
Por Ronaldo Souza
Já fiz muitas críticas a Guto Ferreira e em alguns momentos achei que ele devia sair do Bahia.
Entretanto, pouco tempo após o início da temporada de 2017 percebi que Marcelo Sant’Ana, presidente do Bahia, e sua diretoria acertaram em cheio ao mantê-lo.
Guto, Marcelo e a diretoria foram muito criticados quando resolveram priorizar a Copa do Nordeste e armar dois times; o principal para a Copa do Nordeste e o segundo para o Campeonato Baiano.
Desde cedo decidiram e deixaram bem claro que neste primeiro semestre o Bahia ia priorizar a Copa do Nordeste. O Campeonato Baiano ia ficar em segundo plano.
Foram muitas críticas, algumas completamente equivocadas. Como sempre, a imprensa errou muito mais do que acertou, inclusive ex-jogadores que viraram comentaristas.
Nesse sentido, desde o início estive alinhado com o planejamento do Bahia.
Guto ainda cometeu alguns pequenos erros, é verdade, principalmente no Baiano, e por isso chegou às finais com menor número de pontos que o Vitória.
Foi a grande sorte do rival.
Na hora do “vamo ver” das finais, o rubro negro baiano escapou de uma goleada na Fonte Nova e conseguiu o empate com gol contra de Armero.
Com medo, mesmo no Barradão jogou para empatar.
Com dois empates, foi campeão.
O Bahia chegou mais inteiro e melhor às finais.
Isso ficou evidente para a própria imprensa, que tanto criticara o planejamento do tricolor.
É claro que ter ganho o Campeonato Baiano teria sido bom, seria mais um título, mas um título já com pouca importância.
Não há mais dúvidas de que o título da Copa do Nordeste é muito mais importante, com ganhos reais em renda nos jogos e consideráveis prêmios financeiros.
Um tiro certeiro, no alvo.
No Campeonato Brasileiro o Bahia começou avassalador contra o Atlético Paranaense.
Acertou outra vez ao priorizar a final da Copa do Nordeste e entrar com o time praticamente reserva contra o Vasco. A eventual derrota, que se confirmou, já estava na conta.
E contra o Botafogo, mesmo de ressaca das comemorações pela Copa do Nordeste, fez um primeiro tempo razoável (como o adversário) e um segundo tempo muito bom. A própria imprensa carioca não pôde deixar de elogiar o jogo que o Bahia fez. Tanto é que elegeram Gatito Fernández, goleiro do Botafogo, o melhor jogador da partida.
Talvez seja interessante lembrar que não foi exatamente Guto quem armou o quarteto que demoliu o Vitória e fez o Bahia ganhar com sobras do Sport.
Foi o acaso quem “armou” o ataque para Guto.
No momento em que Hernane se contundiu e logo em seguida Gustavo, seu substituto, foi expulso, Guto não tinha outra alternativa senão armar o ataque daquela maneira.
Isso, porém, não tira os méritos dele.
Após erros e acertos, Guto estava conseguindo armar o time como a torcida queria e merece.
Guto Ferreira deixa o time bem montado.
Mas a partir de agora vira-se a página.
Agora é contratar um novo técnico e novos reforços, além dos dois que estão sendo anunciados.
Além do bom planejamento no início do ano, o Bahia acertou na contratação dos jogadores. A diretoria fez o que a torcida sempre pediu.
À exceção de Armero (que independente da sua boa condição física e de ser um jogador de grupo, agregador, não pode ser o titular), a direção tricolor deixou de lado a contratação de veteranos que, normalmente em final de carreira, pouco acrescentavam ao time.
Ao contrário, trouxe jogadores jovens, bons de bola e que buscam espaço no futebol brasileiro.
Nomes que já foram importantes para o futebol não deveriam ser mais o grande objetivo, este é um erro antigo que se comete no futebol do Nordeste e que aqui na Bahia conhecemos de perto.
Considerando-se os reforços que precisam ser contratados e os que estão no departamento médico (cito particularmente Jackson), o plantel é o melhor dos últimos anos.
E nesse momento é importante perceber que atualmente o Bahia tem um time que joga um futebol moderno.
Alione, Edgard Junio, Zé Rafael e Régis constituem um quarteto que tende a crescer e dar alegrias à torcida.
Assim, o Bahia deve analisar bem o perfil do novo técnico que vai contratar.
Com todo o respeito que tenho por ele, Cristóvão Borges, cujo nome tem sido especulado, não possui o perfil adequado ao momento que vive o time. Não deve ser ele.
Somos a turma tricolor

Um projeto de reconstrução é feito de muita luta, dedicação, erros e acertos.
Vivemos um momento especial, em que time e torcida parecem se reencontrar, num encontro marcado há anos.
Torcedor tricolor, mais uma vez você mostrou sua força e encantou o Brasil.
No jogo Bahia versus Sport pela final da Copa do Nordeste 2017, a Fonte Nova foi palco de um espetáculo grandioso, digno da torcida grandiosa que você representa.
Observe como ultimamente cada vez mais a Fonte Nova volta a ser aquela mesma onde o Bahia proporcionou grandes emoções à sua torcida.
Segunda-feira, 05/06, vá lá torcer.
Não só porque está dando alegria ver o time jogar, mas também porque precisamos fazer o time acontecer no Campeonato Brasileiro.
Neste ano, time e torcida têm que caminhar juntos como há muito não vemos.
Vamos lá.