Por que o futebol iria escapar?

Felipe Melo, realmente uma fera

Por Ronaldo Souza

Li na manhã dessa segunda-feira, 29/04:

“Jogamos muito abaixo, a gente sabia que seria difícil jogar aqui, por causa do calor. Mas não é desculpa, a gente sabe que tem a melhorar”.

Os jogadores do Corinthians são uns privilegiados.

Todos devem ter nascido em São Paulo, portanto, são paulistas, só jogam em São Paulo, e por isso estranham as coisas que existem no Brasil, como por exemplo, o calor.

De repente, é possível que algumas coisas só existem no Brasil, em São Paulo não.

Por isso, torna-se mais fácil compreende-los quando dizem que a gente sabia que seria difícil jogar aqui.

Fico imaginando o quanto deve ser difícil jogar fora de São Paulo.

“Rio, 40 Graus” é um filme de Nelson Pereira dos Santos, que retrata “um dia na vida de cinco garotos de uma favela que, num domingo tipicamente carioca e de sol escaldante, vendem amendoim em Copacabana, no Pão de Açúcar e no Maracanã”.

O filme foi censurado pelos militares. O argumento utilizado foi brilhante, o que não surpreende. Segundo notícias da época, o censor e chefe de polícia teria argumentado que “a média da temperatura do Rio nunca passou dos 39,6°C”.

“Jênios”.

“Jênios”.

Como se o “40 graus” do título do filme fosse…, oh, me poupe.

Na sinopse do filme está “… vendem amendoim em Copacabana, no Pão de Açúcar e no Maracanã.”

Ainda que o filme não deseje se reportar aos 40º do calor do Rio, coisa que só “eles” imaginaram (?), o diretor aproveita um “domingo tipicamente carioca e de sol escaldante” para vender amendoim.

E entre os locais onde os cinco garotos da favela foram lutar para ganhar uns trocadinhos para ajudar no sustento da família estava o velho e saudoso Maracanã.

Nada mais típico de um dia no Rio de Janeiro que um “domingo tipicamente carioca e de sol escaldante” no Maracanã.

Procuro me lembrar se os jogadores do time de São Jorge (o guerreiro padroeiro do Corinthians) já jogaram alguma vez ou eventualmente jogam no Rio de Janeiro.

Ou, se o fazem, fazem-no somente no inverno, no conhecido, rigoroso e insuportável inverno do Rio de Janeiro.

Algum dia os veremos jogar naquela cidade e dizerem que “a gente sabia que seria difícil jogar aqui, por causa do calor” ou isso é reservado a cidades como Salvador, Recife, Fortaleza…?

Méritos não existem nessas cidades, muito menos nos seus times de futebol, que expliquem as suas conquistas; só o calor dos infernos.

A notícia do calor broxante para os jogadores do Corinthians é complementada por essa abaixo:

Os jogadores do Corinthians reconheceram que a semana com decisões pelo Campeonato Paulista e pela Copa do Brasil contribuíram para o alto número de erros e a queda de rendimento do time no segundo tempo da derrota para o Bahia por 3 a 2, neste domingo (28), na Arena Fonte Nova, em Salvador, pela estreia no Campeonato Brasileiro.

Como também é possível que as notícias do Brasil não cheguem em São Paulo, talvez fosse interessante a imprensa nativa informa-los que o Bahia, time que, talvez não saibam, ganhou do Corinthians, também participou de decisões pelo Campeonato baiano e pela Copa do Brasil.

Apesar do calor que faz aqui, que poderia afetar os nossos neurônios e quem sabe dificultar a nossa capacidade de pensar, entendemos que o Campeonato Paulista exigiria maior esforço do Corinthians no confronto com adversários do que o Campeonato Baiano exige do Bahia.

Talvez se deva salientar, entretanto, que a relatividade das coisas é conhecida, o que deveria nos ensinar a proporcionalidade existente entre elas.

Por tudo que se conhece do futebol, como por exemplo as cotas da televisão recebidas pelos clubes, há algumas condições que alteram de forma significativa a capacidade financeira de cada um deles.

Assim, as dificuldades que o Bahia encontra ao enfrentar os seus adversários no Campeonato Baiano devem ser proporcionais a aquelas enfrentadas pelos times de São Paulo no seu campeonato.

Além disso, o Bahia também participa da Copa do Brasil que, até onde sabemos, é a mesma usada pelos jogadores do Corinthians para justificar o alto número de erros e a queda de rendimento do time.

Portanto, a argumentação de que os jogadores do Corinthians reconheceram que a semana com decisões pelo Campeonato Paulista e pela Copa do Brasil contribuíram para o alto número de erros e a queda de rendimento do time também pode ser utilizada pelo tricolor da outrora “Boa Terra” e agora do infeliz e insuportável calor, para dizer que se não fosse o calor o Bahia jogaria melhor ainda, tendo em vista que muitos dos seus jogadores não são baianos (na verdade, a maioria) mas, nesse momento, têm a infelicidade de aqui jogar.

Em tudo isso, nenhuma surpresa.

Não seria o futebol, sempre tão convenientemente atrelado aos aspectos sócio-políticos nesse país e justamente por isso tão explorado e mal gerido, que iria escapar do FEBEAPÁ* (Festival de Besteira que Assola o País), que nos últimos tempos dita as regras no Brasil.

* Livro escrito por Stanislaw Ponte Preta, jornalista e escritor carioca, cujo nome verdadeiro era Sérgio Porto.

Cérebros disfuncionais

 Homer Simpson cérebro

Por Ronaldo Souza

Há coisas que não se explicam.

Quer um exemplo?

Como explicar a imortalidade de Merval Pereira?

Não, não falo da sua eterna presença como um dos principais jornalistas da Globo.

Falo de Merval Pereira ser membro da academia brasileira de letras.

Repito, Merval Pereira é membro da academia brasileira de letras, portanto, um imortal.

Não consigo imaginar um homem irrelevante, que fala e escreve mal e errado, cuja “obra literária” não tem nenhuma relevância, razão pela qual sequer é citada, pode fazer parte da Academia de Letras de um país.

Não foi por outra razão que neste momento escrevi academia brasileira de letras em letras minúsculas.

Às vezes chego a pensar que, na verdade, eles são tão “jeniais” que o que dizem e escrevem está acima da minha compreensão.

E aí, claro, o que me resta?

A depressão.

Daqui do meu escritório, na janela, olhando as árvores, fico meditando e fazendo para mim mesmo o mais cruel dos questionamentos:

Onde foi que errei?

Mas, isso, ainda é pouco.

Ricardo Amorim, comentarista do Manhattan Connection, programa da Globo, disse há algum tempo que “só três coisas” funcionam em Cuba: segurança, educação e saúde

Quando um jornalista que faz parte da toda poderosa Globo, uma empresa de comunicação que arrebanha milhares de pessoas em manifestações na luta contra a corrupção (bastaria isso para se perceber a enorme farsa que se nos apresenta todos os dias) diz que “só três coisas” funcionam em Cuba; segurança, educação e saúde, ele não pode ser mais imbecil.

Segurança, educação e saúde!!!

Gente, o que um país pode oferecer ao seu povo melhor do que isso???

Passagens para Miami.

Só se for isso.

Um país desse “tamaninho” como Cuba, com embargo por tudo quanto é lado, literalmente bloqueado por vários países amigos do nosso irmão do Norte (agora mais do que nunca), consegue dar ao seu povo segurança, educação e saúde, esse jornalista não poderia ser mais… Merval.

E é esse Merval e programas como o Manhattan Connection que fazem a cabeça de um bocado de gente, que não consegue perceber mais nada, porque também essas pessoas se mervalizaram.

Fica mais fácil entender a imortalidade de Merval Pereira.

Mas, nesses últimos tempos, muitos, muitos, muitos mais se mervalizaram.

Não, por favor, não inclua o presidente Bolsonaro.

Ele já nasceu assim e talvez não tenha culpa por ser a anomalia que é.

Mas pode pôr os seus eleitores, todos mervalizados.

Entre os Mervais, está Sérgio Moro.

Sei que muitos ficam chocados e devem me imaginar um tolo pretensioso e pedante quando digo que o ministro Moro representa a burrice e a ignorância personificadas.

Entre tantas asneiras que já disse e diz, como pode um juiz de direito chamar Câmara dos Deputados de “Câmera” dos Deputados.

E, pior.

Incansável, ele sempre se supera.

https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=ZEiTn5cLIMY

CONJE!!!

CONJE!!!

Superou Merval fácil, fácil.

“Jênio”.

Por favor, não me peça para comentar sobre seus admiradores.

Não me cause esse constrangimento.

Magnolli: o pânico dos militares com Bolsonaro

Bolsolaranjatanque

Por Fernando Brito

Demétrio Magnoli, colunista da Folha, está a um milhão de anos-luz de ser considerado um esquerdista ou petralha – distância, claro, que não é obstáculo para bolsominions fanáticos –  que esteja “torcendo” contra o capitão Bolsonaro.

Merece, portanto, redobrada atenção o que escreve hoje, sobre o lado “não tuitável” do atual governo: as suas relações com o círculo militar em que, cada vez mais, está contido.

Destaco alguns trechos:

A demissão de [Gustavo] Bebianno pode ser narrada em dois registros alternativos. Na linguagem do recreio do pré-primário: um chamou o outro de mentiroso, feio e bobo. No idioma compartilhado entre milicianos e facções do crime: um qualificou o outro como traíra, X-9. De um modo ou de outro, o evento veicula uma lição de ciência política: o governo Bolsonaro, na sua versão original, é um experimento patológico destinado a perecer sob o efeito das toxinas empregadas na sua concepção. Os militares finalmente entenderam isso.(…)

Militares que, diz ele, passaram do desprezo com que encaravam o capitão baderneiro para o pragmatismo de seu aproveitamento como aríete para delírios de volta ao poder:

os chefes fardados entusiasmaram-se com uma candidatura que prometia recuperar a estabilidade econômica, exterminar a corrupção e destruir as cidadelas do crime organizado. A velha desconfiança dos políticos profissionais, os ressentimentos nutridos pelas comendas oficiais concedidas a Marighella e Lamarca, o sonho desvairado de restauração da imagem da ditadura militar contribuíram para o imprudente abraço dos militares ao candidato da direita populista.

Do desprezo ao entusiasmo —e deste ao pânico. O clã familiar dos Bolsonaro, permeado por loucas ambições, inclina-se à guerra palaciana permanente. As cliques do baixo clero parlamentar que rodeiam Lorenzoni e Bebianno prometem engolfar o governo em perenes disputas mesquinhas. Os dois ministros nomeados por Olavo de Carvalho, o Bruxo da Virginia, personagens atormentados por moinhos de vento puramente imaginários, fabricam crises fúteis em série. Segundo o diagnóstico dos chefes militares, o governo afunda sozinho na areia movediça sobre a qual apoiou seu edifício improvisado.

Magnoli critica a classificação do Governo como “fascista” – embora não a de autoritário – e chama atenção para sua inorganicidade, aliás, o reverso do que se pode dizer dos militares:

“Fascismo”? Bolsonaro não mobiliza camisas-negras ou falanges, exceto a militância virtual comandada pelo filho Carluxo que vitupera nos subterrâneos da internet. Um paralelo viável não é com Mussolini, mas com Rodrigo Duterte, o populista primitivo das Filipinas que contaminou suas forças policiais com as práticas do vigilantismo. No Brasil, um governo desse tipo está condenado à implosão. Daí, o alerta de pânico ativado pelos generais do Planalto.

Pânico, aí digo eu, que só a muito custo se contém diante da imprudência que nos colocou numa situação delicadíssima, na qual os militares estão diretamente – e a contragosto – envolvidos: a crise na Venezuela.

Tudo isso em conta, não há como deixar de achar lausível a conclusão de Magnoli:

Que ninguém se iluda: está em curso a “intervenção militar” pela qual clamavam os patetas civis extremistas na hora do impeachment.

A “Retrospectiva do Brasil do Futuro” é uma “Bagagem de Dejeitos”

BolsoBic'

Por Ronaldo Souza

Seria cômico se não fosse trágico.

Já que eu me permiti usar esta frase, de tão gasta que está, vou dize-la de outra forma.

Nada existe de cômico nesse momento; tudo é trágico.

A começar pelo homem que foi eleito presidente, o mais incapaz que este país já elegeu.

Não temos um Presidente da República, temos um ocupante do Palácio do Planalto.

Um invasor.

Um extra terrestre.

Sua incapacidade é chocante e ninguém parece ter mais dúvidas quanto a isso.

A não ser “eles”.

Um desgoverno, sob todos os aspectos.

Os Insuperáveis

Bolsoidiotacompleto''

Bolsoidiotacompleto

Nada pode haver de mais grotesco, mais rude e primitivo do que essas imagens feitas no Palácio da Alvorada.

“Que presidente é este que veste camisa falsificada de um time e posa no palácio onde mora como um indigente?”

Este foi o questionamento de Ricardo Noblat, de O Globo.

Explico a Noblat.

Como este presidente foi eleito?

Graças às mais absurdas fake news, para usar a expressão da moda, ou seja mentiras, falsidades, farsas.

Tudo ali é farsa.

Por isso, Noblat, uma farsa usar uma camisa falsa dentro do palácio não significa absolutamente nada, é uma coisa normal.

Por outro lado, a indigência que nos acostumamos a ver, de “extrema necessidade material, de penúria, miséria e pobreza”, tão comum no nosso país, é cruel e desumana.

Mas não é para esses que fala e se exibe o ocupante do Palácio do Planalto.

Ele se dirige e se exibe, com as poucas palavras que dispõe o seu vocabulário e as repetidas imagens e ações grotescas que compõem a sua vida, a um auditório de indigentes diferenciados daqueles, já que a estes não faltam bens materiais que lhes permitem viver longe, bem longe, da pobreza e da miséria.

Ele fala e se exibe para uma plateia de indigentes mentais.

Posar “como um indigente”, como você diz, Noblat, nada significa de excepcional para ele, porque é simplesmente um falando para tantos.

Trata-se de um mundo à parte.

Sem ter a menor noção de liturgia do cargo da presidência, ele passa para os seus sensíveis eleitores a ideia de simplicidade, autenticidade, originalidade…, qualquer dessas coisas que seduzem seres impensantes com facilidade assustadora, aliás, estratégia largamente utilizada na campanha eleitoral.

Pelo visto, com resultados altamente positivos.

O morador do Palácio da Alvorada veste a camisa falsificada de um time de futebol em plena reunião presidencial de um país para fazer a única coisa que sabe fazer:

Alimentar a manada.

E, fato inegável, isso ele faz muito bem.

Cada um desses semblantes expressos nas imagens representa um perfil psicológico.

As imagens vão de um constrangimento menor ao mais acusador, passando por um carrancudo que talvez dê aos sensíveis adoradores do mito mico a ideia de seriedade e respeito quando, na verdade, é tão vergonhoso quanto o sorriso escancarado vizinho, que denuncia a idiotia em altos níveis, só superada pela do chefe.

A aplaudi-los, o rebanho.

Tenho me esforçado muito, mas confesso que tenho tido dificuldades para entender o que fala o mito, ainda que reconheça a sua intelectualidade e clareza de raciocínio.

Por mais que me esforce, não consigo entender, por exemplo, o que significa “retrospectiva do futuro”.

Com o longo tempo de governo já decorrido, afinal já são 45 intermináveis dias, só mesmo o comandante supremo das forças armadas do Brasil seria capaz de nos dizer o que significa “Retrospectiva do Brasil do Futuro”.

Como não podemos exigir dele nenhum tipo de esforço intelectual, ficaremos sem saber.

Como se trata de uma retrospectiva do futuro, esperemos então que no futuro brilhantes pensadores traduzam isso para os nossos netos e bisnetos.

“Se eu cair, Bolsonaro cai junto”

A ameaça feita por Gustavo Bebianno (Secretário-Geral da Presidência) ao mito, ao mandar um recado bem claro para ele – “Se eu cair, Bolsonaro cai junto” – assustou a todos.

Dizem que ele é um homem forte no partido.

Além de ser o presidente do PSL (partido pelo qual Bolsonaro foi eleito), segundo a imprensa tem noticiado, ele é um grande plantador de laranjas.

Tanto é que, como grande conhecedor da fruta, ele usa linguagem pertinente; “Se eu cair, Bolsonaro cai junto”.

Ou seja, ele sabe que laranjas podres tendem a cair.

Bolsolaranjal

Talvez para ele não seja difícil perceber quando todo o laranjal está podre.

A sua ameaça veio como resposta às ofensas que lhe foram dirigidas pelo pitfilho 03 de Bolsonaro, Carlos, ao chama-lo de mentiroso. Ofensas endossadas pelo pai.

Caos.

Um vereador do Rio de Janeiro chama um ministro de mentiroso e o ocupante do Palácio do Planalto não só endossa como diz ao ministro que tome outro rumo porque ele está demitido.

É claro que muitos eleitores no exercício de sua sensibilidade podem argumentar com o fato de que o vereador em questão é filho do presidente, o que lhe permitiria dizer e fazer o que quiser.

Que não estamos numa Democracia todos sabemos.

Devo admitir então que o regime adotado é a Filhocracia!

É isso?

Caos.

Os 325 ministros militares do governo, núcleo militar como é conhecido, exigiu que o vereador do Rio de Janeiro fosse afastado de suas “funções” em Brasília e voltasse a ser… vereador no Rio de janeiro.

Caos.

Fiquei completamente perdido.

Tudo bem que o Rio de Janeiro, terra de Aécio Neves, é um estado importante, mas o que um vereador da cidade do Rio faz em Brasília?

Aécio fez escola?

Resultado, Carlos Bolsonaro, ministro do twitter (sim, aquele mesmo que pegou carona no Rolls Royce presidencial no dia da posse), foi afastado do seu ministério em Brasilia pelo núcleo militar do governo militar e voltou a ser vereador no Rio.

Pelo menos é essa a notícia mais recente.

Você sabe que essa notícia me deixou um pouco mais tranquilo?

Calma, calma, não tire conclusões precipitadas.

É que pelo menos agora, como já estava planejado desde o início, definiram-se as funções no governo.

Pelo menos já se sabe quem governa e quem twitta.

Bolsonaro twittando

Agora estou achando que começo a entender o que o mito quis dizer com “retrospectiva do futuro”.

A “retrospectiva do Brasil do futuro” é a “bagagem de dejeitos” que escorrerá sobre as nossas vidas.

O legado do seu governo.

Meu Deus!

“Marreco de Maringá”

Pato ou marreco

Por Ronaldo Souza

Um medíocre dificilmente será visto como medíocre por outro medíocre.

É uma lei natural.

Podem existir medíocres “brilhantes”?

Sim.

Mas serão assim considerados, claro, por um igual.

Um pode chegar ao extremo de achar o outro inteligente ao ponto de sugerir, por exemplo, que escreva um livro. E aí se declara; ele seria o primeiro a comprar.

Deprime observar a não percepção de que existem muitos homens e mulheres assim.

Flutuam alheios na espuma da vida.

Algo facilmente tolerável não fosse um detalhe; muitos deles ocupam postos e funções “importantes” e por isso exercem muita influência sobre os sem noção mortais.

Por falar em mortais, como dizer que um imortal é um deles?

Pois é, Merval Pereira, pasmem, Merval Pereira, é imortal, membro da Academia Brasileira de Letras.

Unbelievable, diriam os americanos que nasceram no Brasil por acidente geográfico.

Just my two cents!

Ariano Suassuna acabou de dar três reviradas no túmulo.

Aquele fardão verde oliva da Academia Brasileira de Letras vestindo o corpo que guarda a mente de Merval é uma afronta à inteligência brasileira.

É claro que existem outros, não necessariamente imortais, mas em cargos muito importantes, que agridem a nossa inteligência com suas evidentes limitações.

Advêm daí algumas frases de efeito cujo objetivo é explorar a “inocência” de jovens na faixa dos 20 aos 60 anos.

Frases cujo efeito maior é a perpetuação dessa “inocência”.

“Bandido bom é bandido morto; Brasil acima de tudo, Deus acima de todos; a nossa bandeira jamais será vermelha; a nossa luta é contra a corrupção…”.

Imaginadas como expressões de relevância, denunciam a pobreza e o vazio deprimente que caracterizam o FEBEAPA (Festival de Besteira que Assola o País, de Sérgio Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta).

Pensam como patos (pato pensa?), agem como patos, são patos.

E, sobretudo, falam para os patos.

Veio-me à mente a discussão entre dois amigos há cerca de 5 anos quando, diante de uma ave em um lago, brigavam pela dúvida que surgira; é pato ou marreco?

Rimos muito.

Pato é pato.

E haverá sempre um pato na história.

Da mesma família, uma das semelhanças do marreco com o pato está na capacidade de flutuar sobre a água.

O que é flutuar?

Podemos definir como “conservar-se à tona”, “boiar”, o que por sua vez significa não afundar.

Não aprofundar não deixa de ser uma maneira de não afundar.

Quem não se aprofunda não ganha profundidade.

Conservar-se à tona é o mesmo que boiar, não ganhar profundidade, comum a patos e marrecos; vivem boiando na superfície, nunca se aprofundam.

Há, porém, marrecos espertos.

E cínicos.

Alguns sabem até contar em inglês (mas o máximo que conseguem é até nine).

Esses se adaptam muito bem a viver na superfície e descobrem como controlar iguais, aqueles que jamais se aprofundam e nenhum interesse demonstram para saber de fato como são as águas.

Passam a vida na superfície.

Passam a vida boiando.

Curta um pouco o texto de Laurindo Lalo Leal Filho (Lalo Leal), jornalista, sociólogo e escritor.

Ele é um dos jornalistas que presenciaram o momento em que William Bonner comparou o telespectador do Jornal Nacional a Homer Simpson.

Bonner tinha identificado os marrecos patos do Jornal Nacional.

Herói ontem, odiado hoje, Bonner não tem agradado aos marrecos patos, que sempre viram nele uma referência.

Agora, mais uma vez ao sabor das águas (para onde elas levam, eles vão), os marrecos patos foram levados pela correnteza para a margem contrária à de Bonner e seu Jornal Nacional. Aquele mesmo que os fez ficar de luto e vestir preto.

Imagem inesquecível, que ficará gravada na retina da contemporaneidade.

Nada pior deve existir do que vestir luto por si próprio.

Sem o perceber.

Como continuam boiando na superfície, de lá dificilmente sairão.

Até que uma nova onda os arraste.

Será uma onda verde, um verde oliva parecido com o do fardão do imortal Merval?

Tal qual Moisés conduziu os judeus por entre as águas do mar Vermelho, um marreco os conduzirá por entre as águas do mar da insanidade?

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Teatro do Absurdo estado da arte

A esperteza ridicularizada

Por Laurindo Lalo Leal Filho

Não se deve lutar contra um apelido por mais que ele nos desgoste. Essa lição aprendi ainda criança. Quanto mais o apelidado repudia o apelido mais a alcunha fica nele grudada. Lembro disso porque soube que o ex-juiz Moro está injuriado com a excelente denominação recebida: “Marreco de Maringá”. É mais um erro na sua já longa carreira de desacertos. Sua irritação só fez crescer o número de referências ao apelido nas redes sociais. Para quem ousa revelar o ridículo dessa figura surgida das trevas brasileiras, com voz em falsete e conteúdo insosso, é um tiro na mosca, com perdão da analogia bélica. 

O caso serve para colocar em pauta um tema de importante atualidade: como as pessoas bem informadas e esclarecidas, críticas daqueles que se apossaram do poder no país, devem se relacionar com os defensores do atual estado de coisas, donos de saberes rasteiros e contumazes no uso de linguagem vulgar? 
 
Discutir de forma elegante, a partir de argumentos racionais e empiricamente comprovados ou partir para o bate-boca nivelando-se aos seus opositores? Há respostas afirmativas para as duas formas de lidar com os adversários mas ambas, a meu ver, inconsequentes. 
 
A primeira é praticamente ininteligível pela massa a qual se dirige. Trata-se de segmento da sociedade que não possui os instrumentos culturais necessários para interpretar ideias um pouco mais elaboradas, capazes de escapar dos limites dados pelos chavões típicos do WhatsApp. Fogem ao debate e refugiam-se nos xingamentos. Seguem, dessa forma, o ocasional líder do grupo, responsável hoje por governar o país. 
 
A segunda também não leva a nada. Na troca de insultos, acaba prevalecendo aquele que só conhece esse tipo de relação, uma vez que o outro, esgotado pela limitação repetitiva do adversário, tende a se cansar rapidamente e deixar de lado a disputa infrutífera. 
 
A meu ver existe uma saída eficaz: combinar as duas formas de relacionamento e ir à luta. Usar o conhecimento e até mesmo a erudição para, na medida do possível, embalá-las em fórmulas simples, mas irrefutáveis. 
 
O humor fino é um ingrediente importante nesse processo. Vídeos como os produzidos por Marcelo Adnet, na Globo, satirizando a prepotência do atual presidente da República, e de Gregório Duvivier, no canal Porta dos Fundos, ironizando a empáfia dos economistas neoliberais, são exemplos do momento. 
 
Não ofendem nem muito menos xingam. Com linguagem compreensível até para os menos informados, revelam o ridículo dos discursos de corruptos falando contra a corrupção, de interessados nos seus negócios privados defendendo reformas em nome do interesse público e de negociantes da fé clamando por moralidade. Se não mudam opiniões, pelo menos devem colocar interrogações nas cabeças dos que seguem esses ilusionistas. 
 
Em tempos obscuros, esse tipo de humor nos palcos e nas telas, somado à ironia – fina mas compreensível – em debates nas redes ou nas ruas, torna-se arma poderosa contra adversários medíocres. 
 
William Shakespeare (1564-1616) já provara isso em suas peças ao traduzir para plateias populares as tramas urdidas pelos poderosos em meio à censura imposta pela rainha Elizabeth I, no Reino Unido. No Brasil, Millôr Fernandes e Flávio Rangel, construíram um espetáculo teatral clássico: “Liberdade, liberdade”, desafiando com humor e inteligência os militares que assaltaram o poder em 1964. 
 
No Rio, os atores Paulo Autran, Tereza Rachel, Nara Leão e Oduvaldo Vianna Filho, eram interrompidos por aplausos e risadas do público a cada frase em que ridicularizavam aquilo que os militares chamavam de “revolução”. Em Montevidéu vi, pouco antes da implantação da ditadura uruguaia, a peça ser saudada aos gritos de “Frente Amplia”, movimento que chegaria ao poder depois da redemocratização do país. 
 
Os tempos são difíceis outra vez, mas estas experiências nos ensinam a enfrentá-los. Desnudar o poder mostrando suas entranhas de forma simples, facilmente compreensível e, se possível, bem humorada é o melhor caminho para abrir corações e mentes. 
 
A superioridade cultural de quem tem mais informações e discernimento não pode ser utilizada como imposição elitista de ideias e nem como amparo misericordioso dos menos afortunados. Deve, isso sim, servir para dar suporte para construções bem elaboradas, capazes de mostrar o ridículo daqueles que se julgam espertos.

A Bahia de todos, inclusive Iemanjá

Vista Aérea Bahiamar Hotel em Salvador

Por Ronaldo Souza

Religioso, profano, folclore ou tudo junto, pense numa festa popular, procure em todo o mundo que você não encontrará um povo que saiba fazer isso como o baiano.

Festa popular, esta é uma das nossas especialidades.

Não me lembro de ter visto tanta gente no Rio Vermelho; completamente lotado.

Todas as ruas do bairro de Jorge Amado estavam tomadas pelo povo.

A mistura é inimaginável, você não faz ideia.

Não, não procure algo igual.

Não existe.

Vi homens e mulheres de muitos lugares, inclusive de fora do Brasil.

Literalmente, todo tipo de gente.

Para ajudar, neste ano 02 de fevereiro caiu no sábado.

A Bahia toda “se picou” para o Rio Vermelho.

Estava com minha mulher e a filha mais velha (a mais nova foi com a turma dela).

Sufoco para atravessar aquele mar de gente e chegar à praia para oferecer as flores à rainha dos mares.

Da praia, a minha filha fez o vídeo que você verá em seguida.

A Natureza se fez presente, não podia faltar.

Ela comanda.

O céu, aquele azul do céu do Nordeste.

O mar, o mar da Bahia.

O Sol, brilhando para Iemanjá.

Escunas e lanchas, algumas de grande porte, completavam o quadro que artista nenhum ousaria retocar.

Religioso, profano, folclore, isso não faz parte das minhas preocupações.

A filha mais nova “vem chegando” há algum tempo. A mais velha já está no pedaço há mais tempo.

Louca pelas coisas da Bahia.

Vou definir tudo pelas palavras dela no seu Instagram. Eu não teria como fazer com a força que ela fez.

“Orgulho da minha cidade, orgulho do meu povo e orgulho das nossas raízes. Somos privilegiados pelas heranças que recebemos dos povos africanos, que enriquecem a nossa cultura e nos tornam únicos. Essa é a nossa origem. Dia de festejar, agradecer e manifestar os mais sinceros desejos por mais tolerância, respeito, amor e paz. Salve Iemanjá”.

A Bahia sempre foi amor, convivência, tolerância, cores, diversidade.

Mudar?

Em nome de quem?

A Bahia sempre resiste quando tentam enfear o Brasil.

A Bahia é de todos e nenhuma outra terra será de todos como a Bahia é.

Aos que não nos entendem, mesmo os que se expressam nos ofendendo, paciência, respeitamos as diferenças.

Entendam que jamais nos sentiremos ofendidos por viver a vida do nosso jeito único de viver.

Ao contrário, isso nos enche de orgulho.

A necessidade de tocar e sentir o outro, que tantos estranham, o abraço efusivo e escancarado, tudo isso tem um só significado; venha, me abrace, você é bem-vindo.

Se chegue meu rei.

Alegria, você está na Bahia.

Férias no Brasil; mas temos muito mais para oferecer

Escola de samba

Por Ronaldo Souza

Depois de ler um ótimo texto do Professor Nilson Lage, A metamorfose da insignificância, veio-me a vontade de escrever alguma coisa sobre o tema abordado por ele, mas estava sem inspiração.

Inspiração que também não quis chegar para o título.

Pensei em algo como “Conhecendo um pouco o Brasil”, mas desisti.

Quando me lembrei do famoso desdiscurso do presidente em Davos, no qual, segundo a jornalista americana Heather Lang, a melhor parte foi quando ele convidou os presentes a passarem “as férias no Brasil”, achei melhor escolher outro.

Pois é, o presidente eleito foi minha inspiração, quem diria!

E deixei o barco correr.

“Espelho meu, espelho meu, existe alguém mais…?”

Desesperado diante do incômodo espelho que insiste em refletir a verdadeira imagem do que você realmente é e não a que imagina ser, faltou chão ao presidente eleito e nos 6 minutos dos 45 que lhe foram dedicados, veio à tona com a força de um tsunami tropical o “complexo de vira latas”.

Em pânico, ofereceu a colônia de férias Brasil aos milionários ali presentes.

É o complexo de vira latas que faz nordestinos se renderem aos encantos do “sul maravilha” e brasileiros ficarem maravilhados com os Estados Unidos e a Europa, particularmente o primeiro.

Identifica-lo não é tarefa fácil, aceita-lo é muito pior.

Foi isso que das catacumbas de um passado bem recente irrompeu forte das entranhas do presidente eleito e se manifestou naquele momento.

A subserviência é um traço cultural perverso e muitas vezes imperceptível.

Não deixa de ser uma espécie de autoflagelação.

Dizem os psicanalistas que mais do que chamar a atenção, o autoflagelo é um pedido de socorro.

Estava ali configurado o pedido de socorro; faltou só o help!

Uma das causas do autoflagelo é o sentimento de incapacidade.

Sentimento que esteve estampado na cara do presidente durante toda a eternidade daqueles pouco mais de 6 minutos naquele palco de chão em brasas.

Personalidades forjadas em ambientes de formação rígida, onde as normas não ensinam respeito natural à autoridade, impõem, estão mais sujeitas a esse tipo de comportamento.

Ensina-se obediência, não respeito.

O capitão não sabe, mas é uma vítima.

Ele jamais conseguirá ser um homem livre, independente.

Precisará sempre de um superior.

Assim tem sido a formação do brasileiro.

Incute-se a dependência na cabeça das pessoas.

Num processo perverso e cruel, ao longo dos séculos pensamentos doutrinadores e bem direcionados subjugaram a alma do brasileiro e o fizeram ver-se inferior.

Reflexo da sociedade que o compõe, o país perde a sua identidade.

A “imagem” do famoso grito “Independência ou Morte”, criada pelas conveniências e necessidades da história, representa a independência do Brasil do domínio português.

A colonização do Brasil por Portugal é um dado oficial registrado pela História.

Para muitos, o famoso Grito do Ipiranga se transformou em “Dependência ao Norte”.

O Neocolonialismo, expressão que saiu da sua definição original e ganhou maior abrangência, é fato.

É bastante conhecida a falta de compreensão que paira sobre essa questão e a sua não aceitação é só uma fuga da realidade.

Negar-lhe a existência é negar a história contemporânea.

Criar e manter um processo tão complexo e sofisticado exige mentes privilegiadas e não se faz da noite pro dia.

Como manter esse processo tão complexo e sofisticado?

A família!

A família é criada para ter uma vida certinha, organizada.

Tudo que não é ordem é desordem, claro.

Ordem é sistema de vida.

Sistema!

É disso que se trata (Establishment, para alguns).

Em qualquer situação, quem se opõe ao sistema, subverte-o.

Quem subverte o sistema é um subversivo.

Como manter o sistema?

Da forma mais simples e rudimentar possível.

Demonizando pensamentos, ideias, palavras, frases… pessoas.

Aquele que contradiz o sistema foi marcado a ferro:

Comunista!

Uma pecha, que, pronunciada com peito aberto e sabor especial, tinha o objetivo de ofender, acuar, jogar às cordas.

A partir daí, tudo se tornou válido.

Tolices de todos os tipos foram e são ditas, como se, por serem ditas e repetidas à exaustão, ganhassem profundidade.

O cérebro perdia a função.

Pensar passou a ser uma transgressão.

Por que artistas (por favor, artistas, não gente do entretenimento), escritores, poetas e filósofos são temidos pelo sistema?

Porque tiram as pessoas do conforto da não reflexão.

“Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas”.
Schopenhauer

Para que coisa mais tola e ridícula do que “a nossa bandeira jamais será vermelha”.

Meu Deus!!!

Qualquer outra cor pode.

Bandeira laranja

Mas, além de laranja, tão em uso nos dias atuais, aqueles homens milionários e seu dinheiro maravilhoso, que se espraia pelos quatro cantos do mundo com fins nada nobres, sabem que o bananal Brasil ainda tem muita coisa para lhes oferecer.

Entreguemos então o que ainda resta deste país.

O nosso know how de exploração de petróleo, o próprio petróleo, a Embraer, a indústria naval, a indústria civil, enfim, o conhecimento brasileiro, conquista de um povo que jamais tinha ousado andar com suas próprias pernas e pensar com a sua própria cabeça.

Mas índio quer apito.

Índio quer apito para que a festa tenha muito barulho, para abafar o choro e o grito do povo brasileiro ao ver o seu país ser entregue e as suas riquezas irem embora.

“Índio quer apito
Se não der pau vai comer”

Carta para Jean Wyllys

Jean Wyllys'

Por Jean Pierre Chauvin

São Paulo, 25 de janeiro de 2019

Estimado Jean Wyllys,

Não me conheces, mas me orgulho de ti por vários motivos: primeiro por ser quem és;  segundo, por que nunca ouvi qualquer notícia a teu respeito que não demonstrasse lisura e coerência (duas virtudes raras no meio em que suportaste a camarilha de homens-macho a xingarem, a invocarem Deus em nome do maior pecúnio, a defender moralidade somente para outras e outros).

A notícia da tua partida sensibilizou a mim e a todos que conheço. Não era para menos: um sujeito com a tua postura, a tua coragem, a tua luta pelas outras e outras (inclusive as criaturas que não te aceitam pelo que és, faz ou representas). Digo, cá, que podes contar, sempre, com o meu apoio, seja para ter com que te corresponderes, seja para ter a quem amplificar as palavras que mais guardaste.

Quero crer que logo tu estarás entre nós. Por ora, nosso país especializou-se em construir barragens que não barram; pontes que não atam; moralistas incapazes de autoexame; legalistas que manipulam as leis conforme o alvo de sua sanha  pseudojusticeira, sem falar em figuras ainda mais ilustres que não se cansam de desarticular discursos, incapazes de pronunciar palavras como se se tratasse de sílabas em desarranjo: metáfora daquele terço (in)útil deste território, que finge confundir ordem com autoritarismo e todo o resto, que bem sabes, pois viste e sentiste de perto, durante teus mandatos, por sinal, impecáveis.

Tu, que foste merecidamente reconhecido como deputado exemplar (não só oficialmente, pelo “Congresso em Foco”); tu, que defendeste aqueles que não têm voz nem vez; tu, que mostraste aos misóginos e aos pseudopatriotas o avesso do discurso prepotente dos homens-pistola e dos latifundiários sedentos por rifar o que ainda resta desta neocolônia dos EUA.

Repara que, hoje, a Pauliceia completa 465 anos. Mas, como bem sabes, o Tucanistão só defende rodízio de poder e partidos e aplicação da justiça na escala FEDEral; aqui impera o discurso de que somos terra do trabalho (embora a quantidade de desabrigados só aumente); de que o sol nasce para todos (de fato, estamos a sofrer crescentemente com o efeito estufa e as ondas gigantes de calor); de que lugar de vagabundo é na prisão ou, de preferência, peneirado por balas calibre 12.

Nosso país voltou a se escrever em minúsculas, sabes? DESCALAbrO e desfaçatez traduzem bem parte dos eleitores — embora as palavras digam muito menos sobre a real tragicomédia que nos acomete. O rifão “primeiro atira, depois pergunta” foi institucionalizado. Quantos irresponsáveis, sem consciência de classe e cegos de ódio pelos outros, continuarão a posar com armas?

Dizia que me orgulho de ti por diversas razões. Haveria outras, que discutiremos quando tiveres retornado a um  país em que a opressão não seja confundida com seriedade, ordem e macheza estúpida. Mas, devo mencionar mais um motivo: somos xarás: haverá milhões a levar teu nome, para além da certidão de nascimento, ruas e mentes afora.

Para ti, toda força, lucidez e coragem. Para nós, esperança.

Um abraço fraterno.

Jean Pierre Chauvin

“Não votei em Flávio. Votei em Jair”

Bolsonaro e sorriso idiotizado 1

Por Ronaldo Souza

Deixemos de lado a corrupção registrada inúmeras vezes pela imprensa e devidamente comprovada de políticos como Serra, Alckmin e tantos outros. As eleições estaduais de todos, mas particularmente as presidenciais dos dois citados, tiveram total apoio “deles”.

Isso ficou para trás, vamos adiante.

Falavam da corrupção que tomou conta do país e que Aécio viria para combater.

Não há como negar que os bravos e dignos manifestantes das avenidas paulistas do Brasil, sempre fiéis aos seus ideais de combate exaustivo à corrupção, lutaram bravamente contra ela ao lado de Aécio.

Apesar das inúmeras denúncias também comprovadas que envolviam Aécio já durante a campanha eleitoral, todos o apoiaram ardorosamente. Se ele tivesse chegado à presidência, dali por diante nada mais apareceria e as denúncias já existentes seriam jogadas para debaixo dos tapetes presidenciais. As ligações dele com a corrupção desapareceriam.

Claro, com a indefectível ajuda do stf, imprensa, etc.

Hoje, Aécio é o que é.

Nada.

Sobre sua corrupção não há mais dúvidas.

Mas observe que os dedos nunca apontaram para ele.

Também em nome da luta contra a corrupção, veio o golpe em Dilma.

Brancos, machos, racistas, homofóbicos e corruptos, uma turma da pesada.

Na luta contra a corrupção, estava ali configurada e consagrada a presença de vários dos maiores corruptos do Brasil.

Com amplo, total e irrestrito apoio “deles”.

“Somos todos Cunha”!

Lembra?

Na sequência, os manifestantes das avenidas paulistas do Brasil já estavam ao lado de um novo caça corrupto.

Outro combatente feroz.

E dessa vez em várias frentes.

Além da capa do super-homem no combate à corrupção, tratou de vestir também a do caçador de comunista e soldado de Deus.

Bolsonaro católico-evangélico

“Marina e Daciolo se declaram evangélicos, ambos de conversão tardia; Bolsonaro ainda se diz católico, mas casou com uma evangélica e passou por um batismo que usa para se aproximar deles.

Antes de começar a campanha presidencial e iniciar viagens quase diárias pelo país, Bolsonaro foi batizado na igreja Assembleia de Deus e mantinha uma rotina de cultos e celebrações evangélicas nos fins de semana ao lado de sua mulher, Michelle, fiel da Igreja Batista Atitude.”

Foi assim que em setembro de 2018 a revista Época descreveu a transformação do católico Bolsonaro em evangélico.

Mas como ele diz que continua católico, torna-se o único católico-evangélico do mundo.

Autenticidade à toda prova.

Que Deus o proteja.

Antes de chegar ao governo, já existiam denúncias de propina contra Bolsonaro, inclusive com o seu nome constando na Lista de Furnas.

Há dois anos confirmava-se isso mais uma vez.

BolsoFurnas

BolsoGate

Nas proximidades de sua posse surgiu o Bolsogate, que envolve a família ao “vendedor de carros” de péssima memória (algo que deve ser ruim para os negócios), pois, alegando internação hospitalar para justificar o não comparecimento para prestar depoimento, disse não lembrar do hospital em que tinha se internado.

Nunca antes na história desse país atestados médicos estiveram tão na moda.

Decidiu-se então que ele só prestaria depoimento depois da posse de Bolsonaro.

Com o decisivo consentimento de outro grande combatente da corrupção; Moro.

Mas não vem ao caso.

Decisões nos bastidores foram tomadas.

Mas, para a desgraça da família Bolsonaro, uma se tornaria pública algum tempo depois.

Entre o primeiro e segundo turnos, Jair Bolsonaro tomou conhecimento de um certo relatório.

O do Coaf.

BolsoCoaf

Por que ninguém mais tomou conhecimento do relatório do Coaf, só ele?

O relatório mostrava os “negócios” de Flávio, o filho, com Queiroz. Dinheiro jorrando em contas, inclusive da sua madrasta e esposa do mito.

Por que Moro, o paladino da moral e da justiça, nada fez?

Onde estava o herói da luta contra a corrupção?

Por favor, não zombe da inteligência do povo brasileiro dizendo que ele não sabia. Não seja tão idiota.

Quem esses tolos imaginam que dá forma a decretos que o capitão assina, como a transferência do Coaf para o ministério da justiça?

Só que ele, Moro, imaginou que isso ficaria nos bastidores.

Bolsonaro, espertamente, anuncia em público e expõe Moro.

Moro pagava o primeiro pedágio pelo cargo que lhe foi dado.

Como disse o jornalista João Paulo Cunha, “Moro, depois do decreto que marcou sua estreia como jurista oficial do poder, não pode mais pairar sobre o lodo no qual afundou sua ambição. Ele agora é parte dele.”

Só os tolos, muito tolos, podem imaginar que ele está acima da lama.

Perguntas que devem ser feitas.

  1. Você consegue imaginar o efeito do relatório do Coaf no segundo turno das eleições?
  2. Ao esconde-lo, você acha que o mito foi honesto ou enganou toda a população?
  3. Você acha que o paladino da moral e da justiça, o juiz Moro, sabendo que uma eventual derrota do mito o tiraria do cargo prometido (ministro da justiça), foi honesto ao também esconder o relatório? Percebeu que dessa vez nada vazou, nem para a Globo?
  4. Você sabe que já no dia 01 de janeiro de 2019, dia da posse, Bolsonaro e Moro assinaram um decreto que transferia o Coaf para o ministério da justiça (sob o comando de Moro) e à noite já estava na edição extra do Diário Oficial?
  5. Você consegue imaginar porque tanta pressa?
  6. Corromper normas e leis é um ato de corrupção?
  7. O que você entende por corrupção?

Onde está Dallagnol nessa luta heroica contra a corrupção?

Onde está o Power Point de Dallagnol?

Está aqui.

BolsoDeltanRenan

Dallagnol, o braço direito de Moro, o caçador de corrupto, está calado e “guardou” o Power Point porque espera a indicação para ser Procurador Geral da República.

Por precisar de Bolsonaro para isso, ele não vai mexer em Queiroz nem que Deus peça. E olha que ele disse na igreja dele que recebeu de Deus a incumbência de acabar com a corrupção.

Menos essa (e outras que eles sabem como deixar passar; falando baixinho pra ninguém ouvir).

E aí vem o Dr. Dallagnol e lança um vídeo em que pede à população para interferir na eleição do presidente do Senado e da Câmara para fortalecer a luta contra a corrupção.

A quem ele pensa que consegue enganar?

Aos néscios de sempre.

Onde estão os relatórios do Coaf mostrando movimentações financeiras suspeitas de Lula e sua família?

Alguma vez Lula se negou a prestar depoimento?

Nunca.

Mas foi conduzido coercitivamente.

A família Queiroz faz o que quer com o judiciário; não compareceu a nenhum depoimento.

Queiroz não foi ao depoimento alegando questões de saúde, mas foi ao SBT dar entrevista… opa, opa, opa!

Já vi esse filme.

Se não me engano, há pouco tempo alguém se negou a ir a encontros em que se discute política (chamam de debate) por ordem médica e foi dar entrevista em outra televisão, se não me engano na Record, aquela de Edir Macedo (alguém aí lembra e pode me dizer se foi isso mesmo?).

Só estúpidos?

Queiroz não foi ao depoimento do ministério público, mas também foi à TV (SBT) dar entrevista. Lá, ele disse que só daria resposta às perguntas ao… ministério público.

Houve qualquer possibilidade de condução coercitiva?

Moro, mais uma vez, fez de conta que não viu.

Não vem ao caso.

Isso só dá prazer a ele quando é com nine, o apedeuta.

O ministério público do Rio de Janeiro deu fim à novela dizendo que Queiroz só prestaria depoimento quando pudesse, depois que Bolsonaro tomasse posse!!!

Será que há alguma razão especial para isso?

O que você acha?

Lembra do filho de Lula?

Agora, são três!

Bolsonaro e filhos

Aumento de patrimônio de 432%.

Este não é o que está pedindo foro privilegiado (por que está pedindo?), é o outro, Eduardo.

De acordo com o jornalista Alex Solnik, o patrimônio de Flávio Bolsonaro aumentou 7.000% desde que entrou na vida pública.

Sete mil por cento!!!

O que fazer agora?

Moro vai continuar sem nada dizer, sem nada fazer?

A pérola que dá título a este texto (“Não votei em Flávio. Votei em Jair”) é uma das coisas mais estúpidas que já vi na vida. Quem a escreveu/compartilhou apresenta uma debilidade intelectual de fazer pena.

Indigente mental!

Quando foi criado o projeto nacional de eliminação de Lula, PT e Dilma, tudo era válido.

A mulher de Lula, filhos e netos…, ninguém foi poupado.

O assassinato de reputação de homens, mulheres e famílias foi levado ao extremo com toda força, violência, crueldade e covardia possíveis.

Por que com todos esses homens que agora estão no poder as provas brotam todos os dias e nada acontece?

Como em um governo que ainda está na terceira semana tantos podres aparecem com provas (e não convicções) e nada acontece?

Como um homem pode estar preso acusado de ser chefe de uma gigantesca quadrilha que roubou bilhões de reais e nem uma única prova contra ele, uma só, existe?

“Eles” duvidam da competência de Moro e da polícia federal?

E por que então Moro e a polícia federal não acham nenhuma prova?

Até hoje ficam se pegando a um mísero triplex, que a própria Justiça, vou repetir, a própria Justiça já atestou que não é dele.

Mas vamos lá, digamos que fosse.

Como alguém que comanda uma quadrilha responsável pelo maior roubo da história “leva” só aquele triplex?

Os que roubaram confessaram e estão soltos.

Todos ricos, morando em verdadeiras mansões.

Mas, para serem soltos, havia uma condição; apontar para Lula como o chefe.

Onde está a fortuna de Lula, oriunda do maior roubo de todos os tempos?

Que diabos de Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) incompetente é esse, que diabos de Polícia Federal incompetente é essa, que diabos de Ministério Público Federal incompetente é esse, que ninguém consegue descobrir onde está o dinheiro que Lula roubou?

Como uma fortuna desse tamanho não aparece em nenhuma investigação do Coaf, o mesmo órgão que, sem nenhum esforço, descobriu a lama da família Bolsonaro?

Qual é o tamanho dessa fortuna que ninguém consegue mostrar?

Onde está a tal riqueza assombrosa do filho de Lula?

Onde estão os seus aviões, mansões, iates, fazendas, Friboi?

Onde está qualquer atuação de Marisa Lula recebendo dinheiro na sua conta ou indicando amigas para cargos no governo?

Idiotas sim.

Completos idiotas.

Ninguém tinha mais dúvidas.

Mas, desde a campanha de Aécio já tinha ficado claro que não eram somente isso.

O cinismo já se exibia e isso se acentuou de forma marcante no golpe que derrubou Dilma.

Toda a indignidade da Terra baixou naquele dia, naquele plenário, naquela votação, naqueles homens e mulheres pequenos que a derrubaram.

E foi aí que um novo elemento se mostrou de forma despudorada.

O mais perigoso.

Ele não entrou em cena, já estava lá.

A canalhice.

A canalhice saiu daquele ambiente e tomou o Brasil.

“Não votei em Flávio. Votei em Jair” é simplesmente o reflexo de uma sociedade que, estúpida e cínica, resolveu, enfim, assumir-se.

E o fez com vontade.

Sem pudor.

Sem retorno.

Bolsonaro e as milícias: a desinformação do eleitor comum é compreensível, mas de FHC e Ciro Gomes, não

FHC e Ciro

Publicado originalmente no Face Book do autor

Professor Luís Felipe Miguel

Confirmadas as suspeitas sobre as ligações do clã Bolsonaro com o crime organizado, fica evidente que as urnas de 2018 levaram ao poder o grupo mais podre de nossa história.

Não é só extremismo, despreparo, hipocrisia e primarismo intelectual. É banditismo puro e simples. Perto deles, Aécio está no jardim de infância.

Surpresa? Não.

O eleitor desinformado, guiado por algum pastor de whatsapp, podia se iludir. Mas quem acompanha um pouco da política brasileira tem motivos para desconfiar há tempos da ligação dos Bolsonaros com as milícias do Rio de Janeiro.

Quer dizer: o grande empresariado sabia quem estava apoiando. As emissoras de TV, Globo incluída, sabiam quem estavam apoiando. Os grão-tucanos, como Doria, sabiam quem estavam apoiando.

Sergio Moro sabia quem estava apoiando.

E Ciro Gomes e FHC também sabiam quem eles ajudavam a chegar ao poder com seu silêncio no segundo turno.