Olá pessoal,
Há algum tempo venho encaminhando textos para o site do Bahia.
Não os encaminhei para mais ninguém nem publiquei em lugar nenhum para não criar clima de crise no clube.
Mas a crise já está aí e o Bahia vai precisar de serenidade e competência para sair dela.
Este texto foi encaminhado há dois dias para o gerente de comunicação e equipe de marketing do Bahia e para algumas pessoas.
Com algumas modificações que eram necessárias para posta-lo, aí está.

Direto ao ponto
Por Ronaldo Souza
Prezado Nelson Barros,
Só agora posso responder à sua mensagem sobre dar um voto de confiança a Guto Ferreira.
Fiz isso desde o início e continuo dando, mas já sem nenhum entusiasmo.
O problema, agora vejo com clareza, vai além disso.
Não sou jornalista esportivo nem político, mas escrevo um pouco sobre futebol e política. Vou corrigir; sobre o Bahia e política.
Já encaminhei textos para vocês que não postei em nenhum lugar.
A razão de agir assim é justamente não ser jornalista esportivo.
Sou torcedor e como tal qualquer coisa que escreva que pode ajudar a tumultuar o ambiente do time não posto em lugar nenhum.
Houve, entretanto, um momento em que escrevi inúmeras vezes com esse objetivo, justamente quando o presidente era Marcelo Guimarães Filho.
No entanto, ali foi outra história, estava empenhado em contribuir com a saída dele do Bahia.
Pelo menos um desses textos foi postado em vários blogs aqui na Bahia e também no Jornal GGN, de Luis Nassif.
Aqui está “O Bahia de ontem com roupa de hoje”.
Você deve ter notado que todos os textos que enviei para vocês sobre a gestão de Marcelo Sant’Ana sempre o preservaram e isso por uma razão bem simples.
Acho ele um cara sério e votei nele.
As críticas que lhe fiz foram mais em função da sua falta de humildade, manifestada em vários momentos, mas agora já existem mais razões para critica-lo.
A incompetência da diretoria, inclua-se aí o presidente, tem se manifestado mais vezes do que gostaríamos.
Para ficar em um exemplo, o vice-presidente, acho que é Pedro Henriques o nome dele, demonstra menos a sua competência e mais o deslumbramento por ser vice-presidente do Bahia.
Os arroubos de arrogância chamam a atenção. Muito hormônio e pouca lucidez.
Sobre isso, ser presidente do Bahia, tenho uma “historinha” que talvez conte um dia.
Estou para escrever um texto (já iniciei, mas parei por falta de tempo) em que falo de alguns erros cometidos pelo Bahia e de oportunismo.
O oportunismo a que me refiro diz respeito à nossa pobre e viciada imprensa esportiva e a membros da oposição no Bahia.
E é justamente por isso que, independente do atual momento de erros e acertos, a torcida tem que tomar muito cuidado com o que está sendo dito e escrito.
Não tenho o hábito de ouvir resenha esportiva nas rádios (com algumas poucas exceções, são muito fracos), mas esses dias procurei faze-lo por duas ou três vezes para ficar mais por dentro do que estão dizendo e fiquei estarrecido.
Há uma só preocupação; bater em Marcelo Sant’Ana e na diretoria.
Nunca vi fazerem isso, por exemplo, com Marcelo Guimarães Filho ou com a diretoria de qualquer outro time.
Mas alguém me advertiu; lembre que foi Marcelo Sant’Ana e a atual diretoria que acabaram com o que ficou conhecido como Caso Jabá, um triste episódio para a imprensa esportiva da Bahia.
Certamente eles não ficaram satisfeitos com a atitude do presidente.
E troco existe para ser dado.
Estão dando.
Está se tornando especialidade da imprensa aproveitar momentos de fragilidade para desconstruir alguém.
De fato, estão perdendo o comando, dentro e fora de campo.
E está difícil negar a relação que isso tem com a inexperiência e incompetência que a diretoria tem demonstrado.
No entanto, se a torcida está insatisfeita com a diretoria, e com razão, que mostre a sua indignação, mas também proteja o seu time.
Vou além.
Vou dizer uma coisa que não sei se vocês vão entender e muito menos concordar. É a opinião de quem vê o Bahia de fora, mas que nem por isso está tão por fora.
Nos últimos anos, pelo menos nos últimos dez, acho que mais até, nenhum técnico fez o Bahia jogar como Sérgio Soares.
Partia pra cima e ganhava dentro e fora de casa.
O que acredito ser uma característica dele é que ele parece ser aquele tipo de treinador “rascante”, exigente, mas que a longo prazo se desgasta com o plantel.
Parece ter acontecido com o Ceará (2014), com grande campanha caindo no final da temporada e com o Bahia em 2015. Todos lembram do que aconteceu.
É claro que ninguém pode imaginar o Bahia o contratando outra vez. A diretoria seria chamada de louca ou até mais. Plenamente compreensível.
Mas, não vejo ninguém melhor do que ele neste momento. Lembre-se que faltam poucos meses para terminar o campeonato. Isto significa que se essa característica que identifico nele for verdadeira não haveria tempo suficiente para que “agora” ela se concretizasse.
Por que digo isso?
Porque Guto Ferreira é Doriva.
O time dele é o mesmo de Doriva.
O esquema de jogo é o mesmo.
A apatia e frouxidão do time são as mesmas.
A falta de qualidade é a mesma.
É um time sem alma.
Há times que se caracterizam por não ter alma e por isso não são chegados a grandes conquistas.
O Bahia sempre foi força, garra, amor, paixão…
ALMA.
Diante disso, anote o que vou dizer.
Temos que contar com a possibilidade (quem sabe, probabilidade) de que alguns times não resistam às dificuldades (limitações no plantel e consequente cansaço físico, contusões, cartões…) de um campeonato tão longo e comecem a mostrar sinais de decadência.
Pode-se imaginar quem corre esse risco.
Se não tivermos essa ajuda, o Bahia não sobe.
E então chegaremos ao final do ano com um dos times mais caros da história da série B e um desempenho medíocre.
E aí, mesmo com os reconhecidos acertos, essa será a marca da atual gestão.
Com a substancial ajuda da lamentável imprensa esportiva da Bahia, que Marcelo Sant’Ana tinha a obrigação de conhecer porque fez parte dela e para ela provavelmente voltará, e o oportunismo de muitos.
É triste, mas parece que as coisas estão tomando esse rumo.