“Endodontic World”

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Por Ronaldo Souza

O jogador de futebol que surge e se destaca no eixo Rio-São Paulo tem um pé na Seleção Brasileira.

Ele não teria, como não tem, as mesmas chances se estivesse ou estiver jogando em outras regiões do país, ainda que dessas tenha mais chances caso esteja em Minas Gerais ou Rio Grande do Sul.

Este é um fenômeno recorrente em muitas áreas no Brasil.

Alceu Valença, pernambucano e um dos nossos grandes compositores, foi muito feliz quando há anos disse que o artista brasileiro tem que fazer o vestibular do Sul para ser aprovado no resto do país, inclusive na sua própria terra.

Na mosca.

Talvez seja interessante esclarecer que no Nordeste é comum dizer-se Sul numa referência ao Sudeste (costume que vem dos mais velhos). Tanto que por aqui existe uma expressão muito conhecida, “sul maravilha”, quando, na verdade, seria sudeste maravilha.

Há quase 14 anos ouvi que o fluxo normal do conhecimento é do Sudeste, fundamentalmente do eixo São Paulo-Rio, para as outras regiões do país, não ao contrário.

Segundo essa pessoa, que demonstrou conhecer muito bem como isso funciona ao me contar em detalhes alguns aspectos que vi se confirmarem com o tempo, esse é o sentido; de mão única.

Tentar transforma-lo em mão dupla mexe com muita coisa.

A geografia condena.

Tradicionalmente, ainda que muitas vezes de forma sutil, outras nem tanto, o mundo acadêmico não parece deixar dúvidas quanto a isso.

Espaços se fecham diante da possibilidade de surgimento de alguém de “fora”. Muitas vezes, por movimentos quase que imperceptíveis de tão bem concatenados, bloqueiam-se as fronteiras.

Pergunte ao neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, nascido paulista, radicado durante muito tempo nos Estados Unidos e hoje vivendo lá e cá, considerado um dos vinte maiores cientistas do mundo no começo da década passada pela revista “Scientific American”, o que ele pensa e sabe sobre isso.

Fora do circuito da “imprensa endodôntica” e isolado do resto do Brasil pelas montanhas de Minas Gerais, sua terra, o professor Quintiliano Diniz De Deus viu barreiras serem colocadas nas suas fronteiras com o mundo endodôntico brasileiro.

Original, o Prof. De Deus chegou falando de uma forma diferente de ver a Endodontia e enfrentou dificuldades. Representa hoje uma página importante da vida endodôntica no Brasil e constitui leitura obrigatória para quem deseja conhecer melhor os caminhos da Endodontia.

Como seria nos tempos atuais em que a “imprensa endodôntica” se profissionalizou e se tornou ainda mais poderosa?

Não parece ser de difícil percepção os grupos que se tornaram influentes, com grande acesso e força junto a essa “imprensa”.

Conheço de perto a história de um professor de um país hermano vizinho que por duas vezes em momentos diferentes tentou levar um professor do Nordeste do Brasil para falar de Endodontia no seu país.

Não conseguiu.

Ele deixou transparecer que foram daqui as vozes que sugeriram o veto.

Eles são invisíveis?

Não.

Muito pelo contrário.