#ElaSim

#EleNão - Salvador'''

Por Ronaldo Souza

Escrevo sob dois sentimentos.

O primeiro, de tristeza.

O entusiasmo com que a minha filha chegou em casa vindo do #EleNão me fez ficar triste.

Não pude ir.

Emocionei-me vendo-a dizer como foi.

A quantidade de gente, pessoas idosas com nítida dificuldade para andar (sendo ajudada por parentes), cadeirantes, negros, brancos, homossexuais, ricos, pobres.

Povo.

O Povo Brasileiro.

O clima, o mesmo, conhecido de outras jornadas; muita sintonia e a chama da eterna luta pela causa, algo que conhecemos como ninguém.

Temos lado, temos causa.

E eu não estava lá.

“Meu pai, só pensei em você”.

Mais triste ainda.

Mas os olhos dela brilhavam tanto que mandaram embora a minha tristeza.

O entusiasmo dela me contagiou e então comecei a ver o que não fui ver.

Por já ter estado lá tantas vezes, algumas com ela, pude sentir a velha emoção; ver, sentir, tocar nas pessoas…

Eu estive lá.

E nunca estive tão bem acompanhado.

Ela, que em tantas outras vezes também esteve lá, era agora a dona da festa.

A mulher.

Ela, que só nasce quando o homem dá uma “fraquejada”.

Ela, que tem que ganhar menos que o homem porque engravida.

A mulher idiota, mentirosa e analfabeta.

A mulher estuprada, a depender de sua beleza.

Foi essa mulher que foi às ruas do Brasil ontem, encurralou e venceu o fascismo e seus pequenos machos.

Foi essa mulher que soltou o peito e a voz contra homens inseguros, com medo, frustrados, que buscam refúgio na violência.

A mulher.

#ElaSim.

‘Mito’ do herói honesto é soterrado por acusações e trapalhadas

Bolsonaro, mito soterrado

Por Mauro Lopes

A campanha de Bolsonaro caminhava sobre uma montanha sob risco iminente de uma avalanche, sem que o eleitorado disso soubesse e sob um cerco de proteção das elites e da mídia conservadora. Mas a terra ruiu, veio a avalanche e o “mito” caiu montanha abaixo. O mito do homem honesto está soterrado sob toneladas de denúncias e debaixo de uma sequência de trapalhadas e barbaridades raramente vistas na cena política nacional. Será o suficiente para abalar sua candidatura? Ele irá muito enfraquecido para o segundo turno ou sequer passará pela peneira do primeiro?

Cedo para dizer, teremos que esperar pelas próximas pesquisas. O eleitorado de Bolsonaro parece em boa medida operar numa bolha, infenso ao mundo exterior, que enxerga como uma ameaça, cercado por inseguranças, medos e ódio contra a esquerda, o comunismo, a liberdade sexual, a cultura. O sociólogo Marcos Coimbra, diretor do instituo Vox Populi, acredita que o mais provável é um enfraquecimento de Bolsonaro, sem que a avalanche consiga tirá-lo do segundo turno.

Foi uma sucessão vertiginosa.

De “homem honesto” e “candidato da família” a acusado pela ex-mulher de furto, violência, indício claro de corrupção (aqui).

De candidato fascista a caminho de uma candidatura de perfil neoliberal a líder de uma trupe de patetas. Seu economista-chefe, o ex-posto Ipiranga Paulo Guedes, causou um desastre de enormes proporções ao propor a recriação da CPMF e uma mudança nas regras do Imposto de Renda mais regressivas que já se tem conhecimento. O general do capitão, seu candidato a vice, tornou-se uma usina de desastres, da defesa de um golpe militar a uma Constituinte sem eleição, de xingamentos a indígenas e quilombolas a ofensas a mães e avós chefes de família, até o último desastre, o ataque frontal ao 13º salário. Uma confusão tamanha que ambos, posto Ipiranga e general, foram recolhidos ao silêncio por ordem expressa de Bolsonaro.

O problema da ordem de Bolsonaro é que ela levanta uma questão. Quem manda na campanha? O jornalista José Roberto de Toledo, apontou com precisão e mordacidade: na hierarquia e mentalidade militar capitão não manda em general. “Estivessem ambos na ativa, Bolsonaro seria preso por quebra de hierarquia”, escreveu Toledo (aqui). O fato é que Bolsonaro mandou Mourão ficar quieto há pelos menos duas semanas. E o general ignorou solenemente até agora.

O mito está soterrado. Até a mídia conservadora, que vinha tratando-o com a deferência de Bolsonaro ter se tornado seu “plano B” depois que Alckmin naufragou, perdeu a paciência e começa a produzir manchetes contra o ex-mito. A revista Veja, à beira da falência, deixou de lado por uma semana seu ódio a Lula para dedicar uma rara capa a outro tema: o processo da ex-mulher contra o capitão.

As revelações da reportagem a partir do processo movido por Ana Cristina Siqueira Valle no processo de separação de Bolsonaro em ação a partir de abril de 2008 são contundentes. As acusações de Ana Cristinar relatadas em Veja:

• Bolsonaro ocultou patrimônio pessoal da Justiça Eleitoral em 2006. Quando foi candidato a deputado federal, declarou que tinha um terreno, uma sala comercial, três carros e duas aplicações financeiras, que somavam, na época, 433 934 reais. Sua ex-mulher, no mesmo processo, anexou uma relação de bens e a declaração do imposto de renda do ex-marido, mostrando que seu patrimônio incluía também três casas, um apartamento, uma sala comercial e cinco lotes. Os bens do casal, em valores de hoje, somariam cerca de 7,8 milhões de reais.

• Bolsonaro tinha uma “próspera condição financeira” quando era casado com Ana Cristina, segundo ela própria. A renda mensal do deputado chegava a 100 000 reais — cerca de 183 000 reais, em valores atualizados. Na época, oficialmente, Bolsonaro recebia 26 700 reais como deputado e 8 600 reais como militar da reserva. Para chegar aos 100 000 reais, diz a ex-mulher, Bolsonaro recebia “outros proventos”, que ela não identifica.

• Bolsonaro, de acordo com Ana Cristina, furtou seu cofre numa agência do Banco do Brasil, em outubro de 2007, e levou todo o conteúdo: joias avaliadas em 600 000 reais, 30 000 dólares em espécie e mais 200 000 reais em dinheiro vivo — totalizando, em valores de hoje, cerca de 1,6 milhão de reais. O cofre ficava na agência do Banco do Brasil da Rua Senador Dantas, no centro do Rio. Seu conteúdo é incompatível com as rendas conhecidas do então casal.

• Bolsonaro era um marido de “comportamento explosivo” e de “desmedida agressividade”. Essa foi a razão que levou Ana Cristina a separar-se, segundo ela mesma informa.

Bolsonaro conseguirá, mesmo assim, ir ao segundo turno? Resposta em uma semana.

Sai efeito Bolsonaro, entra efeito Haddad

Efeito Haddad

Um breve comentário

Por Ronaldo Souza

Não gosto de falar de pesquisa e raras vezes o faço.

A razão maior para isso?

Os institutos de pesquisa.

Se alguém tem dúvidas, por exemplo, sobre o IBOPE, basta lembrar de um episódio bastante conhecido pelos baianos (existem outros).

Na disputa entre Jaques Wagner (PT) e Paulo Souto (DEM) para governador da Bahia, o IBOPE passou 300 anos afirmando que Paulo Souto ganharia no primeiro turno com 56% das intenções de voto (70% dos votos válidos). Jaques Wagner (PT) estava em segundo lugar, com 13%.

Jaques Wagner ganhou no primeiro turno com 53,00% dos votos válidos, contra 43,00% de Paulo Souto.

Foi muito “esquisito”.

Ficou feio.

Aquele momento representou a morte do “carlismo” na Bahia.

O Datafolha não fica muito atrás.

Os dois estão segurando Haddad.

Aguardemos.

Já tinha visto a matéria acima e não ia comenta-la. Foi aí que vi a de Fernando Brito (abaixo) e resolvi trazer as duas.

Na verdade, da primeira só trouxe o print .

Para não saírem por aí dizendo que é coisa de petralha, que o blog é petista, faço um registro.

O estudo foi feito pelo professor Sergio Wechsler, do Instituto de Matemática e Estatística da USP, com exclusividade para a GO Associados, da qual Gesner é sócio executivo.

Por sua vez, Gesner Oliveira é ligado ao PSDB e foi presidente do Cade durante o governo FHC.

Além disso, para você que tem ouvido falar muito em voto útil, veja a matéria de Fernando Brito.

Alguém quer falar em voto útil?

Haddad e gráfico

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Não é possível, claro, falar que uma eleição está decidida antes da contagem dos votos.

Mas é enganoso julgar que, pelos resultados de pesquisas de 2° turno, isoladamente, qualquer candidato é “melhor” que outro.

A Revista Forum publicou a análise do matemático Sérgio Wechsler, professor da dono da consultoria Numbers Care, que presta serviços de análise estatística a empresas e pesquisadores, preparada a pedido da Gesner Oliveira Associados.

Nela, usando um método complicado para nós, leigos, chamado inferência bayseana e utilizando as pesquisas de opinião publicadas até agora, o matemático agrega possibilidade de cada candidato passar ao 2° turno e, nele, vencer a disputa final.

O resultado está no gráfico e aponta, hoje, uma possibilidade superior a 99% de que Fernando Haddad vença as eleições.

“No 2º. turno, Bolsonaro perderia para Fernando Haddad: o candidato petista tem, no momento, formidáveis 99,96% de chances de bater Bolsonaro na disputa final. Considerados os dois turnos, Haddad tem, no momento, 99,4% de probabilidade de ser o próximo presidente da República”, diz o professor da USP à Forum.

Claro que ainda restam dez dias para que se produzam fatos novos e há eventos imprevisíveis quando se tem uma mídia e um sistema judicial que, faz tempo, deixou de lado a imparcialidade e o afastamento da política. E, portanto, as certezas políticas são muito menores que as matemáticas.

Mas, se é para falar em hipóteses de viabilidade de candidatos, do chamado “voto útil”, não há mais discussão possível. Não é uma questão de discutir vantagens de Ciro num confronto com Bolsonaro: é aceitar a evidência de que não é ele, em princípio, que irá para a disputa final.

A negação da vida

Carnaval

Por Ronaldo Souza

“A vida é bela. Viram? Então, com toda certeza, riram e choraram. Mais uma vez, a arte tenta mostrar como, às vezes, fazem a vida. Quem poderia, nas nossas vidas, gerar atos de tamanha violência, mesmo que disfarçada. Quem, pelo poder, poderia esquecer os mais elementares direitos à vida, através da arrogância e da prepotência. Mas, sobretudo, quem, como a personagem do filme, tem procurado dar vida à vida?

Mesmo assim, a vida é bela”.

Estes são os dois últimos parágrafos de A vida é bela, um texto que publiquei em março de 2008, no site endodontiaclinica.odo.br, aproveitando o título do filme que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro naquele ano.

Assim que digitei o título deste que escrevo agora, ele me veio à mente.

Fui ao site, reli e vi que, pouco mais de dez anos depois o modo como encerrei aquele texto não poderia ser mais atual.

Ninguém deveria precisar escrever sobre a beleza da vida.

Ela está aí para ser curtida, sentida, protegida.

Vivida.

“olhos bem mortos e apavorantes” não a veem.

“olhos bem mortos e apavorantes”, angustiados por não conseguirem ver que a vida é bela, veem-na sob o estigma das trevas, o estigma das noites onde não chega o amor.

As dificuldades com as quais convivemos no nosso dia-a-dia nunca nos fez ter a morte como companheira, como alguém que caminha ao nosso lado.

Não, nunca foi assim.

“Cor, riqueza, diversidade, simpatia espantosa e cordialidade” são a nossa marca.

Foi o “espírito brasileiro de inclusão, aceitação, amor e puro prazer na variedade” que nos fez ser vistos como o último povo feliz que ainda habitava a Terra.

Nós, que já perdemos tanto, não podemos perder a nossa alma.

Não podemos negar a vida.

Que soubemos viver como nenhum outro povo.

Assim reconhece o mundo, como bem descreve o ator britânico Stephen Fry, num depoimento emocionante.

https://www.youtube.com/watch?v=-plg-8f0Lv4

“Direitos humanos são para humanos direitos”

Por Ronaldo Souza

Apesar de ocuparem cargos que podem lhes dar algum destaque, determinados homens vivem no anonimato.

Por qualquer razão que seja, entretanto, não é incomum que a vida dê a essas pessoas oportunidades que normalmente não lhes seriam dadas.

E de repente, os holofotes se voltam para elas.

A excitação é imediata e, de certa forma, compreensível.

A excitação, no entanto, muito raramente se faz acompanhar do bom senso. Até porque, o bom senso costuma ter como companheiras e boas conselheiras a inteligência e a sensibilidade.

Aí o bicho pega.

De deputado medíocre (por várias razões, mas basta citar uma; em 27 anos como deputado só teve dois projetos) a forte candidato à presidência da república, de repente o capitão Bolsonaro se viu importante.

Ao se ver em destaque, a pessoa pode perder a noção de espaço e o controle de si mesma.

Vendo-se autoridade, assim passa a agir.

A partir daí tudo é possível.

Talvez não consigamos dimensionar o quanto deve ser complicado para certas mentes imaginar-se capaz sem ter a menor noção do real; a incapacidade.

Já ouviu dizer que mais importante do que as homenagens é merece-las?

As pessoas homenageadas não pensam assim.

Por não sermos capazes de imaginar o tamanho da dificuldade que isso deve representar, talvez devêssemos ser mais compreensivos com essas pessoas.

Bolsonaro e a burrice

Guga Noblat, filho do jornalista Ricardo Noblat, de O Globo, não agiu assim.

Tudo bem que nunca houve dúvidas sobre a capacidade cognitiva de Bolsonaro, mas bem que ele, Guga Noblat, podia ter sido mais cuidadoso com as palavras.

Quando me reportei ao general Hamilton Mourão (vice do capitão) e disse “um general, diga-se de passagem, à altura do capitão”, não errei.

Eles, capitão e general, devem possuir QI semelhante (de um dígito), a mesma sensibilidade, o mesmo profundo conhecimento sobre as coisas da vida, enfim, pensam igual.

Bolsonaro e Direitos Humanos

Em recente entrevista, o general mostrou seu potencial, com alguns momentos de grande brilho, como por exemplo quando disse que “direitos humanos são para humanos direitos”.

É uma frase de efeito e de grande profundidade.

Quantos mais poderiam dizer algo tão enriquecedor e pleno de sabedoria como essa frase?

Poucos!

Diante da proposta “higienista” do general, quem determinaria quais são os humanos direitos?

Na classificação de Bolsonaro-Mourão, certamente não estariam as mulheres, porque são seres inferiores e que só nascem quando o homem dá uma “fraquejada”, como diz Bolsonaro.

Ainda segundo o capitão, têm que ganhar menos que os homens porque engravidam (realmente, um defeito imperdoável da mulher; engravidar) e merecem ser estupradas (se não forem feias, claro).

Idiotas, mentirosas e analfabetas, aí sim, é que nada merecem mesmo.

Do catálogo de humanos direitos de Bolsonaro-Mourão certamente também não fariam parte os negros, os homossexuais, os índios e outros tipos inferiores como eles.

Sobre a relação do Brasil com os países da África e da América Latina, Mourão foi além e fez críticas com a mesma sutileza paquidérmica da dupla:

“E aí nos ligamos com toda a ‘mulambada’, me perdoem o termo, existente do outro lado do oceano, do lado de cá…”

General capitão'

Ou seja, já tínhamos um capitão do Exército Brasileiro que bate continência diante da bandeira dos Estados Unidos e agora um general que não deixa dúvidas sobre a sua preferência nesse sentido.

É bem possível que nesse momento, Guga Noblat esteja reforçando os comentários sobre a qualidade da escola militar.

Digo há muito tempo; o que move todos eles é uma coisa só; preconceito.

O general Mourão se imagina e se vê branco.

Como ele, com a mesma cor e o mesmo tom de pele, muitos se veem brancos.

E desfilam pelas passarelas das redes sociais todos os dias, tentando disfarçar o racismo embrenhado lá dentro, bem no fundo, no mais fundo das suas almas.

Imaginam-se brancos também, claro.

É o nazismo ignorante que não tem a menor noção do que é ser branco na concepção de Adolf Hitler.

É o nazismo que, na sua ignorância, desconhece completamente o que é o arianismo e o projeto de depuração da raça desse personagem da história universal cujo desequilíbrio dispensa comentários.

Aproveito para colocar outra frase que adoram e repetem como um mantra:

“Bandido bom é bandido morto”.

Meu Deus!!! Esta é uma das maiores demonstrações de ignorância e subdesenvolvimento que uma pessoa pode dar.

E a repetem com o orgulho pulsando forte nas veias onde corre o sangue nobre; o sangue da classe média brasileira.

Não é preciso ser um estudioso de Antropologia e Sociologia para perceber que, além de representar um acinte à dignidade do ser humano, frases como essa demonstram o profundo desconhecimento de princípios básicos necessários para o desenvolvimento do homem ao longo do tempo.

“Pô, São Pedro, tem como voltar, cara, pelo menos trocando um tirinho lá com o pessoal  que merece, porra”?

Nesse discurso brilhante, o filho de Bolsonaro mostra qual será o seu argumento para voltar à Terra assim que se deparar com São Pedro; “trocar um tirinho”.

Bolsonaro percebeu há muito tempo, e seu filho também, a inteligência e sabedoria do seu eleitor. Por isso elevam o nível.

“Trocar um tirinho”!

O DNA de uma família será agora de um povo?

Do povo brasileiro?

Este país não suportaria tamanho retrocesso.

Os dias não eram assim

Por Ronaldo Souza

Quando olho para trás vejo sem dificuldade que a minha vida parece ter sido “guiada” por alguém.

E se há algo que me agrada é ver que ela não foi linear.

Não se trata de altos e baixos.

Dramas e tragédias?

Não, não os vivi.

Não foi por aí, mas, certamente, houve mudanças de rota bem significativas.

Fiz eu próprio, “alguém” me conduziu, as duas coisas?

Isso não me aflige, não me tira o sono.

É grande e gostosa a sensação de que fiz o que canta Zeca Pagodinho; deixei a vida me levar.

Num desses momentos conheci a minha companheira.

O que vinha sendo tão “incidental”, acho que posso chamar assim, continuou sendo em boa parte, diria até com uma dose de inconsequência um pouco acima do tom.

Mas a sabedoria dela passava a ser fator importante para o homem que estava em formação.

Com ela aprendi muito.

E as nossas filhas chegaram.

Ali estava tudo.

Ali estávamos nós.

Ali estavam as nossas ligações com o mundo.

Que nos fizeram curtir mais e melhor o passado como doce lembrança, viver o fogo do presente e projetar o futuro.

O nosso, que continua vivo, mas, sem poder negar que, sobretudo, o delas.

Nesse Universo, foi muito o tudo que construimos juntos.

Foi com elas que aprendi a ver com mais clareza o feminino que há em mim.

Como diz Gilberto Gil na sua bela canção:

“Minha porção mulher que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É que me faz viver”.

O meu futuro é feminino.

Elas são o meu futuro.

Por elas, sofro por esse legado de horror, com tanto preconceito, ódio e violência.

Por elas, também me sinto vítima dessas aberrações, desses homens violentos.

Homens que desrespeitam e ofendem as suas próprias companheiras e filhas.

Homens que, mesmo quando vítimas da violência que disseminam, apontam armas, simbólicas ou não, como reflexo da violência que vive neles.

Homens que, mesmo no leito de um hospital, com a saúde seriamente abalada, não percebem a dimensão da vida.

Não, não alimento nenhum ódio por homens como Bolsonaro.

Na busca de uma vida que me permita viver em paz comigo mesmo, não posso e não devo alimentar esse ódio.

Ainda que seja um sentimento pesado, tenho, isso sim, pena de quem parece não encontrar um sentido maior para sua vida, que deveria ir além, muito além, do preconceito e do ódio.

Quanto às mulheres que votam em Bolsonaro, só me resta chorar por elas, porque parecem ter perdido o amor próprio.

Depois de tantas lutas e conquistas, parecem não saber mais o que significa ser mulher.

Como saber, assim, reconhecer um homem?

“Eu preciso é ter consciência do que eu represento nesse exato momento
No exato instante na cama, na lama, na grama,
Em que eu tenho uma vida inteira nas mãos”.
Gonzaguinha

https://www.youtube.com/watch?v=EJw5fthOk00

Muito me importa e agride a face da violência que mata o melhor da criança; a sua inocência e pureza.

Bolsonaro e criança arma

No entanto, muito além disso me angustia a mente doente por trás desses gestos.

Naquela criança ainda moram a inocência e a pureza que vi nas minhas filhas e você viu nas suas.

Por isso, muito mais do que pelas mulheres que caminham ao lado de homens como o capitão Jair Bolsonaro, homens que não sabem o que é ter uma vida nas mãos, choro pelo futuro dos seus filhos, particularmente de suas filhas.

Porque terão sido fruto de uma “fraquejada”.

Serão idiotas.

Serão analfabetas.

Serão estupradas, a depender de serem bonitas ou feias.

Serão vagabundas.

Corpos e almas em festa

Música e alma

Por Ronaldo Souza

Por conta da finalização de uma pequena reforma no nosso apartamento, desde sexta feira estamos na casa de nossa filha mais velha.

Apesar de não estarmos “completos” (a mais nova está fora de Salvador), não há como não festejar nossos corpos e almas numa grande alegria.

Curtindo bastante e neste momento ouvindo música, por uma feliz coincidência recebi e vi um vídeo que um amigo enviou.

Simplesmente maravilhoso.

Vim ao computador e “peguei” na Internet.

Curta um dos maiores compositores brasileiros em uma de suas belas músicas, uma das maravilhas da música brasileira.

Após entrevista no JN, Haddad se encontra com Chico Buarque

Haddad na Globo

Antes, porém

Por Ronaldo Souza

Estava escrevendo um texto que nada tem a ver com política, quando parei um pouco para respirar e aí resolvi dar uma olhada na internet. Li então a matéria da Revista Fórum.

Não vi a “entrevista” de Haddad ao JN, como não vi nenhuma outra. São pelo menos 10 anos que deixei de assistir à Globo, particularmente ao seu “jornalismo”.

Vi, porém, alguns comentários em sites e blogs.

Bonner (aquele mesmo que disse que vê quem assiste ao Jornal Nacional como um Simpson, personagem medíocre em inteligência e sensibilidade de “Os Simpsons”, desenho animado da televisão) e Renata Vasconcellos fizeram da entrevista uma inquisição dos tempos da Idade Média.

Foram 62 interrupções às tentativas de respostas de Haddad (tinham sido 17 com Alckmin). De 27 minutos de inquisição, 16 ficaram com Bonner/Renata, sempre em tom agressivo. Somente 11 minutos com Haddad. Não foi uma entrevista bem conduzida?

Em uma das interrupções, Renata Vasconcellos se superou:

– O senhor já respondeu à pergunta de Bonner. Acho que ele já está satisfeito.

Ou seja, cale a boca!

Ao que Haddad respondeu:

– Mas eu não estou.

Segundo o jornalista Kiko Nogueira, a frase de Renata deve entrar para a antologia dos momentos mais vergonhosos da imprensa brasileira.

Quem conhece minimamente a obra de Nelson Rodrigues sabe de uma peça chamada “Bonitinha, mas ordinária”.

Veja o que disse Arcírio Gouvêa Neto, ex-jornalista do Globo e atual presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa):

“Me sinto envergonhado vendo o jornalismo brasileiro acabar de ser vilipendiado e ultrajado por Willian Bonner e Renata Vasconcellos nesta sessão de inquisição aos melhores moldes dos inquisidores da Idade Média. Isso não foi e jamais será jornalismo”.

Por que, de repente, às vésperas da eleição presidencial, a Globo resolveu massacrar Haddad?

Por que, de repente, às vésperas da eleição presidencial, resolveram ressuscitar coisas de até mais de três anos que já tinham sido abandonadas porque são inverdades comprovadas para tentar bater em Haddad?

Por que novamente a história de mais um “poste” de Lula???

Por uma razão bem simples; a Globo e os demais órgãos de imprensa estão em pânico.

É claro que ao dizer isso os coxinhas/bolsomicos não estão entendendo nada.

Não entendem porque da pesquisa DataFolha só mostraram a eles os números aparentemente favoráveis. Esconderam alguns gráficos, aqueles que mostram o crescimento assustador de Haddad.

Haddad estava crescendo a 1% ao dia (resultado da transferência de votos de Lula para ele), o que deve aumentar porque somente agora ele foi definido como o “cara” que vai ficar no lugar de Lula.

Isso só começou, porque é o próprio DataFolha quem diz que nada menos que 32% dos eleitores votarão com certeza no “candidato indicado por Lula”; além disso, outros 16% podem vir a votar, portanto, potencial de votos de 48%, que seria suficiente até para uma vitória em primeiro turno.

Esses dados só foram divulgados ontem, sábado, mas toda a imprensa já sabia.

Quer mais um dado?

Ainda de acordo com o DataFolha, a preferência partidária se mantém disparada no Partido dos Trabalhadores; a maioria dos eleitores não tem um partido de preferência (58%), mas entre os que citam uma legenda, 21% mencionam o PT, contra apenas 3% do segundo colocado, o PSDB; o MDB, de Temer, e PSL, de Bolsonaro, registram 2%, enquanto PDT e PSOL têm 1% cada”.

Por que será que a jornalista Eliane Cantanhede amanheceu o domingo dizendo que todos os candidatos deviam se unir contra o crescimento de Haddad?

Enquanto isso, ficam forçando a barra com a nossa língua para manipular os coxinhas/bolsomicos e aí, claro, eles ficam, como sempre, ignorando tudo. Quem tudo ignora…

Esse erro foi intencional, para alimentar a manada. Fazem isso todos os dias. Perceberam o exagero da forçação de barra e o consequente ridículo e corrigiram.

Sabe quem oscilou?

Ele mesmo, o capitão. Esse sim, dentro da margem de erro.

O crescimento de Haddad pegou todo mundo com as calças na mão (aguardemos as próximas pesquisas, a não ser que “segurem” os resultados um pouquinho).

O Valor, jornal dos Marinho, e o senhor “mercado” já estão falando de Haddad e Bolsonaro no segundo turno, com grandes chances para o… primeiro.

De acordo com Ciro Gomes o capitão “é o cabra marcado para perder no segundo turno”.

O ambiente, aliás, está ótimo entre eles, com o general vice tentando dar outra facada no capitão (seria a terceira, porque a segunda ele já deu). Um general, diga-se de passagem, à altura do capitão, o que é um elogio, tendo em vista que este é um “jênio”.

Devo dizer que também não vi os comentários sobre o episódio nas redes, mas consigo imagina-los. Com certeza, os “jênios” acharam Haddad muito fraco.

Gosto muito dos comentários deles.

Vamos sintetizar numa frase dita por eles em um momento qualquer; “não haverá passeata da direita pra defesa de corruptos ladroes”.

É sério?

Quem foi que coloriu as avenidas paulistas de verde e amarelo na luta contra a corrupção ao lado de Aécio, Serra, Alckmin, Geddel, Aleluia, Imbassahy… (o que fizeram do Farol da Barra, um dos cartões de visita de Salvador, meu Deus!!!).

De que convento eles são?

Querem se fazer de que?

Eles assustam pela incapacidade de fazer uma simples e única ligação, piores do que eu imaginava.

Estão fazendo igualzinho a Alckmin, quando diz em seu programa político que “o PSDB não tem nada a ver com o governo Temer”.

Enquadram-se basicamente em uma das duas categorias:

  1. Absurdamente ignorantes por nada saberem
  2. Absurdamente cínicos (para não dizer outra coisa) por acharem que nada têm a ver com a corrupção de Aécio e companhia

Ou nas duas.

O bom de tudo isso para Haddad foi, sem dúvida, o encontro posterior com Chico.

Depois de encarar jornalistas com o padrão Globo/FIFA (Ave Maria, assunto pra três quilos de conversa) de qualidade, nada melhor do que um encontro com o talento e a leveza de Chico.

Prazer e honra concedidos a poucos.

Agora sim, veja a matéria do Fórum.

Após entrevista no JN, Haddad se encontra com Chico Buarque

Chico e Haddad

“Depois da Globo, Chico, porque ninguém é de ferro”, escreveu o candidato

No Rio de Janeiro, o candidato à presidência pelo PT, Fernando Haddad, teve um encontro com o músico e compositor Chico Buarque, após ser entrevistado no Jornal Nacional na noite desta sexta-feira (14). “Depois da Globo, Chico, porque ninguém é de ferro”, escreveu o candidato.

A entrevista na emissora chamou a atenção pelo tom inquisitório e pela quantidade de interrupções dos apresentadores. O candidato petista foi interrompido 62 vezes, enquanto o presidenciável tucano, 17 vezes.

“Não sei o que mais me impressionou: se o sangue frio e o poder argumentativo de Haddad ou o se o ar e a postura inquisitoriais dos ‘entrevistadores’, que já tinham réplicas antes da elaboração completa da resposta”, disse o escritor Lira Neto, autor, entre outros livros, de Getúlio, a biografia do ex-presidente Getúlio Vargas.

A foto com Chico Buarque fez sucesso nas redes. Em apenas 2 horas, a publicação já somava mais de 1,7 mil compartilhamentos e 7 mil reações. “Enquanto uns são apoiados por Gustavo Lima, Felipe Melo, Danilo Gentili… outros são apoiados por Chico Buarque. A diferença é gigante”, disse um internauta.

Pura coincidência

Moro Richa

Olha o Moro aí, gente

Por Ronaldo Souza

Vamos ser breves e diretos?

O grande Sérgio Moro nunca pôs a mão em nenhum tucano.

É só olhar; Aécio, Serra, Alckmin, Beto Richa (não vamos ficar perdendo tempo citando os outros) estão soltos há séculos.

Todos do PSDB.

Certamente ninguém sabe, ninguém viu, portanto, ninguém lembra daquelas fotos maravilhosas de Moro e Aécio às gargalhadas em um evento da IstoÉ. Ali também estavam Alckmin, Serra, Temer…

Ninguém conhece também a blindagem ao PSDB.

Todas as investigações, processos, inquéritos são… arquivados.

Agora mesmo, a Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, mandou arquivar mais um inquérito contra Aécio.

Motivo!

Tem muitas delações contra Aécio, mas não tem… provas.

SEN-SA-CIO-NAL.

As estripulias de Beto Richa são por demais conhecidas e o homem continuava livre, leve e solto.

Como Aécio.

Eis que de repente, não mais que de repente, Moro manda prender Beto Richa.

Estranho, esquisito, inacreditável, incompreensível, inexplicável, injustificável, fim do mundo…

Moro mandou prender um tucano!!!

Vi até jornalistas surpresos.

Com a inteligência aguçada que possuem, Merval Pereira e Sardemberg devem ter ficado que nem baratas tontas.

Eu, baiano, filho de Caetano Veloso, sobrinho de Gilberto Gil, neto de Dorival Caymmi, com toda falta de pressa que herdei deles, fiquei pensando, pensando, pensando, pensando, pensando, ops, esqueci que tinha que parar, e então caetaniei:

– Aí tem coisa, ou não!

Dr. Moro correu pra se justificar.

Disse que o suposto esquema de corrupção de Richa “não se trata de um crime trivial”. Ou seja, a coisa é pesada.

Mas o Dr. Moro só descobriu agora?

Pô, capitão… ah, não, desculpe. Capitão é o outro, o do sangue invisível.

Pô, dr. juiz-promotor-delegado-concursado, logo em cima das eleições!!!

Moro é danado.

Você faz ideia de como estava a disputa atual pelo Senado no Paraná?

Não?

Estava assim:

Roberto Requião       43%
Beto Richa                  28%
Flávio Arns                 17%

Somente dois senadores serão eleitos.

Beto Richa, como se pode ver, estava em segundo lugar, portanto, ia ser eleito com Requião, este em primeiro lugar.

Preso e desmoralizado (a mulher dele foi presa também, foi para desmoralizar mesmo), Richa agora está fora do páreo.

O terceiro lugar então passará a ser o segundo colocado e, assim, será eleito.

Quem é ele?

Flávio Arns.

Não tô dizendo que esse Moro é danado.

Preciso que nem um relógio suíço.

Tudo dele é bem programado.

Em cima das eleições!!!

Ah, sim, quase esqueço.

Você sabe quem é Flavio Arns?

Veja a matéria do GGN.

Prisão de Beto Richa favorece aliado de Rosângela Moro na eleição do Senado

Rosângela Moro e Flávio Arns

Foto divulgada pela equipe de Flávio Arns em 2014, no Flickr. Da esquerda à direita:
Rosângela Moro, esposa do juiz Sergio Moro e atual procuradora da Federação das
APAES; a então presidente da Federação Nacional das APAEs, Aracy Lêdo e Flávio Arns

No dia em que o PT deve fazer a substituição oficial de Lula por Fernando Haddad na disputa presidencial, o Ministério Público Federal e Estadual no Paraná, junto com a Polícia Federal e a Justiça estadual e federal, deram à imprensa uma outra pauta para ocupar o noticiário: a prisão do ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB).

O que a maior parte dos veículos da grande mídia tem esquecido de contar aos seus leitores é que a prisão de Richa, a menos de 1 mês da eleição, favorece um aliado de Rosângela Moro, esposa do juiz federal Sergio Moro: Flávio Arns, ex-presidente da Federação Nacional das APAEs, que tem como procuradora jurídica a primeira-dama da Lava Jato.

GGN já produziu uma série de reportagens sobre as ligações entre Rosângela Moro, os Arns, as APAEs e o governo do Paraná. Acesse por aqui.

Richa e sua esposa, Fernanda, foram presos nesta terça (11), em Curitiba. A ordem, de acordo com o Estadão, partiu da Justiça estadual, não de Moro, na operação Patrulha do Campo.

Mas a Lava Jato sob Moro também colocou nas ruas uma mega operação, batizada de Operação Piloto, com cerca de 180 agentes cumprindo 36 ordens de prisão, busca e apreensão e outras diligências, contra aliados do ex-governador tucano.

Ou seja: a investida contra Richa ocorre, simultaneamente, em duas frentes.

Antes das 10h, o Estadão já havia publicado uma série de reportagens a respeito da Operação Piloto, incluindo trechos de delações premiadas e documentos utilizados para sustentar a tese de que houve um suposto esquema de corrupção no governo do Paraná e pagamento de propina por parte da Odebrecht, em 2014, por obra envolvendo a “duplicação, manutenção e operação da ordovia estadual PR-323”, uma PPP (parceria público-privada).

Desde a semana passada, Joaquim de Carvalho, no DCM, tem chamado atenção para a investida da Lava Jato contra Richa.

As pesquisas de opinião feitas nos últimos tempos vinham indicando que Richa tinha condições de ganhar uma das duas vagas ao Senado pelo Paraná. Ele aparece com 28% das intenções de voto, atrás apenas de Roberto Requião (PMDB), com 43%.

Com a candidatura de Richa atacada pelo Judiciário e MP, quem sai beneficiado na corrida pelo Senado é Flávio Arns, ex-vice-governador do Paraná que está filiado à Rede de Marina Silva, e tem 17% das intenções de voto.

A família Arns confere à advogada Rosângela Moro algumas parcerias profissionais. Ela é procuradora das APAEs (Associações de Pais e AMigos dos Excepcionais), “que têm na pessoa de Flávio Arns sua maior liderança”, segundo o DCM. Ele já foi presidente da instituição algumas vezes e, até o ano passado, era do conselho consultivo.

A relação de Rosângela, que ainda hoje é a procuradora jurídica da Federação das APAEs, com a família Arns não para por aí. Ela também integrou equipe do advogado Marlus Arns, sobrinho de Flávio. Marlus foi advogado de delatores na Lava Jato, que foram homologados por Sergio Moro, a despeito da relação com a esposa.

Obs. do Falando da Vida – Que não digam que não foi Moro quem mandou prender, mas a justiça estadual do Paraná. São analfabetos políticos, mas não podem querer zombar da inteligência dos outros.

O alto custo das eleições

Bolsonaro eleito''

Por Ronaldo Souza

De acordo com os membros do iBope (instituto Bolsonaro de obtusidade e produção de estupidez), a pesquisa que tinha acabado de sair dava Bolsonaro com 88% das intenções de voto. “Todos os outros juntos”, incluindo o nine apedeuta preso, tinham 12%.

Bastaria uma análise bem simples, uma só, para se perceber a sensatez, inteligência e sensibilidade existentes nesse percentual, fruto de uma mente bastante rudimentar.

No texto que então escrevi sobre isso (veja aqui), eu disse;

Observe que o IBOPE nem saiu ainda.

O Vox Populi deve sair antes dele e do DataFolha.

E afirmei.

E quando o IBOPE sair não vai confirmar essa ‘notícia’. Como é que fica?.

O IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) saiu e realmente não confirmou aquele percentual, tampouco o fizeram o Vox Populi e o DataFolha.

No pouco tempo de que disponho, nem sempre posso ou mesmo quero escrever sobre determinados temas.

No momento, política é um deles.

O nível dos comentários é um horror, baixíssimo, o que torna qualquer diálogo impossível.

Cansado disso, deixei de lado, nada escrevi.

No entanto, é muito difícil ficar indiferente a tanta estupidez e canalhice, ainda mais quando estas dão as mãos e saem por aí agredindo a tudo e a todos. Diante disso, vamos aos fatos.

Bolsonaro 88% foi divulgado pelo iBope (instituto Bolsonaro de obtusidade e produção de estupidez) em 24/07. Uma semana depois, 02/08, a pesquisa do IBOPE foi divulgada.

Aqui está ela.

Ibope'

Como se vê, Lula tinha 33% e Bolsonaro 15%, menos da metade.

De onde teria saído aquele percentual?

Claro, do iBope, o instituto Bolsonaro de obtusidade e produção de estupidez.

Quanto à minha preocupação “E quando o IBOPE sair não vai confirmar essa ‘notícia’. Como é que fica?, claro, era e é tola.

Eles não estão nem aí. Nada mais importa.

O que se conhece hoje como fake news, insisto, é pura canalhice.

Nesta semana vi outra.

Não sei se detectada mais recentemente por algum outro “instituto de pesquisa” ao qual só eles têm acesso, foi postado que Bolsomito teria 75%.

Bolsonaro eleito'''

“Jênios”.

Divulgam com fogos e banda de música o que seria uma queda absurda, de 88% para 75%.

Em apenas um mês.

Eles não percebem.

Aliás, nada percebem.

No mesmo dia, porém, saiu mais uma pesquisa do IBOPE, a que está aí embaixo.

Ibope nacional 20.08.2018

Lula subiu ainda mais e tem mais que o dobro de Bolsonaro 88.

Logo em seguida, nesta quarta-feira (22/08) foi divulgada aquela que vem sendo apontada como a mais completa até agora, a do DataFolha.

As pesquisas de modo geral são realizadas num universo de pouco mais de 2.000 pessoas. Esta, do DataFolha, foi realizada num universo muito maior; 8.433 entrevistados.

Veja o que diz.

DataFolha 22.08

Não gosto de falar de pesquisas e raras vezes faço isso, como você que me lê já deve ter percebido. No entanto, fica difícil suportar as bobagens ditas.

Mas o que elas estão mostrando é que Lula está a cerca de 2 pontos de ganhar no primeiro turno, num evidente contraste com os 88 ou mesmo 75% dados pelos Bolsominions.

Torna-se evidente a lavagem cerebral a que estão sendo submetidos ao longo desses últimos tempos, o que trouxe danos irreversíveis ao que outrora foi um cérebro.

E isso se acentuou diante do recente episódio que envolve renomados juristas internacionais do Comitê da ONU em relação à candidatura de Lula.

Capitaneados não pelo capitão Bolsonaro, claro, (compreenda que nada se deve exigir de mentes como a do capitão), mas pela Globo, a mídia pôs de plantão os seus expoentes para emitir opiniões “orientando” aos seus seguidores como “pensar” sobre o episódio.

Assim, têm desfilado diariamente jornalistas com o peso de Merval Pereira e Sardenberg (inegavelmente, “jênios” da comunicação) apontando para a insignificância da ONU.

Nesse concurso de pérolas a serem ditas e escritas, outros se esmeram nas suas interpretações do episódio.

Eliane Cantanhede, por exemplo, colunista do Estadão, caprichou ao chamar o Comitê de Direitos Humanos da ONU, integrado por alguns dos mais renomados juristas internacionais, de “comitezinho”.

Nesse deserto, o poder judiciário do Brasil, em consonância com o momento, comemora os dias felizes que vive o país soltando os pulmões com a cantora Alcione, tendo à frente Carmen Lúcia (presidente do stf) e Raquel Dodge (procuradora geral da república).

Certamente, um gesto grotesco e de nenhum bom senso.

Elas nada sabem sobre o samba, um sentimento nacional.

Mas temos sim que lutar para não deixar morrer o samba no país em que quem o criou, o seu povo, vive excluído e infeliz.

Ressalve-se que ambos, mídia e poder judiciário, enalteceram e fizeram juras de amor a esse mesmo Comitê de Direitos Humanos da ONU em outros momentos.

Veja trechos da matéria do jornalista Joaquim de Carvalho, no DCM

A imprensa, que praticamente ignorou o comitê de direitos humanos da ONU no episódio da decisão favorável a Lula, deu destaque ao órgão em maio deste ano, quando a decisão tomada era desfavorável a Lula.

A defesa do ex-presidente havia pedido medida cautelar da ONU para obrigar o Estado brasileiro a libertar Lula, enquanto os recursos não fossem julgados pelas cortes superiores no Brasil.

O jornal O Globo deu à notícia o título “Comitê da ONU rejeita recursos da defesa contra prisão de Lula” e a publicou na página principal tanto do G1 quanto do jornal. O Estadão destacou “ONU rejeita pedido de Lula contra a prisão”.

E fez um editorial em que ataca a defesa de Lula:

“O recurso à ONU prestava-se tão somente a tentar escamotear o fato de que Lula da Silva é um criminoso comum, um cidadão brasileiro que, diante das graves acusações oferecidas contra ele pelo Ministério Público Federal, foi submetido ao devido processo legal e condenado após a apresentação de seus argumentos de defesa”.

Fez ironia diante da declaração do porta-voz do comitê de que não seriam concedidas medidas cautelares no caso de Lula.

“Resta saber se a ONU também faz parte do ‘complô’ contra o ex-presidente”, tripudiou o jornal.

A versão da ‘perseguição política’ pode mobilizar militantes, mas não órgãos sérios e apartidários.”

Vários ministros já tinham afirmado anteriormente que o Comitê está acima da lei no Brasil, entre eles Carmen Lúcia, Luis Roberto Barroso e Rosa Weber.

Ou seja, até bem pouco tempo um órgão sério e apartidário ao qual se devia obedecer, o Comitê de Direitos Humanos da ONU é agora um “comitezinho insignificante”.

Com declarações infantis e ridículas, jornalistas e poder judiciário tentam desqualificar a determinação da ONU.

A verdade é que perderam o pouco de vergonha que imaginávamos ainda lhes restar.

Os reis estão todos nus.

E cada vez mais a exibição da absurda incapacidade de Bolsonaro em produzir duas frases com alguma conexão será percebida por mais gente e é muito pouco provável que ele permaneça impune a isso.

Já está sendo comparado a Marina Silva, dizendo uma tolice para logo em seguida voltar atrás, como fez ao dizer que ia retirar o Brasil da ONU (demonstração clara e assustadora do seu total desconhecimento sobre as coisas mais elementares que envolvem as relações de um país como o Brasil) e que não ia mais participar de debates.

Ao voltar atrás e desdizer tudo, Bolsonaro mostra claramente que já não é ele quem comanda a sua campanha.

Para tornar o candidato mais palatável, estão tentando fabricar um “novo” Bolsonaro.

Ao mostrar-se assim, fraco, inseguro e desorientado, só perde apoio.

Não é à toa que a sua rejeição tem aumentado de maneira inesperada nas pesquisas (nesta semana chegou a 59%), algo que se acentuou após a sua participação no programa Roda Viva, reflexo evidente de que quanto mais tempo tem para falar pior é para ele.

Não se pode pretender que seus seguidores percebam coisas assim.

Essas mesmas pessoas, por outro lado, também não percebem que Moro é o maior cabo eleitoral de Lula.

Graças à sua insana obsessão na perseguição a Lula, desde 2015 o ex-presidente vem revertendo toda a expectativa que existia em torno dele e só faz subir nas pesquisas.

Ao se defender no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) da acusação de extrapolar e descumprir uma ordem judicial que determinava a soltura do ex-presidente Lula, Moro argumentou que a medida provocaria uma “situação de risco”.

Ao usar essa argumentação, o juiz claramente sinalizou que imagina que, como seus seguidores, todos perderam a capacidade de pensar.

Não percebem também que Moro já foi descartado, algo de que já falei algumas vezes, a última quando disse que ele seria o próximo bagaço de fruta a ser jogado pela janela.

Confira.

Já digo há algum tempo que o juiz Sérgio Moro é um homem limitado.

Disse também lá no começo, quando o circo começou a ser armado, que ele sairia menor na sua empreitada e que, como o ex-ministro Joaquim Barbosa, seria mais um bagaço de fruta chupada a ser jogado pela janela.

Ao dizer isso, o que muitos irão pensar?

Quem ele acha que é para chamar de limitado um juiz de Direito, ainda mais quando esse juiz é o Dr. Sérgio Moro?

Por algumas razões, não perderei tempo com isso.

Sérgio Moro é sim um homem de horizonte intelectual curto e, como homem do Direito, desmoralizado.

Por razões óbvias, os seus seguidores não perceberam e não perceberão, mas Moro sabe o quanto já foi derrotado pelo advogado de Lula, Dr. Cristiano Zanin. Este não só o derrota seguidas vezes, como o expõe a situações vexatórias.
(Veja o texto completo aqui Um juiz desmoralizado e perdido)

Eles não percebem os movimentos, mas cada vez isso está mais claro.

“Moro estava condenado a me condenar”

A sagacidade dessa frase de Lula jamais será alcançada por ele, Moro.

O juiz não percebeu e continuou na sua cruzada pessoal.

Não tinha chances, o inimigo sempre foi muito maior do que ele.

Também nus e absurdamente mais ignorantes estão eles, os seguidores dos reis.

Uma comprovação disso é o que parece querer ressurgir.

Alguns estão querendo trazer de volta um dos momentos mais tristes do golpe em Dilma, aquele em que se uniram em torno do deputado federal Eduardo Cunha e construíram o movimento “Somos todos Cunha”.

Foi, sem dúvida, um dos momentos mais pobres da vida brasileira nos últimos tempos.

Preservando a linha mestra da manada, o pensamento binário, algumas das mentes rudimentares que compõem o iBope (instituto Bolsonaro de obtusidade e produção de estupidez) já estão ensaiando os primeiros passos nesse sentido.

Aqui e ali já se ouve.

“Somos todos Bolsonaro!”

“Somos todos Moro!”

Aproveito, modificando um pouco, o que me disse há dois dias um colega professor quando falou do desnudamento de muitas pessoas com as quais convive.

Esse será o maior legado de figuras como Moro, Bolsonaro…

A imbecilização de uma sociedade.