
Por Ronaldo Souza
– Professor, o senhor não vai vestir preto também não?
Fiquei sem entender.
O aluno então me contou que a Globo tinha feito uma convocação para que naquele dia todos saíssem de preto.
Somente aí percebi que alunos e alunas que fazem do branco a sua indumentária do dia-a-dia usavam blusas pretas por baixo daquelas roupas brancas, das quais, no meio do dia, se livraram para fazer selfies.
Soube então que professores e profissionais liberais, que também fazem do branco a sua roupa de trabalho, também estavam de luto.
Meu Deus, que tristeza!
Parecia uma espécie de auto velório.
Era a Globo lançando mais um balão de ensaio, medindo a temperatura daqueles segmentos mais letrados e confirmando:
Estavam no ponto.
Durante aquele dia soube que várias pessoas usaram preto.
Os Eremildos (expressão criada por Elio Gaspari) já foram identificados há muito tempo e não há quem melhor tire proveito disso que a Globo.
Já tive oportunidade de escrever sobre isso algumas vezes e uma delas foi há seis anos, quando falei que William Bonner considerava o telespectador da Globo, particularmente o do Jornal Nacional, um Homer Simpson. Isso foi dito em uma reunião de preparação do referido jornal, na presença de testemunhas seletas; professores de Comunicação (veja aqui The Simpsons).
A mais recente demonstração desse poder foi nas últimas manifestações nas Avs. Paulistas.
Mais uma vez a Globo os conduziu, inocentes e puros, pela Av. Paulista de São Paulo e pelas Avs. Paulistas do Brasil (em Salvador o Farol da Barra, Recife a praia de Boa Viagem, no Rio a Av. Atlântica…).
Os milhares de Cunha, Aécio, Temer, Geddel, Romero Jucá, Renan Calheiros, Serra, Alckmin, Padilha que foram às ruas foram “orientados” a não tocar em Temer.
Quem era o alvo?
Renan Calheiros.
Os Eremildos, que, por razões semelhantes às de Cunha há muito tempo não batiam em Renan, foram autorizados pela Globo a bater.
E lá se foram eles, fantasiados de autênticos brasileiros, com a camisa amarela da CBF, enrolados na Bandeira do Brasil, para as Avs. Paulistas com as faixas de Fora Renan.
Quando a Globo se tocou que entre outras coisas sem Renan ia ser difícil aprovar as medidas protetoras do povo brasileiro – PEC 55 e Reforma da Previdência, já aprovadas – voltou atrás e Renan Calheiros não só permaneceu no cargo de presidente do Senado como está aprovando tudo em tempo recorde, como por exemplo o orçamento do governo para 2017.
Claro, tudo sob a legalidade conferida pelo STF, o Supremo Tribunal da Farsa.
Os Eremildos voltaram a ser todos Renan. Como já tinham sido Cunha.
Imagino como devem se sentir envaidecidos os profissionais liberais, professores, executivos, por fazerem parte dessa nata com tantas pessoas diferenciadas, sob o comando da Vênus platinada.
Veja o tamanho deles segundo o marqueteiro que fez João Dória Jr. ser eleito prefeito de São Paulo.
—
Marqueteiro de Doria diz que gestão Haddad foi das melhores de SP e que forjou imagem de trabalhador de seu cliente

Por Kiko Nogueira, no Diário do Centro do Mundo
“O maior pecado, depois do pecado, é a publicação do pecado”, escreveu Machado de Assis.
Sheilinha Couto fez um relato interessante em sua conta no Google + sobre as eleições para prefeito de São Paulo. O título do texto é “Como enganar os pobres e as classes médias paulistanas através do marketing político”.
Ei-lo:
Verdades incontestáveis…
Como enganar os pobres e as classes médias paulistanas através do marketing político?
Por Sheilinha Couto
Ontem à noite rolou uma palestra sobre marketing político na Semana de Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP. Estavam presentes os profissionais que coordenaram as campanhas de Marta, Russomanno, Haddad e Dória.
O destaque da noite, no entanto, foi Luiz Flávio Guimarães, responsável pela campanha de Dória. Segundo ele, foi relativamente fácil conduzir a campanha, principalmente pela capacidade de se moldar o pensamento da massa acrítica paulistana.
Luiz disse que a gestão Haddad foi uma das melhores que a Prefeitura já teve, que boa parte das políticas feitas pelo prefeito fazem parte de outras realidades, como as europeias, e que talvez façam sentido em São Paulo só em 2050.
O modo de reorganizar o trânsito, por exemplo, humanizando-o e dando maior fluidez não faz parte da cultura paulistana, acostumada ao caos, ao transporte individual e às altas velocidades que matam diversas pessoas diariamente. Logo, realizar mudanças de paradigmas sem a devida comunicação de massa gera um choque cultural na cidade, facilitando ataques e jargões como a “indústria da multa”.
O comunicador apontou, também, o ódio ao PT que cega as pessoas. Para ele, os veículos de comunicação falam mal do PT durante a manhã, a tarde e a noite. Isso acaba por gerar um desconforto no imaginário da população, fazendo com que suas convicções as ceguem. Logo, não importa se Haddad tenha sido um ótimo prefeito, pois o ódio ao partido falará mais alto na hora da escolha.
Outro ponto importante foi a imagem de João Dória que eles conseguiram construir. Luiz disse que a imagem de um empresário é muito impopular. O fato de Dória ter nascido em berço de ouro e seu patrimônio ser fruto de heranças não é algo que geraria uma identificação na massa.
Logo, era necessário enaltecer os pontos positivos e contornar os pontos negativos: “vamos dizer que ele é um sujeito bem sucedido (afinal ele é rico) e vamos passar a imagem de que ele cresceu a partir de seu trabalho – JOÃO TRABALHADOR”.
Assim, toda classe trabalhadora, seja da periferia ou do centro expandido, acabou por se identificar com o perfil de um trabalhador que empreendeu e subiu na vida.
Poderia destacar diversas outras falas que comprovam o quanto a alienação está presente nos discursos anti-petistas e anti-esquerda. Mas daria um textão maior ainda. Concluo com a necessidade de conscientizar a população, de modo a quebrar tabus e dogmas, fomentando as discussões saudáveis porém bem posicionadas e esclarecedoras, ainda mais num momento de retrocesso político com projetos como a Escola Sem Partido.
Obs: Luiz também já trabalhou na campanha de Lula (1989) e coordenou a de Marina Silva (2014), rs.
Conclusão 1: o paulistano tinha um grande prefeito e o substituiu por uma fraude.
Conclusão 2: não é preciso bola de cristal para saber no que isso vai dar.
Pergunta que não quer calar: como é que um sujeito como Luiz Flávio Guimarães consegue dormir?