A pobreza da alma

Carmem Lúcia

Por Ronaldo Souza

“A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las”.

Essa frase é de Aristóteles.

Apesar da imensa verdade contida nela, poucos a têm na sua real dimensão.

Olhe ao lado que você verá inúmeros exemplos de homenageados que nenhum mérito possuem, mas aceitam as homenagens e não só as imaginam verdadeiras como as transformam na razão de ser.

Muitos imaginam que corromper é o ato de comprar alguém e para que assim seja considerado o dinheiro está presente.

Há os que compram, corruptores, e os que são comprados, os corrompidos.

Ambos são corruptos.

Entretanto, ver a corrupção somente sob esse prisma é um equívoco.

A corrupção se dá de diversas formas e muitas vezes sem dinheiro, pelo menos diretamente.

Como em outras situações que não envolvem dinheiro, a sedução é um ato de corrupção.

Corromper a alma de alguém é uma forma de crime.

Ao conferir o prêmio “Faz Diferença” (2014), espécie de homem do ano, a Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, a Globo não fez outra coisa que não o seduzir.

Presidente do STF à época, Joaquim Barbosa foi peça fundamental no julgamento do que ficou conhecido como Mensalão.

O Mensalão é uma obra particularmente da Globo.

Os outros órgãos de imprensa foram meros coadjuvantes e sequer foram capazes de perceber que era não só um mecanismo de manutenção do poder, mas, sobretudo, de salvação da Globo.

Abril (Veja), Estadão, Folha, Band… estão todos falidos, mas diante do momento atual, cujo início se deu no Mensalão, é possível que ainda respirem por algum tempo. A Globo, que já enfrentava dificuldades incontornáveis (a sua audiência não para de cair, o que começa a afastar alguns patrocinadores), jogou todas as suas fichas no golpe.

Claro que agora terá tempos compensadores.

Depende dos rumos, ainda não completamente definidos, que o país tomará.

O que representa Joaquim Barbosa hoje para a Globo?

Absolutamente nada.

Alguém consegue imagina-lo, como há algum tempo, candidato à presidente do Brasil?

Vive hoje dando palpite pelo twitter, muitas vezes criticando (sem perceber?) coisas que tiveram início com ele.

Na sequência, veio o juiz Sergio Moro.

O “Faz Diferença” de 2015, o homem do ano.

Uma alma pequena, com limitações evidentes, mas obcecada na sua determinação.

Quando se juntam esses ingredientes, pode-se detonar uma bomba de efeitos imprevisíveis.

Aceso o pavio, a perda do controle é algo com que se deve contar.

E a vaidade costuma ser o pavio a ser aceso.

As limitações do universo do juiz, recorrendo a uma expressão usada por um dos seus assessores, o procurador Daltan Dallagnol, são de clareza solar.

Por outro lado, vaidade e oportunismo sobram.

E surge nesse universo a ministra do STF, Carmen Lúcia.

Em entrevista recente a ministra soltou essa pérola:

“Outro dia eu falei com um juiz do trabalho, que disse: ministra, mas a senhora não acha… Primeiro, eu não acho, eu voto, eu decido. Ele disse: eu estava falando para florear, para a senhora não ficar de mandona. Não, meu filho, eu obedeci a Madre Superior, minha mãe, meu pai, namorado, professor, agora eu mando. Adoro mandar. Eu mandei, cumpra. Mulheres, depois que passa dos 50, a gente gosta mesmo é do sim senhora, não é do eu te amo. Se tiver o eu te amo junto, aí isso é um Deus. Sim senhora e eu te amo, aí é realização total”.

Meu Deus!!!

Apesar de alguns paradoxos, vivemos um momento em que cada vez mais homem e mulher buscam caminhar lado a lado.

Aquela história de que “atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher” pertence ao passado e soa hoje tão pobre que os homens, pelo menos os que têm alguma sensibilidade, já não a dizem.

Num momento em que as mulheres cada vez mais conquistam espaços até pouco tempo inimagináveis e se manifestam com inteligência, sensibilidade, conhecimento e bom senso, vem uma mulher, ministra do Supremo Tribunal Federal, e nos apedreja com tamanha insensatez.

E joga a mulher brasileira, que podia se imaginar representada por ela em um dos mais elevados e importantes cargos da República, para o lugar que há anos ela, mulher brasileira, vem lutando para deixar para trás.

Sem dúvida, um dos maiores absurdos e das coisas mais patéticas que se pode imaginar nesse sentido.

Pobreza de espírito, absoluta falta de bom senso e carências em níveis preocupantes se juntaram e constituíram uma alma; a da ministra.

Por que ela aqui?

É que mal começava o ano e o Brasil já tomava conhecimento de quem seria o “Faz Diferença” de 2016.

E dessa vez o destaque não era para um homem e sim para uma mulher.

Em janeiro deste ano a Globo anunciou que Carmen Lúcia receberia o prêmio “Faz Diferença” de 2016.

Ou seja, no primeiro mês do ano a Globo disse ao Brasil que a ministra Carmen Lúcia seria a mulher do ano.

Em março, terceiro mês do ano, ela recebeu o prêmio.

Carmen Lúcia Moro Barbosa

Foi a primeira vez que vi alguém receber as honras pelo que ainda poderá ser.

A varinha de condão da Vênus Platinada adquiriu o poder de prever o que serão as pessoas.

Vamos entrar agora em julho, sétimo mês do ano.

Alguém é capaz de mostrar decisões, grandes gestos, tomadas de atitude, qualquer coisa que justifique um prêmio tipo “Faz Diferença”, algo que corresponde ao título de mulher do ano?

Simplesmente não há.

A resposta para tudo isso é simples, bem simples.

Já se sabe desde o ano passado que em setembro deste ano, 2016, a ministra Carmen Lúcia será eleita presidente do Supremo Tribunal Federal.

Pode-se ver assim que a varinha de condão da Globo é… vamos chama-la de danadinha de esperta.

Podemos chama-la também de sedutora de almas frágeis.

Uma varinha de condão que não prevê.

Visa.

O que ela visa?

Recapitulemos.

Em 2014, o homem do ano foi o presidente do STF, Joaquim Barbosa, sobre quem são desnecessários comentários a respeito do seu papel no Mensalão.

Em 2015, foi o juiz Moro. Economizemos tempo.

Em 2016 poderia ser o presidente do STF, no caso Ricardo Lewandowski.

Sem chance.

Ainda que de todos os citados seja o único com grande reconhecimento no meio jurídico e acadêmico.

Por alguma razão a Globo viu méritos em Joaquim Barbosa e Moro que não conseguiu ver em Lewandowski, atual presidente do STF.

Escolheu então a que ainda vai ser.

Você acha que ainda precisa de alguma explicação?

Alguns perguntariam de outra forma; precisa desenhar?

Rendo-me à varinha de condão da Globo que desde o ano passado já sabia da mulher que iria “fazer a diferença” em 2016.

Rendo-me e diante da frustração por ainda não ter percebido qualquer coisa que a justifique, começo a imaginar que a Globo deve ter feito uma previsão de que ela será a mulher do ano entre outubro e dezembro deste ano, quando estará presidente do STF.

Recorro a Fernando Pessoa:

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

Somente almas pequenas sucumbem tão facilmente aos encantos das homenagens.

É possível que o homenageado se sinta em harmonia com o mundo.

Estar em harmonia com “todos” deve dar essa sensação.

Ainda que a consciência tenha outro olhar e não concorde.

Mas ela não vai lhe dizer.

Já percebeu que há algum tempo você não a ouve mais.

A cultura do estupro mental

Cultura do estupro 1

Por Ronaldo Souza

Há poucos dias veio à tona um tema muito importante para a sociedade, apesar da sua torpeza.

A cultura do estupro.

Algumas postagens sobre o tema que estavam próximas à que eu tinha acabado de fazer não me escaparam.

Mesmo já me considerando um pouco acostumado com o nível, morri de vergonha e tive muita pena das pessoas que postaram.

No entanto, tive particularmente muita pena de suas mulheres.

Em uma o jovem mancebo (como diriam os antigos escritores), do alto da sua sabedoria e sensibilidade, num tom sarcástico perguntava:

“Alguém pode me explicar o que é cultura do estupro? ”.

E vomitava mais algumas preciosidades.

O outro majestosamente completou, certamente recorrendo à sua rica formação de nível superior:

“Nunca aprendi isso em nenhuma escola. Nunca vi ensinar isso em nenhuma faculdade”.

Acabavam de cometer mais dois estupros ao bom senso e desnudavam a ignorância e incapacidade de perceber a dimensão dos seus próprios gestos e atos.

Não sei porque, veio-me a possibilidade de que devem até se conhecer e que talvez tenham frequentado ou frequentem os mesmos ambientes.

Não precisavam ir longe.

Bastava que tivessem alguma capacidade de perceber quem é o ídolo deles.

Cultura do estupro Bolsonaro

Percepção é algo intimamente associado à capacidade mental.

A percepção em Psicologia, para dar um exemplo, submete-se a algumas exigências.

Veja o que li em um breve texto sobre o assunto.

 “A percepção tem duas etapas, a sensorial e a intelectual. As duas se complementam, porque as sensações não proporcionam uma visão real do mundo, e devem ser trabalhadas pelo intelecto”.

 Observe que as sensações do dia-a-dia exigem um trabalho intelectual para a sua metabolização.

As pessoas simples, entenda-se simples como alguém cujo horizonte intelectual é menor, dada a visão mais curta costumam não perceber aquilo que está fora do seu alcance.

Quando Carlos Costa Pinto (Museu Costa Pinto) disse que “a felicidade do homem está em nascer burro, viver ignorante e morrer de repente”, mostrou toda a sua lucidez.

A ignorância à qual ele se refere significa justamente isso, a incapacidade de ver aquilo que está além da visão de pouco alcance.

Um ditado popular define bem isso:

“O que os olhos não veem, o coração não padece”.

Por isso essas pessoas são felizes.

Nos últimos tempos têm sido muitos os momentos em que a ausência de percepção tem se manifestado e vários seriam os exemplos.

Fiquemos com um que parecia estar ultrapassado.

Naqueles episódios em que as pessoas ligadas ao PT eram hostilizadas até em funeral, ficou famoso um em que um advogado, Danilo Amaral, interrompe o jantar dos presentes para “prestar uma homenagem” a Alexandre Padilha, médico, então Ministro da Saúde do governo Dilma.

Uma cena deprimente.

Há ambientes que você não precisa entrar para saber que as sinapses neuronais de alguns dos seus frequentadores não se dão nos melhores níveis fisiológicos.

Aquele restaurante é um deles, da mesma forma que outros o são.

O advogado e seus amigos fizeram a festa em cima de Padilha.

Ali estavam homens sérios e dignos fazendo o bom combate a aquele governo único em corrupção.

Dali sairiam alegres e saltitantes para um próximo domingo de manifestações contra a corrupção com as suas camisas amarelas da CBF e cantando o Hino Nacional.

Mas…

Hoje vemos que aqueles mesmos políticos que apontavam o dedo da corrupção para o PT assumiram o governo.

Sob o comando de Eduardo Cunha, o grande maestro.

Todos envolvidos em escândalos de corrupção, já conhecidos de outros carnavais.

Com eles, as pobres almas que vagueiam vida afora e que se deixam levar pela música de uma nota só da imprensa brasileira, como na lenda do canto do cisne, conduzidas como cordeiros para o sacrifício final:

O absoluto analfabetismo sócio-político.

Cultura do estupro mental

O advogado Danilo Amaral, protagonista do vídeo, é só uma das ferramentas das quais dispõem os pastores para conduzir a manada.

É apenas e tão somente mais um corrupto que, como os demais, tira proveito da situação.

Mas a ele coube também outro papel, mesmo que involuntário; expor o que é a manada.

Pobres andarilhos perdidos pelos caminhos da ignorância.

Como esperar que percebam a cultura do estupro se são vítimas da cultura do estupro mental?

Alguém viu Moro por aí?

Moro esquecido

Moro não sumiu: foi sumido

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Moro sumiu.

Ou melhor: foi sumido.

Como as pesquisas do Datafolha e do Ibope, tão frequentes na desestabilização do segundo mandato de Dilma, Moro saiu do ar.

Ou, de novo: foi saído.

Você tira duas conclusões daí:

1) Moro, sem o circo da mídia, não é nada. A mesma coisa aconteceu com Joaquim Barbosa, hoje reduzido a um tuiteiro que tenta ganhar a vida com palestras.

2) Para despertar interesse da imprensa, a Lava Jato tem que mirar em Lula, Dilma e no PT em geral. Delações como as de Sérgio Machado são tratadas como assunto de segunda ou terceira classe pelos coroneis da mídia e seus fâmulos.

Moro e a Lava Jato têm apenas um propósito, para a plutocracia e sua voz, a imprensa: minar o PT. Se possível, exterminar.

Por circunstâncias que escaparam ao controle dos golpistas, as delações — sobretudo as de Machado — fugiram dos suspeitos de sempre, os petistas. Coisas infinitamente menos pueris que pedalinhos apareceram no caminho, mas foram previsivelmente subestimadas ou mesmo ignoradas por jornais e revistas.

Está claro que, fora do mundo de fantasia criado pelos plutocratas, o partido menos corrupto entre os grandes que estão aí é exatamente o PT.

Os demais, a começar pelo PSDB, puderam roubar com a voluptuosidade típica dos ladrões que sabem que não sofrerão castigo.

Mas não foi para demonstrar isso que a imprensa inflou Moro e a Lava Jato.

A não ser que forneçam novos panelinhos para os Marinhos e congêneres, Moro e os delegados da PF receberão o mesmo tratamento dispensado a Joaquim Barbosa: o esquecimento glacial.

Gilmar Mendes confessa que Dilma não cometeu crime e desmoraliza de vez o STF

Aroeira e circo do STF

Por Ronaldo Souza

Já digo há muito tempo que Gilmar Mendes é um homem imoral.

Tão acintosamente imoral que seria dispensável mostrar isso. Qualquer pessoa com o mínimo de inteligência e sensibilidade percebe sem nenhuma dificuldade.

É um homem sem virtudes.

Você já sabe de quem se trata, portanto, jamais poderá dizer que “não sabia que era assim”.

Você não pode lidar com ele e alegar inocência.

Ninguém tem esse direito.

Entretanto, sob essa perspectiva perversa, não seria uma vantagem enfrenta-lo?

Não é melhor isso do que enfrentar o STF?

O que esperar daqueles “punhos de renda” e sua linguagem cheia de colesterol?

É simplesmente assustador quando se observa o comportamento daqueles senhores e senhoras auto endeusados nas suas togas.

Tendo como compromisso básico ser o guardião da Constituição Brasileira, é pouco provável que se encontre outro momento na história do Brasil em que o STF a tenha violentado tanto quanto nos tempos atuais.

Há quanto tempo vem rolando essa farsa das pedaladas fiscais!

Pegaram Miguel Reale Júnior, um jurista que há muito tempo perdeu qualquer vínculo com o pudor e o amor próprio, e juntaram com um senhor de 93 anos transbordando de ódio, ressentimento e sentimento de vingança, e uma advogada desequilibrada que desonra a classe e forjaram um impeachment.

Um impeachment baseado nas pedaladas fiscais de Dilma Rousseff.

Pedaladas fiscais que, nos mesmos moldes em que a acusam, foram praticadas por FHC, Lula… e a maioria dos atuais governadores.

A começar pelo relator do impeachment, Antônio Anastasia, ex-governador de Minas Gerais e homem de confiança de Aécio Neves.

Enquanto isso o STF respaldava o processo todo o tempo, com absurdas e ridículas tentativas dos senhores e senhoras ministros em manipular a sociedade com o objetivo de dar conotações de impeachment ao mais cínico, deslavado e canalha dos golpes.

Observe, porém, que já usaram de todas as artimanhas possíveis para incrimina-la, com apoio, entre outros, do Tribunal de Contas da União, mas nunca mais falaram das pedaladas.

Ah, o saber popular, como é didático.

“É mais fácil pegar um mentiroso do que um coxo”.

Uma das grandes desvantagens para quem lida com pessoas sem caráter é que mais cedo ou mais tarde elas se entregam.

E entregam os outros.

Deem corda que elas acabarão por tropeçar nas próprias pernas.

E eis que o Sr. Gilmar Mendes, “digno” ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (pobre país o nosso), vem e num momento em que não estava sob o guarda-chuva protetor da imprensa brasileira se deixa trair pelo inconsciente e declara que Dilma não cometeu nenhum crime.

“Se ela também tivesse cometido crime… e ela tivesse obtido 172 votos, ela também não seria processada…”.

Veja.

Ministro, se o processo de impeachment foi aberto por crime de responsabilidade e não há crime, quem está cometendo crime de (ir)responsabilidade contra o país e seu povo?

A resposta correta não seria STF?

“Ao reconhecer que não há crime de responsabilidade de Dilma Rousseff, o Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição Brasileira, comete crime de responsabilidade ao endossar o processo de impeachment contra a presidenta do Brasil”.

Não seria esse o veredito final de uma Corte Suprema Internacional ao analisar o processo de impeachment em discussão?

E o que diz Gilmar Mendes sobre a liminar que ele produziu impedindo Lula de ser nomeado por Dilma e ao mesmo tempo permitiu que oito ministros sob investigação da Polícia Federal fossem nomeados por Temer (três dos quais já caíram e o quarto deve cair essa semana)?

“Eles foram designados pelo presidente em caráter interino, provisório…”.

Pelos próximos três anos???

Não é o mesmo tempo que teria Lula, só que nomeado pelo presidente oficial, eleito pelo povo, e não por um presidente interino?

Alguém pode explicar por que um ministro com a experiência de Gilmar Mendes gagueja tanto diante de perguntas tão simples?

E não é interessante notar que são perguntas que nunca são feitas a ele aqui no Brasil?

De Gilmar Mendes não se pode esperar nada melhor do que isso.

Imaginávamos, entretanto, que do Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte do país, poderíamos esperar uma postura mais decente.

Tola a nossa esperança de que aqueles homens e mulheres ainda tinham alguma dignidade.

As suas togas escuras refletem o sombrio universo do poder que paira sobre o país.

Mas, parafraseando outro membro que envergonha o judiciário brasileiro, não vem ao caso.

PSDB, um partido visceralmente corrupto

PSDB digno

Não sobra um

A maior revelação das delações: o PSDB é um partido visceralmente corrupto

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

A maior revelação das delações é a seguinte: ao contrário do que a imprensa tentou sempre vender aos brasileiros, o PSDB é um partido visceralmente corrupto.

Corrupto e demagógico. O demagogo é aquele que prega o que não faz. O PSDB viveu nos últimos anos condenando a corrupção à luz do sol e, na penumbra, praticando-a freneticamente, com a voracidade de quem sabe que a impunidade está garantida.

Todo mundo sempre soube que o PMDB é um clube de batedores de carteiras. Você vê Sarney na sua frente e automaticamente leva as mãos para os bolsos para proteger sua carteira.

Mas, graças à parceria que sempre teve com a mídia, o PSDB era tido por muitos inocentes úteis como um reduto de homens puros.

Essa mentira histórica ruiu espetacularmente, e é um dos grandes ganhos da crise política que tomou o país.

O que aconteceu com o PSDB, simplesmente, é que a imprensa não publicou sua roubalheira.

A frase que simboliza isso foi pronunciada pelo delator Sérgio Machado: “Fui dez anos do PSDB. Não sobra um.”

Isso poderia estar gravado no túmulo tucano: “Não sobra um”. No jazigo pessoal de Aécio, o epitáfio poderia ser outra frase de Machado: “Todo mundo conhecia seu esquema”.

Uma informação do delator Cerveró pode ser o epitáfio de FHC: “Foi o campeão das propinas”.

O benefício do desmascaramento tucano é imenso para a sociedade. Imagine se o mesmo tivesse ocorrido com a UDN na campanha contra Getúlio. O trabalho sujo de desestabilização contra Jango à base do “combate à corrupção” teria sido abortado.

Nunca mais a plutocracia conseguirá ludibriar os brasileiros com a falácia da corrupção. Ficou claro que ela é a própria essência da corrupção.

Talvez então o país possa debater com profundidade o que é realmente o câncer nacional: a desigualdade.

Não penso, logo…

O pensador de Rodin

O pensador, de Rodin

Por Ronaldo Souza

É realmente chocante o que se vê e o que se vive nesse momento.

E não há como não atribui-lo ao analfabetismo político.

Considerando-se a manipulação e distorção dos fatos que a imprensa exerce todos os dias há anos, seria aceitável e compreensível, não fossem as consequências.

Há pelo menos duas.

A alienação e a canalhice.

Percebe-se sem nenhuma dificuldade que muitos imaginam que questões como o desemprego, por exemplo, representam o desastre maior, ainda que muitos desses muitos não estejam de fato preocupados com a questão.

Ninguém pode duvidar do desastre que é ter níveis altos de desemprego e o que isso pode fazer na vida das pessoas e das famílias.

Discutir essa questão, porém, exigiria uma percepção acima do que se vê nos tempos atuais.

É que entram em jogo o desconhecimento, a incapacidade de analisar, a alienação.

Como discutir isso com eles?

Insistir em falar que estão combatendo o PT para acabar com a corrupção é canalhice.

Da grande.

Tem alienação também, que aqui prefiro chamar de burrice mesmo.

Mas é tão canalha esse argumento que não me permito comenta-lo.

Como discutir questões tão complexas se a alienação e a canalhice juntas constituem um bloqueio intransponível à caixa craniana dessas pessoas?

Como discutir o Brasil que era emprego pleno e como as condições foram forjadas para que se chegasse ao cenário atual?

Como esperar que enxerguem o que estão fazendo com o país?

Como discutir sobre um país que está sendo entregue mais uma vez aos Estados Unidos?

Para onde irão a nossa Educação e Saúde se a lei que obrigava a aplicação de percentuais do Pré-Sal deixará de existir pela simples razão de que ele, Pré-Sal, não será mais nosso?

O Pré-Sal não serve para nada, o Pré-Sal não é o que dizem…

Então por que Serra, PSDB, PMDB… estão com tanta pressa para mudar as leis que o protegem da fúria dos ricos e poderosos e entrega-lo de mão beijada?

E não é como no governo de FHC, quando ele tentou vender a Petrobras.

Agora é à luz do dia, na nossa cara.

Como dizer a eles que Janot e MP, Moro e PF foram aos Estados Unidos e abriram documentos oficiais da Petrobrás para o governo americano?

Como mostrar quem são de fato esses homens?

Como aceitar a proliferação da indústria do vazamento e ao mesmo tempo ver Gilmar Mendes dela se queixar (logo ele!), pelo simples fato de que agora o vazamento não foi sobre as coisas de Lula e do PT, mas sobre PMDB, PSDB e DEM?

Como dizer a eles que a maior chaga, a maior estupidez, a maior vergonha, o maior fracasso da sociedade brasileira é a absurda desigualdade social.

Como dizer a eles que a desigualdade social voltará a crescer mais ainda, alcançar níveis alarmantes e que a nossa insegurança social deverá chegar a níveis insuportáveis?

Como estaremos nas ruas todos nós, mas principalmente os nossos filhos e filhas quando em pleno gozo da juventude estarão nos bares e restaurantes sempre e eternamente sob o signo do medo?

Teremos que nos esconder cada vez mais ou continuaremos nos exibindo nas redes sociais com fotos de lugares que só nós podemos frequentar?

O que estará nos aguardando lá fora, quando sairmos dos lugares que só nós podemos frequentar?

Como discutir desigualdade social com quem está feliz da vida e acha que viajar para os Estados Unidos ou Europa e postar fotos em Paris representam o sonho maior da vida?

“Penso, logo existo”.

Esta frase é de Descartes.

Ocorre que a reflexão traz consciência.

E consciência é risco.

É assustadora a antológica frase de Carlos Costa Pinto:

“A felicidade do homem está em nascer burro, viver ignorante e morrer de repente”.

 

 

 

 

Carta aberta a Dilma

Dilma elegante

Invencibilidade moral

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Cara Dilma:

O que mais me impressiona no drama que você está enfrentando é sua força moral, sua invencibilidade espiritual.

Montaigne escreveu que o real teste da estatura de alguém é sua atitude diante da morte. Sócrates tomou a cicuta consolando seus discípulos. Sêneca cortou os pulsos, a mando de Nero, consolando também seus discípulos.

Força na adversidade. Quantos de nós temos isso?

Não deram a você cicuta e nem uma lâmina para se sangrar até a morte, mas não foi muito diferente disso quando se pensa no universo da política.

E você reagiu com bravura extraordinária. Seus algozes certamente imaginavam que você iria se vergar para facilitar seu trabalho sujo, mesquinho, indecente. Isso jamais aconteceu.

Percebe-se, agora, como foram duros seus breves dias no segundo mandato. A seu lado, um traidor que tramava enquanto produzia mesóclises ancestrais.

Pouco adiante, no Congresso, dois tipos abomináveis. Um deles, Eduardo Cunha, fazendo seu jogo criminoso para derrubá-la enquanto ganhava dinheiro imundo.

Outro, Aécio Neves, um playboy inútil e corrupto, se comportava como um perdedor desprezível, pusilânime, destituído de caráter, honradez e coragem para lidar com a derrota.

Por cima de tudo, pairando como um corvo sobre a democracia e sobre o país, a mídia plutocrata. Os Marinhos, os Frias, os Civitas — os coroneis da imprensa massacraram você desde que anunciada sua vitória para um segundo mandato.

Jamais entendi como você, e aqui vai um reparo que fiz várias vezes, continuou a encher de dinheiro público os bolsos de seus algozes. Caberá aos historiadores do futuro elucidar por que a TV Globo, ano após ano, continuou a levar 600 milhões de reais de seu governo, assim como ocorrera com o seu antecessor.

Mídia nenhuma é obrigada a apoiar ninguém. Mas governo nenhum também é obrigado a anunciar em veículos que, no seu entender, mentem, manipulam, inventam, distorcem todos os dias, todas as horas.

Os 54 milhões de votos que a senhora teve lhe deram autoridade plena para comandar as verbas de publicidade federal. É um dos direitos sagrados de quem vence eleições presidenciais.

Os bilhões torrados em empresas como a Globo e a Abril, a senhora há de concordar, teriam sido infinitamente mais bem empregados para construir escolas, hospitais, portos, estradas, casas populares e por aí vai.

Na história moderna brasileira, a torrencial publicidade do governo serviu apenas para selar um pacto entre políticos corruptos e conservadores e os donos das companhias jornalísticas. Você me enche de dinheiro e eu dou cobertura amiga para você: este o pacto.

Nem Lula e nem a senhora mudaram isso. Uma pena, uma desgraça e, para mim, também um mistério.

Mas de volta ao sítio que lhe impuseram.

Por último, se tudo que foi exposto acima não bastasse, vieram Moro e sua Lava Jato dispostos a erradicar não a corrupção, como se vê pela tranquilidade com que Cunha se movimentou até que os suíços — repito: os suíços, não os delegados da PF — provassem cabalmente o tamanho da sua ladroagem e a enormidade de suas mentiras.

A plutocracia a imobilizou e, suprema canalhice, a acusou depois de imobilidade.

Getúlio meteu uma bala no peito sob um cerco parecido. A senhora decidiu combater o bom combate.

A história haverá de reconhecer o que homens corruptos tentam de todas as formas negar-lhe.

Com admiração.

Paulo

“Eu sou a voz da mulher negra e da mulher nordestina…”

Tia Eron e Cunha 20

Por Ronaldo Souza

A frase título deste texto é de “Tia Eron”, como é conhecida a deputada pelo PRB da Bahia.

Não, “Tia Eron”, não acredito, aliás, não vejo a menor possibilidade de que a senhora represente nem a mulher negra nem a mulher nordestina.

Vejo em ambas, negra e nordestina, uma dignidade que por mais que me esforce não consigo ver qualquer coisa que as aproxime da senhora.

Negros só se fazem representar por negros, não por quem tem a pele negra.

Há quem diga que o negro também é racista porque alguns rejeitam os brancos.

Análise rasa e esperta.

Quantos poderiam ter a sua alma marcada pela história de algo tão cruel e desumano como a escravidão que, como toda e qualquer forma de exploração e humilhação, torna-se repugnante e ultrajante aos mais elementares princípios da dignidade humana, e não experimentar algum sentimento de mágoa e rejeição por determinados padrões?

Quantos conseguiriam não se deixar marcar na alma por viver humilhado por gerações inteiras e reagir como se nada tivesse acontecido?

Chico Anysio, nordestino do Ceará, dizia que carioca não é só aquele que nasce no Rio. Segundo ele, existiriam “cariocas” nascidos em outros estados.

É claro que Chico Anysio se referia a aquilo que chamam de “espírito” do carioca.

Sem fazer juízo de valor, pego carona nessa forma de pensar para dizer que conheço nordestinos que não nasceram no Nordeste.

Respeito-os e muito.

Da mesma maneira, conheço os que gostariam de não ter nascido aqui.

Alguns dos quais, sem perceber (geralmente é assim), deixam isso claro. Há neles um desejo e necessidade de se sentir igual.

Viaje pelo Nordeste e verá que os nordestinos os identificam.

A esses diria que o nordestino também só se faz representar pelo nordestino.

Tia Eron, na verdade a senhora não representa nenhuma mulher.

No voo 3437, da TAM, a senhora e o deputado Jutahy Magalhães Jr. (PSDB-BA) mandaram deter 73 mulheres da Bahia, que seguiam para a IV Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, por se manifestarem contra o seu voto a favor do golpe contra Dilma Rousseff (uma mulher), quando fez fila ao lado de machões grotescos e grosseiros que tudo fazem, menos respeitar a mulher.

Aliás, Tia Eron, a senhora vive ladeada por esses homens. Pergunte às mulheres o que pensam deles.

Não “Tia Eron”, a sua voz, cheia de trejeitos e falsetes que se incorporaram à sua personalidade para faze-la chegar onde chegou, não “é a voz da mulher negra e da mulher nordestina”.

Na verdade a senhora é uma ofensa a elas.

Um dia ainda ouvirei delas próprias, mulher negra e mulher nordestina, o que acham da sua pretensão de se dizer representante delas.

Após descobrir que os 100 maiores captadores da Rouanet são tucanos, Moro manda parar investigação

Aécio e Rouanet

“Inocentes do Leblon”

Por Ronaldo Souza

Você notou que ninguém mais fala da Lei Rouanet?

A matéria abaixo é mais uma reportagem que dedico aos coxinhas-trouxinhas-escondidinhos.

Faço uma pequena observação.

Descobriu-se depois que os valores da Globo são bem maiores do que esse que aparece aí embaixo.

Globo captou, pela Fundação Roberto Marinho, R$ 147 milhões na Lei Rouanet

Bato palmas de pé para o seleto e privilegiado clube dos bem informados senhores e senhoras com formação de nível superior.

Por falar nisso, já perguntou alguma vez se eles sabem o que é Lei Rouanet?

Não faça isso não.

Moro barra ofensiva da PF sobre os 100 maiores da Lei Rouanet

No Estadão

O juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, mandou anular nesta sexta-feira, 3, o pedido da Polícia Federal ao Ministério de Transparência e Gestão para levantar os 100 maiores receptadores/captadores de recursos via Lei Rouanet, divulgado pelo Estado nesta manhã.

Moro barra Rouanet

O magistrado apontou em sua decisão que a apuração “se pertinente”, deve ser feita em um inquérito à parte na Lava Jato e com “objeto definido” para evitar tumultuar a investigação. Ainda de acordo com Moro, a solicitação precisa antes de uma autorização judicial dada por ele. O ofício encaminhado na segunda-feira, 30, ao Ministério foi repassado diretamente pelo delegado Eduardo Mauat, da força-tarefa da Lava Jato.

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A Lei Rouanet foi criada no governo Fernando Collor (PTC/AL), em 1991.

A legislação permite a captação de recursos para projetos culturais por meio de incentivos fiscais para as empresas e pessoas físicas. Na prática, a Lei Rouanet permite, por exemplo, que uma empresa privada direcione parte do dinheiro que iria recolher gastar com impostos para financiar propostas aprovadas pelo Ministério da Cultura para receber recursos.

O delegado da PF pede ao Ministério da Transparência que detalhe os valores recebidos pelos 100 maiores beneficiários naquele período discriminando a origem (Fundo Nacional de Cultura ou Fundos de Investimento Cultural e Artístico), os pareceristas responsáveis por aprovar a liberação de verbas e também se houve prestação de contas dos projetos aprovados.

O pedido do delegado da Lava Jato foi feito no inquérito principal da operação, aberto em 2013 para investigar quatro grupos de doleiros e que acabou revelando um megaesquema de corrupção na Petrobrás e em outras estatais e áreas do governo federal envolvendo as maiores empreiteiras do País. Na solicitação, o delegado não informa quais as suspeitas estão sendo apuradas ou mesmo qual a linha de investigação que possa envolver iniciativas que captaram recursos via Lei Rouanet.

O Ministério da Cultura informou que não foi procurado pela PF.

O mordomo é o culpado?

Por Ronaldo Souza

Já vasculharam a vida de Dilma de tudo que é jeito.

Não sobrou nada que não tenha sido investigado.

No entanto, nada conseguiram encontrar.

A frustração foi então maior do que a devassa.

Até Fernando Henrique Cardoso, em estado de decomposição, do alto de sua lápide disse:

“A Dilma é uma mulher honesta”.

Mas o golpe não podia parar.

E assim chegou ao senado da república.

Lá, ele se consumou.

Àquela altura internacionalmente reconhecida como “republiqueta de bananas”, chegou ao cargo alguém talhado para ser o seu presidente nesse momento.

Temer decorativo

Assumiu o mordomo do golpe.

E com ele a nova ordem.

Por que continuar dando manchetes a Dilma?

Não, vamos “faze-la” morta.

Nenhuma manchete mais

Isolamento total.

Quando a covardia do traidor começou a dar sinais mais objetivos de que o seu isolamento teria que ser ainda maior, teve-se a confirmação de que ela tinha que ser eliminada.

E até a alimentação lhe foi negada.

Dilma estava condenada a passar os poucos dias que lhe restavam enclausurada no castelo do Alvorada, como uma princesa sob o jugo da madastra malvada.

Foram tantos, porém, os desatinos da madastra, que mesmo a opinião publica(da) começou a perceber que era um golpe.

As pesquisas, antes tão abundantes, desapareceram.

No entanto, o jornalista Maurício Dias, de Carta Capital teve acesso a uma que não tinha sido divulgada.

Foi realizada entre 14 e 18 de abril, mas tinha sido “esquecida”

Nela o IBOPE mostrava que a princesa condenada, que andava em baixa, estava recuperando a sua aprovação.

Passou de 18 para 33%.

Para quem tinha chegado a 8% era inesperado.

A nossa valorosa imprensa estava tão preocupada em administrar e salvar o novo país que “não viu” a pesquisa.

Por que agora estão há mais tempo ainda sem faze-las?

As pesquisas não desapareceram.

Estão sendo realizadas, provavelmente mostrando resultados desanimadores para o golpe.

“Onde há fumaça, há fogo”

Surge no ar uma evidência, um sinal, de que as coisas não vão bem para eles.

A manchete de O Globo.

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A manchete é sintomática.

Convido o eleitor/telespectador da Globo a fazer um raciocínio.

A Globo denuncia que Dilma pagou despesas com cabeleireiro com recursos desviados da refinaria de Pasadena.

Ora, ora, gente, viraram a vida da presidenta de cabeça para baixo e não encontraram nada e acham que ela ia pagar cabeleireiro com dinheiro de Pasadena!!!

Meu Deus!!!

Dilma já mostrou todos os recibos dos pagamentos feitos ao cabeleireiro.

“Hoje o Globo montou uma estratégia para atingir a minha imagem, dizendo que especificamente a refinaria de Pasadena pagou as contas do meu cabeleireiro”, disse ela em afirmação que levou a plateia a gargalhar.

“Tenho os comprovantes de que paguei a passagem e serviço de cabelo. Mas o mais interessante é que eles ligam o cabelo com Pasadena. Acontece que Pasadena foi em 2006, e eu fui conhecer o (cabeleireiro) Celso Kamura apenas quatro anos depois”, explicou.

A Globo comete mais uma vez o absurdo de imaginar que todos são “Homer Simpson”, como disse William Bonner sobre os seus telespectadores, aqueles que assistem ao Jornal Nacional.

Como diria, Gilmar Mendes, um dos mais dignos homens desse país.

Des-viar di-nhei-ro de Pa-sa-de-na pa-ra pa-gar cor-te de ca-be-lo!!!

Por que a Globo deu uma mancada tão grande e resolveu trazer Dilma de volta às manchetes?

Será que mesmo os Homer Simpson vão cair nessa?

E por que toda essa pressa agora de antecipar o desfecho do golpe?

O desespero da Globo tem uma razão bem simples.

As gravações de Sérgio Machado escancararam o golpe até para quem não achava que era golpe (acredite, muitos achavam que não era).

A imprensa internacional e grandes personalidades do mundo cultural e artístico dos Estados Unidos, Europa e outras partes do mundo estão condenando e ridicularizando mais ainda o golpe.

A pressão popular está aumentando consideravelmente e as manifestações agora acontecem por combustão espontânea.

Observe como há muito tempo não falam de pedaladas fiscais.

Porque simplesmente não se sustenta o argumento no qual se apoia o que eles tentaram emplacar como impeachment. Só os Homer Simpson acreditaram nisso.

Então têm que arranjar outra razão para condenar Dilma.

Mas pelo amor de Deus, pagar cabeleireiro com dinheiro de Pasadena, é abusar demais da inteligência de todos (de alguns pelo menos).

E, por último, já há senadores ameaçando votar contra o golpe, uma das razões para esconderem as pesquisas.

Na hora em que os senadores souberem que a população já está contra o golpe e principalmente contra o governo de Temer, por que irão bater de frente com seus eleitores?

A Globo perdeu a segurança que tinha sobre o golpe.

A pesquisa do Ibope descoberta por Carta Capital foi realizada entre 14 e 18 de abril, portanto, no período correspondente a aquela noite de trevas na votação da Câmara, 17 de abril.

Temer e o golpe ainda não tinham sido desmascarados, pois ele só assumiu em 13 de maio.

Certamente os resultados das pesquisas mais recentes (e não divulgadas) não estão sendo nada animadores e já estão mostrando esse panorama.

Isso explica a estúpida manchete de O Globo.