Desmoralizado já há algum tempo e agora perdido na sua obsessão, o outrora pop star e juiz Sérgio Moro parece não perceber que o seu alto índice de rejeição demonstrado pelas pesquisas é pura e simplesmente um reflexo da autofagia que se impôs.
Obstinado pela destruição de um homem e seu partido, na realidade destruiu a sua carreira que, agora se sabe, não lhe conferiria, como professor, nenhum reconhecimento acadêmico, e como juiz de Direito, o respeito que a profissão já rendeu em tempos passados. Mas que, por outro lado, também não conduziria ao ocaso que o aguarda assim que finda a missão que lhe foi dada.
A cegueira que provocam os holofotes nos momentos de resplendor torna opaca a visão, mesmo quando aqueles se apagam ou diminuem a sua intensidade. A pessoa não recebe mais uma imagem clara do que deveria estar enxergando.
A matéria abaixo é antiga, de 12/08, mas, vale a pena ler para se ter uma ideia de como passam por cima de tudo, na perseguição insana, como jamais visto, a um homem.
Dia a dia só aumenta a angústia do juiz.
Veja alguns trechos da entrevista de Rogério Galloro, diretor-geral da Polícia Federal, ao Estadão.
Trinta homens do Comando de Operações Táticas (COT), a tropa de elite da Polícia Federal, estavam a postos com suas armas para invadir o Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo. Com mandado de prisão expedido pelo juiz Sérgio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva resistia a se entregar.
Na primeira entrevista desde que assumiu o cargo, há cinco meses, o diretor-geral da PF, Rogério Galloro, relata detalhes das negociações para levar o petista a Curitiba naquele sábado, 7 de abril. O número um da polícia se aproximou dos negociadores de Lula: “Acabou! Se não sair em meia hora, vamos entrar”. Em seguida, ordenou que os agentes invadissem o prédio no fim do prazo estipulado.
Foi um dos piores dias da minha vida. Quando eles (interlocutores de Lula) pediram detalhes da logística da prisão, nos convenceram de que havia interesse do ex-presidente de se entregar ainda na sexta (6 de abril, prazo dado pelo juiz Sérgio Moro). Acabou o dia e ele não se apresentou. Nós não queríamos atrito, nenhuma falha.
Chegou o sábado, Moro exigiu que a gente cumprisse logo o mandado. A missa (improvisada no sindicato) não acabava mais. Deu uma hora (da tarde) e eles disseram: ‘Ele vai almoçar e se entregar’.
O sr. perdeu a paciência em algum momento?
No sábado, nós fizemos contato com uma empresa de um galpão ao lado, lá tinha 30 homens do COT (Comando de Operações Táticas) prontos para invadir. Ele (Lula) iria sair em sigilo pelo fundo quando alguém, lá do sindicato, foi para a sacada e gritou para multidão do lado de fora, que correu para impedir a saída. Foi um susto. A multidão começou a cercá-lo e eu vi que ali poderia acontecer uma desgraça. Ele retornou.
Qual era o risco?
Quando tem multidão, você não tem controle. Aquele foi o pior momento, porque eu percebi que não tinha outro jeito. A pressão aumentando. Quando deu 17h30, eu liguei para o negociador e disse: ‘Acabou! Se ele não sair em meia hora nós vamos entrar’. E dei a ordem para entrar. Às 18h, ele saiu.
…
Por que o ex-presidente está na superintendência da PF?
Isso não nos agrada. Nunca tivemos preso condenado numa superintendência. É uma situação excepcional. O juiz Moro me ligou, pediu nosso apoio, ele sabe que não temos interesse nisso. Mas, em prol do bom relacionamento, nós cedemos.
…
O sr. conversou com o ex-presidente na prisão?
Eu estive na superintendência, mas não fui vê-lo. É um simbolismo muito ruim. O segundo momento tenso para a PF envolveu a ordem de soltar Lula dada pelo desembargador Rogério Favreto e a contraordem de Moro e dos desembargadores Gebran Neto e Thompson Flores, do TRF-4. Eu estava no Park Shopping, em Brasília, dei uma mordida no sanduíche, toca o telefone. Avisei para a minha mulher: ‘Acabou o passeio’.
Em algum momento a PF pensou em soltar o ex-presidente?
Diante das divergências, decidimos fazer a nossa interpretação. Concluímos que iríamos cumprir a decisão do plantonista do TRF-4. Falei para o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública): ‘Ministro, nós vamos soltar’. Em seguida, a (procuradora-geral da República) Raquel Dodge me ligou e disse que estava protocolando no STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra a soltura.
‘E agora?’ Depois foi o (presidente do TRF-4) Thompson (Flores) quem nos ligou. ‘Eu estou determinando, não soltem’. O telefonema dele veio antes de expirar uma hora. Valeu o telefonema.
A primeira coisa que me veio à mente foi; será que o mau se perdeu de vez, foi às últimas consequências e agrediu alguém fisicamente?
Explico.
Já falei aqui algumas vezes sobre a violência galopante de Bolsonaro e sobre isso há poucos dias posteiA voz da violência, texto de Janio de Freitas, na Folha de São Paulo.
É claro que a essa altura, pela obviedade, falar dessa violência e da burrice que a acompanha deveria ser absolutamente desnecessário.
Mas não é.
Os “profissionais” do IBOPE (Instituto Brasileiro de Obtusidade e Produção de Estupidez), seguidores e admiradores de Bolsonaro, continuam sem limites.
Tentando justificar a participação do “mito” no programa Roda Viva, um deles fez a brilhante ponderação acima como resposta ao comentário simples, direto e bastante lúcido do meu querido amigo, professor Marcel Arriaga.
Não assisti ao programa, mas, pelo seu padrão nos últimos tempos, tenho certeza de que Bolsonaro esteve à altura dele.
Apesar de mau, o capitão não foi mau, foi mal.
E ir mal é característica dele sempre que a ocasião exige que os seus dois neurônios trabalhem juntos, como equipe. Nessas horas, dizem que é comum ouvir-se o barulho dos dois neurônios batendo cabeça.
Mas, mau Bolsonaro não foi, como inicialmente cheguei a imaginar pelas palavras do seu fiel seguidor, um bolsominion à altura do capitão.
Pelo menos não tomei conhecimento de que tivesse agredido fisicamente nenhum dos entrevistadores.
Mau, malvado, perverso, cruel, foi justamente ele, o fiel seguidor, com a língua portuguesa.
E, por favor, que não se atribua ao corretor. Testei essa possibilidade algumas vezes e ele não entrou em ação.
A razão de viver deles, Lula, o nine apedeuta, representa uma tortura que eles se auto impõem pelo preconceito e ódio que determinam suas vidas.
Tanto o criticam pela ignorância e se expõem na exuberância da própria.
Como se alimentam disso, os subprodutos, depois de metabolizados, são dejetados sob a forma de violência e de… insensatez.
Como devem sofrer!
Ainda que, pelas próprias e claras limitações pessoais, não percebam o sofrimento e muito menos a raiz dele.
“A estupidez se coloca na primeira fila para ser vista; a inteligência se coloca na retaguarda para ver”. Bertrand Russel
Se todos os idiotas percebessem que são idiotas, haveria um suicídio coletivo em larga escala
O Facebook enfrenta um momento de turbulência em todo o mundo, o que tem sido bastante divulgado.
No Brasil, particularmente, se deu muito mal porque não foi capaz de perceber com quem estavam lidando.
O MBL gastou muito dinheiro com a empresa de Mark Zuckerberg em troca de milhões de acessos.
Uma relação normal no mundo capitalista entre um grupo liberal de grandeza e tradição inquestionáveis, cujo comandante, Kim Kataguiri, é reconhecido pela sua intelectualidade e dignidade, e uma empresa poderosa que fatura bilhões de dólares.
O Facebook mantém esse tipo de relação em várias partes do mundo.
Ao ver, porém, o mundo desmoronar, começou a querer limpar a sujeira do seu armário.
E foi aí que se deu mal.
Pelo menos no Brasil.
Na faxina que está tentando fazer, Mark Zuckerberg fechou o cerco contra as “fake news” e extinguiu 196 fanpages vinculadas ao MBL.
Abro um breve parêntese para explicar que fake news é uma expressão em inglês que, como você sabe, está na moda.
As expressões em línguas estrangeiras podem assumir significados diferentes a depender do contexto e não é incomum que se tornem mais palatáveis pelo tratamento “suavizado” que lhes dão, particularmente se ditas em inglês.
A rigor, numa tradução livre para o português, fake news significa canalhice.
Quem faz uso da canalhice com frequência é canalha.
É simplesmente o que acontece nas redes sociais há muito tempo e, pasmem, na grande mídia também.
De volta ao tema da nossa conversa, fechar as fanpages do MBL pode ter sido fatal ao facebook.
A reação dos “jovens” que comandam esse grupo foi brilhante, aliás, uma característica deles.
Foram para a porta do Facebook em São Paulo bradar contra aquela famigerada “conspiração internacional comunista”.
Assim mesmo.
Ao chamar o Facebook de “conspiração internacional comunista”, o MBL chamou a atenção do mundo para o comunismo da empresa americana.
O faturamento de bilhões de dólares anuais é pura fachada, é tudo comunista. Deve ser a tal esquerda caviar de que falam alguns doutores, igualmente brilhantes, nas redes sociais.
Nem a CIA tinha conhecimento disso, portanto, uma grande descoberta dos “jênios” do MBL e que representa mais um momento histórico em que a humanidade é salva da praga do comunismo.
Quem diria, hein?
Mark Zuckerberg, um safado de um bolivarianista!!!
Esse mundo tá perdido.
Gente, pode haver resposta mais “jenial”?
Uma coisa que ninguém sabia, que o Facebook é uma “conspiração internacional comunista”, o MBL vai lá, e muito sutilmente, entrega de bandeja à CIA.
E olha que Kim Kataguiri e seus pupilos nem precisaram ir aos Estados Unidos para fazer essa importante denúncia.
Como sabem que a CIA tem andado muito por aqui numa ação conjunta com Moro e a Lava Jato, perceberam que era suficiente fazer a denúncia aqui mesmo.
Em breve, a CIA deverá convidar o MBL para ser homenageado e veremos os meninos nos mesmos voos de Moro indo receber placas e títulos nos Estados Unidos.
Agora se segure aí porque depois veio outra pancada.
Os meninos mostraram toda a sua força ao dizerem que a rede de Mark Zuckerberg perdeu 16 bilhões de dólares na bolsa por ter “atacado” o MBL.
Gente, o Facebook perdeu 16 bilhões de dólares na bolsa porque atacou o MBL.
Olha a força desses nossos brilhantes meninos.
Quem poderia pensar que Kim Kataguiri e o MBL eram isso tudo?
Fico imaginando como devem estar as palmas das mãos daquelas mentes diferenciadas que encheram o Farol da Barra, Avenida Boa Viagem, Avenida Atlântica e todas as demais avenidas paulistas do Brasil, vestindo o amarelo vitorioso e dignificante da CBF, com os muitos aplausos que estão dedicando aos seus orientadores políticos.
Eles, que sempre fizeram manifestações embalados pela cantiga dos MBLs da vida, devem estar em estado de êxtase neste domingo de sol.
Aliás, também ensolarados devem estar o Farol da Barra, a Avenida Boa Viagem, Avenida Atlântica e todas as demais avenidas paulistas do Brasil, quem sabe à espera de novas manifestações com os raios fúlgidos emanados pelas camisetas amarelas, numa sábia analogia (feita por eles) ao amarelo da Bandeira do Brasil.
Pobre Mark Zuckerberg.
Como poderia imaginar que o MBL e seus seguidores amarelinhos eram tão inteligentes e poderosos?
Um jovem brilhante, para alguns beirando a genialidade, mostrou-se incapaz de enfrentar os “jênios” do MBL.
Os “jênios” do MBL e seus Blue Caps.
Obs. Não quero nem falar do outro lado da moeda. Somente quando foram contrariados é que Kim Kataguiri e os meninos do MBL expuseram que durante todos esses anos negociaram com comunistas internacionais, uma relação explicitamente bolivariana. Será que o MBL é comunista? Será que o MBL é a esquerda caviar?
Recebi a imagem acima hoje pela manhã e me disseram que ela foi postada no facebook.
Que o jogo é sujo ninguém pode ter mais dúvida.
Observe que o IBOPE nem saiu ainda.
O Vox Populi deve sair antes dele e do DataFolha.
A pobre mente que fez essa postagem sabe que o capitão não passa dos 20%, teto apontado pelos especialistas, como mostra a matéria abaixo da Exame, uma das revistas preferidas da nossa rica e culta classe média.
E quando o IBOPE sair não vai confirmar essa “notícia”. Como é que fica?
Você acredita que se trata de desinformação de quem postou ou essa “desinformação” tem outro nome?
Esse IBOPE, na verdade, significa Instituto Brasileiro de Obtusidade e Produção de Estupidez.
Não há aí nada que cause qualquer tipo de surpresa.
O que se pode esperar de pessoas cujos instintos mais primitivos afloraram com intensidade jamais imaginada para o estágio de desenvolvimento que supúnhamos ter alcançado?
Mentiras, difamações, perseguições, escancara-se o que há de mais podre na alma humana.
É assustador.
A bestialidade atingiu níveis inimagináveis.
As bestas estão completamente soltas.
Nesse circo dos horrores, nem as crianças foram poupadas.
Já fui informado de que nas redes sociais estão pipocando e sendo compartilhadas várias outras situações iguais a essa.
Gestos e atos animalescos tratados como algo absolutamente normal.
Mentes e almas aprisionadas nos porões da deterioração moral.
Resolvi trazer uma crônica de Jânio de Freitas, um dos jornalistas mais respeitados desse país, de nove dias atrás.
Bolsonaro mobiliza o que há de pior no Brasil
Por Jânio de Freitas
Os limites legais e os limites dos costumes caem no Brasil sem cessar e sem obstáculos. Mas Jair Bolsonaro, contribuinte para os dois ramos da ceifa, avançou demais a pretexto da pré-candidatura à Presidência. Sua pregação da violência, mesmo que criminosa como a das milícias, passou a fazer o incentivo explícito e público aos assassinatos.
Ei-lo, depois de vestir uma faixa presidencial, no sul do Pará, uma das duas regiões rurais de maior criminalidade: “Esses marginais que cometeram esse crime [morte de um açambarcador de terras] não merecem lei, não. Merecem é bala.” E foi por aí.
Um defensor de menos injustiça social não precisaria chegar a tanto para que estivesse atolado em processos criminais. E preso.
Bolsonaro jamais correu tal risco, nem qualquer outro decorrente de leis. Desde o início como agitador da violência, quando usou a então mulher para ameaçar com o corte explosivo da água para o Rio, caso sua turma de tenentes não recebesse aumento, Bolsonaro aplica à vontade a sua vocação. Para ele não há Procuradoria-Geral da República, Ministério Público, Judiciário, como não houve Justiça Militar. Há pouco, o comandante do Exército posou com o pré-candidato para foto logo incluída na campanha eleitoral.
Bolsonaro está levando pelo país afora, com maior presença nas áreas mais conturbadas, a sua pregação da violência e da arma como “um direito dos cidadãos”, em detrimento das condutas legais. É propaganda contra a Constituição. E não só. Também se contrapõe às ansiedades da população e aos esforços, tantas vezes fatais, pela contenção da violência.
Bolsonaro mobiliza o que há de pior no Brasil. Sob os olhares viciados dos que deveriam agir sem distinções na proteção do Estado de Direito.
Um exemplo pelo avesso desse vício faccioso está na repercussão da sentença que absolveu Lula (e mais seis) de “obstrução à Justiça”.
A absolvição ressaltou-se por fugir ao esperado, interrompendo uma sequência de fatos similares já no quarto ano. Solução reveladora para um caso revelador: o próprio juiz federal Ricardo Soares Leite refere-se à sua percepção de uma montagem suspeita. A do encontro em que o então senador Delcídio do Amaral insiste em fantasiosa fuga de Nestor Cerveró, cuja anomalia facial bastaria para repeli-la.
O Ministério Público não esteve alheio a esse episódio. E muito menos à segunda montagem, em que o nome de Lula entrou no depoimento de um Delcídio do Amaral desesperado por obter dos procuradores da Lava Jato, a qualquer custo, o prêmio da liberdade. Recebeu-o sem demoras.
Se estava dito todo o desejado, para que as provas de repente exigidas pelo juiz de Brasília? Não foram apresentadas, nem existiam. Os procuradores estavam, e continuam, habituados com Curitiba. Assim como o deputado Bolsonaro com a ética da Câmara, com a Justiça Eleitoral e com o Ministério Público.
O desejo é “conversar” sobre as coisas da Odontologia, particularmente da Endodontia. Obrigado pela sua presença na nossa página. Seja muito bem-vindo ao Endodontia Clínica.
Criado em 2007, o site nasceu para falar das coisas da Endodontia, como está escrito aí em cima e no site desde o seu primeiro dia.
Entretanto, entre as suas várias seções estava uma que aparentemente nada tinha a ver com Endodontia; “Falando da Vida”.
E era justamente ela que vinha ocupando um lugar todo especial.
Às outras seções, todas falando de Endodontia, era dedicado o maior espaço do site.
Ali estavam o dentista, o endodontista e o professor.
Em “Falando da Vida” estava o homem.
Destinada a falar, como diz o nome, da vida, pretendia que os temas fossem os mais diversos; música, cinema, futebol, política, enfim, o dia-a-dia…
E assim vinha sendo.
Com o tempo, porém, as “nuvens lá no mata-borrão do céu”, como cantam João Bosco e Aldir Blanc, foram ficando cada vez mais escuras.
Ainda que nuvens escuras nos céus de um país tropical possam ser abençoadas por trazerem as chuvas para enriquecer o solo, não é incomum que signifiquem tempestades violentas na vida do seu povo.
O dia se fez noite.
E aquele “escritor” que pretendia festejar a alegria da vida foi perdendo um pouco a alegria da sua.
O “Falando da Vida” foi atingido no peito.
Os textos ficaram tensos, pesados.
Como festejar a alegria da vida onde não há vida?
Como sorrir quando não há alegria?
Por que e como conseguiram implantar tanto preconceito e ódio na alma e no coração do “último povo feliz na face da Terra”?
A vida se embruteceu.
Irreversível.
Domingo, lavando os pratos e talheres do café da manhã, “alguém” me fez pegar um CD de João Bosco e Aldir Blanc para ouvir, coisa que há um bom tempo não fazia.
Há um velho ditado espanhol que diz; “não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem”.
Permitam-me; não acredito em seres divinos, mas que eles existem, existem.
Não vejo como explicar algumas coisas na minha vida se não for através de “alguém” que parece ter me conduzido em alguns momentos.
Acho que foi ele quem me fez pegar o CD de João Bosco e Aldir Blanc.
Chora a nossa pátria mãe gentil Choram marias e clarisses no solo do Brasil Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente (João Bosco e Aldir Blanc)
Passo a manhã do domingo, mais escrevendo do que lendo, em boa companhia.
Ao som de João Bosco e Aldir Blanc, Elis Regina, Chico Buarque, Belchior, Edu Lobo, Capinam, Milton Nascimento…
Poesia, música, talento, arte, compromisso… esperança.
Ainda que as nuvens estejam carregadas, os ventos, que sempre sopram, terminam por leva-las para longe.
É possível que algumas pessoas imaginem que fazer uma campanha política é algo simples.
Não é.
Para presidente da república então, nem se fala.
É um exercício diário que exige muita coisa.
De saída, ter o que dizer assume a condição de requisito fundamental.
Sem isso, nada feito.
Aí vem o resto.
Saber o que dizer, como dizer, em que momento…
Por incrível que possa parecer, alguns candidatos não apresentam as condições básicas para isso.
É isso que explica porque Bolsonaro já vem sendo adestrado há algum tempo.
Talvez muitos não percebam, por exemplo, que de vez em quando ele some, desaparece, não emite opiniões.
É que a sua equipe o “tira do ar” porque teme que ele tropece nas próprias pernas (por que será?).
No caso dele talvez seja apropriado dizer que a equipe (staff, como alguns preferem) teme que ele tropece na sua grande inteligência e sabedoria.
Nesse sentido, ele deveria tomar algumas aulas com Marina Silva, uma mestra no assunto.
Sempre que surge um tema que exige assumir uma posição, Marina se esconde em alguma agência do Itaú e fica lá por algum tempo.
Quando as coisas esfriam ela aparece.
E aí, claro, professa.
“É isso, é aquilo, aquilo outro…”
Diz um bocado de coisa.
E não diz nada.
Poucos dominam essa “arte” como ela.
Ninguém pode negar que ela é uma mestra em desaparecer quando a coisa esquenta.
Aécio usou muito esse recurso, mas agora, coitado…
Até a Globo está cuspindo nele, aliás, o que não representa nenhuma novidade.
Voltando a Bolsonaro, surge aí um problema que parece incontornável.
O que se deseja quando se adquire um Pitbull?
Que seja dócil e sensível?
Se perder as suas principais características, Bolsonaro deixa de seduzir boa parte do seu eleitorado.
Ao dizer as coisas que só ele consegue dizer ele encanta os seus seguidores.
Quem conseguiria, por exemplo, dizer a uma mulher em qualquer situação, ainda mais num ambiente público, com microfones e câmeras das principais redes de televisão registrando o “diálogo”, que não a estupra porque ela não merece, porque é feia?
Sim, estou falando do que aconteceu nos corredores da “Câmera” dos Deputados, como fala o “Exmo Juiz Sergio Moro” do alto da sua cultura.
Em que estágio do desenvolvimento parou o homem que é capaz de se dirigir a uma mulher e dizer algo assim?
Ora, ora, como diria Millôr Fernandes, Bolsonaro é um ignorantaço, mas é suficientemente esperto para saber que os seus eleitores iam ver a cena no Jornal Nacional e com os orgasmos múltiplos deles viria a garantia de mais uma reeleição.
Afinal, a identificação que existe entre o “mito” e seus eleitores vem justamente da inteligência, sensibilidade e leveza que os caracterizam.
Como ficariam os seus eleitores se de repente o vissem civilizado e mentalmente equilibrado?
Se em um dos seus belos textos, Fernando Pessoa, o poeta português, disse que “navegar é preciso”, pode-se adaptar a frase para momentos mais específicos.
Neymar incomoda o Brasil. A pergunta sobre o motivo do incômodo produz uma resposta: porque ele rompe com o paradigma do outro país criado pelo futebol brasileiro nos anos 50 e 60. Existem dois Brasis, aquele das práticas reais e aquele que nós gostamos de mostrar para fora, o país da igualdade racial e do fair play. Desde o final dos anos 50, quando o Brasil se sagrou pela primeira vez, campeão de uma Copa do Mundo, um outro país apresentou-se ao mundo. Ao invés do país do cada um por si, ou do último país que aboliu a escravidão e massacra a população negra diuturnamente nas favelas e nas prisões, o Brasil passou a ter uma nova imagem, a do futebol. Ali, brancos e negros jogam juntos e o que vale é a ideia do coletivo. Nenhum futebol é mais coletivo do que o do Brasil tocando a bola na frente da área do adversário. Gostamos de lembrar como Gérson, Zico, Sócrates e Ronaldinho Gaúcho faziam isso. É essa imagem que o futebol brasileiro desperta no mundo, a contra imagem do país desigual e pouco democrático que agora deu um passo à frente ao apresentar ao mundo um sistema judicial que não respeita nem as regras estabelecidas por ele mesmo. Ninguém melhor para expressar o que os brasileiros gostariam de ser do que um Garrincha, um Zico ou um Pelé, porque eles jogavam futebol por paixão e privilegiavam o fair play.
Neymar rompe com esta imagem desde que despontou no futebol porque ao invés de projetar para fora a imagem popular do bom e ingênuo brasileiro, ele incorpora as práticas das elites e fornece visibilidade para elas. Já na sua transferência do Santos para o Barcelona vimos esta faceta do Neymar. Ninguém sabe como a transação foi feita. No Brasil ela foi de um jeito e na Espanha de outro, uma prática aliás muito parecida com o recente escândalo dos doleiros apurado pela operação Cambio Desligo. Neymar também foi recentemente autuado pela receita federal por fazer o que toda membro da elite local faz. Ele transformou parte dos seus rendimentos como jogador em direitos de imagem alocados em uma empresa devido ao diferencial entre os impostos pagos pelas pessoas físicas e jurídicas no Brasil. Autuado pela receita ele conseguiu se safar da mesma maneira que grandes empresários o fazem. Assim, Neymar incomoda a elite brasileira porque ele faz de forma aberta e escancarada o que ela faz de forma simulada.
Todo mundo sabe qual é a dissimulação de Neymar na Copa da Rússia: ele cai na área, grita, finge que apanhou e no final coleta alguns benefícios extras para o seu time. Mas poucos percebem que esta dissimulação está também presente na grande tragédia brasileira do momento, a investida de Sérgio Moro contra o candidato líder nas pesquisas eleitorais para presidente. Sérgio Moro é um simulador, finge que é juiz imparcial enquanto implanta os vetos da elite a membros do sistema político. Sérgio Moro encontrou-se com Aécio em público e mostrou uma enorme intimidade com ele, mas negou que fossem amigos. Argumentou que encontrou com Aécio porque a “Isto É” reuniu os dois. Sérgio Moro tirou fotos no jantar de gala com João Dória em Nova York, mas também negou que fossem amigos. Segundo ele, havia muita gente convidada pela câmara de comércio Brasil EUA e Dória estava lá. Sérgio Moro desrespeita o STF desde os primeiros momentos da operação Lava Jato, mas nega que o faça. Quando o caldo entorna ele diz: este juiz pede respeitosamente escusas. Por fim, Sérgio Moro depois de argumentar que tinha foro em relação ao ex-presidente devido a ligação do caso com a Petrobrás negou nos embargos impetrados pelo ex-presidente a relação do caso com a Petrobras. Assim, Sérgio Moro agrada a elite brasileira porque ele faz de forma dissimulada o que a elite pede de forma escancarada: a punição do ex-presidente Lula e sua interdição política independentemente das regras do estado de direito ou do direito penal.
Nestes últimos meses Neymar e Sérgio Moro tiveram problemas. Os problemas de Moro são conhecidos. Apesar da enorme pressão midiática sobre o S.T.F. o respaldo que a corte lhe dá revendo inclusive o padrão histórico do direito penal brasileiro começa a esfacelar a própria corte. Moro foi derrotado três vezes pelo STF nas últimas semanas. Na discussão sobre as conduções coercitivas ele sofreu uma forte derrota já que a Lava Jato utilizou o instrumento agora declarado inconstitucional mais de 150 vezes. Moro também foi derrotado na decisão de libertação de José Dirceu que mostra que sua única vitória na questão da prisão em segunda instância é parcial e pode ser revertida. Finalmente, Moro levou um pito do ministro Dias Tóffoli na semana passada ao tentar intervir em uma execução penal que não está ligada a sua vara. O desgaste de Moro vem do mesmo lugar que o desgaste de Neymar, da visibilidade constante de atos de legalidade duvidosa que botam em questão a imparcialidade do juiz. O desgaste de Neymar aumentou com o VAR (vídeo assistante referee) que permitiu que os lances simulados fossem visualizados e criticados.
Dia 08 de julho domingo foi o dia do VAR de Sérgio Moro, o campeão da dissimulação da neutralidade judicial no país. Moro acordou em Portugal com a notícia que o desembargador plantonista do Tribunal Regional Federal da 4ª região havia dado um despacho favorável em um habeas corpus a favor do ex-presidente Lula. Foi então que ele resolveu reagir sem nenhuma simulação. De férias e sem ser o juiz da execução penal, ele escreveu um despacho contra a decisão do seu superior hierárquico. Vale a pena examinar o conteúdo do despacho que é mais uma vez um claro desrespeito às regras da hierarquia judicial que alguns acreditam estarem vigentes no nosso país.. Diz Moro, “… este juiz (no caso Rogério Favreto) assim como não tem poderes de ordenar a prisão do paciente, não tem poderes de ordenar a sua soltura.”. Assim, vemos de forma agora não dissimulada a posição de Sérgio Moro de se colocar como julgador e avaliador das instâncias judiciais acima dele. Se, até o momento, ele o fez de forma dissimulada agora o faz de forma aberta determinando (sic) que um desembargador é “absolutamente incompetente” em relação à decisão tomada. Tivesse o judiciário brasileiro uma organização hierárquica como a da Fifa, o que não é pedir demais, Moro certamente não seria escalado para mais nenhum jogo. A pergunta, no entanto, é: o juiz ator e dissimulador continuará julgando o seu réu preferido e tratando-o como sua propriedade ou o judiciário brasileiro irá perceber que o fim da dissimulação deve coincidir com o fim do jogo?
Leonardo Avritzer – Cientista Político e professor da UFMG. Autor do livro “Impasses da Democracia no Brasil”.
Nas suas respostas às entrevistas fica patente a sua ignorância.
Não entende nada de economia.
É um homem explicitamente violento.
Tudo com ele é na bala.
Segurança para ele é prender e matar.
O interesse por armas levanta muitas suspeitas.
Com ele cresce o lobby da indústria de armas.
Não pergunte a ele sobre relações exteriores porque é capaz de pensar que está falando do vizinho de porta.
Declaradamente assumido contra as minorias.
Homofobia, racismo, preconceito, intolerância…, são características marcantes nele.
Completo ignorante.
Como diziam os mais velhos, um cavalo batizado.
E olha que já vi algumas aberrações em termos de eleição para presidente da república.
Houve uma que quase se concretizou e teria sido, além de chocante, um desastre.
Foi na França.
Foi um escândalo na época.
Um país como a França, cuja consciência política é reconhecida, eleger um candidato de direita, direitona mesmo, era um atraso impensável para a Europa.
Chocou o mundo.
Confesso que não lembro o nome dele.
Os franceses, insatisfeitos com os acontecimentos mais recentes no país à época, queriam dar uma resposta ao governo.
Deram.
Resultado, o candidato em questão passou para o segundo turno.
Gerou uma tremenda inquietação na Europa e de resto em todo o mundo.
Felizmente, a sociedade francesa viu que tinha ido longe demais, retomou a consciência e no segundo turno o outro candidato ganhou com larga vantagem.
A França se redimia perante os olhos do mundo.
Claro que eu poderia estar falando de Bolsonaro, afinal todas essas “qualidades” que citei acima ele possui.
E estou!
Mas, antes, estou falando de Donald Trump.
O ídolo de Bolsonaro, como ele próprio já anunciou.
Dizem que temos o governo que merecemos, até porque somos nós que elegemos.
Apesar das particularidades das eleições americanas, em se tratando de Donald Trump é possível que essa relação de causa e efeito tenha algum fundo de verdade.
É muito difícil não pensar dessa forma, ainda mais quando olhamos para a sociedade americana.
E quando olhamos para ela nos vemos.
Ao nos vermos, veremos no que estão nos transformando.
A imagem acima foi tirada da matéria que você vai ler logo abaixo e está também lá.
Se essa criança nada lhe diz, eu choro por você.
Se esse olhar nada significa, tenho pena de você e de sua família.
Você me choca.
Você me traz repulsa.
O vômito que você provoca em mim você não vê, eu sinto.
Sinto-o contaminar as minhas entranhas e me fazer adoecer.
Doente, seguirei o meu caminho.
Pedindo aos céus para jamais ver esse olhar no rosto do seu filho.
Saiu ontem noThe New York Timese, hoje, aFolhareproduziu a história das crianças detidas nos Estados Unidos de Donald Trump, separadas dos pais, imigrantes.
Reproduzo o trecho inicial, suficiente para embrulhar o estômago de quem não tenha resistência para ir até o final.
Basta ler para comprovar que a imensa riqueza e poder daquele país não têm mais nada a ver com os seus pais fundadores, inspirados nos ideais humanistas da do século expressos na Declaração de Independência dos Estados Unidos da América:
“São verdades incontestáveis para nós; todos os homens nascem iguais; o Criador lhes conferiu certos direitos inalienáveis, entre os quais os de vida, o de liberdade e o de buscar a felicidade…”
Os pais destes meninos e meninas foram fazer exatamente isso: buscar a felicidade.
O que encontraram está descrito na reportagem de Dan Barry, Miriam Jordan, Annie Correal e Manny Fernandez.
Limpar banheiros, seguir regras: os dias das crianças imigrantes na detenção
Seja comportado. Não sente no chão. Não compartilhe sua comida. Não use apelidos. E é melhor não chorar. Se você chorar, isso pode prejudicar seu processo.
As luzes são apagadas às 21h e acesas ao amanhecer, e depois disso você tem que arrumar sua cama seguindo as instruções passo a passo fixadas à parede. Lave o banheiro e passe pano no chão, escove as pias e privadas. Depois disso é hora de formar uma fila para o café da manhã.
“A gente tinha que fazer fila para tudo”, recordou Leticia, uma garota da Guatemala.
Pequena, magra e com cabelos pretos compridos, Leticia foi separada de sua mãe depois de elas terematravessado a fronteira ilegalmenteno final de maio. Ela foi enviada a um abrigo no sul do Texas, um dos mais de cem centros de detenção encomendados pelo governo para abrigar crianças migrantes, espalhados pelo país e que são um misto de escola interna, creche e presídio de segurança média. Esses centros são reservados para pessoas como Leticia, 12 anos, e seu irmão Walter, 10.
A lista de proibições do centro incluiu a seguinte: não toque em outra criança, mesmo que essa criança seja seu irmãozinho ou irmãzinha.
Leticia queria dar um abraço em seu irmão menor, para deixá-lo mais tranquilo. Mas, recordou, “me disseram que eu não podia encostar nele”.
Em uma das minhas recentes postagens, em que falo de adolescentes em atitudes primaveris, Fábio Jatoba fez um comentário.
O comentário passaria despercebido não fosse a foto anexada.
E é por ela, foto, que lhe agradeço.
Ele não faz ideia do quão feliz me deixou.
Mesmo sem jamais tê-la visto antes, assim que a vi identifiquei o momento em que ocorreu e fui busca-la na Internet para mostrar; é esta que está aí em cima e que mostra o casal Lula e D. Marisa.
Ela me remeteu a duas coisas.
Não sei se Jatobá é nordestino. Se for, melhor ainda.
Sendo nordestino, tenho certeza de que em algum momento, mesmo inconscientemente, ele também deve ter adorado a foto, quem sabe até o casal que a compõe.
Conto a história dela.
Como sabemos, Lula é um nordestino que se tornou presidente do Brasil.
Foi reverenciado em todo o mundo e agraciado com uma quantidade invejável de títulos Doutor Honoris Causa das mais importantes universidades brasileiras e estrangeiras como nenhum outro brasileiro foi.
Também como nenhum outro brasileiro, foi recebido e saudado pelas maiores autoridades do mundo contemporâneo, reis e rainhas.
Reconhecido por Barack Obama, ex-presidente dos Estados Unidos, como o político mais popular da Terra, “o cara” jamais perdeu a sua simplicidade e jamais esqueceu as suas origens.
Há algo mais popular e “sagrado” do que o futebol no Brasil?
Ficaram famosos os babas (para os baianos, peladas para o resto do Brasil) no campo de futebol do Palácio do Jaburu.
Nunca se jogou tanto futebol nas esferas políticas.
E o São João?
A festa mais popular do Norte/Nordeste que, pelas diferenças culturais desse imenso país, não é festejada no Sul/Sudeste e Centro Oeste.
Essa festa tão nossa, tão nordestina, nunca tinha sido festejada por um presidente da república, muito menos nos ambientes palacianos da república brasileira.
Lula e D. Marisa fizeram isso.
Levaram o São João para Brasília, para dentro dos palácios, festejando-o várias vezes na Granja do Torto, uma das residências oficiais da presidência da república.
Dá para imaginar como alguns ministros e suas famílias e demais convidados devem ter “estranhado” a festa?
A verdade é que a festa tomou conta de todos.
Até procissão teve, na sua tradução mais genuína e religiosa.
Lula e D. Marisa sempre caracterizados como manda o figurino.
Lá não foram servidos vinhos franceses e canapés, mas bebidas e comidas típicas do Nordeste, características do São João que tanto nos têm deliciado ao longo dos anos.
Ali estava um homem com a autenticidade de sempre.
Um homem ligado às coisas de sua terra.
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é
Lula e D. Marisa (paulista descendente de italianos) sempre foram chamados e tratados como caipiras.
Se for nordestino, é possível que Jatobá saiba o que isso significa.
É possível, torço muito para isso, que Jatobá saiba o que de fato significa ser “baiano” ou “paraíba” e que peso isso pode ter em determinados momentos.
Pesa, por exemplo, na avaliação e no tratamento dado pelos “analistas” ao casal que ocupa o Palácio da Alvorada por quatro anos, “renováveis” por mais quatro.
Não se tem conhecimento na história contemporânea da política brasileira de nenhum presidente e primeira-dama que tenham sido tão humilhados pelos analistas, imprensa e elite brasileiros quanto Lula e D. Marisa.
A nossa elite, um desastre falando e pior ainda escrevendo, mas que se vê falando e escrevendo bem, nunca perdoou e jamais vai perdoar o fato de Lula não ter formação de “nível superior”.
Nem falar inglês ele sabe!
Será que Lula já foi à Disney?
Marisa, que não era bela, mas recatada e do lar, foi humilhada como nenhuma outra primeira-dama jamais foi em toda a história do Brasil. A crueldade e a covardia com que fizeram isso eram até então inimagináveis.
Colunistas sociais, estilistas, designers…, interlocutores da nata da sociedade brasileira, com as suas vidas repletas de vazio nunca pouparam a mulher de “cabelos desgrenhados”, como já se referiram a ela.
A classe média, ah, a classe média!!!
Caipiras!
Lula e D. Marisa nunca passaram de caipiras.
E não convém a ninguém, muito menos a um presidente da república, ser caipira.
A nossa elite, Jatobá, não suporta gestos e atitudes paraíbas.
Jatobá, você é nordestino?
Ainda que Ariano Suassuna seja inalcançável por muitos, seria recomendável que as pessoas procurassem conhece-lo além das risadas que ele provoca em vídeos que todos adoram e “morrem” de rir e procurassem, acima de tudo, o que Suassuna quer dizer com aqueles vídeos “engraçados”.
Conto com a “nordestinidade” de Jatobá para perceber a importância que alguns gestos e atitudes assumem quando diante de uma perspectiva maior, que muitas vezes não é alcançada por olhares menos atentos.
Seria uma leviandade da minha parte pensar, por exemplo, que ao anexar ao seu comentário a foto de Lula e D. Marisa vestindo roupas típicas da festa de São João (é de uma das festas sobre as quais falei), ele teria desejado caracteriza-los como “adolescentes em atitudes primaveris”, numa nítida analogia com a foto que ilustrava a minha postagem.
A foto que postei, que aproveito e trago para esta nossa conversa, tem um significado completamente diferente.
Aliás, ela não tem nenhum significado e nenhuma importância além de registrar o momento de dois adolescentes curtindo e se deixando iluminar pelas luzes dos holofotes da notoriedade.
Algo plenamente aceitável na vida de adolescentes e que não critico.
Fosse a foto de um casal adulto, aí sim, seria um desastre absoluto. Seria um alerta importante a denunciar o vazio da vida do casal.
A criança que chora pelo brinquedo que lhe foi retirado representa um momento típico e saudável do mágico mundo infantil.
Ao contrário, o adulto que, diante da contrariedade, se manifesta com comportamento infantil denuncia uma fragilidade psicológica preocupante.
Assim é a vida, que não transcorre de forma linear.
Pelo contrário, a vida se faz plena quando apresenta uma estrutura psicológica compatível com cada uma das etapas que se vive.
A vida que se mostra nem sempre é aquela que vivemos.
Não acredito, portanto, que Jatobá tenha pretendido fazer qualquer tipo de analogia, por impossível, entre a foto de dois adolescentes em festa e a de um casal caracterizado com o que há de mais genuinamente brasileiro em uma festa junina.
Aquela, repito, representa o momento de dois adolescentes curtindo e se deixando iluminar pelas luzes dos holofotes.
Nesta não brilham as luzes dos holofotes.
Brilham as luzes da alma, que se expressam no sorriso aberto como que a dizer; sejam bem-vindos.
Esta está cercada de todo um simbolismo, ainda que, lamentavelmente, as coisas simbólicas e emblemáticas não estejam ao alcance de olhares desatentos.
Mas não tenho nenhuma dúvida de que estão ao alcance da visão ampla de Jatobá, desprovida de qualquer tipo de preconceito.
A outra questão à qual me remeteu a foto é, para o mundo político, de menor interesse.
É mais de cunho pessoal.
Em tempos conturbados, de dificuldades de convivência entre as pessoas, de intolerância, preconceito e ódio exacerbados, ainda me comovo sempre que vejo relações pessoais lastreadas por companheirismo, compreensão, respeito, amizade e amor.
Sou sensível sim a esse tipo de relação.
E não há registro, caro Jatobá, de nenhum outro casal que tenha vivido naqueles palácios presidenciais de forma tão harmoniosa quanto esse de quem você anexou a foto.
Agora veja como somos pequenos.
Para esse casal comum, nove dedos (“nine”, como o chama um personagem do mundo das estrelas midiáticas) e cabelos desgrenhados, que vivia a vida como ela é, criaram muitas histórias, até casos de amantes.
Em uma foto, Lula aparece abraçado a duas mulheres. De um lado a “galega” (como ele carinhosamente chamava D. Marisa – coisa de paraíba) e do outro a amante. Isso ganhou espaço na televisão, jornal, internet…
Como você sabe, outros casais moraram ali, e um deles em especial, tinha um casamento pro forma; não existia mais.
A nossa querida e digna imprensa, que no caso do casal caipira até amante “apareceu”, abafava a todo custo a história do filho que o presidente teve com a empregada doméstica, história à qual já me reportei em outros momentos como neste textoA sujeira por baixo dos talheres de prata.
Como são questões familiares, particulares, ninguém tem nada a ver com isso, mas, diferentemente do presidente ignorante, que nem inglês fala e nunca foi a Disney, o presidente intelectual, que fala inglês (por sinal, muito mal, mas não vem ao caso) até hoje é tratado com todas as regalias.
Com a sua visão, Jatobá, tenho certeza de que você já percebeu essas coisas.
Como falei, politicamente talvez nada disso tenha importância, trata-se somente de um sentimento pessoal, algo que me toca.
Mas, “coincidentemente”, registrado por algumas pesquisas, aquele foi o período de maior felicidade que o povo brasileiro viveu nos últimos cerca de 70 anos.
Como explicar isso?
A resposta, caro Jatobá, como diz a canção de Bob Dylan, está soprando no vento.
A felicidade sopra forte no vento, se irradia e contamina as pessoas.
E eu estava perdendo um pouco isso.
Pelos dias que vivemos, vamos embrutecendo.
Mas, ao ver a foto que você anexou me enchi de alegria outra vez.
Vá lá em cima, Jatobá, e veja-a outra vez.
Quantas vezes vemos hoje sorriso tão expressivo quanto aquele, cheio de alegria?
De tão aberto, escancarado, espontâneo, nós, seres sociais, de sorriso contido, poderíamos chamá-los de bobos… caipiras.
Aquele sorriso soprava no vento, se irradiava e contaminava as pessoas.
Sorrir aquele sorriso nos tempos que estamos vivendo não é mais possível.
Sorrir aquele sorriso hoje, isso sim nos tornaria bobos.
Não são sorrisos para sorrir com dentes e boca.
Não são feitos para o facebook ou Instagram.
Sorrisos como aquele são construídos lá dentro do nosso ser e vão se convulsionando até explodir e tomar conta dos nossos corpos e almas.
São sorrisos da alma.
São sorrisos da alma de um povo quando está feliz.
* Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é – esta frase é de uma das belas músicas de Caetano Veloso, baiano.
Todos perceberam a vergonhosa articulação do juiz Moro com a polícia federal e o trf4 (tudo com letra minúscula mesmo) para manter Lula na prisão.
Só idiotas não perceberiam.
Esses vão continuar insistindo em não perceber.
É simples; uma mente programada para não ver, não vê.
Entretanto, mesmo para o leitor/telespectador da Globo, por ela estupidificado, era clara demais a manchete; Moro e a polícia federal armaram contra Lula.
Quando um juiz, a polícia federal e um tribunal inferior (não se pode chamar aquilo de Tribunal Superior) armam daquela forma, torna-se impossível negar que foram, para usar uma expressão mais amena, desonestos.
A manchete deixava isso bem claro.
Ela só pode ter sido obra de um daqueles jornalistas que trabalham lá mas que discordam (são muitos) da manipulação diária da “empresa de comunicação”. Num cochilo do editor, enfiou a manchete.
A Globo, literalmente, entregava os bandidos.
E aí estava o grande pecado dela; um juiz herói caçador de corruptos não pode ser descoberto como desonesto.
Rapidamente trataram de mudar.
Vi logo depois num blog que o PT estava procurando a manchete “original”, tendo em vista que ela já tinha sido removida.
Mas como você pode ver na imagem acima, eu já tinha feito o print dela.
Como fez com Joaquim Barbosa, a Globo sabe muito bem do que são capazes Sérgio Moro e Carmen Lúcia.
Você, por acaso, lembra quem ganhou os últimos “Faz Diferença”, prêmio da Globo?
Joaquim Barbosa, Sérgio Moro e Carmen Lúcia.
Aproveito para perguntar.
O que você entende como corrupção?
Os demais membros do judiciário são peças coadjuvantes.
Só que todo coadjuvante um dia também quer ser protagonista.
Quem deverá ser o próximo “Faz Diferença”?
Inscrições abertas.
Agora vejam a nova e definitiva manchete.
Percebeu como muda completamente a informação?
Assim trabalham a Globo e o resto da mídia.
Muitas notícias sequer são dadas. Eles simplesmente negam as informações aos seus bem informados leitores/telespectadores.
Outras, porém, não há como serem escondidas.
Como esconder, por exemplo, essa pataquada que fizeram?
Se não há como esconder, a notícia é “modificada”.
Manipulam-se os fatos, distorcem-se as notícias.
E os doutores, diferenciados pela formação superior, continuam sem acesso à verdadeira notícia.
Mas seguem se imaginando bem informados.
Quem ignora não percebe.
Claro.
Mas há uma outra razão para esse “desejo” inconsciente de se manter na ignorância.
A fuga daquilo que nos incomoda.
E a realidade incomoda.
Sabe-se que só lemos, ouvimos e vemos o que queremos ler, ouvir e ver.
Precisamos de quem nos diga e nos mostre o que queremos ouvir e ver.
É mais confortável.
Assim somos felizes.
As redes sociais que o digam.
Ah, como somos felizes!
Medo, uma companhia constante
Por que são feitos filmes com “artistas” como Chuck Norris?
Cinema e televisão estão cheios de filmes e séries desse tipo.
O cinema americano faz filmes de baixíssimo nível porque sabe que precisa alimentar as mentes débeis.
Mentes que precisam de heróis.
Que preservam o ideal do macho, do destemido, do que não tem medo.
Assim surge o juiz “destemido”, que não tem medo de ninguém.
E, o mais importante, prende ricos e poderosos!!!
Meu Deus!!!
Isso é de uma pobreza mental colossal.
Mas que, como Chuck Norris, faria vibrar um garoto de 15 anos de idade nos cinemas da vida.
Mas a vida real não é assim.
O que explica um juiz, ainda que seja Moro, que muitos juristas e professores de Direito identificam como um juiz limitado, agir a céu aberto como ele fez?
Sabendo que estava atropelando os mais básicos princípios do Habeas Corpus (um direito consagrado em todo o mundo), como estão apontando vários profissionais do Direito, por que o juiz deixou de lado as próprias férias, se desesperou em telefonemas lá de Portugal e se expôs tanto para impedir a liberdade de Lula?
Será que Moro não sabia que se Lula fosse solto naquele dia, no outro estaria preso novamente?
Bastaria uma reunião do trf4 (alguém duvida que ela ocorreria num estalar de dedos?) para o plenário derrubar a liminar.
A incompetência dele chega a esse nível?
O que fez, então?
Faltando-lhe inteligência e serenidade, fatais na vida de um juiz em momentos como esse, desesperado Moro recorreu à força.
Típico de homens que se escondem no poder.
“Dê poderes extraordinários a homens ordinários e você terá o caos”
(Frase atribuída a Jean Paul Sartre)
Homens poderosos nada ou pouco temem, porque o poder lhes permite muita coisa.
Mas não são valentes.
Pelo contrário, ausente a coragem, desesperam-se com relativa facilidade e agem impulsionados pelo medo.
O roteiro que lhe deram para seguir e que ele tem conseguido cumprir, por um instante pareceu-lhe querer fugir das mãos.
Acostumado com o poder que lhe permite, um simples juiz de primeiro grau, atropelar tudo e todos e que fez do STF e STJ isso que hoje são, Sérgio Moro entrou em pânico quando se viu ameaçado.
Por isso não conseguiu sequer disfarçar o desespero e se expôs tanto.
Sérgio Moro está com medo.
Está com medo de algo que é muito maior do que todos eles juntos.