Quem é mesmo que está acima de tudo?

Por Ronaldo Souza,

Nunca se viu na história desse país tamanha subserviência e entreguismo.

É simplesmente vergonhoso.

Já não chega ter que aturar tanta estupidez, mediocridade e canalhice, ainda temos que ver o país ser entregue como uma verdadeira república de bananas.

É muito difícil ver tudo que está acontecendo.

Um jeito de ser e não ser político

Frota

Por Ronaldo Souza

Burro ele não é.

Mas fazer os outros de idiotas ele sabe, ninguém pode negar. Alexandre Frota (PSL) foi eleito como um dos 20 deputados federais mais votados de São Paulo.

O deputado federal mais votado da história do país foi também por São Paulo, Eduardo Bolsonaro, um dos 4 vice-presidentes do Brasil (os outros três são seus dois irmãos e Mourão).

Consciência eleitoral inquestionável.

Você quer mais o que?

Assim como Alexandre Frota, Kim Kataguiri, Joice Hasselmann, Fernando Holiday…, foram eleitos como “não políticos”, portanto, vacinados contra a corrupção, satisfazendo o desejo dos modernos eleitores de abominar a política e os políticos votando em não políticos.

O “não político” é uma nova categoria de… não sei de que, sei que é alguém que entra na política, mas não é político.

Não é sensacional?

É o máximo que posso dizer porque é uma coisa tão “jenial” que nós, pobres mortais, ainda não conseguimos captar.

É de pensamentos assim brilhantes que nascem coisas mais brilhantes ainda, como escola sem partido.

“Jênios”.

Usam o horário político “gratuito” na TV e no rádio (aliás, matam e morrem por ele), mas não são políticos.

Usam os fundos de campanha para financiar a… campanha política, mas não são políticos.

Viajam pelas cidades, estados, pelo país, fazendo campanha para se elegerem, mas não são políticos.

Enfim, estão em busca de votos, mas não são políticos.

Deixemos de lado tudo que eles fazem na campanha e que não os tornam políticos.

Mas aí surge uma dúvida.

Quando são eleitos, eles continuam não sendo políticos?

Confesso que não entendo bem essas coisas e por isso peço a ajuda desses sensíveis eleitores.

Alexandre Frota não precisou fazer campanha.

Só saiu por aí criticando o nu pornográfico exibido nos teatros e museus.

Mas aí é compreensível, afinal, alguém que passou a vida defendendo, estimulando e praticando o nu artístico nos seus filmes não poderia compactuar com o nu pornográfico exibidos nesses ambientes pedantes chamados de salas de arte.

Frota

Não é mesmo um eleitorado diferenciado?

Joice Hasselmann foi a mulher mais votada para a Câmara dos Deputados da história do Brasil e também é do PSL de São Paulo.

Como os seus colegas citados e eleitos em 2018, notabiliza-se também pelo equilíbrio, serenidade e coerência.

Não é mesmo um eleitorado diferenciado?

Hoje, líder do governo Bolsonaro no Congresso, aproveita o momento de absoluta calmaria e se empenha numa enquete muito interessante e muito importante para o país:

BolsoJoice enquete

Não é mesmo um… ?

Como falar de política com essa gente?

Eleito, Alexandre Frota, um não político que se elegeu deputado federal, mas, provavelmente, continua não sendo político, observou tudo atentamente e quando percebeu que não há mais chances de reverter, abandonou o navio do governo, que bate em icebergs todos os dias (quando não há icebergs, eles criam) e está afundando.

Como dizemos nós baianos, Frota se picou.

Como muitos estão fazendo e outros mais irão fazer, está tirando o time.

Um recurso que os políticos usam muito e que, pelo visto, os políticos não políticos também estão adotando.

Pior, Frota ainda ridiculariza quem votou nele chamando-os de miquinhos amestrados.

Aí ele me assustou.

“No Governo não falta Pavão, o método tem sido assim: primeiro é esculachado pelo Olavo, depois que esse rato faz o serviço sujo, entram os miquinhos amestrados nas Redes. Bom aí entra o Rei e manda embora de um jeito absurdo. Foi assim Bebiano, Vélez, Cruz, Levy. Sem ideologia”.

Miquinhos amestrados!!!

Será que ele também tem lido meus textos?

Moro jaz sob um mar de lama que nenhum Lava Jato poderá limpar

Sérgio Moro ou a caricatura de um juiz

Moro na lama

Moro jaz sob um mar de lama que nenhum Lava Jato poderá limpar

Por Miguel Sousa Tavares, jornalista e escritor português, no blog A Estátua de Sal 

Não é lícito afirmar que a revelação de que Sérgio Moro andou a combinar com a acusação a melhor forma de condenar o ex-Presidente Lula da Silva serve, por si só, para arrasar toda a acusação e pôr em causa a condenação. É preciso não esquecer que esta foi confirmada em recursos por dois tribunais superiores, embora com o ambiente político devidamente montado para tal e com alguns pormenores que dão que pensar (um juiz pronunciou-se a favor da culpabilidade de Lula antes de ter lido o processo, a assistente de outro celebrou previamente nas redes sociais o desfecho do recurso que ainda não fora julgado). Mas também não é possível sustentar que nada de essencial muda depois de conhecidas as indecentes conversas mantidas entre Moro e dois procuradores, as suas tentativas para impedir, com sucesso, que Lula desse uma entrevista que poderia, segundo eles, pôr em causa a vitória eleitoral de Bolsonaro ou os indícios de que Moro terá manobrado de forma a que o processo Lava Jato fosse parar a Curitiba e às suas mãos. Haja ou não matéria legal para exigir uma revisão de todo o processo de Lula — sobretudo, após conhecido o mais que o “Interceptor Brasil” irá revelar — uma coisa tornou-se evidente e não pode ser negada de boa-fé: Sérgio Moro tinha uma motivação política pessoal contra Lula da Silva. Estava pessoalmente empenhado em que Lula fosse afastado das presidenciais, para as quais partia como favorito, e que Bolsonaro fosse eleito Presidente.

O mínimo de decoro teria recomendado que o juiz se remetesse ao seu trabalho em Curitiba, coberto de glória para metade dos brasileiros, após ter conseguido enfiar na prisão por 13 anos o homem que foi o mais popular Presidente do Brasil. Mas a agenda política de Moro não se esgotava aí e ele nem hesitou em dar o passo fatal, com o qual arrancou a máscara: aceitar ser ministro da Justiça no Governo do Presidente que ajudara a eleger a partir da sua posição como juiz. Nem mesmo na equipa de Trump se desceu tão baixo, em termos de confusão entre a Justiça e a política.

Mas só se admirou quem quis: Sérgio Moro já tinha mostrado a sua verdadeira face quando, igualmente por motivação política, resolver “vazar” uma escuta telefónica ilegal entre a Presidente Dilma Rousseff e Lula. Quando um banal juiz de 1ª instância não só ordena ilegalmente uma escuta ao próprio Presidente da República, como depois ainda se permite divulgá-la na imprensa, é óbvio que estamos perante um homem perigoso demais para exercer a magistratura. Moro mostrou que se achava acima da lei, pior ainda: que podia usar os poderes que a lei lhe dava como muito bem entendesse, inclusive para o combate político, em que não devia participar, por estatuto. E muito embora depois se tenha declarado arrependido do seu acto, só realmente uma grande envolvência política de suporte ao “herói” Sérgio Moro justifica que a magistratura brasileira não lhe tivesse imediatamente indicado a porta da rua.

Sérgio Moro, que é vedeta convidada e reconvidada em Portugal, tem escrito na cara aquilo que é: um justiceiro e não um juiz. E pior do que um mau juiz é um juiz-justiceiro, aquele que acredita na sua superioridade moral sobre o comum dos homens e que julga que o direito está ao serviço da sua moral, nem que para isso tenha que fazer tábua-rasa dos direitos alheios. É eloquente que até um dos procuradores escutados a conspirar com ele, Delton Dellagnol, tenha manifestado dúvidas sobre o êxito de uma acusação que não assentava em nenhuma prova directa, mas só nessa figura tropical do “delator premiado”. Moro condenou um homem de setenta anos a 13 de cadeia, condenou um ex-Presidente da República pelo pior dos crimes que lhe poderiam ser imputados — o de corrupção — sem ter contra ele uma só prova directa da acusação feita: uma escuta, uma escritura, um contrato, um papel, um testemunho independente que confirmassem que Lula era, de facto, o dono ou, pelo menos, o usufrutuário do célebre triplex na praia que parece ter recebido como corrupção. Eu, pessoalmente, gostaria muito de perguntar ao ex-juiz Sérgio Moro como é que ele sabe, quando está perante um delator premiado, que este está a dizer a verdade ou apenas a verdade que interessa à acusação e ao próprio delator, que assim será “premiado”. Porque a tal delação premiada — que muitos dos nossos magistrados do Ministério Público bem gostariam de ver introduzida no nosso Código de Processo Penal — não é outra coisa que não um testemunho comprado. E se é crime a defesa comprar testemunhas, por que razão poderá a acusação fazê-lo ao abrigo da lei?

Ciao, Sérgio Moro. Começou como juiz impoluto, idolatrado por muitos; desacreditou-se como juiz independente e imparcial quando saltou para a política nos braços do homem que ajudara a eleger contra aquele que mandara prender; e agora jaz soterrado sob um mar de lama que nenhum Lava Jato poderá limpar. Mesmo na prisão, culpado ou inocente, Lula da Silva é muito mais livre do que ele.

Moro, o bocó, e Bolsonaro, o malandro, uma história….

Moro é um bocó que foi levado a uma posição de justiceiro por uma casta econômica que
queria derrotar Lula. Um tipo que escreve testo, assim mesmo, com S, nos
agradecimentos da revisão de sua tese de pós-graduação

BolsoMoro mocós

Por Renato Rovai, no Blog do Rovai, Revista Forum

Bolsonaro é uma besta quadrada. Daquele tipo que não consegue tomar sorvetes de duas bolas sem ter que trocar de roupa depois. Um verdadeiro imbecil.

Mas ao mesmo tempo é um malandro clássico. Conhece os atalhos. Sabe como lidar com os chefes de milícia, que já homenageou. E as Forças Armadas. E policiais.

Moro, não. Moro é um bocó que foi levado a uma posição de justiceiro por uma casta econômica que queria derrotar Lula. Um tipo que escreve testo, assim mesmo, com S, nos agradecimentos da revisão de sua tese de pós-graduação. E que não sabe conjugar verbos básicos. Mas que de repente se tornou um herói, um gênio.

O malandro e o bocó perceberam que podiam tomar o poder central do país e se tornaram sócios.

O malandro virou presidente e o bocó aceitou ser ministro da Justiça pra ganhar uma cadeira no Supremo depois. Ou quem sabe se tornar sucessor do malandro.

Deu ruim para o bocó, que foi descoberto fazendo malandragens.

Ao que tudo indica, o malandro que não confia 100% no bocó, como já registrado, vai lhe dar um pé na bunda.

Mas não sem antes garantir que os bocozentos, que vão fazer manifestações em defesa do seu ídolo, não fiquem bravos.

É só uma questão de tempo, bocó.

A pobreza do ser

Bolso fudendo o Brasil

Por Ronaldo Souza

O general Heleno é mais um “jênio” da raça humana a serviço do governo Bolsonaro.

Diante do impasse sobre a posse de armas que o seu governo tenta impor ao povo brasileiro, em entrevista tentou amenizar a situação com uma brilhante analogia, ao comparar as mortes pelas armas com as mortes provocadas pelo trânsito.

“Jênio”.

O nosso “jênio” ganhou um pouco mais de notoriedade nesta semana ao atacar Lula violentamente e dizer que ele merecia prisão perpétua.

Deixemos de lado o fato de um general desconhecer que no Brasil não existe prisão perpétua.

A proibição da prisão perpétua é cláusula pétrea da Constituição Brasileira e representa um direito e garantia fundamental do brasileiro.

Mas, convenhamos, seria demais querer que o pobre general alcance determinados temas.

Deixemos também de lado o fato de que uma reunião ministerial deveria exigir o mínimo de compostura, elegância e serenidade no trato dos temas que dizem respeito à nação.

Certamente, também seria demais querer que o pobre general entendesse questões como essa.

É um homem violento e que da sua vida militar parece não ter tirado melhor proveito.

Na sua carreira, há um episódio recente que mancha a biografia de qualquer homem, militar ou não.

O General Augusto Heleno foi o comandante da Missão das Nações Unidas no Haiti.

Comandando soldados brasileiros e de outras nações, o general esteve à frente de um episódio que vários grupos de direitos humanos hoje classificam como massacre.

Sob a sua liderança, houve uma operação de invasão na favela Cité Soleil, em Porto Príncipe, capital daquele pobre país.

A Agência Reuters fez uma investigação onde foram entrevistados diplomatas, trabalhadores de ONGs, autoridades haitianas, moradores e teve acesso a telegramas diplomáticos dos EUA e relatórios da ONU.

A matéria diz que “naquele dia 6 de julho de 2005 foram disparados nada menos que 22 mil tiros. Por aí se tem uma dimensão do episódio. Um relatório da diplomacia fala em 70 mortes, mas o número pode passar da centena. Dezenas de inocentes morreram ao ficarem no fogo cruzado. Muitas vítimas eram mulheres e crianças.”

Aos 71 anos, o general parece ser um daqueles homens que gostam de mostrar virilidade e vigor físico.

Alguns diriam; coisas de homem.

Algo que outros podem preferir chamar de coisas de macho.

Homem e macho.

Torço para que alguns que me leem alcancem as diferenças entre um e outro.

O desconhecimento disso pode levar a admirações equivocadas.

Por exemplo, é bem possível que em função dessa fala do general tenham sido feitos, ou ainda serão, comentários tipo; “até que enfim alguém disse o que o presidiário merecia ouvir”; “finalmente alguém pra dizer o que muitos queriam dizer”…, ou coisas semelhantes.

Fico imaginando o quanto demonstrações de virilidade devem ser realmente estimulantes para alguns “homens”.

Quanto ao general, deve estar feliz da vida.

Aos 71 anos merecer o elogio acima, feito por ninguém menos que um mito, um homem que dispensa comentários, deve ser a glória.

Moro de tolo

MoroVeja

Por Ronaldo Souza

Nunca descemos tão baixo, nunca fomos tão repulsivos.

Foi assim que o sociólogo Celso Rocha de Barros definiu a eleição de Bolsonaro no seu artigo No fundo do poço há o porão, na Folha, no dia 29 de outubro de 2018, portanto, há oito meses.

Sabendo-se do perfil de absurda ignorância, desequilíbrio mental e violência de Bolsonaro, ninguém podia ter dúvidas quanto ao seu completo despreparo para assumir qualquer coisa, fato já reconhecido por ele próprio.

E, no entanto, deram a ele a presidência do país.

Sendo assim e diante de tudo que temos ouvido, lido e visto nesses últimos anos, a essa altura já deveríamos estar acostumados com tudo e vacinados contra a burrice, a estupidez, a hipocrisia, o cinismo e até mesmo a canalhice.

Mas, não.

Eles não param de surpreender.

Por si só, a nomeação do ex-juiz Sergio Conje Moro como ministro da justiça do atual governo se tornou um escândalo internacional.

A nossa imprensa, como sempre, passou longe de qualquer comentário com o mínimo de dignidade e que trouxesse algo verdadeiro para a sociedade sobre a gravidade desse fato.

Mais uma vez, ela simplesmente escondeu a canalhice que envolvia a nomeação.

Mas a imprensa internacional, não.

Não só mostrou como deu ênfase à aberração que era nomear como ministro da justiça o juiz que prendeu o candidato que ganharia a eleição já no primeiro turno.

Ao prender o ex-presidente Lula, o Conje deixou o caminho livre para aquele que ocupava a segunda posição na disputa pela presidência.

Eleito o segundo pela prisão do primeiro, o homem que o prendeu ganhou o cargo de ministro da justiça no governo do eleito.

Nada poderia ser mais claro e indigno do que isso.

Mas “eles” acharam natural.

Nada também poderia ser mais natural do que eles acharem natural.

Durante todos esses últimos anos já tinham dado sinais evidentes de que para eles tudo seria normal e aceitável desde quando fosse contra aquele homem, agora feito prisioneiro.

Deixemos de lado as eleições presidenciais que foram disputadas por Serra e Alckmin, que dispensam comentários sobre o quanto estão envolvidos em corrupção.

Voltemos somente ao recentíssimo passado da disputa de Aécio com Dilma.

Qualquer analfabeto político saberia, ou pelo menos deveria suspeitar, quem era Aécio e qual o nível de seu envolvimento em corrupção.

Eles, não.

Também era natural que nenhum dos citados tivesse sido ou estivesse preso.

Faltavam provas?

Absolutamente.

Sem que ninguém o investigasse, surgiam provas contra Aécio todos os dias, mas que sequer eram consideradas.

Ele tinha a proteção dos deuses da impunidade.

Particularmente de um deles.

MoroVazaJato

Soberano, onipotente, onipresente, intocável, ele pairava sobre o bem e o mal.

Na “Aécio Land”, rostinhos colados, olhares, sorrisos e risos, dançavam um bolero insano e cruel, embalados pela liberdade dos que a têm nas mãos e possuem o poder de oferecerem aos que podem desfruta-la.

Mas não vem ao caso.

Hoje, na sarjeta, vivendo nas trevas da história da política brasileira, Aécio vive a solidão dos renegados por quem o criou e apoiou.

E o que fazem “eles”?

Cara de paisagem, a dizer “não tive e não tenho nada a ver com isso”.

Como se todos fossem igualmente idiotas.

Ah, quantas coisas aconteceram!

Não vamos relembra-las, mas algumas considerações devem ser feitas.

Nesse espaço de tempo morreu o ministro do STF, Teori Zavascki, não sem antes repreender o Conje no episódio da gravação da conversa entre Dilma, presidenta do Brasil, e Lula, ex-presidente do país.

Faço questão de relembrar a analogia que se fez à época.

Foi comum ouvir-se dizer que uma gravação desse tipo entre Barack Obama e Bill Clinton poria o juiz na cadeia no outro dia.

O que fez o Conje?

Limitou-se a um tímido pedido de desculpas, que logo após a morte do ministro Zavascki foi desfeito.

À vontade após a morte do ministro, o Conje jogou carne para a matilha:

Não me arrependo de forma nenhuma, embora tenha ficado consternado com a celeuma que a divulgação causou”.

Como se vê, um homem valente.

Uma atitude proibida pela Constituição Brasileira, um crime contra a segurança nacional teve o apoio da imprensa brasileira, do judiciário e foi plenamente aceito pelos seus seguidores.

Natural.

Soberano, onipotente, onipresente, intocável, ele pairava sobre o bem e o mal.

O juiz sabia que podia tudo. E muito mais.

The Intercept

Podia tudo e muito mais graças ao apoio irrestrito da imprensa.

Veja, Estadão, Folha, IstoÉ, Exame, Época… todos os canais de televisão.

A sintonia com a imprensa era absoluta.

À frente de todo o processo, o Sistema Globo de Comunicação.

A missão que lhe fora atribuída veio acompanhada de todos os poderes.

O Conje foi transformado em herói.

E eis que num domingo de outono o ferreiro conhece o ferro.

Diante do primeiro momento, pegos de surpresa, Moro e Dallagnol confirmaram a veracidade das notícias vazadas dos diálogos entre Moro e os procuradores da Lava Jato, agora conhecida como Vaza Jato.

Entenda, então, que a veracidade das notícias vazadas foi confirmada pelos dois, Moro e Dallagnol, e esta confirmação foi noticiada pela imprensa, inclusive a Globo, também pegada de surpresa.

Batman e Robin estavam em dificuldades.

Com eles, os produtores desse filme canalha e covarde; a Globo

Agora, oficial e definitivamente abraçados, morrerão afogados juntos e shallow now.

As tentativas de desviar o foco são patéticas, à altura de Moro e Dallagnol, medíocres que são.

Veja o que diz o jornalista Kennedy Alencar.

Vaza Jato

A Globo entrar nessa não deixa de surpreender, mas explica-se.

Bateu o desespero.

Alguém aí é capaz de imaginar por que só a Globo insiste em tentar protege-lo?

Agora tudo é culpa da invasão de hackers.

Rolou um vídeo em que um desesperado Dallagnol diz que a lava jato foi criminosamente invadida por hackers.

Que tipo de débil mental pode compartilhar aquele vídeo?

O pastor, que tem linha direta com Deus e por Ele foi incumbido da missão divina de combater a corrupção na Terra, sabe que dizer aquela estupidez completamente desconectada da realidade alcança essas pessoas, pelas quais o sentimento não é de repulsa, mas sim de pena.

Como conseguem não pensar o mínimo razoável?

A Polícia Federal solicitou os telefones celulares dos hackeados para fazer a perícia e assim chegar mais facilmente aos criminosos que invadiram a privacidade dos intocáveis.

Os Bolsoidiotas e Moroidiotas já se perguntaram qual a razão de Moro, Dallagnol e todos os procuradores se negarem a dar os telefones à PF?

E olha que a PF é órgão subordinado ao ministro da justiça, aquele ex-juiz que prendeu o candidato que ganharia a eleição no primeiro turno e depois…

O que talvez esses “jênios” não saibam é que se fala à boca pequena que existe uma parte da PF que não foi contaminada pela república de Curitiba.

É possível que tenha sido essa PF que pediu para fazer a perícia e não a outra.

Será que uma perícia nos celulares dos hackeados mostraria que os hackeados não foram hackeados?

O sorriso imbecilizado não consegue captar a gravidade da situação, mas o sorriso amarelo sim. É reflexo da submissão de quem percebe o quanto estão perdidos e do quanto ele particularmente precisa da proteção de alguém cujo equilíbrio psicológico sabe não existir.

BolsoMoro farsantes

O desespero é grande, mas para quem foi eleito através de uma grande farsa, enganar, mentir, trair, é uma arte.

Bolsofarsa

Uma arte que os cartolas conhecem muito bem, mas o torcedor não.

Ele é amor e paixão e não vai aceitar que alguém, seja quem for, use o seu time de forma tão cínica.

Veja o que escrevi sobre o Conje no artigo Um juiz desmoralizado e perdido, em março de 2018, quando ele ainda estava no auge da popularidade:

Já digo há algum tempo que o juiz Sérgio Moro é um homem limitado.

Disse também lá no começo, quando o circo começou a ser armado, que ele sairia menor na sua empreitada e que, como o ex-ministro Joaquim Barbosa, seria mais um bagaço de fruta chupada a ser jogado pela janela.

Está sendo.

Pouco importa que Moro continue sendo protegido pela Globo.

Pouco importa que o mico e o Conje continuem sendo endeusados (cada vez mais por menos gente), pelos miquinhos amestrados, até pela insignificância deles.

Estão todos perdidos.

Estão todos desmoralizados.

“O fato de que o governo Bolsonaro agora já está sendo visto, a nível global, como falido, em crise, incapaz de governar, incapaz de passar o que eles tinham prometido, liderado por um alguém que tem um QI sub zoológico e impopular, e inclusive criticado dentro de setores do próprio Deep State americano, o Moro era um ativo desses caras. Os Estados Unidos tentam o tempo todo remexer as regras do tabuleiro. Moro já cumpriu o papel, o papel dele é o que ele fez até colocar o Lula na cadeia, depois disso pode jogar fora, não tem mais importância”

“Ele pode ter com certeza, e isso na hora que acontecer vocês todos vão ver, o famoso paraquedas dourado. Ele pode dar palestra em universidades americanas, publica um livro nos Estados Unidos e ganha um monte de dinheiro de direitos autorais, então esse paraquedas já está acertado. Não era exatamente o que o Moro queria, o Moro queria ser presidente, não vai rolar, não vai rolar porque ele era uma pecinha em um esquema muito maior”.
Pepe Escobar, jornalista especialista em geopolítica

Absurdamente obtuso, incapaz, desequilibrado e agora desesperado, o mito derreteu

Por Ronaldo Souza

Jânio Quadros

1961

“Fi-lo porque quilo”.

Atribuíram essa frase a Jânio Quadros, o homem da imagem aí em cima.

Não há nenhuma possibilidade de que ele a tenha dito. Era inteligente, professor e reconhecido como um homem que falava bem o português.

Com certeza ele saberia a frase correta; “fi-lo porque o quis”.

Advogado pela USP, foi considerado excelente docente como professor de Geografia no tradicional Colégio Dante Alighieri e no Colégio Vera Cruz e depois de Direito Processual Penal na Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie,  em São Paulo.

Foi Presidente do Brasil entre 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961, dia de sua renúncia.

Para justificar a renúncia, alegou que “forças ocultas” não permitiam que ele governasse como pretendia e tinha prometido ao povo brasileiro.

É consenso que na verdade tentou dar um golpe para fechar o Congresso, ou, no mínimo, deixa-lo bastante enfraquecido. Renunciando, voltaria ao governo nos braços do povo.

Não deu certo.

Com imagem condizente com a de um homem religioso e temente a Deus, pregava a moral e os bons costumes de homens e mulheres de bem. Num país como o Brasil, isso representa uma arma muito importante na caminhada pela presidência.

Medidas no seu governo foram de proibição ao uso de biquínis à brigas de galo.

Jânio Quadros usou a imagem de combate à corrupção durante toda a sua carreira política.

A vassoura (varrendo a corrupção) era seu símbolo, porém enfrentou acusações de corrupção ao final de sua vida.

Jênio Quatros ou Quatro Jênios

2019

Há poucos dias o atual presidente da república divulgou um texto que dizia que ele não ia conseguir consertar o país porque não iam deixar. Tratava-o como honesto e impossibilitado de cumprir o seu desejo de levar o país ao mesmo patamar das grandes potências.

Um texto tão primário não podia surpreender. Deixou patente, porém, o desespero do chefe do “Conje”; mais claro, impossível.

Apelação barata e chantagem explícita em níveis medonhos.

O meu espanto foi ver a surpresa que alguns tiveram.

Como ficar surpreso com a reação dos eleitores de Bozo?

Se foram capazes de eleger uma anomalia, por que ficaria surpreso com a incapacidade de perceber qualquer coisa, inclusive que ele é uma anomalia?

Não ter percebido o desespero do macaco velho bom de briga, segundo grande pensador das redes sociais, é apenas um detalhe e se não conseguiram sequer perceber isso, como imaginar que perceberiam a grande farsa que mais uma vez ele protagonizou?

Em primeiro lugar, o que ele disse?

Que o texto era de autor desconhecido.

Quando lhe perguntaram sobre o texto, respondeu; “O texto? Pergunta para o autor. Eu apenas passei para meia dúzia de pessoas”.

Poderia ser uma ironia tipo; “se eu disse que é autor desconhecido, como é que vou saber quem é?”.

Todos sabem, porém, que ele não tem condições de fazer ironias.

Grosserias, sim, ironias, não.

“Como eu tava solteiro, esse dinheiro do auxílio moradia eu usava pra comer gente”.

Não deve ser difícil entender que para um homem que é capaz de dar esse tipo de resposta, respostas irônicas sutis exigiriam muito dele.

Um detalhe.

Essa resposta do bom de briga foi dada a uma mulher, uma repórter.

E nesses momentos irrompe o valente, o capitão, com o revolver na cintura para deleite dos miquinhos amestrados.

A questão é outra bem mais simples; o texto não é de autor desconhecido.

O “autor desconhecido” é Paulo Portinho, (46 anos), candidato a vereador pelo partido “Novo” (RJ), partido que apoiou e apoia o mico.

O “autor desconhecido” não é desconhecido.

Portanto, uma farsa.

Mais uma.

Fala de “forças ocultas”, de um “Brasil ingovernável”. Além disso, o mico vomitou; “o sistema vai me matar”.

A chantagem é explícita.

Um “Brasil ingovernável” não lhe soa conhecido?

Isso, ele mesmo:

Jânio Quadros.

“O mais ruim”

Desde já fica descartada qualquer outra possibilidade de comparação.

A única seria a frase lá em cima, com a certeza de que Jânio Quadros não a disse e o mico seria capaz de construí-la daquela maneira.

Duvida?

E por falar em consenso, há pelo menos mais dois.

Não há e não haverá na história do Brasil nenhum outro presidente “mais ruim” do que o mico.

E também está se tornando consensual que o seu reconhecido desequilíbrio mental tem se agravado de maneira preocupante nos últimos tempos.

“APOSTO NO PRESIDENTE!!!”

Destacando a bravura do macaco velho bom de briga, um pensador das redes sociais disse que apostava no presidente na “briga” com Rodrigo Maia.

Rodrigo Maia tem feito do mico um joguete; faz dele o que quer.

Ao assumir a presidência, o valente capitão desafiou os quatro cantos do mundo.

Voltei à minha infância.

Eu tinha um tio que era soldado da Polícia Militar.

Eu o via com aquela farda e dava asas à minha imaginação.

Meu sonho!!!

Ser soldado quando crescesse.

Assim são as crianças.

Brincávamos de quem queria ser o que quando crescesse.

Não faltava quem quisesse ser presidente do Brasil.

“Já pensou, eu mandando no Brasil, o homem mais poderoso do Brasil?”

Assim os adolescentes brasileiros de 18 a 65 anos de idade viram o capitão; o homem mais poderoso do Brasil.

E o dono do Brasil decretou; vou começar destruindo um dos meus grandes inimigos:

A Globo.

Os orgasmos se misturaram ao espocar dos champanhes.

Ali estava, finalmente, o homem que ia por ordem na casa. O homem que ia enfrentar os poderosos e corruptos.

O Robin Hood da floresta brasileira.

Tolos, não conseguem perceber, e nunca conseguirão, que estiveram durante todos esses últimos anos umbilicalmente ligados à Globo, fazendo o que ela mandava.

Ou já esqueceram, por exemplo, do dia do luto, aquela coisa patética do dia em que vestiram roupa preta contra Dilma por orientação da Globo?

A anomalia determinou a extinção da família Marinho, até então a protetora do Brasil deles.

O Brasil de Aécio.

A anomalia mostrava a sua força e vencia a Globo.

Inacreditável!

Mais uma vez a absurda ignorância fez com que comemorassem a força do Robin Hood.

Não perceberam que ali estava o primeiro grande erro do senhor da floresta.

Na sua extrema incapacidade de ver qualquer coisa que não seja alguém frágil para agredir (as mulheres que o digam), o mico não percebeu que não se briga com a Globo impunemente.

Expulsa do paraíso, a Globo foi pra cima dele.

De onde será que ele pensa que saem as investigações e quebras de sigilo da famiglia, particularmente do 01?

Do ministério público federal do Rio de Janeiro.

Quem ganha a Globo nesse terreno?

A Globo foi pra cima do mico.

E o bravo, incompreendido, solitário e incansável lutador entrou num processo de autocomiseração e autoflagelação digno de pena.

E derreteu.

O macaco velho bom de briga não suportou.

Pipocou, abriu as pernas e convidou a Globo para uma conversa, através de Paulo Tonet, um de seus diretores.

BolsoGlobo

A Globo foi, viu e… não topou.

Recusou o desejado acordo.

Reforçaram-se as “forças ocultas” de Jânio Quadros.

Perceba-se, entretanto, que foi a mídia brasileira, capitaneada pela Globo, quem gestou o ovo da serpente.

E no início a Globo não se afastou do capitão, pelo contrário, tentou ficar com ele.

Foi o capitão que a expulsou do paraíso, para deixar ali só os evangélicos de Edir Macedo, Malafaia e outros.

Eles não entendem que a vênus platinada não está contra esse governo, muito pelo contrário, apoia-o quase que integralmente.

Ela se voltou somente contra o capitão (afinal, ele a expulsou do paraíso), mas continua protegendo Sérgio “Conje” (o ex-juiz agora ministro da justiça), Paulo Guedes, Lorenzoni…

É possível, porém, que mais cedo do que o previsto, parta também pra cima deles.

Lorenzoni não conta, um pobre diabo nesta terra em que mandam tantos pastores, astrólogos, estudiosos de pés de goiaba divinos e tantos outros desequilibrados.

Se não entregar o prometido, particularmente a reforma da previdência, Paulo Guedes dança.

Sergio “Conje”, ainda sob o controle da Globo (na sua inteligência, ele diria “sobre” o controle), também começa a correr riscos.

O Conje já não tem mais a certeza de que o mico vai garantir a sua vaga no STF (percebeu como ele tá comendo na mão do macaco velho bom de briga?).

Com a jogada da possível indicação de Marcelo Bretas para o STF porque ele é evangélico, o Conje está morrendo de medo de perder essa vaga, promessa feita pelo “mais ruim” na campanha para a presidência.

Moro cumpriu a sua parte ao prender Lula, afasta-lo das eleições presidenciais e assim garantir a vitória do mito que derreteu, mas teme que, agora que foi eleito, Bolsomico o traia e indique Bretas para o STF. Quem sabe o que sai daquela cabecinha?

O Conje virou um boneco nas mãos do mico.

“Agora, estão fazendo esculacho em cima do meu filho. Querem me atingir? Venham para cima de mim! Querem quebrar meu sigilo, eu sei que tem que ter um fato, mas eu abro o meu sigilo. Não vão me pegar”.

E há poucos dias, queixando-se da perseguição aos seus três filhos vice-presidentes, o mico soltou essa pérola!

Como têm feito os covardes ao longo da história, agora deu pra ficar se vitimizando dizendo que o estão perseguindo.

E deu pra “chorar pra caramba”.

Alguém lembra do que fizeram com toda a família de Lula, incluindo aí, claro, os seus filhos?

Acho que não.

Acho que ninguém lembra mais.

O próprio capitão não deve estar lembrado do que ELE fez e faz com aquela família.

A perseguição, a humilhação, as ofensas, as agressões…

E os netos!!!

Até dos netos o ex-juiz de direito Sérgio “Conje” mandou tomar os tablets e não devolveu.

Dos netos!!!

E a mulher, companheira, mãe, avó, que não suportou e num AVC foi embora!

Tudo bem que se trata de uma raça inferior, uma sub-raça e por isso não merece nenhum respeito e consideração. Certamente, bem merecido.

Mas, para comover os corações de bravos homens e mulheres que covardemente agrediram Dilma com todas as ofensas possíveis e imagináveis, o macho chora.

O macho que viveu nos corredores do Congresso ofendendo e agredindo mulheres.

Senhores machos desse país covarde, DILMA, UMA MULHER, foi ofendida, agredida, xingada de tudo quanto é jeito, foi humilhada, mas NÃO CHOROU!!!

Não ficou dando entrevista para chorar e depois ficar dizendo e mostrando que tem chorado pra caramba!

Dilma enfrentou tudo com altivez e dignidade, coisas que vocês desconhecem.

Fazer-se de vítima não é coisa de homem.

Ficou evidente o desespero do mico, ao ponto de tentar negociar um acordo com a Globo.

O toma-lá-dá-cá do Congresso, que os seus eleitores num exercício supremo de estupidez imaginaram que você acabaria, está a todo vapor.

Notícias recentes da imprensa chegam a dizer que está em 10 milhões o custo de cada parlamentar para aprovar a reforma da previdência.

“Venham pra cima de mim! Não vão me pegar”?

Como nas cabeças retrógradas dos machos um homem não chora, de que servem esses rompantes do mico?

Acho que vão pegar sim, Jair.

Na verdade, já pegaram.

O que vai acontecer é que ainda não sabemos, porque você tem a proteção de muitos poderosos, aqueles mesmos que os tolos acharam que você enfrentaria.

Mas que já lhe pegaram, isso já.

Carta a um jovem brasileiro

O jovem de Goeldi,

Cerqueira Leite: do que não se pode falar e do que não cansaremos de dizer

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Poeta 5

Não sei se é a este texto do poeta Rainier Maria Rilke a que se refere, em seu artigo de hoje na Folha, o professor Rogério Cezar de Cerqueira Leite, aos 87 anos um das glórias da ciência nacional, um engenheiro e físico que é “pai” de algumas das mais importantes linhas de pesquisa de física atômica do Brasil e de algumas delas, no mundo.

Se não é, expressam a amargura e a esperança com que a geração dele – e a minha, que já vai pelo outono – gostaríamos de dizer aos jovens do que aprendemos e que já não nos permitem ensinar.

Mas teimamos, como faz o velho professor, em sua comovente

Carta a um jovem brasileiro

Por Rogério Cezar de Cerqueira Leite, físico e professor

Eu gostaria de escrever-lhe uma carta sobre poesia, embora sem o talento do alemão Rainer Maria Rilke, sobre a importância da literatura, das artes, do conhecimento; enfim, sobre tudo o que enriquece a humanidade. Mas eis que nossos líderes agridem tudo que alicerça a cultura de um povo, tal seja a filosofia, a sociologia, a história.

Eu queria escrever-lhe sobre a dádiva da natureza ao brasileiro, sobre as nossas matas, os nossos rios, a nossa fauna e a nossa rica e bela biodiversidade. Pois bem, nossos dirigentes não apenas corrompem as providências para amenizar as inexoráveis e trágicas consequências do aquecimento global como também incentivam o desmatamento e a poluição da atmosfera.

Eu queria falar-lhe, jovem brasileiro, da dignidade do trabalho e da necessidade de conhecimento para enfrentar a dinâmica implacável do progresso tecnológico. Entretanto, esse novo governo asfixia nossas universidades com cortes de verbas e obtusa perseguição.

Eu queria falar-lhe de ciência e tecnologia, da consequente industrialização do nosso país e dos benefícios sociais e econômicos que adviriam de investimentos em pesquisas. Mas esses nossos governantes continuam a desindustrialização começada nos governos Collor e FHC, cortando recursos para ciência, tecnologia e formação pós-graduada, sem o que não haverá industrialização possível já em futuro próximo.

Eu queria escrever-lhe sobre o valor da cidadania, da liberdade, sobre a decência do homem de bem. Porém, “esses arremedos de déspotas” que presidem sobre esta nação liberam a posse de armas, cooptam e protegem milicianos, homenageiam extorsionários e torturadores, estimulam a violência.

Eu gostaria de poder falar-lhe sobre nosso país, sobre nossa história, nossa arte, nossos escritores, nossa música, nossas conquistas. Mas não posso. Nosso país se curva aos interesses imperialistas dos EUA.

Eu queria falar-lhe do ideal de justiça, da solidariedade. Contudo, só vejo ostentação, narcisismo. Juízes vivendo em palácios “nababescos”, servidos a lagostas, pagas com o suor do trabalhador brasileiro. O que um juiz do Supremo come de lagosta e bebe de vinho importado, diariamente em uma única refeição, equivale ao que come por mês uma família que vive com salário mínimo. E, ao contrário de suas excelências, o cidadão brasileiro paga por suas refeições. Eu pensava em conversarmos sobre seu futuro, seus sonhos. E olho para nossos congressistas, supostos guardiões da cidadania e de seu porvir. E só ostentam escandalosa cupidez.

Confesso que eu queria inculcar-lhe, jovem brasileiro, uma certa compulsão por justiça social, um certo interesse pelo próximo e pelo distante, um pouco de civilidade enfim. Mas seria um esforço perdido, tendo em vista a dominação intelectual e ideológica desse governo por um farsante, obsceno e fascista, uma espécie de Rasputin de bordel.

Eu gostaria de encontrar alguma palavra de alento para apaziguá-lo. Eu não queria ser cínico ou parecer desalentado, derrotado. Seria talvez bom se eu pudesse fingir, mentir um pouco. Mas não. Só posso pedir-lhe que me perdoe, e a todos aqueles das gerações que precederam a sua, pelo que lhe subtraíram e talvez também pelo que lhe ensinaram.

A rua, amanhã (hoje), é minha história e minha família

Escolar

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Meu pai, filho de migrantes de Alagoas, era um bancário que só virou professor porque havia uma universidade pública.

Minha mãe, filha de pintor de paredes e de uma costureira, austeros e queridos, também só pôde começar uma faculdade – e depois, já na maturidade, concluí-la – porque era pública, pois ser professora primária e criar dois filhos jamais a permitiriam pagar por isso.

Eu e meu irmão, universidades públicas. Minha filha mais velha, pós-doutora por uma universidade pública. Minha sobrinha mais velha, igual, formada numa universidade pública.

Não ir à rua amanhã seria trair a mim e trair a todos eles.

Pior, a todos os homens e mulheres, de ontem, de hoje e de amanhã que, como nós, tem, teve e terá na universidade pública a oportunidade, que infelizmente ainda é um privilégio, de aprendermos tudo: a sentir, a pensar e a trabalhar.

Mesmo os que podiam pagar, mesmo os que hoje são economicamente bem sucedidos economicamente –  colegas ontem, amigos hoje e sempre, que são executivos ou ex-executivos de grandes empresas – sabem e reconhecem que se tornaram pessoas melhores naquele ambiente democrático e plural, muito mais que se tivessem vivido em gaiolas de ouro.

Fizemos, todos nós – exceção, acho eu, feita à minha mãe, do tempo em que “moças de bem” não podiam fazê-las – balbúrdias, bagunças, cervejadas, empurramos trabalhos meia-boca, seminários de fancaria, tudo o que se permite aos jovens fazer quando se despedem da irresponsabilidade e passam a ser profissionais.

Aliás, na juventude, talvez pudéssemos não perceber o quanto eram importantes aquelas escolas que, se privadas, não teríamos. Na maturidade, porém, já nem este direito temos.

Desertar do dever de defender a universidade é fugir de lutar por seus pais, por seus filhos, por seu país.

Sim, o nosso país, que não pode existir e menos ainda crescer se não houver produção de conhecimento e a ânsia de saber e de criar.

O que moveu e o que moldou minha vida, desde quando usávamos a blusa branca, com “EP” de Escola Pública bordado em linha azul, que passou pelo ensino técnico, que foi à Universidade, que me levou a Brizola e a Darcy Ribeiro, faz disso, aliás, mais que um dever.  É algo tão vital como respirar e pulsar.

Nem minha escolha em ser eremita, o dia inteiro a escrever,  pode servir de desculpa à omissão, à obrigação de colocar a cara e o corpo  diante dos monstros que nos assombram.

Não, loucos eles não são

Por Ronaldo Souza

Dispensemos perder tempo com comentários sobre as hoje famosas fake news, inclusive as da campanha do “macaco velho bom de briga”, segundo um grande pensador de redes sociais.

Vergonhoso.

Mentiras, assassinatos de reputação, covardia no mais alto grau… houve de tudo.

Há pouco tempo a imprensa noticiou que “o perfil no Twitter do presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi analisado pelo Fake Followers Audit, programa que identifica perfis falsos, inativos ou robôs seguindo uma conta, e o resultado foi que 60,9% dos seguidores do presidente são falsos.

Surpresa?

Nenhuma.

Afinal, foi dentro dessa perspectiva que a campanha do mico foi realizada.

No texto Somente idiotas? escrevi o seguinte sobre o mito e seus miquinhos amestrados:

“Não é mais cinismo.

Não sei porque me lembrei da frase ‘os canalhas também envelhecem’.

Sabe de quem é esta frase?

Rui Barbosa.

Mas a primeira vez que a ouvi foi em 1993, da boca de um dos maiores canalhas que já conheci.

Ninguém tem dúvida de que os que elegeram o macaco velho foram, são e serão sempre úteis, muito úteis.

Mas é possível que para alguns ainda reste uma dúvida.

São somente idiotas?”

O ex-presidente Lula disse que o país está sob o comando de um bando de loucos.

Discordo do ex-presidente.

O que eles fizeram e continuam fazendo não é loucura.

Tem outro nome.

Canalhice.

Devidamente compartilhada pelos miquinhos ignorantes, amestrados e também canalhas.

O que lhes cabe é manter o padrão.

Veja você mesmo na matéria abaixo.

Bolsonaro usa foto de 2015 em post sobre protestos do dia 26; mulher morreu em novembro

Por Kiko Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Bolso mamadeira de piroca'

Jair Bolsonaro continua oferecendo mamadeira de piroca em diferentes formatos para seu público.

No domingo, enquanto seus seguidores pediam o fechamento do Congresso e do STF, ele postou uma mensagem demagógica e chantagista nas redes.

Como legenda da foto de uma senhora idosa vestindo verde e amarelo, enrolada em uma bandeira do Brasil, usando um andador, ele — ou Carlos — escreveu um “apelo”.

 “Presidente, Ministros, Senadores, Deputados, Governadores, Prefeitos, Vereadores, Juízes: OLHEM A NOSSA RESPONSABILIDADE.”

A cena, porém, é de um protesto pelo impeachment de Dilma datado de 15 de março de 2015.

A capixaba Maria Nina Rattes, que morava no Rio de Janeiro, morreu em novembro passado.

Nina

Obs. do Falando da Vida – Como teria feito ela, morta em novembro de 2018, para participar da manifestação em maio de 2019? Só a mitologia explica.