Por Ronaldo Souza
“Vocês não imaginam o tamanho da minha decepção, da minha desilusão política. Eu fui iludido, fui enganado”.
Isso foi dito pelo ex-humorista do Casseta & Planeta, Marcelo Madureira, na Jovem Pan.
Segundo Kiko Nogueira, do DCM, Madureira é uma versão obesa, idosa e carioca de Danilo Gentili.
Ambos, Madureira e Gentili, são ídolos e gurus dessa espécie conhecida por coxinha, cuja característica maior é o grande conhecimento sócio-político.
“Fomos todos enganados, iludidos por falsos discursos, apertos de ‘mãos grandes’, promessas vazias; a ficha caiu…”, disse por sua vez Marcio Garcia, “artista” da Globo, que também apoiou Aécio Neves nas eleições de 2014.
Por que alguém haveria de ficar surpreso com os “artistas” da Globo?
Não há como.
Mesmo diante do óbvio, eles e os que fizeram parte das mais diversas manifestações durante a campanha para a presidência de 2014 ultrapassaram todos os limites permitidos pela inteligência e bom senso.
A estupidez foi a tônica.
E agora, contaminados de forma irreversível pelo vírus da estupidez, buscam fugir da responsabilidade que lhes cabe diante da situação em que se encontra o país.
Os mais idiotas, ainda que pareça impossível ser mais do que já demonstraram ser, continuarão a vomitar barbaridades, até pela irreversibilidade da doença já instalada.
Liderados politicamente (!!!) principalmente por figuras como Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso (os demais são em geral inexpressivos), logo após o resultado das eleições a escalada da irresponsabilidade com o país atingiu níveis inimagináveis.
Sob aquelas lideranças, boa parte da sociedade atingiu um nível absurdo de degradação.
Entretanto, ainda que PSDB, DEM, PMDB, PPS, PSB e os penduricalhos de sempre fossem os comandantes à vista, pela incompetência demonstrada inúmeras vezes jamais teriam condições de planejar e conduzir esse processo. Tiveram ao seu lado desde sempre o apoio das verdadeiras elites brasileiras, entre elas o judiciário.
Foi, porém, a falida mídia brasileira o grande comandante da traição ao país.
Mídia brasileira que na verdade significa Rede Globo.
Falidos econômica e moralmente, foram os comandantes supremos de um ato que destruiu os sonhos que sonhamos para os nossos filhos e netos.
E com as nuvens escuras com que costuma carregar os céus do Brasil a Globo tenta mais uma vez impedir que o Sol jogue luz sobre as trevas que conduzem a manada na eterna marcha dos insensatos.

O golpe dentro do golpe
Mesmo diante de todos os absurdos e escândalos que ocorrem no país, a Globo e seus periféricos (Veja, Estadão, Folha, Band…) oferecem ao país a alternativa que sempre foi o seu objetivo.
Colocar no poder um presidente da república sem votos, sem eleições, via indireta.
Sem o povo brasileiro!
Essa raça inútil.
Inferior.
Quem elegerá o presidente que a Globo quer?
O Congresso, esse mesmo que continua assaltando o país, um país que agora vive, como se vê claramente, livre de corrupção.
Graças à proteção de Sérgio Moro, sua Lava Jato, Ministério Privado Federal (MPF) e Supremo Tresloucado Federal (STF).
Uma farsa muito bem planejada e conduzida, cujos objetivos (entrega do Pré-Sal, destruição do projeto nuclear brasileiro, privatização das telecomunicações, destruição da indústria brasileira…) já estão a todo vapor.
Alguma dúvida de que os miquinhos amestrados serão capazes de ir às ruas para defender essa ideia?
Claro, com o kit verde-amarelo da camisa da CBF que os torna seres únicos e dignos representantes da brasileirice brasileira do brasileiro.
Afinal, de que vivem se não de seguir a cartilha do pensamento único e hegemônico da Globo?
No texto Olhos Lassos falei de dois poetas, Antônio Maria, brasileiro, e José Régio, português, de quem postei um áudio com o poema “Cântico Negro”, magnificamente interpretado pelo grande ator já falecido, Paulo Gracindo.
Aproveito uma vez mais o poema de José Régio para exprimir o meu sentimento.
“Eu olho-os com olhos lassos
Há nos meus olhos ironias e cansaços”.
Ironias por ver a degradação, inimaginável nos níveis em que ocorre, de boa parte da sociedade, justamente aquela que se diz pensante.
Cansaços por ter que lidar com tanta estupidez por tantos longos anos.
Cansaços por ver a estupidez escancarada pelo mais torpe dos motivos; o preconceito.
Cansaços por ver o ódio de mãos dadas com o preconceito se incorporar à alma de tantos brasileiros e ali fixar residência.
Daí o meu desprezo.
Desprezo por todos esses homens e mulheres que, como Madureira e Marcio Garcia, agora se dizem “enganados, iludidos por falsos discursos, apertos de ‘mãos grandes’, promessas vazias”.
Desprezo pelos omissos que, nas suas vidas medíocres e no oportunismo da omissão se mantiveram calados por se imaginarem inatingíveis por algo que simplesmente destrói o país e seu povo.
Desprezo por aqueles que do alto da sua ignorância abrem o peito para estupidamente professar; “político é tudo igual, tudo farinha do mesmo saco”, mas se vestem de luto para agredir uma presidenta porque a Globo mandou.
Desprezo por essa mistura de ignorância, estupidez, canalhice e omissão, seja por que razão for, ou por todas juntas, que levaram este país à vergonhosa condição de republiqueta de bananas, como já foi chamado no passado.
Dedico-lhes essa parte do poema de Antônio Maria.
“Eu sou um vegetal
Estou reduzido aos meus instintos
Estou preso aos meus sentidos
Pouco a pouco foram reduzindo o meu direito à minha humanidade
Tiraram meu semelhante de junto de mim
Limitaram o uso do meu cérebro a operações mais simples
Arrancaram a minha carta de cidadania
Extinguiram a minha capacidade de influir
Diminuíram meu cérebro
Dissolveram minha consciência
Agora eu apenas faço parte da paisagem quase morta
Sou uma planta encostada aqui neste banco de praia
Quando haverá outro dia esperança
Quando?”
Antônio Maria
Brasileiro: Profissão, esperança
Canalhas, canalhas, canalhas!
Recorro a uma personagem de José Saramago, no livro “Ensaio sobre a Cegueira”:
“Se tivesses que ver o que sou forçada a ver todos os dias também quererias ficar cego”.
Ah, como eu desejaria ser cego para não estar tão cansado por ver tanta canalhice.