
Por Ronaldo Souza
Há uma Geração de Ouro na endodontia brasileira.
Como escrevi à época, independente de eventuais divergências não há como deixar de reconhecer neles os méritos no surgimento e consolidação da qualidade da nossa endodontia.
Só os tolos esquecem os seus mestres.
Só aqueles com péssimo caráter vão além e falam mal dos seus professores.
Verdadeiros mestres não surgem como num passe de mágica, da noite para o dia. A despeito da importância dos seus títulos acadêmicos, não se tornam mestres de verdade graças a eles.
Vão se formando ao longo dos anos.
E terminam eleitos pelos deuses para uma missão nobre, da qual alguns talvez nem tenham noção da real dimensão.
Foi nesse processo que os mestres, a alguns dos quais me reporto em Geração de Ouro, chamaram para si a responsabilidade da construção da endodontia brasileira como hoje ela é.
Não se fizeram deuses, foram consagrados por eles.
Acho que nunca vou esquecer uma conversa com (Roberto) Holland, quando há alguns anos, reportando-se a determinado assunto, ele terminou uma frase assim; “… tenho visto na imprensa”.
Achei muito interessante aquela palavra, imprensa, sendo utilizada daquela maneira.
Claro que não era a imprensa como a conhecemos (jornal, televisão…), mas o que corre como “notícia” pelo mundo da Odontologia e no caso em particular da Endodontia.
Aqueles grandes mestres citados no artigo foram naturalmente surgindo e quando menos se esperava, estavam lá. Prontos, para ocupar o lugar que era deles.
Cada um a seu jeito, mas todos com características bem definidas:
Seriedade, competência e compromisso com o ensino da Endodontia.
Por razões diversas, alguns já não mais estão na ativa, outros em breve seguirão esse caminho e outros não estão mais entre nós.
Acredita-se que rei morto, rei posto.
Alguns até estimulam a difusão desse conceito. Por razões que só eles sabem.
Há, porém, um problema com as gerações de ouro.
Elas costumam deixar um vácuo que exige tempo para ser preenchido.
E os deuses recém surgidos (não mais mestres), não por consagração, mas por auto aclamação, têm pressa.
A pressa possui algumas características que interferem naquilo que poderia terminar num bom protótipo e daí, como deve ser, na bem-acabada forma final.
E os protótipos, mal acabados, ficam no meio do caminho.
A pressa é inimiga da perfeição.
Os grandes mestres não surgem, constroem-se com o tempo.
Os deuses auto aclamados têm pressa. O amanhã deles precisa ser hoje.
Paga-se um preço por isso; a inconsistência.
A construção de algo sólido impõe princípios porque só com eles se alcança o futuro.
A auto aclamação atropela.
Inclusive os princípios da dignidade.
Não terá vida longa.
Vai-se com o vento um pouco mais forte.
Mas os auto aclamados nada sabem além do ser agora.
A “imprensa endodôntica” se profissionalizou e se tornou mais poderosa.
E fez surgirem deuses.
Com a profundidade de uma piscina para crianças.