Por Ronaldo Souza
No ano passado recebi um link que levava a um site ou coisa assim de Bolsonaro, com uma espécie de “convite” para ver a lista dos seus seguidores, ou pelo menos de alguns deles.
Confesso que fiquei tentado, para logo em seguida desistir.
Tive medo.
Tive muito medo de ver.
Já vivi o suficiente para aprender que em determinados momentos ignorar faz bem ao coração.
O não saber nos poupa de muita coisa.
Mas foi em vão a minha preocupação e explico porque.
Os momentos de aparente estagnação ou mesmo eventuais passos para trás fazem parte do sempre caminhar para a frente da humanidade.
Este é o nosso destino; caminhar sempre.
Para a frente.
Assim se dá o processo civilizatório da sociedade.
Entretanto, esse processo, do qual faz parte a inclusão daquilo que ficou conhecido como minorias, muitas vezes não é aceito por boa parte da sociedade.
O povo brasileiro é cordial e pacífico
Esta frase foi consagrada no clássico livro de Sergio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil.
Assim ficou conhecido o povo brasileiro.
Já houve até quem dissesse que o brasileiro era o último povo feliz da Terra.
Que não fosse, mas quem, de sã consciência, poderia imaginar que ele seria isso que hoje é?
Quem poderia imaginar que esse povo “cordial e pacífico” teria tanto ódio dentro de si?
De uma forma jamais vista na nossa sociedade.
Como que numa hipnose coletiva, as pessoas tiveram o seu estado de consciência alterado e se deixaram conduzir por aqueles que tomaram o controle das suas mentes cansadas e colonizadas, num processo de aculturamento absurdo e assustador.
Transformaram-se em zumbis que perambulam pelas trevas do inconsciente.
Destilam ódio e intolerância sem sequer imaginar que o que os aflige tem origem em algo que está lá dentro, bem no fundo, no âmago de suas almas; o preconceito.
Pessoas que se veem brancas e merecedoras de todos os privilégios.
Aos “inferiores”, nada.
Pessoas que, por nada desejarem e possuírem que não sejam bens materiais, desconhecem o que é construir uma sociedade minimamente justa, digna e humana.
Desconhecem o que é nação, o que é soberania de um povo.
Não são necessários links para conhece-los, porque resolveram sair de suas cavernas.
Não para ver o Sol e com ele iluminar suas vidas, mas para, das cavernas, trazerem as trevas para escurecer a vida que existia aqui fora.
Tempos difíceis, muito difíceis.