallagnol só não foram afastados dos seus cargos porque o Brasil de hoje é um país que perdeu o respeito por si próprio.

O inconsciente coletivo

Inconsciente Coletivo

Por Ronaldo Souza

Eu poderia começar este artigo dizendo algo como “não importa o que eles pensam…”, mas não vou.

A razão é bem simples; eles não pensam.

Assim, a frase “não importa o que eles pensam” não teria sentido.

Quem não pensa não toma conhecimento das coisas e aí tudo se torna bem mais difícil.

Pode parecer haver uma contradição em quem diz que a ignorância é uma benção e diz que na ignorância “tudo se torna bem mais difícil”.

Não há.

Explico.

A ignorância é uma benção para o ignorante.

Quem ignora não sabe o que desconhece e por desconhecer não consegue expandir a mente.

A mente pequena não é exigente.

Nela não há esforço, não há padecer.

Mas há outra categoria que ocupa um andar um pouco mais abaixo.

Já ouviu dizer que “o pior cego é aquele que não quer ver”?

É o caso deles; além de não pensar, eles não querem tomar conhecimento de nada.

A ignorância traz bloqueios enormes e um deles é o horizonte curto.

A pessoa muitas vezes não consegue compreender sequer o que foi dito ou escrito. Ir além disso, nem pensar.

Já que nos situamos, vamos ao assunto.

A campanha eleitoral de Bolsonaro, todos sabem, foi uma grande fraude.

Não há registro de algo parecido na recente história do país. Se houve antes, a minha leitura não alcançou.

Ocorre, porém, que a adoção da expressão fake news teve um efeito desastroso na vida do brasileiro.

A grande indignação que se teria como reação à mentira deslavada, ao cinismo e à canalhice foi tremendamente amenizada e muitas vezes sequer existiu, porque se transformou em fake news, expressão que só por ser ouvida e lida em inglês já se torna automaticamente aceita.

A mentira se incorporou de maneira absurda e inaceitável à vida das pessoas.

A campanha deslavadamente apoiada em mentiras feita pelo atual presidente, sob a coordenação e orientação de um dos seus gurus, o norte americano Steve Bannon (o mesmo que fez a campanha de Trump e por ele foi indicado a Bolsonaro), foi facilmente aceita porque entrou em perfeita sintonia com a forma de agir dos seus fieis seguidores.

Vamos lá.

Quantos robôs foram utilizados para enviar mensagens, disparos de whatsapp com mensagens escandalosamente falsas?

Quantos amarelinhos-CBF-padrão FIFA fazem o mesmo nas suas atividades profissionais?

Quantos “adotaram” a postura de exibir milhares de seguidores nas redes sociais, quando na verdade são robôs?

Será que eles, que vão para o Farol da Barra, Avenida Paulista… bradar contra a corrupção nos domingos de sol das manifestações, imaginam que ninguém sabe quem são os que fazem esse tipo de coisa e outras mais?

Será que eles, que passam por mim e por você nas faculdades, nos eventos, nas praias, nos shoppings, no futebol,  imaginam que nós estamos sempre olhando para a Lua?

Que não sabemos o que já fizeram e fazem, como disse, nas suas atividades profissionais?

Gente a quem eu e você damos bom dia, boa tarde, “oi, tudo bem?”, como impõe a convivência social e profissional.

O que explica essa estranha e “imperceptível” afinidade entre eles e instituições como CBF-FIFA, internacionalmente reconhecidas pela corrupção?

Tão espertos e tão tolos.

Fecho os olhos e vejo vários deles.

Achei emblemática essa frase de uma postagem do meu amigo, o Prof. Marcel Arriaga:

“Ressalto que conheço bem todos os que se pronunciaram”.

A breve matéria que vocês vão ler aqui embaixo foi publicada em um jornal português.

Ela mostra que Bolsonaro diz 1,1 mentira por dia.

Isso já era sabido.

Todos sabem que ele mente muito. 

Só não tínhamos esses números.

Mas sabe o que é o pior de tudo?

É saber que vocês são cópias dele.

Ou jamais se percebeu a quantidade de mentiras que são postadas nas redes sociais diariamente?

Por quem?

Vocês o repetem nos gestos, nas palavras, nas ações, nas ofensas.

As afinidades explicam a explosão do preconceito, ódio e violência em vocês.

Eleger um mito é se ver nele.

O mito é reflexo do inconsciente coletivo.

Sabe o que é sedutor no inconsciente coletivo?

É que, sem que se perceba, por isso é “inconsciente”, ele traz um grande conforto às mentes menos exigentes.

O conforto da correnteza; deixar-se levar.

Manada

Deixar-se levar elimina o esforço do pensar.

A correnteza faz uma massa única onde iguais agem por instinto.

Macaco vê, macaco faz.

Vocês não têm e por isso não usam outras armas que não sejam as dele.

“Eu olho-os com olhos lassos
Há nos meus olhos ironias e cansaços”.
José Régio

Há sim, ironias e cansaços que quisera eu não existissem.

Ironias como forma de reagir a tanto preconceito, a tanto ódio, a tanta violência.

Ironias para enfrentar a covardia de homens e mulheres pequenos, que encontram na ofensa uma forma de viver.

Cansaços por tanto dispêndio de energia.

Cansaços do corpo e da alma no enfrentamento de seres tão abjetos.

“Ressalto que conheço bem todos os que se pronunciaram”.

A canalhice ultrapassou todas as fronteiras.

E hoje anda ao nosso lado.

Bolso mentira

Diário de Notícias

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro prestou 2054 declarações falsas ou distorcidas nos primeiros 184 dias do seu mandato, concluiu o site digital Aos Fatos, dedicada à verificação do rigor das informações divulgadas pelos media do país.

Esse resultado dá uma média diária de 1,1 declarações falsas ou distorcidas feitas por Bolsonaro entre a posse, a 1 de janeiro deste ano, e o dia 4 de julho.

Com verificações feitas semanalmente pelos jornalistas do Aos Fatos, algumas das “afirmações mais repetidas” por Bolsonaro e que carecem de rigor são “Nós devemos a nossa democracia às Forças Armadas” ou “Montamos nossa equipe [governamental] de forma técnica, sem o tradicional viés político…”.

Com vários observadores a apontarem semelhanças na ação política de Bolsonaro e Donald Trump, outra dessas afirmações dúbias foi: “Pela primeira vez em muito tempo, um presidente brasileiro que não é antiamericano chega a Washington.”

A mais recente afirmação questionável de Bolsonaro identificada pelo Aos Fatos foi no próprio dia 4 de julho: tendo o presidente dito que trabalhara “com nove, dez anos de idade na fazenda” da família, o site comparou-as com declarações em sentido contrário feitas em 2015 pelo seu irmão Renato.

Em entrevista à revista Crescer, “Renato disse que o pai ‘[…] nunca deixou nenhum filho trabalhar, porque achava que filho tinha que estudar’. Isso torna CONTRADITÓRIA a declaração feita pelo presidente”, afirma aquele site de verificação de notícias.

Outra das declarações falsas mais repetidas por Bolsonaro é a que “Israel é menor que o menor estado do Brasil, Sergipe”. Basta comparar as áreas para se aferir a verdade. Israel tem 22 070 quilómetros quadrados e Sirgipe tem 21 927 quilómetros quadrados. Esta declaração foi repetida três vezes por Bolsonaro, desde que tomou posse.

O Aos Fatos, sediado no Rio de Janeiro e São Paulo, nasceu em 2015 e foi fundado pela jornalista Tai Nalon e pelo especialista informático Rômulo Collopy. Este é um dos sites nascidos nos últimos anos no meio jornalístico para combater as chamadas fake news – de que o mais conhecido será o Fact Checker do jornal Washington Post, que já identificou mais de 10 mil afirmações falsas ou dúbias feitas pelo presidente Donald Trump.

Bolsonaro declara guerra ao Nordeste

Bolso ama o nordestino

Por Ronaldo Souza

Bastaria ver o nome do aeroporto.

Aeroporto Glauber Rocha.

Baiano, tido por muitos como um gênio do cinema, autor de clássicos como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, Glauber Rocha certamente não era um cineasta “terrivelmente evangélico”.

Ainda bem, porque seria terrivelmente ruim se fosse.

Portanto, a inteligência e o bom senso, raros nos tempos atuais, sugerem fortemente que o Aeroporto Glauber Rocha jamais seria uma obra do governo Bolsonaro.

Jamais.

Aos cães raivosos, que por um bom tempo ainda continuarão vomitando a sua raiva, é uma obra do Governo Federal, governo Dilma, em parceria com o Governo do Estado da Bahia, governo Rui Costa.

E o mico anda dizendo que mesmo sem recurso ele conseguiu concluir a obra.

O presidente foi… como dizer sem chama-lo de mentiroso? Não foi honesto.

Houve um último pagamento feito no governo de Temer, que teria sido no governo dela própria, Dilma, mas como o tomaram…

Realizado pelo governo do mico, que paga mico todo dia, nada, zero, “neca de pitibiriba”, como dizemos aqui no Nordeste que ele tanto odeia.

Bolsonaro  vinha para a solenidade como convidado do Governo do Estado da Bahia, dentro de um processo de convivência saudável entre governador e presidente, de partidos opostos, mas não inimigos.

Ocorre que, como tudo mais, o presidente desconhece as relações de convívio saudável em qualquer nível.

E como autoridade máxima do país, às escondidas ele transformou a inauguração numa festa dele.

E veio como intruso.

Penetra.

Receoso das vaias que receberia, mesmo sendo uma região rica e de muitos fazendeiros (afinal, apesar de alguns preferirem que assim não fosse, Vitória da Conquista é uma cidade do Nordeste), Bolsonaro determinou que a inauguração não seria aberta à população.

Se você não acredita, aqui está a foto do aeroporto hoje pela manhã. Observe que os tapumes da obra não foram retirados para impedir a aproximação do povo.

Conquista e o muro da vergonha

Determinou que seriam 300 convidados, dos quais somente 70 do governador. Um ambiente hostil ao governador estava sendo preparado.

Soube-se depois que de 300 teria passado para 600 convidados, sem alteração no número daqueles de responsabilidade do governo do estado, proporcionando ambiente mais hostil ainda.

Não satisfeito, como você pode ver na manchete lá em cima, a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) proibiu o pouso do avião que levaria governador e comitiva para a inauguração do aeroporto.

Tornou-se uma festa particular.

Mas, certamente, o presidente vai dizer o que lhe vier na cabeça.

E dali nunca sai coisa boa.

No seu twitter (não seria bom que ele trabalhasse um pouco, um pouquinho só pelo menos?), ele postou que o governador mandou tirar a Polícia Militar da sua segurança, mentindo mais uma vez.

Os seus miquinhos amestrados não sabem, mas todos sabemos que o policiamento interno dos ambientes onde ele estará é de responsabilidade da Abin, da sua segurança pessoal e da Polícia Federal (a mesma que deixou acontecer a “punhalada” que, estranhamente ele autorizou que parassem as investigações e até o grande Alexandre Frota, deputado do seu partido, estranhou).

Além disso, o exército cercou o local e ele mandou posicionar atiradores de elite no topo do aeroporto.

O que faria a Polícia Militar, que nem teria acesso às dependências internas da solenidade de inauguração?

Bater nas pessoas que ousassem se aproximar para conhecer o aeroporto de sua cidade?

Mas, como disse o jornalista Fernando Brito, “o clima é de inteira liberdade. Dentro do ‘cercadinho’, claro”.

Presidente, veja o que o senhor consegue fazer.

Depois de dizer isso, o senhor consegue ter a cara de pau de dizer que não disse.

E aí sai outra vez jurando amor eterno aos nordestinos.

Cerca de três ou quatro dias depois o senhor fez isso.

Todos sabemos que o senhor gosta de pau de arara, mas do outro, aquele que tanto se usou na ditadura militar e o senhor costuma fazer a apologia, particularmente quando fala do coronel Brilhante Ustra, um torturador que se deliciava colocando baratas e ratos na vagina de mulheres.

Mas esse pau de arara de que o senhor fala no vídeo mais acima é, mais uma vez, o sarcasmo, o deboche, a humilhação com que muitos se referem ao paraíba, esse ser inferior, de quem o senhor tinha acabado de dizer tanto gostar.

A aquele pau de arara que tanto mal fez e faz o senhor faz a apologia, num discurso inflamado e doentio.

Ao outro pau de arara, o paraíba, o senhor se refere com o desprezo, a gargalhada larga, escancarada, do deboche que fere a carne e atinge a alma de um povo sofrido, mal tratado e eternamente subjugado na sua pureza e esperança, que de tão grandes e fragilizadoras chegam vez por outra a depositar em homens asquerosos como o senhor.

O que restou ao paraíba que está ao seu lado e do seu lado?

Sujeitar-se aos abusos do chefe e cumprir o mesmo papel que cumpre o deputado Hélio Bolsonaro, trastes humanos que são.

Mas não se preocupe, presidente, todos nós nordestinos sabemos do seu amor pelo Nordeste e sabemos o quanto nos tem ajudado.

Todos os seus gestos, palavras e ações mostram isso de maneira bem clara.

Bolsonaro impede verbas para o Nordeste Na hora certa saberemos reconhecer tudo isso.

Pode ter certeza, não esqueceremos.

Permita-me usar aquelas coisas geniais que os seus miquinhos amestrados, cada vez com mais raiva de tudo, adoravam dizer.

Acho bom Jair se acostumando porque o Nordeste já percebeu quem você é.

A autofagia do Nordeste

Nordeste

Por Ronaldo Souza

O Nordeste é autofágico

Aquilo devia ter me chocado.

Mas não foi o que aconteceu.

Não chocou e, mais ainda, concordei com o que tinha acabado de ouvir.

Com tristeza, mas concordei.

Em mais uma das conversas que sempre tínhamos, um professor, amigo e brilhante como poucos, me disse.

“O Nordeste é autofágico”.

Era 2006.

Por mais que algo possa parecer provável, a força da probabilidade jamais será maior do que a força do fato.

A viajem que por segundos fiz pela reflexão me permitiu ver o que já sabia e me fez mais facilmente concordar com o que acabara de ouvir.

Tenho uma certa repulsa por homens e mulheres que se permitem subjugar.

Se houvesse alguma virtude no atual presidente da república seria a de não esconder que ele sempre foi e será racista, xenófobo, homofóbico e misógino.

Quando digo “se houvesse alguma virtude” nele é porque o que poderia ser uma virtude, a da autenticidade, uma característica que aquelas mesmas mentes privilegiadas de sempre atribuem a ele, nele não passa de mais uma comprovação da sua absoluta estupidez, que o torna um completo sem noção.

Ser “um completo sem noção” faz com que ele diga as coisas mais estapafúrdias do mundo a qualquer hora e em qualquer lugar, sem saber o que está dizendo.

A ignorância não pede licença.

Toma o lugar.

Não à toa ele é o grande mito dos sem noção.

Na campanha, sempre com a sutileza paquidérmica que lhe é característica, aos seus três vice-presidentes também, ele jamais negou as características que o tornaram desde sempre um completo pateta e sempre mostraram todo o seu desprezo por negros, homossexuais, mulheres e… nordestinos.

Que candidato em plena campanha exporia repetidas vezes o seu ódio por essas sub raças, não fosse ele o mais estúpido dos estúpidos?

Diante desse desastre, a pergunta que não cala e que nos atormenta parece não ter resposta!

O que pensar de negros, homossexuais, mulheres e nordestinos que votaram nele?

O que são de fato e não na aparência esses homens e mulheres?

Não sei, mas homens e mulheres não são.

São, quando muito, protótipos que, em algum momento, tiveram seus projetos abortados e não conseguiram atingir o ponto mais elevado no desenvolvimento:

Ser homem ou mulher de verdade; plenos.

Não parece difícil ver o que historicamente sofreram e sofrem os nordestinos em termos de humilhação e desprezo, momentos em que se revela a enorme pobreza mental e intelectual desse país, vinda todos sabemos de que partes dele.

Vasculhe o mapa do Brasil na sua memória e você as encontrará; muitas vezes ao seu lado.

E por favor, não tentem fazer o velho jogo do cinismo de sempre, negando a verdade que há nisso, levando a conversa para o “ah, você está apelando”, “tá dramatizando “…, pois “baianos” e “paraíbas” identificam com extrema facilidade de onde partem os frequentes ataques à sua dignidade pelo simples fato de existirem.

Os registros da imprensa estão aí para não permitir qualquer tentativa nesse sentido.

Complexo de vira-latas

E o que fazem alguns nordestinos?

Põem-se de cócoras em movimento de submissão.

A absurda, inconcebível e injustificável postura que esses homens e mulheres assumem reflete a sua frouxidão, muitas vezes pelo desejo de serem agradáveis a quem julgam serem superiores a eles.

Não se trata simplesmente de confundir o bem tratar, o bem receber, o “braços abertos”, com a docilidade exagerada e a disponibilidade eterna.

É o desejo de ser aceito como igual, “conceito” que tantas vezes buscamos na luta para não sermos tão desiguais, mas que virou uma expressão boçal, “ser igual”, tantas vezes utilizada para definir “iguais” como especiais; os eleitos pelos deuses do viver bem.

Tudo para se sentirem aceitos.

“Só tenho a agradecer a esse grupo, nata da… por me permitir fazer parte dele”.

E aí se sentem aceitos.

Não são.

Também aí confundem as coisas.

Confundem permissão para participar com espaço para ser.

O bem tratar, o bem receber, o “braços abertos” raras vezes encontra reciprocidade.

Experimentem demonstrar conceitos diferentes, ideias próprias, que confrontem as já existentes e estabelecidas por eles.

Experimente conquistar espaço próprio.

Você já ouviu falar de boicote, sabotagem…?

Reserva de mercado, como ocorre entre empresas, já que alguns estão hoje intimamente ligados a elas.

Frouxidão que é puro reflexo da ignorância sócio-política que possuem e que não lhes permite afirmarem-se como pessoas importantes que poderiam ser.

Afinal, fazem parte da segunda região mais populosa do país.

Fazem parte de uma região rica como poucas em música, cinema, arte, folclore, culinária, grandes escritores, ou seja, de riqueza cultural inigualável.

Mas, nada disso significa alguma coisa para eles, porque, no fundo, reflete o quanto são absolutamente iguais aos que hoje comandam os destinos desse país.

Essa afinidade, envergonhada e trancafiada durante muito tempo no íntimo de suas almas, rompeu todas as fronteiras da civilidade quando finalmente encontrou terreno fértil no atual governo para assumir a pequenez dos pigmeus que são, e explodiu em palavras, gestos e ações de incontrolável preconceito e ódio.

Como os nossos atuais dirigentes, além de completos idiotas, muitos já exibem sem pudor a sua canalhice.

Tudo em nome de uma subserviência histórica, explicada pelo complexo de vira latas.

Sofrem de problemas crônicos na coluna vertebral por curvarem-se em excesso diante do sul maravilha, expressão muito conhecida no Nordeste mas que, apesar do nome, tem muito mais a ver com o encanto por estados do Sudeste, em particular por São Paulo.

Mero reflexo da enorme lacuna na formação, que, numa amplitude maior, também apresenta o brasileiro em relação a alguns países, muito particularmente o de Trump, agora tão mais próximo do nosso pela grande semelhança no desequilíbrio mental e na estupidez incomensurável dos seus respectivos presidentes.

Refiro-me particularmente a essa classe média ignorante e medíocre, tão bem definida por Marilena Chaui.

Definição que causou muita revolta neles, por não perceberam que o que os incomodou não foi ela ter tocado na ferida; na verdade, ela feriu a ferida.

A ferida da alma.

Classe média onde vamos encontrar os nossos profissionais liberais, os nossos “mestres”, os nossos “doutores”, os nossos “professores”, todos entre aspas sim.

Professores, meu Deus!!!

Muitos mal conhecem a sua especialidade.

Há exceções?

Sim, claro, mas cada vez mais crescem as razões para duvidar disso.

Chega de contemporizar.

Já basta o convívio que nos é imposto em nome das relações sociais e profissionais.

É insuportável atura-los, agora que mostraram e se entregaram com vontade ao que há de pior e mais vil em termos de sentimentos da raça humana.

As insinuações que sempre ouvimos, as depreciações que testemunhamos, os dedos sempre apontados para os males que só os outros possuem, como que a tentar mostrar a sua diferenciação por serem “homens de bem”.

São iguais a eles, nossos dirigentes.

Representam o que há de mais deplorável no ser humano.

Escória.

Covarde como sempre, o presidente já recuou e disse que não ofendeu os nordestinos.

E nos chama de “irmãos”.

Consegue negar o que está registrado em microfones e câmeras.

Por que recuou?

Porque alguém o advertiu que o Nordeste é a segunda região mais populosa do país.

E que ele, na sua estonteante estupidez e pequeno mundo povoado por milicianos, esquece do potencial eleitoral.

Nordeste que deu a ele grande quantidade de votos, com participação decisiva dos nossos profissionais liberais, nossos “mestres”, nossos “doutores”, nossos “professores”.

Que sentimento posso ter por esses homens e mulheres que se permitiram subjugar?

Não queremos ser locomotiva de nada.

Só queremos viver bem.

Com a alegria que sempre tivemos.

Temos as cores que ninguém tem.

O azul do Céu que ninguém tem.

Os raios de Sol num verão que a ninguém mais coube e que não só aquece os nossos corpos; ilumina as nossas almas.

E o nosso pôr do Sol?

Você morre todos os dias com ele e renasce na manhã seguinte, quando ele vem lhe despertar na sua janela; “ei, ei, acorde, vamos viver mais um dia, dia que foi feito para você”.

E permite que seu corpo se espreguice com vontade, porque a alma, ah essa já está acordada e viva.

Você conhece o céu e as estrelas das noites do sertão nordestino?

Você já viu alguma vez o luar do sertão, banhado por milhões de estrelas?

https://www.youtube.com/watch?v=KzR9R5-6fBk

Somos brancos, negros, índios, homens, mulheres, gays, lésbicas, somos tudo, num Brasil de muita gente, porque tudo é gente, gente como a gente.

Por que nos desejam tanto mal, até a morte?

Nunca fizemos isso com vocês.

Se temos o que vocês não têm, já perceberam como os nossos braços estão sempre abertos, aí sim, no abraço apertado que vocês tanto estranham.

Somos calor, energia, precisamos tocar, sentir o outro, porque sentir é ver a alma

Não nos levem a mal, somos assim.

O abraço apertado não é para sufocar, é uma forma que inventamos de dizer; seja bem-vindo.

É o que de melhor temos para compartilhar; afeto.

E não escolhemos a quem dar.

Obs. Quando estava fechando este texto recebi esse vídeo, enviado por uma de minhas irmãs. É de José Barbosa Júnior (com adaptações), de 2016, mas nunca foi tão atual. Ponho aqui em homenagem a todos os profissionais liberais, mestres, doutores e professores, particularmente os do Nordeste, que se perderam e contribuíram para o maior apequenamento da história desse país.

Nunca fomos tão medíocres e tão promíscuos

Por Ronaldo Souza

Como sorrir para o canalha que sorri para mim, como apertar a mão do canalha
que aperta a minha, como abraçar o canalha que me abraça?

O ex-juiz Sérgio Conje Moro sempre se mostrou como o maior defensor da liberdade de imprensa.

Jamais negou a sua importância, pelo contrário, enalteceu-a sempre como algo fundamental para o sucesso da Lava Jato.

Por ela foi endeusado durante anos.

Moro herói

São incontáveis as matérias que Globo, Veja, Folha, Estadão, Band… fizeram ao longo desses anos, com capas e manchetes dizendo maravilhas do novo herói brasileiro; Sérgio Moro.

O vazamento de conversas, delações, ligações telefônicas ilegalmente gravadas e ilegalmente disponibilizadas para a imprensa tinha se transformado numa rotina promíscua na relação entre juiz, Lava Jato e imprensa.

Um casamento perfeito, no qual um dependia do outro.

Objetivo; destruir um partido e seus membros.

Se esse era o fim, todos os meios tornavam-se automaticamente válidos.

Não importava que entre as muitas ilegalidades cometidas estivessem absurdos como a gravação ilegal de uma conversa telefônica entre a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula.

O vazamento era, além de ilegal, conforme reconhecido, ainda que timidamente, pelo já acovardado e acanalhado STF, absurdamente indecente.

Mas não era assim que pensava o fervoroso defensor da liberdade de imprensa.

Para Moro não importava como o áudio tinha sido conseguido, o que importava era o conteúdo.

Os aplausos de sempre em apoio à atitude do ex-juiz ecoavam pelo Brasil.

Aplausos que eram, na verdade, automáticos para qualquer gesto, palavra ou atitude do herói nacional.

Nada mais interessava e tudo se justificava.

Afinal, estavam à frente do julgamento do maior escândalo de corrupção do Brasil, como eles próprios definiram.

Ficou célebre o show do Power Point apresentado pelo procurador Deltan Dallagnol, o pastor que tinha recebido diretamente de Deus a missão de acabar com a corrupção no Brasil.

Dallagnol''

No epicentro do maior escândalo de corrupção do Brasil estava, claro, ele, o chefe da quadrilha, o maior ladrão do país.

Lula.

E tudo corria bem, sob controle.

De repente, num belo dia de Sol, esse astro que nos dá não só a luz que ilumina e dá calor aos nossos dias, como também traz à luz do dia acontecimentos que ocorrem na calada da noite dos ambientes do poder, as placas tectônicas se moveram mais bruscamente e alteraram o curso da história.

E esse movimento das placas tectônicas parecia conspirar a favor de um jornalista americano radicado no Brasil, Glenn Greenwald, que no seu site, The Intercept Brasil, passava a divulgar uma série de diálogos entre o herói brasileiro e os auxiliares de herói, os procuradores da república de Curitiba.

Os diálogos traziam uma nova perspectiva para a Lava Jato e já de saída o reconhecimento de sua autenticidade por parte de Moro e Dallagnol.

Na sequência de publicação dos diálogos, alguns órgãos da imprensa brasileira se incorporaram à sua divulgação.

O ex-juiz Moro e o procurador Dallagnol, que no primeiro momento reconheceram como autênticas as conversas, passaram a questionar sua autenticidade.

Uma vez que já tinham reconhecido a autenticidade dos diálogos, como conseguiam agora nega-la tão descaradamente?

Para quem, como mostram os diálogos, mentira o tempo todo, não havia nenhuma novidade na tentativa de desdizer o que tinham dito no primeiro momento.

Inicialmente vítimas do inconsciente, quando a surpresa lhe pega desprevenido e a resposta sai do seu ser verdadeiro e não trabalhada, não foi difícil de perceber que se tratava tão somente de uma tentativa inútil de abafar o que já estava a caminho.

É que precisavam urgentemente de uma versão para apresentar ao seu público, mesmo sendo ridícula de tola que é.

Tola, mas não para esse público.

Já disse inúmeras vezes e repito; eles sabem para quem estão falando.

A verdade é que a máscara de Sergio Moro caiu e agora em definitivo.

Não há mais retorno, ele acabou e digo isso desde as primeiras postagens de Glenn Greenwald.

Como também Dallagnol.

Mas, independentemente disso, ainda há muita coisa por vir.

Não nego que estou particularmente curioso para ver o que vai acontecer quando for postado um áudio sobre o que diz o ex-juiz e agora ministro da justiça do mico a respeito da eleição do… mico.

Esse eu aguardo com expectativa maior ainda.

Aguardemos.

Ao se incorporarem à divulgação dos diálogos entre o herói nacional e os promotores da Lava Jato (inicialmente feita pelo jornalista Glenn Greenwald e o site The Intercept), Veja, Folha e BandNews (Reinaldo Azevedo) entraram em rota de colisão com os miquinhos amestrados e passaram a ser vistos como comunistas.

Não tá com eles, é comunista.

Uma dedução lógica, ainda mais partindo de brilhantes pensadores que nos brindam todos os dias com pensamentos (!) e ideias (!!) que, fosse vivo Stanislaw Ponte Preta, seria forçado a escrever nova edição de seu livro FEBEAPA (Festival de Besteira que Assola o País).

E não há nada pior no mundo dos camisas amarelas de padrão FIFA do que ser comunista.

A reação deles é absolutamente normal, compatível com o universo do qual fazem parte. Não há nenhuma surpresa no comportamento dos bolsominions.

Um breve parêntese.

Ilude-se quem pensa que a manipulação do julgamento de Lula não era conhecida.

Condenação em primeira instância, segunda instância, instâncias superiores, STJ, STF, tudo isso sempre foi uma farsa, necessária para a “comprovação” de que o “julgamento” não apresentava nenhum desvio da Constituição.

Sim, tudo é uma grande farsa.

Desde sempre o comportamento do ex-juiz e de sua Lava Jato não deixava dúvidas quanto a isso.

Mas como querer “mostrar” aqui que era uma farsa, quando o poder judiciário, ministério público, imprensa, todos diziam o contrário?

Sabendo do poder deles, facilmente comprovado pela lavagem cerebral coletiva que fizeram neste lindo e maravilhoso país tropical, como diz o jurista Claudio Lembo no vídeo abaixo, “combater neste momento a luta judicial é uma quase ingenuidade, uma quase loucura, um quase suicídio”.

Neste vídeo de 1 minuto, ele também diz que tudo é uma farsa, inclusive o STF.

Não fiz a luta aberta.

Por uma razão bem simples; não seria inteligente.

Na minha Oração ao Tempo, deixei que ele, o tempo, se encarregasse disso.

Fiz a luta dos que reconhecem quando o inimigo é forte.

A luta de todos os dias.

Todos os dias acendia uma pequena luz, para que a claridade chegasse aos poucos e fosse mínimo o risco de cegueira por exposição brusca ao dia de claridade muito intensa, ainda que imaginasse que esse dia demoraria a chegar.

Mesmo evitando falar de algo que todos tinham como verdade e eu via e vejo como de fato sempre foi, farsa, não foram poucas as vezes que toquei nesse tema indiretamente, através dos meus textos sobre Joaquim Barbosa, Carmen Lúcia, Rosa Weber, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Deltan Dallagnol e Sergio Moro (como o próximo bagaço de fruta a ser jogado pela janela).

Era uma maneira de dizer que a charada da farsa da condenação de Lula passava por ali.

O que ocorre agora é que existem evidências claras e irrefutáveis que mostram isso e que seriam suficientes para afastar Moro, Dallagnol, os outros procuradores e também os desembargadores do TRF4, do julgamento de Lula.

Esse afastamento, entretanto, não deverá ocorrer porque o país está contaminado pela corrupção das togas, que diziam combater a corrupção. Ainda que os atos de corrupção deles estejam sendo expostos, nada deverá acontecer.

Mesmo agora, quando o país, estarrecido, toma conhecimento de que Moro, Dallagnol e os procuradores estavam montando uma empresa para ganhar dinheiro com as palestras que fazem sobre a Lava Jato.

MoroDallagnol e corrupção

“Nos diálogos, Dallagnol diz ter recebido cerca de R$ 400 mil líquidos em um ano. As revelações também dão nova carga ao debate em torno da criação de uma fundação administrada pelo MPF com R$ 2,5 bilhões recuperados da Petrobras”.

Dallagnol'

Para que não houvesse problemas pela indecência e imoralidade que estavam realizando, essa empresa seria criada em nome das esposas.

Um país contaminado

Escândalos por toda a parte.

“Primeiro a gente tira a Dilma, depois põe o Michel (Temer)… com o Supremo e tudo”.

Não vamos perder tempo repetindo e detalhando coisas como a corrupção de Onyx Lorenzoni, aceita por Moro porque Lorenzoni reconheceu e pediu desculpas. Logo em seguida ao pedido de desculpas, mais corrupção dele foi descoberta.

Mas não vem ao caso.

Também não vamos falar de Queiroz, que sumiu há sete meses e Moro e Bolsonaro não querem nem ouvir falar.

Laranjas e laranjais, esqueça.

Milicianos, esqueça.

Cocaína no avião presidencial, esqueça.

Promessas de acabar o toma lá, dá cá…

Por falar nisso, você faz ideia de quanto o governo gastou no toma lá, dá cá para aprovar a reforma da previdência?

Esqueça.

Sabe que agora vai começar a pagar a segunda parte do que foi prometido?

São tantas e tantas coisas…

E o que dizem e fazem os adoradores do mico e do ministro da justiça, de férias nos Estados Unidos?

Viver socialmente é se violentar todos os dias

Como se surpreender com pessoas que transformaram suas vidas no primeiro ato de uma peça que deveria evoluir e não evoluiu.

Vidas em que a ausência de luz trouxe a consequente sombra da irrealização.

Aparentemente pacatos, pelas vidas vazias de grandes e verdadeiras lutas e conquistas que enobrecem a raça humana, ao se perceberem carentes de tudo e diante de um fundamentalista desprovido de um sentido para a própria vida, deixaram-se levar por instintos primitivos adormecidos e, como que por combustão espontânea, explodiram num fundamentalismo até então desconhecido, mas que residia no âmago de suas almas.

Talvez sem perceber, porque está acima da sua capacidade de percepção, incorporaram ao seu modo de viver sentimentos de negação da vida e por isso o seu universo se resume a ameaçar, ofender, agredir, desqualificar… Enfim, diante de qualquer perspectiva que não seja a deles, usam todos os artifícios para destruir, seja quem for, seja o que for.

A Globo e a Veja, particularmente esses veículos, fizeram deles autômatos, seres que se movem por comandos externos, sem autonomia. E encontraram no atual governo o terreno mais fértil para a libertação dos instintos mais primitivos.

Não percebem, porém, que não são mais “anônimos”, aqueles que dizem coisas que depois caem no esquecimento conveniente e necessário para o convívio pessoal, que faz parecer que tudo vai continuar como era.

Não vai.

Como se permitir sorrir para aquele canalha cujo sorriso invade e agride a sua alma no inescapável e “inocente” gesto do cumprimento social?

Como apertar a sua mão no inescapável e “inocente” gesto do aperto de mãos?

Como abraçar, o mais autêntico dos cumprimentos, o canalha que, ao tocar seu corpo, provoca o arrepio do desprezo?

Sempre existirão as pessoas que lhes sorrirão, apertarão a mão e darão quem sabe até um abraço fraterno.

Mas eles estão no “consciente” das pessoas que os veem todos os dias destilar veneno e por isso, podem ter certeza, haverá também aqueles que chegarão com o “mesmo” sorriso e talvez eles percebam que o “mesmo” sorriso já não é o mesmo sorriso e sim um sorriso amarelo (a redundância é intencional) de quem os despreza, mas ainda permite o aperto de mão, o cumprimento universal e inevitável. Um abraço, também às vezes inevitável, não será o abraço, porque talvez não consiga abafar o desprezo que o convívio social impõe engolir.

Eles perceberão, pelo menos alguns deles.

E quando não perceberem isso com clareza, talvez tenham como companheira a dúvida de quem não percebe por não saber o que é de fato um abraço.

Tudo isso por uma razão; há limite para tudo.

E ele foi atingido.

Muitos já perceberam, e muitos mais o farão, do que é capaz esse governo absolutamente ridículo, medíocre e promíscuo, que eles continuam defendendo e protegendo da maneira que todos estão vendo.

As consequências de tudo que está ocorrendo são imprevisíveis, mas o custo será alto.

E essa conta irá para os nossos filhos e netos.

Quando todos perceberem que seus filhos e netos pagarão essa conta, o que nos restará fazer?

Não será necessário delata-los.

Há muito já saíram do armário e estão se exibindo.

E isso também terá um custo.

“Lula tá preso babaca”

Latuff, Lula e Moro 1

Por Ronaldo Souza

Meu voo estava atrasado.

Ainda teria que esperar algum tempo para embarcar para o estado onde ia ministrar um curso.

Na praça de alimentação do aeroporto, em um dos locais para lanche ou refeição mais rápida a televisão mostrava que o debate estava começando.

Era uma noite de outubro de 2012 e o debate era entre o neto de Antônio Carlos Magalhães, candidato do DEM, e Nelson Pelegrino (PT), na disputa pela prefeitura de Salvador.

O neto de Antônio Carlos Magalhães será sempre o neto de Antônio Carlos Magalhães, nada mais.

Esse é um dos problemas que podem ter alguns filhos e netos que carregam os nomes dos pais e avós; passar a vida sem ser.

Não estou dizendo que é sempre assim e, além disso, falo daqueles que recebem o prenome, nome, sobrenome, tudo, completo, acompanhados do Filho, Júnior ou Neto.

O filho, ou o neto, pode não ter o tamanho do pai, ou do avô, e em algumas circunstâncias isso pode representar um fardo muito pesado.

É o caso.

O avô, apesar do histórico, foi quem fez, ele próprio, o homem que era.

O seu neto, não.

Não tem brilho próprio.

Jamais terá.

Não tem nome.

É o neto.

E, para azar dele, será sempre comparado ao avô.

Mas o seu adversário na “corrida pela prefeitura de Salvador”, o deputado Nelson Pelegrino, mais afeito ao mundo legislativo, não tinha, como demonstrou, a devida competência para uma disputa para o executivo.

Diria, portanto, que, mais do que pelos seus próprios méritos, o neto de ACM ganhou a disputa pelo despreparo do adversário para aquele tipo de eleição.

A maior prova disso se evidenciou durante o debate e o deputado parece não ter percebido.

Tudo bem que Pelegrino tem como atenuante o fato de que o “argumento” que o neto de ACM usou, com alguma frequência, durante o debate era usado pela primeira vez nas campanhas pelo Brasil, porque foi produzido justamente para isso.

Veja o que disse o neto de ACM.

“Não são meus companheiros de partido que estão condenados por corrupção, são os seus”.

Ao dizer isso, o neto de ACM quis dizer a Salvador que havia um partido corrupto com políticos corruptos.

E que ele, o corrupto PT com seus corruptos membros, era o único partido corrupto com políticos corruptos do Brasil sem corrupção em que vive o neto de ACM.

Essa tática foi empregada por todos os candidatos em campanha Brasil afora.

E o neto de ACM disse isso mesmo sabendo que não é difícil mostrar como é o seu mundo sem corrupção.

Moro, ACM Neto e...

O que ocorre é que no mundo habitado pelo neto de ACM os políticos não são condenados, muito menos presos.

GrampinhoAécio

“O coração tem razões que a própria razão desconhece”.
Blaise Pascal

Você deve conhecer essa frase.

Podemos modifica-la um pouco e trazer para a política.

O mundo político tem razões que só o mundo político conhece.

E é isso que faz a diferença entre político comprovadamente corrupto que não está preso e político de quem não conseguem provar a corrupção, mas está preso.

Se eles conseguissem entender isso, entenderiam para que servem algumas condenações e prisões; para botar minions no bolso da estupidez e da mediocridade e assim transforma-los em bolsominions.

Também conhecidos como miquinhos amestrados.

Essa questão das condenações e prisões tem sido utilizada com competência nas campanhas eleitorais nos últimos anos.

Mas o deputado Nelson Pelegrino não conseguiu entender a armadilha que estava em curso ou não soube se desvencilhar dela.

O mensalão, como ficou conhecida a tentativa de destruir o PT, foi produzido com alguns objetivos, um dos quais esse; o de jogar na lama os seus políticos mais importantes.

Um deles, José Dirceu, tem passado pelas maiores humilhações nesse processo.

Ives Gandra, um dos juristas mais respeitados do Brasil, um homem de direita e integrante da Opus Dei (para muitos uma seita católica de direita), portanto, nada a ver com o PT, disse o seguinte à época:

Ives Gandra

Era o resultado da farsa do Domínio do Fato, orquestrada por Joaquim Barbosa, o bagaço de fruta jogado pela janela da Globo, como previ aqui inúmeras vezes à época.

Aliás, como também venho fazendo há algum tempo com o próximo, que deverá acontecer um pouco antes do que se imaginava.

A partir dali, PSDB, DEM… e imprensa disseminavam a ideia de que os membros do PT tinham tido direito a julgamento e a condenação se respaldava na lei e na justiça, porque tinha o endosso do Supremo Tribunal Federal (STF).

Quem poderia por em dúvida julgamentos endossados pela corte máxima do país, constituída de homens e mulheres probos e dignos?

Poucas vezes falei sobre esse tema, mas em março de 2016 resolvi aborda-lo, sob o título “Encontro marcado”, pois já há alguns anos não tinha mais nenhuma dúvida sobre o que de fato estava acontecendo e publiquei no jornal GGN, de Luis Nassif.

Veja a parte inicial da publicação.

Encontro marcado

Conheço gente boa que acreditou que o STF fosse realmente constituído por homens e mulheres probos e dignos.

Mas era perceptível que a grande farsa estava institucionalizada e lá estava atolado o stf.

A condenação já seria suficiente, mas o objetivo sempre foi a prisão.

Naquele panorama, a prisão sempre teve por objetivo a destruição moral dos homens que estavam à frente do PT, particularmente José Dirceu e Lula.

Mesmo lhe antecipando que não vai achar, procure no PSDB, DEM e todos os demais partidos um político que tenha condições de enfrentar José Dirceu em um debate.

José Dirceu é um dos políticos mais preparados da atual política brasileira e eles sabem disso.

Era preciso afasta-lo.

O único que poderia debater com ele é Ciro Gomes.

Não entram aqui o PSOL e PCdoB, por razões que me parecem óbvias, até porque nesses partidos tem gente competente e séria.

O contrário disso.

Mesmo lhe antecipando que não vai achar, procure no PSDB, DEM e todos os demais partidos um político que consiga perder um debate com Jair Messias Bolsonaro, o mico.

Nem no PSL você vai encontrar.

Nem políticos do (des)nível de Alexandre Frota e Joyce Hasselman perdem para ele.

Até porque ele não vai comparecer.

Irá apresentar um atestado médico para justificar a fuga e irá dar uma entrevista na Record.

Mesmo sabendo que não é tão simples, incomodou a dificuldade de Pelegrino em se desvencilhar do fato de que alguns dos seus companheiros de partido de fato tinham sido condenados. Mas a jogada era clara.

Não se pode falar que Joaquim Barbosa era um desonesto, muito menos um homem sem dignidade e honra.

Canalha, nem pensar.

Mas, algumas coisas entraram em cena para leva-lo a determinadas posturas e talvez todas possam ser explicadas em um único sentimento; vaidade.

O deslumbramento fez com que ele se perdesse.

A Globo conhece esse sentimento como poucos e foi com ele que a Vênus platinada “pegou” não só Joaquim Barbosa, como a pobre e infeliz Carmen Lúcia e o homem da lei que mais agiu e age fora da lei, o juiz Sérgio Conje Moro, sobre quem falarei um pouco mais tarde.

O prêmio Faz Diferença da Globo e outras “homenagens” destruíram Joaquim Barbosa.

OURO PRETO (MG), 21.04.2013 - MEDALHA DA INCONFIDÊNCIA/MG: Cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência, com a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, do governador Antonio Anastasiado e do senador Aecio Neves, na Praça Tiradentes. Foto: Marcelo Prates/Hoje em Dia/Folhapress

Os holofotes fizeram muito mal a ele.

Pelo seu despreparo, o canto da sereia do Faz Diferença não era necessário para Carmem Lúcia. Um prêmio de consolação teria sido suficiente. Ela se contentaria.

Como dito aí em cima, se não se deve traçar com tintas muito pesadas o perfil do ex-ministro Joaquim Barbosa, isso não se aplica ao Conje.

Sérgio Conje Moro é o que de pior surgiu e existe no cenário judicial-político-midiático do Brasil. Mas não perderei muito tempo falando dele.

Assim o definiu o jornalista Leandro Fortes, no texto O conje fujão.

“Seria só ridículo, não fosse extremamente covarde.

Na comparação, Moro é um rato diante de Dilma Rousseff e Lula, pessoas a quem ajudou a perseguir e destruir pessoal e politicamente.

Dilma aguentou, de cabeça erguida, sem afinar a voz, o suplício das câmaras de tortura da ditadura. Depois, manteve-se íntegra durante o longo, cruel e injusto processo de impeachment a que foi submetida pelos golpistas de 2016″.

A “valentia” que o Conje exibe é somente reflexo da sua arrogância.

O ex-juiz e agora ministro da justiça e sua tropa de choque estão recorrendo a todos os artifícios que lhes oferece o poder para difamar, investigar ilegalmente, perseguir, afrontando princípios básicos da Democracia, para desqualificar o jornalista Glenn Greenwald e o seu site The Intercept Brasil, agora associado ao jornalista Reinaldo Azevedo (BandNews), à Folha e Veja.

Os diálogos escandalosos que fazem parte da trama armada por essa turma da pesada, “homens da lei”, estão sendo divulgados por Glenn Greenwald no Brasil e no mundo, mostrando a corrupção que os envolve.

Como diria Eduardo Galeano, escritor uruguaio, “as veias abertas” da corrupção de parte do judiciário e ministério público na missão de “julgar”, condenar e prender um homem sem provas estão sendo trazidas à luz com a clareza dos dias de sol no verão de Juazeiro da Bahia, a terra de João Gilberto.

Inicialmente esquivando-se e agora fugindo, inclusive da imprensa que tanto lhes ajudou nos famosos vazamentos seletivos, o ex-juiz e o procurador que tinha recebido diretamente de Deus a divina missão de acabar com a corrupção no Brasil, mostram os covardes que são diante das evidências, que surgirão cada vez mais fortes a mostrar quem eles são.

Assim se escreve a história recente do país em que homens da lei “julgaram” e condenaram pessoas sem prova com a ajuda fundamental da imprensa, como eles próprios sempre fizeram questão de afirmar, e agora condenam parte dessa mesma imprensa por divulgar os atos de corrupção do judiciário e ministério público perpetrados por eles.

“Lula tá preso babaca”

Vamos corrigir a história no tempo presente, porque ela está acontecendo diante dos nossos olhos.

Começando com a pontuação da frase com a vírgula que, por não saberem para que serve, não usam.

Lula está preso, babaca.

Está preso porque tinha e tem que estar preso.

Solto, ele põe todos em pânico.

Talvez vocês consigam entender agora porque músicas como essa são feitas.

Lula é o pesadelo de vocês.

Lula é ele.

Lula somos nós.

Lula é música.

Lula é um projeto.

Lula é uma ideia.

E, pelo lado negativo, Lula é a razão de viver de vocês.

Posso passar o dia inteiro falando sobre isso mas vocês jamais irão entender.

A ignorância e a burrice dos miquinhos amestrados, completos idiotas, não vão permitir que eles entendam o que isso significa.

Saiam ameaçando e agredindo a todos e blindem à vontade gente como Moro, Dallagnol e Cia. e continuem, nessa perdoável ignorância, pensando (!) que a Lava Jato foi montada para combater a corrupção.

Continuem, nessa perdoável ignorância, pensando (!) que o pacote anticorrupção do ex-juiz é realmente um pacote anti-corrupção.

Continuem pensando que a briga pelo controle do Coaf tinha razões nobres por parte do ex-juiz e sua troupe a explica-la.

Nas suas mentes nada mais do que ideias pobres e estúpidas como essas podem entrar, por falta de espaço.

Mas continuem felizes e confortáveis. Saibam que “Deus protege os bêbados e os inocentes”.

Por extensão, torçamos para que o faça também com os ignorantes.

A ignorância é uma benção.

Mas não saiam ao Sol.

A luz que ele traz para alguns pode cegar.

#Somos todos Paulo Henrique Amorim

Paulo Henrique Amorim

Por Denise Assis, jornalista

Não. Não falarei da trajetória do jornalista Paulo Henrique Amorim. Disto vários mais próximos já se ocuparam, e todos nós a testemunhamos na sua sanha diária por denunciar, ironizar e desafiar os que teimam em nos tirar direitos com a volúpia dos que traçam uma carne suculenta em uma churrascaria.

PHA o fazia com a bagagem de quem acumulou conhecimento, contatos, lembranças e testemunhos do repórter que nunca deixou de ser. Paulo Henrique Amorim tinha “bagagem”, como dizemos no jornalismo. E por bagagem entendam o conteúdo que vai sendo adicionado a cada caso, a cada cobertura, a cada apuração que fazemos no exercício do ofício. Isto não é pouco. Isto é tudo para um profissional do ramo.

Hoje, conforme prometi no Facebook, me empenho em dar continuidade à sua luta. Escreverei sobre o objeto de sua inquietação nos últimos dias. A liberdade de expressão e o direito de informar. 

Paulo Henrique, como todos nós sabemos, foi calado a “pedido” do Planalto, em seu “Domingo Espetacular”, programa que fazia na Record, o canal que o presidente escolhido numa eleição fraudada elegeu como o “oficial” para disseminar as suas bobagens – enquanto Paulo Guedes age na Economia, nos vendendo a preço de rapadura. Como coadjuvantes, Guedes tem Rodrigo Maia, – o maestro da orquestra de deputados que atropela nossos direito na Câmara – e Davi Alcolumbre, o garantidor, na presidência do Senado,  de todas as maldades contidas na cabeça dos que, aboletados no poder, só pensam no hoje, esquecendo-se que esse país – a colônia agrícola em que se transforma – vai ser a terra dos seus filhos e netos. Claro que eles têm a opção de mandá-los à Suíça, ou aos Estates, mas vai que algum necessita voltar e viver sob as regras malévolas que criaram, no patropi?

Vamos repisar aqui, notícia impactante veiculada no dia 2 de julho, pelo site “O Antagonista”, e que dava conta à sociedade, do pedido, feito pela Polícia Federal, ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) de investigação sobre a vida privada e as movimentações financeiras do jornalista e advogado Glenn Greenwald, diretor do portal The Intercept Brasil. O objetivo era muito claro, gritante: pegá-lo em alguma transação que o desabonasse e permitisse a sua prisão ou indiciamento. Ou, que o flagrassem em um diálogo próximo aos vazados por ele, evidenciando os crimes cometidos pelo ex-juiz Sérgio Moro e seus coleguinhas de Força-tarefa.

Hoje, na função de ministro incumbido do bom desempenho do Ministério da Justiça, Moro é senhor do destino de todos quanto caiam na mira da Polícia Federal, subordinada a ele e ao seu ministério. Seria inadmissível em qualquer canto civilizado do planeta, tal situação. 

Glenn está informando ao país situações irregulares e vergonhosas que apenas três veículos da mídia tradicional toparam veicular. Ou seja, desempenhando o seu ofício. A situação descortina uma deslavada manobra para impedir que o grande público conheça as atitudes totalmente irregulares e criminosas que Sergio Moro, ele mesmo, o que deu ordem para que Glenn seja investigado, cometeu.

Organizações internacionais se posicionaram contra o abuso, assunto abordado também em reportagens da mídia, no exterior. O jornal The Guardian na América Latina classificou a ação de “Assustadora”. Sim. A palavra foi muito bem escolhida. É assustador que o freio da censura abata o trabalho de denúncias realizado por Glenn Greenwald e sua equipe. Sim. É assustador que Paulo Henrique Amorim tenha que morrer de desgosto por ter o seu trabalho podado por um governo ditatorial e inquisidor. Sim. É assustador que nós jornalistas tenhamos que morrer um pouco a cada um combatente que se vai. 

Sim. Continuaremos a sua luta na trincheira por liberdade de expressão. E se Glenn for alcançado pelas manobras espúrias de Sergio Moro e preso, – o que eu não acredito, pois Glenn não tem rabo preso, sabendo dos riscos – eu conclamo a todos os colegas decentes que se entreguem junto com ele, pois estaremos todos moralmente presos. Então que o sejamos de fato. Pra vergonha nacional. Lotaremos a cela da Polícia Federal e, com certeza, as manchetes pelo mundo.

O conje fujão

Moro constrangido

Por Leandro Fortes, do Jornalistas pela Democracia

Não é de hoje que Sergio Moro planeja fugas.

Em dezembro de 2017, ele havia programado um “período sabático” de um ano, fora do Brasil, depois de ter cumprido a primeira e mais vigorosa carga da Operação Lava Jato.

Dilma Rousseff e o PT haviam sido apeados do poder, a economia brasileira estava em frangalhos, o fascismo tinha virado moda e, no Palácio do Planalto, Michel Temer iniciava o desmonte do estado social e venda do País, projeto bloqueado, até ali, nos 13 anos anteriores, pelos governos petistas.

Moro tinha cumprido uma missão que, no ano seguinte, imaginavam os golpistas envolvidos com a Lava Jato, resultaria na natural eleição de um candidato do PSDB para a Presidência da República. Algo, no entanto, saiu errado.

Mesmo com apoio da mídia e de grande parte dos representantes do poder econômico, o candidato tucano, Geraldo Alckmin, não parecia ter força para decolar. A direita brasileira apegou-se, então, outra vez, ao saco de maldades da Lava Jato. Moro foi obrigado a suspender o sonhado período sabático para cumprir outra missão, ainda mais urgente: prender e condenar Luiz Inácio Lula da Silva, favorito nas pesquisas para as eleições de 2018.

Sem Alckmin, um desastre ferroviário anunciado, e com Fernando Haddad potencialmente capaz de herdar os votos de Lula, mesmo na cadeia, Moro jogou todas as fichas na candidatura do fascista Jair Bolsonaro. Sabemos, agora, estava de olho num projeto de poder de curto prazo: tornar-se ministro da Justiça e, dali a dois anos, conseguir uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

De novo, algo saiu errado.

Os vazamentos do Intercept Brasil abortaram os sonhos do ex-juiz e, novamente, Moro precisou ensaiar um plano de fuga, essas férias sem cabimento, apenas seis meses depois de começar no novo emprego.

Seria só ridículo, não fosse extremamente covarde.

Na comparação, Moro é um rato diante de Dilma Rousseff e Lula, pessoas a quem ajudou a perseguir e destruir pessoal e politicamente.

Dilma aguentou, de cabeça erguida, sem afinar a voz, o suplício das câmaras de tortura da ditadura. Depois, manteve-se íntegra durante o longo, cruel e injusto processo de impeachment a que foi submetida pelos golpistas de 2016.

Não entrou de férias, não anunciou período sabático. No Congresso Nacional, enfrentou seus algozes olho no olho, sem fugir de perguntas nem se esconder, como Moro, atrás de bajuladores baratos.

Lula, condenado, caminhou voluntariamente para o cárcere, quando poderia ter fugido. O fez porque nunca aceitou menos do que provar integralmente sua inocência.

Foi calado, humilhado, colocado numa solitária para morrer e ser esquecido, mas, para desespero desses cretinos flagrados pelo Telegram, está mais vivo e digno do que nunca.

Dilma e Lula nunca tiraram folga da dor que Moro lhes impôs.

O mesmo não se pode dizer dessa triste figura que não aguentou um mês levando petelecos nas redes sociais e já anuncia uma licença do trabalho para se “reenergizar”.

Não terá como voltar, porque, como dizia o caudilho Juan Domingo Perón, do ridículo, não se volta.

Os bagaços

Bagaços

Por Emiliano José, professor e jornalista

Fico olhando, de soslaio.

Quando há crise de hegemonia, a volatilidade das figuras políticas dominantes é altíssima.

Os de cima navegam entre o pragmatismo e a traição.

Valer-se de figuras sem princípios para atingir objetivos de um preciso instante torna-se regra.

Aliada a outra: descartá-las logo que percam utilidade.

Eduardo Cunha foi essencial no golpe contra Dilma, preservado enquanto conduzia-o “com Supremo e tudo”, no dizer jucaniano.

Alcançado o objetivo, é jogado à masmorra, como traste imprestável.

E que não fizesse delação.

Michel Temer, alçado à presidência pelo mesmo golpe, prepara o terreno para o sucessor, com um pacote de maldades consistente contra os trabalhadores.

Terminado o serviço, voam no pescoço dele.

Não serve mais pra nada.

Como não atrapalha, pode esperar em liberdade – e é da lei que assim seja.

Como Aécio Neves, tão útil na preparação do golpe.

Como Serra, escanteado, mas livre.

Como FHC, um pavão sem serventia atualmente, não obstante aliado da Inquisição.

São laranjas maduras.

O próximo tirou licença por alguns dias.

É laranja madura na beira da estrada.

Prestou inimitável serviço à destruição dos pilares da Nação.

Prendeu o principal líder de nossa história, Lula, que ganharia a eleição com um pé nas costas.

Combinou ganhar em troca a Justiça.

Tudo que é sólido desmancha no ar.

Não tem mais nenhuma utilidade.

Atrapalha, quem diria, até o governo da extrema-direita, morou?

O jornalismo sério o interceptou – desculpem o trocadilho.

Moro será uma triste lembrança na história.

Um bagaço.

Lula, ainda preso, eterna presença no coração do nosso povo.