A geração que encontrou o sucesso no pedido de demissão

Emprego

O Prof. Rielson Cardoso me mandou este texto no final de semana. Achei muito interessante e estou reproduzindo.

Só fiz alguns poucos arranjos para adapta-lo ao estilo do site.

Vale a pena ler.

E refletir.

Por Ruth Manus, no Estadão

“O cenário é mais ou menos esse: amigo formado em comércio exterior que resolveu largar tudo para trabalhar num hostel em Morro de São Paulo, amigo com cargo fantástico em empresa multinacional que resolveu pedir as contas porque descobriu que só quer fazer hamburger, amiga advogada que jogou escritório, carrão e namoro longo pro alto para voltar a ser estudante, solteira e andar de metrô fora do Brasil, amiga executiva de um grande grupo de empresas que ficou radiante por ser mandada embora dizendo “finalmente vou aprender a surfar”.

Você pode me dizer “ah, mas quero ver quanto tempo eles vão aguentar sem ganhar bem, sem pedir dinheiro para os pais.”. Nada disso. A onda é outra. Venderam o carro, dividem apartamento com mais 3 amigos, abriram mão dos luxos, não ligam de viver com dinheiro contadinho. O que eles não podiam mais aguentar era a infelicidade.

Engraçado pensar que o modelo de sucesso da geração dos nossos avós era uma família bem estruturada. Um bom casamento, filhos bem criados, comida na mesa, lençóis limpinhos. Ainda não havia tanta guerra de ego no trabalho, tantas metas inatingíveis de dinheiro. Pessoa bem sucedida era aquela que tinha uma família que deu certo.

E assim nossos avós criaram os nossos pais: esperando que eles cumprissem essa grande meta de sucesso, que era formar uma família sólida. E claro, deu tudo errado. Nossos pais são a geração do divórcio, das famílias reconstruídas (que são lindas, como a minha, mas que não são nada do que nossos avós esperavam). O modelo de sucesso dos nossos avós não coube na vida dos nossos pais. E todo mundo ficou frustrado.

Então nossos pais encontraram outro modelo de sucesso: a carreira. Trabalharam duro, estudaram, abriram negócios, prestaram concurso, suaram a camisa. Nos deram o melhor que puderam. Consideram-se mais ou menos bem sucedidos por isso: há uma carreira sólida? Há imóveis quitados? Há aplicações no banco? Há reconhecimento no meio de trabalho? Pessoa bem sucedida é aquela que deu certo na carreira.

E assim nossos pais nos criaram: nos dando todos os instrumentos para a nossa formação, para garantir que alcancemos o sucesso profissional. Nos ensinaram a estudar, investir, planejar. Deram todas as ferramentas de estudo e nós obedecemos. Estudamos, passamos nos processos seletivos, ocupamos cargos. E agora? O que está acontecendo?

Uma crise nervosa. Executivos que acham que seriam mais felizes se fossem tenistas. Tenistas que acham que seriam mais felizes se fossem bartenders. Bartenders que acham que seriam mais felizes se fossem professores de futevolei.

Percebemos que o sucesso profissional não nos garante a sensação de missão cumprida. Nem sabemos se queremos sentir que a missão está cumprida. Nem sabemos qual é a missão. Nem sabemos se temos uma missão. Quem somos nós?

Nós valorizamos o amor e a família. Mas já estamos tranquilos quanto a isso. Se casar tudo bem, se separar tudo bem, se decidir não ter filhos tudo bem. O que importa é ser feliz. Nossos pais já quebraram essa para a gente, já romperam com essa imposição. Será que agora nós temos que romper com a imposição da carreira?

Não está na hora de aceitarmos que, se alguém quiser ser CEO de multinacional tudo bem, se quiser trabalhar num café tudo bem, se quiser ser professor de matemática tudo bem, se quiser ser um eterno estudante tudo bem, se quiser fazer brigadeiro para festas tudo bem!

Afinal, qual o modelo de sucesso da nossa geração?

Será que vamos continuar nos iludindo achando que nossa geração também consegue medir sucesso por conta bancária? Ou o sucesso, para nós, está naquela pessoa de rosto corado e de escolhas felizes? Será que sucesso é ter dinheiro sobrando e tempo faltando ou dinheiro curto e cerveja gelada? Apartamento fantástico e colesterol alto ou casinha alugada e horta na janela? Sucesso é filho voltando de transporte escolar da melhor escola da cidade ou é filho que você busca na escolinha do bairro e pára para tomar picolé de uva com ele na padaria?

Parece-me que precisamos aceitar que nosso modelo de sucesso é outro. Talvez uma geração carpe diem. Uma geração de hippies urbanos. Caso contrário não teríamos tanta inveja oculta dos amigos loucos que “jogaram diploma e carreira no lixo”. Talvez- mera hipótese- os loucos sejamos nós, que jogamos tanto tempo, tanta saúde e tanta vida, todo santo dia, na lata de lixo”.

É a Vida

Site 600.000'

Por Ronaldo Souza

Numa mudança de host feita há poucos anos, perdemos o registro de muitas visitas (muitas realmente) feitas ao site endodontiaclinica.odo.br.

Até então acompanhava mais de perto essa questão. Depois, não. Não fiquei tão ligado nisso.

Entretanto, casualmente, na hora em que o acessei para postar mais um texto, vi o marcador de visitas com o número “fechado”; 600.000 visitas.

Número redondo, ocorreu-me registra-lo.

É o que você vê na imagem acima, do dia 06/01/2017.

Ontem, 11/01, portanto cinco dias depois, observei os novos números; 606.064.

Aí estão as duas imagens juntas.

Site 6064'

Não sei o quanto isso de fato representa em termos de números para um site com proposta tão simples e direta, como é o caso do endodontiaclinica.odo.br.

No entanto, 6.064 visitas em cinco dias não me parecem algo desprezível (na hora em que postei este texto, já estava em 606.568).

Há 2 anos e 2 meses, ouvi de um professor de Endodontia de São Paulo durante um congresso:

“Gosto muito dos seus textos. Leio todos eles”.

Os textos de Endodontia, tudo bem. Devemos ter pontos de vista divergentes e próximos.

Mas, o que me chamou a atenção não foi essa questão.

Sei que a frase dele tinha outro endereço.

O fato é que, mesmo pensando politicamente bem diferente de mim, ele falou aquilo.

Entendendo a mensagem dele, sendo direto e também mandando uma de volta com a mesma objetividade, só me restou dizer; muito obrigado.

E continuamos a conversa sobre… Endodontia e o evento.

Ele captou bem.

Às vezes mais enfático, às vezes menos, o que escrevo não tem nenhuma intenção de agradar ou ferir alguém. É simplesmente como vejo o que está à minha volta.

E o que está à minha volta não é a Endodontia.

É a Vida.

Nela, a Endodontia.

E tudo mais.

Aos que me leem, o que posso dizer é que vou continuar tratando dos temas com a mesma seriedade de sempre.

É a melhor maneira que tenho de agradecer a todos.

https://www.youtube.com/watch?v=ykv9mqOC8pE

Artistas e artistas

doria-e-regina

Por Ronaldo Souza

É muito comum as pessoas pensarem que os artistas são seres predestinados e têm grande conhecimento.

Acredita-se que eles podem ajudar a eleger determinados políticos. Não é à toa que muitos são convidados a emitirem opinião a favor deles.

Quanto a ajuda nesse sentido, parece ser verdade.

No entanto, numa considerável quantidade de vezes, imagina-los com grande conhecimento constitui um belo equívoco.

Há que se considerar que há jogadores de futebol e jogadores de futebol, escritores e escritores, jornalistas e jornalistas.

Da mesma forma, há artistas e artistas.

Projete para a sua categoria profissional que você verá que também há e há.

Um episódio um pouco cruel pode servir de exemplo.

Uma das maiores cantoras do Brasil, e aí pode-se dizer uma artista de grande talento, Gal Costa, não costuma emitir opinião política. No entanto, não se sabe porque, sentiu-se impelida a elogiar José Serra em sua campanha para presidente do Brasil.

Foi um desastre.

Jards Macalé, também reconhecido pelo seu talento, não se conteve e em um momento de pouca inspiração, ao responder a questionamentos sobre a infeliz opinião de Gal, saiu-se com essa:

“Ela é uma cantora legal, mas é burrinha”.

Pediu desculpas depois.

Regina Duarte, artista da Globo e ex-namoradinha do Brasil, é criadora de gado, vai regulamente a encontros de pecuaristas e participou de comícios contra as demarcações de terras e os povos indígenas.

Virou garota propaganda da causa contra os índios. Claro, também participou de protestos na Av. Paulista.

Como “artista”, conseguiu ser a favor da extinção do Ministério da Cultura. Nada mais coerente!

Sensacional.

Nessa brilhante trajetória, houve um momento em que protagonizou um “tenho medo de Lula”, o que a fez ingressar no anedotário político brasileiro como autora de um dos seus momentos mais hilários.

Como se nada disso bastasse, está de volta, mais uma vez, em grande estilo.

Ao lado de João Ralph Lauren Dória, recém-eleito prefeito de São Paulo, apareceu varrendo a Av. Paulista, onde se manifestam os “barões famintos, o bloco dos napoleões retintos e os pigmeus do bulevar”, como canta Chico Buarque.

Assim são os “artistas”… da Globo.

Perceba, da Globo.

Pertencem à Globo.

E por isso estão sempre de plantão.

Ponto.

Mas há artistas.

O artista não tem necessariamente que ter engajamento político. Muitos não o têm e nem por isso deixam de ser grandes artistas.

Mas, os que têm, não há como negar, muitas vezes quando se manifestam só fazem aumentar o fosso entre artistas e artistas.

No recente Globo de Ouro, Meryl Streep recebeu um prêmio especial pelo conjunto da obra.

Ela podia aproveitar aqueles poucos minutos para falar de qualquer coisa, ou até mesmo somente agradecer pelo prêmio.

Mas não.

O que vimos foi o surgimento não da grande atriz, mas da grande artista.

Surgiu com o brilho das grandes estrelas.

Surgiu como mulher.

E como mulher se revestiu de grande coragem.

Elegante.

Por que Regina Duarte me veio à mente?

Porque, podemos até não perceber, a absurda diferença que existe entre elas, Meryl Streep e Regina Duarte, nos mostra que nos palcos da vida os atores não são iguais.

Assista ao vídeo e perceba que não se trata de uma “simples” atriz falando, mas de uma verdadeira mulher convicta do seu papel.

Permito-me antes, porém, fazer uma pequena correção na tradução da fala de Meryl Streep feita abaixo por Kiko Nogueira. Digo pequena, mas ela altera de forma significativa o entendimento do contexto.

No penúltimo parágrafo, terceira linha, está escrito; ‘não é um privilégio, Meryl, ser apenas um ator’.

Perceba aos 4’56 do vídeo que, na verdade, pela entonação de voz de Meryl Streep e construção da frase não é uma afirmação e sim uma pergunta.

“Isn’t such a privilege, Meryl, just to be an actor?”

O certo então seria; ‘não é um privilégio, Meryl, ser um ator’?

E aqui também me permito mostrar como o contexto toma outro rumo:

‘Não é um privilégio, Meryl, ser um ator’? Sim, é. E nós temos que nos lembrar todos os dias do nosso privilégio e da responsabilidade de agirmos com empatia. Nós todos deveríamos ter muito orgulho do trabalho que Hollywood honra aqui essa noite”.

Responsabilidade.

Esta não é simplesmente uma palavra, mas o compromisso que todos temos diante do país e que, lamentavelmente, tem faltado nos últimos tempos.

Inclusive a alguns artistas, entre os quais atores e atrizes.

Precisamos de artistas de verdade, aqueles que sabem que o papel deles vai além de fazer novelas e serem convidados com seus rostinhos bonitinhos para apresentar bailes de debutantes e desfilar em trios elétricos e camarotes de carnaval.

Curta o vídeo com o depoimento dessa verdadeira grande artista.

VÍDEO: o discurso de Meryl Streep detonando Trump no Globo de Ouro

Por Kiko Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

O ponto alto da cerimônia do Globo de Ouro foi o discurso de Meryl Streep ao receber o prêmio Cecil B. DeMille pelo conjunto de sua obra.

Ela foi anunciada pela colega Viola Davis, que levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante por seu papel em “Cercas”.

Em pouco mais de cinco minutos, Meryl falou sobre a diversidade em seu meio, enfatizando como é isso que dá essência à indústria, e criticou fortemente Trump e suas políticas — sem citar seu nome.

“Desrespeito convida ao desrespeito, violência convida à violência”, disse.

Eis os highlights de sua fala:

“Obrigada, Hollywood Foreign Press [Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood]. Só lembrando o que o Hugh Laurie já disse. Vocês e todos nós nessa sala, realmente, pertencemos ao segmento mais difamado da sociedade americana agora. Pensem. Hollywood, estrangeiros, e a imprensa. Mas quem somos nós? E o que é Hollywood mesmo? É só um monte de gente de outros lugares.

Eu nasci e fui criada nas escolas públicas de Nova Jersey. Viola [Davis] nasceu em uma cabana de agricultores na Carolina do Sul, e cresceu em Central Falls, Long Island. Sarah Paulson foi criada na Flórida por uma mãe solteira no Brooklyn. Sarah Jessica Parker era uma de sete ou oito crianças de Ohio. Amy Adams nasceu na Itália. Natalie Portman nasceu em Jerusalém. Cadê o certificado de nascimento delas? E a maravilhosa Ruth Negga nasceu na Etiópia, foi criada em — não, na Irlanda, acredito eu. E ela está aqui sendo indicada por interpretar uma garota de uma cidade pequena da Virginia. Ryan Gosling, como todas as pessoas mais bacanas, é canadense. E Dev Patel nasceu no Quênia, foi criado em Londres e está aqui por interpretar um indiano criado na Tasmânia.

Hollywood está cheia de forasteiros e estrangeiros. Se você expulsá-los, não sobrará nada para assistir a não ser futebol americano e diversas artes marciais, que não são as Artes. Eles me deram três segundos para falar isso. O único trabalho de um ator é entrar nas vidas das pessoas que são diferentes de nós e deixá-las sentir como isso parece. E houve tantas tantas tantas performances poderosas no último ano que fizeram exatamente esse trabalho tão passional e de tirar o fôlego.

Houve uma performance esse ano que me deixou atordoada. Não porque era boa. Não teve nada de bom nela. Mas porque foi efetiva e cumpriu com seu papel. Fez a sua audiência rir e mostrar os dentes. Foi o momento no qual uma pessoa que pedia para sentar na cadeira mais respeitada de nosso país imitou um repórter deficiente, alguém que era menos privilegiado com menos poder e com menos capacidade de responder à altura. E meio que quebrou meu coração quando eu a vi. Eu ainda não consigo tirá-la da minha cabeça porque não estava em um filme. Foi a vida real.

E esse instinto de humilhar, quando é feito por alguém em uma plataforma pública, por alguém poderoso, impacta negativamente na vida de todo mundo, porque ele dá permissão para que outras pessoas ajam igual. Desrespeito convida desrespeito. Violência incita violência. Quando as pessoas poderosas usam sua posição para intimidar alguém, todos nós perdemos.

E isso me traz à imprensa. Nós precisamos que a imprensa com princípios mantenha esse poder em conta, que ela denuncie os poderosos por cada um desses ultrajes. É por isso que nossos fundadores consagraram a imprensa e suas liberdades em nossa Constituição. Então eu apenas peço aos famosamente bem endinheirados da Hollywood Foreign Press e a todos de nossa comunidade a se juntarem a mim em apoio ao comitê de proteção aos jornalistas. Porque nós precisaremos deles para progredirmos. E eles precisarão de nós para falarem a verdade.

Só mais uma coisa. Uma vez, quando eu estava em um set um dia, reclamando de algo, que nós teríamos que trabalhar na hora de jantar, ou por causa das longas horas de trabalho, não me lembro, Tommy Lee Jones me disse: ‘não é um privilégio, Meryl, ser apenas um ator’. E sim, é. E nós temos que nos lembrar todos os dias do nosso privilégio e da responsabilidade de agirmos com empatia. Nós todos deveríamos ter muito orgulho do trabalho que a Hollywood honra aqui essa noite.

Como a minha amiga, a querida falecida Princesa Leia, me disse uma vez, ‘pegue o seu coração partido e o transforme em arte’. Obrigada”.

Amigo

amigo

Por Ronaldo Souza

“E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!”

Esse é um trecho do poema “Amigos”, de Vinícius de Morais.

Do verso anterior a esse, esta é a primeira frase:

“A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor…”

Confesso a dificuldade em acreditar quando alguém diz que tem muitos amigos.

Não o amigo comum, o de convivência mais próxima, diária, o da festa, redes sociais nem pensar.

Amigo.

Acredito que é desse que Vinícius fala.

Aí sim.

De alguém que tenha, de fato, muitos amigos desse tipo, tenho inveja.

Mas, perdoe-me a franqueza, se existirem, não são muitos esses privilegiados.

Somente quando um amigo lhe nega é que você percebe, quase que enlouquecendo, como diz Vinícius, como dói.

E na dor vem a revelação; ele não era seu amigo.

Qual será a dor maior, a da negação ou a da percepção de que ele não era seu amigo?

O amigo que lhe nega jamais saberá a dor que causou.

Quem sabe até fique se perguntando, ou a outros:

Por que ele se afastou?

E você, que sente e chora a dor, não vai desabafar falando de sentimentos profundos com quem não é mais… amigo.

Nem aos amigos em comum você diz “o que aconteceu”, porque mesmo eles talvez não entendam a real dimensão, o quanto doeu.

Somente o cristal sente o quanto lhe é profunda a rachadura.

A dor nem sempre é proporcional ao tamanho que parece ter o gesto que a provocou.

Dor é individual.

É limiar.

É percepção.

É sua.

A chaga que se abre na seção “amigos”, a maior do seu coração, jamais se fechará.

Mas ele, o seu coração, sempre abrirá a porta para uma nova amizade.

Independente da dor.

O coração não tem jeito, ele é assim.

Apanhando, mas sempre abrindo as portas e janelas da casa.

Essa é a beleza da vida.

Por isso dizem que vale a pena ser vivida.

Pelos que ficam.

Um encontro entre Brasil e Portugal

Two butterflies with flags on wings as symbol of relations Brazil and Portugal

Por Ronaldo Souza

Encontrei no CIOBA (Congresso Internacional de Odontologia da Bahia), novembro de 2016, um colega e amigo que há mais de 20 anos mora em Portugal; o baiano Antônio Carlos Bonfim.

Talvez por ser possuidor de inteligência e sensibilidade não muito comuns em determinados segmentos, é um “cara” politizado.

Ele me honra com algumas opiniões no meu “feicibuqui”.

Não conversávamos pessoalmente há alguns anos, mas acho que tiramos o atrasado, ou pelo menos parte dele.

Acredito que conversamos durante cerca de 3 horas ou pouco mais, em pé, diga-se de passagem, e ele me prometeu enviar o texto abaixo.

Postou na minha linha do tempo.

É a resposta de um jornalista português à entrevista de um juiz num jornal diário antes de concluir o processo do ex-primeiro ministro, o socialista José Sócrates (2009-2011).

Como ele chamou a atenção, observe que temos também um Moro em Portugal que, por causa de uma entrevista, foi bastante criticado pela imprensa portuguesa.

Se o Moro de lá é criticado, o de cá…

Não vem ao caso.

Só espero que o de lá não tenha a mesma estranha atração pelos Estados Unidos que tem o de cá.

Bonfim, como já em parte um pouco português por adotar o país deles, por favor, diga aos portugueses que, apesar da ignorância e estupidez de alguns dos nossos promotores, à frente Deltan Dallagnol, o povo brasileiro não vê no português a razão dos nossos descaminhos.

Somos o que somos.

Um país cujas fronteiras sempre estiveram e estarão abertas a todos os povos, como os Dallagnol, oriundos da Itália.

Todos eles ajudaram a fazer deste um país único, com a sua enorme diversidade de raças, religiões e cores.

É possível que o sangue índio-português-africano que corre nas nossas veias e faz bater com força os nossos corações não pulse com a mesma intensidade naqueles que vieram depois.

Mesmo assim, eles também são brasileiros.

Se para alguns a nossa descendência é humilhante e justificadora das nossas mazelas, dela nos orgulhamos.

Portugal e Brasil, Brasil e Portugal.

Por razões que parecem óbvias, as nossas ligações são eternas, com todas as virtudes e pecados que daí podem advir, ainda que mentes débeis estejam sempre envoltas pelo véu da pureza da raça, cuja história traz registros de grande tristeza para a humanidade.

Por isso, homenageio Portugal e sua História, tão ligada à nossa, através desse vídeo com as duas versões de Tanto Mar, música de Chico Buarque que fala da Revolução dos Cravos.

https://www.youtube.com/watch?v=9RLScWescyU

Reproduzo abaixo o texto que Bonfim enviou.

12 de Setembro de 2016, 08:22

Por Francisco Louçã

Um juiz não deve dar entrevistas. Sobretudo sendo uma figura em evidência pública, não deve dar entrevistas, porque o que é relevante para o país é a sua sentença nos processos e nada mais. A sua vida privada ou as suas considerações sobre o mundo não importam para a nossa apreciação da sua conclusão. É na sua justiça e não na sua vida ou opiniões que devemos poder confiar. Por isso, não deve dar entrevistas, pois não pode tratar dos processos nem explicar sentenças e o resto é irrelevante. O silêncio da justiça sobre si própria é a melhor forma de criar confiança na justiça, pois os actos é que devem falar.

Se um juiz dá entrevistas para falar de si, temos que nos perguntar porque é que quer falar de si. Pode considerar-se um herói e aspirar a que o povo lhe erga um pedestal. Pode querer dar algum recado. Pode querer reinterpretar a sua própria função. Todas essas razões para dar uma entrevista são razões que aconselhariam o contrário, que o juiz evitasse disputar o espaço mediático, porque no caso esse é simplesmente o espaço da política. O juiz que dá uma entrevista está a intervir politicamente e sabe que está a fazer precisamente essa escolha.

Ao contrário do juiz, outras figuras públicas devem dar entrevistas, se o seu espaço natural é o da política. O público quer saber o que pensa o candidato a Presidente, o que disse, o que escreveu, o que discutiu, e até se é divorciado ou casado ou solteiro ou o que for, que casas e carro é que tem, o seu percurso profissional. Até é obrigado a fazer declaração de bens no Tribunal Constitucional, que pode ser consultada pelo público (o juiz não é obrigado a fazê-lo). Esses dados podem importar para a formação de uma opinião sobre a sua capacidade de exercício de cargo público. E, porque será escolhido pelo voto, a sua imagem e história são relevantes, bem como os actos. É por isso que se nos apresenta em entrevistas.

Ao contrário, o juiz não é escolhido pelo voto e, onde o político tem que ser visível, o juiz tem que ser invisível. Não me interessa em quem vota, não me interessa quem são os seus colegas de bilhar, não cuido de com quem janta, nem do seu clube de futebol, nem da sua leitura acerca do último discurso de António Costa ou de Marcelo Rebelo de Sousa. Só por essa razão, falar e falar é demais a entrevista do juiz Carlos Alexandre é estranha.

Também estranha é a data: uma semana antes de se concluir (mais um) prazo para a eternamente adiada acusação do Processo Marquês.

Mas mais estranho ainda é o que diz o juiz. Primeiro, pela mesquinhez da piscadela de olho: “sou o saloio de Mação que não tem dinheiro em nome de amigos”, porque meia palavra basta. Para quem não ouviu à primeira, repete que não tem “dinheiro” nem “contas bancárias em nome de amigos”. Percebeu?

A conversa sobre os dinheiros é perturbante. O juiz vive uma vida espartana, não vai a restaurantes e não tem “amigos pródigos”. Aliás, para descansar as nossas almas, nem tem amigos, de todo (se o leitor ou a leitora consegue confiar numa pessoa que não tem amigos dou-lhe um prémio). Queixa-se do governo do “senhor engenheiro José Sócrates” que lhe cortou o salário mas, que engraçado, não se lembra do governo seguinte que também lhe cortou e bastante mais no salário – ele ainda hoje desconta uma sobretaxa do IRS, mas não deve ter dado por isso, tão cuidadoso com as contas apertadas que é. Mas, espartano, e com um ordenado que, já agora, é maior do que um deputado, o juiz tem que trabalhar 48 sábados por ano para compor o fim do mês. Percebeu? Eu não.

E, se a conversa sobre dinheiros é perturbante, há outra que vai ainda mais longe. É que o juiz sabe muito, vangloria-se ele. Ouve muitas escutas. Tinha todos os processos. Está em todas as buscas. Manda tudo. Se isto for tudo verdade, e se este for o homem que sabe mais sobre a vida dos outros na nossa República, está mesmo certo de que pode confiar na justiça? Até porque o juiz sabe tudo, ouve muitas escutas, e muitas delas vão aparecendo escarrapachadas na capa do Correio da Manhã ou na Sábado.

Não sei portanto se a entrevista é vantajosa ou não para a transparência. É transparente ficarmos a saber que hão há transparência alguma. Que há uma só pessoa que tem tudo na mão. Que pode decidir a detenção e libertação de suspeitos ou arguidos que podem ficar meses ou anos na prisão, mesmo que não tenham sido acusados e não se sabe quando o venham a ser. Que é possível adiar a apresentação da acusação, porque, de facto, não obedece a prazos nem responde a ninguém. Que o segredo de justiça é segredo para todos menos para certos jornalistas. Que o juiz tem grandes aflições de dinheiro e uma vida rigorosa, penalizada pelas horas extraordinárias, ganhando o que ganha. Que diz de si próprio ser “o saloio de Mação que não dinheiro em nome de amigos” e que aliás não corre o risco porque nem tem amigos.

Assim sendo, ainda bem que o juiz Carlos Alexandre deu a entrevista que não devia ter dado.

A ignorância e o complexo de vira-lata de um promotor

dallagnol-e-powerpoint

Por Ronaldo Souza

Não são de agora e muito menos desconhecidas as ideias separatistas.

Pessoas, grupos, estados, regiões, que carregam consigo uma postura que denota superioridade, seja ela assumida ou não.

Estados e/ou regiões do Brasil trazem na sua história a ideia da separação do resto do Brasil.

A tentativa de formação de raças “superiores” não deixa dúvidas quanto aos limites do ser humano e a história da humanidade registra isso com clareza assustadora e consequências já bastante conhecidas.

Aquilo que se conhece como higienização social é algo de tão grande pobreza intelectual, moral e humana quanto deplorável e expositora da fragilidade de alguns, que infelizmente são muitos.

Assim, alguns comportamentos nem sempre têm a sua origem nos bons propósitos, no melhor dos sentimentos.

Sentimentos que se espalham dissimuladamente sob as formas mais sutis.

Há muito pouco tempo, cerca de três meses, o promotor Deltan Dallagnol explicou a corrupção no Brasil como fruto da colonização portuguesa.

Disse ele que a diferença entre o Brasil e os Estados Unidos e o que fazia o primeiro ser um país corrupto era o fato de que ele tinha sido colonizado pela escória da raça humana, os portugueses.

Ao contrário, ainda segundo ele, os Estados Unidos constituem aquele exemplo de integridade e bons costumes porque foi colonizado pelos homens bons e puros da Inglaterra.

Só mesmo a ignorância e desconhecimento da História podem levar a tamanha insanidade.

Nenhum outro país tem a sua história tão manchada de sangue por invadir, dominar e subjugar povos de outros países para levar adiante o seu imperialismo como os Estados Unidos, tendo como aliado de primeira linha os seus outrora colonizadores, a Inglaterra.

Quantos homens, mulheres e crianças foram assassinados por aqueles homens bons e puros de origem nobre?

Quantos países carregam consigo a mácula do racismo nos níveis a que foi levado pelos homens de espírito elevado dos Estados Unidos?

O promotor não faz ideia de quanta asneira conseguiu dizer e fazer nessa comparação.

O absurdo desrespeito e agressão a uma não nação amiga, Portugal, e a um povo irmão, os portugueses, afinal nossos descobridores.

Entretanto, se Dallagnol, do alto da sua estupidez, conseguiu fazer isso com aquele país e povo amigos, não deveria causar surpresa por demonstrar estar alinhado à sua formação de colonizado, não no passado que remonta ao ano de 1.500, quando os portugueses descobriram o Brasil, mas no presente.

Dallagnol expôs todo o seu complexo de vira-lata ao se dizer, como brasileiro, inferior ao americano, pela sua descendência portuguesa.

Dallagnol expôs todo o seu complexo de vira-lata ao bajular os Estados Unidos, país em que a república de Curitiba se espelha e para onde tem viajado muito.

Ao deixar patente a sua americanofilia, demonstrou ocupar cargo de relevância no CCVL, Clube do Complexo de Vira-Lata, em que muitos, como ele, não conseguem negar Juraci Magalhães, cearense que fez carreira política na Bahia:

“Tudo que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.

Esta frase de Juraci Magalhães bem que poderia ser o lema desse clube.

Entretanto, apesar da ignorância reiteradas vezes exposta de forma tão despudorada, Deltan Dallagnol tem encantado boa parte de determinados segmentos sociais.

Compreensível.

Dallagnol sabe para quem fala.

O promotor Dallagnol, ainda que às avessas, resolveu trilhar o caminho do direito, certamente não o do Direito.

E este parece ser um problema atual.

Homens que escolheram a profissão e que ficaram presos às normas e leis como talvez tenham sido vistas nos livros ainda nos tempos de estudantes de Direito.

Esqueceram-se do mundo.

Esqueceram-se da vida.

Mesmo como profissional da área de saúde, portanto, aparentemente nada a ver com a minha formação profissional, assisti a uma aula magna do Professor Dalmo Dallari de mais de uma hora de duração em que ele desfilou pela História da Humanidade, falou sobre Direitos Humanos, para mostrar a aqueles jovens pretendentes ao Direito, que o conhecimento das leis é nada ou muito pouco se não existir o conhecimento sobre o Universo, sobre a vida.

Como disse uma vez Oscar Niemeyer:

“O sujeito às vezes até cresce na profissão, mas não toma conhecimento da vida”.

Certamente, o promotor Deltan Dallagnol nunca assistiu a uma aula do Professor Dalmo Dallari.

Para ele tem sido bem mais lucrativo se esmerar em aprender a usar o PowerPoint.

Com convicção.

Feliz Natal?

Por Ronaldo Souza

Qualquer profissional da área de saúde sabe, pelo menos assim se imagina, que organismos com carência proteica apresentam menor capacidade de defesa e se tornam mais vulneráveis.

A ingestão de proteínas se dá através da boa alimentação. É ela que nos fornece os nutrientes necessários para o nosso desenvolvimento físico e mental. Assim, a fome é fator negativo determinante nesse sentido.

A fome, para além de sensação percebida no dia-a-dia, representa necessidade básica da vida.

Saciada, o homem sobrevive.

Sobrevivência é instinto, algo de que todos os animais precisam.

Mas o homem não é só instinto; é também um ser racional.

O cérebro é uma estrutura nobre.

Nele estão contidos, por exemplo, os neurônios, células que desempenham a nobre função de nos fazer pensar.

É o poder de reflexão que nos difere dos animais, seres que não possuem a capacidade de raciocinar; seres irracionais.

A incapacidade de raciocinar, claro, torna alguém irracional.

Pessoas irracionais perdem, portanto, justamente aquilo que as distinguem de outros seres que não os humanos; os animais.

A irracionalidade individualizada e momentânea é reconhecida e se explica na explosão de sentimentos primitivos presentes no homem.

Para usar exemplo recente, o que se disse daquele rapaz que, repreendido por uma policial, uma mulher, por agredir a própria esposa, agrediu brutalmente a policial, num triste episódio cujo vídeo viralizou nas redes sociais?

“Esse cara é um animal”.

Estaria ele longe disso?

Se a irracionalidade individual se explica na explosão, quem sabe incontrolável, de sentimentos primitivos do homem, a irracionalidade coletiva, não.

Essa é induzida.

A mesma subnutrição que reduz de forma significativa a saúde do homem na sua plenitude, também reduz a capacidade de desenvolvimento neuronal e das suas conexões sinápticas, que conferem ao homem plenitude mental e intelectual.

Mentes desprovidas dessa plenitude mental e intelectual se tornam mais vulneráveis à invasão de sentimentos, ideias e comportamentos menos nobres.

O homem fica menor.

Pequeno.

A irracionalidade coletiva é fruto de homens e mulheres reduzidos ao quase nada na sua capacidade intelectual pela mais safada e escancarada manipulação da realidade.

Vivemos tempos difíceis.

Vivemos em um país que, sob a farsa, hoje mais do que comprovada, do combate à corrupção, foi entregue a grandes e reconhecidos corruptos e vê a destruição das suas maiores empresas e invasão de empresas internacionais, com os mesmos problemas de corrupção.

Um país que promove a destruição da indústria naval, recentemente recuperada, e vê desmancharem-se o investimento feito e conhecimento adquirido em energia nuclear.

Um país que entrega a sua maior riqueza, o Pré-Sal, e sua maior empresa, a Petrobrás, detentora do maior know how do mundo em prospecção de petróleo no fundo do mar, a grandes conglomerados financeiros internacionais, leia-se Estados Unidos.

Um país que entrega a sua infraestrutura de telecomunicação a esses mesmos conglomerados.

Um país que, tendo experimentado ser protagonista pela primeira vez na sua história, perde a sua soberania e, como antes, se joga nos braços do seu colonizador.

Um país que nesses dias de festas levantará suas taças em brindes, a despeito dos 12 milhões de desempregados que hoje possui e que somente a ignorância e consequente cegueira não permitem ver as verdadeiras causas de tudo isso.

Veem-se aflorar sentimentos, ideias e comportamentos repletos de ódio e preconceito como poucas vezes observado, que transformaram o país num terreno minado onde o vizinho é inimigo. Um verdadeiro processo de indução coletiva rumo à chocante incapacidade de discernimento, de tal maneira que um povo historicamente pacífico não consegue mais olhar para quem está ao seu lado.

E, pior de todas as coisas, pecado dos pecados, aproveitam-se de jovens, no auge da inocência e imaturidade, e violentam as suas mentes justamente quando alçam os primeiros voos na busca da cidadania.

A desinformação e a sub-informação, tão evidentes nos tempos atuais, não conferem os nutrientes necessários para a formação do cidadão e levam ao desenvolvimento de seres com grande déficit mental e intelectual, com custo e reversibilidade imprevisíveis.

Mentes mal alimentadas jamais permitirão o desenvolvimento de cidadãos plenos.

Boas Festas (Assis Valente) 

Anoiteceu
O sino gemeu
A gente ficou feliz a rezar
Papai Noel, vê se você tem
A felicidade pra você me dar

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Bem assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem!
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem!

Dallagnol, baixe a bola e pare de fazer teatro com PowerPoint

prof-dalagnoll-e-curso-de-powerpoint

A demolição de um idiota

Por Eugênio Aragão, Procurador da República

Do blog de Marcelo Auler http://marceloauler.com.br/de-aragao-a-dallagnol-baixe-a-bola/

Minha carta aberta ao Dallagnol: “baixe a bola, colega”

Meu caro colega Deltan Dallagnol,

“Denn nichts ist schwerer und nichts erfordert mehr Charakter, als sich in offenem Gegensatz zu seiner Zeit zu befinden und laut zu sagen: Nein.”

(Porque nada é mais difícil e nada exige mais caráter que se encontrar em aberta oposição a seu tempo e dizer em alto e bom som: Não!)

Kurt Tucholsky

Acabo de ler por blogs de gente séria que você estaria a chamar atenção, no seu perfil de Facebook, de quem “veste a camisa do complexo de vira-lata”, de que seria “possível um Brasil diferente” e de que a hora seria agora. Achei oportuno escrever-lhe está carta pública, para que nossa sociedade saiba que, no ministério público, há quem não bata palmas para suas exibições de falta de modéstia.

Vamos falar primeiro do complexo de vira-lata. Acredito que você e sua turma são talvez os que têm menos autoridade para falar disso, pois seus pronunciamentos têm sido a prova mais cabal de SEU complexo de vira-lata. Ainda me lembro daquela pitoresca comparação entre a colonização americana e a lusitana em nossas terras, atribuindo à última todos os males da baixa cultura de governação brasileira, enquanto o puritanismo lá no norte seria a razão de seu progresso. Talvez você devesse estudar um pouco mais de história, para depreciar menos este País. E olha que quem cresceu nas “Oropas” e lá foi educado desde menino fui eu, hein… talvez por isso não falo essa barbaridade, porque tenho consciência de que aquele pedaço de terra, assim como a de seu querido irmão do norte, foram os mais banhados por sangue humano ao longo da passagem de nossa espécie por este planeta. Não somos, os brasileiros, tão maus assim, na pior das hipóteses somos iguais, alguns somos descendentes dos algozes e a maioria somos descendentes das vítimas.

Mas essa sua teorização de baixo calão não diz tudo sobre SEU complexo. Você à frente de sua turma vão entrar na história como quem contribuiu decisivamente para o atraso econômico e político que fatalmente se abaterão sobre nós. E sabem por que? Porque são ignorantes e não conseguem enxergar que o princípio fiat iustitia et pereat mundus nunca foi aceita por sociedade sadia qualquer neste mundão de Deus. Summum jus, summa iniuria, já diziam os romanos: querer impor sua concepção pessoal de justiça a ferro e fogo leva fatalmente à destruição, à comoção e à própria injustiça.

E o que vocês conseguiram de útil neste País para acharem que podem inaugurar um “outro Brasil”, que seja, quiçá, melhor do que o vivíamos? Vocês conseguiram agradar ao irmão do norte que faturará bilhões de nossa combalida economia e conseguiram tirar do mercado global altamente competitivo da construção civil de grandes obras de infraestrutura as empresas nacionais. Tio Sam agradece. E vocês, Narcisos, se acham lindinhos por causa disso, né? Vangloriam-se de terem trazido de volta míseros dois bilhões em recursos supostamente desviados por práticas empresariais e políticas corruptas. E qual o estrago que provocaram para lograr essa casquinha? Por baixo, um prejuízo de 100 bilhões e mais de um milhão de empregos riscados do mapa. Afundaram nosso esforço de propiciar conteúdo tecnológico nacional na extração petrolífera, derreteram a recém reconstruída indústria naval brasileira. Claro, não são seus empregos que correm riscos. Nós ganhamos muito bem no ministério público, temos auxílio-alimentação de quase mil reais, auxilio-creche com valor perto disso, um ilegal auxílio-moradia tolerado pela morosidade do judiciário que vocês tanto criticam. Temos um fantástico plano de saúde e nossos filhos podem frequentar a liga das melhores escolas do País. Não precisamos de SUS, não precisamos de Pronatec, não precisamos de cota nas universidades, não precisamos de bolsa-família e não precisamos de Minha Casa Minha Vida. Vivemos numa redoma de bem estar. Por isso, talvez, à falta de consciência histórica, a ideologia de classe devora sua autocrítica. E você e sua turma não acham nada de mais milhões de famílias não conseguirem mais pagar suas contas no fim do mês, porque suas mães e seus pais ficaram desempregados e perderam a perspectiva de se reinserirem no mercado num futuro próximo. Mas você achou fantástico o acordo com os governos dos EEUU e da Suíça, que permitiu-lhes, na contramão da prática diplomática brasileira, se beneficiarem indiretamente com um asset sharing sobre produto de corrupção de funcionários brasileiros e estrangeiros. Fecharam esse acordo sem qualquer participação da União, que é quem, em última análise, paga a conta de seu pretenso heroísmo global e repassaram recursos nacionais sem autorização do Senado. Bonito, hein? Mas, claro, na visão umbilical corporativista de vocês, o ministério público pode tudo e não precisa se preocupar com esses detalhes burocráticos que só atrasam nosso salamaleque para o irmão do norte! E depois fala de complexo de vira-lata dos outros!

O problema da soberba, colega, é que ela cega e torna o soberbo incapaz de empatia, mas, como neste mundo vale a lei do retorno, o soberbo também não recebe empatia, pois seu semblante fica opaco, incapaz de se conectar com o outro.

A operação de entrega de ativos nacionais ao estrangeiro, além de beirar alta traição, esculhambou o Brasil como nação de respeito entre seus pares. Ficamos a anos-luz de distância da admiração que tínhamos mundo afora. E vocês o fizeram atropelando a constituição, que prevê que compete à Presidenta da República manter relações com estados estrangeiros e não ao musculoso ministério público. Daqui a pouco vocês vão querer até ter representação diplomática nas capitais do circuito Elizabeth Arden, não é?

Ainda quanto a um Brasil diferente, devo-lhes lembrar que “diferente” nem sempre é melhor e que esse servicinho de vocês foi responsável por derrubar uma Presidenta constitucional honesta e colocar em seu lugar uma turba envolvida nas negociatas que vocês apregoam mídia afora. Esse é o Brasil diferente? De fato é: um Brasil que passou a desrespeitar as escolhas políticas de seus vizinhos e a cultivar uma diplomacia da nulidade, pois não goza de qualquer respeito no mundo. Vocês ajudaram a sujar o nome do País. Vocês ajudaram a deteriorar a qualidade da governação, a destruição das políticas inclusivas e o desenvolvimento sustentável pela expansão de nossa infraestrutura com tecnologia própria.

E isso tudo em nome de um “combate” obsessivo à corrupção. Assunto do qual vocês parecem não entender bulhufas! Criaram, isto sim, uma cortina de fumaça sobre o verdadeiro problema deste Pais, que é a profunda desigualdade social e econômica. Não é a corrupção. Esta é mero corolário da desigualdade, que produz gente que nem vocês, cheios de “selfrightousness”, de pretensão de serem justos e infalíveis, donos da verdade e do bem estar. Gente que pode se dar ao luxo de atropelar as leis sem consequência nenhuma. Pelo contrário, ainda são aplaudidos como justiceiros.

Com essa agenda menor da corrupção vocês ajudaram a dividir o País, entre os homens de bem e os safados, porque vocês não se limitam a julgar condutas como lhes compete, mas a julgar pessoas, quando estão longe de serem melhores do que elas. Vocês não têm capacidade de ver o quanto seu corporativismo é parte dessa corrupção, porque funciona sob a mesma gramática do patrimonialismo: vocês querem um naco do estado só para chamar de seu. Ninguém os controla de verdade e vocês acham que não devem satisfação a ninguém. E tudo isso lhes propicia um ganho material incrível, a capacidade de estarem no topo da cadeia alimentar do serviço público. Vamos falar de nós, os procuradores da república, antes de querer olhar para a cauda alheia.

Por fim, só quero pontuar que a corrupção não se elimina. Ela é da natureza perversa de uma sociedade em que a competição se faz pelo fator custo-benefício, no sentindo mais xucro. A corrupção se controla. Controla-se para não tornar o estado e a economia disfuncionais. Mas esse controle não se faz com expiação de pecados. Não se faz com discursinho falso-moralista. Não se faz com o homilias em igrejas. Se faz com reforma administrativa e reforma política, para atacar a causa do fenômeno é não sua periferia aparente. Vocês estão fazendo populismo, ao disseminarem a ideia de que há o “nós o povo” de honestos brasileiros, dispostos a enfrentar o monstro da corrupção feito São Jorge que enfrentou o dragão. Você e eu sabemos que não existe isso e que não existe com sua artificial iniciativa popular das “10 medidas” solução viável para o problema. Esta passa pela revisão dos processos decisórios e de controle na cadeia de comando administrativa e pela reestruturação de nosso sistema político calcado em partidos que não merecem esse nome. Mas isso tudo talvez seja muito complicado para você e sua turma compreenderem.

Só um conselho, colega: baixe a bola. Pare de perseguir o Lula e fazer teatro com PowerPoint. Faça seu trabalho em silêncio, investigue quem tiver que investigar sem alarde, respeite a presunção de inocência, cumpra seu papel de fiscal da lei e não mexa nesse vespeiro da demagogia, pois você vai acabar ferroado. Aos poucos, como sempre, as máscaras caem e, ao final, se saberá que são os que gostam do Brasil e os que apenas dele se servem para ficarem bonitos na fita! Esses, sim, costumam padecer do complexo de vira-lata!

Um forte abraço de seu colega mais velho e com cabeça dura, que não se deixa levar por essa onda de “combate” à corrupção sem regras de engajamento e sem respeito aos costumes da guerra.

Tradição, força, paixão e beleza fazem do Bahia um time único

bahia

Por Ronaldo Souza

Como explicar entre tantos esportes a imensa paixão pelo futebol?

Como explicar a paixão de uma torcida pelo seu time?

Por que algumas torcidas são tidas como fanáticas?

Não seriam todas?

Não, não são.

Há, de fato, entre os nossos times aqueles cujas torcidas são reconhecidas como diferentes das outras.

São mais apaixonadas.

Não entendem os que imaginam que esses times se comportam como os outros.

Não entendem porque são mais fortes.

Não entendem porque as suas conquistas são cantadas em prosa e verso.

Não entendem que a história deles está mais carregada de glórias.

E tradição.

Já postei textos que falam da força do Bahia e de um episódio em particular que, estando no Rio no período de Natal e Réveillon, ocorreu comigo.

Na antevéspera da noite de Natal meu cunhado me pegou para irmos ao shopping, coisa rápida.
Quando entrei no carro ele estava ouvindo um programa esportivo em que Papai Noel era “entrevistado” sobre o que deixaria de presente para os times de futebol.
Para o Fluminense isso, Corinthians aquilo, Flamengo aquilo outro, Santos…
E assim foi com os chamados grandes times do Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, até chegar no Nordeste.
Acho que fiquei meio que num misto de alegria e apreensão.
O que diria Papai Noel?
– Ho, ho, ho, ho…
Esse é Papai Noel.
– Que bom seria, meu filho, que o Bahia voltasse aos bons tempos.
Esperei pelos outros.
Não teve outros.
Papai Noel parecia ignorar a existência de outros times no Nordeste.
Lamentei (um pouco só) pelos outros, mas não vou negar que vibrei muito quando percebi que Papai Noel sabia da existência do Bahia.
Talvez seja interessante lembrar que estávamos em 2009.
Sport, Vitória e Náutico eram os times do Nordeste que estavam na série A.
O Bahia estava na série B.

Quantos times de futebol têm um filme longa-metragem sobre ele, um documentário premiado, com duração de 1 hora e 40 minutos?

O Bahia tem.

Veja o que disse um jornal em janeiro de 2013:

Lançado em 2011, o filme ‘Bahêa Minha Vida’ entrou para história. Sucesso de bilheteria, a película é a segunda mais vista entre os documentários que falam sobre clubes de futebol, perdendo apenas para Pelé Eterno, que conta a história do Rei do Futebol. De acordo com dados da Agência Nacional de Cinema (Ancine), 74.857 pessoas viram o filme tricolor nas telonas. A arrecadação foi de R$ 597.579,00.

‘Bahêa Minha Vida’ deixou para trás produções de clubes como Corinthians, São Paulo, Internacional e Santos. O filme fala sobre a paixão da torcida tricolor pelo clube. Dirigido por Márcio Cavalcante, tem 100 minutos de duração. Foram 120 entrevistados, entre jornalistas, jogadores, comentaristas, árbitros, artistas e torcedores. Tudo isso em sete cidades percorridas. Não há narração. Tudo é contado por quem viveu e vive o Bahia.

E o seu hino?

Sensacional!

Incorporado ao dia-a-dia da Bahia, é tocado em festas de aniversário, casamento e batizado.

Qual o carnaval da Bahia em que não se toca o hino do Bahia incontáveis vezes?

Quantos cantores já o gravaram?

A força do seu hino é reconhecida e a sua tradição o faz ganhar cada vez mais força, traduzida na capacidade de fazer a torcida jogar com o time como outras não conseguem.

Força que só cresce e faz aumentar a paixão.

Mas é quando à tradição, força e paixão incorporam-se a sensibilidade, a beleza e a leveza que a alma do torcedor é tocada.

Se a força do hino faz explodir o coração tricolor e agigantar-se a torcida, é a sua beleza que nos aquece a alma.

Fogo, paixão, beleza e leveza fazem com que o hino do Bahia seja único.

E finalmente, a torcida do Bahia é um capítulo à parte.

A Torcida de Ouro, assim eleita em 2010 pela CBF, é respeitada em todo o país.

Eterno líder de público ao longo dos anos, o Bahia conseguiu a façanha de ter 25.121 torcedores como média de público na série C que disputou em 2006, a maior em todas as séries.

Até hoje inigualável.

A torcida do Bahia dispensa comentários.

Como disse uma vez o jornalista Juca Kfouri, no programa Linha de Passe da ESPN:

“Se há algo que deve ser levado a sério nesse país é a torcida do Bahia”

O Bahia é um time único.

O poder da Vênus platinada – Plim, plim

globo-presidente

Por Ronaldo Souza

– Professor, o senhor não vai vestir preto também não?

Fiquei sem entender.

O aluno então me contou que a Globo tinha feito uma convocação para que naquele dia todos saíssem de preto.

Somente aí percebi que alunos e alunas que fazem do branco a sua indumentária do dia-a-dia usavam blusas pretas por baixo daquelas roupas brancas, das quais, no meio do dia, se livraram para fazer selfies.

Soube então que professores e profissionais liberais, que também fazem do branco a sua roupa de trabalho, também estavam de luto.

Meu Deus, que tristeza!

Parecia uma espécie de auto velório.

Era a Globo lançando mais um balão de ensaio, medindo a temperatura daqueles segmentos mais letrados e confirmando:

Estavam no ponto.

Durante aquele dia soube que várias pessoas usaram preto.

Os Eremildos (expressão criada por Elio Gaspari) já foram identificados há muito tempo e não há quem melhor tire proveito disso que a Globo.

Já tive oportunidade de escrever sobre isso algumas vezes e uma delas foi há seis anos, quando falei que William Bonner considerava o telespectador da Globo, particularmente o do Jornal Nacional, um Homer Simpson. Isso foi dito em uma reunião de preparação do referido jornal, na presença de testemunhas seletas; professores de Comunicação (veja aqui The Simpsons).

A mais recente demonstração desse poder foi nas últimas manifestações nas Avs. Paulistas.

Mais uma vez a Globo os conduziu, inocentes e puros, pela Av. Paulista de São Paulo e pelas Avs. Paulistas do Brasil (em Salvador o Farol da Barra, Recife a praia de Boa Viagem, no Rio a Av. Atlântica…).

Os milhares de Cunha, Aécio, Temer, Geddel, Romero Jucá, Renan Calheiros, Serra, Alckmin, Padilha que foram às ruas foram “orientados” a não tocar em Temer.

Quem era o alvo?

Renan Calheiros.

Os Eremildos, que, por razões semelhantes às de Cunha há muito tempo não batiam em Renan, foram autorizados pela Globo a bater.

E lá se foram eles, fantasiados de autênticos brasileiros, com a camisa amarela da CBF, enrolados na Bandeira do Brasil, para as Avs. Paulistas com as faixas de Fora Renan.

Quando a Globo se tocou que entre outras coisas sem Renan ia ser difícil aprovar as medidas protetoras do povo brasileiro – PEC 55 e Reforma da Previdência, já aprovadas – voltou atrás e Renan Calheiros não só permaneceu no cargo de presidente do Senado como está aprovando tudo em tempo recorde, como por exemplo o orçamento do governo para 2017.

Claro, tudo sob a legalidade conferida pelo STF, o Supremo Tribunal da Farsa.

Os Eremildos voltaram a ser todos Renan. Como já tinham sido Cunha.

Imagino como devem se sentir envaidecidos os profissionais liberais, professores, executivos, por fazerem parte dessa nata com tantas pessoas diferenciadas, sob o comando da Vênus platinada.

Veja o tamanho deles segundo o marqueteiro que fez João Dória Jr. ser eleito prefeito de São Paulo.

Marqueteiro de Doria diz que gestão Haddad foi das melhores de SP e que forjou imagem de trabalhador de seu cliente

doria-trabalhador-png

Por Kiko Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

“O maior pecado, depois do pecado, é a publicação do pecado”, escreveu Machado de Assis.

Sheilinha Couto fez um relato interessante em sua conta no Google + sobre as eleições para prefeito de São Paulo. O título do texto é “Como enganar os pobres e as classes médias paulistanas através do marketing político”.

Ei-lo:

Verdades incontestáveis…

Como enganar os pobres e as classes médias paulistanas através do marketing político?

Por Sheilinha Couto

Ontem à noite rolou uma palestra sobre marketing político na Semana de Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP. Estavam presentes os profissionais que coordenaram as campanhas de Marta, Russomanno, Haddad e Dória.

O destaque da noite, no entanto, foi Luiz Flávio Guimarães, responsável pela campanha de Dória. Segundo ele, foi relativamente fácil conduzir a campanha, principalmente pela capacidade de se moldar o pensamento da massa acrítica paulistana.

Luiz disse que a gestão Haddad foi uma das melhores que a Prefeitura já teve, que boa parte das políticas feitas pelo prefeito fazem parte de outras realidades, como as europeias, e que talvez façam sentido em São Paulo só em 2050.

O modo de reorganizar o trânsito, por exemplo, humanizando-o e dando maior fluidez não faz parte da cultura paulistana, acostumada ao caos, ao transporte individual e às altas velocidades que matam diversas pessoas diariamente. Logo, realizar mudanças de paradigmas sem a devida comunicação de massa gera um choque cultural na cidade, facilitando ataques e jargões como a “indústria da multa”.

O comunicador apontou, também, o ódio ao PT que cega as pessoas. Para ele, os veículos de comunicação falam mal do PT durante a manhã, a tarde e a noite. Isso acaba por gerar um desconforto no imaginário da população, fazendo com que suas convicções as ceguem. Logo, não importa se Haddad tenha sido um ótimo prefeito, pois o ódio ao partido falará mais alto na hora da escolha.

Outro ponto importante foi a imagem de João Dória que eles conseguiram construir. Luiz disse que a imagem de um empresário é muito impopular. O fato de Dória ter nascido em berço de ouro e seu patrimônio ser fruto de heranças não é algo que geraria uma identificação na massa.

Logo, era necessário enaltecer os pontos positivos e contornar os pontos negativos: “vamos dizer que ele é um sujeito bem sucedido (afinal ele é rico) e vamos passar a imagem de que ele cresceu a partir de seu trabalho – JOÃO TRABALHADOR”.

Assim, toda classe trabalhadora, seja da periferia ou do centro expandido, acabou por se identificar com o perfil de um trabalhador que empreendeu e subiu na vida.

Poderia destacar diversas outras falas que comprovam o quanto a alienação está presente nos discursos anti-petistas e anti-esquerda. Mas daria um textão maior ainda. Concluo com a necessidade de conscientizar a população, de modo a quebrar tabus e dogmas, fomentando as discussões saudáveis porém bem posicionadas e esclarecedoras, ainda mais num momento de retrocesso político com projetos como a Escola Sem Partido.

Obs: Luiz também já trabalhou na campanha de Lula (1989) e coordenou a de Marina Silva (2014), rs.

Conclusão 1: o paulistano tinha um grande prefeito e o substituiu por uma fraude.

Conclusão 2: não é preciso bola de cristal para saber no que isso vai dar.

Pergunta que não quer calar: como é que um sujeito como Luiz Flávio Guimarães consegue dormir?