
Por Ronaldo Souza
Num momento em que precisei de tempo para me reacomodar.
Num momento em que precisei de tempo para repensar a minha vida.
Num momento em que precisei de tempo para me refazer.
Lá estava o tempo.
Amigo, parceiro, companheiro de todos os tempos.
Não sei se o tempo é remédio para todos os males, para todas as dores.
Há quem diga que não.
Há quem já tenha dito que o tempo não cura todas as dores.
Mas, mesmo eles, reconhecem que o tempo, no mínimo, alivia as dores.
Quando alguém diz “tudo passa” é verdade.
Tudo passa.
Dizem que “o que os olhos não veem, o coração não padece”.
Por isso, uma placa com esse dizer, “tudo passa”, deveria estar pendurada em algum canto da nossa casa.
Para que todos os dias os nossos olhos a vissem e assim pudéssemos “padecer” da esperança de que tudo passa.
Mas, sobretudo, deveria estar pendurada em algum lugar da nossa alma.
Para aquieta-la e nos permitir viver nos momentos em que tudo parece estar perdido.
Tudo passa.
“Tudo tem seu tempo e sua hora”.
Já ouviu?
É a sabedoria do povo falando.
O que diz ela?
Que a verdade um dia virá à tona.
Quem diz isso está contando com o que?
Com o tempo.
De fato, mais cedo ou mais tarde, a verdade um dia aparecerá.
Olha aí o tempo dando as cartas, dizendo que será.
E um dia é.
Um dia qualquer, mas um dia.
Um dia do tempo que virá.
A mentira é agora, hoje.
A verdade, amanhã.
Porque o tempo é amigo da verdade.
Um grande poeta baiano soube captar esse tudo que o tempo é e lhe fez uma oração.
E o chamou de Compositor de Destinos.
Divino!
Ah, o que seria da vida se não fossem os poetas?