E os sentimentos trazem consigo a sua regra maior, quem sabe a única.
Não se explica, não se mede.
Sente-se ou não.
Não será por não sentir a beleza da vida que há o suicídio?
O amor se apresenta e ocorre de diversas formas e pode se modificar com o tempo.
O amor não é igual e muito menos imutável.
Entretanto, se não se pode medi-lo, sabe-se que há pelo menos um tipo que não cabe em nenhum lugar.
O amor de mãe.
Nada há de mais sublime.
Você nunca viu que aquele assassino mais cruel, mais desumano, cuja alma parece não mais existir, guarda dentro dele, escondido em algum lugar da sua angústia, do seu desespero, da sua desumanidade, uma última gota de amor?
A quem ele dedica?
À Mãe.
Este amor foi ofendido, agredido, violentado.
O festival de estupidez que assola o país se disseminou e se incorporou de forma inimaginável a determinados segmentos da sociedade brasileira e agora atinge o seu píncaro.
Poucos escaparam.
A estupidez leva à cegueira.
E graças à estupidez, marisa, a rede de lojas, conseguiu o que parecia ser impossível.
Motivada pelo que há de mais rasteiro, cruel e covarde com o objetivo de atingir o seu interesse comercial, a marisa agrediu violentamente o seu público alvo; a mulher.
No dia dedicado ao amor, marisa agrediu o que há de mais sagrado.
A Mãe.
Fonte inesgotável de amor.
Não de ódio.
Este será o primeiro Dia das Mães em que se semeou ódio no seio da mulher brasileira.
As capas das revistas IstoÉ e Veja desta semana são um primor.
Erguem as taças de champanhe e fazem um brinde com seu público.
As revistas, porém, não perceberam, mas expuseram o juiz.
No desejo de saciar os seus sofisticados e elegantes leitores e deixa-los ainda mais excitados com o gosto de sangue na boca, deixaram-no nu em praça pública.
Fico aqui imaginando com os meus botões, apesar de estar sem camisa neste momento em que escrevo, como os leitores devem estar se deliciando vendo o seu grande guerreiro e herói com o azul na sua roupa e na sua face como o representante do poder combatendo o mal da corrupção, representado pelo vermelho na roupa e na face do torneiro mecânico bandido, representante do outro lado.
É mais que emblemática a forma como são apresentados os dois lutadores.
No entanto, pelo menos numa coisa acertaram.
Não há como negar que ambos representam muito bem os seus respectivos partidos.
Finalmente, a mídia brasileira abre as portas da sua academia e exibe o seu grande lutador.
Cumpre assim o papel de informar ao seu público tão cativo.
E fez um belo trabalho, afinal, dada a discrição do sempre reservado Moro, um juiz que não gosta de badalações e exposições midiáticas, alguns ainda poderiam não ter percebido que o juiz, justiça se faça a ele, é o grande lutador do PSDB.
Aliás, por questão de justiça, não se pode deixar de citar também a Folha que, mesmo sabendo que seus leitores não perceberiam, já tinha mostrado o juiz como candidato do PSDB em pesquisa no ano passado.
Ou seja, também a Folha assumiu há mais de um ano que o juiz, que alguns maldosamente chamam de o “imparcial de Curitiba”, é um político do PSDB.
Um verdadeiro guerreiro a desempenhar muito bem o seu papel.
Um juiz guerreiro que, imbuído do papel de salvar o seu país das forças do mal, abandonou os tribunais, deixou de lado a Justiça e, como um justiceiro dos tempos dos filmes de cowboy, com os quais eu vibrava na minha doce infância, foi para o ringue da luta política, onde, de fato, trava a sua verdadeira batalha.
Não à toa, é digno merecedor das homenagens que lhe foram e são prestadas pela imprensa, nesse perfeito convívio judiciário-mídia-política, tão saudável para a eternamente “jovem e robusta” democracia brasileira.
Sem dúvida, um juiz moderno.
Herói pacificador
Não bastassem todas essas ações do juiz, eis que ele se revela também um bom samaritano.
Sensível aos seus, o juiz nos presenteia com um vídeo tocante em que expõe toda a sua preocupação com os seus apoiadores, num aconselhamento paternal para que não saiam às ruas de Curitiba na quarta-feira (10/05) e assim evitem um confronto com aqueles pobres miseráveis, que já nascem degenerados por culpa da maldita colonização portuguesa, como nos assegura o antropólogo Deltan Dallagnol.
Segundo o mesmo antropólogo, seríamos outro povo se tivéssemos sido colonizados pelos bons e puros ingleses, povo que colonizou os bons e puros americanos.
Converso outra vez com meus botões e eles me chamam a atenção para algumas coisas.
Um juiz que faz vídeos!
Um juiz que é “parte” do processo e tem “apoiadores”!
Pergunte a qualquer advogado que seja minimamente sério e competente o que isso de fato significa para a Justiça de um país.
Só mesmo debaixo do céu azul e sol intenso destepaís tropicalum juiz deixa de julgar e se transforma em adversário do réu.
Calei-me diante deles, meus botões.
Mas daqui também ergo a minha taça, num brinde à mídia pela sua sinceridade em finalmente mostrar e chamar de seu o juiz que não julga.
Faz do réu adversário e o enfrenta.
Do alto do cinismo, um conhecido ministro brasileiro diria:
“Meus a-mi-gos, ve-jam o que fi-ze-ram com a jus-ti-ça bra-si-lei-ra!
A plateia ainda aplaude, ainda pede bis A plateia só deseja ser feliz (Gonzaguinha)
De repente, os protestos em São Paulo contra o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), pelo aumento de 20 centavos na passagem de ônibus.
Protestos contra o governo de São Paulo, mas que foram transformados em protestos contra o governo federal, logo ele que acabara de alcançar incríveis 79% de aprovação.
Em apenas três meses, a popularidade de Dilma Rousseff foi de 79 para 30%.
Só Fernando Henrique Cardoso tinha conseguido isso, mas aí é fácil explicar.
Quantos tinham sinapses neuronais suficientes para perceber que era simplesmente impossível tamanha queda em tão pouco tempo sem que houvesse uma indução muito bem concebida e posta em prática pela imprensa?
Mas foi fácil.
Aquela plateia não exigia muito.
Eles estavam no ponto.
Marchavam.
E como seguidores de uma cartilha, nada percebiam.
Algo muito maior, que nunca deixou de estar presente, se manifestou com toda sua força.
Era o momento de fazer valer a sentença de Jorge Bornhausen (DEM – SC), o “Alemão”, como também era conhecido por causa da ascendência germânica.
Era preciso eliminar aquela raça.
O preconceito saiu do armário com uma violência inimaginável.
“Ei, Dilma, vai tomar no…, vagabunda, puta, bandida…”.
Jamais um presidente da república tinha sido tratado daquela maneira.
Do alto da sua sabedoria, a classe média se manifestava.
Jalecos, capas, togas, gravatas, tudo foi direto para o lixo.
As máscaras caíram e importantes personagens e segmentos da sociedade se desnudaram.
Eterna candidata ao ingresso na elite, a classe média estava nua.
O preconceito e o ódio deixaram as esquinas e vieram para as principais avenidas e praças do país.
As avenidas paulistas se multiplicaram pelo Brasil.
Tudo se tornou possível e permitido aos olhos de determinados segmentos da sociedade, desde quando fosse para destruir um homem e um partido.
Tiveram como mentor a Rede Globo. E o resto da imprensa, já que disso não passam; resto.
Eram todos Cunha.
Agora o condenam como inimigo do Brasil.
Só souberam agora quem ele é?
São todos Gilmar Mendes e Sérgio Moro.
Entre tantas outras coisas, o ministro Gilmar Mendes se notabilizou por dar Habeas Corpus a inúmeras figuras ilustres no Brasil, como o banqueiro Daniel Dantas e o médico Roger Abdelmassih, para citar somente dois. Ninguém se importou nem questionou a seriedade desses Habeas Corpus, tratando-se de dois homens que feriram frontalmente os interesses do país e a honra de muitas mulheres.
Entre muitas ações juridicamente ilegais de Moro, condenadas por advogados, professores de Direito e juristas renomados, algumas se destacam.
A gravação ilegal da conversa entre Lula e a presidenta Dilma Rousseff e a sua divulgação para a Globo e o resto da imprensa.
A analogia que se fez à época mostrava bem o absurdo sob todos os aspectos e mais ainda sob o jurídico; alguém consegue imaginar um juiz de primeira instância fazer isso com uma conversa entre Obama e o ex-presidente Bill Clinton?
No país símbolo deles e do próprio Moro, no mesmo dia o juiz seria preso.
No Brasil, coube tão somente um puxão de orelhas, que ninguém viu, ao juiz Moro vindo de um covarde e vergonhoso STF, através do então ministro Teori Zavascki.
Nada mais.
A condução coercitiva de Lula, que gerou orgasmos múltiplos nos segmentos de baixo nível mental e intelectual do país, feriu não só conhecimentos elementares do Direito, como o mínimo de bom senso que mesmo seres intectualmente frágeis possuem.
Diante de tamanho poder demonstrado pelo juiz-delegado-promotor, como não chegar ao topo do autoritarismo que, como todo autoritarismo que se preze, atinge o ridículo com extrema facilidade
E sua excelência, o juiz Sérgio Moro, presenteia a sociedade brasileira com a ridícula imposição da obrigatoriedade de Lula ter que comparecer aos 87 depoimentos das testemunhas arroladas por seu advogado.
Até Reinaldo Azevedo apontou para o absurdo da decisão e criticou Moro.
E, diante do desespero do juiz, joga-se a última carta no jogo de baralho que eles mesmo armaram; tentam barganhar a liberação de Lula da obrigatoriedade imposta com a proposta de diminuição do número de testemunhas às quais ele teria que assistir.
Ridicularizando-o mais ainda, Lula fez Moro menor do que é.
Disse que se fosse necessário ele, Lula, mudaria para Curitiba por algum tempo, mas estava à disposição dele para assistir a todos os depoimentos.
Apesar de já ter demonstrado outras vezes o seu nervosismo, ali estava mais uma prova contundente do seu desejo de demonstrar a força que já não tem mais, ainda que continue poderoso pela retaguarda Global que tem; uma ridícula tentativa de imposição da sua autoridade e uma mais ridícula ainda tentativa de barganha.
Resultado.
O TRF-4 desautorizou Moro a obrigar Lula ter que estar presente nos depoimentos.
Dispenso-me de comentários sobre esse mesmo TRF-4. Neste caso, entretanto, não tinham como agir em parceria com Moro, tamanho o ridículo e o grotesco da intenção do juiz.
Alguma ilusão de que algum dia irão perceber o que alimenta a postura do juiz Moro e os riscos que isso representa para o Brasil?
Nenhuma.
Estiveram com Gilmar Mendes e o STF durante todo o tempo, mas agora assumem postura fascista contra Gilmar Mendes pela soltura de José Dirceu, cuja prisão é reconhecida como abusiva e irregular.
Como sempre, não têm a menor ideia de coisa nenhuma para perceber que Gilmar Mendes em nada mudou.
Muito menos o STF.
Gilmar acabou de proibir qualquer investigação sobre Aécio.
Na verdade, estão somente usando José Dirceu como adubo para o que virá na sequência.
Aguardem só mais um pouquinho, não demora.
Entenda uma coisa.
A Lava Jato chegou onde não queria.
PSDB.
Era simplesmente inevitável.
Mas a chegada ao PSDB não se deu, como mais uma vez mentes débeis imaginam, pela luta contra a corrupção (meu Deus!!!).
E chegou ao PSDB com provas, não por convicção.
Provas que não foram investigadas e descobertas pela Lava jato, mas oferecidas pelos delatores.
Provas!!!
Já tinham “chegado” lá desde o início, mas seguraram até onde puderam.
Mas, sem querer, a Lava Jato chegou além, muito além.
Você já ouviu falar de algum tríplex no Brasil?
Ah, com certeza.
Mas já ouviu falar do triplex de Paraty (RJ)?
Um triplex com praia particular cercada por seguranças.
Um triplex que nem por embarcação se chega (a não ser com autorização dos donos) porque a praia onde foi construído (em área de preservação ambiental, o que torna irregular o seu uso) é protegida por redes.
Um triplex aonde também se chega de helicóptero.
Você faz ideia de quem são os donos?
Você sabe das ligações desse tríplex com o grupo Mossack Fonseca?
Você sabe que grupo é esse, Mossack Fonseca?
Você sabe que a Lava Jato prendeu 5 membros da Mossack Fonseca imaginando que tinham ligação com Lula e o tríplex da OAS e quando soube do que se tratava imediatamente os cinco foram soltos?
Você sabe do que se tratava?
Busque informações sobre esse episódio.
Não, não busque na Globo. Você vai continuar como está.
Sem saber de nada.
Como eram todos Cunha e não são mais (por que será?), eram e ainda são Temer (até quando for conveniente; não são muito dignos?). O PSDB, como sempre, na primeira fila.
Foi particularmente no pós-eleição que a tristeza à qual me referi fincou sua bandeira no peito dos brasileiros.
Como estar alegre se vejo com a clareza do Sol que entra pela minha janela neste exato momento que segmentos importantes desse país fizeram e fazem parte de todo esse processo?
Como estar alegre se, para o espanto de todos, pela primeira vez na história contemporânea do Brasil professores por esse país afora fizeram e fazem parte disso?
Como estar alegre se vejo títulos acadêmicos que “nos fazem” diferenciados mostrarem toda sua fragilidade e desimportância diante dos reais valores da sociedade brasileira?
Como estar alegre se vejo com clareza que esses “diferenciados” se deixaram conduzir tão facilmente pela Globo e o resto da imprensa?
Como estar alegre se vejo que, com todo o poder que emana do “ser professor”, induziram alunos e ajudaram segmentos adoecidos da nossa sociedade a “construir” este país que aí está?
Um país inchado de preconceito e ódio.
E corrupção.
Não percebem, entretanto, que o preconceito e o ódio disseminados ficaram impregnados somente nas suas mentes doentias, mas não conseguiram implanta-los no seio do povo brasileiro.
Não percebem que nada propõem, só se repetem em palavras, gestos e ações violentas e por isso se tornaram cansativos, chatos e repulsivos.
Não percebem que quanto mais tentam instilar o preconceito e o ódio na alma do brasileiro mais geram indiferença e desprezo.
Banalizaram de tal maneira que o preconceito e o ódio só crescem no estado patológico que criaram e no qual vivem.
Denuncismo midiático repetitivo, cansativo, onde as manchetes são requentadas a cada momento de necessidade maior, como as vésperas de um depoimento, numa clara demonstração de que nada encontram para incriminar o alvo.
Compartilhamento dessas denúncias requentadas nas redes sociais, numa evidente exibição da pobreza que habita essas pessoas tão carentes de tudo.
Ah, como já foi nobre a nossa função!
Como foi lindo acreditar que nos cabia, como professores, formar jovens que viriam a ser homens e mulheres que lutariam pela soberania do país e seu povo!
Como já foram plenos nossos corações e almas!
Oh, como fomos reduzidos a tão pouco.
Não, por favor, não falem de luta contra a corrupção ou qualquer outra coisa.
Encontro enorme dificuldade para acreditar que homens e mulheres tão diferenciados pelo nível de formação que possuem não conseguem ver, por exemplo, como estão conseguindo as delações de última hora dos mesmos homens que já prestaram seus depoimentos inúmeras vezes e agora, condenados a 30-50 anos de prisão, ao “vislumbrarem” a saída da prisão em breve, fizeram um “novo” depoimento.
Não se violentem tanto.
Diante do que estamos vendo, a indignidade seria maior ainda.
“Eu olho-os com olhos lassos
Há nos meus olhos ironias e cansaços
E cruzo os braços
E nunca vou por ali…”
José Régio
Obs. Dedico a todos essa magnífica interpretação de Paulo Gracindo de um bonito e breve texto inicial de Antônio Maria, poeta e compositor brasileiro, incorporado ao belo poema “Cântico Negro”, de José Régio (Zé Régio, como Gracindo diz no momento em que une os dois textos), poeta português. Retirado da peça “Brasileiro, Profissão: Esperança”, de Antônio Maria.
“Já tinha dito a algumas pessoas de minha convivência que não tinha nenhum medo do time do Vitória. É um time fruto de uma ilusão que a gloriosa imprensa esportiva de Salvador criou.
E a torcida acreditou, o que é natural.
Eu tinha medo era do ‘meu’ técnico”.
Algumas pessoas devem ter ficado chateadas com o que falei.
Errei?
O primeiro tempo do jogo mostrou que eu estava absolutamente certo.
O que o Bahia já tinha feito durante toda a partida em que garantiu sua classificação para as finais da Copa do Nordeste, repetiu no primeiro tempo do primeiro jogo das finais do Campeonato Baiano.
Simplesmente massacrou o Vitória.
O que eu também tinha dito naquele texto “até hoje a defesa do Vitória procura por Alione, Edgard Júnio e Zé Rafael” se repetiu no primeiro tempo desse jogo da quarta-feira.
A referência somente a Alione, Edgard Júnio e Zé Rafael se deveu ao fato de que essa escalação só tinha acontecido pela contusão de Hernani e expulsão de Gustavo, seu substituto.
Não tinha nenhuma dúvida de que Guto Ferreira jamais armaria aquele ataque se tivesse pelo menos Gustavo à sua disposição.
Como o restante do time foi o que todos já esperavam, só me reportei a aqueles três jogadores, mas aproveito para corrigir uma certa injustiça cometida por mim.
E essa injustiça tem nome.
Régis.
Está numa fase sensacional.
Hoje é o melhor jogador do futebol baiano.
Por que meu medo era o “meu” técnico?
Porque na segunda-feira à noite, após o domingo do Ba-Vi pela Copa do Nordeste, fiquei sabendo que Guto Ferreira tinha declarado que ia colocar Gustavo para jogar. Ele já tinha cumprido a suspensão automática pela expulsão.
Tanto parecia ser verdade que o jogador escalado para dar a entrevista no dia anterior ao jogo foi ele.
Respirei aliviado quando vi entrar em campo o mesmo time.
E o que se viu?
Outro massacre.
O Bahia abusando de perder gols e o Vitória novamente acuado, com medo de jogar.
“Devagar com o andor, que o santo é de barro”
Logo aos 08 minutos do segundo tempo, porém, Régis se contundiu e teve que sair de campo.
Era o acaso, como parte do futebol, entrando em cena mais uma vez.
Aí se justificou a minha preocupação com “meu” técnico.
Se eu temia que Guto Ferreira pusesse Gustavo para jogar desde o início (tendo em vista que ele já tinha cumprido a suspensão automática) e acertadamente não o fez, ele confirmou o acerto da minha preocupação ao substituir Régis por Gustavo.
Pôs Gustavo e “puxou” Alione para jogar no meio, desconstruindo o ataque e alterando todo o sistema de jogo que vinha trucidando o adversário até então.
Com suas limitações e “incapaz” de fazer aquele tipo de jogo, com Gustavo diminuiu bastante a força do ataque do Bahia.
Que a torcida do Bahia não o crucifique por isso, não é essa a intenção, até porque poucos conseguirão fazer aquele tipo de jogo. É característica de cada jogador e certamente não é a dele. A torcida deve continuar estimulando o jovem jogador.
Também não há nenhuma intenção de tirar os méritos de Guto Ferreira e que ninguém pode negar que ele tem.
Mas por que ele simplesmente não colocou Juninho, ou mesmo Diego Rosa, no lugar de Régis?
Pelo menos manteria a estrutura do meio de campo e não mexeria no ataque.
Não seria bem mais simples?
Por que os técnicos de futebol gostam de complicar?
Aos 25 minutos teve que substituir Zé Rafael, que tinha se machucado, e só aí colocou Juninho.
Ocorre que, já desarrumado e também sem a mesma disposição física, o Bahia cedeu espaço.
Mas, alguns “comentaristas” dizerem que foram dois tempos em que o Bahia mandou no primeiro e o Vitória no segundo é uma forçação de barra injustificável.
Portanto, vamos devagar que esse milagre não se sustenta.
Mesmo com menor volume de jogo em relação ao primeiro tempo, no segundo o Bahia teve mais posse de bola e até cerca de 20 minutos do segundo tempo era quem ainda tomava a iniciativa no jogo. O Vitória, que já tinha melhorado, começou a reagir e fez o gol de empate, nas condições vistas.
Quem também definiu bem foi um repórter:
“O Vitória foi dominado no primeiro tempo e conseguiu arrancar um empate no segundo”.
O Bahia pode perder o título?
Claro que sim.
Primeiro, é futebol.
Segundo, é clássico.
Terceiro, o Vitória tem a vantagem do empate.
Quarto, joga em casa
Mas quanto a quem já mostrou o que tem, não há dúvidas.
E as duas torcidas já sabem disso.
Continuo dizendo; meu medo é o meu técnico.
Alguém ainda tem dúvida de que não há porque temer qualquer outra coisa?
Obs. Por que juiz e assistentes de São Paulo (todos do quadro da FIFA) no jogo da Fonte Nova e juiz e assistentes baianos (nenhum da FIFA) no jogo do Barradão? Não é estranho? Se essa esquisitice foi aceita passivamente pela direção do Bahia, foi uma tremenda mancada. Aguardemos.
Você acredita que se Hernani não estivesse contundido, Guto Ferreira, técnico do Bahia, tiraria ele para escalar aquele ataque que jogou o Ba-Vi no domingo?
Respondo por você.
Não.
Você acredita que se Gustavo não tivesse sido expulso naquele mesmo jogo, Guto Ferreira não o colocaria como titular no Ba-Vi de domingo no lugar de Hernani e escalaria aquele ataque que fez o jogo no domingo?
Permita-me.
Não.
Já tinha dito a algumas pessoas de minha convivência que não tinha nenhum medo do time do Vitória. É um time fruto de uma ilusão que a gloriosa imprensa esportiva de Salvador criou.
E a torcida acreditou, o que é natural.
Eu tinha medo era do “meu” técnico.
E aí veio o acaso.
De uma tacada só tirou Hernani, que não vinha bem, e Gustavo, um jovem bom jogador, mas ainda com algumas limitações.
Guto não tinha outra opção.
Tinha que armar o ataque daquela maneira, improvisando Edgard Júnio como centro avante. Claro, um falso centro avante.
Aí também comentei com alguns amigos.
Esse ataque vai dar trabalho.
Até hoje a defesa do Vitória procura por Alione, Edgard Júnio e Zé Rafael.
Aquele acaso ao qual me referi tem nome.
Na verdade, a conhecida estrela do Bahia tinha entrado em cena.
E “armou” o ataque para Guto.
Feliz, pensei; agora sim, é manter o time para o próximo jogo com aquele ataque e correr para o abraço.
Se você fosse zagueiro, preferiria marcar um atacante que fica lá entre você e seu parceiro de área, ou outro que você procura e não acha?
Como praticamente acabou o volante brucutu, acredito que o centro avante paradão, enfiado entre os zagueiros, também não mais terá vida longa.
Ele precisará também saber jogar bola.
É claro que não é pra amanhã, mas acho que esse é o futuro.
Os “caras” (Alione, Edgard Júnio e Zé Rafael) deram uma canseira infernal na zaga do Vitória.
Não sei porque, mas algo me diz que Guto não viu exatamente assim.
Desde o aquecimento para os primeiros jogos de Gustavo em Pituaçu, uma coisa me chamou a atenção; com bom porte físico, como pede o figurino do centro avante clássico, ele cabeceia bem.
Mas você já viu os zagueiros do Vitória?
Fracos, mas cada um tem 3 metros de altura.
Não parece, portanto, que o jogo aéreo seja o mais adequado.
Por outro lado, a bola correndo no chão, solta, rápida, com um ataque que se movimenta muito, sem posição fixa, parece ter sido a razão do desastre que foi o rival no domingo.
No Ba-Vi de hoje, quarta-feira, 03.05.2017, essa “simples” mudança pode complicar o jogo para o Bahia.
Claro que vou torcer para que eu esteja errado.
E vou comemorar se estiver.
Obs. O texto acima foi escrito e enviado a algumas pessoas na quarta-feira, 03.05.2017, dia da primeira final do Ba-Vi pelo campeonato baiano. Ia posta-lo aqui no site no mesmo dia. Ocorre que a postagem não saía como eu queria. Eu tinha perdido o “controle” da formatação do texto. Só depois de algumas tentativas fui perceber que era algum problema com o Chrome. No dia seguinte, quinta-feira à noite, com mais calma percebi que com o Internet Explorer e o Mozila estava tudo normal. Resolvi então postar o texto hoje, mesmo o jogo já tendo ocorrido. Sem ainda entender porque, continuo com o mesmo problema com o Chrome, que é o que eu uso.
Ouvi em palestras, festas, bares, encontros casuais, etc.
Alguns complementam: “Foste Ministro de Lula e da Dilma, tens que saber…”
Não perguntam qual conduta de Lula seria delituosa.
Nem mesmo perguntam sobre ser, ou não, culpado.
Eles têm como certo a ocorrência do delito, sem descreve-lo.
Pergunto do que se está falando.
A resposta é genérica: é a Lava-Jato.
Pergunto sobre quais são os fatos e os processos judiciais.
Quais as acusações?
Nada sobre fatos, acusações e processos.
Alguns referem-se, por alto, ao Sítio de … (não sabem onde se localiza), ao apartamento do Guarujá, às afirmações do ex-Senador Delcidio Amaral, à Petrobrás, ao PT…
Sobre o ex-Senador dizem que ele teria dito algo que não lembram.
E completam: “está na cara que tem que ser preso”.
Dos fatos não descritos e, mesmo, desconhecidos, e da culpa afirmada em abstrato se segue a indignação por Lula não ter sido, ainda, preso!
[Lembro da ironia de J.L. Borges: “Mas não vamos falar sobre fatos. Ninguém se importa com os fatos. Eles são meros pontos de partida para a invenção e o raciocínio”.]
Tal indignação, para alguns, verte-se em espanto e raiva, ao mencionarem pesquisas eleitorais, para 2018, em que Lula aparece em primeiro lugar.
Dizem: “Essa gente é maluca; esse país não dá…”
Qual a origem dessa dispensa de descrição e apuração de fatos?
Por que a desnecessidade de uma sentença?
Por que a presunção absoluta e certa da culpa?
Por que tal certeza?
Especulo.
Uns, de um facciosismo raivoso, intransigente, esterilizador da razão, dizem que a Justiça deve ser feita com antecipação.
Sem saber, relacionam e, mesmo, identificam Justiça com Vingança.
Querem penas radicais e se deliciam com as midiáticas conduções coercitivas.
Orgulham-se com o histerismo de suas paixões ou ódios.
Lutam por “uma verdade” e não “pela verdade”.
Alguns, porque olham 2018, esperam por uma condenação rápida, que torne Lula inelegível.
Outros, simplesmente são meros espectadores.
Nada é com eles.
Entre estes, tem os que não concordam com o atropelo, mas não se manifestam.
Parecem sensíveis à uma “patrulha”, que decorre da exaltação das emoções, sabotadora da razão e das garantias constitucionais.
Ora, o delito é um atentado à vida coletiva.
Exige repressão.
Mas, tanto é usurpação impedir a repressão do delito, como o é o desprezo às garantias individuais.
A tolerância e o diálogo são uma exigência da democracia – asseguram o convívio.
Nietzsche está certo: As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.
Na edição deste sábado, 15/04/2017, o Jornal Nacional reproduziu delação de executivo da Odebrecht segundo a qual a empresa pagou R$ 6 milhões à campanha presidencial do pastor Everaldo, do PSC, em 2014.
Segundo a delação, quando ficou claro que o pastor não iria a lugar algum, a empresa passou a utilizá-lo para levar Aécio Neves, o candidato do PSDB, ao segundo turno.
Na verdade, é bastante improvável que a Odebrecht tenha de fato acreditado que o pastor seria capaz de vencer a eleição (esta é a opinião do Viomundo).
Nos debates finais da campanha, Everaldo foi orientado a perguntar sempre a Aécio Neves, permitindo que o tucano usasse suas respostas para atacar Dilma Rousseff.
O Jornal Nacional reproduziu trecho de debate na emissora mostrando que o pastor obedeceu à Odebrecht.
Num bloco em que os temas das perguntas foram sorteados e o tema era Previdência, o pastor avisou que ia desviar do tema e falou do Plano de Aceleração de Crescimento, o PAC, peça chave da campanha de Dilma.
Na pergunta, teve tempo de afirmar que apenas 30% das metas do PAC haviam sido atingidas e perguntou a Aécio se se tratava de “programa de atraso do crescimento ou programa de aceleração da corrupção?”.
Foi só depois das gargalhadas e do início da resposta de Aécio que o mediador do debate, William Bonner, interrompeu a encenação paga do pastor Everaldo para lembrá-lo que o tema era Previdência — passaram-se cerca de 30 segundos!
Ou seja, o candidato manejado pela Odebrecht conseguiu colocar no ar uma eficaz punch line contra Dilma, geralmente produto de marqueteiros, no debate de maior audiência da campanha.
A emissora não perguntou a Aécio Neves se ele sabia da estratégia da Odebrecht, nem se alguma pessoa ligada ao PSDB teve algum tipo de influência na campanha do pastor Everaldo — como a produção de punch lines, por exemplo.
Nos Estados Unidos, um dos casos mais conhecidos se deu num debate entre candidatos a vice-presidente, no ano em que George Bush pai se elegeu derrotando o democrata Michael Dukakis.
Para afastar dos eleitores a ideia de que seu governo não teria o carisma do padrinho Ronald Reagan, do qual foi diretor da CIA, Bush escolheu como vice Dan Quayle, um senador jovem que frequentemente se comparava ao carismático John Kennedy.
Num debate com o veterano Loyd Bentsen, vice na chapa de Dukakis, quando Quayle tentou fazer a comparação foi interrompido pelo senador texano: “Eu conheci John Kennedy, eu convivi com John Kennedy e o senhor não é John Kennedy”, disparou.
Embora o senador Bentsen fosse de fato uma raposa política, a frase foi obviamente ensaiada antes e usada quando ele teve a oportunidade de fazê-lo.
Nota do Falando da Vida 2 – A matéria que o vídeo mostra faz parecer que o esquema indecente foi montado somente pela Odebrecht, Aécio (PSDB) e o pastor Everaldo. Ela, Globo, não teve nada a ver com isso. Devemos imaginar então que quando William Bonner deu o tempo suficiente para o pastor fazer a pergunta completamente fora do tema sorteado (ele chega a dizer que ia fazer uma pergunta fora do tema) e Aécio começar a responder depois de conseguirem o efeito desejado (as risadas), somente naquele momento (37 segundos depois) Bonner “percebeu” que eles estavam fora do tema! Bonner foi orientado então pela Odebrecht e não pela Globo? Incrível como a Globo conhece o público dela. Sabe que ao passar essa ideia eles acreditam.
Nota do Falando da Vida 3 – Será que ninguém consegue perceber o quanto tem sido manipulado pela imprensa, particularmente pela Rede Globo, durante todos esses anos?
As nossas mesas estarão fartas de comida e bebida.
À nossa volta as pessoas amadas.
Celebra-se o dia da ressurreição de Jesus Cristo.
Integro-me à celebração.
“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os humildes, porque herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos”.
As condições geográficas/climáticas dizem se um país é ou não tropical.
A não ser por algumas áreas tropicais em determinados países (Flórida nos Estados Unidos, Townsville na Austrália), de modo geral os países tropicais são do terceiro mundo.
Entre eles, muitos, lamentavelmente, não possuem um sistema democrático consistente de governo, que consiga enfrentar interferências externas poderosas. Por isso, é comum que sejam governados por tiranos, ditadores, golpistas e por aí vai.
Não são tidos como países sérios e seus povos, ainda que alguns possuam educação profissional formal em níveis interessantes, não costumam apresentar bom nível de cultura geral e por isso são alheios às reais demandas sócio-políticas de uma sociedade desenvolvida e justa.
Pelo menos alguns deles parecem se caracterizar pelo gosto por festas.
São quase sempre povos festeiros.
Carnaval e paixão pelo futebol são ingredientes fortes nessa composição.
É comum que em países com essas características os poderes se voltem para os seus interesses particulares em detrimento da nação e do seu povo.
As suas elites são deploráveis.
Pela visão obscura da ignorância e baixo nível intelectual, são responsáveis diretos pelo subdesenvolvimento característico desses povos.
Resultado; uma história em que se contempla admiração e subserviência históricas a determinados países.
Não à toa, a quantidade de golpes militares e parlamentares, estes mais recentemente, em que o judiciário, também envolvido no processo, empresta ares de legalidade à tomada do poder.
A entrega do país pelos donos do poder às vezes assume ritmo acelerado. É a pressa pelo temor de reversão da traição.
E a visão curta dos seus apoiadores não permite ver a falência institucional e o que isso significa e os danos irreversíveis à nação. Imaginam que o resto do mundo não percebe a ilegalidade e imoralidade que constituem o processo.
Esse é o panorama ideal para o surgimento de salvadores da pátria, verdadeiros messias, alguns dos quais têm linha direta com Deus.
Intransigentes, incorruptíveis, inflexíveis, puros, castos, dignos, honestos, diante de sociedades incultas e incautas hasteiam a bandeira da morte à corrupção e aos corruptos.
A inconsistência e o oportunismo desses homens saltam aos olhos e se manifestam em cada esquina das ruas desertas de dignidade, ainda que eventualmente ocupadas por milhares de pessoas.
Homens a quem faltam inteligência, sensibilidade e conhecimento da história política e da trajetória do povo do seu próprio país.
A despeito disso, entretanto, encantam e seduzem com extrema facilidade essas plateias carentes de tudo.
Os exemplos dessa ausência de inteligência e sensibilidade se mostram com clareza solar, mas não são percebidos pelos sem noção, que veem neles competência e dignidade.
Situado entre a Linha do Equador e o Trópico de Capricórnio, o Brasil é o maior país tropical do mundo.
E foi nos trópicos brasileiros que um juiz foi guindado ao posto de herói nacional.
Não haveria de ser aqui que a elite escaparia do seu destino provinciano.
Não haveria de ser aqui que os pretendentes a elite escapariam do seu destino provinciano.
Em recente e lamentável episódio, do alto da sua insensatez, mais uma vez Moro expôs a sua arrogância ignorante.
Físico brasileiro consagrado internacionalmente, professor emérito da UNICAMP, Rogério Cerqueira Leite escreveu o artigoDesvendando Moro, em que faz críticas a Moro, acusando-o de “intolerância moralista” e dizendo que “a história tem muitos exemplos de justiceiros messiânicos como o juiz Sergio Moro e seus sequazes da Promotoria Pública”.
Acostumado a enfrentar a tudo e a todos do alto do poder (temporário) que lhe deram, Moro escreveu para o jornal e, além de reclamar, sugeriu à Folha censura ao autor, entre outros aspectos por considerar que o texto era panfletário.
O velho hábito dos déspotas; pedir a cabeça dos que exercem o contraditório.
“Embora críticas a qualquer autoridade pública sejam bem-vindas e ainda que seja importante manter um ambiente pluralista, a publicação de opiniões panfletárias-partidárias e que veiculam somente preconceito e rancor, sem qualquer base factual, deveria ser evitada, ainda mais por jornais com a tradição e a história da Folha”.
Evitar como?
Censurando-o.
E olha que se trata de um juiz, guardião da Constituição que estabelece como cláusula pétrea a liberdade de expressão.
Como aqueles que não têm a menor noção do que é ser Chico Buarque e mesmo assim o abordam na rua chamando-o de petista (meu Deus!!!), Moro resolveu confrontar Rogério Cerqueira Leite.
No seu mundo limitado, o juiz Moro desconhece o ensinamento, não sei se de Sun Tzu ou outro autor:
“Quando o inimigo for mais forte, não confronte, contorne”.
Na sua crítica à caçada feita a Lula, o físico chamou a atenção de Moro para o que aconteceu com Girolamo Savonarola, o padre que desafiou a Igreja e foi queimado vivo em Roma, dizendo que ele poderia ser abandonado pelos que até agora sustentam sua atuação na Lava-Jato:
“Cuidado, Moro, o destino dos moralistas fanáticos é a fogueira. Só vai vosmecê sobreviver enquanto Lula e o PT estiverem vivos e atuantes”.
Pobre Moro.
Perdeu-se completamente na noite escura e traiçoeira da ignorância.
Em momento de grande reflexão Bolsonariana, quem sabe Doriana, no seu artigo de resposta ao professor Cerqueira Leite lamentou o fato de o professor “chegar a sugerir atos de violência contra o ora magistrado”.
Meu deus, meu Deus, meu Deus!!!
Sabe aquela linguagem de delegacia?
“O meliante se apresentou munido de…”
O professor Rogério Cerqueira Leite respondeu em carta à seção do leitor da Folha.
A humilhação do “ora magistrado” foi inevitável.
Complexo de vira-lata
O complexo de vira-lata habita a alma de muitos brasileiros em todos os segmentos da nossa sociedade, da ciência ao judiciário.
É inadmissível e absolutamente desrespeitoso que, também do alto da sua ignorância, um procurador do Ministério Público Federal, Deltan Dallagnol, atribua ao povo português a culpa pelos males do Brasil, como colonizadores que foram do nosso país.
Os Estados Unidos, ao contrário, seria um país de homens bons, puros e dignos (meu Deus!) graças à sua colonização, que se deu pelo bom, puro e digno povo inglês.
Segundo o procurador, somos uma raça inferior.
Graças ao povo português!!!
Quando um juiz brasileiro diz que propina depositada na Suíça é crime mas deixa de ser crime porque NÃO ESTÁ FAZENDO MAL A NINGUÉM, o que se deve pensar dele?
Mesmo procurando entender que ele estava diante dos que o permitem ser o que é e a quem, portanto, precisa dar explicações, não há como tentar minimizar a sua fenomenal estupidez.
Essa visão tupiniquim do nosso país e do seu povo se dissemina pelo mundo, para plateias como aquela para a qual ele falava e nos torna um país de terceiro mundo.
“Mulher não casa com cobra porque não sabe qual é o macho”.
Desde os primórdios da humanidade, a História registra que as mulheres são tidas como seres inferiores.
O Senado da Roma antiga era constituído somente por homens. Seres inferiores, as mulheres eram proibidas de frequentar aquele ambiente seleto.
Palco das decisões mais importantes da Grécia, também era assim a Gerúsia, o Senado grego.
Seres inferiores, as mulheres só serviam para a procriação.
Não para o amor.
Ao longo dos séculos, grandes mulheres lideraram movimentos que tinham como único objetivo a conquista do verdadeiro lugar da mulher; ao lado do homem.
O movimento conhecido como “Feminismo” ainda hoje tem um sentido pejorativo, bastante depreciador e ultrajante às mulheres.
Em pleno século XXI as feministas ainda são desrespeitadas e de certa maneira humilhadas, com papel importante nesse sentido desempenhado pela mídia e, lamentavelmente, por muitas mulheres.
Apesar disso, são incontestáveis as conquistas de muitas em nome de todas.
Para ficarmos no Brasil, somente em 24 de fevereiro de 1932, em Decreto assinado por Getúlio Vargas, foi assegurado o voto feminino, ainda que com algumas restrições.
A mulher brasileira estava “autorizada” a votar.
Somente há 85 anos a mulher brasileira teve direito ao voto.
Ela não precisaria mais prestar contas sobre seu voto ao marido e pais. No entanto, somente as mulheres que trabalhavam (aquelas que recebiam alguma remuneração) eram obrigadas a votar. Isso só mudou em 1965, com a edição do Código Eleitoral que vigora até os dias de hoje.
De lá para cá, as mulheres não só votaram como algumas foram eleitas.
Qual é o nosso tempo?
Não é de agora que arqueólogos e outros estudiosos do tema apontam para a existência de “vidas superiores” no Planeta Terra há milhões de anos.
Talvez o melhor exemplo a ser dado sejam as pirâmides do Egito.
A engenharia que envolveu a sua construção não parece ser condizente com os conhecimentos que existiam à época.
Sob essa perspectiva, ficção ou não, a literatura e o cinema também fizeram seus registros quanto a sociedades que contavam com a possibilidade de preservar homens e mulheres para um tempo futuro, através, por exemplo, do congelamento dos seus corpos.
Seria possível?
Quem sabe isso explique a presença de algumas pessoas fora do seu tempo e espaço.
Quem sabe, por razões científicas ou não, essas pessoas tenham sido congeladas por séculos e “liberadas” para viverem em outros tempos.
Talvez isso pudesse explicar a existência de Jair Bolsonaro.
Protótipo mal-acabado e inconcluso de homem, pode ter sido “liberado” a viver nos tempos atuais.
Quem sabe seja alguém a serviço da humanidade.
Um troglodita que viajou na espaçonave do tempo para com a sua vida evidenciar o desenvolvimento da raça humana, ao nos mostrar que há séculos atrás já fomos iguais a ele?
Um troglodita que viajou na espaçonave do tempo e mostra ser capaz de criar um exército de seguidores e assim nos fazer ver o quanto ainda precisamos evoluir?
Como poderia eu saber?
Foge da minha capacidade.
Restam-me a ignorância e a perplexidade pelo momento que vivemos.
Entretanto, mesmo na minha ignorância e perplexidade, muitas coisas já não me afligem.
Não me aflige, por exemplo, buscar explicação para esse “exército” de seguidores, protótipos mal-acabados e inconclusos de homens que, quem sabe, serão também congelados para uso semelhante nos séculos futuros.
Mas, fico ainda imaginando muita coisa.
Por exemplo.
Não quem são, mas o que são essas mulheres?
Essas mulheres que riem e aplaudem quando ele expõe a sua concepção de vida na Pré-História.
Como entender que depois de tantas lutas e conquistas das mulheres, mulheres tenham esse comportamento?
Fazem isso para agradar aos seus companheiros?
Na votação da admissibilidade do impeachment de Dilma Roussef, vivemos um dos mais tristes episódios da história contemporânea brasileira.
Deixemos de lado o circo dos horrores montado para as mais diversas demonstrações de estupidez, canalhice e oportunismo.
Deixemos de lado a farsa canalha da bandeira da anticorrupção que tentaram desfraldar e que nos trouxe para o momento que estamos vivendo.
Uma mulher que tem na sua biografia um passado de luta como poucas mulheres na história contemporânea do Brasil podem apresentar, foi afastada da presidência da república do país pelo qual tinha lutado por homens e mulheres parlamentares que envergonham qualquer nação minimamente séria.
Ali estava mais uma vez a mulher subjugada pela superioridade masculina de velhos machos na podridão que os sustenta apontando para a “incompetência e inferioridade” da mulher.
Mas aquela mulher foi também enxovalhada e humilhada por deputadas, mulheres como ela, mas que não conseguem sequer honrar as suas próprias famílias.
Aquelas deputadas, por sua vez, eram representantes de milhares de outras mulheres que, indignadas por uma revolta inexplicável contra uma mulher, esqueceram do que tantas mulheres já tinham conquistado.
O retrocesso é a marca dos tempos que estamos vivendo.
Mas haveria o momento maior.
“Perderam em 64. Perderam agora em 2016. Pela família e pela inocência das crianças em sala de aula, que o PT nunca teve. Contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o foro de São Paulo, pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”. Jair Bolsonaro
Aquele ser congelado na Pré-História e agora entre nós fazia a apologia do mais reconhecido torturador do regime militar; coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.
O homem que se deliciava na tortura colocando ratos e baratas na vagina das mulheres presas.
E, sabendo que Dilma estava assistindo, do alto da sua superioridade masculina fez questão de tripudiar, mais uma vez, sobre a mulher:
“O pavor de Dilma Rousseff”.
A desumanidade, a crueldade e a covardia daquele pobre ser humano tomavam posse da alma daqueles homens e mulheres sob a forma de risos, aplausos e urros que se fizeram ouvir sob a lona daquele circo.
Entretanto, se já não me aflige buscar explicação para o exército de seguidores de homens como Bolsonaro, fico imaginando o que se passa no íntimo dessas mulheres.
Lá no fundo, no mais profundo do seu âmago, o quanto devem sofrer por terem que agradar e conviver com eles, os seus maridos, companheiros, namorados, o que sejam.
“Homens” que estavam lá, mas que também circulam entre nós e exibem diariamente a sua “hombridade” nas redes sociais.
Fico imaginando se essas mulheres pensam e se sim, o que pensam sobre como será a vida de suas filhas, geradas por eles, mas que, com a sua conivência e subserviência, serão criadas como foram as suas avós.
Esses “homens” estão de volta e cada vez mais fortes.
Na minha adolescência, uma frase (um ditado popular) que rolava entre os homens e eu ouvia com frequência era a que está lá em cima e que repito agora;
“Mulher não casa com cobra porque não sabe qual é o macho”.
Cruel, mas a verdade é que os homens, inclusive eu adolescente, se deliciavam com ela.
Em pleno século XXI algumas mulheres parecem querer nos fazer acreditar na validade dessa frase.
Se já não me afligem os protótipos mal-acabados e inconclusos de homens que servem ao exército das mentes congeladas, por entende-los como uma patologia que ocorre como surtos em determinados momentos da história, com as mulheres há sim uma preocupação.
As mulheres costumavam ser mais sensíveis.
Mas, se com elas há essa preocupação, assusta imaginar o que será das suas filhas.