Ninguém representa melhor a vergonha indigente do velho eleitor de Aécio do que Ana Paula do vôlei

Por Kiko Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Um espectro ronda o Brasil: o espectro do eleitor desaparecido de Aécio Neves.

O tipo que usava até pouco tempo atrás a camiseta “Eu não tenho culpa, eu votei no Aécio” sumiu, depois de ir para as avenidas paulistas gritando que ele era superior em todos os sentidos, inclusive moralmente, à rival vitoriosa nas urnas.

Parte do engodo em que essa turma caiu foi porque a mídia blindou-o a vida inteira. Mas eles foram enganados porque queriam ser enganados.

Ninguém representa melhor as viúvas de Aécio do que Ana Paula do Vôlei, a ex-atleta que embarcou na campanha do tucano com toda a força da falta de inteligência e do fanatismo.

Ana Paula chegou a escrever o seguinte no Twitter, rede social onde vive: “Conheço Aécio e sua índole. Homem de bem, sério e com muito preparo”.

As imbecilidades foram muitas, mas vou parar por aí.

Ana Paula 1

Uma vez desmascarado Aécio, ela vive agora de repetir o clichê de que não tem “bandido de estimação”, ao contrário de petistas. Não é verdade.

Sua obsessão continua sendo Lula e seja lá quem for que a ameace com um projeto “bolivariano” das esquerdas.

Topa qualquer negócio contra essa ameaça vermelha.

Casada com um cidadão filiado ao Partido Republicano, Ana Paula mora no EUA, é naturalizada americana, votou em Trump e se considera “conservadora moderada”.

Trump pode cometer quaisquer barbaridades, não importa — os olhos e ouvidos de Ana Paula estarão sempre voltados para os brasileiros.

Faz parte de um grupo chamado MoroBloco, de seguidores do juiz de Curitiba, um negócio que ninguém explicou ainda o que é e para que serve.

Numa entrevista à BBC Brasil do ano passado, se declarou admiradora de Ronaldo Caiado e de Antonio Anastasia. Anastasia, de acordo com ela, “trouxe uma serenidade que falta à nossa política no processo do impeachment”.

Está-se vendo a serenidade que o pupilo de Aécio e seus comparsas de PSDB nos trouxeram.

Sobre Jair Bolsonaro, ela é igualmente nonsense. “Penso do Bolsonaro o que penso do Obama: discordo de 90% do que ele fala, mas sei que é um cara do bem, que tem coração bom, uma índole boa.”

Ana Paula 2

É mais ou menos a mesma estupidez que ela proferiu a respeito da “índole” do Mineirinho da Odebrecht, que ela jurava conhecer. 

O que a levou a pagar mico apoiando cegamente um jagunço como Aécio Neves foi o ódio. A derrocada daquele que ela chamou de “líder” não serviu para uma autocrítica, mas para continuar na mesma cavalgada, apenas trocando o canalha que ela jura que é santo.

Quem vai ser o cavalo da vez? Eu faço uma aposta. Começa com Jair e termina com Bolsonaro. Afinal, ele é um cara do bem e tem um coração bom.

Os velhos fãs de Aécio Neves são, afinal de contas, como ele: não valem um pão de queijo.

Ana Paula 4

Ana Paula 3

Professores com medo de alunos delatores. Aula de fascismo

Uma breve reflexão

Por Ronaldo Souza

O triste disso tudo é saber que pela participação ativa ou omissão muitos professores Brasil afora ajudaram e continuam ajudando esse projeto de destruição do país.

Fizeram-se iguais aos políticos corruptos que dizem combater.

O Brasil é um dos poucos países onde a ignorância sócio-política chega à sociedade via professores.

E pensar que meus pais imaginavam que a Universidade era o centro do saber. 

Por isso lutaram tanto para que seus filhos e netos fizessem parte dela.

Escola sem partido'

Professores com medo de alunos delatores. Aula de fascismo

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Paula Ferreira e Renato Grandelle, hoje, em O Globo, mostram o legado juvenil da era do grampo e delação conduzidos à condição de “heroísmo” pelo Ministério Público, pela Justiça e pela mídia.

Contam a história de professores amedrontados, temendo estarem sendo gravados por alunos, em busca de “dedurá-los” como esquerdistas ou gays.

Até a cor da camiseta serve como pretexto:

Quando escolhe a roupa que usará durante um dia de aula, Miguel (nome fictício), professor de Português e Literatura de duas escolas privadas, deixa as camisas vermelhas de lado. Nas duas vezes em que as vestiu no trabalho, foi chamado pelos alunos de petista. Era brincadeira, mas ele não baixa a guarda. Os estudantes já se queixaram dos debates conduzidos por Miguel em sala sobre temas como racismo e homofobia. Outros docentes já passaram por situações mais dramáticas — tiveram trechos de aulas gravados e divulgados nas redes sociais, onde foram acusados de promover doutrinação ideológica.

A reportagem (que não achei na versão online) é uma sequência de monstruosidades. Entre elas as contidas no  site do movimento “Escola Sem Partido”: “uma aba chamada “Flagrando o doutrinador” estabelece comportamentos dos professores que os alunos podem identificar como doutrinação” e outra,  “Planeje sua denúncia”, ensina os alunos a registrarem falas dos professores que sejam “representativas da militância política e ideológica”.

Auxiliar de coordenação de um colégio da Zona Sul do Rio, uma educadora que também não quis se identificar recebe e-mails com denúncias sobre o conteúdo transmitido nas aulas. É, segundo ela, um fenômeno recente, mas que forçou mudanças na linha pedagógica da instituição.

— A escola está com menos liberdade de atuação. Até dois anos atrás, podíamos fazer uma videoconferência sobre qualquer tema que estivesse acontecendo no mundo. Hoje, temos que mostrar à direção, submeter à aprovação dos pais, analisar com que série vamos trabalhar — revela. — As famílias tinham mais confiança em nós.

São os filhos do Moro, os imbecis da “cognição sumária”, tão entupidos de convicções que não precisam aprender, debater, discutir ideias ou fatos.

Basta-lhes, como à Rainha de Copas de Lewis Carroll, apontar o dedo duro e gritar: cortem-lhe a cabeça.

Noite de poesia e beleza. E muita alegria

Bahiana 65 anos

Por Ronaldo Souza

Cada vez mais frequentemente somos raptados pela dureza do dia-a-dia.

Como um destino que nos foi traçado, todos os dias sacudimos a poeira e damos a volta por cima.

E seguimos em frente.

Em frente?

Num cenário nada animador, olhamos para o horizonte e vemos como ele ficou curto.

Está logo ali, muito próximo, tão próximo que quase posso toca-lo com as mãos.

Dá para sentir a sua aspereza.

Nem o professor, na sua divina tarefa de educar, parece escapar da frieza dos dias, numa rotina que pode se tornar “desapaixonante”.

O que é um professor sem paixão?

O que é um professor preso numa gaiola de números, percentuais, estatísticas e metas?

Nada.

Perde a ousadia do voo.

Mas eis que de repente, sabe-se lá de onde, saltam os poetas com a sua mania de adoçar a nossa vida.

Ainda me surpreendo quando desdenham se alguém diz:

“O que seria do mundo se não fossem os poetas!”

Aquela noite de 31 de maio foi repleta de poesia.

Celebrava-se o aniversário de 65 anos da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

E mais uma vez a Bahiana surpreende.

A abertura com o ballet do Teatro Castro Alves dançando Bolero, de Ravel, dava os primeiros sinais do que viria pela frente.

Na sequência entra a Orquestra Castro Alves, orquestra sinfônica do NEOJIBA, projeto vitorioso do Estado da Bahia do qual sou um admirador.

A apresentação inicial com a música de (Richard) Wagner foi arrepiante.

Irretocável.

Os textos lidos pela professora Maria Luisa Carvalho Soliani, Reitora da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, com firmeza de voz e ao mesmo tempo leveza que não deixaram de chamar a atenção, são lindos e de grande delicadeza.

Não conheço o primeiro, se é dela própria ou de quem mais.

O segundo tem a marca de Rubem Alves, infelizmente afastado do nosso convívio há cerca de 3 anos; inspiração, criatividade e liberdade.

Ah, como estamos precisando de escolas que voltem a ser asas!

Desaprendemos a voar.

E aí veio Margareth Menezes.

O que se poderia esperar daquela voz?

Incendiou o teatro.

Principalmente quando cantou “Faraó Divindade do Egito”.

Egito e África não poderiam estar mais irmanados numa atmosfera de magia em qualquer outra terra que não fosse na mágica Bahia.

Pelourinho
Uma pequena comunidade
Que, porém, Olodum uniu
Em laço de confraternidade

Despertai-vos para a
Cultura egípcia no Brasil
Em vez de cabelos trançados
Veremos turbantes de Tutancâmon

E as cabeças
Se enchem de liberdade
O Povo negro pede igualdade
Deixando de lado as separações

Mais Bahiana a celebração não poderia ser.

O Brasil sabe o que é que a Bahiana tem.

Só uma crítica.

Não, não vou chamar de crítica.

Não cabem críticas a aquela noite.

Uma sugestão ao NEOJIBA.

Certa vez Antônio Veronese, pintor brasileiro radicado na França, disse:

Quem é que pode me dizer que reservar um espaço para Guimarães Rosa, Villa Lobos, Vinícius de Morais, Cândido Portinari, pode ser nocivo ou ruim para o país…”.

Foi uma belíssima oportunidade de se levar a música clássica a uma plateia composta por considerável diversidade de pessoas.

Como falei, a abertura com Richard Wagner foi arrepiante.

O “peso” de toda a orquestra na impressionante harmonia dos instrumentos foi incrível.

Mas é possível que a oportunidade não tenha sido aproveitada da melhor maneira.

Ao comentar, por exemplo, que a música do compositor russo “privilegiava” os instrumentos de corda, o maestro talvez tenha se antecipado ao que tento dizer.

Pareceu algo um pouco hermético e talvez mais apropriado para um público mais específico, mais conhecedor da bela e eterna música clássica.

A inserção de grandes compositores brasileiros, como Heitor Villa-Lobos e sua magnífica “Bachianas Brasileiras” e Carlos Gomes, com seu imortal “O Guarani”, também seria muito bem-vinda.

Enalteceria a nossa música clássica e os acordes iniciais certamente seriam identificados pelo público presente, que assim “veria” nomes nossos, como nosso é o NEOJIBA, entre os grandes da música internacional.

Mas a noite foi mágica.

Senti-me resgatado pela delicadeza.

Retomando o caminho

Escudo do Bahia

Por Ronaldo Souza

Já fiz muitas críticas a Guto Ferreira e em alguns momentos achei que ele devia sair do Bahia.

Entretanto, pouco tempo após o início da temporada de 2017 percebi que Marcelo Sant’Ana, presidente do Bahia, e sua diretoria acertaram em cheio ao mantê-lo.

Guto, Marcelo e a diretoria foram muito criticados quando resolveram priorizar a Copa do Nordeste e armar dois times; o principal para a Copa do Nordeste e o segundo para o Campeonato Baiano.

Desde cedo decidiram e deixaram bem claro que neste primeiro semestre o Bahia ia priorizar a Copa do Nordeste. O Campeonato Baiano ia ficar em segundo plano.

Foram muitas críticas, algumas completamente equivocadas. Como sempre, a imprensa errou muito mais do que acertou, inclusive ex-jogadores que viraram comentaristas.

Nesse sentido, desde o início estive alinhado com o planejamento do Bahia.

Guto ainda cometeu alguns pequenos erros, é verdade, principalmente no Baiano, e por isso chegou às finais com menor número de pontos que o Vitória.

Foi a grande sorte do rival.

Na hora do “vamo ver” das finais, o rubro negro baiano escapou de uma goleada na Fonte Nova e conseguiu o empate com gol contra de Armero.

Com medo, mesmo no Barradão jogou para empatar.

Com dois empates, foi campeão.

O Bahia chegou mais inteiro e melhor às finais.

Isso ficou evidente para a própria imprensa, que tanto criticara o planejamento do tricolor.

É claro que ter ganho o Campeonato Baiano teria sido bom, seria mais um título, mas um título já com pouca importância.

Não há mais dúvidas de que o título da Copa do Nordeste é muito mais importante, com ganhos reais em renda nos jogos e consideráveis prêmios financeiros.

Um tiro certeiro, no alvo.

No Campeonato Brasileiro o Bahia começou avassalador contra o Atlético Paranaense.

Acertou outra vez ao priorizar a final da Copa do Nordeste e entrar com o time praticamente reserva contra o Vasco. A eventual derrota, que se confirmou, já estava na conta.

E contra o Botafogo, mesmo de ressaca das comemorações pela Copa do Nordeste, fez um primeiro tempo razoável (como o adversário) e um segundo tempo muito bom. A própria imprensa carioca não pôde deixar de elogiar o jogo que o Bahia fez. Tanto é que elegeram Gatito Fernández, goleiro do Botafogo, o melhor jogador da partida.

Talvez seja interessante lembrar que não foi exatamente Guto quem armou o quarteto que demoliu o Vitória e fez o Bahia ganhar com sobras do Sport.

Foi o acaso quem “armou” o ataque para Guto.

No momento em que Hernane se contundiu e logo em seguida Gustavo, seu substituto, foi expulso, Guto não tinha outra alternativa senão armar o ataque daquela maneira.

Isso, porém, não tira os méritos dele.

Após erros e acertos, Guto estava conseguindo armar o time como a torcida queria e merece.

Guto Ferreira deixa o time bem montado.

Mas a partir de agora vira-se a página.

Agora é contratar um novo técnico e novos reforços, além dos dois que estão sendo anunciados.

Além do bom planejamento no início do ano, o Bahia acertou na contratação dos jogadores. A diretoria fez o que a torcida sempre pediu.

À exceção de Armero (que independente da sua boa condição física e de ser um jogador de grupo, agregador, não pode ser o titular), a direção tricolor deixou de lado a contratação de veteranos que, normalmente em final de carreira, pouco acrescentavam ao time.

Ao contrário, trouxe jogadores jovens, bons de bola e que buscam espaço no futebol brasileiro.

Nomes que já foram importantes para o futebol não deveriam ser mais o grande objetivo, este é um erro antigo que se comete no futebol do Nordeste e que aqui na Bahia conhecemos de perto.

Considerando-se os reforços que precisam ser contratados e os que estão no departamento médico (cito particularmente Jackson), o plantel é o melhor dos últimos anos.

E nesse momento é importante perceber que atualmente o Bahia tem um time que joga um futebol moderno.

Alione, Edgard Junio, Zé Rafael e Régis constituem um quarteto que tende a crescer e dar alegrias à torcida.

Assim, o Bahia deve analisar bem o perfil do novo técnico que vai contratar.

Com todo o respeito que tenho por ele, Cristóvão Borges, cujo nome tem sido especulado, não possui o perfil adequado ao momento que vive o time. Não deve ser ele. 

Somos a turma tricolor

Torcida de Ouro

Um projeto de reconstrução é feito de muita luta, dedicação, erros e acertos.

Vivemos um momento especial, em que time e torcida parecem se reencontrar, num encontro marcado há anos.

Torcedor tricolor, mais uma vez você mostrou sua força e encantou o Brasil.

No jogo Bahia versus Sport pela final da Copa do Nordeste 2017, a Fonte Nova foi palco de um espetáculo grandioso, digno da torcida grandiosa que você representa.

Observe como ultimamente cada vez mais a Fonte Nova volta a ser aquela mesma onde o Bahia proporcionou grandes emoções à sua torcida.

Segunda-feira, 05/06, vá lá torcer.

Não só porque está dando alegria ver o time jogar, mas também porque precisamos fazer o time acontecer no Campeonato Brasileiro.

Neste ano, time e torcida têm que caminhar juntos como há muito não vemos.

Vamos lá.

O “coração generoso” do bom samaritano

Moro Santo e PSDB

Por Ronaldo Souza

Diz a Bíblia que em certa ocasião um perito na lei quis pôr Jesus à prova e lhe perguntou:

“Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna?”

“O que está escrito na Lei?”, respondeu Jesus. “Como você a lê?”

No Brasil, não é o que está escrito na lei que prevalece.

O juiz Moro se negou a absolver Dona Marisa (mulher de Lula), mesmo a lei lhe garantindo esse direito após a morte.

Mesmo diante do pedido bem fundamentado dos advogados de defesa, o juiz declarou apenas a “extinção da punibilidade” (será que ele pretendia puni-la morta, pondo o cadáver na cadeia?).

Por outro lado, muito rapidamente absolveu Cláudia Cruz, esposa de Eduardo Cunha.

Aproveito o texto de Guilherme Coutinho, especialista em direito público e Comunicólogo.

Abre aspas
O mesmo juiz, tão rigoroso com seus inimigos, preferiu absolver Cláudia Cruz, esposa de Eduardo Cunha, que mantinha mais de um milhão de dólares em uma conta na Suíça. A polêmica decisão gerou desconforto até mesmo na, até agora, harmônica República de Curitiba. Moro, normalmente idolatrado, foi publicamente ironizado por um membro da Força-Tarefa da Lava Jato.

O Procurador Carlos Fernando Lima não falou mais que o óbvio: o nível cultural de Cláudia permitiria que ela soubesse que os ganhos (legais) de um deputado não comprariam uma vida tão cara. Carlos, ao afirmar que iria recorrer da decisão, ironizou Sérgio Moro, dizendo que essa absolvição era fruto de seu “coração generoso”. A frase foi incisiva. Os autos não permitiriam uma absolvição com tantos indícios que já foram tornados públicos. Somente possuindo um coração enorme para acreditar que manter conta em paraísos fiscais e gastos tão exorbitantes (Cláudia chegou a gastar 17 mil dólares – o equivalente a 55 mil reais – em uma viagem de 2 dias a Paris) não configuram lavagem de dinheiro ou evasão de divisas.

Mas Moro não é sempre tão generoso. Como no caso de Marisa, o juiz pode ser frio e impiedoso. A diferença de tratamento entre Cláudia e Marisa apenas revelou mais uma vez os critérios, nem sempre equânimes, utilizados pela primeira instância de Curitiba. Benevolente quando precisa e implacável quando quer. Vaidoso, Moro sempre se embebedou na ilusão de ser amado e sancionado por todos os brasileiros. Mas, uma crítica proveniente da própria Operação Lava jato, deixa claro que existe forte reprovação ao seu senso pessoal de justiça.

O argumento alegado para livrar a esposa de Cunha da cadeia foi a falta de provas. Não vamos esquecer isso. Em breve, Moro julgará Lula e algo me diz que seu coração pode não ser tão generoso. Temos que ficar vigilantes. Em um Estado de Direito ninguém está acima das leis. Nem mesmo um político, Membro do Ministério Público ou Juiz. Aos amigos e inimigos exigiremos o mesmo tratamento. E esperamos que as críticas acabem com a permissão branca de autoritarismo que os tempos pouco democráticos no Brasil concederam a alguns.
Fecha aspas

Lembra da passagem bíblica lá em cima?

Faço uma adaptação dela.

– Doutor Juiz, o que preciso fazer para ter vida livre?

– Seja amigo do Rei.

E aí me recordo da primeira parte do poema de Manuel Bandeira, “Vou-me embora pra Pasárgada”, que se aplica ao que está ocorrendo no Brasil.

Vou-me embora pra Passárgada,
Lá sou amigo do rei,
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei”.

Seja amigo do rei.

Você terá a mulher que quer na cama que escolher.

Além de tudo que já foi dito sobre mais esse episódio que mostra o bom samaritano e herói brasileiro exibindo o tipo de heroísmo que pratica, talvez a melhor definição para essa situação tenha vindo através de Aroeira, esse excelente chargista que esbanja talento.

Aroeira bela, recatada e do lar

A imagem de Cláudia Cruz ameaçando puxar o pino de segurança de uma granada com o rosto de Eduardo Cunha mostra bem porque ela foi inocentada.

Dizem que se Eduardo Cunha puxar o pino de segurança da bomba atômica que possui detona meio mundo de gente, inclusive o judiciário.

Sem nenhuma prova contra ela e mesmo após a sua morte, a mulher de Lula não foi absolvida pelo juiz Moro, direito que a lei garante a ela.

Ao mesmo tempo, mesmo com todas as provas de sua culpa, a esposa de Eduardo Cunha foi considerada inocente pelo juiz Moro.

Não é sensacional?

O juiz Moro mais uma vez segue perfeitamente o roteiro que lhe foi dado.

O sistema que o criou quer assim.

Fiel como um cão de guarda, ele obedece.

Alguma surpresa?

Claro que não.

Não é o juiz Moro que tem medo de Eduardo Cunha.

É quem o controla.

“Pobre do povo que precisa de herói”
Bertolt Brecht

Inexplicável

Escudo do Bahia

Por Ronaldo Souza

Em uma entrevista em que foi perguntado sobre a possibilidade de voltar a treinar o Bahia, Joel Santana, folclórico personagem do futebol brasileiro, respondeu que ainda estava aguardando convites de times mais poderosos e, com a conhecida “sutileza” do seu humor, fez uma analogia entre tubarões e sardinhas.

Desempregado já há um bom tempo, o convite aguardado não veio. Nenhum time teve interesse em Joel Santana.

Algum tempo após esse episódio, abandonou o futebol por mais de dois anos.

Voltou em 2016 e poucos meses depois, como técnico do Boavista de Saquarema, da série D, foi demitido em abril de 2017.

Não se tem notícia dele.

Mas naquele momento da entrevista, Joel novamente mostrava porque se tornara mais um personagem do folclore do futebol.

Aquele comentário do ex-treinador foi suficiente para que os torcedores do Vitória, sem dúvida um time importante no Nordeste (segunda força do futebol baiano e terceira do futebol nordestino), passassem a chamar o Bahia de sardinha.

Nada mais natural. Ao torcedor de futebol quase tudo é permitido.

Sabe-se que, movido pela paixão pelo seu time, é comum o torcedor perder o controle da razão e assim se perder. São conhecidos os momentos de insanidade das massas torcedoras.

Entretanto, observada essa insanidade no contexto do indivíduo e não da massa, certamente será menor a tolerância com a tolice.

No contexto das massas ela se dissipa.

Na individualidade, claro, ela se expõe.

Nada se iguala, porém, ao momento em que a tolice é encampada pela diretoria do clube.

Às vésperas dos jogos entre Bahia e Vitória pelas finais do Campeonato Baiano e semi-finais da Copa do Nordeste (o Vitória não chegou às finais porque foi eliminado pelo Bahia), nas redes sociais do clube a diretoria do Vitória conclamou sua torcida através de expressões como “hoje é dia de pesca” ou “hoje é dia de pescar sardinha”. 

Repito, até em defesa da torcida do Vitória, chamar de sardinha o time que é nitidamente o mais representativo do Estado da Bahia e do Nordeste do Brasil, portanto superior ao seu, é uma tolice plenamente aceitável.

Mas é completamente diferente quando essa postura é oficialmente assumida pelo clube.

Se a tolice é compreensível quando dita pela torcida, ela torna ridículos e medíocres aqueles que, em nome do clube, assumem tamanha bobagem.

Será que não sabem o que são evidências?

Será que desconhecem os fatos que comprovam as evidências?

Por onde andavam naquele momento a inteligência, a sensibilidade e o bom senso desses homens?

Ou não existem neles essas características?

Vejamos o que dizem alguns dados oficiais (somente os principais) sobre os dois times.

Bahia                                                                                                   Vitória

Campeonato Brasileiro

Bicampeão brasileiro                                                                                                                 ————-

Copa do Nordeste

Campeão 2001, 2002, 2017                                                                                     Campeão 1997, 1999, 2003, 2010

Campeonato Baiano

Campeão Baiano 46 vezes                                                                                       Campeão Baiano 29 vezes

Mais um Bahia

Segundo a Wikipedia, o Bahia “foi cofundador do Clube dos 13 em 1987, que reunia as treze agremiações mais importantes do futebol brasileiro e que representavam 95% dos torcedores brasileiros na época.

Há diversos outros títulos e fatos que podem ser observados na trajetória do Bahia que confirmam a sua condição de maior força do futebol do Nordeste, desde os mais simples como o de ser o primeiro time brasileiro a disputar a Taça Libertadores.

Ao torcedor de futebol quase tudo é permitido, ao clube não.

Foi inacreditável a insensatez da diretoria do Vitória.

É natural que os diretores se sintam desconfortáveis diante do que o Bahia representa, mas assumir uma postura que não encontra o mínimo de razoabilidade e expor o clube dessa maneira é realmente lamentável.

A obviedade dos fatos jamais poderá ser contestada pelo desejo de querer ser.

A falta de bom senso foi absurda.

Se o maior representante do futebol do Nordeste, como é reconhecido pelos torcedores de todo o país e pela imprensa brasileira, é considerado uma sardinha pela diretoria do Vitória, o que é o time de Canabrava?

O inconsciente da Lava Jato

O cinismo da Lava Jato

Por Ronaldo Souza

Sou um admirador da Palavra.

Sei o peso que ela possui.

Vejamos Steven Spielberg, o mago da imagem.

Nós perdemos e devemos recuperar nosso caso de amor com a Palavra. Eu sou tão culpado quanto outros por ter exaltado a Imagem às expensas da Palavra”.

Ao ler palavras como as que li e principalmente as que grifei no texto que compõe a imagem acima, senti calafrios.

Juiz Sérgio Moro, ao senhor, que gosta muito de usar a expressão “esse juízo”, eu diria que esse juízo já perdeu o juízo há muito tempo.

E aos procuradores da Lava Jato diria que de tanto procurar (o que convém) acharam o que já estava “achado” também há muito tempo.

O inconsciente humano é assim mesmo, extremamente poderoso, que o digam psicanalistas e psicólogos.

Poderoso e traiçoeiro.

Muito traiçoeiro.

Às vezes tão traiçoeiro que nos trai em público.

E foi isso que ele fez com os senhores.

Observem o que suas excelências disseram:

“Os últimos acontecimentos, aliás, levam a força-tarefa da Lava Jato a manifestar seu estarrecimento diante da gravidade dos crimes que se tornaram públicos. De fato, recentemente, vieram à tona evidências de crimes atuais praticados pelo presidente da República e por senador então presidente de um dos maiores partidos políticos”.

Essas palavras têm um peso enorme.

E ganham muito mais força ainda quando observada a origem.

Elas foram ditas por quem controla todos os acontecimentos dos últimos anos neste país e sobre eles tem um poder jamais visto.

Nada, absolutamente nada, acontece neste país que não passe pelas mãos do “juízo” da República de Curitiba, como ficou conhecida aquela comarca.

Sem entrar em detalhes sobre coisas que já foram amplamente divulgadas pela imprensa, foram inúmeras as vezes em que caíram nas mãos da Lava Jato delações apontando de forma consistente para o envolvimento de Aécio Neves nos mais diversos tipos de corrupção.

Pedidos de investigação foram feitos.

O senhor, juiz Moro, nunca ouviu, por acaso, falar de Furnas, para citar somente uma?

Por que o senhor ficou conhecido como “não vem ao caso”?

Porque mandou arquivar todos.

Nada interessa(va) quando se trata(va) de Aécio e do PSDB.

Por que o senhor e a Lava Jato não permitiram a divulgação das tão famosas perguntas de Eduardo Cunha a Michel Temer?

Levariam elas ao conhecimento dos fatos recentemente descobertos com a delação da JBS e, portanto, desencadeariam mais cedo o que estamos vendo de mais corrupção ainda, que os senhores tanto dizem combater?

Por razões assim, excelência, mesmo concordando inteiramente com Spielberg, não posso negar a força da imagem. Aliás, como ele também não o faz.

Cresci ouvindo que uma imagem vale mais que mil palavras.

O senhor gosta de se mostrar homem sisudo, de semblante fechado, sorriso inexistente, roupas escuras, imagem que na sua mente, reconhecidamente provinciana, parece encaixar como uma luva no perfil de um juiz recatado e até averso às coisas mundanas da vida.

Por isso tem sido muito intrigante ver o seu sorriso, quando e principalmente onde ele se manifesta.

Um sorriso, excelência, que conheci na minha adolescência, numa cena que ficou guardada para sempre na memória daquele garoto de 16 anos de idade.

Um sorriso que identifiquei naquele exato momento e aprendi a rejeitar todas as vezes que o via e vejo, por me trazer repugnância.

Com o respeito que o seu cargo deveria sugerir, vejo novamente aquele sorriso que me marcou aos 16 anos.

Moro e o poder

O sorriso de quem se vê diante do poder e a ele deve reverência.

Alguns definem como bajulação, outros como subserviência.

Na sua simplicidade e sabedoria, o povo usa outra expressão.

Moro e PSDB

Moro na Globo

Moro na IstoÉ

Moro e a corrente

Os salões do poder, com seus holofotes resplandescentes, cegam alguns homens.

Por isso, senhor juiz, volto a falar de Spielberg para enaltecer outra vez a Palavra, não a palavra, que, com significado e relevância bem menores, pode ser dita por qualquer um.

A Palavra, não. Esta, só os grandes homens sabem e podem pronunciar.

No entanto, diante dessas imagens e de tantas outras que existem, reforço o poder da Imagem.

A força das que vimos me faz buscar a melhor definição para a frase lá em cima.

Encontro algumas, mas a mais suave que me vem à mente e por isso uso aqui é que ela é absolutamente incompatível com a verdade dos fatos.

Foi grande o cinismo.

Tentar mostrar estarrecimento diante da gravidade dos crimes que se tornaram públicos… recentemente, vieram à tona evidências de crimes atuais praticados pelo presidente da República e por senador então presidente de um dos maiores partidos políticos” é, sob todos os aspectos, absolutamente injustificável e condenável. 

O povo brasileiro não merece tamanha desfaçatez (para não dizer outra coisa), só explicada pelo inconsciente dos tolos.

Eu olho-os com olhos lassos. E desprezo

Por Ronaldo Souza

“Vocês não imaginam o tamanho da minha decepção, da minha desilusão política. Eu fui iludido, fui enganado”.

Isso foi dito pelo ex-humorista do Casseta & Planeta, Marcelo Madureira, na Jovem Pan.

Segundo Kiko Nogueira, do DCM, Madureira é uma versão obesa, idosa e carioca de Danilo Gentili.

Ambos, Madureira e Gentili, são ídolos e gurus dessa espécie conhecida por coxinha, cuja característica maior é o grande conhecimento sócio-político.

“Fomos todos enganados, iludidos por falsos discursos, apertos de ‘mãos grandes’, promessas vazias; a ficha caiu…”, disse por sua vez Marcio Garcia, “artista” da Globo, que também apoiou Aécio Neves nas eleições de 2014.

Por que alguém haveria de ficar surpreso com os “artistas” da Globo?

Não há como.

Mesmo diante do óbvio, eles e os que fizeram parte das mais diversas manifestações durante a campanha para a presidência de 2014 ultrapassaram todos os limites permitidos pela inteligência e bom senso.

A estupidez foi a tônica.

E agora, contaminados de forma irreversível pelo vírus da estupidez, buscam fugir da responsabilidade que lhes cabe diante da situação em que se encontra o país.

Os mais idiotas, ainda que pareça impossível ser mais do que já demonstraram ser, continuarão a vomitar barbaridades, até pela irreversibilidade da doença já instalada.

Liderados politicamente (!!!) principalmente por figuras como Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso (os demais são em geral inexpressivos), logo após o resultado das eleições a escalada da irresponsabilidade com o país atingiu níveis inimagináveis.

Sob aquelas lideranças, boa parte da sociedade atingiu um nível absurdo de degradação.

Entretanto, ainda que PSDB, DEM, PMDB, PPS, PSB e os penduricalhos de sempre fossem os comandantes à vista, pela incompetência demonstrada inúmeras vezes jamais teriam condições de planejar e conduzir esse processo. Tiveram ao seu lado desde sempre o apoio das verdadeiras elites brasileiras, entre elas o judiciário.

Foi, porém, a falida mídia brasileira o grande comandante da traição ao país.

Mídia brasileira que na verdade significa Rede Globo.

Falidos econômica e moralmente, foram os comandantes supremos de um ato que destruiu os sonhos que sonhamos para os nossos filhos e netos.

E com as nuvens escuras com que costuma carregar os céus do Brasil a Globo tenta mais uma vez impedir que o Sol jogue luz sobre as trevas que conduzem a manada na eterna marcha dos insensatos.

Trevas

O golpe dentro do golpe

Mesmo diante de todos os absurdos e escândalos que ocorrem no país, a Globo e seus periféricos (Veja, Estadão, Folha, Band…) oferecem ao país a alternativa que sempre foi o seu objetivo.

Colocar no poder um presidente da república sem votos, sem eleições, via indireta.

Sem o povo brasileiro!

Essa raça inútil.

Inferior.

Quem elegerá o presidente que a Globo quer?

O Congresso, esse mesmo que continua assaltando o país, um país que agora vive, como se vê claramente, livre de corrupção.

Graças à proteção de Sérgio Moro, sua Lava Jato, Ministério Privado Federal (MPF) e Supremo Tresloucado Federal (STF).

Uma farsa muito bem planejada e conduzida, cujos objetivos (entrega do Pré-Sal, destruição do projeto nuclear brasileiro, privatização das telecomunicações, destruição da indústria brasileira…) já estão a todo vapor.

Alguma dúvida de que os miquinhos amestrados serão capazes de ir às ruas para defender essa ideia?

Claro, com o kit verde-amarelo da camisa da CBF que os torna seres únicos e dignos representantes da brasileirice brasileira do brasileiro.

Afinal, de que vivem se não de seguir a cartilha do pensamento único e hegemônico da Globo?

No texto Olhos Lassos falei de dois poetas, Antônio Maria, brasileiro, e José Régio, português, de quem postei um áudio com o poema “Cântico Negro”, magnificamente interpretado pelo grande ator já falecido, Paulo Gracindo.

Aproveito uma vez mais o poema de José Régio para exprimir o meu sentimento.

Eu olho-os com olhos lassos
Há nos meus olhos ironias e cansaços”.

Ironias por ver a degradação, inimaginável nos níveis em que ocorre, de boa parte da sociedade, justamente aquela que se diz pensante.

Cansaços por ter que lidar com tanta estupidez por tantos longos anos.

Cansaços por ver a estupidez escancarada pelo mais torpe dos motivos; o preconceito.

Cansaços por ver o ódio de mãos dadas com o preconceito se incorporar à alma de tantos brasileiros e ali fixar residência.

Daí o meu desprezo.

Desprezo por todos esses homens e mulheres que, como Madureira e Marcio Garcia, agora se dizem “enganados, iludidos por falsos discursos, apertos de ‘mãos grandes’, promessas vazias”.

Desprezo pelos omissos que, nas suas vidas medíocres e no oportunismo da omissão se mantiveram calados por se imaginarem inatingíveis por algo que simplesmente destrói o país e seu povo.

Desprezo por aqueles que do alto da sua ignorância abrem o peito para estupidamente professar; “político é tudo igual, tudo farinha do mesmo saco”, mas se vestem de luto para agredir uma presidenta porque a Globo mandou.

Desprezo por essa mistura de ignorância, estupidez, canalhice e omissão, seja por que razão for, ou por todas juntas, que levaram este país à vergonhosa condição de republiqueta de bananas, como já foi chamado no passado.

Dedico-lhes essa parte do poema de Antônio Maria.

Eu sou um vegetal
Estou reduzido aos meus instintos
Estou preso aos meus sentidos
Pouco a pouco foram reduzindo o meu direito à minha humanidade
Tiraram meu semelhante de junto de mim
Limitaram o uso do meu cérebro a operações mais simples
Arrancaram a minha carta de cidadania
Extinguiram a minha capacidade de influir
Diminuíram meu cérebro
Dissolveram minha consciência
Agora eu apenas faço parte da paisagem quase morta
Sou uma planta encostada aqui neste banco de praia
Quando haverá outro dia esperança
Quando?
Antônio Maria
Brasileiro: Profissão, esperança

Canalhas, canalhas, canalhas!

Recorro a uma personagem de José Saramago, no livro “Ensaio sobre a Cegueira”:

Se tivesses que ver o que sou forçada a ver todos os dias também quererias ficar cego”.

Ah, como eu desejaria ser cego para não estar tão cansado por ver tanta canalhice.

Efeitos da delação da JBS e a insistência no modelo “eles sabiam mas não tenho prova”

A possibilidade de eleições direta antecipadas deve estar deixando Sérgio Moro irritadíssimo com a delação da JBS. Todo o seu calendário, milimetricamente planejado, pode ter ido para o brejo

Moro, aprenda

Por Márcio Valley

A delação da JBS evidenciou a gritante diferença no modo de aplicação do instituto da delação premiada entre a Lava Jato de Brasília e a da República de Curitiba. Em Brasília, houve a primazia da inteligência no curso da operação e do sigilo das diligências. O vazamento, quando ocorreu, foi após a consumação das principais diligências e não antes ou durante, como age Moro, mais interessado nas repercussões políticas de suas ações do que em produzir justiça. Segundo analistas políticos, o vazamento possivelmente foi realizado por algum partidário de Aécio infiltrado na PF ou na PGR, como modo desesperado de alertar os companheiros de tunga e, assim, permitir a ocultação de provas.

As novas delações, ao lado de provocar talvez o maior terremoto político da história nacional, desmoralizam o modus operandi da República de Curitiba. A PGR de Brasília mostra para o Brasil como se faz investigação com base em delação premiada. Os delatores não foram presos preventivamente. Suas famílias não foram perseguidas. Não se apreendeu tablet do neto de ninguém. Não houve necessidade de tortura psicológica. As delações foram realizadas em sigilo.

Moro e seus seguidores ficam, a partir de agora, com a brocha na mão; espera-se que tenham a vivacidade de perceber que não há mais parede para pintar. Como comparar a imensidão corruptiva desvelada pela JBS com as traquinas, as insignificâncias perseguidas por Moro com tanto ardor? Imóveis em nome de outros, barquinhos de alumínio, pedalinhos de criança, as tralhas recebidas de presente por Lula, como continuar essa pantomima farsesca sem cair cada vez mais fundo no ridículo do judiciário mundial?

A partir da exposição das provas incontestáveis produzidas na operação JBS, o que dirão, agora, os tolos que propagandearam por anos a mentira de que Lulinha era o dono da Friboi? Ou de que o PT era a maior organização criminosa política da história do país? Tal tese implica, primeiro, fechar os olhos para as provas incontestáveis, produzidas na própria Lava Jato, que demonstram que a promiscuidade entre empresários e políticos remonta a Cabral. No máximo, e de forma injusta, pode-se culpar o PT por ter aderido ao modelo ou não tê-lo impedido, nada além disso. Segundo, importa aquiescer com a ideia esdrúxula de que personagens secundários, que nem do PT eram (PMDB) ou nem no governo federal estavam (PSDB), receberam centenas de milhões de reais em propinas, enquanto o chefe da quadrilha se contentou com um apartamento e um sítio em nome de terceiros, imóveis, aliás, de classe média, baratos (só completos midiotas podem pensar assim – opinião do Falando da Vida).

Porém, passado o susto inicial, tenta-se equilibrar a balança política. Para suavizar a situação dos amigos, buscam envolver o PT na história. O problema é que, em relação ao PT, a Lava Jato de Brasília abdica da mesma inteligência e eficiência demonstrada quanto a Temer e Aécio. Para incriminar Lula e Dilma, Janot utiliza a surrada cartilha da República de Curitiba que deu azo àquela malfada capa de Veja: “Eles sabiam”.

Janot, como grande parte dos operadores da Lava Jato, é antiesquerdista e suas ações são direcionadas para proteção do mesmo modelo de neoliberalismo admirado por Moro. Para que o projeto prossiga sem percalços, é preciso destruir a hipótese Lula nas eleições presidenciais, que agora aparentam estar perigosamente mais próximas.

O padrão de investigação e busca de provas que incriminaram Temer e Aécio foi de eficiência. Produziram-se provas muito fortes que chegaram aos próprios acusados, gravados em conversas comprometedoras. “Tem que ser um que a gente mate antes de fazer delação” diz Aécio Neves em um dos grampos, referindo-se à pessoa que receberia o dinheiro sujo que ele pediu, segundo notícia publicada na imprensa. A ser confirmada a notícia, trata-se de coisa costumeiramente dita por mafiosos e traficantes de droga, não daquilo que se esperaria de um senador da República.

Esse tipo de prova dificilmente será apresentado no que concerne à Lula ou Dilma.

As novas acusações contra Lula e Dilma seguem o modelo de Curitiba: “delator disse isso” e “delator disse aquilo”. Prova material? Nenhuma. Como sempre, só a palavra dos delatores.

Ora, o delator da JBS diz que havia uma conta com milhões de dólares para Lula e Dilma, o que torna fácil demais a investigação: apresenta-se o número da conta e solicita-se o extrato da conta. O problema é que certamente a conta está em nome da própria JBS ou do delator, assim como o triplex está em nome da OAS. Nesse caso, há que se provar que algum dinheiro da conta apontada chegou nas mãos de Lula ou de Dilma. Fora isso, a presunção é de inocência e a acusação, de tão frágil, não deveria sequer ter chegado às manchetes. Aceitar a palavra do delator, nessas circunstâncias, torna fácil para qualquer um acusar sem responsabilidade penal pela eventual possibilidade de mentira: o delator apresenta um bem próprio e diz que ele pertence a Lula ou a Dilma. Pergunta-se, por que esse modelo de propina somente é utilizado por Lula e Dilma? Por que os demais corruptos não deixaram o produto da corrupção em nome dos corruptores? Seria um novo modelo de corrupção superinteligente, no qual o dinheiro da corrupção nunca sai do patrimônio do corruptor? (só na cabeça dos completos midiotas – Falando da Vida).

Aguardemos o desenrolar das acusações contra Lula e Dilma.

Quanto aos acusados em face dos quais efetivamente existem provas, Aécio é afastado do Senado, mas não é preso, ainda que sua conduta seja mais grave do que a do Delcídio (sugerir a morte de testemunha é gravíssimo). Quanto a isso, o problema é o desequilíbrio no tratamento, mas penso que a segurança jurídica orienta para a liberdade dos acusados enquanto não houver condenação transitada em julgado. É o custo dos direitos e garantias individuais: alguns culpados se beneficiam, mas milhares de inocentes deixam de ser presos injustamente.

Paralelamente, apesar da gravidade das acusações e da existência de provas robustas contra si, o vampiro resiste a sair da luz do sol, o que o fará se queimar cada vez mais. Temer diz que não renuncia e não renuncia, repete. O que isso significa? Que ele supõe que poderá permanecer no poder? Claro que não, ele tenta apenas se valer do cargo para se imunizar pelo tempo que puder. Ao se agarrar à presidência, nos obriga apenas a aturá-lo por mais uns vinte dias.

Temer é um produto com data de vencimento estabelecida: entre os dias 6 e 8 de junho ocorrerá o julgamento da impugnação da chapa Dilma-Temer no TSE. Antes, era dado como certo o desmembramento da chapa para condenar apenas a Dilma e livrar o Temer. Agora, com esse complicador da JBS, o julgamento se tornou o meio mais célere e institucional para defenestrá-lo de Brasília. Os ministros do TSE dificilmente perderão essa chance.

O problema é que, depois, ficaremos com Rodrigo Maia até a eleição de um presidente para o mandato tampão. Em princípio, eleição indireta, mas, se o povo pressionar nas ruas, pode ser que aprovem as diretas.

Há os que invocam a hipótese “Volta, querida”. Sem dúvida alguma, a anulação do impeachment e o retorno de Dilma à presidência seria o melhor caminho, o mais adequado, o mais honesto. Erraram, pois que consertem o erro e devolvam ao povo a mandatária que escolheram. Existem ações que visam a declaração de nulidade do processo de impeachment. Com vontade política, bastaria ao STF pô-las em pauta com a urgência que o caos político exige e julgar procedente o pedido. Pronto, o vampiro sairia e Dilma retornaria de forma institucional e constitucional. A chance disso ocorrer, porém, é próxima do zero. O STF é majoritariamente conservador, antiesquerdista e, mais do isso, antipetista.

A hipótese mais provável é que Temer seja defenestrado pelo TSE, no julgamento da chapa Dilma-Temer. Se isso se confirmar, seria a segunda oportunidade na qual o “glorioso” STF permitiria, em pouco mais de um ano, que um desqualificado chegue ao mais alto cargo público do país e nele instale a sua quadrilha. Empossado na presidência provisória, Rodrigo Maia, filho e genro de políticos da pior estirpe, articulará para ser eleito indiretamente e, com a caneta na mão, suas chances são grandes. Se não houver rebuliço nas ruas, provavelmente será eleito. O povo nas ruas, exigindo diretas, é capaz de mudar esse destino provável.

A possibilidade de eleições direta antecipadas deve estar deixando Sérgio Moro irritadíssimo com a delação da JBS. Todo o seu calendário, milimetricamente planejado, pode ter ido para o brejo. Se Temer cair e tiver eleições diretas ainda esse ano, não haverá tempo para condenar Lula com decisão definitiva em 2º grau. Como segurar o “sapo barbudo”?

Fazer o quê, né? Shit happens.

A morte e a morte de uma sociedade

Veja e Marisa

Por Ronaldo Souza

Não nos cabe julgar a vida pessoal de ninguém. Os riscos são enormes sob todos os aspectos.

Ainda mais quando se envolve a família daquela pessoa.

Nunca foi assim, entretanto, com Lula.

Desde sempre, entre tantas outras coisas privacidade e paz nunca foram permitidas a ele.

A sua vida tem sido devassada e os golpes mais baixos foram desferidos contra ele desde o início da sua vida pública.

Em janeiro de 2013 escrevi e postei aqui o texto A sujeira por baixo dos talheres de prata.

Trago alguns trechos.

Abre aspas
Num golpe baixo, ‘jogaram’ uma filha de Lula na campanha, uma questão estritamente pessoal e que nitidamente trouxe um grande desconforto para ele. A indignação foi tão grande que esboçou-se uma reação com a mesma moeda. Hábitos pessoais de Collor não muito recomendáveis poderiam ser usados também. Lula não aceitou: “não vamos levar questões pessoais para a campanha.

O PT sempre soube, por exemplo, da história do filho de Fernando Henrique Cardoso, Tomás Dutra Schmidt, com a jornalista Miriam Dutra, da Globo. A Globo abafou o caso e mandou a jornalista morar em Barcelona com o filho. Em 2009, FHC reconheceu o filho.

Fica faltando resolver agora o caso do filho que FHC teve com uma empregada doméstica. Foi em 19 de novembro que se descobriu um segundo caso de filho natural do ex-presidente FHC. A notícia foi dada pelo colunista Claudio Humberto, ao relatar que há pouco mais de 20 anos o então senador Fernando Henrique Cardoso tivera um romance com a empregada doméstica Maria Helena Pereira, que trabalhava em seu apartamento na capital.

Desse relacionamento nasceu um filho, que se chama Leonardo dos Santos Pereira e está hoje com vinte e poucos anos. Mãe e filho trabalham no Senado Federal. Maria Helena é copeira e serve cafezinho aos gabinetes da Ala Teotônio Vilela, enquanto Leonardo trabalha como carregador (auxiliar de serviços gerais) na Gráfica do Senado.

É interessante lembrar que FHC vivia dizendo que tinha um pé na senzala. E era mais do que verdade. Além de ser mestiço, como praticamente todos os brasileiros, ele acabou tendo filho com uma afrodescendente que o impressionou pela formosura. Leonardo é considerado muito parecido com o pai. E foi por isso, aliás, que a mulher de FHC, Dona Ruth Cardoso, decidiu demitir a empregada (veja aqui Fernando Henrique Cardoso vai reconhecer seu outro filho Leonardo dos Santos Pereira que teve com a empregada doméstica ou vai deixa-lo sem assistência?).
Fecha aspas

Todos sabem que de todos os presidentes da república da história mais recente do Brasil, nenhum casal viveu tão feliz e harmonicamente como Lula e D. Marisa.

Eram famosas, por exemplo, as festas de São João que os dois promoviam, em que todos, ministros e convidados, iam caracterizados com roupas juninas, enquanto a elite e os seus colunistas sociais (ainda existem?) torciam o nariz.

D. Marisa, a quem ele carinhosamente chamava de “galega”, expressão muito usada no Nordeste, sempre foi amada por Lula e todos sabem disso.

Um homem que ainda carrega consigo toda a sua formação simples e humilde, aliás, tão pejorativamente tratada e rejeitada pelas pessoas de fino trato.

Já viu como ele cumprimenta as mulheres?

Com abraços fortes e tapa nas costas, como se estivesse cumprimentando um homem.

Muitos são assim e se referem à mulher como “a federal, dona encrenca, patroa…”. 

Por acaso você nunca viu nenhum homem, mesmo esses que como você frequentam ambientes ditos seletos, usar expressões como essas?

E aí esse homem, desabituado com o linguajar de suas excelências, dirige-se ao juiz e diz; “o senhor sabe como é né doutor, as mulheres fazem as coisas como querem e depois é que comunicam à gente” e o mundo desaba sobre ele acusando-o de jogar a culpa das suas coisas na mulher.

Como podemos ficar surpresos diante dessa postura se sabemos o quanto eles são canalhas?

Todos.

Ao mesmo tempo que amada por seu marido, a primeira-dama do Brasil, D. Marisa, foi absurdamente rejeitada por essa “nata” da sociedade brasileira.

Ou ninguém lembra das tantas pessoas que a retrataram como uma mulher inferior?

Ninguém lembra, por exemplo, como uma delas, Danuza Leão, colunista social queridinha dessa pobre elite que cultiva e idolatra colunistas sociais (meu Deus!!!) se referia a D. Marisa?

Descabelada, deselegante, grosseira, não tem modos (!), inculta, que diferença de D. Ruth Cardoso, ali sim uma primeira-dama de verdade… era o mínimo que diziam dela.

Nem mesmo a morte impediu que ela fosse “desfigurada” pelo prazer de apresenta-la da pior forma possível.

Observe como a mulher descabelada e deselegante aparece na capa “photoshopada” da revista, com maquiagem carregada que a mostra como uma vamp.

Uma vagabunda, como se referem a Dilma Rousseff.

Quer mais?

Puta, como também se referiram e se referem à mesma Dilma Rousseff.

Não foram poucas as vezes em que D. Marisa foi humilhada.

Juntamente com filhos e netos, era a primeira vez que uma primeira-dama do país era jogada no calabouço dos inferiores por aqueles seres superiores, privilegiados pela estupidez que a vida lhes reservou.

Suas conversas pessoais com filhos e netos foram ilegalmente grampeadas e escancaradas na imprensa por um juiz de pequena estatura e um ministério privado (não houve erro de digitação, é privado mesmo), com a anuência de um STF covarde e de costas para o país.

Qual a importância que tinha para o país a conversa de D. Marisa Letícia com seus filhos e netos?

Absolutamente nenhuma.

Tudo isso para que? Para servir ao grande auditório do reality show de um público babando de ódio e sedento do lixo que alimenta suas vidas vazias, cujo objetivo maior é se fotografar em Miami ou Nova York, nesta de preferência sob a neve do Natal, ao som de White Christmas.

Misturam-se os dois Big Brother Brasil. O que ocorre em janeiro de cada ano e o que ocorre durante todas as manhãs, tardes, noites e madrugadas.

Ambos há anos, sob o patrocínio da mesma rede de televisão e para o mesmo seleto público.

Já não bastava a perseguição ao homem na tentativa de destruí-lo. Tinham que perseguir e destruir também a família.

Quantas mulheres, mães e avós resistiriam a tamanha perseguição à sua família?

Que outro fim poderia ter uma mulher que teve que suportar tudo isso?

Após a sua morte, restou aos filhos e netos ter que suportar a continuação da humilhação imposta à família, incumbência levada a ferro e fogo pelo pequeno juiz.

Mesmo a lei determinando que, independente do que quer que seja, a morte isenta a pessoa de qualquer culpa, Moro manteve a “culpa” de D. Marisa. Não se sabe de que, mas ela continua culpada aos olhos do nosso bom juiz.

O mesmo juiz e bom samaritano que confiscou a casa da mãe de José Dirceu no aniversário de 96 anos dela.

O que ele pretendeu com atitude tão altruísta?

Programar e esperar pelo aniversário de 96 anos de uma senhora para confiscar-lhe a casa.

Por favor, não seja mais canalha ainda dizendo que foi uma coincidência.

Em texto escrito no DCM, Kiko Nogueira definiu bem o momento em que resolveram abrir o caixão de D. Marisa para traze-la de volta e expor na sala de visitas do reality show; Já que Moro foi pífio em Curitiba, restou à mídia usar Marisa para transformar Lula no viúvo do mal.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) escreveu um texto com o seguinte título; Avisei, os canalhas cumpririam as promessas sob aplausos dos cínicos.

Senador, os canalhas são conhecidos há muito tempo.

Mas o senhor acha realmente que os aplausos refletem somente cinismo?

Seriam somente cínicos os que aplaudem os canalhas?

Não seriam também eles canalhas, algo que foi tão bem definido por Pulitzer?

Joseph Pulitzer

Chegamos lá.

Ao fundo do poço da degradação de homens e mulheres que se perderam no preconceito e no ódio.