Por Ronaldo Souza

“Este homem parece um idiota, age como um idiota, mas, não se confunda!
Essa pessoa é realmente um idiota!”
Groucho Marx
Por favor, antes que queiram cuspir em mim, agredir o comunista safado, atear fogo às minhas vestes, como diriam alguns escritores, Groucho Marx não tem nada a ver com Karl Marx.
Esse Marx de que falo agora era um comediante americano.
Americano, ouviu bem?
Do país de Trump.
Isso, do país de Trump.
Prestou atenção?
Trump!
Entendeu a senha?
Pronto, tô salvo.
Não serei xingado e chamado de comunista por eles.
Até a Globo já foi.
Adoro eles de paixão.
Não consigo resistir ao charme do conhecimento político que possuem.
A inteligência, a sensibilidade, a leveza…
“A insustentável leveza do ser”, como diria Milan Kundera.
E eles são.
Leves, inteligentes, sensíveis…
Foi com todo esse arsenal que o mico nos brindou mais uma vez.
Ele acabou de proibir a venda no Brasil daquele que é tido como o melhor e mais vendido charuto do mundo, o Cohiba.

A Anvisa justificou a decisão por causa do “excesso de ácido sórbico” encontrado nos charutos. A importadora Emporium, que trabalha há 20 anos com o Cohiba, garante que “não há inclusão de qualquer aditivo, por tratar-se de um produto 100% natural, a folha de tabaco”.
Por que o melhor e mais vendido charuto em todo o mundo teria sido proibido no Brasil?
Você já ouviu falar de cabeça sem cérebro?
E de pessoas tapadas, já ouviu falar?
Você sabia que a Terra é plana?
Que Einstein é um idiota?
E de “escola sem partido”, já ouviu falar?
É por aí.
A fonte é a mesma.
A estupidez.
Diz a lenda que, no começo, a produção do charuto Cohiba estava reservada a Fidel Castro e outros líderes comunistas, além de ser oferecido aos mandatários aliados que visitavam Havana. Somente a partir de 1982, passou a ser produto de exportação.
Em que ambientes whiskies, vinhos e perfumes caros são consumidos e transformados em grande prazer?
Em ambientes de maior poder aquisitivo, claro!
Whiskies, vinhos, perfumes, sapatos, gravatas… escoceses, franceses, italianos, para um público consumidor seleto.
A esses produtos sempre foram incorporados os charutos.
Em todo o mundo.
Capitalista ou não.
De Freud a Hemingway.
Quem será que cultiva e curte a harmonização de whiskies e charutos, essa coisa tão fina?
Não sei, mas sei que não costumam ser pessoas comuns.
São os escolhidos dos deuses, os “iguais”.
Mas, infelizmente, o justo costuma pagar pelo pecador, como diz a crença popular.
E os eleitos do Brasil agora terão que ir mais vezes a Miami para terem o seu sagrado direito de viver bem, com o padrão FIFA, com as suas camisinhas amarelinhas bonitinhas.
Explico.
Lembra que o mico acabou com a assistência médica aos pobres e miseráveis do país ao mandar os médicos cubanos embora porque eram… cubanos?
Ele agora fez o mesmo com os eleitos.
É que a infiel criatura que está à frente do governo desse país, eleito que foi por alguns indigentes mentais e intelectuais, proibiu a venda dos melhores charutos do mundo aqui no Brasil.
Por que?
Porque os charutos são cubanos.
Não é sensacional?
Não há mais como se surpreender diante do atual governo.
Todos os limites foram ultrapassados.
Não é à toa que o Brasil passa por vexames a toda hora.
Vexames que atingiram níveis inimagináveis, como agora no Japão durante a reunião do G20.
Para citar somente um desses momentos, nesse evento houve uma reunião “extra” do BRICS, grupo econômico constituído por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
O Brasil não foi convidado para essa reunião, algo que jamais tinha acontecido.
O encontro foi realizado pelos líderes Vladimir Putin (Rússia), Narendra Modi (Índia) e Xi Xinping (China).

Tomadas as resoluções, foram devidamente divulgadas na reunião “oficial” sob a presidência do Brasil, aí sim diante dos microfones e câmeras de todo o mundo.
Entretanto, para além das tradicionais fotos oficiais, não deixou de ser registrado o encontro entre Putin e o mico.
Confesso que nunca tinha visto um homem aniquilar outro com o olhar.
Observe os semblantes tensos, como que na expectativa do que pode acontecer, mas observe particularmente o desespero de um dos vice-presidentes do Brasil ao perceber o olhar acovardado do pai diante de um homem.

O olhar fugidio.
Que não olha.
O velho olhar de quem não enfrenta, de quem foge do confronto, já percebido pelos brasileiros em passado recente e que foi descrito por um pensador de redes sociais baiano como um “macaco velho que, além de ser bocudo, adora uma briga”.
Nada deve ser pior para um filho do que ver seu pai agir como um covarde, mesmo sendo um.
Putin o trucidou.
Nem precisou de um cabo e um soldado.
Bastou um olhar.
E o fez mudar de posição.
Veja o que relatou a jornalista Helena Sthephanowitz:

Chocante.
Tive pena.
Entretanto, assim que se sentiu seguro ao lado do principal diplomata dos Estados Unidos no Brasil, o macaco velho voltou a ficar valente e “afirmou, nesta quarta-feira (3), que seu governo atua para que não surja uma nova Venezuela na América do Sul”.

De fato, o “macaco velho que, além de ser bocudo, adora uma briga” é muito valente.
“Temos um problema aqui ao norte do Brasil e não queremos que outros países enveredem para esse lado”, disse ele, durante a cerimônia de celebração da independência dos Estados Unidos, na embaixada norte-americana em Brasília.
Foi sim vexatória a “participação” do Brasil.
Mas, de uma certa forma ficamos um pouco mais tranquilos ao ver que os miquinhos amestrados não perceberam nada do vexame do mico brasileiro.
Ao ignorar o que de fato acontece, permanecem felizes.
A ignorância é uma benção.
Mas foram devidamente alimentados pelo general Heleno, esse personagem folclórico da política brasileira, nesse belo, verdadeiro, digno e comovente discurso.
Um general que, como seu chefe, mente sem nenhum pudor e tenta apresentar o mico como “devidamente homenageado pelos grandes chefes de estado do mundo, recebido com todas as honras”.
Eles devem pensar que as fotos protocolares significam ser recebido com todas as honras.
O que se viu foi um pobre coitado inteiramente perdido e desprezado, que só tem isolado o país das decisões do mundo.
Você percebeu que ao final do vídeo que mostra os “dignatários”, como diz o pequeno general, fazendo o aceno de saudação para o mundo ele nem estava mais, já tinha saído, pelo desconforto que deve ter sentido.
E não era assim que o Brasil era tratado. O país já tinha se acostumado a ser destaque.

Veja a que ponto chegou a participação do país.
“O mais importante, na hora quase do encerramento, nós conseguimos saber da assinatura do acordo do Mercosul”, disse o general no vídeo.
Ficaram sabendo da assinatura do acordo somente na hora do encerramento do evento e voltam para o Brasil chamando as honras e glórias da assinatura do acordo para aquela pobre alma desgarrada do resto do mundo e desprovida de qualquer coisa, um sem noção.
É impressionante como eles nada percebem e fazem dos seus torcedores uns tolos.
Um país que através de Paulo Nogueira Batista Jr. ocupava a vice-presidência do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do BRICS) em Xangai, hoje se vê nesse papel ridículo pelo qual acabou de passar.
Na sua insignificância tosca, restou ao mico pagar mais um mico; vender bijuterias em uma sala qualquer.
Em pleno G20.
Quem poderia imaginar que um dia iríamos passar por isso?