Por Ronaldo Souza
Quando vi a manchete confesso que estranhei.
Todos perceberam a vergonhosa articulação do juiz Moro com a polícia federal e o trf4 (tudo com letra minúscula mesmo) para manter Lula na prisão.
Só idiotas não perceberiam.
Esses vão continuar insistindo em não perceber.
É simples; uma mente programada para não ver, não vê.
Entretanto, mesmo para o leitor/telespectador da Globo, por ela estupidificado, era clara demais a manchete; Moro e a polícia federal armaram contra Lula.
Quando um juiz, a polícia federal e um tribunal inferior (não se pode chamar aquilo de Tribunal Superior) armam daquela forma, torna-se impossível negar que foram, para usar uma expressão mais amena, desonestos.
A manchete deixava isso bem claro.
Ela só pode ter sido obra de um daqueles jornalistas que trabalham lá mas que discordam (são muitos) da manipulação diária da “empresa de comunicação”. Num cochilo do editor, enfiou a manchete.

A Globo, literalmente, entregava os bandidos.
E aí estava o grande pecado dela; um juiz herói caçador de corruptos não pode ser descoberto como desonesto.
Rapidamente trataram de mudar.
Vi logo depois num blog que o PT estava procurando a manchete “original”, tendo em vista que ela já tinha sido removida.
Mas como você pode ver na imagem acima, eu já tinha feito o print dela.
Como fez com Joaquim Barbosa, a Globo sabe muito bem do que são capazes Sérgio Moro e Carmen Lúcia.
Você, por acaso, lembra quem ganhou os últimos “Faz Diferença”, prêmio da Globo?
Joaquim Barbosa, Sérgio Moro e Carmen Lúcia.
Aproveito para perguntar.
O que você entende como corrupção?
Os demais membros do judiciário são peças coadjuvantes.
Só que todo coadjuvante um dia também quer ser protagonista.
Quem deverá ser o próximo “Faz Diferença”?
Inscrições abertas.
Agora vejam a nova e definitiva manchete.

Percebeu como muda completamente a informação?
Assim trabalham a Globo e o resto da mídia.
Muitas notícias sequer são dadas. Eles simplesmente negam as informações aos seus bem informados leitores/telespectadores.
Outras, porém, não há como serem escondidas.
Como esconder, por exemplo, essa pataquada que fizeram?
Se não há como esconder, a notícia é “modificada”.
Manipulam-se os fatos, distorcem-se as notícias.
E os doutores, diferenciados pela formação superior, continuam sem acesso à verdadeira notícia.
Mas seguem se imaginando bem informados.
Quem ignora não percebe.
Claro.
Mas há uma outra razão para esse “desejo” inconsciente de se manter na ignorância.
A fuga daquilo que nos incomoda.
E a realidade incomoda.
Sabe-se que só lemos, ouvimos e vemos o que queremos ler, ouvir e ver.
Precisamos de quem nos diga e nos mostre o que queremos ouvir e ver.

É mais confortável.
Assim somos felizes.
As redes sociais que o digam.
Ah, como somos felizes!
Medo, uma companhia constante

Por que são feitos filmes com “artistas” como Chuck Norris?
Cinema e televisão estão cheios de filmes e séries desse tipo.
O cinema americano faz filmes de baixíssimo nível porque sabe que precisa alimentar as mentes débeis.
Mentes que precisam de heróis.
Que preservam o ideal do macho, do destemido, do que não tem medo.
Assim surge o juiz “destemido”, que não tem medo de ninguém.
E, o mais importante, prende ricos e poderosos!!!
Meu Deus!!!
Isso é de uma pobreza mental colossal.
Mas que, como Chuck Norris, faria vibrar um garoto de 15 anos de idade nos cinemas da vida.
Mas a vida real não é assim.
O que explica um juiz, ainda que seja Moro, que muitos juristas e professores de Direito identificam como um juiz limitado, agir a céu aberto como ele fez?
Sabendo que estava atropelando os mais básicos princípios do Habeas Corpus (um direito consagrado em todo o mundo), como estão apontando vários profissionais do Direito, por que o juiz deixou de lado as próprias férias, se desesperou em telefonemas lá de Portugal e se expôs tanto para impedir a liberdade de Lula?
Será que Moro não sabia que se Lula fosse solto naquele dia, no outro estaria preso novamente?
Bastaria uma reunião do trf4 (alguém duvida que ela ocorreria num estalar de dedos?) para o plenário derrubar a liminar.
A incompetência dele chega a esse nível?
O que fez, então?
Faltando-lhe inteligência e serenidade, fatais na vida de um juiz em momentos como esse, desesperado Moro recorreu à força.
Típico de homens que se escondem no poder.
“Dê poderes extraordinários a homens ordinários e você terá o caos”
(Frase atribuída a Jean Paul Sartre)
Homens poderosos nada ou pouco temem, porque o poder lhes permite muita coisa.
Mas não são valentes.
Pelo contrário, ausente a coragem, desesperam-se com relativa facilidade e agem impulsionados pelo medo.
O roteiro que lhe deram para seguir e que ele tem conseguido cumprir, por um instante pareceu-lhe querer fugir das mãos.
Acostumado com o poder que lhe permite, um simples juiz de primeiro grau, atropelar tudo e todos e que fez do STF e STJ isso que hoje são, Sérgio Moro entrou em pânico quando se viu ameaçado.
Por isso não conseguiu sequer disfarçar o desespero e se expôs tanto.
Sérgio Moro está com medo.
Está com medo de algo que é muito maior do que todos eles juntos.
Lula.
O preso solto.
O morto vivo.
Aí, nem Chuck Norris.