Governo Bolsonaro avacalha tudo, até as Forças Armadas

Bolsococa

Por Ronaldo Souza

“Não tenho bola de cristal”.

Inacreditável, mas foi o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general Augusto Heleno quem disse essa frase quando perguntado sobre os 39 quilos de cocaína encontrados no avião da comitiva presidencial em viagem para o Japão.

Veja o que diz o jurista Eugênio Aragão:

“O embarque no avião da comitiva presidencial se deu na Base Aérea de Brasília, em pleno território militar, com número limitadíssimo de acessos à estação de passageiros. Tudo perfeitamente controlável e escrutinizável. Menos para o General Heleno”.

E nesta quinta-feira (27 de junho), em conversa com jornalistas e em mais uma de suas já conhecidas pérolas, o brilhante ministro lamentou a “falta de sorte” do governo.

‘Podia não ter acontecido, né? Falta de sorte ter acontecido justamente na hora de um evento mundial. Acaba tendo uma repercussão mundial que poderia não ter tido’.

Já falei aqui em outros momentos sobre o brilhantismo do general.

Assim o define o professor Luis Felipe Miguel, da UnB:
“Augusto Heleno é a encarnação da miséria moral do Exército brasileiro. Um gorila clássico, truculento, limitado, despreparado para as funções profissionais e para a vida pública, sempre envolvido em histórias confusas”.

Aliás, brilhantismo de todo o governo, a começar pelo incomparável presidente da república, o mico.

O general Augusto Heleno é somente mais um deles.

E aí transformam tudo em briga de botequim.

Bolso Heleno e coice

Esse foi o recado dele para dois chefes de Estado da Europa, Angela Merkel (chanceler da Alemanha) e Emmanuel Macron (presidente da França).

Mais uma vez fica explicitado porque os eleitores deles ficam tão excitados.

Essa excitação decorre desse comportamento troglodita típico da ignorância, que faz com que eles não só se entendam como se completem.

Particularmente, tenho me esforçado muito para tentar compreender esse modo de ser, mas ele é um Ministro de Estado e precisa perceber que a linguagem no mundo civilizado não é a que eles do governo usam no lidar com seus admiradores e eleitores.

Lembra da analogia das mortes por amas de fogo com as provocadas pelo trânsito?

É dele.

Além da inigualável capacidade de produzir o caos e explicações caóticas para ele, alguns deputados, senadores e jornalistas já perguntam se os milicianos já tomaram conta do governo ao ponto de se fazer tráfico de cocaína em avião presidencial.

Ou será que não era para tráfico?

‘Pó branco, rostos vermelhos: a carga de cocaína a bordo do avião presidencial’

Bolso pó branco

A manchete do The New York Times na imagem acima diz:

‘Pó branco, rostos vermelhos: a carga de cocaína a bordo do avião presidencial’.

Enquanto a imprensa internacional chama o avião de Bolsonaro de “aerococa”, a brasileira mais uma vez se esquiva e tenta abafar o caso vergonhoso.

Essa é hoje a imagem do Brasil em todo o mundo.

Também mais uma vez, a Globo vai além.

Não só tenta abafar como dá a sua versão, dizendo que o militar serviu a outros presidentes desde 2011, o que atingiria a Temer e Dilma, na verdade o objetivo maior da narrativa da Globo. Chega a insinuar também 2010, para pegar quem, quem, quem?

Lula.

“Eles” vibraram!

Estamos salvos, pegaram Lula e Dilma também.

A Internet não deixou.

A Globo não quis proteger o mico.

Ela faz isso, a qualquer preço, com o ex-juiz que mente o tempo todo, mas que cada vez mais está afundando na lama em que está.

A Globo quis botar Lula e Dilma no mesmo avião do mico (o vendedor de bijuterias), do Conje (o ex-que-mente-o-tempo-todo), de Guedes (o vendedor de tudo), do general Heleno (o grande), de Lorenzoni (o corrupto perdoado pelo ex-que-mente-o-tempo-todo porque pediu desculpas)…

O governo Bolsonaro está conseguindo o que parecia impossível; avacalhar até as Forças Armadas do Brasil.

Mas esse episódio que mancha o Brasil de maneira vergonhosa, não foi à toa a repercussão que teve em todo o mundo, como outros que estão acontecendo traz de volta outro tema.

Você lembra que já escrevi e postei aqui inúmeros textos sobre o “Domínio do Fato”?

Foi durante o reinado de Joaquim Barbosa (o Sérgio Moro de plantão naquela época) e que, tal qual o Conje, foi também ganhador do prêmio ‘Faz Diferença’, da Globo.

Por falar em Joaquim Barbosa, por onde anda o ex-futuro candidato a presidente da república?

“Como bagaço de fruta chupada, será atirado pela janela”.

Lembra que eu disse isso?

E não foi uma vez só não.

Há outro que será em breve.

Lembra de quem mais ganhou o prêmio da Globo?

Isso, ela mesma, Carmen Lúcia, ministra do stf.

Aquela que adora tirar da pauta julgamentos que podem ser favoráveis a Lula.

Corrupção flagrante que os dignos e brilhantes miquinhos amestrados ignoram.

Algo compreensível e quem sabe até aceitável, pois há quem diga que a ignorância deve ser perdoada.

Medalhas, comendas, prêmios, homenagens, muitas vezes representam a corrupção pelo atalho da vaidade.

Pois é, como aquele stf não conseguia provar a culpa de José Dirceu e Genoino, Joaquim Barbosa usou a teoria do Domínio do Fato.

Usou e deu a ela uma interpretação que foi contestada pelo autor da teoria, o jurista alemão Claus Roxin.

Um dos textos em que falei sobre esse tema foi Como Bolsonaro lida com a sua corrupção.

Pela Constituição de Joaquim Barbosa, Moro e Bolsonaro, a teoria do “Domínio do Fato” se aplica facilmente à cocaína do avião de Bolsonaro.

Se Lula, José Dirceu e Genoino tinham que ter “domínio dos fatos” que aconteciam em seu governo, Bolsomico tinha que saber o que estava acontecendo debaixo do nariz dele, dentro do avião dele!!!

E Moro, o ministro da justiça, o que faz???

Não tá nem sabendo que tem avião, quanto mais que tem cocaína.

Ele está preocupado com outras coisas.

Moro e jantar para aliviar a barra''.jpeg

Mas não vem ao caso.