A culpa é do queijo

NYT'

Por Ronaldo Souza

Você lembra daquelas matérias do Jornal Nacional, quando William Bonner capricha no franzir das sobrancelhas?

Geralmente eram feitas em parceria com a Veja.

Sim, ela mesma.

O Jornal Nacional repercutia a matéria da revista à noite, dando aqueles destaques que “puxam” algumas frases do corpo da reportagem em zoom para chamar a atenção sobre elas.

Ah, como vocês vibravam, não era mesmo?

Os repórteres da Globo trabalhando em cima da reportagem da Veja, caras e bocas, Bonner caprichando na locução, Renata Vasconcelos exibindo sua beleza que, por si só já dá uma embalagem maravilhosa que ajuda a esconder o conteúdo muitas vezes vergonhoso pela tradicional manipulação…, era uma festa o Jornal Nacional de Bonner.

Não havia o contraditório, o contraponto, em outras palavras, a opinião da defesa.

E quando havia, o tempo que lhe era dado era mínimo.

Mas, reconheçamos, são competentes os repórteres da Globo.

As reportagens eram caprichadas, tecnicamente muito bem feitas e isso “eliminava” a necessidade de se ouvir o outro. Ali, o que era dito era a verdade.

Como contestar a verdade?

Globo, meu rumo, minha vida.

No outro dia velhinhos caminhando ou sentados nos bancos das praças e exibindo todo o conhecimento politico adquirido na noite anterior também eram entusiasmo puro.

Nos consultórios, escritórios, nas ruas, também eram grandes o conhecimento exibido e o entusiasmo.

Lobotomizados, estavam todos prontos para as manifestações nas avenidas paulistas espalhadas por todo o país.

Não havia mais como reverter o golpe que viria na sequência e que terminaria por derrubar a Presidenta da República, sob o guarda-chuva das pedaladas fiscais.

Não importa que durante o processo de elaboração e conclusão do golpe já tinha sido comprovado que o argumento era furado; Dilma foi considerada inocente.

Mas não vem ao caso.

A vida era uma festa, cuja estrela mais reluzente era um juiz.

Um juiz que brilhava como nenhum outro jamais ousara.

Moro e a corrente

Moro na GloboMoro na IstoÉ

Moro e o poder

O juiz se tornou um pop star.

Um herói.

E herói não tem defeitos.

Mas tem identidade secreta.

Como será o herói na sua vida pessoal?

Como devem ser os heróis na intimidade?

Como devem ser os heróis com seus amigos e colegas de trabalho?

O que conversam?

Como se vê um homem com super poderes?

O homem com super poderes se vê homem ou super homem?

O que pode o homem?

O que pode o super homem?

Eu vejo, eu ouço

No primeiro momento o ex-juiz e o seu office boy, um procurador da república, reconheceram a veracidade dos diálogos.

Devo repetir?

O ex-juiz e o procurador da república disseram que era verdade o que estava nos diálogos divulgados pelo site The Intercept.

Mas ambos disseram que não viam nada de mais.

A expectativa do que ainda podia existir ficou grande e por isso gerou uma ansiedade na mesma proporção.

Estava bem claro que o ex-juiz não conseguia mais esconder o quanto estava ansioso mas, diante da divulgação de novos diálogos, por um momento imaginou-se salvo.

Não via nada de mais.

Sem falar que passou a dizer que não reconhecia a autenticidade daqueles diálogos, que aqueles vazamentos criminosos podiam estar adulterados, que criminosos haviam invadido os telefones deles…

Além do avião da presidência com cocaína, havia agora uma nova versão no ar.

Devidamente orientado (será que Faustão também fez parte dessa equipe de consultoria?), pareceu ao ex-juiz que ali estava a salvação.

Ficou tão animado que tentou navegar por águas mais profundas, algo sempre perigoso.

E entre os diversos atributos que não possui, recorreu ao que lhe é mais precário; aventurou-se pelos mares e oceanos do  conhecimento e apelou ao Latim, sem perceber que exibia o quanto lhe incomoda a identificação da sua ignorância.

Moro rato

Corre-se sempre um risco muito grande quando, na arrogância dos ignorantes, pretende-se mostrar uma coisa que não existe.

Recorrendo à célebre frase de Horácio, poeta romano, o ex-juiz disse, em Latim, “parturiunt montes, nascetur ridiculus mus”, que numa tradução livre significa “a montanha pariu um ridículo rato”. Frase que se aplica a todas as coisas pomposamente anunciadas e que, concretizadas, produzem uma grande decepção, um resultado pífio diante da expectativa gerada.

Estava ali, escancarado, o seu provincianismo, reconhecido e comentado pelos próprios colegas da Lava Jato, como mostraram os diálogos divulgados.

Ali estava a famosa ignorância ativa.

E na sequência, reportando-se às manifestações em seu apoio, ocorridas em 30/06, filosofou; “eu vejo, eu ouço”.

Deixemos de lado o fato de que as manifestações a favor de Moro e Bolsonaro de 30 de junho caíram quase que à metade em termos de cidades envolvidas em comparação com as de 26 de maio (88 e 155 cidades respectivamente) e com participação bem menor das pessoas do bem (padrão FIFA), mesmo em São Paulo, apesar de algumas imagens postadas e já identificadas como falsas.

Não vou perder tempo com essas baboseiras.

Volto ao sábio filósofo.

Eu também, Moro, vejo e ouço.

Vejo que a montanha pariu não um ridículo rato, mas diversos deles.

Atraídos pelo toque mágico do canto da sereia do golpe (“primeiro a gente tira a Dilma, depois a gente põe o Michel [Temer] e aí deita e rola…, com Supremo e tudo”).

Ratos que se instalaram em todos os segmentos da sociedade, inclusive e infelizmente em segmentos decisivos para ela, como o judiciário.

Vejo o que fazem e ouço o que dizem como se ratos não fossem.

Atingido de forma irreversível já a partir dos primeiros diálogos que foram divulgados pelo The Intercept, agora em parceria com a Band News (Reinaldo Azevedo), Folha e Veja, o ex-juiz vem se mostrando um herói com pés de barro que não se sustenta em pé.

Moro inflável

Todo boneco inflado se desinfla com rapidez surpreendente.

Vazio, não fica em pé e quando se percebe a inutilidade de um boneco vazio, ele perde a serventia.

É questão de tempo.

Aterrorizado e paralisado pela perspectiva do que ainda está por vir (segundo o jornalista Ricardo Noblat, só de áudio são cerca de 2.000), o ministro não tem mais o que dizer e se tornou uma figura patética na repetição de respostas evasivas.

Quando usou e abusou de depoimentos arrancados a fórceps, quando humilhou e intimidou depoentes, quando fez prisões preventivas que duravam uma eternidade, o ex-juiz usou e abusou de vazamentos para a imprensa, particularmente para a Globo.

Dizia abertamente que a operação que o inspirara, a italiana Operação Mãos Limpas, tinha tido o apoio indispensável da imprensa na divulgação dos vazamentos.

Fez o mesmo na sua lava Jato.

Os elogios eram muitos e frequentes à imprensa brasileira (Globo, Veja, Folha, Estadão…), pela divulgação dos vazamentos, muito frequentemente de forma sensacionalista.

Ele, o ex-juiz, defendia isso com unhas e dentes.

Com inteiro respaldo e apoio da sociedade brasileira.

Os fins justificam os meios.

Muitos homens e mulheres e suas famílias foram jogados na lama das acusações, julgamento e condenação automáticos por parte de um público sedento de sangue, em tudo igual à Roma antiga, ou mesmo ao julgamento e condenação de Cristo, já que muitos se dizem cristãos.

Mesmo o mais vergonhoso e ilegal dos vazamentos, o da conversa entre a presidenta da república (Dilma) e o ex-presidente (Lula), foi tranquilamente defendido pelo homem que devia preservar as leis do país.

E mais uma vez, com inteiro respaldo e apoio da sociedade brasileira.

E o fez dizendo que “onde há o problema ali não era a captação do diálogo e a divulgação do diálogo, o problema [o mais importante] era o diálogo em si, o conteúdo do diálogo”.

Ou seja, não importa como foi conseguido e sim que foi conseguido.

Mas esse homem, cuja forma como passaria para a história parecia já estar desenhada, vê agora o súbito assumir o comando da sua vida e da mesma maneira o destino, do qual nenhum homem consegue escapar, tomar as rédeas das suas mãos.

Encurralado pelo futuro que bateu à sua porta, sente na pele a amargura que muitas vezes cruel, covarde e injustamente proporcionou à vida de muitas pessoas.

Tentando escapar do inescapável, entrega-se dócil e covardemente a comandos sob os quais jamais se imaginou.

Com o poder que ainda possui, o que o ministro da justiça está tentando fazer neste momento é condenar publicamente um homem por mostrar à sociedade, sempre tão frágil e vulnerável, quem verdadeiramente ele é.

O que o tornou um herói, com inteiro respaldo e apoio da sociedade brasileira, agora é crime.

Confirma-se de maneira assustadora o que disse Millôr Fernandes:

“O Brasil é o único país em que os ratos conseguem botar a culpa no queijo”.

Tudo isso com inteiro respaldo e apoio da sociedade brasileira.

E esse é o grande problema.

Ao apoiar esses homens e mulheres e defende-los incondicionalmente, como fazem, importantes segmentos da sociedade brasileira se desnudam e mostram o seu caráter.

Caráter no mínimo preocupante para as futuras gerações, porque entre esses segmentos estão formadores de opinião.

Como serão formados os nossos filhos e netos por professores com esse perfil?

Estamos tratando aqui de princípios éticos básicos.

É muito triste e de uma indignidade incompreensível e inaceitável que parcela considerável da sociedade assuma esse comportamento tão absurdo motivado pelo preconceito e ódio que se incorporaram às suas vidas, invertendo e transgredindo valores tão importantes para a raça humana.

Serão tão incapazes ao ponto de não conseguir esquecer por alguns minutos o ódio que sentem e perceber que não se trata, pelo menos neste momento, de simplesmente libertar alguém, quem quer que seja, mas de endeusar e dar super poderes a homens e mulheres que manipulam, perseguem, infernizam a vida de pessoas aprisionando-nas quando querem e pelo tempo que querem e agora têm os seus métodos expostos através de diálogos entre eles, numa trama diabólica e cínica?

Ou será que acham que nada é verdade?

Que tipo de cegueira os impede de ver a veracidade dos diálogos que já foram divulgados, se foi pela divulgação de diálogos assim que os mesmos que estão fazendo de tudo para condenar foram transformados em heróis?

O que são vocês?

Ratos?

Como e por que estariam ali os conselhos de Faustão (famoso animador de auditório da Globo) a Moro e já confirmados pelo próprio Faustão?

Ou também não vale a confirmação de um Procurador?

Procurador confirma veracidade das mensagens

E quando vierem os áudios e os vídeos?

O que você fará quando perceber que seu filho estará desprotegido pela lei diante de qualquer eventualidade em que do outro lado esteja alguém mais poderoso ou protegido do “julgador”, em favor de quem a justiça não julgará, tomará partido.

Homens e mulheres poderosos e covardes estão fazendo isso nesse momento debaixo do seu nariz.

Hoje com alguém que não conhecemos.

Amanhã com seu filho, ou com você mesmo.

Para onde você irá quando perceber que seu filho está nas mãos de homens sujos?

É a pergunta que faz o The New York Times lá em cima.

“Para onde você corre quando os cruzados anticorrupção são sujos?”

Mediocridade e covardia explodem por todos os poros

Por Ronaldo Souza

Bolso medíocre 1

“Este homem parece um idiota, age como um idiota, mas, não se confunda!
Essa pessoa é realmente um idiota!”
Groucho Marx

Por favor, antes que queiram cuspir em mim, agredir o comunista safado, atear fogo às minhas vestes, como diriam alguns escritores, Groucho Marx não tem nada a ver com Karl Marx.

Esse Marx de que falo agora era um comediante americano.

Americano, ouviu bem?

Do país de Trump.

Isso, do país de Trump.

Prestou atenção?

Trump!

Entendeu a senha?

Pronto, tô salvo.

Não serei xingado e chamado de comunista por eles.

Até a Globo já foi.

Adoro eles de paixão.

Não consigo resistir ao charme do conhecimento político que possuem.

A inteligência, a sensibilidade, a leveza…

“A insustentável leveza do ser”, como diria Milan Kundera.

E eles são.

Leves, inteligentes, sensíveis…

Foi com todo esse arsenal que o mico nos brindou mais uma vez.

Ele acabou de proibir a venda no Brasil daquele que é tido como o melhor e mais vendido charuto do mundo, o Cohiba.

Bolso medíocre 2'

A Anvisa justificou a decisão por causa do “excesso de ácido sórbico” encontrado nos charutos. A importadora Emporium, que trabalha há 20 anos com o Cohiba, garante que “não há inclusão de qualquer aditivo, por tratar-se de um produto 100% natural, a folha de tabaco”.

Por que o melhor e mais vendido charuto em todo o mundo teria sido proibido no Brasil?

Você já ouviu falar de cabeça sem cérebro?

E de pessoas tapadas, já ouviu falar?

Você sabia que a Terra é plana?

Que Einstein é um idiota?

E de “escola sem partido”, já ouviu falar?

É por aí.

A fonte é a mesma.

A estupidez.

Diz a lenda que, no começo, a produção do charuto Cohiba estava reservada a Fidel Castro e outros líderes comunistas, além de ser oferecido aos mandatários aliados que visitavam Havana. Somente a partir de 1982, passou a ser produto de exportação.

Em que ambientes whiskies, vinhos e perfumes caros são consumidos e transformados em grande prazer?

Em ambientes de maior poder aquisitivo, claro!

Whiskies, vinhos, perfumes, sapatos, gravatas… escoceses, franceses, italianos, para um público consumidor seleto.

A esses produtos sempre foram incorporados os charutos.

Em todo o mundo.

Capitalista ou não.

De Freud a Hemingway.

Quem será que cultiva e curte a harmonização de whiskies e charutos, essa coisa tão fina?

Não sei, mas sei que não costumam ser pessoas comuns.

São os escolhidos dos deuses, os “iguais”.

Mas, infelizmente, o justo costuma pagar pelo pecador, como diz a crença popular.

E os eleitos do Brasil agora terão que ir mais vezes a Miami para terem o seu sagrado direito de viver bem, com o padrão FIFA, com as suas camisinhas amarelinhas bonitinhas.

Explico.

Lembra que o mico acabou com a assistência médica aos pobres e miseráveis do país ao mandar os médicos cubanos embora porque eram… cubanos?

Ele agora fez o mesmo com os eleitos.

É que a infiel criatura que está à frente do governo desse país, eleito que foi por alguns indigentes mentais e intelectuais, proibiu a venda dos melhores charutos do mundo aqui no Brasil.

Por que?

Porque os charutos são cubanos.

Não é sensacional?

Não há mais como se surpreender diante do atual governo.

Todos os limites foram ultrapassados.

Não é à toa que o Brasil passa por vexames a toda hora.

Vexames que atingiram níveis inimagináveis, como agora no Japão durante a reunião do G20.

Para citar somente um desses momentos, nesse evento houve uma reunião “extra” do BRICS, grupo econômico constituído por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O Brasil não foi convidado para essa reunião, algo que jamais tinha acontecido.

O encontro foi realizado pelos líderes Vladimir Putin (Rússia), Narendra Modi (Índia) e Xi Xinping (China).

BRIC's sem B

Tomadas as resoluções, foram devidamente divulgadas na reunião “oficial” sob a presidência do Brasil, aí sim diante dos microfones e câmeras de todo o mundo.

Entretanto, para além das tradicionais fotos oficiais, não deixou de ser registrado o encontro entre Putin e o mico.

Confesso que nunca tinha visto um homem aniquilar outro com o olhar.

Observe os semblantes tensos, como que na expectativa do que pode acontecer, mas observe particularmente o desespero de um dos vice-presidentes do Brasil ao perceber o olhar acovardado do pai diante de um homem.

Bolso e Putin

O olhar fugidio.

Que não olha.

O velho olhar de quem não enfrenta, de quem foge do confronto, já percebido pelos brasileiros em passado recente e que foi descrito por um pensador de redes sociais baiano como um “macaco velho que, além de ser bocudo, adora uma briga”.

Nada deve ser pior para um filho do que ver seu pai agir como um covarde, mesmo sendo um.

Putin o trucidou.

Nem precisou de um cabo e um soldado.

Bastou um olhar.

E o fez mudar de posição.

Veja o que relatou a jornalista Helena Sthephanowitz:

Bolso e Putin''

Chocante.

Tive pena.

Entretanto, assim que se sentiu seguro ao lado do principal diplomata dos Estados Unidos no Brasil, o macaco velho voltou a ficar valente e “afirmou, nesta quarta-feira (3), que seu governo atua para que não surja uma nova Venezuela na América do Sul”.

Bolsocovarde

De fato, o “macaco velho que, além de ser bocudo, adora uma briga” é muito valente.

“Temos um problema aqui ao norte do Brasil e não queremos que outros países enveredem para esse lado”, disse ele, durante a cerimônia de celebração da independência dos Estados Unidos, na embaixada norte-americana em Brasília.

Foi sim vexatória a “participação” do Brasil.

Mas, de uma certa forma ficamos um pouco mais tranquilos ao ver que os miquinhos amestrados não perceberam nada do vexame do mico brasileiro.

Ao ignorar o que de fato acontece, permanecem felizes.

A ignorância é uma benção.

Mas foram devidamente alimentados pelo general Heleno, esse personagem folclórico da política brasileira, nesse belo, verdadeiro, digno e comovente discurso.

Um general que, como seu chefe, mente sem nenhum pudor e tenta apresentar o mico como “devidamente homenageado pelos grandes chefes de estado do mundo, recebido com todas as honras”.

Eles devem pensar que as fotos protocolares significam ser recebido com todas as honras.

O que se viu foi um pobre coitado inteiramente perdido e desprezado, que só tem isolado o país das decisões do mundo.

Você percebeu que ao final do vídeo que mostra os “dignatários”, como diz o pequeno general, fazendo o aceno de saudação para o mundo ele nem estava mais, já tinha saído, pelo desconforto que deve ter sentido.

E não era assim que o Brasil era tratado. O país já tinha se acostumado a ser destaque.

Dilma no G20

Veja a que ponto chegou a participação do país.

“O mais importante, na hora quase do encerramento, nós conseguimos saber da assinatura do acordo do Mercosul”, disse o general no vídeo.

Ficaram sabendo da assinatura do acordo somente na hora do encerramento do evento e voltam para o Brasil chamando as honras e glórias da assinatura do acordo para aquela pobre alma desgarrada do resto do mundo e desprovida de qualquer coisa, um sem noção.

É impressionante como eles nada percebem e fazem dos seus torcedores uns tolos.

Um país que através de Paulo Nogueira Batista Jr. ocupava a vice-presidência do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do BRICS) em Xangai, hoje se vê nesse papel ridículo pelo qual acabou de passar.

Na sua insignificância tosca, restou ao mico pagar mais um mico; vender bijuterias em uma sala qualquer.

Em pleno G20.

Quem poderia imaginar que um dia iríamos passar por isso?

Oração ao Tempo

Tempo

Por Ronaldo Souza

Num momento em que precisei de tempo para me reacomodar.

Num momento em que precisei de tempo para repensar a minha vida.

Num momento em que precisei de tempo para me refazer.

Lá estava o tempo.

Amigo, parceiro, companheiro de todos os tempos.

Não sei se o tempo é remédio para todos os males, para todas as dores.

Há quem diga que não.

Há quem já tenha dito que o tempo não cura todas as dores.

Mas, mesmo eles, reconhecem que o tempo, no mínimo, alivia as dores.

Quando alguém diz “tudo passa” é verdade.

Tudo passa.

Dizem que “o que os olhos não veem, o coração não padece”.

Por isso, uma placa com esse dizer, “tudo passa”, deveria estar pendurada em algum canto da nossa casa.

Para que todos os dias os nossos olhos a vissem e assim pudéssemos “padecer” da esperança de que tudo passa.

Mas, sobretudo, deveria estar pendurada em algum lugar da nossa alma.

Para aquieta-la e nos permitir viver nos momentos em que tudo parece estar perdido.

Tudo passa.

“Tudo tem seu tempo e sua hora”.

Já ouviu?

É a sabedoria do povo falando.

O que diz ela?

Que a verdade um dia virá à tona.

Quem diz isso está contando com o que?

Com o tempo.

De fato, mais cedo ou mais tarde, a verdade um dia aparecerá.

Olha aí o tempo dando as cartas, dizendo que será.

E um dia é.

Um dia qualquer, mas um dia.

Um dia do tempo que virá.

A mentira é agora, hoje.

A verdade, amanhã.

Porque o tempo é amigo da verdade.

Um grande poeta baiano soube captar esse tudo que o tempo é e lhe fez uma oração.

E o chamou de Compositor de Destinos.

Divino!

Ah, o que seria da vida se não fossem os poetas?

Eis aqui os seus heróis

Leo Pinheiro

“É improvável que vazamentos encontrem um diálogo em que o procurador
exige do delator que incrimine alguém. Mas, a rigor, não precisa disso”

O feirão das evidências

Por Walfrido Warde – advogado, escritor e presidente do IREE, Instituto para a Reforma das Relações entre Estado e Empresa.

Convido o leitor a fechar os olhos. E a pensar, por alguns minutos, em um homem de quase 70 anos preso há semanas, lançado à realidade dura do concreto armado de sua cela fria e ao tilintar das grades que o separam do mundo. Ao detento, que é Léo Pinheiro, o ex-presidente da empreiteira OAS, então, sugere-se dizer algo sobre você, caro leitor, que você praticou um crime, para que, desse modo, a tortura cesse e ele, o velhinho massacrado pela cana dura, saia da cadeia.

Em julho, os procuradores ainda concluíam que algo faltava na delação do ex-presidente da OAS. No mês seguinte, as opiniões já se dividiam. No final de agosto, um dos procuradores afirmou: “Sobre o Lula eles não queriam trazer nem o apt. Guaruja. Diziam q não tinha crime. Nunca falaram de conta.”

Ao que parece, os próprios procuradores se mostraram surpresos com o acréscimo dessas informações, que só agora implicavam o ex-presidente Lula, informações que jamais estiveram nos anexos até então e que, pelo que se pode concluir, teriam sido vazadas pelos próprios advogados do delator à revista Veja .

Tudo faz crer que os novos fatos foram jogados no ventilador, justamente para pressionar os procuradores a concordar com a delação de Pinheiro e lhe atribuir os benefícios que pretendia. Foi essa pressão que levou uma procuradora a fazer duras críticas aos advogados de Pinheiro, e a dizer: “Esses Advs não valem nada”

Quase um ano depois, em 13 de julho de 2017, o coordenador da força-tarefa da PGR para a Lava Jato , Deltan Dallagnol se mostrou preocupado com a opinião pública e disse: “[…] é um ponto pensar no timming do acordo com o Léo Pinheiro. Não pode parecer um prêmio pela condenação do Lula”.

Depois de tudo isso, o que se sabe é que o ex-presidente da OAS finalmente assinou um acordo de delação premiada com a PGR, em janeiro deste ano, quando ainda estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Em novembro do ano passado, importante lembrar, Pinheiro declarou à juíza Gabriela Hardt, substituta de Sérgio Moro, que Lula se comportava como proprietário do sítio de Atibaia e como o real beneficiário das obras que a OAS realizou naquele imóvel.

É uma confusão dos infernos, não é?

É uma confusão que nos distancia da verdade, que prende e que solta, que acusa e absolve, que unge e arruína ao sabor das conveniências. Foi precisamente para essa confusão, que mora muito, muito longe da verdade, que rumou o processo penal no Brasil. 

A barganha, no feirão das evidências, tomou o lugar da verdade.

O acoplamento das prisões cautelares, muitas delas imotivadas, e de prisão depois de condenação em segundo grau com delação premiada está na origem desse mercado de provas. Provas que nem precisam ser tão fortes assim, que podem ser produzidas pela boca do delator preso, com a língua pronta para disparar qualquer coisa que o alivie.

É improvável que os vazamentos do Intercept Brasil encontrem um diálogo em que o procurador exige do delator que incrimine alguém. Mas, a rigor, não precisa disso. Esse é precisamente o conteúdo do diálogo silencioso e eloquente que se estabelece entre os negociadores da liberdade de alguém. De um lado, os seus advogados, aos quais o prêmio é libertar o delator. E, de outro, os procuradores, que já tem o delator, mas querem dele a incriminação de um terceiro, tanto mais importante quanto possível. Os dois lados sabem que esse é o jogo, um jogo torto, capaz de produzir inverdades e graves distorções. 
Essa negociação silenciosa levou os acusadores a exibir, orgulhosos, muitas provas de açúcar e com elas construir um grande castelo prestes a desmoronar.

Fonte: Último Segundo – iG @ https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/poder-para-o-povo/2019-07-01/o-feirao-das-evidencias.html

O Batman Moro virou Robin de Bolsonaro

Os nada

Por Fernando Brito, no Tijolaço

“Eu vejo, eu ouço, eu agradeço”.

A frase de Sérgio Moro diante das manifestações de ontem é, de fato, o sumo do seu pensamento limitado e medíocre.

O que está em questão, neste momento, não é a sua popularidade (em visível declínio, aliás) ou a sua posição no governo Bolsonaro. É o seu comportamento como juiz que toma partido e orienta a acusação, ponto.

Sobre estas questões, não adianta alegar que é o “herói” de senhoras bem vestidas ou de rapazes “bombados”. Vê-los, ouvi-los e agradecer o apoio é irrelevante.

Aliás, porque, para esta turma, o “messias” é outro, o Jair, a menos que se considerem os destroços do MBL como os seus cavaleiros templários.

Mas Moro não é mais assim, apenas de direita: viu e ouviu que pertence agora a extrema-direita e que, nela, já não é o Batman, mas o Robin de Bolsonaro, do qual é agora um protegido, não mais um troféu.

E mais dependente ficará, enquanto mingua seu apoio entre pessoas que, embora tenham se curvado à avalanche lavajatista, não vão resistir às evidências que vieram – e mais ainda as que virão – sobre sua atitude conspiratória como juiz.

Moro, que brilhou sob os holofotes da mídia e achou que tinha luz própria, não vai se sustentar apenas com evasivas e acusações ao suposto hacker e aos jornalistas do The Intercept.

Os vazamentos sobre os procuradores, seus subordinados na operação, são apenas a porta de entrada que se vai abrindo na blindagem jurídico-midiática da Lava Jato.

Teremos um agosto à altura das tradições do mês.

Vidas pequenas e vazias

Por Ronaldo Souza

Disse aqui há pouco tempo que em 1993 ouvi da boca de um grande canalha a frase de Rui Barbosa:

“Os canalhas também envelhecem”.

Eles estão sempre por perto.

Quando postei o artigo Bolsonaro avacalha tudo, até as Forças Armadas, duas postagens logo abaixo traziam essas imagens que me chamaram a atenção. Aqui estão juntas mas foram postadas separadamente.

Bolso canalhas

A pessoa que postou fala muito em Jesus e Deus.

Já o observara anteriormente, mas respeitei as suas colocações quando ele as fez na minha página, apesar da grande pobreza que havia nelas.

Nunca mais o tinha visto “por aqui”.

Entretanto, ao ver as postagens com as imagens acima, fiquei tão envergonhado e tão enojado que me veio um sentimento de grande revolta.

Como também me veio um grande desejo de escrever alguma coisa.

Mas a revolta era tanta que preferi não faze-lo naquele momento, o que faço agora, um dia depois.

Figuras como ele, com as quais já convivi, causam-me asco.

Por terem opiniões diferentes da minha?

Claro que não.

Apesar de às vezes agredido por alguns, sempre respeito opiniões contrárias às minhas.

O que não é aceitável é a desonestidade, que em muito casos, como nesse, passa a ser canalhice.

A primeira postagem, com Malvino Salvador, artista de novela da Globo, traz a legenda “Atores globais convocam brasileiros para protesto contra PT”.

Hoje, 30/06, haverá manifestações de apoio a Moro, Dallagnol e Cia.

Não são manifestações contra o PT.

Assim, por não serem contra o PT, ainda que todos eles dediquem a vida à destruição desse partido (uma vida rica e saudável, portanto), a legenda estaria completamente equivocada, porque o objetivo da manifestação à qual ela se reporta é dar apoio ao ex-juiz Sérgio Moro.

Se você clicar na imagem original da postagem feita por ele (não nessa acima que é só uma foto) abre uma matéria que mostra que a convocação era de fato contra o PT, mas foi feita em março de 2016, porque era esse o partido que então governava (governo Dilma), contra o qual se deu o golpe.

Na cabeça deles, dizer que “atores globais convocam brasileiros…” tem um peso enorme, haja vista o dia do lobotomizado.

Porém, mesmo sendo atores de novelas da Globo, o que muitas vezes depõe contra, vários deles já não apoiam esses embusteiros.

Thiago Lacerda é um dos casos mais recentes e um dos mais emblemáticos.

Moro Thiago Lacerda

Apoiador fervoroso de Bolsonaro e Moro, inclusive com participação em manifestações como a de hoje, quando percebeu a grande farsa que eram ambos, pediu desculpas por ter votado em Bolsonaro e apoiado Moro e disse que agora é “Lula Livre”.

A postagem, portanto, é mentirosa e canalha porque é de mais de três anos atrás, de um momento em que as coisas eram muito mais favoráveis a eles, porque muitos não sabiam do que ambos são capazes de fazer.

A outra, com a imagem de Bolsonaro, é de dezembro de 2018, quando 75% dos eleitores ainda acreditavam que ele estava no caminho certo.

O IBOPE dessa semana mostra que tudo mudou.

Bolso Ibope'

Hoje, 32% avaliam seu governo como bom/ótimo e 32% como ruim/péssimo.

48% o desaprovam como presidente e 46% aprovam.

51% não confiam nele e 46% confiam.

O Google está aí à disposição para quem quiser conferir.

A mudança é muito grande em tão curto espeço de tempo e com tudo que está acontecendo, esses percentuais só tendem a crescer.

Por outro lado, Moro conseguiu despencar de 81% de aprovação nas pesquisas em janeiro para 40% agora.

Esses homens estão sendo agora condenados por muitos que ajudaram a elege-los porque, arrependidos, estão percebendo as maldades, a perseguição, o julgamento injusto e parcial que fizeram contra pessoas.

Como tantos outros cristãos que falam em nome de Deus, desejam o mal em nome de Deus, odeiam em nome de Deus, perseguem em nome de Deus, eles condenam e atiram em nome de Deus.

BolsoJesus'

Como conseguem ser tão cínicos esses homens e mulheres que, poderosos, “vestem” Jesus e atiram?

Tal qual esses pastores farsantes, o que fez as postagens lá em cima, cheias de inverdades, numa conclamação canalha, é apenas mais um cínico, um farsante que desrespeita flagrantemente os ensinamentos do Deus de que tanto falam.

Onde está Deus nisso tudo?

Como aqueles que estavam nas ruas vibrando e aplaudindo quando Cristo fazia a sua Via Crucis em direção ao Calvário, ele o faz agora contra pessoas que, como Cristo, não tiveram um julgamento justo e imparcial.

São a pior espécie de gente, verdadeiros fariseus.

Onde está o cristão que, mais do que qualquer outro, deveria saber da história que mostra o que fez o julgador com o julgado, que acabou crucificado.

Ali, o arrependimento só veio depois para o  julgamento que, aos olhos daquele povo cheio de ódio e sedento de vingança, era justo.

Onde está o cristão que agora sabe do que foi e é capaz o julgador?

Com o seu farisaísmo, ele também já julgou e condenou.

A dor no peito é por saber que nesse caso não haverá arrependimento.

Eles carregam a morte dentro de si.

Estamos todos cansados desses moralistas sem moral.

Proteger os seus nomes com tarjas pretas (até quando?) talvez não seja mais o recomendável e sim traze-los para a luz do Sol.

Quem sabe?

Governo Bolsonaro avacalha tudo, até as Forças Armadas

Bolsococa

Por Ronaldo Souza

“Não tenho bola de cristal”.

Inacreditável, mas foi o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general Augusto Heleno quem disse essa frase quando perguntado sobre os 39 quilos de cocaína encontrados no avião da comitiva presidencial em viagem para o Japão.

Veja o que diz o jurista Eugênio Aragão:

“O embarque no avião da comitiva presidencial se deu na Base Aérea de Brasília, em pleno território militar, com número limitadíssimo de acessos à estação de passageiros. Tudo perfeitamente controlável e escrutinizável. Menos para o General Heleno”.

E nesta quinta-feira (27 de junho), em conversa com jornalistas e em mais uma de suas já conhecidas pérolas, o brilhante ministro lamentou a “falta de sorte” do governo.

‘Podia não ter acontecido, né? Falta de sorte ter acontecido justamente na hora de um evento mundial. Acaba tendo uma repercussão mundial que poderia não ter tido’.

Já falei aqui em outros momentos sobre o brilhantismo do general.

Assim o define o professor Luis Felipe Miguel, da UnB:
“Augusto Heleno é a encarnação da miséria moral do Exército brasileiro. Um gorila clássico, truculento, limitado, despreparado para as funções profissionais e para a vida pública, sempre envolvido em histórias confusas”.

Aliás, brilhantismo de todo o governo, a começar pelo incomparável presidente da república, o mico.

O general Augusto Heleno é somente mais um deles.

E aí transformam tudo em briga de botequim.

Bolso Heleno e coice

Esse foi o recado dele para dois chefes de Estado da Europa, Angela Merkel (chanceler da Alemanha) e Emmanuel Macron (presidente da França).

Mais uma vez fica explicitado porque os eleitores deles ficam tão excitados.

Essa excitação decorre desse comportamento troglodita típico da ignorância, que faz com que eles não só se entendam como se completem.

Particularmente, tenho me esforçado muito para tentar compreender esse modo de ser, mas ele é um Ministro de Estado e precisa perceber que a linguagem no mundo civilizado não é a que eles do governo usam no lidar com seus admiradores e eleitores.

Lembra da analogia das mortes por amas de fogo com as provocadas pelo trânsito?

É dele.

Além da inigualável capacidade de produzir o caos e explicações caóticas para ele, alguns deputados, senadores e jornalistas já perguntam se os milicianos já tomaram conta do governo ao ponto de se fazer tráfico de cocaína em avião presidencial.

Ou será que não era para tráfico?

‘Pó branco, rostos vermelhos: a carga de cocaína a bordo do avião presidencial’

Bolso pó branco

A manchete do The New York Times na imagem acima diz:

‘Pó branco, rostos vermelhos: a carga de cocaína a bordo do avião presidencial’.

Enquanto a imprensa internacional chama o avião de Bolsonaro de “aerococa”, a brasileira mais uma vez se esquiva e tenta abafar o caso vergonhoso.

Essa é hoje a imagem do Brasil em todo o mundo.

Também mais uma vez, a Globo vai além.

Não só tenta abafar como dá a sua versão, dizendo que o militar serviu a outros presidentes desde 2011, o que atingiria a Temer e Dilma, na verdade o objetivo maior da narrativa da Globo. Chega a insinuar também 2010, para pegar quem, quem, quem?

Lula.

“Eles” vibraram!

Estamos salvos, pegaram Lula e Dilma também.

A Internet não deixou.

A Globo não quis proteger o mico.

Ela faz isso, a qualquer preço, com o ex-juiz que mente o tempo todo, mas que cada vez mais está afundando na lama em que está.

A Globo quis botar Lula e Dilma no mesmo avião do mico (o vendedor de bijuterias), do Conje (o ex-que-mente-o-tempo-todo), de Guedes (o vendedor de tudo), do general Heleno (o grande), de Lorenzoni (o corrupto perdoado pelo ex-que-mente-o-tempo-todo porque pediu desculpas)…

O governo Bolsonaro está conseguindo o que parecia impossível; avacalhar até as Forças Armadas do Brasil.

Mas esse episódio que mancha o Brasil de maneira vergonhosa, não foi à toa a repercussão que teve em todo o mundo, como outros que estão acontecendo traz de volta outro tema.

Você lembra que já escrevi e postei aqui inúmeros textos sobre o “Domínio do Fato”?

Foi durante o reinado de Joaquim Barbosa (o Sérgio Moro de plantão naquela época) e que, tal qual o Conje, foi também ganhador do prêmio ‘Faz Diferença’, da Globo.

Por falar em Joaquim Barbosa, por onde anda o ex-futuro candidato a presidente da república?

“Como bagaço de fruta chupada, será atirado pela janela”.

Lembra que eu disse isso?

E não foi uma vez só não.

Há outro que será em breve.

Lembra de quem mais ganhou o prêmio da Globo?

Isso, ela mesma, Carmen Lúcia, ministra do stf.

Aquela que adora tirar da pauta julgamentos que podem ser favoráveis a Lula.

Corrupção flagrante que os dignos e brilhantes miquinhos amestrados ignoram.

Algo compreensível e quem sabe até aceitável, pois há quem diga que a ignorância deve ser perdoada.

Medalhas, comendas, prêmios, homenagens, muitas vezes representam a corrupção pelo atalho da vaidade.

Pois é, como aquele stf não conseguia provar a culpa de José Dirceu e Genoino, Joaquim Barbosa usou a teoria do Domínio do Fato.

Usou e deu a ela uma interpretação que foi contestada pelo autor da teoria, o jurista alemão Claus Roxin.

Um dos textos em que falei sobre esse tema foi Como Bolsonaro lida com a sua corrupção.

Pela Constituição de Joaquim Barbosa, Moro e Bolsonaro, a teoria do “Domínio do Fato” se aplica facilmente à cocaína do avião de Bolsonaro.

Se Lula, José Dirceu e Genoino tinham que ter “domínio dos fatos” que aconteciam em seu governo, Bolsomico tinha que saber o que estava acontecendo debaixo do nariz dele, dentro do avião dele!!!

E Moro, o ministro da justiça, o que faz???

Não tá nem sabendo que tem avião, quanto mais que tem cocaína.

Ele está preocupado com outras coisas.

Moro e jantar para aliviar a barra''.jpeg

Mas não vem ao caso.

A festa acabou

Moro e a corrente

Por Ronaldo Souza

Em um dos meus recentes textos, Moro de tolo, eu disse que pouco importa que Moro continue sendo protegido pela Globo.

A Globo já deu demonstrações claras desde o início de que vai protege-lo a qualquer preço, inclusive o de morrerem afogados abraçados, que é o que já está acontecendo.

Mas, independentemente de tudo e apesar do poder que a Globo ainda tem, isso pouco importa.

Também pouco importa se o Conje vai ser mantido no governo.

Da mesma forma que disse acima, apesar da destruição do país pelo governo que tem à sua frente uma anomalia (não governa, não comanda, “twitta” o tempo todo e sofre de distúrbios psicológicos graves, como consta no relatório de sua expulsão do exército), isso pouco importa.

O que importa, isso sim, é que diante de tanta mentira, desfaçatez, hipocrisia, cinismo e canalhice, ele está acuado e desesperado.

Está nas cordas.

Sei que “eles”, os miquinhos amestrados, jamais conseguirão ver isso, mas quer saber? Isso pouco importa, até pela insignificância deles.

Mas, vejamos.

O Conje pediu apoio popular para se manter no cargo.

Você não acha que quando o ministro da justiça implora apoio para se manter no cargo é sinal de que percebeu que sua carreira no Governo está chegando ao fim?

Por que você acha que o Conje, um popstar exclusivo da Globo, foi ao programa de Ratinho?

Em condições normais, ele se submeteria ir ao programa de Ratinho?

Foi porque está necessitado de toda e qualquer vitrine para tentar mostrar aquele Moro que os tolos imaginaram que ele fosse.

A Globo já não é suficiente para isso.

Há um detalhe; provocou a pior audiência de Ratinho no ano.

MoroRatinho

Realmente, não vive seus melhores dias.

A estupidificação que tomou conta do país me faz imaginar que é bem possível que um desses “analistas políticos” que vomitam conhecimento nas redes sociais já tenha dito que ele deu um show e deixou os senadores sem saber o que dizer.

Procuremos entender.

Moro ficou se fazendo de vítima em boa parte do tempo e não respondeu a várias perguntas porque não tinha como fazê-lo.

É compreensível.

Como responder se ele não sabe o que o The Intercept tem nas mãos? Fica pipocando, saltitando nas respostas, medindo as palavras.

Ele está morrendo de medo de dar uma resposta negando qualquer coisa e no dia seguinte ser desmentido e ser chamado de mentiroso.

É o que está acontecendo agora com o episódio da procuradora Laura Tessler.

Nos diálogos divulgados ele se queixa a Dallagnol do desempenho dela e acertam a sua substituição.

No seu depoimento no Congresso, ele ousou dizer que a sua conversa foi normal, como acontece sempre entre juízes e procuradores bla, bla, bla, bla, que não sugeriu substituí-la e que a prova era que ela continuou no inquérito.

Como costuma fazer, Moro mentiu.

A procuradora Laura Tessler não continuou.

No dia seguinte, através do jornalista Reinaldo Azevedo, no seu programa “O É da Coisa” (BandNews), o The Intercept mostrou que ela foi removida sim e os dois procuradores sugeridos na conversa entre Dallagnol e Carlos Fernando Lima (Júlio e Robinho – respectivamente, Júlio Noronha e Roberson Pozzobon) é que foram.

“Júlio e Robinho” foram para o interrogatório de Lula; ela não foi.

Ficou feio.

Desesperados, Moro e Dallagnol correram para soltar notas explicativas.

Negaram tudo e, pra variar, aproveitaram para atacar Glenn Greenwald.

Não adiantou.

Estavam mentindo mais uma vez.

Veja o que disse o jornalista Reinaldo Azevedo no seu blog (sábado, 22/06):

“Resolvi seguir uma sugestão de Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, e, ora vejam, cheguei a novas evidências do teor mentiroso de sua nota malcriada, divulgada nesta sexta. Seja paciente, leitor. Leia a coisa até o fim. Você pode não descobrir exatamente como se fazem as salsichas. Mas vai saber como se fabricam certas notícias. Ou ‘notícias’, com aspas, como poderia escrever o buliçoso rapaz. Você vai constatar que a procuradora Laura Tessler foi afastada do caso que dizia respeito ao ex-presidente Lula DOIS DIAS DEPOIS DE SERGIO MORO RECLAMAR DE SEU DESEMPENHO”.

Moro tinha sido flagrado em mais uma mentira.

Vou um pouco além e ponho aqui o que mais disse Reinaldo Azevedo:

“Influente que é em certos meios, Dallagnol conseguiu emplacar a sua nota mistificadora no ‘Jornal Nacional’ e no ‘Jornal da Globo’.

Sempre ela, a vênus platinada.

São essas notícias, que só a Globo dá, que chegam aos ouvidos dos miquinhos amestrados e por isso cada vez mais tento compreende-los.

Dia do lobotomizado

Como eles não leem, são emprenhados pelo ouvido, ouvindo o que a Globo quer que eles ouçam (a redundância é intencional).

Depois saem por aí compartilhando a única verdade que existe; a que a Globo diz a eles.

Um parêntese para um breve comentário.

Os miquinhos amestrados sempre fizeram tudo pela bíblia da Globo. Até luto vestiram por determinação dela, naquele dia vergonhoso, patético, o dia do lobotomizado, dedicado a alguns professores.

Quando a Globo se posicionou contra o mico, com arminhas de mão e toda sua conhecida incapacidade, xingaram a vênus platinada de tudo quanto é jeito (disseram até que a Globo era comunista; são ou não são “jênios”?).

Agora que a Globo protege o Conje a qualquer preço, estão de novo com a Globo.

Como sempre, chama a atenção a eterna característica “deles”; a preocupação com princípios e ideais. 

Nenhuma.

Isso explica porque um dia estão com a Globo, no outro com a Record, com Edir Macedo e seus blue caps, ou Edir Macedo e seus pastores, como queiram.

Como fazem zagueiros de futebol sem talento, eles chutam para onde o nariz aponta.

Parece que Moro ainda não percebeu com quem está lidando e não estranhe se quiser usar a polícia federal para interceptar o The Intercept.

E se há um terreno que ele domina é esse, o de usar a força para alcançar seus objetivos. Todos já aprendemos sobre o que ele é capaz com conduções coercitivas totalmente descabidas, coação, pressão psicológica, prisões preventivas que duram anos…

Prender Glenn Greenwald é uma possibilidade concreta e Moro já estudou todas as maneiras de como isso poderia ser feito.

Mas ele sabe que não é tão simples.

Todos sabem que o Congresso e o povo americano não vão aceitar em nenhuma hipótese que um juiz de primeira instância do Brazil, ainda que fosse um grande juiz, prenda um jornalista americano.

Ah, não vão mesmo.

Moro é um homem limitado, todos sabemos, mas sobre essa limitação, pode ter certeza, ele será “avisado” previamente.

Portanto, não espere por respostas concretas de Moro.

Sem chance.

Aflito, ele continuará saltitando que nem alguém que está pisando em brasas.

Até porque ele está.

Se Greenwald soltasse todo o material que tem de uma vez só causaria o maior impacto, no entanto, de tão volumoso, quantos o leriam?

Logo, logo, o impacto diminuiria e tudo se perderia na poeira do tempo.

A liberação gradativa dos diálogos, estrategicamente montada, foi elaborada por um jornalista de grande competência.

Contagotas vai matar Moro

Greenwald terá Moro, Dallagnol e a república de Curitiba na mão, reféns dele, por todo o tempo que durar esse inferno astral no qual entrou toda a república de Curitiba.

O conta gotas de Glenn Greenwald vai terminar matando o Conje de aflição.

E Moro dá sinais de que já não está suportando.

Como eu disse, o Conje parece não ter ideia da qualidade do jornalista com o qual está lidando.

Greenwald é simplesmente ganhador de um “Pulitzer”, o Oscar do jornalismo investigativo dos Estados Unidos.

Prêmio que lhe foi conferido pela investigação do famoso caso (Edward) Snowden, que expôs documentos do governo americano, ou seja, “brigando” com o próprio governo dos Estados Unidos.

Ele sabe o que está fazendo e não será facilmente intimidado.

Por sua vez, cada vez mais Moro vê abrir-se um buraco na sua frente.

A Associação de Juízes para a Democracia (AJD) divulgou nota na quarta-feira, (19/06), em que repudia com veemência suas declarações, que têm classificado como “absolutamente normal” e “muito comum” o contato privado de juízes com procuradores.

“Tais práticas não refletem, em absoluto, a conduta das magistradas e dos magistrados brasileiros que cumprem o seu dever funcional. Ao defendê-las, o Ministro promove uma inaceitável banalização do exercício distorcido da atividade judicante, ofensiva à sua dignidade, seriedade e respeitabilidade, que é também incompatível com a dignidade, a honra, o decoro e a transparência exigidos pelo Código de Ética da Magistratura”, diz a entidade.

Veja o que diz o professor de Direito Processual Penal da USP, Gustavo Badaró.

Por que Moro cancelou a participação no 14º Congresso da ABRAJI (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) a ser realizado nesta semana, de 27 a 29 de junho, em São Paulo?

Por que Moro fugiu da audiência na Câmara marcada para amanhã (26/06) para falar sobre as mensagens publicadas pelo The Intercept?

Moro fujão

Ele já percebeu que está sem saída e não tem o que dizer.

Essas e muitas outras coisas estão fazendo a aprovação de Moro despencar de 81% de aprovação nas pesquisas em janeiro para 40% na semana passada.

O que acontecerá com ele diante das publicações que ainda virão, inclusive com áudios e vídeos?

Dallagnol, o pastor evangélico que tem ligação direta com Deus e Dele recebeu a missão de acabar com a corrupção no Brasil, também não está conseguindo ver onde termina o precipício. Nesse momento, Mr. Power Point apresenta somente 5% de aprovação.

E isso porque estamos diante somente das primeiras denúncias.

Moro excluído

A matéria acima do jornalista Rubens Valente na Folha informa que “um grupo de 30 juízes federais de várias partes do país pediu nesta segunda-feira (24) à Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) a suspensão cautelar do ministro Sérgio Moro das atividades associativas, inclusive da participação na Lista Ajufe, um grupo de discussão dos magistrados por e-mail”.

A representação encaminhada pelos juízes federais diz o seguinte:

“Entendemos que as condutas expostas na publicação jornalística, caso confirmadas, são totalmente contrárias aos princípios éticos e às regras jurídicas que devem reger a atuação de um magistrado, pois quando um juiz atua de forma parcial, chegando ao ponto de confundir sua atuação com a do órgão acusador, a credibilidade do Poder Judiciário é posta em xeque”.

Apesar do esforço que faz para manter a aparência de tranquilidade, Moro sabe que está acuado, nas cordas, pronto para ser abatido e mal disfarça o nervosismo.

Abatido não por arminha de mão, mas pelo que pode haver de pior para qualquer homem que se respeite.

A desmoralização, a desonra.

Moro se tornou uma figura patética.

Ontem, juiz desmoralizado, hoje um homem desmoralizado.

Dallagnol será o tolo de sempre e agora se sabe que um boneco nas mãos do ex-juiz.

A república de Curitiba desaparecerá desmoralizada com todo esse imbróglio.

Entretanto, Moro e Dallagnol serão ainda mais desmoralizados e é impossível prever o que acontecerá com ele nesse governo por si só já falido, com um presidente que a tudo ignora e por isso nada compreende.

Um presidente que, na sua estupidez, teria se auto definido ao dizer que o Congresso quer fazer dele uma rainha da Inglaterra.

Realmente, ele nada representa, mas não quer dizer com isso que se pode compara-lo à rainha.

Concordando-se ou não, há uma tradição cultural e simbolismo na figura da rainha e da Família Real Britânica e, mesmo que o mico não entenda o que isso significa, nenhum simbolismo pode existir na sua presença anômala na presidência.

Pouco importa que Moro continue sendo protegido pela Globo.

Pouco importa que Moro continue sendo protegido pelo judiciário brasileiro e parte do ministério público federal (letras minúsculas mesmo).

Pouco importa que Moro continue…

Ele acabou.

Moro e a crueldade covarde de homens e mulheres

república de Curitiba

Por Ronaldo Souza

Do que são capazes alguns homens e mulheres?

Os covardes, de qualquer coisa.

Em mais uma manobra para gerar manchetes (até capa da Veja deu à época), Lula foi acusado de tentar “usar” a morte de D. Marisa a seu favor.

Numa trama diabólica e covarde, Moro e a Vaza Jato fizeram isso.

Mas agora, graças à jornalista Milly Lacombe, em matéria de 16/05/2017 no GGN, e ao The Intercept ficamos sabendo do que realmente aconteceu.

Quantos endeusaram esses homens e assim continuariam se não fosse o The Intercept?

Pior de tudo.

Muitos ainda continuam e continuarão defendendo essa quadrilha sob o argumento de que são dignos e que de fato lutam contra a corrupção.

Idiotas sim, sem dúvida, mas são somente idiotas?

Não, isso tem outro nome.

Canalhas.

São, definitivamente, canalhas.

Pessoas com as quais convivemos durante anos se mostram assim já há algum tempo, mas não percebemos.

Sem meias palavras:

Canalhas.

Leia abaixo o artigo de Fernando Brito e veja o que Moro e a Vaza Jato foram capazes de fazer.

Morocovarde

Estratégia de “usar D. Marisa” não foi de Lula. Foi de Moro e do MP

Por Fernando Brito, no Tijolaço, em 16/06/2019

Lembra que você leu, nas trocas de mensagens de Deltan Dallagnol e do “decano” da Força-Tarefa, Carlos Fernando dos Santos Lima, sobre reforçarem o suposto fato de Lula ter “usado” a falecida mulher, D. Marisa Letícia, em seu depoimento a Sérgio Moro como forma de desqualificar o “showzinho da defesa” que acusam o ex-presidente de ter promovido? Reproduzo, acima, do Intercept.

Eu também não me lembrava, até que fui advertido por uma colega de que, naquele longínquo – para a memória – maio de 2017, foi exatamente o então juiz que conduziu insistentemente o depoimento para os atos de Marisa, chegando ao ponto de provocar uma reclamação de Lula por isso.

“Senhor Moro, é muito difícil para mim toda a hora que o senhor cita
minha mulher sem ela estar aqui para se defender”

Mas é possível recuperar isso pelo detalhado levantamento feito pela jornalista Milly Lacombe, publicado pelo GGN.

Basta correr os olhos para ver (o texto está abaixo) que Sérgio Moro se fixou em citar, citar e citar mais ainda a falecida mulher de Lula.

A esta altura, não é demais imaginar que foi outra armadilha apara, como fez Santos Lima no Estadão, dizer que era  “triste” que o ex-presidente, Lula,  tivesse “atribuído à sua mulher, dona Marisa Letícia, a intenção de adquirir o triplex em Guarujá, em seu depoimento”.

Algo que rendeu uma capa sórdida da Veja e uma propaganda abjeta de uma loja de departamentos, dizendo que “a culpa não é da Marisa”.

Veja o relato de Milly, onde por 23 vezes Moro provoca o assunto “D. Marisa”:

10’54”: Moro cita dona Marisa a respeito da compra de apartamento no Guarujá. O advogado de Lula corrige o juiz e diz que o documento não fala em compra de um apartamento, mas em compra de uma cota. Lula então responde citando a mulher, já que a pergunta era sobre ela. Moro quer saber como dona Marisa comprou a cota, e Lula responde.

13’09” Moro cita dona Marisa outra vez e mostra documento com assinatura dela. O juiz explica que o documento foi rasurado, mas não sabe por quem.

14’25” Moro cita dona Marisa outra vez: “A sua esposa nunca mencionou [a intenção de adquirir um Triplex e não uma unidade simples]?”

17’30” Moro volta a citar dona Marisa.

18’25” Moro cita outra vez dona Marisa perguntando por que Lula e ela não celebraram a compra do apartamento como os demais cooperados da Bancop, e por que tampouco solicitaram de volta o dinheiro já dado. Lula responde citando a mulher.

19’08” Moro cita dona Marisa dizendo que o termo de adesão está assinado por ela.

19’54” Moro cita outra vez dona Marisa.

20’35” Moro volta a citar dona Marisa, outra vez sem que Lula tivesse falado nela.

21’43” Pela primeira vez no depoimento Lula cita a mulher sem ser perguntado. Diz que soube durante os depoimentos dos depoentes que em 2012 dona Marisa tinha autorizado que a OAS vendesse o apartamento.

23’12” Moro pergunta se Lula tinha visto o apartamento do Guarujá. Lula diz que foi uma vez em 2014. Moro pergunta com quem, Lula diz que com dona Marisa e com Leo Pinheiro.

24’08” Moro cita dona Marisa: “O senhor ou sua esposa solicitou uma reforma?” Lula diz que não.

24’25” Moro cita dona Marisa querendo saber se ela, ou Lula ou algum familiar tinha ido outras vezes visitar o imóvel. Lula diz que achava que dona Marisa tinha ido mais uma vez. Diz que sabe disso porque Fabio, o filho, contou.

25’02” Moro quer saber o motivo da visita.

25’33” Moro cita dona Marisa, dizendo que essa visita teria sido em Agosto de 2014.

25’50” Moro pergunta se Lula ou dona Marisa orientou reformas no apartamento. Lula diz que não, mas que quando ele esteve no apartamento apontou muitos defeitos.

26’50 Lula diz que dona Marisa não gostava de praia, respondendo a pergunta de Moro a respeito da decisão deles sobre ficar ou não com o apartamento. Lula explica que dona Marisa talvez tivesse interesse no apartamento como investimento.

27’15” Lula diz que não comunicou a OAS que não tinha interesse no imóvel porque dona Marisa estava em dúvida se o queria ou não.

27’33” Moro quer saber se depois da segunda visita dona Marisa resolveu ficar com o apartamento. Lula explica que só soube depois que dona Marisa tinha feito uma segunda visita ao imóvel.

28’10” Moro cita depoimento de Lula no primeiro inquérito (do da condução coercitiva) e fica claro que Lula dava as mesmas explicações a respeito do apartamento, inclusive com as citações a dona Marisa, estando ela viva na época.

30’47” Moro diz que Lula disse que decidiu não ficar com o apartamento depois da visita de dona Marisa. Lula explica que ele está falando as mesmas coisas em ambos os depoimentos (portanto, citando dona Marisa da mesma forma, quando ela era viva e agora)

31’30” Moro cita dona Marisa, querendo falar outra vez da segunda visita que ela fez ao apartamento. O advogado de Lula interrompe dizendo que Lula acabou de explicar exatamente isso. Lula volta a explicar e dessa vez diz: “Lamentavelmente, ela [dona Marisa] não está mais viva para eu perguntar”

32’17” Moro cita dona Marisa falando do primeiro depoimento de Lula, o da condução coercitiva, ocasião em que o delegado quis saber se dona Marisa esteve no apartamento para ver se cozinha e elevador tinha sido instalados. Moro então pergunta se dona Marisa contou a Lula sobre o estado do apartamento. Lula diz que não.

34’25” Lula, impaciente, cita dona Marisa, dizendo que vai repetir o que vem dizendo: “O apartamento estava no nome da minha mulher , ela queria fazer negócio”.

34’36” Moro quer saber se Lula sabe se dona Marisa comunicou formalmente a OAS que não queria mais o apartamento. Lula diz não saber.

37’40” Lula reclama da Lava Jato, dos métodos da operação, e Moro pede que Lula tenha paciência. Lula diz: “É que perguntar coisas para mim de uma pessoa que já morreu é muito difícil”. Moro, solidário, diz: “Eu imagino”.

38’00” Moro cita dona Marisa falando das visitas ao apartamento e ligando as reformas do Guarujá e de Atibaia. Lula explica que o sítio é um outro processo, o advogado de Lula pede que Moro se atenha ao processo do triplex.

47’40” Moro cita dona Marisa, supostamente mencionada como “a dama” em conversa entre executivos da OAS. Na conversa, “a dama” teria aprovado o projetos das reformas da cozinha do Guarujá e de Atibaia. Lula diz que não pode responder por mensagens trocadas entre terceiros.

52’00” Moro cita dona Marisa dizendo que os projetos das reformas das cozinhas do sítio e do Guarujá teriam sido submetidas a ela. Lula diz que não tomou conhecimento disso.

1h06” 30” Moro cita dona Marisa.

1h10’01” Moro cita dona Marisa

1h11’10” Moro mostra documento com assinatura de dona Marisa feita em 2009 e pede explicação para as circunstâncias dessa assinatura. Lula analisa documento e diz ter a impressão que dona Marisa autorizou a venda do apartamento somente em 2012.

1h14’04” Lula diz: “Senhor Moro, é muito difícil para mim toda a hora que o senhor cita minha mulher sem ela estar aqui para se defender”. Moro diz que não está acusando dona Marisa, Lula diz que sabe, “mas o senhor me pergunta se eu vi, se não vi… sabe? Uma das causas que ela morreu foi as pressões que sofreu então não quero mais discutir isso”

1h15’02” Moro cita dona Marisa sobre pedido de restituição dos valores pagos até ali

1h17’50” Moro cita nota do Instituto Lula que fala do ressarcimento do montante pago. Nota é de 2014, quando dona Marisa estava viva.

1h 29’ 09” Moro cita dona Marisa. Lula repete o que está dizendo desde o primeiro depoimento em relação a dona Marisa.

3h01’ Lula cita Marisa dizendo que na época em que ela comprou a cota do apartamento o presidente da Bancop era João Vaccari Neto, em resposta à pergunta feita pelo representante do MP a respeito da relação entre Lula e Vaccari.

3h01’50” Representante do MP cita dona Marisa a respeito de nota divulgada pelo Instituto Lula sobre o apartamento no Guarujá, assunto que já havia sido tratado por Moro minutos antes. Lula responde usando o nome de dona Marisa, já que foi essa a pergunta.

3h03’05” Em nova resposta ao representante do MP Lula diz que quem cuidava das coisas do apartamento era dona Marisa, e que por isso não tinha conhecimento de como a cota foi paga, e explica o que tem explicado há algum tempo: que foi dona Marisa que comprou a cota.

3h08’55” Lula explica ao representante do MP, respondendo pergunta sobre visita ao apartamento do Guarujá, que dona Marisa autorizou a cota do apartamento a ser vendida.

3h12’04” O representante do MP cita a visita que dona Marisa fez ao apartamento com o filho Fabio e quer saber de quem foi a iniciativa para essa visita. Lula diz que deve ter sido de dona Marisa, mas que ela não comentou com ele. Lula explica outra vez que a cota era de dona Marisa.

3h22’27” Lula volta a dizer que quem comprou a cota foi dona Marisa, repetindo o que disse no primeiro depoimento, quando ela estava viva.

A partir daí, dona Marisa não é mais citada.

Não é possível adivinhar se foi expressamente combinado, mas é possível ter certeza de que foi sórdido.

A conclusão de Milly Lacombe, há dois anos atrás, sem saber – como todos nós – que as citações a D. Marisa seriam usadas para fazer Lula parecer um covarde.

Fica claro, portanto, que quem trouxe dona Marisa ao depoimento foram o juiz e o MP, que Lula usou o nome da ex-mulher em respostas, e que ele não disse nada diferente do que já havia dito no primeiro depoimento, quando dona Marisa ainda estava viva.

A narrativa de que Lula culpou a ex-mulher diante de Moro é cínica e covarde, e usar uma mentira para criar capa de revista e campanha publicitária é moralmente indecente.

Mas, mais do que isso, é apenas uma desesperada tentativa de alienar a opinião pública, sedenta por sentenças, e, com isso, tentar fazer com que ela não enxergue a completa falta de provas para condenar Lula pelo triplex do Guarujá.

O jogo é muito, mas muito sujo.

E se Carlos Bolsonaro for gay?

Por William De Lucca, jornalista e especialista em marketing digital. Atualmente, é ativista digital, lgbt e de direitos humanos

Bolsonaro gay

E se o vereador Carlos Bolsonaro for gay? E se ele, filho do assumidamente homofóbico presidente Jair Bolsonaro, for um dos milhares de casos de homens gays que vivem no armário, vestindo o manto da heterossexualidade para desfilar preconceitos? Isso é relevante para nós? Isso deve ser uma pauta para que gente gaste nosso tempo importante debatendo?

A gente resposta curta, se você for desses que tem pressa, é não.

Explico alguns dos motivos para que a gente não trate sobre este assunto.

O primeiro deles tem a ver com dizer que alguém é gay/lésbica/bissexual, ainda que a pessoa não se assuma como tal. Orientação sexual é auto afirmativa, ou seja, só é gay quem se diz gay, e há um motivo para isso.

Nossa sociedade criou caixinhas para o que é ser gay ou heterossexual, baseado em uma série de estereótipos e lugares comuns. Estes estereótipos, às vezes inofensivos, muitas vezes colocam, gays e heteros, numa posição de cumpri-los para que sejam aceitos. Não preciso explicar que isso seja fonte de ansiedade, frustrações e sofrimento.

Assim sendo, homens que não cumpram padrões esperados dentro desta sociedade heteronormativa, acabam sendo classificados como gays, ainda que não o sejam. E isso tem origem, é claro, na nossa homofobia institucional, que coloca os LGB em posição de inferioridade em relação aos heterossexuais.

Sair do armário é um passo importante para os LGBT e normalmente é um processo completo e por vezes, doloroso. E neste caso, pouco importa a orientação política do LGBT em questão: o outing é, ainda que se negue, um ato político, e este é pessoal e intransferível.

Segundo ponto que nos importa: qual a finalidade de fazer o outing por alguém se, em este ato é político e pessoal? Na maioria absoluta dos casos, tem a ver com usar a orientação sexual de outrem como arma de ataque, como demérito, como ofensa. É, essencialmente, homofobia.

Isso porque me parece não haver outra finalidade óbvia em denotar a orientação sexual de alguém que não quer ter sua orientação denotada.

Alguns podem argumentar que fazer parte de um grupo político e ideológico homofóbico o tornaria hipócrita. Dizem ainda que isso explicaria a homofobia de toda a família Bolsonaro. Ter um filho gay faria com que Jair odiasse gays, e por isso tirar Carlos do armário seria uma derrota para os fascistas que tomaram de assalto a presidência. Carlos, gay enrrustido, teria explicada aí sua homofobia, e ela explicaria ainda o ódio intolerante de seu grupo político.

Isso nos leva a um terceiro ponto: atribuir homossexualidade a pessoas homofóbicas, como explicação óbvia para a origem da intolerância a não-aceitação de sua condição é contraproducente em vários níveis.

A homofobia não é um problema interno dos homossexuais, não é uma guerra dentro da própria comunidade. Ela é gestada, incentivada e gerida pela sociedade heteronormativa, com a finalidade de garantir privilégios (inclusive financeiros) para um estrato social, ainda que sob o preço da opressão e ciência contra outro estrato.

É claro que muito da homofobia que o cidadão médio destila tem origem em inseguranças de ordem sexual, mas isso nem de perto quer dizer que este cidadão em questão seja gay.

Vocês lembram que eu disse que há padrões a serem cumpridos, que há estereótipos de como ser homem/heterossexual e que não cumpri-los coloca está construção de masculinidade em xeque? As inseguranças fazem com que homens heterossexuais que tenham medo de serem “confundidos” com homens gays, que seriam piores, e pra isso esticam a corda dos estereótipos ao máximo, inclusive tornando mais dura a homofobia que expressam.

Os pontos que levantei aqui não me deixam chegar a outra conclusão além da irrelevância para o debate e sua inerente essência homofóbica. Pra narrativa, é interessante desvelar a hipocrisia de que alguns dos homofóbicos notórios com uma saída do armário bombástica, mas pra vida prática de quem é arrancado da invisibilidade e, pior, para a população LGBT, os ganhos são poucos ou nulos.

Se Carlos Bolsonaro for gay, eu sinto muito que ele, como tantos LGBT tenham crescido em um lar onde não são aceitos, a ponto de ter de viver uma vida de mentira que é, certamente, cercada de sofrimento. Se ele for gay, espero que um dia se livre do jugo do conservadorismo que o impede de viver sua vida afetiva, que rompa com sua família homofóbica, que se arrependa sinceramente e se desculpe por ter reforçado a opressão sob tantos e tantos LGBT, que sentiram o peso da discriminação sobre seus ombros por conta da ideologia que Carlos e sua família representam.

Que ele possa ser feliz integralmente, uma sensação que é negada para tantos e tantos homens e mulheres não-heterossexuais ou não-cisgêneros no país que mais mata LGBT no mundo e que tem um projeto de extermínio da diversidade em vigor.

Até lá, ele será tratado como se apresenta: um homem heterossexual, homofóbico, mentiroso e desonesto, representante de um projeto fascista, de uso da máquina pública para benefício pessoal, financiado com o sangue de minorias e de grupos sociais oprimidos. E contra essa gente, não tem arrego.