A covardia de um traidor

Temer decorativo

Por Ronaldo Souza

Nenhum povo tolera traidores.

A História é e sempre será implacável com eles.

A própria política, já dizia Brizola, ainda que ame a traição, abomina o traidor.

No caso de Temer, a História não o contemplará pela sua insignificância. Mesmo se tratando de um traidor, a História exige um mínimo de importância, talvez possamos dizer, um mínimo de estatura.

Não faltam  razões para se imaginar quão triste será o fim de Temer.

Entretanto, independente das gravíssimas questões pertinentes à traição e traidor, pois revelam a absoluta ausência de dignidade, é impressionante o baixíssimo nível de Michel Temer.

Uma vez que a imprensa esconde o que quer e faz manchetes escandalosas daquilo que lhe convém, na maioria das vezes sem nenhum compromisso com a verdade dos fatos, não sei se já é do conhecimento de todos que Temer bloqueou o acesso ao Palácio da Alvorada, residência oficial do Presidente da República.

É ali onde mora Dilma Rousseff.

O Palácio Jaburu, residência oficial do vice-presidente, fica antes, de tal forma que quem precisa se dirigir ao Palácio da Alvorada tem que passar por ele.

O que fez “o Michel”, como o chama Eduardo Cunha, com a clara intenção de o manter “íntimo” para que não se esqueça de que é ele, Cunha, quem lhe diz o que fazer.

“O Michel” bloqueou a passagem que dá acesso ao Palácio da Alvorada.

Assim, ninguém pode falar com Dilma e quem desejar faze-lo tem que pedir autorização a ele.

Não importa quem seja.

Veja.

https://www.youtube.com/watch?v=9e8dcZknMKs

Nessa recente trajetória de presidente interino, “o Michel” já fez muito daquilo que caracteriza um homem como canalha.

Entre tantas coisas a mostrar a sua baixeza, a demissão de um garçom do Palácio do Planalto.

A razão confessada para a demissão de um simples garçom foi o fato de ele ser… petista.

Um garçom petista solto no Palácio do Planalto sem dúvida representa risco inimaginável à Segurança Nacional.

Ainda por cima, para azar do garçom, ele é negro, pecado pelo qual terá que pagar pelo resto da vida.

A  meta fiscal para 2016 que Dilma propôs e o congresso (letra minúscula mesmo) rejeitou foi de R$ 90 bilhões.

O mesmo congresso aprovou a de Temer.

De R$ 170 bilhões.

Especialistas já demonstraram que ela é absurda e que não guarda nenhuma proximidade com a realidade e necessidade do país.

Quem melhor definiu a questão foi a Folha.

Temer e meta fiscal

Ao dizer que a meta fiscal aprovada “dá para incluir ou retirar custos (e receitas) ao sabor das necessidades políticas“, a Folha não deixa dúvidas quanto ao destino de pelo menos R$ 80 bilhões.

Você é capaz de imaginar qual será?

Mas Michel não para por aí.

A queda do PIB do primeiro trimestre de 2016, divulgada agora em junho, foi menor do que se esperava.

Temer não teve nenhum pudor em considerar o índice divulgado um reflexo favorável de seu governo.

O Brasil lhe daria os parabéns Michel, não fosse o fato de que o senhor assumiu o cargo há três semanas, bem depois do período analisado pelo IBGE no resultado do PIB, que foi de janeiro a março.

Temer e PIB

Um homem capaz de tudo

Mas, quando todos imaginavam que ficaria por ali, que Michel não seria capaz de ultrapassar todas as barreiras da decência, eis que ele surge de novo.

Valente, digno, altivo e no seu desígnio de salvar o Brasil, com a sua espada dourada elimina um ponto fatal para a sobrevivência dos inimigos do país.

Corta-lhes a comida.

Temer corta comida de Dilma 2

Rendem-se todos.

Como enfrentar um homem tão valente, corajoso e digno?

A caixa craniana

Pensa Brasil 34

Por Ronaldo Souza

A caixa craniana é constituída principalmente por ossos ou placas de cartilagem achatadas, formando uma cavidade onde ficam alojados o cérebro e alguns dos órgãos dos sentidos – a vista, o olfato e o ouvido.

Pode-se imaginar a sua importância por desempenhar a função de proteger estruturas tão nobres.

Afeta-la traria consequências imprevisíveis para esses órgãos e talvez aqui possamos dizer particularmente o cérebro.

Fala-se muito em lavagem cerebral.

Ah, como seria bom que se pudesse lavar o cérebro.

Sob o ponto de vista físico não seria interessante?

De lá seriam removidas todas as sujeiras e assim o teríamos, o cérebro, limpo.

Quer coisa melhor, ter cérebros sempre limpos?

Seria como lavar um prato.

Com água e detergente removem-se sujeiras e gorduras e finalmente com água, remove-se tudo, sujeira e detergente.

Sabemos que não é assim.

Apesar de alguns cérebros serem “pratos”, estruturas lisas, planas, sem vida, certamente o cérebro não é um prato.

Não podemos lavar o cérebro

Quando se fala em lavagem cerebral reporta-se, claro, a uma linguagem metafórica.

Estando ali tão próxima do cérebro e sendo protegida pela mesma estrutura que o protege, a vista também pode ser lavada metaforicamente.

Metaforicamente, a lavagem cerebral promove também a lavagem visual.

Isso explicaria porque as pessoas que sofrem lavagem cerebral ficam também com a visão mais curta.

O seu horizonte se torna bem menor.

Até onde se sabe, não cabe à caixa craniana guardar e proteger a dignidade e o caráter.

Até porque estes não são estruturas físicas.

Esses atributos pessoais estão além da questão física e estariam no campo da metafísica, ao considerar o homem na sua inteireza, na sua plenitude.

É uma absoluta perda de tempo falar do site “Pensa Brasil”.

Tudo que ele faz é preparar o espaço onde deveria estar o cérebro para ali plantar as sementes que induzem as debilidades mentais.

Entretanto, segui-los não se trata somente de uma atitude de descerebrados com visão curta e horizonte menor ainda.

As estruturas que iriam além da proteção física, ou seja, as que fariam a proteção do ser pleno, não existem em muitos dos seguidores desse tipo de site.

Desmascara-los é  tarefa fácil, muito fácil.

Veja a absurda manipulação e distorção da notícia do “Pensa Brasil” na imagem lá em cima.

A verdadeira notícia, dada por órgãos de imprensa insuspeitos como a Folha e o UOL quando se trata de Lula e PT, não diz nada daquilo.

Mostra justamente o contrário do que insinua aquele site.

Lula Folha delação

————

Lula, OAS, MP e delação

Lamarck propôs a famosa lei do uso e desuso.

De acordo com ele, um órgão do corpo humano se desenvolve cada vez mais na medida em que é mais usado. Por outro lado, pode atrofiar e até desaparecer caso seja pouco utilizado.

Dignidade e caráter são “órgãos vitais” para a existência do ser humano pleno.

Por desuso, despareceram de suas vidas.

Ainda bem que o segundo postulado de Lamarck, o que fala da lei da transmissão hereditária dos caracteres adquiridos, não se comprovou. 

Segundo a lei, as características adquiridas por uma espécie, em função do uso e desuso dos órgãos, seriam transmitidas de geração para geração, ou seja, hereditariamente. 

A Ciência demonstrou a sua incorreção, principalmente através da Teoria da Evolução das Espécies, de Darwin.

É um grande alívio saber que as futuras gerações não necessariamente sofrerão dessas debilidades.

CORRÊA: REELEIÇÃO DE FHC TEVE PROPINA GENERALIZADA

FHC senhor dos anéis, dedos, mãos...

Ex-deputado Pedro Corrêa, que foi preso no escândalo do “mensalão” e na Lava Jato, disse, em sua delação premiada, que a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, foi “um dos momentos mais espúrios” que ele presenciou em sua vida pública; segundo ele, mais de 50 parlamentares receberam propinas num esquema operacionalizado por Sergio Motta e Luis Eduardo Magalhães, já falecidos, e pelo atual deputado Pauderney Avelino (DEM-AM); segundo ele, quem ajudou a bancar a reeleição de FHC foi o banqueiro Olavo Setúbal, do Itaú, também já falecido 

Brasil 247

O ex-deputado Pedro Corrêa, que foi preso no escândalo do “mensalão” e na Lava Jato, disse, em sua delação premiada, que a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, foi “um dos momentos mais espúrios” que ele presenciou em sua vida pública.

É o que informa reportagem dos jornalistas Por Mateus Coutinho, Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo (leia aqui).

Segundo Pedro Corrêa, mais de 50 parlamentares receberam propinas num esquema operacionalizado por Sergio Motta e Luis Eduardo Magalhães, já falecidos, e pelo atual deputado Pauderney Avelino (DEM-AM). De acordo com o delator, quem ajudou a bancar a reeleição de FHC foi o banqueiro Olavo Setúbal, do Itaú, também já falecido.

“O delator da Lava Jato relatou que por parte do governo federal a iniciativa da reeleição foi liderada pelo então ministro das Comunicações Sérgio Motta (morto em 1998) e pelo então presidente da Câmara Luis Eduardo Magalhães (também morto em 1998 e na época do PFL) com o apoio do deputado Pauderney Avelino – atualmente líder do DEM na Câmara – , dos então governadores Amazonino Mendes (PFL-AM) e Olair Cameli (PFL-AC) ‘entre outras lideranças governistas’ . De acordo com Pedro Corrêa, essas lideranças ‘compraram os votos para a reeleição de mais de 50 deputados’”, diz a reportagem.

Em 28 de janeiro daquele ano a emenda constitucional da reeleição foi aprovada no plenário da Câmara em primeiro turno por 336 votos a favor, 17 contra e seis abstenções. Procurado pela reportagem, Fernando Henrique Cardoso disse que a reeleição foi uma “questão do Congresso”.

Filho de Olavo Setúbal, Roberto Setúbal, atual presidente do Itaú Unibanco, também se pronunciou.  “Fico profundamente indignado em ver o nome de meu pai tão absurdamente envolvido numa história sem comprovações. Ele era um homem absolutamente ético e tenho convicção de que ele jamais se envolveu em nada parecido com o que, covardemente, o ex-deputado Pedro Corrêa descreveu. Meu pai não participava de qualquer atividade política partidária desde 1986, e não há nenhum indício de que essa história possa ter fundamento”, afirmou.

Pauderney Avelino também se pronunciou. “Rechaço com veemência as referências feitas a mim pelo ex-deputado Pedro Corrêa, autointitulado corrupto. Não responderei aos bandidos e ladrões do dinheiro público”.

FHC, o melancólico fim de um homem e sua biografia

“… ele acaba de ser condenado, escorraçado, por aqueles para quem um dia foi um herói, um exemplo de intelectual latino-americano

FHC em vários momentos

Por Ronaldo Souza

Escrevi A insustentável ignorância de uma sociedade em uma “sentada” só.

Sabia que não tinha muito tempo para faze-lo de outra forma.

Ocorreu-me a mesma coisa agora, mas escrever sobre FHC exigiria mais tempo ainda, só que não disponho dele nesse momento.

Vamos lá.

A maior dificuldade para falar de FHC não é tempo.

Apesar de já ter escrito algumas vezes sobre ele, falar de Fernando Henrique Cardoso sempre foi um pouco mais difícil e a primeira e maior dificuldade sempre foi essa; como falar da farsa em que se transformou um homem que ainda é referência para alguns?

Apesar de ter grande dificuldade em entender, sei de pessoas esclarecidas que o têm como tal, ou seja, uma referência.

No entanto, para onde e de onde quer que se olhe, sob que prisma for, o que se vê é um homem em processo de degradação contínua, que se acentua de forma lenta e gradativa, como uma doença crônica que não respeita o tempo.

Ao contrário, manifesta-se mais marcantemente com o seu passar.

O que parece estranho e incompreensível é que, de uma certa maneira, ele anteviu e anunciou isso.

Ao enunciar a sua famosa frase “esqueçam o que escrevi” ele parecia antecipar ali o que estava por vir.

Como se estivesse cansado de ser o que não era.

Como se estivesse sentindo que não mais poderia suportar uma farsa que o seu DNA rejeitava.

Ou alguém imagina que é fácil não viver a sua própria vida?

Só o conseguem os pequenos, os anões, os invertebrados, os irracionais.

E se há uma coisa de que não se pode acusar FHC é de ser irracional.

Pelo contrário.

Usou muito bem a sua racionalidade para chegar onde chegou.

Mas a vida prega peças.

Fernando Henrique Cardoso chega ao fim da forma mais melancólica que poderia chegar e ninguém mais do que ele sabe disso.

Seria um inferno astral para qualquer mortal, mas para um intelectual vaidoso como ele, machucam muito mais a dor e a tristeza de se ver chegando ao final da vida e “… ser condenado, escorraçado, por aqueles para quem um dia foi um herói, um exemplo de intelectual latino-americano.

A frase escrita no começo deste texto e em parte repetida agora aí em cima é do autor do artigo abaixo, logo após o meu, exprime a sensação de desabamento que deve estar causando um mal estar muito grande na cabeça de FHC.

Mesmo sabendo que, como nas redes sociais, precisará cada vez mais mostrar a vida que não vive, deve ser insuportável não viver a sua própria.

Mais do que nunca Fernando Henrique Cardoso vai precisar de homenagens e da coluna semanal na Folha para continuar se imaginando vivo.

FHC na LASA: a expulsão do embaixador do golpe

O Comitê Executivo da Latin American Studies Association, em Nova Iorque, por unanimidade condenou o impeachment, considerado um ataque à democracia brasileira. FHC, frente aos protestos, cancelou sua participação. Aqueles quem FHC chamou em nota de “mentes radicais” são acadêmicos que um dia o consideraram um exemplo de intelectual latino-americano.

FHC e LASA

Por João Feres Jr, no Jornal GGN

Uma apresentação de Fernando Henrique Cardoso estava programada para a Sessão Presidencial do congresso da Latin American Studies Association (LASA), que ocorre entre os dias 26 e 31 maio em Nova York. FHC e o ex-presidente do Chile, Ricardo Lagos, foram convidados para falar sobre “os caminhos da democracia na América Latina”. Esse congresso é especial para a LASA, pois nele a associação comemora cinquenta anos de existência.

A reação começou tão logo que a programação do congresso foi anunciada. Acadêmicos filados à LASA, brasileiros e estrangeiros, organizaram um abaixo-assinado pedindo a revogação do convite. Os amigos de FHC revidaram com um outro abaixo-assinado acusando o primeiro de promover a censura à liberdade de expressão. A LASA a princípio manteve o evento, apenas retirando a palavra “democracia” de seu título. Com a aproximação da data do congresso mais e mais filiados manifestaram sua insatisfação com a presença de FHC, uma liderança do golpe contra a democracia brasileira, em uma comemoração tão importante para a associação. Textos foram escritos mostrando o papel ativo que FHC teve como ideólogo do movimento de deposição da presidente Dilma Rousseff, desde 2014, quando ela impôs a quarta derrota eleitoral consecutiva a seu partido, o PSDB.

FHC não resistiu à pressão e no primeiro dia do evento informou o Conselho Executivo da LASA que não compareceria. O ex-sociólogo divulgou nota pública dizendo que não iria porque não desejava “dar pretexto para mentes radicais, dirigidas por paixões partidárias, usarem [sua pessoa] em uma luta imaginária ‘contra o golpe’, um golpe que nunca existiu”.

“Mentes radicais”? Essa é uma descrição muito imperfeita das pessoas que reagiram contra sua presença na LASA. Durante o congresso houve várias manifestações contra o golpe., mas o ato mais significativo foi a aprovação unânime, por parte do Conselho Executivo da entidade, de uma moção muito dura contra o impeachment de Dilma. Entre outras coisas, o texto declara:

“A LASA denuncia o atual processo de impeachment no Brasil como antidemocrático e insta seus membros a chamar a atenção de todo o mundo para os precedentes perigosos que esse processo estabelece em toda a região”.

E mais:

“A maneira arbitrária com a qual o processo de impeachment está sendo conduzido contra a Presidenta Dilma Rousseff constitui ataque contra a democracia brasileira”.

A equação é simples: a LASA condena o impeachment de Dilma como um ataque à democracia brasileira, FHC foi um articulador entusiasmado do impeachment desde o começo, assim, FHC é hoje inimigo da democracia brasileira.

O ex-presidente do Brasil está certo de cancelar sua participação, pois o próprio Comitê Executivo da LASA o declarou, indiretamente, persona non grata no evento que comemora o jubileu da entidade. Mas se os diretores da LASA assumiram tal posição, seriam eles as “mentes radicais” contra as quais FHC apontou o dedo? Claro que não. Só pode dizer isso quem não conhece a LASA, o que não é o caso de FHC, ele mesmo um latinoamericanista.

A LASA é uma associação de especialistas no estudo da América Latina fundada nos Estados Unidos em meados da década de 1960. É mormente uma entidade criada por norte-americanos para organizar um campo de estudos, os Latin American Studies, que existem quase que exclusivamente nos EUA. Os Latin American Studies surgiram como um esforço conjunto da sociedade e do Estado norte-americanos para produzir conhecimento sobre os países da América Latina com a finalidade de informar os esforços de manutenção da hegemonia daquele país na região. Corria a Guerra Fria, e a prioridade geopolítica dos EUA era a luta contra o comunismo no mundo. Entre os fundadores da associação havia vários policy scientists, acadêmicos com envolvimento profissional com o governo do país, geralmente de perfil conservador e imperialista.

Mas já ao final da década de 1960 as coisas começaram a mudar, com a ascensão de pesquisadores jovens, muitos deles influenciados pelo Movimento por Direitos Civis e pelos movimentos contra a Guerra do Vietnam. Eram politicamente progressistas e, talvez por isso, começaram também a olhar para a produção intelectual que vinha da “América Latina” com mais interesse. De toda produção “latino-americana”, a que mais lhes cativou foi a Teoria da Dependência — baseada em uma análise de inspiração marxista que explora a conexão histórica entre o desenvolvimento dos países centrais com o subdesenvolvimento dos países periféricos. Entre os dependentistas latino-americanos lidos pelos acadêmicos norte-americanos, o então sociólogo Fernando Henrique Cardoso foi o mais bem-sucedido. Seu livro Dependência e Desenvolvimento da América Latina, escrito em conjunto com o chileno Enzo Faletto, influenciou gerações de acadêmicos e é até hoje um dos mais lidos em cursos de Latin American Studies nos EUA.

Os acadêmicos norte-americanos que ascenderam à direção da LASA desde o final da década de 1960 e que permanecem até hoje ocupando a maioria dos cargos diretivos da entidade estão muito longe de ser “mentes radicais”. Durante a história da associação repetidamente manifestaram seu apoio decidido à democracia no continente, mas nunca ideias que possam ser interpretadas como radicalismo político, a não ser para quem olha de uma posição radical de direita. São em sua imensa maioria gringos progressistas, eleitores do Partido Democrata.

E aí é que reside o cerne de mais uma derrota sofrida por Fernando Henrique Cardoso, essa de caráter fortemente biográfica: ele acaba de ser condenado, escorraçado, por aqueles para quem um dia foi um herói, um exemplo de intelectual latino-americano. Tratado como um inimigo público da democracia por norte-americanos, brasileiros e hispano-americanos, que aos milhares compareceram ao evento, tornou-se o personagem mais notório da comemoração do cinquentenário da LASA, infelizmente, para ele e para todos, da pior maneira possível. E isso aconteceu não porque os membros da LASA modificaram sua posição histórica, mas porque FHC se converteu com passar dos anos de sociólogo não somente e ideólogo de direita, mas em arauto e embaixador do golpe no Brasil.

Até quando Doriva vai insistir com Thiago Ribeiro?

Vasco X Bahia 4

Por Ronaldo Souza

Confesso que cheguei a pensar que no jogo contra o Vasco ele jogaria melhor.

Rio de Janeiro, jogar contra o time de maior visibilidade na série B, motivações a mais para qualquer jogador.

Mas Thiago Ribeiro não é qualquer jogador.

É um jogador especial.

Pelo menos deve ser assim que ele se vê.

Thiago Ribeiro não reage.

Não vibra.

Titular absoluto, não era substituído, jogava toda a partida.

Agora substituído, não reclama.

No jogo das minhas esperanças de alguma possibilidade de mudança de atitude (Rio de Janeiro, time de maior visibilidade na série B), não o vi em campo.

Ouvi seu nome uma única vez na narração em um lance típico de alguns jogadores.

De maneira tola, fez uma falta no lado esquerdo da defesa do Bahia junto à bandeirinha de escanteio, num jogador que estava de costas para o gol, com alguma dificuldade de sair da marcação.

O juiz marcou, parou o lance, o jogador do Vasco ajeitou a bola para bater a falta, agora de frente para o gol.

Ausente do lance Thiago Ribeiro estava, ausente ele continuou.

E “saiu” do lance.

Abandonou o local do crime.

Sem um único gesto de contrariedade.

Jogador sem alma.

Combina com um time como o Bahia?

Sem chance.

Como entender que Doriva ainda não viu isso?

Está jogando no nome.

Será que Doriva não percebeu que o time ganha mais vida sem ele?

Parece que seu contrato é até o final deste ano.

Li há cerca de quatro dias que Marcelo Sant’Ana, presidente do Bahia, deseja estender o seu empréstimo até final de 2017.

Presidente, quer um conselho?

Não estenda.

Antecipe.

Mais uma Bahia

Mais uma partida em que o Bahia sofre com arbitragem.

O jogo foi atípico.

Tarde inspiradíssima de Nenê.

Daquele jeito pode ir para as próximas quinze Copas do Mundo.

Ao contrário, não era a tarde de Marcelo Lomba.

Falhou clamorosamente nos dois primeiros gols.

Apesar de muito bem batida, falhou um pouco também no quarto gol, o de falta, ao oferecer todo seu canto esquerdo e se posicionar mal. Não daria, como não deu, para chegar a tempo na bola.

E no terceiro gol, a ducha bem fria (o Bahia tinha acabado de empatar).

Ali estava o Bahia sofrendo outra vez com arbitragem.

Não foi só o pé, a bola e Pikachu (lateral direito do Vasco) quase saem do estádio, mas o bandeirinha achou que não houve nada.

Vi o jogo pela TV Brasil (TV Educativa).

O repórter de campo falou.

“A torcida do Vasco não vai gostar do que vou dizer, mas a bola de Pikachu saiu”.

Ele se referia ao lance em que Pikachu esticou a perna, saiu do campo, pegou a bola e voltou com ela para dar um drible em João Paulo Cunha (tremenda bobeira) e passou para Nenê.

Mesmo não conseguindo disfarçar a torcida pelo Vasco, somente o narrador achou que a bola não saiu. Os dois comentaristas acharam que sim.

Na cara do bandeirinha.

E aí o gol.

Fiquei com dúvida em outro lance também importante, mas não foi colocado no vídeo.

Não consegui “pegar” o vídeo da TV Brasil. Trabalhei no do Globo Esporte.

Veja.

Mais uma complicação da arbitragem.

Presidente Marcelo, posso dar outro conselho?

Pegue o dinheiro da antecipação do contrato de Thiago Ribeiro e compre alguns árbitros.

O Bahia vai precisar.

A insustentável ignorância de uma sociedade

Aécio e Veja

Por Ronaldo Souza

Falei inúmeras vezes durante a campanha presidencial em 2014 que Aécio sairia bem menor do que já era.

Uma das coisas que eu dizia era que até então ele tinha ficado protegido pelas montanhas alterosas de Minas Gerais, mas que uma campanha nacional o liquidaria.

Via postagens e mais postagens dos sem noção sobre as qualidades de um político que não tem qualidades.

Um garoto mimado que nunca cresceu, tornou-se um “homem” absolutamente imaturo e ignorante.

Porém, rico, muito rico.

Ficava pasmo quando via aquelas manifestações dos outrora coxinhas agora trouxinhas.

No início, num extremo exercício de boa vontade, tentei compreender aquela cegueira estúpida.

O que se pode esperar de quem se deixa orientar pela Veja e tem no Jornal Nacional a sua fonte de informações e orientação sócio-política?

Mesmo sabendo que boa parte da culpa era da imprensa, não consegui levar adiante o meu projeto de “um bom sujeito que procura compreender e ser agradável e bonzinho com todos”.

Não consegui.

Ninguém dá mais um vintém por Aécio.

A sua desmoralização é total.

Tão fraco e incompetente, para não falar de outras grandes “virtudes”, não notou que se transformou num golpista que deu um golpe nele mesmo, ao não perceber que seria um dos mais prejudicados ao final da campanha de estupidez e ódio iniciada por ele logo após a reeleição de Dilma.

Nada resta dele.

Entretanto, não pode passar em branco que com ele muitos se desmoralizaram e irão, também com ele, desaparecer no esgoto.

Hoje, não nego, mesmo mais acostumado pela insistência com que a fazem, ainda vejo com enorme espanto mentes mais débeis fazendo a apologia de “homens” como Caiado, Bolsonaro…

Tão incompetentes e estúpidos que são, é muito pouco provável que eles venham a oferecer grandes riscos e por isso não têm nenhuma chance de assumir qualquer coisa maior nesse país.

Um “carguinho” de deputado aqui, outro de senador ali e por aí vai.

Mas não são eles que preocupam.

O que preocupa é ver tantos membros da sociedade, alguns dos quais jovens, atingirem níveis chocantes de ignorância e estupidez.

Isso sim é preocupante.

Um país que tem como meta, ainda que muitas vezes demagógica, dar escolaridade e educação ao seu povo não pode aceitar passivamente que homens e mulheres de formação de nível superior tenham preservado níveis tão elevados de ignorância sócio-política.

Mesmo diante de tanta manipulação da sociedade e abusos e desrespeito flagrantes dos poderosos aos princípios mais elementares de um país que se pretende democrático, vem agora a imprensa bela, recatada e do lar com preocupações admiráveis.

Como na sociedade dos talheres de prata são as aparências que contam, espertamente a Folha, demonstrando que não está mais nem um pouco preocupada com Aécio e tentando passar uma imagem de neutra, sugere em editorial que Gilmar Mendes, um dos “homens” mais dignos e respeitados do país, mantenha pelo menos as aparências.

Ah, as aparências, como são importantes.

Qual a razão da preocupação da Folha?

O fato de que mais uma vez o digno e respeitado Gilmar arquivou mais dois inquéritos que deveriam investigar Aécio.

Se fosse somente isso!

FOLHA PEDE QUE GILMAR MANTENHA AS APARÊNCIAS

Gilmar Mendes Aécio Folha

Clique aqui para ver a matéria do Brasil 247 

FHC desmorona. Todas as máscaras cairão

FHC fim de farsa

FHC desiste de palestra em Nova York com medo de protestos

Diário do Centro do Mundo, retirado do Globo:

Após protestos de intelectuais, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou sua participação numa palestra neste sábado em Nova York sobre a democracia na América Latina. O evento foi organizado pela Associação de Estudos Latino-Americanos (LASA) em homenagem aos 50 anos da entidade e FH dividiria um painel de debate com o ex-presidente do Chile Ricardo Lagos.

Em carta enviada a LASA, a que o Globo teve acesso, FH explica que desistiu da palestra para não dar discurso a “mentes radicais”.

“Eu peço que vocês entendam que a essa altura da minha vida, aos 85 anos, eu não desejo dar pretexto para mentes radicais, dirigidas por paixões partidárias, me usarem em uma luta imaginária ‘contra o golpe’, um golpe que nunca existiu”, escreveu o ex-presidente.

A polêmica em torno do convite a FH para falar sobre democracia no congresso começou no fim de abril. Um grupo de membros da LASA, entre intelectuais brasileiros e estrangeiros, encaminhou à entidade uma petição defendendo ser inapropriado o tucano participar do painel no momento em que o partido dele, o PSDB, é apontado como um dos colaboradores de um “golpe” no Brasil pelos partidos que apoiam a presidente afastada Dilma Rousseff.

Assinam a petição 196 nomes ligados a universidades brasileiras e do exterior.

“Ao convidar o ex-presidente para falar sobre a evolução da democracia exatamente num momento de fragilidade da democracia brasileira, quando o próprio Cardoso, bem como o partido em que ele ocupa um papel central, não hesitou em pôr em perigo a paz doméstica e os mecanismos básicos da democracia como a Constituição, a LASA estaria desrespeitando estudiosos que têm lutado para constituir uma estabilidade democrática na região nos últimos 50 anos”, diz trecho da petição, que foi liderada pela doutoranda da Universidade de Brasília e membro da LASA Mariana Kalil.

Em reação, a direção da LASA publicou uma carta em que reafirmou o convite ao ex-presidente brasileiro e defendeu que ele se deu pela reputação acadêmica de FH. Para evitar mais polêmica, a entidade mudou o nome do painel, trocando a palavra democracia por vida pública. A versão final ficou “50 Anos de Vida Pública na América Latina”.

A consagração internacional de FHC como golpista e fâmulo da plutocracia

FHC golpista

O decano do golpe

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

FHC viveu o bastante — 85 anos até aqui — para ver sua consagração internacional como golpista. E em Nova York, a capital do mundo.

Clap, clap, clap. De pé. Para os responsáveis pelo reconhecimento.

FHC fora convidado para participar de um encontro de cientistas políticos para debater a tão ameaçada democracia na América Latina.

É um mistério o que passou pela cabeça dos organizadores ao chamar o decano do presente golpe no Brasil. É como chamar Alexandre Frota para debater educação. Mas foi brilhante a reação dos cientistas políticos que sabem perfeitamente o papel imundo que FHC representou na trama plutocrata que colocou Temer no Planalto.

Eles prontamente se insurgiram. Diante da insistência da organização em manter FHC, avisaram que respeitavam a decisão. Mas, diante dela, alertaram que iriam comparecer de preto ao seminário em protesto contra um convite tão acintosamente equivocado.

FHC fez o que sempre fez em situações complicadas. Primeiro, se acoelhou. Fugiu da reunião. Depois, produziu uma nota que é sua alma: cínica, hipócrita, mentirosa. Nela, evocou o passado. Disse que foi perseguido pelo golpe de 1964 e coisas do gênero. Acontece que ninguém está falando de 1964, e sim de 2016. Rechaçou que houve golpe com o argumento de que o STF monitorou o impeachment.

Ora, ora, ora. Depois de gravações de conversas que expuseram brutalmente a participação do STF na derrubada de Dilma, ele tem a ousadia de citar os eminentes magistrados? Entre estes se destaca, com seu golpismo explícito, Gilmar Mendes, que foi colocado no STF exatamente por FHC.

Apenas para registro, em 1964 o STF também abençoou o golpe.

Se passado valesse, Lacerda — o maior golpista da história da República — poderia, ao estilo de FHC, dizer que foi integrante do Partido Comunista na juventude para tentar ser absolvido pelo papel vergonhoso que desempenhou repetidamente contra a democracia e a favor dos ricos.

Seja o que for que FHC tenha feito num passado remoto, tudo já foi incinerado pelo que ele é, e não de hoje.

É, numa palavra, um fâmulo da plutocracia.

Lacerda desandou quando passou a falar, demagogicamente, em corrupção para atacar governos progressistas como o de Getúlio e o de Jango. Há quantos anos FHC faz exatamente o mesmo?

Em sua descomunal vaidade, FHC tem a pretensão de ser conhecido — e respeitado — como um homem de esquerda. Ele sabe que cientistas políticos de direita são universalmente desprezados.

Mas ele não é mais que isso: um reacionário, um direitista, um golpista da pior espécie.

Seu julgamento perante a história já foi feito em vida, e ele foi condenado com desonra.

O símbolo disso foram as camisas pretas em Nova York em repúdio a ele.

Professores, os senhores não se sentem culpados?

PARA EDUCADORA, MEC PROMOVE BARBÁRIE

MEC 1

Em artigo para o blog Maria Frô, a educadora Cláudia Dutra critica o ministro da Educação do governo interino, Mendonça Filho, por “não ver qualquer embaraço em receber Alexandre Frota, Marcelo Reis do Revoltados online ou representantes da ‘Escola sem Partido’, um famigerado projeto que defende o fim de disciplinas como a Filosofia e Sociologia; a mordaça de educadores em sala de aula, a retirada de autonomia do professor para que esse não cumpra seu papel estabelecido pela LDB na formação de cidadãos comprometidos com a cidadania, a defesa dos direitos humanos e para que atuem criticamente na sociedade”; leia íntegra

Brasil 247

LIRA NETO: FROTA NO MEC FOI UMA DAS COISAS MAIS GROTESCAS DA HISTÓRIA

MEC 2

O escritor e jornalista Lira Neto criticou o encontro do ministro da Educação Mendonça Filho (DEM) com o ator Alexandre Frota; “Imaginei que, numa altura dessas da vida, nada mais me chocasse em política. Mas a imagem de um ator pornô sendo recebido em audiência por um ministro da Educação é, sem dúvida, uma das cenas mais grotescas de que se tem notícia em toda a história da República brasileira”, afirmou

Brasil 247

FROTA: AGORA VOU ATRÁS DO MINISTRO DA CULTURA

MEC 3''

Após reunião com o ministro da Educação, Mendonça Filho, que causou polêmica nas redes sociais, o ator Alexandre Frota diz que agora vai procurar o ministro da Cultura, Marcelo Calero; “Ele vai ter que me receber porque recebeu a esquerda. Ele recebeu a [produtora] Paula Lavigne em um jantarzinho na casa dela quando ele ainda não tinha assumido. Agora ele tem que abrir a agenda para os artistas e ativistas de direita. Precisa ouvir o nosso lado”, diz; segundo ele, as críticas que recebeu são resultado de preconceito por ele ser ex-ator pornô

Brasil 247

Professores, os senhores não se sentem culpados?

Por Ronaldo Souza

O ministro da educação (letra minúscula mesmo) abriu a agenda do MEC para receber o ator pornô Alexandre Frota e Marcelo Reis do Revoltados Online.

Tudo a ver.

Afinal, o Brasil virou uma pornografia e o Ministério da Educação nada faz que não seja seguir o que se pode esperar dos homens que saíram do golpe para assumir o comando do país.

O que o Ministério da Educação faz é nos dar uma amostra do nosso futuro.

MEC 3

O ator de filmes pornô, Alexandre Frota, disse que foi ao ministério para “levar uma pauta” ao ministro da educação (letra minúscula mesmo).

A pauta, como não poderia deixar de ser, é brilhante e fala de “escola sem partido”, “acabar com o comunismo nas escolas” e outras coisas desse tipo.

Alexandre Frota dispensa apresentações e falar da representatividade que ele possui quando se fala em Educação e Cultura seria total perda de tempo.

Além disso, é alvo de processos no Fórum Criminal da Barra Funda.

O mais recente foi instaurado após sua declaração, em rede nacional, dos detalhes de como estuprou uma mãe de santo, praticando sexo contra a vontade dela e que a mulher chegou a desmaiar durante o ato.

Alexandre Frota adora se vangloriar de seu slogan:

“Comer b… de mulher e c… de homem”.

O que dizer de Marcelo Reis, líder dos “Revoltados Online”?

No entanto, o ministro da educação abre as portas do ministério que ocupa para receber pessoas desse nível e nos faz imaginar:

O que nos espera?

Qual será o nosso futuro?

Mas, o mais importante, qual será o futuro dos nossos filhos?

Consciente do poder que lhe foi conferido, Frota já ameaça:

O próximo será o ministro da cultura.

Ministério da cultura, aliás, já desmoralizado porque inicialmente extinto foi levado à condição de secretaria.

Diante das pressões da sociedade, foram à caça de uma mulher que assumisse.

Das consultadas nenhuma topou. 

Daniela Mercury foi a última tentativa.

Porém, diferentemente de outros baianos que, por razões óbvias, assumiram ministérios, Daniela também recusou.

Ela sabe que fazer parte desse governo destrói a imagem de qualquer um. 

Quem não tem imagem pela qual zelar porque atua com outra perspectiva, não somente aceita.

Briga pelo cargo. 

Recriaram o ministério da cultura e deram a um homem, com as mesmas características daqueles que já tinham ganho os outros ministérios.

Não vamos perder tempo comentando essa coisa ridícula e canalha que ganhou o nome de “luta contra a corrupção”. Ela dispensa comentários.

Os outrora coxinhas são agora trouxinhas.

Cale-se, professor

A perplexidade fica por conta do engajamento de professores nessa “luta”.

O que dirão aos seus alunos os professores que fizeram manifestações, panelaços e “lutaram contra a corrupção” ao lado dessa turma?

A dedução mais óbvia só pode nos fazer imaginar o quanto devem estar vibrando com os rumos que está tomando a educação no país.

Segue no mesmo passo das coisas que vêm ocorrendo sem que boa parte da sociedade tome conhecimento.

Há um mês (26/04/2016), por exemplo, a Assembleia Legislativa de Alagoas aprovou a lei que proíbe o professor de opinar em sala de aula.

Pelo visto, os professores não estão mais preocupados com nada.

Enquanto ministros do judiciário agora falam e dão o voto pela imprensa (não é mais suficiente fazer discursos panfletários nos autos), os professores não vão poder mais sequer falar no seu ambiente de trabalho; a sala de aula.

Em que se transforma o professor que não pode falar em sala de aula?

Como ficam agora os professores que fazem o discurso da preocupação com a Educação no Brasil e ao mesmo tempo contribuíram para esse golpe?

Espera-se que ainda tenham alguma dignidade e deixem de lado esse discurso hipócrita e cínico.

Como disse Luis Nassif, no lugar da Pátria Educadora vocês puseram a pátria ejaculadora.

Professores, os senhores estão de parabéns.

O que a nova conversa revela sobre Lewandowski e o STF, Otávio Frias e a Lava Jato, Aécio e o golpe — e Dilma

Renan Calheiros

E o golpe vai sendo brutalmente exposto: Renan

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

O grande mérito da publicação das conversas gravadas é tornar brutalmente claro aquilo que as pessoas mais informadas já sabiam e que era negado pela mídia liderada pela Globo.

Foi golpe. E foi um golpe imundo, em que homens e instituições moralmente putrefatos se uniram para derrubar uma mulher honesta que levou a investigação da corrupção a patamares jamais vistos.

A gravação de Renan, publicada hoje pela Folha, ajuda a compreender ainda melhor o que ocorreu.

Mais uma vez, o STF aparece com destaque na trama golpista. E isto é desesperador: você pode cassar políticos. Mas como lidar com um poder que julga a si mesmo?

Num mundo menos imperfeito, o STF seria imediatamente dissolvido, tais as acusações e as suspeitas que recaem sobre seus integrantes.

Mas como fazer isso?

Escrevi ontem e repito agora: o STF era o grande argumento pelo qual a Globo, em nome da plutocracia, atacava como “alucinação” e “conto da carochinha” a tese do golpe.

Na conversa agora divulgada, Renan diz que todos os eminentes juízes do Supremo estavam “putos” com Dilma.

O motivo não poderia ser mais canalha: dinheiro.

Renan relata uma visita que fez a Dilma. Ela conta que recebeu Lewandowski para o que imaginou que fosse ser um encontro de alto nível sobre a dramática situação política do país.

Mas.

Mas Lewandowski “só veio falar em dinheiro”, disse Dilma. “Isso é uma coisa inacreditável.”

Há muitas coisas inacreditáveis em relação ao STF, a rigor. A demora de quatro meses de Teori para acolher o pedido de afastamento de Eduardo Cunha é uma delas. As atitudes sistematicamente indecentes e partidárias de Gilmar Mendes e seu mascote Toffoli são outra delas.

O interlocutor de Renan na conversa, o mesmo Sérgio Machado de Jucá, produziu a melhor definição do STF destes tempos. “Nunca vi um Supremo tão merda.”

Outros personagens destacados do golpe aparecem neste diálogo vazado. A Folha, por exemplo, se bateu intensamente pela queda de Dilma. Mais especificamente, seu dono e editor, Otávio Frias Filho.

Ele é citado por Renan como tendo reconhecido exageros na cobertura da Lava Jato.

Ora, ora, ora.

Se reconheceu o caráter maligno do circo da Lava Jato, por que ele não fez nada? Ele era apenas o ombudsman do jornal, ou o porteiro do prédio?

Bastaria uma palavra sua para retirar o exagero da cobertura. Se não a pronunciou, é porque era conivente ou inepto como diretor.

Faça sua escolha.

Aécio surge acoelhado. Tinha medo da Lava Jato, diz Renan. Sabemos agora que Aécio não é apenas demagogo, hipócrita e corrupto.

É também covarde.

E é neste campo que, sem saber que era gravado, Renan presta um extraordinário tributo a Dilma. “Ela não está abatida, ela tem uma bravura pessoal que é uma coisa inacreditável.”

Os colunistas da imprensa, nestes dias, diziam freneticamente que Dilma estava abatida.  Era gripe, informa Renan. “Ela está gripada, muito gripada.”

Se existe algum tipo de decência no Brasil – de justiça não dá para falar, dado o STF – Dilma tem que receber um formidável pedido de desculpas dos brasileiros e ser reconduzida ao posto do qual canalhas golpistas a retiraram.