Barbosa, a marionete do golpe, morreu pela boca

Por Miguel do Rosário, em O Cafezinho

O escritor argentino Ricardo Piglia, num de seus ensaios, propõe uma tese segundo a qual um conto oferece sempre duas histórias. Uma delas acontece num descampado aberto, à vista do leitor, e o talento do artista consiste em esconder a segunda história nos interstícios da primeira.

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Agora sabemos que não são apenas escritores que sabem ocultar uma história secreta nas entrelinhas de uma narrativa clássica. O ministro Luís Roberto Barroso nos mostrou que um jurista astuto (no bom sentido) também possui esse dom.

Esta é a razão do ridículo destempero de Joaquim Barbosa. Esta é a razão pela qual Barbosa interrompeu o voto do colega várias vezes e fez questão de, ao final deste, vociferar um discurso raivoso e mal educado.

Barbosa sentiu o golpe.

Houve um momento em que Barbosa praticamente se auto-acusou: “o que fizemos não é arbitrariedade”. Ora, o termo não fora usado por Barroso. Barbosa, portanto, não berrava apenas contra seu colega. Havia um oponente imaginário assombrando Barbosa, que não se encontrava em plenário, mas ele sentiu sua presença enquanto ouvia Barroso ler, tranquilamente, seu voto.

O oponente imaginário são os milhares de brasileiros que vem se aprofundando cada vez mais nos autos da Ação Penal 470, acompanhando os debates do Supremo Tribunal Federal, ajudando alguns réus a pagar suas multas, dando entrevistas bem duras em que denunciam os erros do julgamento, e constatando, perplexos, que houve, sim, uma série de erros processuais e arbitrariedades.

Barroso contou duas histórias. Uma delas, no primeiro plano, era seu voto. Um voto tranquilo e técnico. Só que nada na Ação Penal 470 foi tranquilo e técnico, e aí entra a história subterrânea, por trás do cavalheirismo modesto de Barroso.

E aí se explica a fúria de Barbosa.

A história secreta contada por Barroso, com uma sutileza digna de um escritor de suspense, de um Edgar Allan Poe, com uma ironia só encontrada nos romances de Faulkner ou Guimarães Rosa, é a denúncia da farsa.

Aos poucos, essa história subterrânea virá à tôna. Alguns observadores mais atentos já a pressentiram há tempos.

O novo ministro, antes mesmo de ingressar no STF, entendeu que há um muro de ódio e violência à sua frente, construído ao longo de oito anos, cujos tijolos foram cimentados com preconceito político, chantagens, vaidade e uma truculência midiática que só encontra paralelo nas grandes crises dos anos 50 e 60, que culminaram com o golpe de Estado.

Sabe o ministro que não é ele, sozinho, que poderá desconstruir esse muro. Em entrevista a um jornal, o próprio admitiu que estava assustado com a violência da qual já estava sendo vítima: o médico de sua mulher, sem ser perguntado, disse a ela que não tinha gostado do voto de seu marido, e suas filhas vinham sendo questionadas na escola por colegas e professores.

O Brasil vive um tipo de fascismo midiático cuja maior vítima (e algoz) é a classe média e os estamentos profissionais que ela ocupa.

É a ditadura dos saguões dos aeroportos, das salas de espera em consultórios médicos, dos shows da Marisa Monte.

Nos últimos meses, eu tenho feito alguns novos amigos, que tem me dado um testemunho parecido. Todos reclamam da solidão. A mãe rodeada de filhos “coxinhas”. O pai que é assediado, às vezes quase agredido, pelas filhas reacionárias. A executiva na empresa pública isolada entre tucanos raivosos. Alguns,
mais velhos, encaram a situação com bom humor. Outros, mais jovens, vivem atordoados com as pancadas diárias que levam de seus próximos.

No entanto, o PT é o partido preferido dos brasileiros, ganha eleições presidenciais, aumenta presença no congresso e pode ganhar novamente a presidência este ano, até mesmo no primeiro turno.

Por que esta solidão se tanta gente vota no partido?

Claro que voltamos à questão da mídia, que influencia particularmente as camadas médias da sociedade, à esquerda e à direita. A maioria da classe média tradicional, hoje, independente da ideologia que professa, odeia o PT, idolatra Joaquim Barbosa, e lê os livros sugeridos nos cadernos de cultura tradicionais.

Eu conheço um bocado de artistas. Hoje são quase todos de direita, embora a maior parte se considere de esquerda. Todos odeiam Dirceu, sem nem saber porque. E me olham com profunda perplexidade quando eu tento argumentar. Como assim, parecem me perguntar, com olhos onde vemos rapidamente nascer um ódio atávico, irracional, como assim você não odeia Dirceu?

Eu tento conversar, com a mesma calma de Barroso, mas não adianta muito. Eles reagem com agressividade e intolerância.

Pessoas em geral pacatas se transformam em figuras raivosas e vingativas. O humanismo, que tanto fingem apreciar nos europeus, mandam às favas ao desejar que os réus petistas apodreçam no pior presídio do Brasil.

Eu mesmo costumo usar os mesmos termos de Barroso. “Respeito sua opinião”, eu digo. Às vezes até procuro elogiar o interlocutor, numa tentativa ingênua e canhestra de quebrar a casca de ódio que impede qualquer diálogo. Não adianta. Qual um bando de Barbosas, eles respondem, quase sempre, com grosserias e sarcasmos.

Quantas vezes não vivi a mesma situação de Barroso? Às vezes, inclusive, aceitei teses que não acreditava, violentei-me, num esforço desesperado para transmitir uma pequena divergência, uma singela ideia que foge ao script da mentalidade de um interlocutor cheio de certezas.

Entretanto, a serenidade estóica e elegante de Barroso significou uma grande vitória para nós, os solitários, os que arrostamos as truculências diárias da mídia e de seu imenso, quase infinito, exército de zumbis.

Porque encontramos um igual.

Encontramos alguém que sofre, que tenta expor uma ideia diferente, e recebe de volta uma saraivada de golpes de quem não aceita ser contestado.

Não confundamos, contudo, elegância com covardia. Não se pode exigir a um homem que derrube sozinho uma muralha desse calibre. Esse trabalho não é de Barroso. Será um esforço coletivo, que já estamos empreendedo. Barroso encontrará forças em nossas ideias.

Mesmo que ele tenha de fazer algum recuo estratégico, como aliás já fez, ao condenar Genoíno, será para avançar em seguida.

Mas a função de um juiz do STF não é defender uma classe. Não é defender a rapaziada que frequenta o show da Marisa Monte e lê os editoriais de Merval Pereira. Não é se tornar celebridade ou “justiceiro”. A função de um juiz é ser justo e defender tanto as razões do Estado acusador quanto os direitos dos réus.

Quando Getúlio deu um tiro em si mesmo, ele deixou um recado, no qual há referências algo misteriosas a “forças” que se desencadearam sobre ele.

Como que antevendo o que continuaríamos a enfrentar, durante muito tempo, o velhinho ainda tentou, em sua dolorosa despedida, nos consolar:

“Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado.”

E cá estamos, Getúlio, diante das mesmas forças obscuras. Diante da mesma truculência, das mesmas arbitrariedades, que dessa vez encontraram voz na figura, trágica ironia, de um negro. Do primeiro negro que nós, o povo, nomeamos para o STF, mas que preferiu se unir aos poderosos de sempre, aos donos do dinheiro, aos barões da mídia, à turma do saguão do aeroporto…

É positivamente curioso como os ministros da mídia demonstram auto-confiança, arrogância, desenvoltura. Gilmar Mendes, Barbosa, Marco Aurélio Mello, dão entrevistas como se fizessem parte de uma raça superior. São campeões de um STF triunfante, que prendeu os “mensaleiros”.

Enquanto isso, os outros ministros agem com humildade, discrição, prudência. Barroso lê seu voto com voz quase trêmula, e pede reiteradas desculpas por cada mínima divergência. Nunca se ouviu um ministro pedir tantas vênias como Barroso. Nunca se viu um juiz fazer tantos elogios àquele mesmo que o destrata sem nenhuma preocupação quanto à etiqueta de um tribunal.

Mas o que Barroso pode fazer? Não faríamos o mesmo? A situação de Barroso é quase a de um sertanejo humilde, argumentando em voz baixa diante de seu patrão.

Sintomático que Luiz Fux, que aderiu também à Casa Grande, tenha citado Lampião para designar a “quadrilha dos mensaleiros”. O mundo dá tantas voltas, e retorna ao mesmo lugar. Virgulino Ferreira da Silva, o terror do Nordeste, o maior dos facínoras, quem diria, seria comparado a José Dirceu! É o tipo de comparação que não dá para ouvir sem darmos um sorriso triste e malicioso.

Não foi Virgulino igualmente o maior herói do sertão? Não foi ele o maior símbolo das injustiças e arbitrariedades que se abatiam, dia e noite, sobre um povo sofrido e miserável?

Evidentemente, não existe comparação mais idiota. Dirceu é um homem de paz, que acreditou na democracia e na política. Lampião foi um bandido que desistiu de qualquer solução política ou pacífica para seus problemas.

Mas também Fux, sem disso ter consciência, trouxe à baila uma história subterrânea, soterrada sob sua postura covarde de um juiz submetido aos barões de sempre: Lampião provou ao Brasil que não existe opressão sem resistência, mesmo que na forma de banditismo. Esta é a lei mais antiga da humanidade. A resistência e o heroísmo nascem da opressão e da arbitrariedade, como um filho nasce da mãe e do pai.

A campanha de solidariedade aos réus petistas foi a prova disso. Mas não vai parar aí. Ao chancelar uma farsa odiosa, arbitrária, truculenta e, sobretudo, mentirosa, o STF produziu milhares de Virgulinos. Só que não são Virgulinos por serem bandidos ou violentos. São Virgulinos exatamente pela razão oposta: a coragem de lutar de maneira pacífica e democrática.

É a coragem, sempre, a grande lição que o mais humilde dos cidadãos dá aos poderosos. É a coragem que faz alguém se insurgir contra a opinião do ambiente de trabalho, da família, do condomínio, dos saguões dos aeroportos, e assumir uma posição política independente, inspirada unicamente em sua consciência.

É a coragem, enfim, que faz os olhos de Barroso irradiarem um brilho de confiante serenidade. Sua voz pode tremer, mas não por medo. Treme antes pelo receio de escorregar um milímetro no fio da navalha por onde caminha, entre o desejo de falar duras verdades a um tratante e a determinação de manter uma elegância absoluta.

Barroso sequer consegue usar o pronome “seu” ao se referir a Barbosa, com medo de cometer um deslize verbal. Se Barbosa fosse uma figura serena, amiga, Barroso não teria esse escrúpulo. Tratando-se de um oponente sem caráter, sem moderação, e ao mesmo tempo tão incensado e blindado pela mídia, Barroso tem de tomar um cuidado máximo. Tem de tratá-lo com respeito até mesmo exagerado. Barroso sabe que Barbosa é vítima de megalomania e arrogância messiânica, que sofre de uma espécie de loucura, uma loucura perigosíssima, porque protegida pelos canhões da imprensa corporativa.

Ao contestar tão ofensivamente o teor do voto de Barroso, ao acusá-lo, de maneira tão vil, Barbosa disparou um tiro no próprio pé. Ganhará, ainda, um bocado de palmas dos saguões aeroportuários, mas haverá m

ais gente erguendo a sombrancelha, desconfiada de tanta fanfarronice e falta de modos.

Barroso deixou que Barbosa morresse como um peixe, pela boca.

Foi a vitória da serenidade sobre o destempero, da delicadeza sobre chauvinismo, do respeito à divergência sobre a intolerância.

Petrobras lucra r$ 23,5 bilhões. Isso basta?

Maior estatal brasileira apresenta resultados do quarto trimestre de 2013, superando expectativas do mercado; lucro da Petrobras alcançou R$ 6,28 bilhões no 4º trimestre do ano passado, uma alta de 85%, em relação aos três meses anteriores; lucro ao longo do ano representou alta de 11% comparado com 2012; também nesta terça (25), companhia relatou recorde de extração no pré-sal, mas papéis ainda fecharam em queda de 2% na Bolsa de Valores; resultados divulgados nesta noite mostram força da estatal; números serão suficientes para virar opinião fechada e pressão do mercado?

Brasil 247

O lucro da Petrobras alcançou R$ 6,28 bilhões no 4º trimestre de 2013, uma alta de 85% na comparação com o trimestre anterior. No ano passado, o lucro total da empresa foi de R$ 23,57 bilhões, um aumento de 11% em relação a 2012. As projeções para o último trimestre eram mais modestas. Esperava-se que o lucro fosse de R$ 4,23 bilhões.

Enquanto isso, a receita de vendas da Petrobras somou R$ 81 bilhões, uma alta de 4% na comparação com o terceiro trimestre. No ano, a alta foi de 8%, o que colocou a receita em R$ 304,8 milhões.

De acordo com a empresa, o maior lucro frente ao trimestre passado reflete o maior lucro operacional e o benefício fiscal decorrente do provisionamento de juros sobre o capital próprio mas compensado, em parte, pelas maiores despesas financeiras líquidas.

Esta terça-feira foi de boas notícias para a companhia. Mais cedo, a empresa bateu recorde diário na extração do pré-sal. Bons resultados serão capazes de acalmar ataques intensos dos últimos meses? Tese de que empresa vem sendo castigada mesmo com os bons resultados será superada? Na Bolsa de Valores, a petrolífera fechou em baixa hoje. Seus papéis mais negociados caíram 2,21%.

Em outubro do ano passado, relatório oficial do Merril Lynch apontou a Petrobras como "a empresa mais endividada do mundo", numa nota que que teve grande repercussão na mídia brasileira mais conservadora. Avaliação negativa da petroleira brasileira empurrou para baixo os papéis da companhia na bolsa de valores, que iniciaram o ano alcançando o recorde negativo de cerca de R$ 15 por ação. Dados positivos desta terça podem começar a virar o jogo sobre a imagem da petrolífera?

Abaixo matéria sobre os números do pré-sal:

Petrobras bate recorde diário no pré-sal com novo poço em Sapinhoá

SÃO PAULO, 25 Fev (Reuters) – A produção de petróleo da Petrobras no pré-sal das bacias de Santos e Campos atingiu um recorde de 407 mil barris por dia (bpd) em 20 de fevereiro, informou a empresa.

A marca está associada ao início da produção do poço 9-SPS-77 no campo de Sapinhoá, na Bacia da Santos, na semana passada.

Segundo a Petrobras, o poço atingiu produção inicial de 36 mil bpd. Inicialmente, a empresa havia informado uma produção de 33 mil bpd no poço, o que já dava a ele a condição de maior poço produtor do pré-sal brasileiro.

A petroleira tem 21 po

ços produzindo no pré-sal, segundo comunicado publicado hoje em jornais brasileiros.

Destes, 10 poços estão na Bacia de Santos e respondem por 59 por cento da produção do pré-sal, com 240 mil bpd. Outros 11 poços estão na Bacia de Campos, com 41 por cento da produção, ou 167 mil bpd.

A produção do pré-sal ocorre por meio de 10 plataformas.

Três novas plataformas entrarão em operação no pré-sal em 2014: P-58, no campo Norte Parque das Baleias (1o trimestre); FPSO Cidade de Ilhabela, em Sapinhoá (3o trimestre); e FPSO Cidade de Mangaratiba, em campo de Lula/área Iracema Sul (4o trimestre).

Com estas e outras plataformas, a Petrobras espera superar 1 milhão de bpd nas áreas que opera no pré-sal já em 2017. 

É isso que a elite brasileira quer acabar?

Cotas: a esperança de uma medicina diferente. Everton: o doutor da casa de taipa

Por Fernando Brito, no Tijolaço

No facebook do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, reproduzido na página de Lula:

E quando o morador de uma casinha de taipa em uma pequena comunidade do Nordeste, filho de um agricultor e de uma dona de casa, é aprovado para o curso de Medicina da UFRN, o mais concorrido da Universidade? Mais que isso: na primeira colocação entre as cotas sociais.

Essa é a história de Everton, ex-aluno do técnico integrado do Campus Ipanguaçu do IFRN. E não poderíamos começar o dia de uma forma diferente. Porque é uma história emocionante, que nos dá a certeza que estamos sim cumprindo o nosso objetivo: o de promover a mudança social com uma educação pública e de qualidade.

Vale muito a pena assistir a essa história. E acreditar que, com esforço e estudo, nossos sonhos podem se tornar realidade. Parabéns, Everton! O Rio Grande do Norte inteiro está orgulhoso de você! Reportagem de Laurence Campos e imagens de Edson Lima.

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Por que os brasileiros querem mudança mas não votam na oposição?

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho

Não dizem que uma imagem vale mais que mil palavras? Pois é, olhem essa capa antiga da Folha de São Paulo, do dia 4 de abril de 2002, durante a era FHC. Ela vale mais que mil análises sobre as razões que levam a população a querer mudanças e ao mesmo tempo não votar na oposição.

Obs. do Falando da Vida – É bom lembrar que 2002 foi o último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso. Foi essa economia que ele deixou arrumada para Lula, sem inflação. Ainda há quem acredite. 

Datafolha: Aécio e Marina despencam. Dilma ganha no 1º turno

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Acaba de ser divulgado o último Datafolha. Dilma segue estável com 47%, mas ampliou a diferença sobre seus adversários, que caíram, aumentando as chances de ganhar no primeiro turno.

No cenário 1, com Aécio e Campos, o tucano continua esvaziando: tinha 21 pontos em outubro, caiu para 19 em novembro e agora tem 17.  Campos ganhou um pontinho em relação à novembro, e ficou em 12%, mas permanece abaixo da pontuação que tinha em outubro, quando chegou a 15%

No cenário 2, com Aécio e Marina, é impressionante a queda acentuada de Marina. A agora parceira de Campos tinha 29 pontos em outubro, caiu para 26 em novembro e agora tem 23 pontos. Aécio manteve-se estagnado em 15 pontos, mas ainda abaixo dos 17 que tinha em outubro do ano passado.

  

Governo do PSDB investe em energia elétrica. Mas é em energia para a Colômbia…

Por Fernando Brito, no Tijolaço

O PSDB caiu de pau sobre o Governo Dilma por fazer empréstimos para a construção do Porto de Mariel, em Cuba.

Empréstimo, para ser pago, e condicionado à compra de serviços e produtos brasileiros.

Segundo os tucanos – ah, não esqueçamos, também na opinião de nossa especialista em economia, Raquel Sheherazade – há muito em que investir aqui, onde estamos cheios de necessidades.

Por isso, é muito interessante que alguém vá perguntar a Aécio Neves, chefe político do Governador Antonio Anastasia. de Minas, porque é que a Cia de Eletricidade mineira, a Cemig, vai comprar parte de uma companhia de geração de energia…na Colômbia.

Não é boato, é comunicado oficial da empresa.

Será que está sobrando energia no Brasil?

Será que estão sobrando linhas de transmissão, como a que  Cemig está construindo entre as cidades chilenas de Charrúa e  Temuco?

Como todos sabem, o Brasil está vivendo um momento de fartura energética, não é?

A Cemig, há um ano, devolveu a concessão de 18 usinas, por não concordar com as regras do Governo Federal que reduzia o preço para o consumidor.

E o consumidor da Cemig paga uma das energias mais caras do Sudeste, repicadas com o maior ICMS sobre energia do Brasil.

Mas tem dinheiro para investir lá fora.

Não faço considerações sobre as eventuais vantagens comerciais da operação. Pode ser lucrativa para a Cemig e ela, como qualquer empresa brasileira, pode e deve investir onde for interessante.

Mas é evidente a hipocrisia tucana, que pratica tudo aquilo que condena no Governo Federal. E com o imenso agravante de que, com essa operação não  se gere um benefício sequer para o Brasil, como ocorre nos contratos com Cuba. 

A hora mais perigosa

Por Celso José de Brum

ex- professor de Sociologia e Estudo dos Problemas Brasileiros, da Unitau

Diário de Taubaté

Pois é, a hora mais perigosa está chegando, a hora da verdade, da qual ninguém consegue escapar. Estamos a 7 meses das eleições gerais e todas as preocupações assumem proporções ciclópicas , nada menos. As últimas pesquisas divulgadas demonstram que Dilma Rousseff ganha no 1º turno, em qualquer cenário. E dão a entender que a derrota das oposições será arrasadora. Mas, que os governistas não ponham “salto alto” porque “tem muita água para passar por debaixo da ponte”.

A direita brasileira — sob cujo rico manto se abrigam o PSDB e os futuros ex-partidos DEM e PPS — não vai se deixar sofrer a anunciada “sova de criar bicho”, sem apelar para os inescrupulosos recursos que costumeiramente usa, sem dó nem piedade. A direita brasileira sabe que a batalha de 2014 é decisiva. Sabe que uma derrota por demais contundente de seus contumazes apaniguados ( tucanos e associados) e de seus eventuais colaboracionistas (os antigos frequentadores do cocho governista, a dupla Eduardo e Marina) pode comprometer irremediavelmente o projeto 2018, eis que – internamente, entre choros e ranger de dentes- consideram que 2014 “já era” para as suas pretensões.

A direita raciocina que, se a derrota em 2014 for catastrófica, como tudo indica que será, nada mais restará a fazer senão recorrer à sua principal especialidade: o golpe. Ou seja: a articulação para o golpe já começou, entre os arcanos da direita brasileira. Ainda outro dia, o príncipe Fernando Carlos Lacerda Cardoso disse que “o Brasil precisa de um sacolejão”. “Sacolejão”?! Sacolejão deve ser o atual codinome de golpe. Ou seja, às favas a democracia. E o retorno do poder para as elites, a qualquer preço! Eu disse “qualquer preço” e repito “qualquer preço” e reafirmo “qualquer preço”.

A esquerda brasileira possível (representada pelo PT e associados) que se prepare: vem “chumbo grosso” aí. Serão usados todos os expedientes, os mais sórdidos: variados tipos de calúnias e agressões à honra, com indefectíveis invasões da privacidade da turma da esquerda. Serão ampliados, no extremo inimaginável, os ataques ao Lula, pois ele representa, para o povão, seu mais autêntico e confiável defensor. Atacar Lula tem duas motivações: para fazer diminuir sua influência e, principalmente, como vingança das elites, que não “engolem” o sucesso e o reconhecimento obtidos por um operário como presidente da República. A destruição do mito Lula é e será sempre o principal objetivo da direita – golpista-brasileira.

No mais, a “grande imprensa” brasileira continuará com seu habitual mau agouro, anunciando diariamente que o Brasil vai acabar, que está acabando, como faz desde que o PT chegou ao poder. Mesmo que a taxa de desemprego no Brasil tenha sido, em 2013, de 5,4%, enquanto que na orgulhosa zona do euro, a taxa tenha sido de 12%. E que o Brasil tenha acumulado reservas de 375 bilhões de dólares, (quando Fernando Henrique Cardoso deixou o governo, havia apenas 17 bilhões de dólares + 31 bilhões emprestados pelo FMI, ou seja, o Brasil estava quebrado). E que a inflação nunca ultrapassou o teto da meta estabelecida, nesses últimos 10 anos (no governo tucano, a inflação estava sem nenhum controle).

A “grande imprensa” tem estimulado discretamente as manifestações populares, como ocorreu em junho de 2013. Serão manifestações criticando principalmente a Copa do Mundo no Brasil. O que é uma bobagem, pois a Copa do Mundo propiciará grande lucros e vai incrementar o turismo em nosso país. Milhões e milhões de pessoas, entre os que virão e os que acompanharão o evento pela TV, vão ficar atentos para este grande continente, que é o Brasil. Cálculos sensatos dão conta de que os lucros, a médio prazo, cobrirão amplamente (cerca de cinco vezes mais), todas as despesas com o evento. Mas, o certo é que os protestos não terão nada a ver com questões éticas: terão tão somente a intenção de desgastar o governo, nesta hora mais perigosa, que é a hora das eleições gerais.

De minha parte também pretendo participar das futuras manifestações populares. Estarei convocando, entre meus caros, raros, fiéis e inteligentes leitores, os interessados para protestar:

1- contra a lei da gravidade;

2- contra a falta de verbas na pesquisa para a descoberta da máquina do tempo, para a qual, antecipadamente, apresento-me como cobaia.

E nada mais havendo, por ora, a tratar, encerro o presente artigo, desejando aos meus caros, raros, fiéis e inteligentes leitores e aos que estejam, pela primeira vez, frequentando este oásis de reflexões pra lá de heterodoxas, um ano eleitoral isento de golpes que a direita pretende sempre e permanentemente.

  

Amor, estranho amor: O Globo, Caetano e Freixo

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Hoje eu acordei me sentindo um velhinho…

Daqueles que dizem: ih, como as coisas estão mudadas…

Quem vê a troca de críticas, com espaços imensos, artigos para cá, editoriais para lá, entre Caetano Veloso, Marcelo Freixo e o império Globo, descuidadamente, fica pensando que finalmente vivemos a democracia na mídia…

Caetano acusando O Globo de parcialidade, Freixo descobrindo que o cogumelo global apoiou a ditadura…Meu Deus, quantas revelações!

O Globo defende-se hoje, num novo editorial: apoiamos sim, mas já fizemos autocrítica. Agora, somos democratas radicais…

Eu devo estar mesmo velho…

Não vi Caetano nem Freixo se recordarem antes da postura autoritária do império Globo.

Só agora, que experimentou na pele o que é ser vítima do Império é que Freixo descobriu que “a Globo é sócia de um projeto autoritário de cidade”.

O senhor tem toda razão, Deputado Freixo, damo-lhes as boas vindas nesta sua tardia adesão aos que sempre o disseram.

Quando a Globo sabotou Leonel Brizola de todas as formas, só conseguimos espaço para responder às acusações que fazia no Judiciário – e depois de dois anos! – que acabou gerando o antológico Direito de Resposta do governador no Jornal Nacional, história que um dia será contada em seus bastidores, aqui.

Artigo de Leonel Brizola n’O Globo? Só pagando, e caro, como publicidade.

Mas Caetano, este muito mais,  e Freixo sempre frequentaram as páginas globais. nada de errado, só que, como disse ontem aqui, o diabo não compra só um pedaço da alma, leva o lote.

Claro que Caetano e Freixo têm razão ao dizer que O Globo é faccioso com eles, mas sua fraqueza &e

acute; nunca terem dito que era faccioso com outros.

As blaquibloquices de Caê e e Freixo, enquanto eram úteis para desgastar o governo federal, sempre foram bem-vindas.

Agora, que a tolerância oportunista com grupos de irresponsáveis “deu merda” – desculpem a expressão – eles fazem carga contra vocês como se fossem o que para eles são: lixo.

O Deputado Freixo e Caetano Veloso deveriam se mirar no exemplo de Fernando Gabeira.

De tão moderno, libertário, outsider, descolado, pós-moderno, relativista ;  de tantos espaços, colunas, artigos, entrevistas e participações na Globo, foi indo, indo, indo e virou um notável expoente da direita conservadora nos quadros da emissora.

Agora, se quiserem mesmo continuar esse casamento, vão ter de se comportar. Nada de gracinhas, porque senão, vale aquela coisa  horrível do Nélson Rodrigues sobre gostar de apanhar.

Mas é melhor virem para o lado de cá, onde vocês nasceram e cresceram, antes de se apaixonarem, como mariposas,, pelo brilho das luzes.