
Por Ronaldo Souza
Ele é o que pode haver de pior na política.
Nas suas respostas às entrevistas fica patente a sua ignorância.
Não entende nada de economia.
É um homem explicitamente violento.
Tudo com ele é na bala.
Segurança para ele é prender e matar.
O interesse por armas levanta muitas suspeitas.
Com ele cresce o lobby da indústria de armas.
Não pergunte a ele sobre relações exteriores porque é capaz de pensar que está falando do vizinho de porta.
Declaradamente assumido contra as minorias.
Homofobia, racismo, preconceito, intolerância…, são características marcantes nele.
Completo ignorante.
Como diziam os mais velhos, um cavalo batizado.
E olha que já vi algumas aberrações em termos de eleição para presidente da república.
Houve uma que quase se concretizou e teria sido, além de chocante, um desastre.
Foi na França.
Foi um escândalo na época.
Um país como a França, cuja consciência política é reconhecida, eleger um candidato de direita, direitona mesmo, era um atraso impensável para a Europa.
Chocou o mundo.
Confesso que não lembro o nome dele.
Os franceses, insatisfeitos com os acontecimentos mais recentes no país à época, queriam dar uma resposta ao governo.
Deram.
Resultado, o candidato em questão passou para o segundo turno.
Gerou uma tremenda inquietação na Europa e de resto em todo o mundo.
Felizmente, a sociedade francesa viu que tinha ido longe demais, retomou a consciência e no segundo turno o outro candidato ganhou com larga vantagem.
A França se redimia perante os olhos do mundo.
Claro que eu poderia estar falando de Bolsonaro, afinal todas essas “qualidades” que citei acima ele possui.
E estou!
Mas, antes, estou falando de Donald Trump.
O ídolo de Bolsonaro, como ele próprio já anunciou.

Dizem que temos o governo que merecemos, até porque somos nós que elegemos.
Apesar das particularidades das eleições americanas, em se tratando de Donald Trump é possível que essa relação de causa e efeito tenha algum fundo de verdade.
É muito difícil não pensar dessa forma, ainda mais quando olhamos para a sociedade americana.
E quando olhamos para ela nos vemos.
Ao nos vermos, veremos no que estão nos transformando.

A imagem acima foi tirada da matéria que você vai ler logo abaixo e está também lá.
Se essa criança nada lhe diz, eu choro por você.
Se esse olhar nada significa, tenho pena de você e de sua família.
Você me choca.
Você me traz repulsa.
O vômito que você provoca em mim você não vê, eu sinto.
Sinto-o contaminar as minhas entranhas e me fazer adoecer.
Doente, seguirei o meu caminho.
Pedindo aos céus para jamais ver esse olhar no rosto do seu filho.
Ninguém merece isso.
Muito menos uma criança.
—
Os pedófobos
Por Fernando Brito, no Tijolaço
Saiu ontem no The New York Times e, hoje, a Folha reproduziu a história das crianças detidas nos Estados Unidos de Donald Trump, separadas dos pais, imigrantes.
Reproduzo o trecho inicial, suficiente para embrulhar o estômago de quem não tenha resistência para ir até o final.
Basta ler para comprovar que a imensa riqueza e poder daquele país não têm mais nada a ver com os seus pais fundadores, inspirados nos ideais humanistas da do século expressos na Declaração de Independência dos Estados Unidos da América:
“São verdades incontestáveis para nós; todos os homens nascem iguais; o Criador lhes conferiu certos direitos inalienáveis, entre os quais os de vida, o de liberdade e o de buscar a felicidade…”
Os pais destes meninos e meninas foram fazer exatamente isso: buscar a felicidade.
O que encontraram está descrito na reportagem de Dan Barry, Miriam Jordan, Annie Correal e Manny Fernandez.

Limpar banheiros, seguir regras: os
dias das crianças imigrantes na detenção
Seja comportado. Não sente no chão. Não compartilhe sua comida. Não use apelidos. E é melhor não chorar. Se você chorar, isso pode prejudicar seu processo.
As luzes são apagadas às 21h e acesas ao amanhecer, e depois disso você tem que arrumar sua cama seguindo as instruções passo a passo fixadas à parede. Lave o banheiro e passe pano no chão, escove as pias e privadas. Depois disso é hora de formar uma fila para o café da manhã.
“A gente tinha que fazer fila para tudo”, recordou Leticia, uma garota da Guatemala.
Pequena, magra e com cabelos pretos compridos, Leticia foi separada de sua mãe depois de elas terem atravessado a fronteira ilegalmente no final de maio. Ela foi enviada a um abrigo no sul do Texas, um dos mais de cem centros de detenção encomendados pelo governo para abrigar crianças migrantes, espalhados pelo país e que são um misto de escola interna, creche e presídio de segurança média. Esses centros são reservados para pessoas como Leticia, 12 anos, e seu irmão Walter, 10.
A lista de proibições do centro incluiu a seguinte: não toque em outra criança, mesmo que essa criança seja seu irmãozinho ou irmãzinha.
Leticia queria dar um abraço em seu irmão menor, para deixá-lo mais tranquilo. Mas, recordou, “me disseram que eu não podia encostar nele”.
Aqui, o texto na íntegra, na Folha.