Elucubrações numa noite de verão do primeiro dia de um novo ano

Saúde mental'

Por Ronaldo Souza

Será que tenho algo a dizer?

E o que tenho a dizer não será a minha verdade?

Se é minha, a quem mais interessa?

E por que eu teria que dizer alguma coisa?

Se sei o que sei, por que dizer a mim o que já sei?

Portanto, nada tenho a dizer!

Não, você não entendeu.

Você não vai dizer a você.

Você vai dizer aos outros.

E por que os outros vão se interessar pela verdade que não é a deles?

Se cada um tem a sua verdade, por que dizer a minha a eles?

Eu, por exemplo, não quero ouvir a deles porque a deles não é a minha.

Se não é a minha, não é verdade.

E não gosto de ouvir mentiras.

!!!???

Vamos fazer uma coisa?

Fique com sua verdade que fico com a minha.

Fique no seu canto que fico no meu.

E aí ficamos bem um com o outro.

Respeito a sua verdade, você respeita a minha.

Estamos conversados!

E fim de papo.

Vou curtir a Lua.

Inocência ou hipocrisia?

Inocência ou hipocrisia'

Por Ronaldo Souza

Era uma pessoa próxima a mim.

Em conversas do nosso grupo sempre dizia que quando alguém lhe pedia dinheiro na porta de um supermercado para alimentar os filhos dizia não e complementava; “diga o alimento que precisa que eu compro”.

Segundo ele, para sua surpresa alguns resmungavam e não aceitavam.

E nos dizia então; “tudo jogada. Vou dar dinheiro para sustentar vício?”

Algo nobre. Pelo menos assim lhe parecia.

Por outro lado, contava também que quando um paciente lhe pedia para fazer “um preço menor” no tratamento não escondia a sua indignação e negava veementemente, dizendo que considerava um desrespeito ao profissional.

Nada mais natural do que se sentir ofendido na sua dignidade profissional. Dizendo com jeito para não se tornar agressão gratuita, o profissional deve se impor e se fazer respeitar.

Em outros momentos, outros dias, outra cerveja…, ele gostava de se gabar da sua esperteza e capacidade de negociar.

Eram algumas histórias e exemplos de como lidava, por exemplo, com trabalhadores que faziam serviços no seu consultório ou apartamento.

Nessas horas, o meu desconforto.

“Ah, comigo não é como eles querem não. Ou o preço vem pra o que eu quero ou não tem negócio”.

Um desses momentos me levou à irritação e total reprovação, que só a amizade de então me fez ficar calado.

Aliás, hoje reconheço que algumas vezes fiquei calado quando não devia.

Ele estava na praia e se aproximou um senhor vendendo redes, daquelas que no Nordeste são muito utilizadas.

– Que absurdo, cê tá maluco? Acha que vou pagar isso por uma rede?

– Não, doutor, mas isso aqui é rede de primeira, veja a qualidade…

– Não pago de jeito nenhum!

O diálogo era sempre nesse tom, até que o pobre coitado se rendesse e aceitasse o preço bem abaixo do inicial, dado por ele, o esperto negociador.

Aconteceu assim também com o vendedor de redes.

Meu Deus!!!

Onde estavam o reconhecimento e a valorização da dignidade profissional, tão bem defendidos por ele no seu consultório?

Ou aquele vendedor de redes não é um profissional?

Se é, não é indigno e humilhante desfazer-se dele e do seu produto?

Ou profissional é só aquele que é profissional liberal, um doutor?

Perceba as duas relações.

O paciente de um consultório e o doutor. Quem é o senhor da situação?

Mesmo que o paciente também seja outro doutor, a “autoridade” naquele instante é o profissional que presta o serviço.

E entre um vendedor de redes e o cliente, a quem muitas vezes o próprio vendedor, na sua humildade, chama de doutor mesmo não sendo?

Alguém aí conhece alguma praia do Nordeste?

Conhece aquele sol escaldante e consegue imaginar o que é um homem caminhar sob ele, na areia quente, carregando diversas redes para tentar vender?

Consegue imaginar o esforço físico que isso exige?

Qual será o peso do que carrega?

E aí encontra um esperto negociador que, aos goles de uma cerveja gelada e um tira gosto delicioso, resolve lhe “tirar o couro”.

“Comprei a rede por um preço bem baratinho”.

Este foi o comentário ao final da narrativa do pigmeu que venceu o gigante que, depois de trabalhar toda a semana, vai às praias nos finais de semana vender redes para complementar o sustento da família.

A caridade redentora

E o pigmeu acha que se redime quando diz “escolha o alimento que precisa que eu compro”.

Só se for perante si mesmo.

Perdemos a noção do que é dignidade, principalmente quando se trata da dos outros.

E saímos por aí exibindo a caridade seletiva que nos redime.

“Parecer ser ou não, eis a questão”.

Diria Hamlet nos tempos de redes sociais.

Ah, como são propícios os tempos atuais!

Onde está a consciência que nunca tivemos dos problemas sociais?

Questões sociais não são problemas do indivíduo.

Não sou eu, não é você, não é ninguém que vai resolver questões como as de alguém que pede o pão para comer na porta de um supermercado.

Não são gestos desse tipo de quem quer que seja que irão “resolver” a vida dessas pessoas.

Questões sociais são problemas do indivíduo, aí sim, quando este está inserido no contexto social.

Problemas desse tipo, educação, saúde…, questões de grande complexidade, são atribuições da sociedade (coletivo de indivíduos) através de ações sociais do Estado.

Pedintes em sinais de trânsito representam uma dessas mazelas.

Crianças vendendo balas, doces, todo tipo de coisas, pelas ruas das “grandes” cidades são a face mais cruel e covarde desse processo.

São os Programas Sociais que devem enfrentar questões tão complexas, não a bala que você compra num sinal de trânsito ou o pacote de feijão no supermercado.

E por favor, não fale de solidariedade humana, bla, bla, bla, bla…

Não faça pouco da inteligência e sensibilidade de quem tem. Não se trata disso.

Somente a indigência intelectual nos redime quando imaginamos que atitudes pequenas e esporádicas podem suprir as necessidades básicas de alguém.

Só os medíocres pensam assim.

Todos os medidores sociais já apontavam para a redução desse quadro perverso.

Órgãos oficiais internacionais já destacavam e premiavam o Brasil pela saída do mapa da fome.

O Brasil já tinha inserido nas suas leis que percentuais (que chegavam a 15%) do que se lucrasse com o Pré-Sal seriam destinados para Saúde e Educação.

Insisto, isso já era lei.

Mas tudo está se perdendo.

O Pré-Sal está indo embora para mãos que não são brasileiras.

Os primeiros indicadores já começam a apontar para a volta do Brasil ao mapa da fome.

Muitas coisas nesse sentido já aconteceram, estão acontecendo e outras ainda irão acontecer.

Mas vamos a outro fato mais recente e que também já era previsto; professores estão sendo demitidos em larga escala sob os mais diversos e absurdos argumentos.

E aí vem você, professor, e se torna um dos vetores de divulgação de vídeos como esse abaixo nas redes sociais!

https://www.youtube.com/watch?v=U951-6cktrs

Quem produziu esse vídeo?

Quem é esse “garoto de rua” que filosofa em voz alta sobre a vida no início do vídeo falando um português tão correto, com pronúncia e dicção perfeitas de todas as sílabas (quando inúmeras pessoas escolarizadas não conseguem), com entonação de voz digna de um pequeno ator de novelas?

Quem fez o vídeo com câmeras posicionadas em pontos diferentes e microfone escondido?

Qual é o objetivo do vídeo? Comover as pessoas com o espírito do Natal?

Mas dessa forma!!! Recriando uma situação dramática e cotidiana das “grandes” cidades brasileiras de forma tão inverossímil?

Há por acaso algum erro na reação dos motoristas abordados no vídeo?

Você, doutor, por acaso abre o vidro do seu carro numa boa e atende com toda a atenção do mundo os que lhe abordam nos sinais de trânsito?

Sinto muito em lhe dizer que o vídeo em nenhum momento me tocou. Eu, que facilmente chego às lágrimas.

A pobreza dele, apesar de grande, traz consigo uma falsa realidade que é muito pequena diante da verdadeira e principal questão, da qual os idealizadores, como convém, passaram a quilômetros de distância.

E sabe qual é, doutor?

É que na vida real, a que não tem vídeos glamourizados, os sinais de trânsito voltarão a ficar cada vez mais cheios de garotos de rua (sem aspas) vendendo picolés e não dando como mostra o vídeo.

Não há filosofia barata que os faça dar picolés de graça nos sinais de trânsito, por uma razão bem simples. Eles precisam vender para levar algum pra casa, porque os pais estão desempregados e fazendo bico para sobreviver.

Quer saber mais, doutor?

Os vidros dos carros não serão abertos.

Você faz alguma ideia da razão disso?

Vou lhe ajudar, mas talvez seja melhor nem ler porque acho que não vai gostar.

Porque muitos daqueles que foram abordados por esse “garoto de rua” e milhares de muitos outros ajudaram a instalar um governo que, como eles, não tem a menor preocupação com o social.

Com a sua participação direta ou indireta ajudaram a gerar os milhões de desempregados que existem hoje no país.

E sem o seu trabalho
O homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata
Não dá pra ser feliz
Gonzaguinha

Quantos mais terão contribuído com seu “embrasileiramento CBFiano dominical” para o país chegar ao ponto que chegou?

Ou será que acham que nada têm a ver com isso?

Para onde irão esses desempregados?

Alguns irão para os semáforos.

Outros para…

Arrepia só de pensar.

Vídeos como esse e o objetivo para o qual são criados alcançam a hipocrisia da sociedade lá no fundo, nos recônditos da alma, onde ela, hipocrisia, descansa resguardada.

Até quando seremos tão… ingênuos?

Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista.”

Esta frase é de D. Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, um homem admirado e respeitado no mundo todo.

O outrora amigo e esperto negociador não tem a menor ideia do que isso significa e também do que representam homens como D. Hélder Câmara.

É triste, muito triste, ver que boa parte da sociedade brasileira, particularmente segmentos como a classe média, tenha perdido a capacidade de perceber coisas tão óbvias.

Justamente ela, classe média, em cujos ombros recaem as consequências mais drásticas do empobrecimento do país.

Ainda pior do que isso, não percebe o risco que hoje corre o mundo, por causa da luta de homens como D. Hélder e sua grande obra humanitária.

Um deles?

O Papa Francisco.

Temos finalmente um grande homem como Papa, que cumpre os ensinamentos de Cristo e que nos faz pensar cada vez mais em outros como São Francisco.

E o que ocorre?

Em outubro deste ano, o jornal inglês “The Guardian” publicou uma reportagem de Andrew Brown, The war against Pope Francis (A guerra contra o Papa Francisco), que traz coisas assustadoras.

Veja um pequeno trecho do que diz Andrew Brown logo no começo da sua matéria.

O Papa Francisco é atualmente um dos homens mais odiados do mundo… Neste verão, um proeminente clérigo inglês me disse: ‘Mal podemos esperar que ele morra. É impublicável o que dizemos dele em privado…

E o que diz e faz o Papa Francisco?

Tudo que Jesus Cristo disse e fez na Terra.

Ora, não acabamos de festejar justamente o dia do nascimento de Cristo?

O que é o famoso espírito de Natal se não o de amor e solidariedade entre as pessoas!

Ou será que é somente entre as privilegiadas?

Por falar nisso.

Espero que você tenha tido um Feliz Natal.

E que tenha dentro de si esse espírito de solidariedade a todas as pessoas durante todos os dias.

Além da previsibilidade do DNA

Grampinho e o DNA

Por Ronaldo Souza

A gestão de Lídice da Mata na prefeitura de Salvador (1993 – 1997) deixou uma convicção; a de que teria sido se não a melhor uma das melhores que a cidade já teve, inclusive quando comparada com a atual, da qual ganha sem dificuldade.

Explico o “teria sido se não a melhor…”, porque aos olhos de alguns não foi.

Por que acham não foi?

Comenta-se desde a época que não foi porque Antônio Carlos Magalhães não teria deixado.

Diz-se desde então que o então poderoso governador da Bahia fez de tudo para atrapalhar a administração Lídice da Mata.

Como Salvador sofreu!

Um jeito de governar?

Da mesma fonte, o povo da Bahia, sempre chegaram notícias desse jeito especial de governar de “painho”, como também era conhecido o governador, tido por alguns como o “protetor da Bahia”.

Notícias, diga-se de passagem, que mostravam uma maneira esquisita de proteger a Bahia.

Roberto Santos, governador da Bahia que antecedera um dos mandatos de ACM, entre outros deixara como legados importantes do seu governo o Hospital Roberto Santos e o Parque Metropolitano de Pituaçu.

Sem dúvidas, obras importantes para o estado e sua população.

Não se pode dizer que Roberto Santos e ACM eram amigos, muito pelo contrário.

E as notícias diziam que a Bahia teria pago um preço alto por conta dessa relação.

Para ficar nesses dois exemplos, segundo elas tanto o Hospital Roberto Santos quanto o Parque Metroplitano de Pituaçu teriam sido abandonados por ACM.

Seriam verdadeiras as notícias?

Como que a confirmar, uma coisa era visível; a deterioração de ambos.

Um pecado imperdoável.

Nomes e sobrenomes não são simplesmente passados para os descendentes. Eles trazem consigo muito mais do que isso.

Um dos grandes problemas de nomes que são passados de pais ou avós para os descendentes é a inevitável comparação sobre várias características; o jeito de ser, por exemplo.

Além da beleza do arranjo da sua molécula, aquela fita dupla em forma de espiral como nos acostumamos a vê-la, o DNA significa muito mais.

É uma marca da qual não se foge.

E se o DNA marca, muito mais marcam nomes e sobrenomes.

O uso do “Filho, Júnior, ou Neto” atrelado ao nome não tem sido recomendado por estudiosos do tema ao longo dos anos.

O peso pode ser muito grande.

Diferentemente do DNA, detectável somente diante de exames laboratoriais, nomes e sobrenomes estão à vista, saltam aos olhos.

Nomes e sobrenomes trazem à luz o que só exames laboratoriais conhecem; a herança genética.

O resultado pode ser trágico.

Explica o porquê de ser e fazer de cada um.

E isso, mesmo com grande esforço, dificilmente se consegue esconder.

Os erros de hoje vão se repetir amanhã?

Escudo do Bahia

Por Ronaldo Souza

Nesse sentido, méritos para Marcelo Sant’Ana e sua diretoria. Com acertos e erros, conseguiram tirar o nosso time de uma situação inimaginável até poucos anos atrás.

Fiz este comentário há poucos dias no texto Futebol, política e o Bahia.

Para que as coisas fiquem bem claras, votei em Marcelo Sant’Ana, mas fiz muitas críticas à sua gestão. E para que fiquem mais claras ainda, algumas dessas críticas foram contundentes, mas não foram postadas em lugar nenhum. Todas foram encaminhadas para o site oficial do clube, através da seção Fale Conosco. Como torcedor, não queria fazer comentários que pudessem tumultuar o meu próprio time.

Como qualquer outra administração, acertos e erros caracterizam a administração de Marcelo Sant’Ana e sua diretoria.

Deixemos bem claro. Há um grande e inquestionável mérito na sua gestão. O Bahia se reorganizou sob vários aspectos e, pelo menos em parte, voltou a ser respeitado no cenário nacional. Esse mérito ninguém pode tirar dele.

Os seus erros, que não foram pequenos, praticamente todos se deram no campo.

Para não me prolongar muito, cito um momento quase fatal e recente.

Não compartilho com quem o critica pela contratação de Jorginho quando da saída de Guto Ferreira. Em enquetes feitas, percebia-se facilmente que a maioria dos torcedores queria a contratação do ex-lateral direito da seleção brasileira. Inclusive eu.

No entanto, decepção com Jorginho à parte, a demora com Preto Casa Grande como interino e, muito pior ainda, a sua efetivação foi um desastre.

Ali ficou configurado que Marcelo e sua diretoria nada tinha aprendido com o episódio Charles, o que era, convenhamos, inaceitável.

Talvez há pouco mais de um ano e meio Preto se tornara auxiliar técnico do Bahia. Sem jamais ter sido técnico de futebol na vida, sem jamais ter sido auxiliar em qualquer outro time, aquela era a sua única experiência.

E aí Marcelo e sua diretoria efetivam Preto como técnico de futebol da maior força e tradição do Norte/Nordeste, num momento em que eram evidentes os riscos de rebaixamento.

Um time cujo histórico recente mostra com clareza a enorme distância que o separa daquele que até pouco tempo era a 13ª força do futebol brasileiro.

Ou ninguém se lembra do Clube dos 13?

E para complicar, uma torcida apaixonada como poucas, aliás, assim reconhecida por Carpegiani, com sua larga experiência em grandes times de futebol.

Mas do mesmo jeito que apaixonada, exigente. E, com feridas recentes ainda abertas, a torcida percebeu o erro absurdo cometido pela diretoria.

Àquela altura um erro imperdoável. Pontos preciosíssimos foram perdidos naquele momento.

Chegou Carpegiani.

E nos salvou.

Do pesadelo à quase Libertadores.

O time que com folga conseguiu escapar do rebaixamento já estava batendo à porta da Libertadores da América.

Mas…

O que corre à boca pequena é que, diante dessa possibilidade, os jogadores foram à diretoria pedir um “bicho” melhor caso chegassem lá.

Certo ou errado, não cabe agora entrar no mérito, mas a verdade é que o futebol tem suas próprias regras.

Consta que qualquer possibilidade de negociação, de uma boa conversa, de uma qualquer coisa, foi imediatamente descartada. A diretoria simplesmente disse não.

Um não cujo primeiro eco se deu no estádio do Arruda, quando de forma estranhamente apática aquele Bahia vibrante e entusiasmante, razão de elogios de toda a imprensa nacional, conseguiu perder para o Sport.

Na sequência a Chapecoense e o São Paulo.

Diante das perspectivas que se abriram e dos resultados nos três últimos jogos, dispensam-se comentários.

Volto um pouco no tempo.

Quando há alguns meses Renê Júnior já mostrava seu futebol e importância para o time, que terminaram confirmando-o como o jogador mais importante do elenco. Seu futebol e regularidade foram impressionantes.

A torcida percebeu e acusou; “não podemos perder Renê Júnior”.

Quantas vezes a diretoria foi cobrada para antecipar as conversas para a sua renovação de contrato?

O que fez?

Nada.

Outro erro imperdoável.

E o erro da diretoria do Bahia estava agora se concretizando de duas formas.

Pelo descaso por não lidar com o problema a tempo, uma vez que o jogador só confirmou a excelente fase e despertou o interesse de outros times, como com a forma como o “concluiu”.

Li ao final da tarde de ontem, terça-feira, que Renê já iria hoje, quarta-feira (06/12), para São Paulo fazer exames médicos no Corinthians.

Alguém pode tentar contra-argumentar dizendo que o Bahia não poderia competir com o Corinthians. Concordo, mas se tivessem conversado com ele antes, quando a torcida já deixava bem claro o seu desejo, ele se sentiria valorizado e aí teríamos mais chance.

Renê Junior agora era um jogador livre. Nada mais o prendia ao Bahia ou à Ponte Preta.

Aí sim, não tínhamos a menor chance de competir com o clube paulista.

E o vento levou.

Renê se foi.

Segundo erro da diretoria.

Bellintani e Renê Júnior

Somente há poucos dias fiquei sabendo que Guilherme Bellintani, candidato à presidência do Bahia, foi flagrado conversando com Renê Júnior, foto que você vê acima.

Negociando a sua permanência?

Por que foi dado a um presidenciável a chance de negociar com o jogador?

E os outros?

Se ele fosse bem sucedido, seria um trunfo para a campanha pela presidência? Já pensou a imprensa dizer; “Bellintani nem bem chegou já conseguiu segurar Renê Júnior no Bahia”.

Esquisito, não?

Os erros cometidos pela atual diretoria no futebol estão deixando para a torcida um gosto amargo de fel neste final de ano, quando já começávamos a experimentar o gosto do mel da Libertadores e da manutenção de parte do atual elenco.

Irão se repetir?

Bellintani, candidato apoiado pela atual gestão, ao assumir as negociações com Renê Junior e fracassar não nos deixa outra perspectiva.

Se pensou em largar na frente, não mostrou competência justamente naquilo que foi o grande pecado da administração de Marcelo Sant’Ana; não saber lidar com o futebol.

“Manter o atual elenco, bem sucedido, em grande parte, para os próximos anos. Isso é fundamental.”

Esta é uma das suas promessas.

Nessa largada, deu um tiro no pé.

Futebol, política e o Bahia

Escudo do Bahia

Por Ronaldo Souza

Em 1999 o Bahia foi resgatado da série B para a série A do Campeonato Brasileiro.

À época presidente do clube, Paulo Maracajá Pereira anunciou aos quatro cantos do mundo que o Bahia tinha subido graças aos grandes esforços do então senador Antônio Carlos Magalhães.

Foi um completo desserviço às coisas do Bahia e um flagrante desrespeito à sua torcida.

Na verdade, o Bahia subira no vácuo do Fluminense do Rio de Janeiro, time habituado a esses recursos pela força de seus ilustres torcedores João Havelange (nada mais nada menos que o todo poderoso presidente da CBD, hoje CBF) e posteriormente presidente da FIFA e de seu genro, Ricardo Teixeira, presidente da CBF.

Os mesmos mecanismos utilizados para livrar o Fluminense da série B foram aplicados ao Bahia. Subindo um tinha que subir o outro.

Todos sabem disso.  

Apesar de torcedor do Vitória (ainda que sem muita fé), como político experiente e conhecedor dos caminhos o senador Antônio Carlos Magalhães sabia da força incomparável do Bahia em eleições e por isso jamais se recusou a estar por perto.

Dizem que a presidência do Bahia representa o segundo cargo mais importante da Bahia. O primeiro seria o de governador do estado.

Mas foi um absurdo inaceitável e injustificável do então presidente do clube tentar creditar ao senador as “honras e glórias” daquele momento.

A subida do Bahia não teve absolutamente nada a ver com o político.

Imaginar um mundo sem política é tolice.

Dissocia-la do futebol também.

No entanto, não se deve por isso aceitar a presença da política partidária dentro de um clube de futebol.

Evitar essa contaminação, ou pelo menos minimiza-la, é tarefa de todos nós.

No próximo sábado (09/12), teremos eleições para escolher o presidente do Bahia para o triênio 2019-2021.

Sem dúvidas, um momento da mais alta importância para a nação tricolor.

Um momento em que ela não pode esquecer a tragédia que foram para o Bahia as suas últimas administrações. Sob todos os aspectos, um desastre absoluto.

Nesse sentido, méritos para Marcelo Sant’Ana e sua diretoria. Com acertos e erros, conseguiram tirar o nosso time de uma situação inimaginável até poucos anos atrás.

Entre as chapas que concorrerão, três são apontadas como as que têm mais chances de vencer.

Confesso o meu desconforto ao ver que uma delas apresenta um contexto político que eu diria muito difícil de desconsiderar.

“O secretário de Desenvolvimento e Urbanismo de Salvador (Sedur), Guilherme Bellintani, deixa a administração do prefeito ACM Neto (DEM) ainda esta semana para disputar o cargo de presidente do Esporte Clube Bahia”. 

Assim noticiou o jornal A Tarde na quinta-feira passada, dia 30/10.

Nada contra o Sr. Bellintani, secretário do prefeito Antônio Carlos Magalhães Neto. Não o conheço e longe de mim imagina-lo incompetente para o cargo.

Ocorre que não consigo ver nada que o ligue ao Bahia em qualquer momento da história do Tricolor de Aço.

Até o momento em que escrevo não tenho maiores informações se já se desvinculou do cargo na prefeitura e sobre o porquê dessa repentina chegada ao Bahia, sem algo mais consistente para explica-la.

Insisto, sem qualquer demérito ou qualquer outra conotação com relação ao Sr. Bellintani, há sim um considerável desconforto diante dessa candidatura.

Ainda que desconsideremos os boatos de que o seu comandante na prefeitura aspira ao governo do estado e de que ele próprio à prefeitura posteriormente, a sua chegada ao Bahia se mostra um pouco apressada.

Ah, quantas vezes desejei ver Virgílio Elísio presidente do Bahia.

Ainda muito jovem me acostumei a ouvi-lo como comentarista de futebol na Rádio Cultura, se não me engano.

Inteligente, fácil comunicação, equilibrado, expressava-se muito bem e fazia bons comentários.

A sua competência como presidente da Federação Bahiana de Futebol, cujos últimos anos são um horror, deve ter chamado a atenção ao ponto de leva-lo para a CBF, que dispensa apresentações e comentários.

A sensação que tenho, porém, é a de que Virgílio Elísio não parece ter escolhido o momento mais adequado para a sua candidatura e quem sabe por isso tenha se colocado como vice na chapa.

Isso passou a representar uma dificuldade para mim. Eu, que tantas vezes desejei vê-lo presidente do Bahia, não consigo agora ter a segurança e tranquilidade que gostaria de ter na sua chapa.

Confesso que chegou um momento em que pensei; não tem jeito, ele não vai sair.

Esse ele era Marcelo Guimarães Filho, ex-presidente do Bahia.

Fruto dos desmandos do clube nos últimos tempos, era um absurdo a sua permanência por tão longo período à frente dos destinos do Bahia. Com nítido desejo de continuar por mais tempo ainda.

Sentia-me inteiramente à vontade para critica-lo e torcer, àquela altura desesperadamente, pela sua saída. Para mim, tornara-se persona non grata ao clube, que ele estava destruindo.

“Vi nele, pela juventude, a possibilidade de mudança, de renovação e confesso que num primeiro momento me entusiasmei. Fiquei ao ‘seu lado’ quando, em momento que julguei inoportuno pelo que o Bahia parecia querer mostrar, a oposição promoveu uma intervenção por meio de liminar. Escrevi sobre isso. Porém, as minhas previsões não se confirmaram”.

Foi isso que escrevi sobre Marcelo Guimarães Filho em 06 de fevereiro de 2013, no texto O Bahia de ontem com roupa de hoje.

E aí vi surgir um movimento como nunca antes tinha visto.

Sob o olhar do Brasil, a Bahia se movimentou e se uniu em torno de um dos seus maiores patrimônios.

O Bahia.

Foi lindo.

Que time de futebol tem na sua história momento tão rico de demonstração de amor, paixão, beleza e força como aquele?

Cinquenta mil pessoas foram às ruas de Salvador para brigar pelo seu time, na campanha “Devolva meu Bahia”.

Devolva meu Bahia

“Resta dizer que jamais, repita-se, jamais uma torcida fez manifestação semelhante no Brasil”.

Assim escreveu Juca Kfouri no seu blog.

Muitos tricolores de primeira linha estiveram à frente daquele momento histórico.

Um deles, Fernando Jorge Carneiro, ou simplesmente Fernando Jorge.

Foi uma constante injeção de ânimo e luta a sua atuação naquele momento único do futebol brasileiro.

Acompanho-o à distância e percebo seu entusiasmo e dedicação às coisas do Bahia. Quem o conhece minimamente sabe da sua forte ligação com o clube.

O seu vice é Antônio Tillemont, radialista e empresário.

Não me deixa muito confortável a sua presença na chapa, pelo fato de ser empresário de alguns jogadores de futebol (ele diz não ser mais) e não por qualquer outra razão.

Independentemente dessa ou outra questão, é a presença de Fernando Jorge que me dá a segurança de que posso esperar por dias mais promissores para o nosso time.

Como ele próprio diz, a Bahia é Bahia.

Espero que com ele a Bahia seja ainda mais Bahia.

Ainda em tempo

Por Ronaldo Souza

Ainda que aparentemente tardia pela data, e aqui falo do dia do professor, esta postagem é dedicada aos professores brasileiros, pesquisadores ou não, nas mãos de quem sempre estarão depositadas as esperanças na formação dos jovens que estarão à frente do destino desse país.

Aqueles professores que, numa grande demonstração de sensibilidade e profundo conhecimento sócio-político, contribuíram de forma decisiva para o golpe que derrubou o governo de Dilma Rousseff e deu posse ao atual.

Em uma obra midiática-judicial-empresarial-política dos segmentos mais “nobres” da sociedade brasileira, deu-se uma gigantesca cambalhota na direção do retrocesso e dependência desse gigante eternamente adormecido em berço esplêndido chamado Brasil.

Justificam assim, os professores, a sua incorporação à elite pensante do país.

Ronaldo e Aécio

Elite pensante

MEC 1

MEC 2'

Parabéns, professores.

Este país e sua juventude lhes serão eternamente gratos.

A Constituição por uma condenação

Moro descontrolado

Por Ronaldo Souza

O Direito não é regido somente por normas e leis rígidas. 

O bom senso também ocupa lugar de destaque.

Aliás, onde poderia ser diferente?

O leigo também pode entender um pouco de Direito. Basta que tenha bom senso.

Por exemplo, basta o bom senso para, só ao ouvir, você saber o que é presunção de inocência e entender que isso deve constituir regra elementar.

Você precisa entender de Direito para saber que todos são inocentes até que se prove o contrário?

Por que você precisaria entender de Direito para saber que presunção de  inocência deve ser, como é, cláusula pétrea da Constituição Brasileira?

Fui buscar o texto “Garantia constitucional da presunção de inocência” num site jurídico, o Âmbito Jurídico, para trazer este parágrafo para você:

A “presunção de inocência”, está prevista no art. 5º, LVII, portanto, trata-se de espécie de direito e garantia individual, de modo que nem emenda constitucional poderá se abater sobre ela.

Não tenho a menor dúvida de que as vezes que falei do juiz (letra minúscula mesmo) Moro, muita gente se indignou e imaginou algo como; quem ele pensa que é para falar do Juiz Sérgio Moro?

Falar sobre determinados temas e pessoas é mais fácil do que se imagina. Quando se trata de Moro então, fica mais fácil ainda.

O juiz Moro é um homem limitado e já deu várias provas disso.

Quando ele chega a dizer a um advogado de defesa “então doutor, faça concurso e seja juiz”, não consegue perceber a estupidez que está dizendo.

“Concursado”, como ele é, não faz ideia da mediocridade que muitas vezes coexiste com essa condição.

Um espelho seria recomendável.

Além do espelho, outra prova que ele tem está ao seu lado; Deltan Dallagnol.

O advogado a quem Moro mandou fazer concurso para ser juiz foi o de Lula.

Foi compreensível, portanto, o pipocar de champanhe nas redes sociais quando Moro fez isso.

Afinal, o raciocínio primário não é exclusividade do juiz.

Pois fique sabendo que até a presunção de inocência, que se trata “de espécie de direito e garantia individual, de modo que nem emenda constitucional poderá se abater sobre ela, está ganhando “outra” interpretação pelos homens do direito (aí é letra minúscula também) no Brasil.

Com o apoio do… STF.

Como também a questão da prisão.

O famoso “trânsito em julgado”. 

Antes, sabia-se que a prisão de um réu não podia ser decretada antes do fim do processo.

Assim diz a Constituição Brasileira.

Mudou.

Agora o réu pode ser preso antes mesmo de encerrado o seu processo.

Violação injustificável de princípio básico da Constituição Brasileira.

Obra de Moro.

Claro, também com o necessário respaldo do… STF.

Você é capaz de imaginar porque tantas mudanças de tamanha magnitude em tão pouco tempo?

É capaz de imaginar porque tanta pressa?

Faz alguma ideia de qual é o objetivo?

Vou dar só uma dica.

Lula alvo

Moro é um juiz desmoralizado.

Juristas renomados e professores de Direito de todo o Brasil já mostraram seus grosseiros erros jurídicos e suas inúmeras violações à Constituição  Brasileira.

Imprensa e entidades internacionais (na Alemanha, França, Inglaterra…) têm chamado a atenção sobre isso e apontam para a perseguição a Lula há algum tempo.

Mas, ainda que lhe custe caro, ele tem um roteiro a cumprir.

Caso não o faça, ele será o condenado.

Pelo Quarto poder.

O tribunal superior ao Supremo Tribunal Federal, a quem este deve satisfação.

E os sem noção, aqueles segmentos mais privilegiados da nossa sociedade (sob o aspecto financeiro, claro), como sempre alheios a tudo, só tomarão conhecimento de tudo isso depois de algum tempo.

Lembra de Aécio?

Mas não quero ficar falando de Moro.

O meu objetivo é trazer um texto do Prof. Wanderley Guilherme dos Santos​.

Este, sem dúvida, pode dizer com muito mais profundidade, quem é o juiz Moro.

Veja com seus próprios olhos uma pequena mostra da incompetência e desequilíbrio do juiz.

——

O juiz que sequestra liberdade

Por Wanderley Guilherme dos Santos

O Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-4) modificou 34 das 48 apelações de sentenças do juiz Sergio Moro em processos da Lava Jato, assim distribuídas: 18 penas foram aumentadas, 10 reduzidas e, 6, anuladas. A taxa de acerto impecável limitou-se a 30% das sentenças. Os estatísticos da magistratura avaliarão a normalidade ou a excepcionalidade das correções impostas a um juiz primário. Surpreende que o número de sentenças modificadas por maior severidade (18) seja praticamente igual ao de sentenças retificadas em favor dos réus (16). Em estatística geral, decisões que ora caem 50% de um lado e ora 50% do outro indicam a predominância do acaso. Estatisticamente, as chances de um acusado ser favorecido ou injustiçado seriam as mesmas, mas este não é o caso de nenhum dos 50% das sentenças do juiz Sergio Moro, seja condenando, seja passando a mão na cabeça do réu.

Em algumas sentenças, a revisão da TRF-4 condenou a quem o juiz Sergio Moro havia declarado ser inocente. Não são erros de pequena monta para um magistrado que defende suas decisões com o argumento da imparcialidade e da estrita aplicação da lei. A avaliação da TRF-4 de que 18 sentenças, em 48, estiveram aquém do que a justiça recomendava expôs o discernimento do juiz Sergio Moro a justas interpelações, afinal, trata-se de número superior ou de sentenças impecáveis (14). E permanece em suspenso a avaliação da soltura do doleiro Alberto Youssef, anteriormente condenado pelo mesmo juiz Moro, pelos mesmos crimes, e também posto em liberdade vigiada pela benesse da delação premiada. Pois não é que o criminoso repete os crimes, agora em escala gigantesca, e o juiz Sergio Moro decide com a mesma benevolência, devolvendo Alberto Youssef e esposa, sua cúmplice, ao aconchego do lar?

As penas modificadas em favor dos réus incluíram a redução de 10 e anulação de 6. Ou seja, a correção absoluta das sentenças condenatórias, anulando-as, somou cerca de 40% do total de 16 sentenças modificadas em favor dos réus, também superior ao número de sentenças impecáveis. Das sentenças modificadas em favor dos réus, quase 50% (6) foram simplesmente anuladas, sem retificação possível, imperitas. Entre elas, alguns casos célebres; por exemplo, o de João Vaccari Neto, sentenciado a 15 anos de reclusão, a maior das condenações impostas por Sergio Moro. Atenção, a maior pena deliberada por Sergio Moro entre as sentenças por ele aplicadas a João Vaccari Neto, foi considerada insubsistente, vazia, sem provas, por se socorrer tão somente de duas delações premiadas e, ademais, por nenhuma das duas haver afirmado ter tratado de propina com o réu. Convido o leitor a reler esta última frase. Não fosse o Brasil de hoje um hospício continental, como o qualificou um jurista, e nenhuma sentença do juiz Sergio Moro, assentada estritamente em sua convicção, mereceria credibilidade. O juiz Sergio Moro, pela amostra aqui examinada, não é equilibrado.

Trinta e seis anos seriam subtraídos à vida em liberdade, se as pessoas entregues ao profissionalismo do juiz Sergio Moro não tivessem as penas anuladas pela TRF-4. Esse é o total dos anos de cadeia que o juiz Sergio Moro distribuiu passionalmente, inclusive a dois apenados que, como verificou a turma da apelação, não fizeram mais do que, por função administrativa assalariada, promoveram a movimentação de recursos da empresa OAS. A iluminada convicção do juiz Sergio Moro não hesitou, contudo, e gratificou a um com 11 anos de cadeia e com 4 anos a outro. Se não havia evidência para a condenação, é óbvio que também não existia base probatória para a incrível diferença no tamanho das penas. Finalmente, quantos anos de liberdade foram resgatados a favor dos réus que conseguiram, de justiça, redução das penas. De que é feita, afinal, a subjetividade desse juiz? O que quer ele dizer quando se refere à sua convicção ao sequestrar a liberdade de cidadãos e cidadãs brasileiros?

De Guto Ferreira a Jorginho

Escudo do Bahia

Por Ronaldo Souza

Tenho ouvido com alguma frequência membros da imprensa esportiva local dizerem “eu prefiro que o time jogue mal e ganhe do que jogar bem e perder”.

Referem-se ao Bahia.

Criam assim um clima desfavorável que contamina a torcida.

Resultado. Vaias, que já ocorreram no último jogo, contra o Fluminense.

Para um time que vem jogando bem.

Se a imprensa reservasse algum espaço para o bom senso talvez pudesse entender que é no mínimo pouco provável que um time jogue sempre mal e ganhe as partidas e que outro jogue sempre bem e perca.

Em algum momento essa “matemática” não vai funcionar e as razões para isso parecem óbvias.

Faço questão de frisar mais uma vez que ao torcedor de futebol quase tudo é permitido, à imprensa não.

Esse tipo de comentário é de uma insensatez à toda prova e por trás dele podem existir algumas coisas.

Incompetência em primeiro lugar, além do desejo de fazer média e agradar à torcida ou qualquer outra razão inconfessa.

O lugar de destaque, porém, é ocupado pela incompetência mesmo.

Vamos ver Guto!

Será que já esqueceram, entre outros, do jogo ridículo que o time fez contra o CRB (série B, 2016), quando ganhava de 2X0, em 10 minutos deixou empatar e se tivesse mais tempo de jogo era bem capaz de perder?

Também já esqueceram do último jogo do campeonato, contra o Alético Goianiense, fora de casa?

O Bahia perdeu, com o time jogando covardemente mais uma vez, a despeito da importância da partida.

Subimos graças à derrota do Náutico.

O que fez essa mesma imprensa quando Guto armou dois times, um para o Campeonato Baiano e outro para a Copa do Nordeste agora em 2017?

Criticou e muito. E elogiou bastante o Vitória.

Sobre isso, o que fizeram e como chegaram os dois times nas semifinais e finais dos referidos campeonatos já conversamos no texto Jogo perigoso.

Sem querer tirar o mérito de Guto Ferreira por ter deixado um time montado, também já falei aqui e aqui que não foi ele e sim o acaso que armou o ataque do Bahia.

Independentemente de qualquer outra coisa, para conseguir isso Guto levou um ano.

E não está bem no Internacional.

Tendo-o criticado na maioria das vezes durante o ano em que esteve no Bahia, agora a imprensa incensa o time montado por Guto.

E critica quem?

Vamos ver Jorginho!

Tem 1 mês e 10 dias de Bahia.

Do quarteto que encantou a todos (Régis, Zé Rafael, Edgard Junio e Allione), Jorginho já não encontrou Régis, o jogador mais importante para o time naquele momento, à sua disposição.

Em seguida perdeu Edgard Junio.

Do meio campo titular, além de Régis, perdeu Edson.

Todos por contusão.

Justamente nesse momento em que estava sem jogadores importantes no Campeonato Brasileiro, entre jogos fora de casa e na Fonte Nova pegou a sequência com Botafogo, Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras, Corinthians, Flamengo e Fluminense.

Considerando-se particularmente a qualidade desses times, o Bahia jogou bem (com exceção feita aos jogos com Palmeiras e Corinthians em que não esteve tão bem), foi elogiado e em alguns poderia ter ganho.

A única partida em que jogou mal foi contra o Vitória. Todos sabemos que em clássicos com essa rivalidade os times se igualam e geralmente não há favorito. O Bahia esteve naqueles dias em que nada dá certo. Acontece.

Na última partida agora, contra o Fluminense na Fonte Nova, a imprensa, inclusive a do Rio, mais uma vez reconheceu o futebol jogado (mesmo não tendo sido das melhores partidas) e disse que o Bahia foi superior “durante todo o jogo”.

No programa “Troca de Passes” (SporTV), enquanto Abel fazia considerações bobas na entrevista coletiva nos vestiários, foi possível ouvir bem baixinho ao fundo alguém no estúdio dizer; “esse negócio de Abel dizer que o time…”.

Não deu para ouvir mais do que isso e muito menos identificar de quem era a voz, pois o som desapareceu em seguida. Após terem dito que o Bahia foi superior “durante todo o jogo”, acho que podemos deduzir que alguém da bancada do programa (André Rizek, Carlos Eduardo Lino e Roger Flores) não estava concordando com as declarações do treinador do Fluminense.

Quando Vanderlei Luxemburgo assumiu o Sport só fez perder ou empatar no início. Onde está agora o Sport? Na sexta colocação.

O futebol brasileiro está virando uma loucura.

A demissão de Wagner Mancini da Chapecoense foi um absurdo e com apenas pouco mais de um mês, Eduardo Baptista já foi demitido do Atlético Paranaense, cujo time é limitado.

Espero que a diretoria do Bahia não se deixe levar somente pelos resultados e tenha um pouco mais de serenidade. O time precisa de reforços, mas não é ruim. E ainda continuo achando que deve ser o mesmo que vinha jogando, assim que todos os jogadores estiverem à disposição do treinador.

Quanto a Jorginho, é um bom técnico.

Talvez não se tenha observado um comentário feito por ele desde que chegou sobre a intensidade que o time vinha empregando no início dos jogos.

Observe que com Guto o Bahia algumas vezes começou muito intensamente, criou muitas oportunidades e o gol não saía. No segundo tempo, já mais cansado, o time diminuía a intensidade e, diante de um time um pouco mais qualificado, já corria riscos de tomar gol.

Jorginho chegou falando de equilibrar mais a intensidade nos dois tempos do jogo, mais posse de bola (tudo bem, sei que posse de bola não é tudo que andaram dizendo), coisas nesse sentido.

Ou alguém pode imaginar que Zé Rafael poderia jogar todas as partidas naquele ritmo inicial? Procure lembrar quantas vezes ele foi substituído no segundo tempo já esgotado.

Mas talvez Jorginho esteja precisando definir mais, ousar

Uma coisa acho que ele já sabe; Armero é o mais fraco dos laterais esquerdos e ele já o tinha tirado do time.

Sentiu-se pressionado pela diretoria ou pela torcida e o escalou outra vez? Não sei. Apesar de alguns acharem que Matheus Reis não se saiu tão bem, ainda acho que é melhor do que Armero. Talvez o técnico precise dar mais moral a ele e a Juninho Capixaba (lateral esquerdo da base que já está entre os profissionais).

Com Armero não dá. Mais claro do que no jogo contra o Fluminense não podia ficar. O time é capenga, só joga por um lado, o de Eduardo (lateral direito), que, mesmo precisando melhorar muito os cruzamentos (Jorginho foi lateral direito muito bom, por que não ensina a ele?), é bom lateral e titular absoluto. Reconheçamos; joga muito para o time.

Rodrigão está chegando e já apresentou maior potencial do que Gustavo. Vamos ver.

Só mais uma coisa.

Apesar da inegável qualidade do seu futebol, ainda fico “um pouco assim” com Allione. Sinto-o ausente em determinados momentos dos jogos. A impressão que tenho é a de que é um pouco instável emocionalmente.

Amanhã (12/07), contra a Ponte Preta, teremos mais um jogo muito difícil.

Torcedor tricolor, vamos ter um pouco mais de tranquilidade, seu time ainda pode surpreender.

Continue jogando com ele.

“Sempre acreditei na Justiça do meu país”

Aécio e a justiça

Por Ronaldo Souza

A frase que dá título a este texto foi dita por Aécio Neves após reassumir o mandato no Senado.

Aécio sempre teve razões de sobra para acreditar na justiça do seu país.

Há como negar a sua íntima relação com a justiça brasileira?

Será que ainda há alguém que possa negar a blindagem que a mídia brasileira desde sempre reserva a Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves e de resto todo o PSDB?

Se existe esse alguém, certamente não cabe coloca-lo na categoria dos inocentes.

Ele pertence a outras, em nada nobres.

Existe uma expressão consagrada no Latim e usada em todo o mundo:

In dubio pro reo“.

Significa literalmente “na dúvida, a favor do réu”.

Ela expressa o princípio jurídico da presunção da inocência, universalmente utilizado. Em outras palavras, diz que em casos de dúvidas (por exemplo, insuficiência de provas) se favorecerá o réu.

Todos são inocentes até que se prove o contrário.

Veja o que diz o jurista Luiz Flávio Gomes sobre o Principio do “in dubio pro reo.

Também conhecido como princípio do favor rei, o princípio do “in dubio pro reo” implica em que na dúvida interpreta-se em favor do acusado. Isso porque a garantia da liberdade deve prevalecer sobre a pretensão punitiva do Estado.

É perceptível a adoção implícita deste princípio no Código de Processo Penal, na regra prescrita no artigo 386II, ex vi:

Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça:

(…)

VII – não existir prova suficiente para a condenação.

Não conseguindo o Estado angariar provas suficientes da materialidade e autoria do crime, o juiz deverá absolver o acusado. Ou seja, in dubio pro reo.

Em tempos de cólera, como nos dias atuais, quando nada importa a não ser fazer arder na fogueira do assassinato de reputação quem quer que seja que não se ponha ao lado das forças ocultas (sem nenhuma associação com Jânio Quadros, por favor), este tem sido um tema negado a qualquer possibilidade de discussão.

As razões para isso passam ao largo por diferentes razões, uma delas a alienação de setores significativos da sociedade.

“Carreira política elogiável”

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, devolveu o mandato de senador a Aécio Neves.

Há aí pelo menos duas perspectivas.

Tido como um juiz garantista, que trabalha à luz das leis e que, portanto, garante a sua utilização mesmo contra, por exemplo, o clamor popular, seria um juiz cujos processos são examinadas sob as normas jurídicas.

Falar dos julgamentos atuais só tem validade quando se diz o que se quer ouvir.

Pela absurda pobreza que se observa reinando nos últimos anos, particularmente nas redes sociais, não vale a pena.

Particularizo as redes sociais porque são reconhecidas as limitações das “ponderações” que ali são feitas, mesmo sabendo que elas são apenas um mero reflexo da mídia brasileira, alienante como nenhuma outra.

Isso, porém, não tira a culpa dos alienados, até pelo pretenso nível intelectual que cantam aos quatro ventos.

Se são o que imaginam ser, por que se permitem ser o que são?

A outra perspectiva sob a qual teria sido tomada a decisão do ministro Marco Aurélio Mello é a do seu alinhamento ao que se tornou público e notório; a inimputabilidade (expressão de uso comum mais recentemente) atribuída a FHC, Aécio e ao PSDB como um todo.

E é essa perspectiva que pode explicar as mais recentes decisões do STF.

No despacho que devolve o mandato de Aécio Neves, Marco Aurélio afirmou que não cabe ao STF decidir pelo afastamento do senador, por “inexistência de flagrante…, muito menos, por ordem monocrática, afastar um parlamentar do exercício do mandato“, afetando assim o equilíbrio e a independência dos Três Poderes.

Essas preocupações não existiram nas recentes prisão e cassação de outro parlamentar.

A prisão de Delcídio do Amaral, senador pelo PT,  foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal sob a acusação de tentar atrapalhar as investigações da Lava Jato. Bastou isso para que fosse preso.

Foi o primeiro senador preso no exercício do cargo, desde a redemocratização do País.

Preso, ficou incomunicável, “numa cela da Polícia Federal, em situação que contrariava o artigo 53 da Constituição Federal que define regras precisas e excludentes para a prisão de parlamentares no exercício do mandato”.

Na sequência, teve o mandato cassado.

Assim:

  1. Aécio foi flagrado em conversa telefônica orientando um ministro do STF, Gilmar Mendes, a como agir em seu benefício.
  2. Deixando de lado acusações anteriores de corrupção, Aécio foi flagrado com pedido de propina.
  3. Teve o mandato suspenso pelo STF, com pedido de cassação e prisão por parte do Ministério Público Federal.
  4. O pedido de cassação foi arquivado no Conselho de Ética do Senado.
  5. Foi também arquivado no STF.
  6. Recuperou o mandato por decisão monocrática de ministro do STF, o próprio Marco Aurélio Mello.
  7. Sua irmã e seu primo foram soltos.

Por outro lado:

  1. Delcídio foi preso porque no telefonema grampeado citou nomes de ministros do STF que poderiam ajudar a alguns réus.
  2. Foi preso e ficou incomunicável.
  3. Foi cassado por unanimidade, sem nenhuma chance de defesa.

Devo esclarecer que nunca gostei da postura do senador Delcídio do Amaral, conhecido como “o mais tucano dos petistas”. Aqui estão sendo abordadas questões que analisam o comportamento do STF diante de dois senadores; um do PT e outro do PSDB.

Não se sabe ainda o que quis o ministro do STF ao exaltar Aécio enaltecendo os seus “fortes elos com o Brasil. É brasileiro nato, chefe de família, com carreira política elogiável…”.

Pelo sarcasmo com que algumas vezes se dirige aos seus pares (como eles gostam de dizer), será que o ministro não percebeu que estava diante de mais um escárnio do STF à nação brasileira e desejou tão somente ser engraçado?

Não deve ter sido.

A essa altura, falar dos “fortes elos com o Brasil” e da “carreira política elogiável” de Aécio é, na verdade, uma bofetada no povo brasileiro.

Agora voltemos a um passado nem tão distante.

Considerando-se que o julgamento do Mensalão do PSDB nunca será feito e que a cada dia surgem novas notícias de mais uma prescrição do que está engavetado, falemos do PT.

Veja a matéria de Mônica Bergamo, de 22 de setembro de 2013, na Folha.

Lava Jato, Aécio e Dirceu'

Se você quiser ler a matéria de Mônica Bergamo na íntegra, clique aqui Dirceu foi condenado sem provas.

É bem possível que você não saiba do que fala Ives Gandra, como também que sequer saiba de quem se trata. Por isso trago abaixo uma imagem dele.

Ives Gandra

Todos sabem que Ives Gandra é um homem de direita e declaradamente contra o PT. É um homem da Opus Dei. Mas também é reconhecido como um jurista que procura se apoiar em fatos jurídicos. Certamente, não se trata de uma Janaína Paschoal.

Vamos relembrar o célebre voto da ministra Rosa Weber para condenar José Dirceu?

Não tenho prova cabal contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”.

Você sabe quem redigiu esse voto da ministra do STF? O que se diz é que teria sido o próprio juiz Sérgio Moro, que era assessor dela à época.

Dispensar provas para condenar alguém parece fazer parte da vida de Sérgio Moro.

O que fizeram com José Genoíno?

Sem uma única prova, Genoíno teve a sua vida e a da sua família destruídas.

O que o juiz Moro fez com Vaccari?

Manteve-o preso “preventivamente” por mais de dois anos, na esperança de que ele fizesse delação de Lula e depois o condenou por 15 anos e 4 meses.

O que ocorreu?

Vaccari

O que o juiz Moro faz hoje com Vaccari?

Mesmo tendo o TRF4 enviado um alvará de soltura, Moro o manteve preso.

Que espécie de juiz é esse?

O Supremo Tribunal Federal é tradicionalmente conservador, entretanto, o seu comportamento nos últimos tempos tem sido muito estranho.

O que fazem todo o tempo o judiciário brasileiro, o MPF, o juiz Moro e seus procuradores da Lava Jato?

Bob Fernandes tem a resposta.

Como diz Luis Nassif, “há algo de podre no ar, mas ainda não há clareza sobre tamanho e consistência”.

Uma coisa é certa.

Quando diz “sempre acreditei na Justiça do meu país”, Aécio sabe do que está falando.

Sabe que a justiça (com letra minúscula mesmo) no Brasil tem lado.

E ele sabe qual é.