Que tiro foi esse?

Moro neutro

Por Roberto Tardelli

Vamos pular as introduções desnecessárias. Com a condenação de Lula pelo TRF-4, absurdamente (matéria ainda não votada pelo STF), decretou-se sua prisão, para início de cumprimento de pena. Esse processo acabou na vara de origem, presidida pelo juiz Sergio Moro, e também se encerrou com  o acórdão condenatório e com a decisão de seguimento do caso para o STJ – recurso ordinário – e com a interposição de agravo para o STF – recurso extraordinário.

Moro e Gebran encerraram suas atividades de juízes, no processo. Terminaram seus trabalhos.

Com a prisão Lula, deu-se início à execução da pena, desta feita a cargo de uma Juíza de Direito, de outra Vara, que nada tem a ver com o juiz Sérgio Moro.

A prisão de Lula não revogou uma série de direitos que ele possui, como ex-presidente da república e o que acabou ocorrendo era aquilo que se previa: Lula acabou em ilegal e abusivo isolamento.

Ademais, Lula permanece com seus direitos políticos inteiramente preservados e, nessa condição, pode exercê-los, votar e ser votado, exatamente porque é pré-candidato à presidência, nas eleições de outubro próximo. Se não puder se manifestar, haverá evidente cerceamento a seu direito político. Os demais candidatos estão circulando e apresentando suas idéias ao país e Lula, ao contrário, sequer visitas pôde receber, permanecendo em ilegal isolamento.

Essa questão foi levada à Juíza que nada fez para alterar a situação de Lula e os advogados, que a gente em Direito chama de Impetrantes, entraram com Habeas Corpus. Todas as discussões sobre a responsabilidade criminal de Lula são estranhas ao HC, que se preocupou apenas com a sua situação política e seu isolamento prisional.

Não existe data para impetrar-se um HC, que pode ser apresentado ao Tribunal de Justiça de segunda a domingo e feriados. O HC foi impetrado na sexta-feira à noite e, por sorteio, havia dois desembargadores no plantão, foi destinado ao Desembargador Rogério Favreto.  Ele estudou a situação na noite de sexta-feira e no sábado, proferindo sua decisão liminar, no domingo, por força da qual concedia a liberdade ao Presidente Lula, entendendo fortes e coesos os argumentos da defesa e afastando o parecer contrário do MP.

O mundo caiu e um festival de desinformações e informações estapafúrdias teve início, com cenas constrangedoras e, diria, abusivas e que percorrem, sim, o Código Penal.

Rogério Favreto era competente para a decisão? Sim.

A matéria era relativa ao plantão? Sim, na medida em que se noticiava um estado permanente de grave ilegalidade na execução da pena de Lula.

Era cabível HC nessa situação? Em tese, sim, porque havia uma grave afronta ao direito do preso, não contornável por outra medida.

O Desembargador determinou a expedição de ofício ao diretor do presídio da polícia federal, em verdade, ao delegado de plantão, comunicando-lhe que Lula deveria ser posto em liberdade.

Num passe de mágica, surge de suas férias, o juiz Sérgio Moro, que determinou ao delegado federal que não cumprisse a ordem recebida.

Sérgio Moro poderia ter feito isso? Evidentemente que não. Por várias razões, a primeira delas é que Moro não mantém com o processo mais nenhuma relação, sendo pessoa inteiramente estranha a esse Habeas. Não é o juiz da execução da pena, não era o que s cuida chamar de autoridade coatora e não poderia, jamais, como juiz de primeira instância, determinar a uma autoridade policial que descumprisse uma ordem emanada de um desembargador, regularmente expedida, no bojo de um pedido específico.

Podemos dizer que Moro agiu por interesse ou satisfação pessoal e praticou ato contrário à lei; em outras palavras, cometeu, pelo menos, em tese, crime de prevaricação, previsto no Código Penal:

Art. 319 – Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:

Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.

Qual a competência de Moro para determinar ao Delegado de Polícia que não cumprisse a ordem de soltura? A mesma competência que teria Tite para determinar uma substituição na seleção da Bélgica ou da França…

Tudo piora para ele, Moro, se relembrarmos que ele se encontrava em gozo de férias regularmente concedidas. Isto é, fora do país – encontrava-se em Portugal – e fora da função judicante, ele jamais poderia ter dado a ordem que deu e revelou sua completa perda de serenidade para julgar qualquer outra causa que tenha Lula como acusado.

Moro deixou de ser juiz e passou a ser perseguidor de Lula e seu comportamento nos permite dizer que ele é, efetivamente, obrigado a declarar-se impedido (suspeito) para processar Luiz Inácio Lula da Silva, porque desfez-se de qualquer sentido de imparcialidade.

É ver para certificar-se. Moro ficou nu.

No trem que se descarrilhava na curva, um outro componente completamente maluco se agregou. Rompendo a cena, o Desembargador Relator do processo de Lula, Desembargador João Pedro Gebran Neto, dizendo-se ser ele a verdadeira e única fonte de emanação de Direito, também ele sem se dar conta que sua atividade havia se encerrado, veste sua beca de super-juiz e, de ofício, sem ser provocado, oficia também ao atônito Delegado Federal, determinando-lhe que se abstivesse de cumprir o alvará (que é uma ordem) para soltar Lula.

Lula ficou solto, mas permaneceu preso, ou continuou preso, permanecendo solto. Um caos.

O Desembargador Gebran poderia ter dado a ordem que deu? Não, porque há maneiras processualmente corretas até de revogar a ordem emanada pelo desembargador Favreto, cujos trâmites se dão no interior do próprio TRF-4, através de recurso próprio da parte contrária, o esquecido Ministério Público, primo pobre nessa briga.

Sim, o MPF poderia recorrer, através de um agravo interno, que levaria a soltura a conhecimento da Turma processante, que poderia mante ou revogar a liminar concedida.

Nunca vi um cavalo de pau desses para fazer descumprir uma ordem, repita-se, regularmente dada. Não sou menino e carrego algumas dezenas de milhares de processos criminais nas costas e nunca, mas nunca, vi uma rave processual dessa animação. Tenho certeza que ninguém viu. Nossos limites estão revogados no que toca à maluquice jurídica.

Endurecendo o jogo, o Desembargador Favreto chuta de bico e, reitera pela terceira vez, a ordem de soltura, dando uma hora para seu imediato cumprimento.

Uma hora em juridiquês tem duzentos, trezentos minutos. A ordem é dada e segue para que funcionários operacionais trabalhem para que ela chegue a seu destinatário, o delegado federal. Carimba daqui, carimba de lá, cafezinho, calor, abre a janela, fecha a janela, computador está lento, essa uma hora espichou e…

Novo terremoto.

O Presidente do TRF-4, Desembargador Thompson Flores, vestiu sua capa preta e tirou sua espada de Jedi, entrevendo naqueles dois ofícios, de Gebran e de Favreto, um caso raro de conflito positivo de competência, em que dois desembargadores se apresentavam como competentes para decidir de forma diversa sobre o mesmo caso. O baile da loucura estava atingindo seu auge e ninguém era de ninguém, quando ele emitiu uma quinta ordem à mesma autoridade policial, que, naquela ocasião, já prensava em prender-se, ele próprio a si mesmo. Loucura por loucura, seria apenas mais uma pereba num caso constrangedor.

Em outro ofício, ele determina que a ordem deve ser ignorada e determina, sem revogá-la expressamente, uma vez que o caso seria devolvido ao Desembargador Gebran.

Isso se deu hoje e o Desembargador Gebran anulou todos os atos de seu colega de Tribunal, inclusive, quase para deixar a gente cantando QUE TIRO FOI ESSE?,  anulando tanto e tudo, mas tanto que anulou uma das ordens de Favretto, que foi a de dar ciência dos fatos ao CNJ e à Corregedoria da Justiça pela esdrúxula intervenção de Sérgio Moro. Ele determinou, quase num surto formalista, que não se levasse ao conhecimento de ninguém a vexaminosa atuação do Juiz Moro.

Como se isso fosse necessário.

Nesse surto midiático, com juiz e desembargadores disputando o cargo de JUIZ MARVEL, quem perdeu foi o Estado Democrático de Direito, quem perdeu foi a democracia, quem perdeu foi a população que percebeu que a Justiça cedeu a impulsos narcísicos.

Quando a vaidade se sobrepõe, todos perdemos. Favreto mostrou ser independente e mostrou ser um juiz exemplar porque não se intimidou, não se curvou às pressões e tinha competência para decidir porque estava no lugar certo e na hora certa. Sua decisão foi eminentemente jurisdicional e ele também foi alvo de um ataque jurisdicional de que nunca tive notícia.

Colunistas, blogueiros e jornalistas da extrema-direita ultrapassaram todos os limites da insanidade e até telefones pessoais foram divulgados nas redes sociais. A Globo o associou criminosamente ao PT, sem se dar conta de que o próprio Moro desfila pelo mundo a tiracolo com Dória e outros expoentes do PSDB.  Favreto nunca teve questionada sua honestidade e probidade e se tornou vítima desses lobos que vagam no mundo virtual e na grande mídia.

Um grande juiz a ser preservado e defendido por todos nós.

Roberto Tardelli – Procurador da República, responsável pelo processo que colocou na prisão a ex-estudante de direito Suzane Richthofen

País em Transe

Por Ronaldo Souza

No ano passado recebi um link que levava a um site ou coisa assim de Bolsonaro, com uma espécie de “convite” para ver a lista dos seus seguidores, ou pelo menos de alguns deles.

Confesso que fiquei tentado, para logo em seguida desistir.

Tive medo.

Tive muito medo de ver.

Já vivi o suficiente para aprender que em determinados momentos ignorar faz bem ao coração.

O não saber nos poupa de muita coisa.

Mas foi em vão a minha preocupação e explico porque.

Os momentos de aparente estagnação ou mesmo eventuais passos para trás fazem parte do sempre caminhar para a frente da humanidade.

Este é o nosso destino; caminhar sempre.

Para a frente.

Assim se dá o processo civilizatório da sociedade.

Entretanto, esse processo, do qual faz parte a inclusão daquilo que ficou conhecido como minorias, muitas vezes não é aceito por boa parte da sociedade.

O povo brasileiro é cordial e pacífico

Esta frase foi consagrada no clássico livro de Sergio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil.

Assim ficou conhecido o povo brasileiro.

Já houve até quem dissesse que o brasileiro era o último povo feliz da Terra.

Que não fosse, mas quem, de sã consciência, poderia imaginar que ele seria isso que hoje é?

Quem poderia imaginar que esse povo “cordial e pacífico” teria tanto ódio dentro de si?

De uma forma jamais vista na nossa sociedade.

Como que numa hipnose coletiva, as pessoas tiveram o seu estado de consciência alterado e se deixaram conduzir por aqueles que tomaram o controle das suas mentes cansadas e colonizadas, num processo de aculturamento absurdo e assustador.

Transformaram-se em zumbis que perambulam pelas trevas do inconsciente.

Destilam ódio e intolerância sem sequer imaginar que o que os aflige tem origem em algo que está lá dentro, bem no fundo, no âmago de suas almas; o preconceito.

Pessoas que se veem brancas e merecedoras de todos os privilégios.

Aos “inferiores”, nada.

Pessoas que, por nada desejarem e possuírem que não sejam bens materiais, desconhecem o que é construir uma sociedade minimamente justa, digna e humana.

Desconhecem o que é nação, o que é soberania de um povo.

Não são necessários links para conhece-los, porque resolveram sair de suas cavernas.

Não para ver o Sol e com ele iluminar suas vidas, mas para, das cavernas, trazerem as trevas para escurecer a vida que existia aqui fora.

Tempos difíceis, muito difíceis.

Descubra sete formas de fazer sexo sem atrapalhar ninguém

Por Ronaldo Souza

Ao que ocorre entre um homem e uma mulher, “na cama, na lama, na grama”, como canta Gonzaguinha, não cabem explicações, definições e muito menos limitações.

É algo tão grandioso que tudo é possível e permitido entre eles na intimidade desse encontro.

Tudo mais gira em torno de interesses de toda espécie e, claro, o maior deles, o que se pode ganhar de dinheiro em cima desse tema.

Tinha acabado de “entrar” na Internet e vi a chamada de uma matéria com esse título; “Descubra sete formas de fazer sexo sem atrapalhar ninguém”.

Minha mulher estava ao meu lado e mostrei a ela, fazendo o seguinte comentário; depois muitos não entendem quando se fala da enorme pobreza da mídia e da imbecilização que ela gera na sociedade.

Houvesse um pouco mais de discernimento e bom senso, bastaria ler esse título para as pessoas entenderem o que isso representa.

Não abri para ler a matéria.

Fui embora.

Ao primeiro site que cheguei, vi essa chamada para uma matéria.

Bolsonaro, imbecil por natureza

Meu Deus!

Mesmo se tratando de Bolsonaro, fiquei chocado.

Cheguei quase a acreditar que a matéria estaria forçando a barra e fui ler.

Não estava.

É tudo verdade, como diria Orson Welles.

Voltei lá para a matéria sobre o sexo bonzinho que não atrapalha ninguém, copiei o título e com ele fiz o meu.

E aí muitos podem perguntar.

Mas o que tem a ver fazer sexo com Bolsonaro?

Muito.

A idiotização de uma sociedade não pode, não deve e nunca é feita às pressas, de uma única vez.

A mídia seria extremamente incompetente, coisa que ela não é, se o fizesse assim.

Ela sabe que esse processo precisa ser lento e gradativo e por isso o faz todos os dias, contínua e ininterruptamente.

Os recursos utilizados são os mais diversos, como matérias diárias absolutamente irrelevantes, e aí entra a do sexo bonzinho e silencioso, mas que vão alimentando o que há de mais pobre na mente daquele segmento mais intelectualmente carente e mais visado da sociedade; a classe média.

O segmento onde se encontra a maioria dos profissionais liberais que fazem tremendo esforço para chegar ao patamar mais alto dos seus sonhos; pertencer ao que chamam de elite.

Uma vez que esse processo está bem estabelecido, ou seja, quando quase nada mais se percebe, aí sim ela, a mídia, lança suas bombas de estupidez para aniquilar o que ainda pode restar de sensatez e percepção nas pessoas na guerra de desconstrução de um país.

Todos sabem que o deputado Jair Bolsonaro é um dos homens mais estúpidos desse país.

Numa linguagem mais  popular e de mais fácil compreensão, o referido deputado é um homem burro.

Como deputado, tem somente 2 projetos aprovados em 26 anos.

Um recorde.

É um quadrúpede que usa duas patas para andar e as outras duas para matar, como ele próprio assume.

Bolsonaro sabe matar'

Essa ignorância poderia e deveria ficar restrita ao ambiente familiar, mas é impossível conte-la.

Bolsonaro, o filho

Essa frase do seu filho, também deputado (quem será que os elege?), deveria fazer parte de todas as aulas de gramática em todas as escolas do Brasil, para que as crianças pudessem aprender e crescer sem esses exemplos diários de pura estupidez, para não chegar em outros momentos da vida com esse nível de formação.

O português é inaceitável.

Mas o que eu gostaria mesmo é que alguém explicasse que diabo significa “extremo centro”.

E, por favor, não perguntem aos eleitores deles porque você terá que explicar antes o que é extremo e a alguns o que é centro.

Voltemos ao momento de iluminismo do país.

O outro lado do paraíso

“Quem nunca deu um tapa no bum bum do filho e depois se arrependeu? Acontece”.

Com essa frase brilhante, o deputado Jair Bolsonaro tenta justificar a ordem dada por presidentes do regime militar para matar centenas de pessoas.

Em outras palavras, Médici, Geisel, Figueiredo… mandaram dar tiros no bum bum e em outras partes dos presos da ditadura e depois, como os pais, se arrependeram de dar os tirinhos como castigo.

Aconteceu, paciência. Faz parte.

Como “um tapa no bum bum do filho”, faz parte uns tirinhos dos militares no bum bum de pais, filhos, amigos, colegas, que foram mortos pelo regime militar.

Não vem ao caso.

Devidamente comprovado por documentos da CIA (outros mais ainda virão à luz), este episódio desmascara de vez a farsa da ditadura militar no Brasil, sempre escondida da sociedade brasileira pela Globo, Folha, Estadão…

Nada poderia ser pior do que ver essa ideia viva nos dias de hoje.

Nada poderia ser pior do que vê-la viva na cabeça de jovens.

Nada poderia ser pior do que vê-la por perto rondando os nossos filhos.

Ainda que venha de um homem que assume que sua especialidade é matar, ao tentar justificar as mortes autorizadas pelos presidentes do regime militar, Bolsonaro expõe mais ainda as suas entranhas podres.

E mais uma vez mostra grande estupidez.

https://www.youtube.com/watch?v=54KUDU-u1P0

O Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, de quem Bolsonaro fala com tanto entusiasmo no vídeo acima, foi um dos piores torturadores da ditadura militar.

O maior prazer dele era colocar bichos como baratas e aranhas na vagina das mulheres, como fez com Dilma Rousseff.

E naquele dia, que já se tornou uma das maiores farsas da história do Brasil, Jair Bolsonaro fez a apologia desse homem sob os aplausos de milhares de mulheres pelo Brasil.

Nada importa a essas pobres mulheres desprezadas e ridicularizadas por homens como ele, que chega ao cúmulo de transformar a própria filha em algo menor e motivo de piadinha de mau gosto.

Nada importa a essas mulheres que, por não terem amor próprio, não sabem o que é ser mulher.

Nada importa a esse ser que tem desprezo por tudo que não é homem, branco e poderoso.

Nada importa a esse digno representante de uma parcela considerável da sociedade brasileira na sua incrível degradação.

O desprezo pelos homossexuais e negros então, é doentio.

Somente o desequilíbrio mental explica tal comportamento.

Aliás, desequilíbrio já diagnosticado no seu caso pelo Superior Tribunal Militar, ainda que mantido em segredo por muito tempo.

Bolsonaro e desvio de personalidade

Não pense você que me lê neste momento que quando digo que o nobre deputado é burro, muito burro, estou dizendo que não há nele nenhum traço, nenhum resíduo, de algo que se poderia confundir com inteligência.

Há sim.

Mas, entenda.

Confundir, não chamar.

É a esperteza dele.

O “mito” sabe muito bem que cada vez que abre a boca e nos brinda com essas pérolas ele consolida a sua imagem perante os seus eleitores.

Como isso é possível?

Vou tentar ajudar relembrando a frase de um dos mais renomados filósofos e pensadores da raça humana.

“A inteligência do homem tem limites. A estupidez, não”.
Nietzsche

“Não tem escapação”

Firmamento

Por Ronaldo Souza

Estávamos nos 15 anos e traçávamos os destinos do mundo, como costuma acontecer nessa idade.

Em determinado momento, fechou-se o semblante de um dos meus amigos e veio a sua triste conclusão:

– É, não tem escapamento.

Atônito com o que acabara de ouvir, outro, do alto da sua sapiência, corrigiu-o de imediato.

– Escapamento o que seu burro, não tem escapação.

Deu-se o impasse.

Ah, os 15 anos.

Tempo delicioso em que tudo é possível e… permitido.

O nosso vasto conhecimento sobre as coisas da vida é mostrado a todo instante.

Há um prazer incontido em exibir o quanto sabemos.

Na frente das meninas, então!

Hoje, não.

Estamos calados, introspectivos.

A sabedoria chegou.

E a sabedoria recomenda prudência.

Ninguém mais anda exibindo conhecimento sobre as coisas.

E olha que não falta onde fazer isso.

Lembro das reportagens do Canal 100, que eram exibidas antes dos filmes no cinema, mostrando as pessoas em pé na frente das bancas de jornais e revistas.

Liam as manchetes.

Só, mais nada.

Dali saiam dominando todas as informações em profundidade e prontos para exibir o conhecimento recém adquirido nas discussões que travariam com amigos e colegas de trabalho.

– Li no jornal que…

Talvez venha daí o hábito dos dias atuais de ampliar o conhecimento através da leitura… das manchetes. 

Tudo mudou.

Lembra daquele casal de um programa humorístico, em que Ofélia, depois de dizer as maiores barbaridades na frente de alguém que lhes visitava, dizia para Fernandinho, o marido?

– Fernandinho, eu só abro a boca quando tenho certeza!!!

Hoje as pessoas só abrem a boca quando têm certeza.

Bem informadas pela televisão e uma imprensa escrita de alto nível, parece que adquiriram o hábito da prudência.

Por saberem que sabem muito, parece que ficaram com medo de falar, porque sabem que os outros também sabem muito.

É a insegurança do grande saber.

Onde todos sabem tudo, é prudente não falar muito.

E escrever!!!

Já reparou como escrevem?

Quando muito, três, quatro linhas.

Há quem diga que é porque não sabem escrever.

Inveja dos maldosos.

É sabedoria.

Alguns gastam o vocabulário em comentários que levam à reflexão.

– Você é um idiota!

Pronto.

Escrevem isso como comentário sobre o texto de alguém, tomam uma cerveja, dão um arroto e vão dormir.

Felizes da vida porque mais uma vez filosofaram sob as estrelas no firmamento.

Os quase “jênios” sempre se arriscam um pouco mais.

Com comentários com a profundidade de uma piscina para bebês, adoram expressões sábias, sofisticadas e de grande sensibilidade como “coliformes fecais”, “esquerda caviar”, “petralhas”…

Acham o máximo e assim se destacam entre os seus.

Não tem escapamento.

Opa, perdão!

Não tem escapação.

É o preço que se paga por viver entre pessoas muito bem informadas, com muito conhecimento.

Diferenciadas.

Doutores.

De onde vem a força do fraco e desesperado juiz?

Por Ronaldo Souza

Enumerar as vezes em que o juiz Moro atropelou as leis brasileiras para condenar Lula é perda de tempo.

São muitas.

É bom que se ressalve que não sou eu quem diz.

Identificar as suas claras limitações intelectuais qualquer um pode fazer, basta ter o mínimo de inteligência, mas apontar a sua incompetência jurídica é tarefa para os homens do Direito.

E ela já foi apontada por inúmeros e reconhecidos juristas e professores de Direito.

Ao mesmo tempo, sendo ou não homem do Direito, qualquer ser minimamente inteligente já percebeu a indignidade da condenação do ex-presidente, particularmente nos badalados casos do triplex e do sítio de Atibaia.

Nesses casos, o juiz e seu grupo se fizeram ridículos.

Assim, o fraco do título deste texto se explica com assustadora facilidade.

Por outro lado, ainda que alguns possam encontrar dificuldade em entender o desespero do qual falo no mesmo título, ele está cada vez mais evidente nas suas atitudes mais recentes, desde quando percebeu que a sua unanimidade já se foi e a sua rejeição é maior a cada pesquisa.

Para a eventualidade de alguma deficiência neuronal dificultar o entendimento, é recomendável que se abra aqui um parêntese.

Observe que não falo de medo do juiz, mas de desespero.

O medo costuma ter a sua origem no desconhecido.

Temos medo do que não conhecemos, do que pode acontecer, do que está por vir.

É o não sabermos o que pode acontecer que nos mete medo.

Temos medo da nota que vamos tirar na prova, do que pode acontecer com os nossos filhos, do futuro…

Moro não tem medo.

Ele não tem medo, por exemplo, do seu futuro.

Quantos professores teriam coragem de renunciar ao cargo de professor na Universidade Federal do Paraná?

Nos tempos atuais, quantos fariam isso sem que lhes viessem à mente os temores naturais que os mortais enfrentam ao pensar na possibilidade de deixar um emprego, ainda mais sendo ele tão importante sob todos os aspectos?

Ao se cogitar deixar um emprego, vem de imediato uma enorme dúvida; o que nos reserva o futuro?

Essa dúvida faz o medo.

Como quer que seja e porque razão seja, estaria garantido o futuro do juiz Moro de tal maneira que desprezar o cargo de professor em uma das mais importantes Universidades do Brasil não lhe tira o sono?

Em que estaria confiando?

Além disso, a vaidade.

Tendo-a em níveis incontroláveis, por que renunciaria a ela com tamanha naturalidade?

Por outro lado, as atitudes do juiz revelam grande desespero, que ele não consegue disfarçar.

Lembra daqueles caras, amigos de Ronaldo (o fenômeno, jogador de futebol, que agora, como Romário, é fenômeno ao avesso em questões sócio-políticas) que pararam Chico Buarque ao sair de um jantar com alguns amigos?

Claramente, no seu reduzido universo aqueles caras não tinham a menor noção do que é ser Chico Buarque.

Para eles, Chico é um compositor de samba com algumas músicas de sucesso, como outro qualquer.

Pelas suas evidentes limitações intelectuais e uma absurda ignorância sócio-política, também é natural que Moro não perceba a dimensão das coisas.

Na sua falta de noção e obcecado por cumprir a missão que lhe foi dada, o juiz não tem a menor ideia do que é ser Lula.

Para ele, Lula é apenas o nine.

Lula velório Marisa

Moro não tem, ou não tinha, a menor noção do tamanho de nine.

Latuff, Lula e Moro 1

No seu reduzido universo, certamente o imaginava do mesmo tamanho que os ten que ele conhece e a quem trata tão bem, como Aécio, FHC, Alckmin, Serra, Doria…

O melhor sorriso

Oh, vida, como és bela, prazerosa e sedutora.

Como és amiga e nos traz de volta o melhor da nossa vida.

Como nos traz de volta aquele sorriso espontâneo e encantado da adolescência quando diante dos nossos ídolos, dos nossos heróis, das nossas referências.

Aquele sorriso adolescente e espontâneo que brota resplandecente quando estamos entre os nossos.

Moro e PSDB

Moro e Globo prêmio

Moro na Globo

Moro e o poder

Encantador.

No roteiro que foi dado a Moro, há uma patente preocupação com o tempo e este tem prazo de validade.

As eleições de 2018.

Mas, independente disso, entre tantos absurdos promovidos pelo juiz, ele cometeu um pecado grave e imperdoável.

Na sua estupidez, ele arrastou milhares de pessoas.

Senão vejamos somente alguns dos seus feitos mais recentes.

1. Um juiz de primeira instância que grampeia, grava ilegalmente e entrega à Rede Globo a conversa da presidenta da república (Dilma) do seu país com um ex-presidente (Lula).
Para facilitar a compreensão dos iletrados doutores, imaginem o que aconteceria se um juiz nos Estados Unidos grampeasse, gravasse ilegalmente a conversa entre Donald Trump e Obama (respectivamente presidente e ex-presidente do nosso país irmão) e a entregasse a um sistema de comunicação. No mesmo dia ele seria preso.

2. Com que intuito um juiz se faz tão pequeno e grava conversas telefônicas familiares de uma mulher (D. Marisa Letícia, mulher de Lula) com seus filhos e netos se não o de expor e humilhar toda a família, incluindo aí crianças em idade escolar, e entrega as gravações à mesma emissora?

3. Um juiz que desrespeita a mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal (STF) e descumpre suas decisões, a mais recente a de não enviar os processos de Lula para a justiça de São Paulo, estado onde ficam o triplex e o sítio de Atibaia.

4. Um juiz que desrespeita decisões do Superior Tribunal de Justiça.

5. Um juiz que desrespeita decisão do Pleno da Corte da Espanha e fere acordo internacional em caso de extradição.

6. Um juiz que desrespeita decisão do Pleno da Corte de Portugal e fere acordo internacional em caso de extradição.

Há pelo menos duas questões a se considerar.

  1. Em que país do mundo isso seria possível e sob que interesses?
  2. De onde vem tamanha força de um simples juiz de primeira instância?

Entende agora porque eu disse que Moro arrastou milhares de pessoas para a estupidez total?

Somente a estupidez total explica não perceberem que ele, Moro, é um herói de barro que defende uma causa que não é a de seu país.

Somente a estupidez total explica não perceberem que ele é simplesmente peça de um jogo cujo controle está em outras mãos.

Somente a estupidez total explica não perceberem que o controle sequer está nas mãos da Globo, que representa outra peça desse mesmo jogo, esta sim, fundamental para o seu bom andamento.

Somente a estupidez total explica não perceberem que Moro e Globo estão sob um controle remoto que movimenta as peças à distância.

Somente a estupidez total explica não perceberem que esse processo teve início no Mensalão com Joaquim Barbosa.

Somente a estupidez total explica não perceberem que Moro e Carmen Lucia são meras peças que dão continuidade a esse processo.

Somente a estupidez total explica não perceberem a coincidência de justamente Joaquim Barbosa, Moro e Carmen Lucia ganharem o “Prêmio Faz Diferença” da Globo.

Somente a estupidez total explica não perceberem as implicações e consequências que fatos como esses trazem para o país.

De onde vem toda essa estupidez?

Como essas pessoas a suportam?

E como não se dão conta de quão tolas são?

Ou não são tolas e há outra razão para agirem assim?

Há pouco tempo a imprensa brasileira divulgou que assim que terminar a sua missão na Lava Jato, o juiz Moro vai morar nos Estados Unidos.

Assim, claro, não há porque o juiz temer alguma coisa.

Se há algo que não faz parte da vida do juiz Sérgio Moro é o medo do futuro.

Isso, porém, não costuma ser suficiente para evitar o desespero pela desmoralização pessoal.

Obs. Em ambos os casos de extradição, o juiz brasileiro foi conduzido à sua insignificância. Diferentemente do Brasil, os Superiores Tribunais de Justiça da Espanha e de Portugal não têm compromissos que não sejam com as leis dos seus países, razão pela qual ignoraram o desejo de Moro.

A simplicidade do ser

Amigo'

Por Ronaldo Souza

Tão claro quanto a luz de um dia ensolarado do Nordeste, vivemos um momento em que reina a mediocridade.

O Brasil atual pertence a eles, os medíocres.

Comandantes e comandados.

Ganharam corpo e a mediocridade, que costumava ser mais recatada, está num momento de grande resplendor.

Estamos em tempos de mediocridade resplendorosa.

É o resplendor brega, sobretudo de uma classe média que busca a qualquer preço ter o que julgam ser sofisticação e requinte daqueles que eles têm como referência; a elite brasileira.

Os enófilos da classe média representam um exemplo irretocável.

E ela, essa mediocridade brega, está mais ativa do que nunca.

A simplicidade não é um objetivo.

Mas deveria ser.

A busca por ela poderia nos trazer maior capacidade de reflexão para vermos a beleza e a sabedoria do simples.

Quem sabe assim encontraríamos a forma para nos afastarmos de vez dos diferenciados que circulam entre nós, essa “massa cheirosa” como em parte bem definiu Eliane Cantanhede, então jornalista da Folha, do alto da sua grande sabedoria de membro da elite brasileira.

Diferenciados que vomitam a sofisticação e o requinte que pensam ter para tentar “despertencer” à classe média, no eterno desejo de fazer parte da elite brasileira, por sua vez também altamente “diferenciada”.

Essa busca da sofisticação e do requinte é recurso dos medíocres.

Mas é também nutriente indispensável da sua pobre dieta.

A pompa é necessária.

Fundamental.

Quanto mais “diferenciado” for o segmento social, mais necessária se torna a pompa.

Não é à toa que títulos, funções, homenagens e posições alcançadas adquirem tanta importância nos nossos currículos.

Por que muitos professores precisam dourar a pílula?

Por imaginarem que o simples é simples, por isso alcançável por todos.

E nesse todos não caberia o diferenciado; ele, o professor.

Enganam-se.

Não percebem que é no simples que está a diferenciação que tanto buscam.

Mas ser simples não é para todos.

Ser simples é algo impossível para muitos dos que estão à frente dos destinos do país, nos seus diversos segmentos.

Por isso, a pobreza generalizada, em patamar inimaginável, dos dias atuais.

De uma certa forma, a simplicidade do texto abaixo nos traz de volta a esperança.

É um nocaute no pensar tão pobre.

Por esta razão, além da justíssima homenagem a Iniesta, ficou tão bonito.

Tão tocante.

Tão digno.

Fazer o simples

Por Guilherme Cimatti, na coluna De bico com Cimatti

Iniesta

Iniesta oficializa saída do Barcelona depois de 22 anos. A coluna de hoje é sobre o craque espanhol e seu marco no futebol

Cresci idolatrando quem fazia o difícil. Ronaldinho Gaúcho era o nome da minha adolescência. E, com ele, dribles monumentais, gols extraordinários e lances geniais. Vi o craque dando três ou quatro chapéus (muitas sabem o plural da palavra “chapéu” por causa daquele lance pelo Barcelona). Ou seja: ensinou até indiretamente quando fez o impossível.

Você deve ter visto. Tem um comercial antigo em que Ronaldinho acerta três chutes seguidos no travessão. Isso sem deixar a bola cair. Explode no pau e cai na perna do gênio dos cabelos longos. Ele amortece a bola e chuta outra vez. E outra. E outra. Mas essa é a prova de que nem sempre Ronaldinho é educativo. Meu primo Raphael Chiummo, no dia seguinte, lá em 2005, tentou fazer a mesma coisa. Não aprendeu, claro. Tropeçou e caiu. Causando risada nos outros pernas de pau. Eu, inclusive. “Quem não erra é aquele que acerta”, filosofou Raphael depois da presepada.

Após uns anos, Xavi e Iniesta eram o trampolim de Messi. Messi driblava meio mundo assim como Ronaldinho. Xavi e Iniesta limpavam a área. Ajeitavam a bola. Clareavam o jogo. Deixavam Messi o mais livre possível. Desmarcavam o argentino. Ganharam muitos títulos juntos. Descobriram espaços inimagináveis.

Ninguém conseguiria cobrir o espaço de Xavi quando o tempo passou. O Barcelona novamente se reinventou, mas é fácil se reinventar quando ainda se tem Iniesta. Iniesta foi melhor do que Xavi, mas apenas diferente de Messi e Ronaldinho. Diferente na forma de ver o jogo, de dar o show, de trazer o espetáculo para si. Ele é passe; os outros são drible. Ele é assistência; os outros são gols. Ele é inteligência; os outros são decisivos. Existem menos Iniestas do que Ronaldinhos na história. E Iniesta está deixando o Barcelona.

O fantástico poeta Raphael Chiummo tinha razão: “quem não erra é aquele que acerta”. Iniesta sempre fez parecer ser fácil porque quase nunca errou. O futebol, porém, não é tão simples como o meia fazia parecer. Perder o espanhol também não é.

Al Queda do Brasil

Al-môndega ou Al-fafa'

Por Ronaldo Souza

“É impossível o diálogo entre o extremamente forte e o extremamente fraco”.
D. Hélder Câmara

Há, sem dúvidas, diálogos impossíveis.

E há, portanto, discussões que não podem acontecer.

Elas se tornam impossíveis quando há, por exemplo, diferenças flagrantes entre os interlocutores.

Entretanto, mesmo acentuadas, essas diferenças muitas vezes não são percebidas e não parece difícil entender porque.

“Quanto menos alguém entende, mais quer discordar”.
Galileu Galilei

As diferenças de percepção envolvem alguns aspectos.

Já dizia Ralph Valdo Emerson que “é o olho que faz o horizonte”.

São os horizontes de cada um que determinam a possibilidade do diálogo.

Nesse sentido, poucas são as atitudes que igualam a da senadora Ana Amélia, a mulher que defendeu o uso do relho no lombo “daquele povo” da caravana de Lula, certamente um povo inferior, no Rio Grande do Sul.

A capacidade de mostrar o quanto os políticos golpistas conhecem os seus eleitores parece ter ficado patente.

Há pelo menos dois aspectos a considerar.

Ou a senadora Ana Amélia é muito burra, tapada mesmo, como dizem alguns, ou muito esperta (por favor, não confunda com inteligente).

A alternativa da burrice, claro, é plenamente aceita, não está descartada.

Mas é também possível que seja uma grande esperteza, que ela teria aperfeiçoado com a imprensa brasileira.

Conhecedores que são da inteligência e sensibilidade dos seus leitores/telespectadores, a imprensa tira proveito de um público criado por ela própria à sua semelhança.

Quando William Bonner comparou o telespectador do Jornal Nacional a Homer Simpson ele estava dizendo exatamente isso.

O que fez agora a mulher do relho?

Ao confundir Al Jazeera com Al Qaeda é possível que tenha vindo à tona a ignorância da senadora pelo Rio Grande do Sul, mas também é possível que tenha sido uma grande jogada.

Afinal, as eleições estão aí e ela acabou de garantir a sua reeleição ao alimentar as mentes profícuas dos seus eleitores.

Esses predestinados lhe garantirão a reeleição, como outros o fariam em qualquer estado do Brasil.

No Farol da Barra, por exemplo, aqui em Salvador, fascinados com os conhecimentos geo-políticos dela, os camisas amarelas ovacionariam a senadora na manhã de um belo domingo de sol.

Al ckmin consta, são todos assim, poços de inteligência e cultura.

Al Moro nem se fala.

O que diria, por exemplo, o grande mentor e guru deles, o nobre juiz que, desmoralizado, desMorona a cada dia?

Ele diria que adoraria se na “Câmera” dos Deputados existissem mais políticos como a senadora do relho.

A senadora Ana Amélia é uma mulher tosca, grosseira e grotesca.

Até aí nada demais, porque as pessoas não são iguais e devemos respeitar as diferenças.

Mas ela é sobretudo uma mulher violenta e isso sim é um desastre.

Desastre porque em tempos de incompreensível e injustificável violência, quando ela, a violência, parte da mulher tornam-se mais evidentes os sinais dos perigos que nos rondam.

Ana Amélia é uma mulher branca, de olhos claros, de uma região privilegiada do país, jornalista, senadora da república e que, portanto, é parte da elite brasileira, o que quer que isso signifique.

“Eu não tenho provas contra Zé Dirceu, mas vou condena-lo porque a literatura me permite”.

“Sou contra a prisão antes do trânsito em julgado, mas vou votar com o colegiado, a favor da manutenção da prisão do ex-presidente Lula”.

A autora dessas duas frases acima, Rosa Weber, é uma mulher branca, de olhos claros, de uma região privilegiada do país, ministra do Supremo Tribunal Federal, portanto, também membro da elite brasileira, foi capaz de cometer essa enorme violência contra dois brasileiros ao lhes negar um direito básico de todos os cidadão brasileiros, a presunção de inocência. Que por acaso constitui cláusula pétrea da Constituição do Brasil.

“Outro dia eu falei com um juiz do trabalho, que disse: ministra, mas a senhora não acha… Primeiro, eu não acho, eu voto, eu decido. Ele disse: eu estava falando para florear, para a senhora não ficar de mandona. Não, meu filho, eu obedeci a Madre Superior, minha mãe, meu pai, namorado, professor, agora eu mando. Adoro mandar. Eu mandei, cumpra. Mulheres, depois que passa dos 50, a gente gosta mesmo é do sim senhora, não é do eu te amo. Se tiver o eu te amo junto, aí isso é um Deus. Sim senhora e eu te amo, aí é realização total”.

Esta pérola é da ministra Carmen Lúcia, presidenta do Supremo Tribunal Federal.

Do que é capaz uma mulher mal amada e de mal com a vida?

Que tipo de sentimento passa pela cabeça de uma pessoa assim?

Estamos sujeitos às leis da Constituição do Brasil ou aos humores de ministros de tribunais que de superiores nada têm?

Al Queda do Brasil é flagrante.

A queda, o tombo, o desastre brasileiro, como queiram chamar, é enorme e de difícil reversibilidade no curto e médio prazo.

Em todos os sentidos e direções.

Como é possível haver diálogo com pessoas que, em nome do preconceito e do ódio, tornaram tão pequenos seus horizontes?

Deles para “eles”

Lula, Data Folha e prisão

Por Ronaldo Souza

Há frases que são ditas, repetidas, propagadas e, como um mantra, todos aceitam passivamente como algo irretocável.

É comum dizer-se, por exemplo, que “seria cômico se não fosse trágico”.

Não é exatamente assim.

Nesse momento, por exemplo, o que se está vendo é que mesmo sendo trágico, porque reflete a velha e indisfarçável canalhice da imprensa, é cômico, muito cômico, o malabarismo que esses órgãos da imprensa estão fazendo para dizer que a pesquisa do Data Folha aponta para o prejuízo eleitoral que a prisão de Lula trouxe para ele.

Acho que nem o público que dá crédito a essa imprensa, com a sua reconhecida inteligência e sensibilidade, acredita ser verdade o que eles estão tentando mostrar.

Seria de uma estupidez tão grande que, insisto, nem esse público acredita.

Qualquer pessoa que tenha o mínimo de conhecimento político e bom senso, mesmo entre eles sabe que o que estão fazendo é completamente sem sentido.

Ou será que acreditam?

A Folha, com o seu Data Folha, ambos bastante conhecidos pelas acrobacias, fazem uma comparação entre essa última pesquisa e a de janeiro para “mostrar” que Lula perdeu intenção de votos com a prisão.

Já devidamente desmascarada, segundo o cineasta gaúcho Jorge Furtado não passa de mais uma fraude da Folha.

Para facilitar mais ainda a vida deles, transcrevo o que Furtado disse em seu facebook, onde desmascara a Folha e o Data Folha.

  1. Lula vence fácil, no primeiro e no segundo turno, em qualquer cenário. (E por isso foi condenado e está preso.) 
  1. Os candidatos de esquerda ou centro esquerda – Ciro, Haddad, Wagner, Manuela, Boulos, Joaquim Barbosa – não têm chance de chegar ao segundo turno sem apoio declarado do Lula. 
  1. Entre os candidatos que apoiaram o golpe (e votaram no Aécio em 2014), Marina é – depois de Bolsonaro – a de melhor desempenho. No primeiro turno ela chega aos 10% com Lula e a 15 % sem Lula (e sem Lula apoiar ninguém). 
  1. Os outros candidatos da direita, Alckmin, Meireles, Temer, Flavio Rocha, Collor, Rodrigo Maia, nenhum atinge 10%, em nenhum cenário. Meireles, Temer, Flavio Rocha e Maia tem 1% em qualquer cenário, faltando menos de 6 meses para a eleição. 
  1. Geraldo Alckmin fica em quinto lugar no primeiro turno, em qualquer cenário, e em nenhum atinge 10%. Quando perdeu a eleição para o Lula, Alckmin tinha deixado o governo de São Paulo com 66% de aprovação. Hoje ele tem menos da metade disso, 32%. 
  1. Joaquim Barbosa, se for mesmo candidato, não chega ao segundo turno. O Datafolha não testou nenhum cenário com Joaquim no segundo turno. 
  1. Em qualquer cenário, o único candidato de direita entre os 4 primeiros colocados no primeiro turno é Jair Bolsonaro, a criatura dos golpistas. 
  1. A manchete da Folha para a pesquisa (“Prisão enfraquece Lula e põe Marina perto de Bolsonaro”) vai para a vasta coleção de vergonhas da mídia. A comparação com a pesquisa de janeiro é uma fraude. A pesquisa de janeiro onde Lula tinha 37%, citada pela reportagem, não incluía Marina, que nunca faz menos de 8%. Outra simulação de janeiro incluía Luciano Huck. A manchete “Prisão enfraquece Lula” provavelmente já estava pronta antes da pesquisa começar a ser feita.

Agora veja a capa da IstoÉ.

Lula e IstoÉ

É simplesmente o oposto do que diz a Folha e apelam para o fanatismo para explicar que graças a ele Lula está mais forte depois da prisão.

A Folha diz o que seu público precisa e pede para ouvir, mesmo sendo uma coisa sem nexo.

Por que será que a IstoÉ fez essa capa?

Porque, na verdade, ao contrário do que tentam mostrar aos seus torcedores (eles só torcem e de vez em quando leem as manchetes), eles sabem que a prisão fortaleceu Lula, inclusive como cabo eleitoral.

Chegou ao ponto de muita gente em Curitiba passar a acolher e a ajudar as pessoas dos acampamentos pró-Lula, disponibilizando, por exemplo, sanitário para as necessidades fisiológicas e de higiene pessoal.

Só mesmo a estupidez impediria, como está impedindo, alguém de ver que isso poderia acontecer.

Acostumaram-se tanto a bater panelas e fazer manifestações amarelas para gente como Aécio, FHC, Alckmin, Serra… que não percebem que estão lidando com um mito.

Não enfrentam a realidade e ainda tentam esconde-la do seu público tratando a questão como fanatismo.

Não há panela que resista, nem camisa amarela que não desbote.

Eles conhecem sim e profundamente os sentimentos que vão na alma, mas só os do preconceito e ódio.

Sentimentos nobres são desconhecidos.

Jamais conseguirão entender que não é fanatismo, com o sentido que tentam dar à palavra.

Não se explica um mito.

Não se planeja ser um.

Ele surge.

Simplesmente assim.

A questão é que Lula está fincado na alma e no coração do brasileiro

Mas, justiça se faça.

Eles não se cansam de querer fraudar tudo.

E “eles” não se cansam de acreditar nas fraudes que Eles cometem.

D’Alessandro (37 anos) deitou e rolou na incompetência de Guto Ferreira

D'Alessandro

Por Ronaldo Souza

Um dos dois mais caros e melhores planteis da Série B em 2016, juntamente com o do Vasco, o Bahia subiu para a Série A com as calças na mão.

Só conseguiu graças à derrota do Náutico (PE) dentro de casa para o Oeste (SP), na última rodada, a mesma em que o Bahia perdeu para o Atlético (GO) em Goiânia.

O técnico era Guto Ferreira.

Na conta de quem eu debito a perda do título baiano de 2017.

Para relembrar só um jogo, o Bahia ganhava de 1X0 do Fluminense de Feira, jogo em Feira de Santana.

Vimos pela televisão que o Bahia recuou demais, chamando claramente o Fluminense para o seu campo.

Isso foi confirmado por Renan Pinheiro, repórter de pista da TV Bahia. Segundo ele, Guto ficava dizendo aos jogadores, “vamos rolar a bola, vamos rolar a bola”.

O Bahia tinha o controle do jogo, mas rolar a bola no péssimo gramado do Joia da Princesa (estádio de Feira de Santana, cujo piso agora está um pouco melhor), era um convite ao desastre; a qualquer momento, num cruzamento de final de jogo, o Fluminense poderia empatar.

E foi o que aconteceu.

Perdendo os dois pontos do que teria sido a vitória, a vantagem das finais ficou com o Vitória, que jogou por dois resultados iguais.

Mesmo assim, dava para o Bahia ser campeão.

Por incompetência do técnico, porém, o Bahia não conseguiu ganhar do fraco time do Vitória, que jogou nitidamente pelos dois empates.

Lembremos que pela contusão de Hernani (fraturou a perna) e expulsão de Gustavo (reserva imediato de Hernani, hoje no Fortaleza), ao Bahia só coube improvisar.

E, na improvisação por falta de alternativa, formou um ataque (Zé Rafael, Edgard Junio e Alione, com a ajuda de Régis, meio campo, em grande fase), o Bahia trucidou o Vitória nas semifinais da Copa do Nordeste e foi campeão em cima do Sport de Recife.

Mas, como já disse e escrevi algumas vezes, o ataque que encantou a todos (desaprenderam a jogar?) não foi obra de Guto, mas sim do acaso.

Guto se foi para o Inter.

Instável na Série A de 2017, o Bahia oscilou entre bons e maus momentos. Não só se recuperou como terminou fazendo uma boa campanha.

Sob o comando de Paulo César Carpegiani.

Guto não deu certo no Inter e voltou agora em 2018.

E aqui, em cima de um ainda mais fraco Vitória, que jogava novamente por dois resultados iguais, foi Campeão Baiano.

E, por conta de Carpegiani, lá fomos nós, disputar a Sul Americana.

Na estreia contra o Blooming, lá na Bolívia, mesmo jogando com o time reserva o Bahia teve o jogo nas mãos, mas perdeu de maneira bisonha de 1X0.

Na volta, a estreia no Brasileiro 2018, em Porto Alegre, contra o ex-time de Guto; o Internacional.

Poucos minutos antes de começar o jogo, diante da colocação de Renan Pinheiro (mesmo repórter da TV Bahia do jogo com o Fluminense de feira, no Baiano de 2017) sobre o fato de ele, Guto, conhecer praticamente todos os jogadores do Inter, com o sorriso aberto Guto respondeu; “praticamente todos”.

Não foi o que pareceu.

A começar pelo seu próprio time.

Não viu, por exemplo, Vinícius se esconder do jogo e demorou para substituí-lo, já na metade do segundo tempo.

Mas, sobretudo, não viu D’Alessandro fazer o que quis no jogo, sem que em nenhum momento alguém fizesse um gesto de que ia marca-lo mais de perto.

D’Alessandro, completamente solto, matou o Bahia.

Guto Ferreira, passivo na beira do gramado, não percebeu.

Entre os “praticamente todos” que conhece do Inter, certamente ele não conhece o jogador argentino e o que ele representa para o time gaúcho.

Com o atual time, o Internacional foi facilmente eliminado das finais do Gaúcho e terá dificuldades no Campeonato Brasileiro.

Mas, como foi fácil ganhar do Bahia neste domingo, na estreia do campeonato!

O Inter deu um banho no Bahia sem fazer o menor esforço. O placar não registrou o que foi o jogo, era para ser maior.

Não vou entrar em detalhes sobre o jogo, pois quem assistiu viu a postura covarde do Bahia.

Foi aquele mesmo Bahia da Série B de 2016 que, sob o comando de Guto Ferreira e com um time nitidamente superior aos demais, quando jogava fora de casa se acovardava de maneira absurda.