“Tiramos um governo ruim e ‘parece’ que botamos um pior”

globo-e-mentes

Por Ronaldo Souza

A busca da serenidade é um exercício diário.

Não é tão simples ser sereno.

Ver e ouvir costumam levar à reflexão e esta à reação.

Ocorre que a reação no “calor” da luta nem sempre, diria que poucas vezes é, representa a postura mais recomendável.

Talvez possamos dizer que na maioria das vezes a serenidade aconselha a não reagir de imediato, exceção feita aos momentos em que ela precisa ocorrer naquela hora.

Por exemplo, em debates e simpósios ações e reações têm que ser imediatas e aí também a serenidade tem um peso enorme. Ela ajuda a se controlar contando até 325 antes de reagir a determinadas colocações.

Ouvi a frase que dá título a este texto há pouco tempo.

Dita fora do contexto daquele momento, a sua irrelevância e superficialidade, aproveito e uso uma palavra poucas vezes utilizada, a sua desimportância a deixou solta e perdida no ar.

Talvez se possa explica-la como um daqueles momentos em que o conferencista deseja trazer a plateia para si.

Inserir-se no contexto que parece dominante é para alguns uma necessidade. O contexto aí, claro, é maioria ou próximo dela.

Nada mais confortável do que estar maioria.

Nada mais atual.

Se havia, entretanto, naquele auditório pessoas com algum discernimento, e tenho certeza de que havia, perceberam a fragilidade da sedução.

E certamente a repudiaram.

O que não se percebe nessas horas?

Numa síntese, a ignorância política que se manifesta junto com as palavras ditas.

Desconhecer o que estava e está acontecendo no país e se esconder atrás de algo como “… parece que botamos um pior” é a maior prova dessa ignorância. É possível que o palestrante não tenha percebido a inconsistência contida na frase e por isso se expôs gratuitamente.

Na verdade, apresentou-se como um digno representante de determinados segmentos da sociedade.

Ignoram tudo.

O real tamanho da crise pela qual passa o país, como ela surgiu, como e porque se deu o seu agravamento…

A inconsequência é absurda, porém imperceptível.

Para eles.

Desinformados, ou, o que é pior, mal informados pela visão única que lhes é imposta sobre a realidade dos fatos, não fazem, claro, a menor ideia da responsabilidade que têm em todo esse processo.

Não percebem o alheamento de que são vítimas.

Ele simplesmente ansiou conquistar a plateia ao se inserir no contexto que lhe pareceu ser o reinante naquele instante.

Viver disso, da inconsistência do instante e não da solidez de ideias e princípios, costuma provocar situações de constrangimento, ainda que não se perceba.

No entanto, pior do que a ignorância política exibida, até porque consequência dele, o preconceito que está por traz da frase.

Ao se verem vivendo em centros urbanos importantes, com determinado padrão de vida, tendo acesso ao que há de melhor e mais confortável, imaginam-se superiores e merecedores dessa superioridade.

Os seus filhos frequentam e frequentarão as melhores escolas, os melhores ambientes e serão no futuro, como eles hoje, seres superiores. Também como eles, os pais, os filhos serão defensores da meritocracia, sem nada entenderem do que isso de fato significa.

A manutenção do status quo é a razão de viver.

Dane-se o resto.

Resto onde sobrevivem os inferiores.

Não é fácil conviver com tamanha pobreza de espírito.

Recorro a Álvaro de Campos (um dos pseudônimos de Fernando Pessoa):

“Sufoco de ter somente isso à minha volta”.

O que sabem da vida os doutores?

Às vezes deixam a nítida impressão de que muito pouco.

Ao ouvir aquela frase “tiramos um governo ruim e ‘parece’ que botamos um pior”, acionei o dispositivo que libera a minha dose diária de esforço que me permite ver e ouvir coisas e pessoas desimportantes com o mínimo possível de sensação de tortura.

Tudo em nome da busca da serenidade que me fará, espero, viver melhor os anos que me restam.

A luta não tem fim

pt-e-criancas-brasileiras

Por Ronaldo Souza

Já tinha tomado uma decisão desde o final de 2015.

Retomar as coisas da minha profissão.

Voltar a ela com a mesma intensidade de sempre e viver outra vez dias já vividos.

E tanto fiz que nas minhas férias de final de ano já voltava a escrever alguns textos para o site www.endodontiaclinica.odo.br. Textos que me agradam muito por me permitirem sair das normas mais rígidas das publicações em periódicos. No site fico mais solto, mais leve.

Assim virei o ano.

No entanto, além da necessidade desse retorno havia uma constatação de que algumas coisas tinham tomado um rumo inimaginável até bem pouco tempo atrás.

E essa constatação se deu com mais força ainda quando li uma matéria sobre o Supremo Tribunal Federal, que já há algum tempo deu à sigla STF outro significado; Supremo Tribunal da Farsa.

Naquele momento, como poucas vezes faço, na mesma “sentada” em que li a matéria escrevi um texto e não tive qualquer preocupação em revê-lo quanto a eventuais correções de português. Do jeito que saiu, foi. Do jeito que escrevi postei no jornal GGN, de Luis Nassif. Em nenhum outro lugar foi postado, nem em meu site.

Tinha certeza de que recorreria a esse artigo em um momento futuro.

Portanto, há nove meses, já tinha plena convicção e por isso afirmei que nada mais poderia ser feito que mudasse o que já estava determinado; que iam derrubar Dilma e Lula e o PT não teriam nenhuma chance de exercer os seus direitos de defesa. Seriam perseguidos. Era a guinada da vergonha. Claro, da ausência dela.

O STF, Poder Judiciário e MPF estavam no jogo.

Mesmo com essa convicção continuei indo às manifestações, mas fui diminuindo a frequência com que escrevia os textos e “guardei” este a que me refiro agora. Somente hoje, 12/12/2016, eu o postei no meu site e para confirmar tudo que digo, observe a data de quando foi postado no GGN: 12/03/2016, às 17:10 (leia o artigo aqui www.endodontiaclinica.odo.br/encontro-marcado-2).

Exatamente há nove meses, quando Dilma ainda exercia o direito de ser a Presidenta do Brasil, direito este que lhe foi dado pelo voto de mais de 54 milhões de brasileiros.

Dessa forma, explico a algumas pessoas que me perguntaram durante esse período por que eu tinha parado de escrever sobre política.

Porque simplesmente se havia uma coisa que não existia mais era política.

A discussão que outrora se travava sobre esse tema tinha se transformado numa coisa insana, onde a tônica era o preconceito como algo maior e mais forte, ainda que não assumido por aqueles que, na sua ignorância política, cegueira e interesses diversos, tornaram-se seres abjetos, desprezíveis.

Todas as armas que lhes foram apresentadas foram utilizadas e cinicamente se disfarçaram em combatentes da corrupção.

Muitos desses seres abjetos fizeram e fazem parte do nosso dia-a-dia através do convívio social, profissional e das redes sociais (ah, as redes sociais). Mostraram-se também corruptos nos seus atos e ideias, enfim, na sua concepção de vida.

E agora, com a mesma ignorância política e estúpida cegueira, tentam fugir da responsabilidade, mas também são responsáveis pelo caos que aí está e que vai aumentar.

O combate a essa estrutura controlada por uma imprensa viciada e altamente comprometida, em consórcio com um judiciário e MPF que envergonham a história desse país, aos políticos corruptos contra os quais não se bateu nem se baterá nenhuma panela e a esses seres desprezíveis que circulam entre nós jamais terá fim.

Como cinicamente assumiram que eram todos Cunha, agora assumiram que são todos Aécio, Temer, Geddel, Romero Jucá, Renan Calheiros, Serra, Alckmin e tantos outros que hoje assaltam o país.

São todos corrupção.

Ainda que não na mesma intensidade porque, como disse anteriormente, preciso de mais tempo para exercer as minhas atividades profissionais, jamais terá fim a luta contra todos esses canalhas entreguistas que, juntos na corrupção agora escancaradamente assumida, vendem o país que julgávamos pertencer aos nossos filhos.

Encontro marcado

encontro-marcado

Por Ronaldo Souza

Os ministros do STF irão perder em definitivo o compromisso com o país?

Por que vão discutir a reversibilidade do que decidiram há tão pouco tempo sob o maior entusiasmo da sociedade brasileira, da qual, vê-se agora com clareza, não mais fazem parte?

Vejo quase que diariamente as pessoas dizerem coisas como “serão cobrados pela história”, “a história os condenará”, “entrarão na história pela porta dos fundos” e coisas assim.

Sempre respondo de maneira bem simples.

Só os grandes homens se preocupam com a história.

Citemos protótipos como Aécio Neves, Aloysio Nunes, Ronaldo Caiado e tantos outros.

O laboratório do mundo os deixou de lado ainda na fase de protótipos. 

Abandonados na fase de testes iniciais do projeto Homem, foram rejeitados pela baixa qualidade e ficaram vagando como corpos vazios no Éter, tão polêmico ele próprio, o Éter, quanto à sua existência.

E numa nuvem carregada de dejetos foram cuspidos no Brasil e aqui vegetam.

Deixemos esses, portanto, de lado.

Se a preocupação com o que dirá a história estivesse ao alcance de todos, Fernando Henrique Cardoso teria se transformado nisso que hoje é?

Claro que não.

Ou então, uma possibilidade concreta, Fernando Henrique Cardoso sempre foi o que é.

Trazendo para a sabedoria da linguagem popular, diante da qual o ex-presidente apresenta intensas reações alérgicas, o príncipe sempre foi “lobo em pele de cordeiro”.

Fernando Henrique Cardoso é o melhor exemplo dos homens que não têm compromisso com nada mais além de viver o tempo que lhe foi concedido aqui na Terra.

Será esse descompromisso com o futuro que pertencerá ao passado o caminho daqueles homens do STF?

Mas deixo de lado também essa questão, por considerar que há outra mais importante ainda, que é o que se pode ver e mais do que isso sentir.

É o olhar nos olhos dos filhos.

Assim como os pais muitas vezes se perdem em ações pelos filhos, os filhos tendem a ver os seus pais como referências maiores e tenderão, mesmo que sob dispêndio de energia e esforço, a não ver as “fragilidades” dos pais.

Mas os pais não. Dificilmente escaparão do autojulgamento quando diante do olhar deles.

E para homens de verdade nada pode ser mais cruel que o autojulgamento.

Se é ocorrência somente para homens de verdade, claro que não muitos passarão por ele.

Mas posso quase que assegurar que este momento surgirá na vida de pelo menos alguns daqueles ministros e ministras.

São os encontros do homem com ele mesmo.

Nesse momento, não restará muita coisa.

É assustador imaginar que aquele olhar que ajudará o filho a seguir com força pela vida não existirá.

Diante de tudo isso, não vejo boas perspectivas para Lula, Dilma e PT.

Dilma cairá e Lula ou será preso ou vão “desmoraliza-lo em definitivo”. E o PT não mais será o mesmo.

O STF marcou um encontro com a desonra.

Obs. Este artigo foi postado há exatamente nove meses no Jornal GGN, de Luis Nassif, conforme mostra a data grifada em vermelho na imagem acima. Já estava determinada, até mesmo antes, a guinada da vergonha do STF.

Sou eu?

espelho-1

Por Ronaldo Souza

Reconhecem-me

Minha imagem resplandece

Brilho intenso

What a wonderful world!

Vou ao espelho

Por que não brilho para mim mesmo?

Amigos!!!

Deixei alguns para trás

Tornou-se insuportável vê-los autênticos

Tenho novos amigos

Muitos

Seguidores

That’s my face

Volto ao espelho

E repito de forma incessante

Até o dia que ele aprender como verdade

Eu sou eu, eu sou eu, eu sou eu…

Algum dia me verei de novo?

Os jogadores até que tentaram, mas o técnico não deixou

Escudo do Bahia

Por Ronaldo Souza

Alano é um jogador jovem, 21 anos.

Não é mal jogador, mas parece que tem um problema; sente o peso de estar de cara com o gol.

Sei que a torcida tá pegando no pé dele.

Já que é assim, vamos substituí-lo.

O Bahia entra em campo com Misael.

Quem é Misael?

Um jogador da confiança de Guto Ferreira.

Se não me engano estava parado, sem jogar, em um time qualquer há 300 anos.

Chegou há cerca de um mês.

Completamente sem ritmo.

Dá para colocar um jogador assim numa partida decisiva como essa contra o Londrina?

Ou o Bahia se permite ser um laboratório de experiência nessa altura do campeonato?

O que fez Misael durante quase noventa minutos?

Absolutamente nada.

Juninho jogou muito mal, tinha que ser substituído.

Foi.

Quem entrou em seu lugar?

Renê Júnior.

Outro jogador da confiança de Guto Ferreira.

Se não me engano também estava parado em outro time qualquer (será que o mesmo?) há 300 anos.

Também chegou há cerca de um mês.

Completamente sem ritmo.

Esse era o segundo jogo dele.

Dá para colocar um jogador assim numa partida decisiva como essa contra o Londrina na hora que o time precisava de poder de definição?

Não havia nenhuma outra opção?

Alguém aí pode me dizer se Régis estava no banco?

O que Renê Júnior fez para mudar a qualidade do futebol que o Bahia estava jogando?

Nada.

O que Hernani vem jogando ultimamente?

Ele é insubstituível?

Sai Edgar Júnior, também muito mal no jogo.

Entra Régis.

Ah, então ele estava no banco!

Viva!

Deu a movimentação que o time não teve em nenhum momento do jogo e que estava precisando.

Mas antes ficou vendo Renê Júnior entrar em campo.

Finalmente, sai Misael.

Entra Victor Rangel.

Faltando treze minutos para terminar o jogo.

Dá?

Os jogadores se esforçaram muito, correram muito, brigaram muito.

Um amontoado de jogadores desesperados, empenhados em fazer pelo menos o gol de empate.

Qual foi a chance concreta de gol no jogo?

Nenhuma.

Essa foi a 29ª rodada do campeonato, o terceiro jogo que aquele juiz apitou.

Por que colocar um juiz do Piauí, que fazia a sua terceira partida, para apitar um jogo daquela importância?

Ninguém faz ideia?

Por acaso o Bahia estava em campo?

Alguém aí sabe me dizer se o Bahia renovou o contrato com a Globo ou assinou com o Esporte Interativo?

Apesar de fraca e validar um gol de impedimento que todo mundo viu, mas o narrador e o comentarista demoraram três dias para perceber, não quero falar de arbitragem.

O Bahia mostrou que não sobe para a série A no jogo contra o CRB em Maceió.

Hoje, no jogo contra o Londrina, ele só confirmou.

Soberbos e humilhados

Escudo do Bahia

Por Ronaldo Souza

Ainda que considerássemos possível e aceitável um eventual empate, todos contávamos com a vitória.

Por que então esse amargo sabor de derrota se o possível e aceitável empate aconteceu?

A idolatria que o torcedor de futebol dedica ao jogador de seu time é fugaz e dependente de alguns aspectos. Para ele o que importa é que o seu time ganhe.

Pelo menos assim parece.

Mas não é.

Tanto não é que não são tão poucas as vezes em que os jogadores saem de campo aplaudidos mesmo diante de uma derrota.

Recomenda-se que ninguém imagine que a capacidade do torcedor não vai além de gritar e torcer pelo seu time nas arquibancadas; ele tem a sua sabedoria.

Será que ainda existem torcedores que veem em seus jogadores alguma possibilidade de amor pela camisa?

Ainda se anseia que tenham amor pela camisa?

É no mínimo muito pouco provável. Como tantas outras coisas, o futebol mudou muito.

Mas, respeito sim.

O respeito ao clube e aos seus torcedores deveria ser o mínimo do que se deve esperar do jogador de futebol.

O Bahia e a sua torcida têm sido desrespeitados com alguma frequência nesses últimos tempos.

O que vimos ontem (24/09) no jogo contra o CRB foi um desses momentos, que se transformou num desastre monumental.

Um desastre que extrapola os limites do campo.

Alguém precisa dizer a aqueles jogadores que, se de fato são, ainda não demonstraram ser o que imaginam ser.

Se fossem, ganhariam mais jogos, principalmente fora de casa, quando não contam com a força da torcida e as vitórias têm que sair dos seus próprios méritos e força.

E elas simplesmente não acontecem.

Se fossem, respeitados como são pela diretoria e pela torcida (por esta, até idolatrados), não deixariam o time na situação em que se encontra.

Se fossem, com todos os salários e obrigações do clube cumpridos como poucos outros conseguem fazer, o Bahia seria um dos primeiros colocados.

E por favor, não digam que pagar salários em dia é obrigação do clube.

Não poderíamos, nós torcedores, responder com a mesma moeda, isto é, dizer que ganhar os jogos também seria obrigação deles.

Sabemos que não podemos dizer isso. Não consta em nenhum contrato que os jogadores são obrigados a ganhar os jogos.

Sequer consta que eles são obrigados a ter respeito ao clube e à torcida.

Deveria constar, isso sim, no “contrato” que cada jogador tem consigo mesmo, no contrato que cada um deveria ter com a sua honra pessoal, o respeito por ele próprio.

O que ocorreu ontem em Maceió foi a demonstração clara da falta de amor próprio.

Independente dos erros do técnico Guto Ferreira, já assumidos por ele, o que ocorreu ontem em Maceió foi a demonstração clara de que determinados momentos da vida exigem que, além do profissional, entre em cena o homem.

Uma partida de futebol em que o time joga com um a mais desde o final do primeiro tempo e todo o segundo tempo, ganhando de dois a zero e permite aquilo, deixa de ser um simples jogo de futebol.

Ontem poderia ter sido considerado um acidente de futebol, mas não foi.

Ontem, alguns jogadores do Bahia, mas me dirijo a todo o grupo, foram soberbos.

Entrou em campo somente o profissional que, mesmo diante de circunstâncias inteiramente favoráveis, permitiu que o resultado fosse alterado daquela forma.

Não entrou o homem.

Faltou a consciência típica de quem traz consigo a humildade que identifica que a vitória construída sem base sólida não se sustenta por muito tempo.

Quem não viu que o time não estava jogando bem e se apequenara mesmo diante de um placar favorável, mas que não refletia o jogo?

Quem não viu que o time não estava jogando bem e se apequenara ao ficar esperando pelo final da partida ao invés de, pela sua superioridade técnica, impor o ritmo do jogo?

Não, não foi um empate. Foi uma derrota humilhante.

Se não pareceu ao profissional que esteve em campo, foi para o homem que sequer esteve perto dele.

Para cada um daqueles homens que não entraram em campo, há de ficar uma derrota humilhante.

E não há nada pior do que a derrota pessoal quando esta decorre da falta de amor próprio, do compromisso consigo mesmo.

Os jogadores do Bahia foram merecidamente humilhados pelos jogadores do CRB e isso os fez pequenos.

Se serão homens para reconhecer e transformar isso num aprendizado só o tempo dirá.

Direto ao ponto

Olá pessoal,
Há algum tempo venho encaminhando textos para o site do Bahia.
Não os encaminhei para mais ninguém nem publiquei em lugar nenhum para não criar clima de crise no clube.
Mas a crise já está aí e o Bahia vai precisar de serenidade e competência para sair dela.
Este texto foi encaminhado há dois dias para o gerente de comunicação e equipe de marketing do Bahia e para algumas pessoas.
Com algumas modificações que eram necessárias para posta-lo, aí está.

Escudo do Bahia

Direto ao ponto

Por Ronaldo Souza

Prezado Nelson Barros,

Só agora posso responder à sua mensagem sobre dar um voto de confiança a Guto Ferreira.

Fiz isso desde o início e continuo dando, mas já sem nenhum entusiasmo.

O problema, agora vejo com clareza, vai além disso.

Não sou jornalista esportivo nem político, mas escrevo um pouco sobre futebol e política. Vou corrigir; sobre o Bahia e política.

Já encaminhei textos para vocês que não postei em nenhum lugar.

A razão de agir assim é justamente não ser jornalista esportivo.

Sou torcedor e como tal qualquer coisa que escreva que pode ajudar a tumultuar o ambiente do time não posto em lugar nenhum.

Houve, entretanto, um momento em que escrevi inúmeras vezes com esse objetivo, justamente quando o presidente era Marcelo Guimarães Filho.

No entanto, ali foi outra história, estava empenhado em contribuir com a saída dele do Bahia.

Pelo menos um desses textos foi postado em vários blogs aqui na Bahia e também no Jornal GGN, de Luis Nassif.

Aqui está “O Bahia de ontem com roupa de hoje”.

Você deve ter notado que todos os textos que enviei para vocês sobre a gestão de Marcelo Sant’Ana sempre o preservaram e isso por uma razão bem simples.

Acho ele um cara sério e votei nele.

As críticas que lhe fiz foram mais em função da sua falta de humildade, manifestada em vários momentos, mas agora já existem mais razões para critica-lo.

A incompetência da diretoria, inclua-se aí o presidente, tem se manifestado mais vezes do que gostaríamos.

Para ficar em um exemplo, o vice-presidente, acho que é Pedro Henriques o nome dele, demonstra menos a sua competência e mais o deslumbramento por ser vice-presidente do Bahia.

Os arroubos de arrogância chamam a atenção. Muito hormônio e pouca lucidez.

Sobre isso, ser presidente do Bahia, tenho uma “historinha” que talvez conte um dia.

Estou para escrever um texto (já iniciei, mas parei por falta de tempo) em que falo de alguns erros cometidos pelo Bahia e de oportunismo.

O oportunismo a que me refiro diz respeito à nossa pobre e viciada imprensa esportiva e a membros da oposição no Bahia.

E é justamente por isso que, independente do atual momento de erros e acertos, a torcida tem que tomar muito cuidado com o que está sendo dito e escrito.

Não tenho o hábito de ouvir resenha esportiva nas rádios (com algumas poucas exceções, são muito fracos), mas esses dias procurei faze-lo por duas ou três vezes para ficar mais por dentro do que estão dizendo e fiquei estarrecido.

Há uma só preocupação; bater em Marcelo Sant’Ana e na diretoria.

Nunca vi fazerem isso, por exemplo, com Marcelo Guimarães Filho ou com a diretoria de qualquer outro time.

Mas alguém me advertiu; lembre que foi Marcelo Sant’Ana e a atual diretoria que acabaram com o que ficou conhecido como Caso Jabá, um triste episódio para a imprensa esportiva da Bahia.

Certamente eles não ficaram satisfeitos com a atitude do presidente.

E troco existe para ser dado.

Estão dando.

Está se tornando especialidade da imprensa aproveitar momentos de fragilidade para desconstruir alguém.

De fato, estão perdendo o comando, dentro e fora de campo.

E está difícil negar a relação que isso tem com a inexperiência e incompetência que a diretoria tem demonstrado.

No entanto, se a torcida está insatisfeita com a diretoria, e com razão, que mostre a sua indignação, mas também proteja o seu time.

Vou além.

Vou dizer uma coisa que não sei se vocês vão entender e muito menos concordar. É a opinião de quem vê o Bahia de fora, mas que nem por isso está tão por fora.

Nos últimos anos, pelo menos nos últimos dez, acho que mais até, nenhum técnico fez o Bahia jogar como Sérgio Soares.

Partia pra cima e ganhava dentro e fora de casa.

O que acredito ser uma característica dele é que ele parece ser aquele tipo de treinador “rascante”, exigente, mas que a longo prazo se desgasta com o plantel.

Parece ter acontecido com o Ceará (2014), com grande campanha caindo no final da temporada e com o Bahia em 2015. Todos lembram do que aconteceu.

É claro que ninguém pode imaginar o Bahia o contratando outra vez. A diretoria seria chamada de louca ou até mais. Plenamente compreensível.

Mas, não vejo ninguém melhor do que ele neste momento. Lembre-se que faltam poucos meses para terminar o campeonato. Isto significa que se essa característica que identifico nele for verdadeira não haveria tempo suficiente para que “agora” ela se concretizasse.

Por que digo isso?

Porque Guto Ferreira é Doriva.

O time dele é o mesmo de Doriva.

O esquema de jogo é o mesmo.

A apatia e frouxidão do time são as mesmas.

A falta de qualidade é a mesma.

É um time sem alma.

Há times que se caracterizam por não ter alma e por isso não são chegados a grandes conquistas.

O Bahia sempre foi força, garra, amor, paixão…

ALMA.

Diante disso, anote o que vou dizer.

Temos que contar com a possibilidade (quem sabe, probabilidade) de que alguns times não resistam às dificuldades (limitações no plantel e consequente cansaço físico, contusões, cartões…) de um campeonato tão longo e comecem a mostrar sinais de decadência.

Pode-se imaginar quem corre esse risco.

Se não tivermos essa ajuda, o Bahia não sobe.

E então chegaremos ao final do ano com um dos times mais caros da história da série B e um desempenho medíocre.

E aí, mesmo com os reconhecidos acertos, essa será a marca da atual gestão.

Com a substancial ajuda da lamentável imprensa esportiva da Bahia, que Marcelo Sant’Ana tinha a obrigação de conhecer porque fez parte dela e para ela provavelmente voltará, e o oportunismo de muitos.

É triste, mas parece que as coisas estão tomando esse rumo.

Não sobrou nada

Pensa Lula abandonado'''

Por Ronaldo Souza

O eterno declínio moral de Lula.

O eterno declínio ético de Lula.

O eterno abandono de Lula.

A eterna solidão de Lula.

A eterna caminhada de Lula para a prisão.

Lula líder mundial'

.

Lula lidera pesquisa'

O declínio moral diário de quem não tem moral.

O declínio ético diário de quem não tem ética.

O abandono diário de quem não percebe que se abandona no mundo da indignidade.

A solidão diária de quem não percebe que se isola no mundo da indignidade.

A caminhada diária para o nada de quem nada é.

Não sobrou nada.

De quem manipula.

De quem distorce.

De quem difama.

De quem não se percebe.

Deve ser difícil, muito difícil, perceber-se quando se é muito pequeno.

Jogadores sem honra?

Escudo do Bahia

Por Ronaldo Souza

No momento em que escrevo este texto não estou na Bahia. Aproveitando para relaxar um pouco, só voltarei na segunda feira.

Não assisti ao jogo do Bahia contra o Ceará, mas procurei me informar com quem viu.

Ando (quem não anda?) irritado com a apatia do time e aproveito mais uma derrota para dizer coisas um pouco acima do tom que normalmente usaria.

Há alguns pontos que precisam ser abordados enquanto ainda é tempo.

O torcedor do Bahia já deve estar cansado de ouvir que Bahia e Vasco têm os dois melhores plantéis da Série B e são os mais fortes candidatos para subir para a Série A.

Há quem diga que principalmente do meio campo para a frente o Bahia tem jogadores de Série A e seria superior ao Vasco .

Não há, entretanto, nenhuma relação entre o time apontado pela imprensa e reconhecido pela torcida e aquele que está em nono lugar, oito pontos atrás do outro apontado como um dos favoritos ao título, o Vasco.

O time não anda.

Todos que chegaram recentemente usam “o projeto do Bahia” como a grande razão para terem vindo.

Há muito tempo não vejo jogadores profissionais tão encantados com o projeto de um clube.

É algo incomum.

Confesso que estou louco para conhecer esse projeto, pelo qual todos se apaixonam.

Por coincidência ou não, informações dão conta de que esses mesmos jogadores estão ganhando mais do que muitos (ponha muitos nisso) jogadores da Série A.

Não sei que tipo de associação poderia ser feita entre esse detalhe e o encantamento desses jogadores com o projeto do Bahia.

Vocês não acham que está tudo muito estranho?

Observemos alguns jogadores.

Jackson é um dos recém contratados.

Há algum tempo o Bahia não tem um zagueiro como ele.

É de fato um grande zagueiro.

Sério, está jogando futebol de muita qualidade e se mostra consciente do que é jogar num clube de Série A, um bicampeão brasileiro, com uma torcida que dispensa comentários.

Ainda que de vez em quando surjam notícias de interesse de outros times por ele, o que pode contribuir para as naturais oscilações de um jogador, não há como negar que Hernane é outro que tem compromisso com o time e a torcida que o contrataram.

Tiago Ribeiro é outro grande jogador, muito bom de bola, talvez o mais técnico do time.

Mas já passou da hora de mostrar esse futebol. Até agora ele está muito abaixo do seu potencial.

A torcida já está bastante incomodada com a sua apatia.

Outro jogador de grande potencial, mas que não tem se mostrado nem um pouco preocupado em corresponder às expectativas, é Renato Cajá.

Hoje, Renato Cajá é a grande esperança, o grande jogador, o grande maestro, que em todos os jogos é substituído.

A torcida começa a ver como cada vez mais real a possibilidade de que Cajá, como Tiago Ribeiro, não vai passar disso que está aí.

São jogadores que entram em campo e jogam.

Se ganharem, ótimo. Se não ganharem, nada muda.

Sabem que em nada serão afetados.

Estão jogando em um time que tem um “projeto apaixonante” e lhes paga altos salários em dia.

O jogador de futebol, como qualquer outro profissional, pode achar que não era exatamente ali que gostaria de estar.

Ocorre que ele tem um contrato a cumprir e qualquer bom profissional tem como princípio maior honrar esse compromisso.

Portanto, em primeiro lugar é uma questão de honra, algo próprio de cada um.

Não buscar respeitar esse compromisso é desonrar a si próprio.

Relembremos aquele “desabafo” de Hernane no vestiário após o jogo contra o Tupi, quando fez questão de tirar dos ombros de Doriva a responsabilidade pelo fracasso do time.

Hoje tenho a forte impressão de que, ao dizer aquilo e trazer a responsabilidade para eles próprios, Hernane estava dando um recado a alguns jogadores do time.

Não parece difícil a essa altura imaginar para quem.

Sem entrar no mérito da questão, Doriva foi afastado e por dois jogos o time esteve sob o comando de Aroldo Moreira, técnico da base.

Dois jogos, duas derrotas.

Com todo respeito ao Tupi, o Bahia podia ter jogado sem técnico. Dada a flagrante superioridade do time, não podia perder nas condições em que perdeu.

Agora é a vez de Guto Ferreira, o novo técnico do time.

Se eu pudesse, diria a ele.

Abra os olhos. 

Você está lidando com alguns jogadores que talvez desconheçam o significado de honra pessoal e quando não há honra nada mais há.

Se eu pudesse, também diria a esses mesmos jogadores:

Cuidado, paciência tem limite.

Ainda mais quando se trata de uma torcida apaixonada e marcada pelo que lhe fizeram ao longo desses últimos anos.

As reações são imprevisíveis.

E nunca é recomendável estar por perto de uma torcida apaixonada quando ela está prestes a atravessar a tênue fronteira entre a percepção e a convicção.

Como não posso falar nem com o técnico nem com os jogadores, só me resta aguardar o que está por vir.

GASPARI: TEMER PEDALA DEBAIXO DE APLAUSOS

Élio Gaspari, renomado jornalista da Globo, Veja e Folha, homenageia os Eremildos.

O poeta Carlos Drummond de Andrade chamava de “Inocentes do Leblon”.

Temer e Gaspari

Segundo o jornalista, em crítica feroz ao governo do vice interino, povo está encantado com a desenvoltura com que Temer pedala, dentro da lei e debaixo de aplausos; ele questiona o refresco na dívida dos Estados, que deixa rombo de R$ 50 bilhões nas contas da União: “Quando disseram a Eremildo que a maior parte da dívida estava com São Paulo, Rio e Minas Gerais, enquanto o Piauí nada devia, ele achou que isso era conversa de petista mentiroso. Era verdade, ele não entendeu, mas conformou-se. Afinal de contas, é um idiota”

Por Élio Gaspari, via Brasil 247

O Jornalista Elio Gaspari, em sua última crônica envolvendo o personagem Eremildo, o Idiota – uma alusão à massa ignara do Brasil –, diz que o vice interino Michel Temer continua a ter um apoio imotivado.

Segundo o jornalista, “o cretino tem uma bicicleta, sabe que as pedaladas fiscais da doutora Dilma tinham um ingrediente de maquiagem contábil e está encantado com a desenvoltura com que Temer pedala, dentro da lei e debaixo de aplausos”.

Gáspari faz uma crítica feroz à negociação de Temer para refrescar a dívida dos estados, aliviando para maus pagadores como Rio, Minas e São Paulo, enquanto indigentes como Piauí já honraram seus compromissos.

Temer “pedalou” a conta dando às unidades federadas uma moratória de seis meses, seguida de um desconto decrescente nas prestações, deixando um rombo de R$ 50 bilhões nas contas da União.

“Quando disseram a Eremildo que a maior parte da dívida estava com São Paulo, Rio e Minas Gerais, enquanto o Piauí nada devia, ele achou que isso era conversa de petista mentiroso. Era verdade, ele não entendeu, mas conformou-se. Afinal de contas, é um idiota.”