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Um time refém

Foi comum durante todo o período que antecedeu a inauguração da Arena Fonte Nova ouvir-se que o Bahia voltaria à sua casa, palco das suas grandes conquistas. Na afirmativa, que expressava toda a expectativa e até ansiedade do torcedor, havia um desejo implícito; o de que também voltaria o Bahia, o verdadeiro. Mas na afirmativa também havia um equívoco.
 
Observe que não falei em reinauguração da Fonte Nova. Se isso fosse possível, a reinauguração da Fonte Nova, talvez todos os santos e orixás, que sempre estiveram com o Bahia, voltassem e pudessem nos ajudar a reviver aqueles momentos de glória. 
 
A Fonte Nova sempre foi o grande palco do Bahia, o palco de conquistas inesquecíveis, algumas inexplicáveis, momentos em que provavelmente os santos e orixás entraram em campo.
 
Não será assim.
 
A Arena Fonte Nova não é a Fonte Nova. A Arena Fonte Nova nada tem a ver com a Fonte Nova. Há certas coisas que não se explicam, como há certas coisas que jamais entenderemos. Da mesma forma, o Bahia não é mais o Bahia. Tornou-se um time refém.
 
Refém de um passado recente, quando, após ganhar pela segunda vez um campeonato brasileiro, honra e glória dadas a poucos, mostrou ser o mesmo de quando o fez pela primeira vez, há 54 anos.
 
Foi compreensível que àquela época o Bahia ganhasse um título nacional e continuasse provinciano. Eram tempos de um futebol que ainda conservava muito do seu amadorismo. Ainda mais se tratando de um time do nordeste, onde vicejam dirigentes pobres, muito pobres de espírito.
 
Foi, porém, inaceitável e imperdoável que o dirigente que estava à frente do clube na conquista do seu segundo título nacional, momento em que o futebol já estava totalmente profissionalizado, continuasse com a mentalidade tacanha e provinciana que o caracterizou.
 
Times como Atlético Mineiro, Cruzeiro, Coritiba, para citar somente esses, souberam tirar proveito dos momentos em que também conquistaram os seus títulos nacionais e se tornaram o que são hoje. 
 
Quando o Bahia dava sinais de decadência, aquele dirigente recorria ao velho chavão; “ah, mas o nosso rival…” E dizia as bobagens que a sua pobre mente lhe oferecia como argumento. Era um fiel discípulo, na verdade o melhor, daquele dirigente do título de 1959. Um novo título nacional, mas o Bahia não tinha evoluído.
 
Apesar de tudo, ainda que continuasse pobre na sua estrutura, que na verdade nunca existiu, alguns dos times que entraram em campo nesse período eram bons. Alguns até se tornaram inesquecíveis e estão ainda na memória dos torcedores.
 
Conduzido a um cargo vitalício, proporcionado pelo seu senhor, que não lhe permitia ficar à frente do clube, o “eterno presidente” recorreu a uma estratégia cruel e perversa; pôs no comando do clube homens absolutamente incompetentes, mas que podia controlar. Um plano maquiavélico que mantinha o clube sob seu domínio, mesmo não sendo mais oficialmente o seu presidente, até que ele pudesse voltar.
 
O Bahia entrou numa longa noite de horror, um período de trevas. Penou entre a segunda e terceira divisões do futebol brasileiro durante anos.
 
A volta à primeira divisão animou a todos. Um presidente jovem estava à frente do clube naquele momento. Um presidente jovem que logo mostrou que não era um jovem presidente. Um discípulo do discípulo estava na presidência. Estávamos de volta ao passado, sem jamais termos saído dele. Uma análise fria nos chama à realidade: como esperar algo de uma diretoria que tem a sua origem naquelas que trouxeram a longa noite que se abateu sobre o clube e se lá ainda estão remanescentes delas?
 
O Bahia é um time refém d

o passado. Refém da pobreza de espírito e da pequenez dos homens. Um clube refém do mesmo pensar pequeno de 54 anos atrás. O seu presidente, tal qual os que lhe antecederam, já mostrou inúmeras vezes o seu completo despreparo para dirigir um clube de futebol da grandeza e tradição do Esporte Clube Bahia. Grandeza pela força da sua torcida e tradição pelos títulos outrora conquistados.

 
Não se trata de coincidência, é pura incompetência. Ou seria algo mais? Viver da tradição dos títulos conquistados é um castigo que a torcida não merece.
 
A Arena Fonte Nova não é a Fonte Nova. A Arena Fonte Nova nada tem a ver com a Fonte Nova. Mas isso seria facilmente contornável. O grande e único problema é que o Bahia não é mais o Bahia. O Bahia nada mais tem a ver com o Bahia.
 
Os santos e orixás da Bahia não mais estarão sentados ao nosso lado nas cadeiras da Arena Fonte Nova. Sentem saudades do Bahia e da Fonte Nova. 

A Semana Santa com Aécio Neves

População de São João Del-Rei repudia comportamento de Aécio


Revoltada com a cobertura da imprensa, população questiona omissão na divulgação de olhar, expressão esgazeada e o pó branco abaixo da lapela esquerda

O projeto de marketing montado na tentativa de melhorar a imagem de Aécio Neves não deixou escapar nem mesmo a Semana Santa.  Foi grande a cobertura da mídia nacional sobre a participação do senador na celebração religiosa em São João Del-Rei. Porém, causou revolta à população da cidade a omissão pela imprensa na divulgação dos fatos que realmente ocorreram.

Mesmo diante da insatisfação popular, Aécio percorreu um trecho das ruas da cidade durante a Procissão do Enterro, que aconteceu após o Descendimento da Cruz, na escadaria da igreja de Nossa Senhora das Mercês.  O cortejo passou pelo Centro histórico em silêncio, só quebrado pelo Canto da Verônica.

A estratégia visava aproximar o senador tucano de uma tradição da família, iniciada com seu avô, o falecido presidente Tancredo Neves. Revoltada, a população da cidade denunciou o oportunismo na utilização do evento religioso.
 
Ele carregou a lanterna de prata, como fazia Tancredo, durante a Procissão do Enterro, ao lado do esquife da imagem de Cristo morto. Dando ênfase apenas á sua participação, nenhum veiculo da imprensa noticiou a insatisfação popular, tão pouco como estava o senador. O olhar (olhos vidrados), a expressão esgazeada… Mas, principalmente, o pó branco abaixo da lapela esquerda.

O tucano, que governou Minas Gerais por duas vezes e elegeu o sucessor Antonio Anastasia (PSDB), perdeu a eleição em São João Del-Rei para o petista Professor Helvécio, como ocorrido na maioria dos grandes municípios do Estado.

Embora praticamente proibida de ser divulgada, a derrota política no município não é fato novo, inclusive o candidato a prefeito que Aécio apoiou em 2012 era um opositor ferrenho a família Neves, o que pode ter sido um dos fatores que o levaram à derrota.

“Foi uma construção que ficou complicada. Acho que houve um erro de avaliação porque o PSDB e o PMDB racharam na cidade por causa dessa coalizão”. “Eram duas forças antagônicas, como óleo e água. Há muito tempo eles se digladiavam”, disse o petista. Para ele, o eleitorado não assimilou bem a construção feita entre os tucanos e peemedebistas no município.

“Eu acho que o eleitorado não aceitou isso. Tanto o eleitorado do senador como o eleitorado do ex-prefeito não aceitaram essa aproximação”, explicou.

O candidato derrotado Nivaldo Andrade foi prefeito de São João Del-Rei por três vezes –entre 1993 e 1996, 2001 e 2004, e de 2009 á 2012, o peemedebista governou também a cidade vizinha de Tiradentes.

As diversas editorias dos diversos veículos da imprensa consultados por Novojornal informaram que as matérias divulgadas em relação ao evento religioso tiveram como origem a assessoria de imprensa do PSDB de Minas Gerais.

Documentos que fundamentam esta matéria
Link do Facebock da Prefeitura Municipal de São João Del-Rei  com comentários da população sobre o ocorrido 

Caso o link seja retirado, cópia com comentários até as 21:00 de 31 de março de 2013

Origem das fotos do evento religioso divulgadas no Facebock pela Prefeitura Municipal de São João Del-Rei

A Globo ensina a como fazer censura

“Façamos exatamente o contrário do que a Globo e outros inimigos desejam”

por Conceição Lemes – 31 de março de 2013 às 10:16 (veja o texto original)

Desde sexta-feira à noite, quando o Azenha postou Globo consegue o que a ditadura não conseguiu: calar imprensa alternativa, nós conversamos bastante.

Temos várias coisas em comum. A paixão pela reportagem. A indignação com o crescente “jornalixo” brasileiro, que estupra a verdade factual, atenta contra a democracia, criminaliza os movimentos sociais, viola os direitos humanos e a cidadania.  A preocupação com a justiça social, dar voz a quem não tem. A defesa do SUS e da saúde pública.

Porém, democraticamente divergimos em relação ao futuro do Viomundo.  Sou contra o fim do site. Se a Globo está jogando seus “tomahawk” contra nós e outros jornalistas/blogueiros de esquerda, é porque incomodamos, estamos no caminho certo.  Mais um motivo para não jogarmos a toalha.

Lembra-se, Azenha, da petição em favor da pesquisa com células tronco-embrionárias? E do golpe D’Urso?

Em abril de 2007, após o Congresso aprovar e o presidente Lula sancionar, a lei que autorizava esse tipo de pesquisa no Brasil foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF). O então subprocurador-geral da República, Cláudio Fonteles, alegou que era inconstitucional. Questionado sobre se sua ação não teria motivação religiosa, o franciscano Fonteles acusou Mayana Zatz de viés judaico.

Diante do silêncio profundo que se seguiu, indignei-me. Na condição de cidadã, redigi um  texto, repudiando a desesperada manobra para desviar o foco do debate. O texto acabou virando uma petição que destinei ao STF: Células tronco-embrionárias. Direito à esperança de cura e à liberdade de pesquisa, sim. Ao obscurantismo, não.

Eu ainda não conhecia pessoalmente o Azenha. O Viomundo, no entanto, foi o primeiro veículo a publicar a petição, com este destaque no título:  Eu apoio. Ao final, conseguimos 48.519 assinaturas. A petição foi usada pela defesa no julgamento do STF.

Em 26 de setembro de 2007, estreiei no Viomundo, denunciando um dos idealizadores do movimento tucano-direitista Cansei, Luiz Flávio D’Urso, que era presidente da OAB-SP.

D’Urso, além de alardear que o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) apoiava o Cansei, divulgou que o seu presidente havia colocado toda a infraestrutura da entidade para ajudar o movimento. Era mentira.

Em fevereiro de 2008, denunciamos a epidemia midiática de febre amarela. Um verdadeiro crime contra a saúde pública cometido pela velha mídia. O pânico desencadeado pela combinação de má-fé e incompetência  de grande parte da imprensa levou milhões de pessoas a se vacinar inutilmente e a correr riscos desnecessários devido aos efeitos colaterais. Duas morreram estupidamente.

Nossa razão de existir: o interesse público com base na verdade factual em prol de bens maiores, como a defesa da democracia, da cidadania, da saúde pública, dos direitos humanos, dos movimentos sociais e das minorias.

Tudo isso só foi possível devido à independência do site, sem conflitos de interesse, e a cooperação de vocês, nossos milhares de leitores, e dos colaboradores voluntários que fomos conquistando.

Pressões nunca faltaram. Houve ministro mandando recado. Na última semana, uma pessoa que alguns de vocês conhecem ligou para o Azenha, pedindo a minha cabeça, como o Serra e o Aécio fazem com os jornalistas que lhes fazem perguntas embaraçosas e matérias desfavoráveis.

Azenha deu risada. Como eu daria, se alguém viesse questionar a seriedade, a lisura e a ética profissional do Azenha.

Nós estamos juntos no Viomundo há quase seis anos. Temos plena autonomia de trabalho, pois agimos sempre com muita responsabilidade.  Nossas denúncias não são baseadas em achismos. Elas só vão para o ar depois de muito investigadas.

Tudo isso, confesso, à custa de muito sacrifício pessoal.  É com o dinheiro que ganho como free-lancer e livro na área de saúde que eu posso fazer o Viomundo.

Já disse aqui que entendo as razões do Azenha. É duríssimo ser penalizado por exercer o seu direito constitucional de expressar a sua opinião. Assim como é duríssimo ver tolhido o seu direito ao exercício adequado da profissão de jornalista.

Pior é que tudo muito surreal, kafkaniano, mesmo.

A Globo alardeia a liberdade de expressão e de imprensa. A dela, claro, pois a nossa, ela tenta silenciar por meio de processos. Isso é censura!

Queremos a regulamentação  dos meios de comunicação, como já existe na Inglaterra, EUA, Argentina e Venezuela. A Globo e o restante da mídia corporativa dizem que é censura, quando não é.

Paradoxalmente, ela pode destruir a reputação de quem desejar, pois sabe que conta com impunidade.  Já nós, pela simples menção de um nome, somos alvo de processo.

Já pensaram quanto o Lula  lucraria se um belo dia o ex-presidente  decidir processar a Globo & Cia, com base no que já o difamaram?

No Viomundo, nunca nos recusamos a publicar contestações de quem quer que seja. Tanto que já postamos notas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do senador Aécio Neves. Procedimento que a velha mídia usualmente não tem com as vozes discordantes.

A Globo leva despudoradamente 70% das verbas publicitárias do governo federal, que paga para apanhar.  Mas basta esse mesmo governo anunciar em algum blog progressista para ser chamado às falas pela velha mídia, que posa de vestal, e o veículo ser tachado de chapa branca.

Azenha já disse trocentas vezes.  O Viomundo não aceita nem pleiteia verba de governos federal, estaduais e municipais. Porém, em nome da pluralidade e da democratização da informação, defendemos que o governo federal anuncie também na blogosfera progressista, como faz em outros veículos da própria internet. Queremos equidade de tratamento em respeito à pluralidade democrática.

A questão não é financeira e sim política.  Incomodamos não só porque mostramos os malfeitos da mídia corporativa, como também os dos seus apaniguados.

A Globo, ao tentar nos calar, não quer apenas ficar livre de críticas incômodas à sua atuação. Ela quer também proteger os seus aliados políticos.

Lembram-se da bolinha de papel que, em 2010, atingiu a cabeça de José Serra, levando-o a fazer uma tomografia num hospital no Rio de Janeiro? E da hipocrisia de dona Mônica Serra que, em campanha na Baixada Fluminense, disse que a Dilma queria matar criancinhas, quando ela própria já havia feito aborto? Essas armadilhas – todos sabem — só foram desmascaradas graças à blogosfera de esquerda.

Em entrevista que me concedeu esta semana, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, José Augusto Camargo (Guto),  alertou: “Estamos assistindo ao crescimento da violência contra os jornalistas no Brasil. Vão de ameaças veladas, intimidações, ações na Justiça a agressões e assassinatos. Tudo isso levando ao cerceamento do exercício da profissão”.

Os processos contra Azenha, Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello, Cloaca, Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim demonstram essa violência.

Ontem à noite, Gerson  Carneiro postou nos comentários uma foto  com Azenha, eu, ele e Dukrai (João Aguiar), no 1º Encontro de Blogueiros Progressistas, realizado em São Paulo, em 2010.  Legendou-a como o famoso postulado de Saint-Exupery: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”

Queridíssimo Gerson, sabia que isso torna tudo mais difícil neste momento?

Concordo com Igor Felippe, outro queridíssimo, quando diz que o Viomundo já saiu das nossas mãos.

Construímos o Viomundo não mirando no próprio umbigo. Mas, pensando em mostrar, de forma transparente, democrática e digna, o que a mídia corporativa não divulga, em dar voz aos movimentos sociais e aos que pensam fora da caixa.

Talvez até por isso o Viomundo tenha se tornado muitíssimo maior do que nós. Sem dúvida, uma conquista, que nunca teríamos conseguido sem vocês, leitores e colaboradores voluntários.

Azenha, eu já te disse e repito: respeito e entendo os seus motivos.

Mas reflita. O fim do Viomundo é exatamente o que a Globo e outros inimigos nossos mais querem. Já estão a comemorar essa possibilidade. Fechar o Viomundo, portanto, é fazer o jogo deles. Defendo que façamos exatamente o contrário do que eles desejam. Temos que seguir adiante pela confiança que nossos milhares de leitores depositam em nós. Não vamos deixar que nos calem.

Tenho certeza de que o seo Azenha, comuna de quatro costados das antigas, concordaria comigo e com os milhares de leitores e amigos do Viomundo, que, desde sexta-feira, nos emocionam com tanta solidariedade. À luta, amigo queridíssimo, companheiro de batalha por um Jornalismo decente, parceiro de trabalho. 

A grande farsa se confirma todos os dias e a elite simplesmente não quer ver

O acordão do acórdão
 
Por Diogo Costa
 
Ao negar o acesso prévio aos votos dos ministros do STF, para as defesas dos réus, firma-se mais uma atitude despótica, populista e demagógica de Joaquim Barbosa. É impossível preparar um embargo infringente ou de declaração sem conhecer o teor, por escrito, dos votos dos ministros. Dizer que alguém pode preparar esses recursos com base nas transmissões da TV Justiça é uma rotunda e grotesca mentira, mais uma, de tantas existentes nesse julgamento farsesco e encomendado da AP 470. Por acaso os ministros não estão a "limar"* os discursos que fizeram para confeccionar o acórdão?
 
Existem atualmente mais de 2.500 sentenças aguardando a publicação dos respectivos acórdãos no STF. Existem sentenças proferidas há TRÊS ANOS e sobre as quais inexplicavelmente ainda não há a publicação dos respectivos acórdãos! TODOS os ministros do STF tem acórdãos atrasados sobre sentenças já feitas pelo tribunal. TODOS os ministros do STF descumprem o regimento interno que prevê um prazo de 60 dias para a publicação de um acórdão. Celso de Mello é o campeão dos acórdãos atrasados, logo em seguida vem Marco Aurélio de Mello.
 
O que causa profunda tristeza, e mesmo revolta, não é o cerceamento da defesa promovido agora pelo ministro Barbosa (isso já se tornou uma constante…). O que causa espécie é o fato de que essa farsa judicial da AP 470, a cada dia que passa, deixa mais e mais nítido o caráter excepcional desse julgamento encomendado. Porque a celeridade processual só atinge os réus da AP 470? Porque os outros mais de 2.500 processos já julgados ainda não tem publicação de acórdão? Porque o ministro Fux cobrou do Congresso Nacional a apreciação em ordem cronológica dos vetos presidenciais se nem mesmo o STF cumpre com essa regra de publicação de acórdãos em ordem cronológica?
 
O ministro Joaquim Barbosa zomba da população brasileira, joga para a platéia e para os inocentes úteis. Será que ele pensa que pode enganar todo mundo durante o tempo inteiro? Será que ele não sabe que já é público e notório o fato dele se encontrar regularmente com Aécio Neves nas noites e madrugadas do Distrito Federal? Onde está o carrasco mór, o demagogo número um da nação que não cobra celeridade do tribunal que preside e que tem mais de 60.000 processos pendentes? Porque não cobra a publicação atrasada dos mais de 2.500 acórdãos pendentes? Porque não cobra o cumprimento dos prazos regimentais de TODOS os ministros e para TODOS os processos? Porque a celeridade só e tão somente só fica restrita ao julgamento inquisitorial, de exceção e encomendado da AP 470?
 
Quando o populista demagogo Barbosa vai julgar o Mensalão do PSDB? Ou será que ele não vai fazê-lo no seu mandato para não ferir suscetibilidades, como, por exemplo, àquelas referentes a sua amizade de longa data com parentes do tucano Eduardo Azeredo? Será que o demagogo Barbosa não quer vir a público dizer com quem trabalhou, como Oficial de Chancelaria, entre os anos de 1976 e 1979? Seria bem interessante… A propósito, porque o STF não trabalha em regime permanente de sessões extras até regularizar os milhares de procedimentos que estão atrasados na corte? As sessões extras somente tinham serventia quando era para estiolar réus sob os holofotes da imprensa oligopólica, em meio ao processo eleitoral de 2012?
 
Enfim, o processo da AP 470, maior farsa judicial da história do Brasil, vai ficando aparente até não poder mais, menos para as Polianas de plantão. Agora, teremos o acordão do acórdão para cercear novamente a defesa dos réus e dar tempo de prender José Dirceu e José Genoíno antes da eleição de 2014. Querem exibi-los, em vingança recheada com requintes de crueldade, como troféus máximos. Os troféus máximos dos derrotados e fracassados que o povo brasileiro abomina nas urnas.
 
 

* “Limar” – Vários juristas, inclusive Claus Roxin, primeiro jurista europeu a condenar a farsa do julgamento do mensalao, já disseram que diversas irregularidades foram cometidas no julgamento do processo AP 470 (mensalão). Como os ministros não querem que isso fique registrado, estão suprimido essas partes, inclusive a grande farsa do domínio do fato.

Essa é a liberdade de imprensa: Globo consegue o que a ditadura não conseguiu: calar imprensa alternativa

por Luiz Carlos Azenha (publicado em 29 de março de 2013 às 20:32)
 
Meu advogado, Cesar Kloury, me proíbe de discutir especificidades sobre a sentença da Justiça carioca que me condenou a pagar 30 mil reais ao diretor de Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, supostamente por mover contra ele uma “campanha difamatória” em 28 posts do Viomundo, todos ligados a críticas políticas que fiz a Kamel em circunstâncias diretamente relacionadas à campanha presidencial de 2006, quando eu era repórter da Globo.
 
Lembro: eu não era um qualquer, na Globo, então. Era recém-chegado de ser correspondente da emissora em Nova York. Fui o repórter destacado para cobrir o candidato tucano Geraldo Alckmin durante a campanha de 2006. Ouvi, na redação de São Paulo, diretamente do então editor de economia do Jornal Nacional, Marco Aurélio Mello, que tinha sido determinado desde o Rio que as reportagens de economia deveriam ser “esquecidas”– tirar o pé, foi a frase — porque supostamente poderiam beneficiar a reeleição de Lula.
 
Vi colegas, como Mariana Kotscho e Cecília Negrão, reclamando que a cobertura da emissora nas eleições presidenciais não era imparcial.
 
Um importante repórter da emissora ligava para o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, dizendo que a Globo pretendia entregar a eleição para o tucano Geraldo Alckmin. Ouvi o telefonema. Mais tarde, instado pelo próprio ministro, confirmei o que era também minha impressão.
 
Pessoalmente, tive uma reportagem potencialmente danosa para o então candidato a governador de São Paulo, José Serra, censurada. A reportagem dava conta de que Serra, enquanto ministro, tinha autorizado a maior parte das doações irregulares de ambulâncias a prefeituras.
 
Quando uma produtora localizou no interior de Minas Gerais o ex-assessor do ministro da Saúde Serra, Platão Fischer-Puller, que poderia esclarecer aspectos obscuros sobre a gestão do ministro no governo FHC, ela foi desencorajada a perseguí-lo, enquanto todos os recursos da emissora foram destinados a denunciar o contador do PT Delúbio Soares e o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, este posteriormente absolvido de todas as acusações.
 
Tive reportagem sobre Carlinhos Cachoeira — muito mais tarde revelado como fonte da revista Veja para escândalos do governo Lula — ‘deslocada’ de telejornal mais nobre da emissora para o Bom Dia Brasil, como pode atestar o então editor Marco Aurélio Mello.
 
Num episódio específico, fui perseguido na redação por um feitor munido de um rádio de comunicação com o qual falava diretamente com o Rio de Janeiro: tratava-se de obter minha assinatura para um abaixo-assinado em apoio a Ali Kamel sobre a cobertura das eleições de 2006.
 
Considero que isso caracteriza assédio moral, já que o beneficiado pelo abaixo-assinado era chefe e poderia promover ou prejudicar subordinados de acordo com a adesão.
 
Argumentei, então, que o comentarista de política da Globo, Arnaldo Jabor, havia dito em plena campanha eleitoral que Lula era comparável ao ditador da Coréia do Norte, Kim Il-Sung, e que não acreditava ser essa postura compatível com a suposta imparcialidade da emissora. Resposta do editor, que hoje ocupa importante cargo na hierarquia da Globo: Jabor era o “palhaço” da casa, não deveria ser levado a sério.
 
No dia do primeiro turno das eleições, alertado por colega, ouvi uma gravação entre o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno e um grupo de jornalistas, na qual eles combinavam como deveria ser feito o vazamento das fotos do dinheiro que teria sido usado pelo PT para comprar um dossiê contra o candidato Serra.
 
Achei o assunto relevante e reproduzi uma transcrição — confesso, defeituosa pela pressa – no Viomundo.
 
Fui advertido por telefone pelo atual chefão da Globo, Carlos Henrique Schroeder, de que não deveria ter revelado em meu blog pessoal, hospedado na Globo.com, informações levantadas durante meu trabalho como repórter da emissora.
 
Contestei: a gravação, em minha opinião, era jornalisticamente relevante para o entendimento de todo o contexto do vazamento, que se deu exatamente na véspera do primeiro turno.
 
Enojado com o que havia testemunhado ao longo de 2006, inclusive com a represália exercida contra colegas — dentre os quais Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello e Carlos Dornelles — e interessado especialmente em conhecer o mundo da blogosfera — pedi antecipadamente a rescisão de meu contrato com a emissora, na qual ganhava salário de alto executivo, com mais de um ano de antecedência, assumindo o compromisso de não trabalhar para outra emissora antes do vencimento do contrato pelo qual já não recebia salário.
 
Ou seja, fiz isso apesar dos grandes danos para minha carreira profissional e meu sustento pessoal.
 
Apesar das mentiras, ilações e tentativas de assassinato de caráter, perpretradas pelo jornal O Globo* e colunistas associados de Veja, friso: sempre vivi de meu salário. Este site sempre foi mantido graças a meu próprio salário de jornalista-trabalhador.
 
O objetivo do Viomundo sempre foi o de defender o interesse público e os movimentos sociais, sub-representados na mídia corporativa. Declaramos oficialmente: não recebemos patrocínio de governos ou empresas públicas ou estatais, ao contrário da Folha, de O Globo ou do Estadão. Nem do governo federal, nem de governos estaduais ou municipais.
 
Porém, para tudo existe um limite. A ação que me foi movida pela TV Globo (nominalmente por Ali Kamel) me custou R$ 30
mil reais em honorários advocatícios.
 
Fora o que eventualmente terei de gastar para derrotá-la. Agora, pensem comigo: qual é o limite das Organizações Globo para gastar com advogados?
 
O objetivo da emissora, ainda que por vias tortas, é claro: intimidar e calar aqueles que são capazes de desvendar o que se passa nos bastidores dela, justamente por terem fontes e conhecimento das engrenagens globais.
 
Sou arrimo de família: sustento mãe, irmão, ajudo irmã, filhas e mantenho este site graças a dinheiro de meu próprio bolso e da valiosa colaboração gratuita de milhares de leitores.
 
Cheguei ao extremo de meu limite financeiro, o que obviamente não é o caso das Organizações Globo, que concentram pelo menos 50% de todas as verbas publicitárias do Brasil, com o equivalente poder político, midiático e lobístico.
 
Durante a ditadura militar, implantada com o apoio das Organizações Globo, da Folha e do Estadão — entre outros que teriam se beneficiado do regime de força — houve uma forte tentativa de sufocar os meios alternativos de informação, dentre os quais destaco os jornais Movimento e Pasquim.
 
Hoje, através da judicialização de debate político, de um confronto que leva para a Justiça uma disputa entre desiguais, estamos fadados ao sufoco lento e gradual.
 
E, por mais que isso me doa profundamente no coração e na alma, devo admitir que perdemos. Não no campo político, mas no financeiro. Perdi. Ali Kamel e a Globo venceram. Calaram, pelo bolso, o Viomundo.
 
Estou certo de que meus queridíssimos leitores e apoiadores encontrarão alternativas à altura. O certo é que as Organizações Globo, uma das maiores empresas de jornalismo do mundo, nominalmente representadas aqui por Ali Kamel, mais uma vez impuseram seu monopólio informativo ao Brasil.
 
Eu os vejo por aí.
 
PS do Viomundo: Vem aí um livro escrito por mim com Rodrigo Vianna, Marco Aurelio Mello e outras testemunhas — identificadas ou não — narrando os bastidores da cobertura da eleição presidencial de 2006 na Globo, além de retratar tudo o que vocês testemunharam pessoalmente em 2010 e 2012.
 

PS do Viomundo 2: *Descreverei detalhadamente, em breve, como O Globo e associados tentaram praticar comigo o tradicional assassinato de caráter da mídia corporativa brasileira.

O perfeito imbecil politicamente incorreto

Por Cynara Menezes CartaCapital  
 
No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião. Saiba como reconhecê-lo. Por Cynara Menezes. 
 
Em 1996, três jornalistas –entre eles o filho do Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, Álvaro –lançaram com estardalhaço o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”. Com suas críticas às idéias de esquerda, o livro se tornaria uma espécie de bíblia do pensamento conservador no continente. Vivia-se o auge do deus mercado e a obra tinha como alvo o pensamento de esquerda, o protecionismo econômico e a crença no Estado como agente da justiça social. Quinze anos e duas crises econômicas mundiais depois, vemos quem de fato era o perfeito idiota.
 
Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos. No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião que, no fundo, disfarça sua real ideologia e as lacunas em sua formação. Como de fato a obra de Álvaro e companhia marcou época, até como homenagem vamos chamá-los de “perfeitos imbecis politicamente incorretos”. Eles se dividem em três grupos:
 
1. o “pensador” imbecil politicamente incorreto: ataca líderes LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trânsgeneros) e defende homofóbicos sob o pretexto de salvaguardar a liberdade de expressão. Ataca a política de cotas baseado na idéia que propaga de que não existe racismo no Brasil. Além disso, ações afirmativas seriam “privilégios” que não condizem com uma sociedade em que há “oportunidades iguais para todos”. Defende as posições da Igreja Católica contra a legalização do aborto e ignora as denúncias de pedofilia entre o clero. Adora chamar socialistas de “anacrônicos” e os guerrilheiros que lutaram contra a ditadura de “terroristas”, mas apoia golpes de Estado “constitucionais”. Um torturado? “Apenas um idiota que se deixou apanhar.” Foge do debate de idéias como o diabo da cruz, optando por ridicularizar os adversários com apelidos tolos. Seu mote favorito é o combate à corrupção, mas os corruptos sempre estão do lado oposto ao seu. Prega o voto nulo para ocultar seu direitismo atávico. Em vez de se ocupar em escrever livros elogiando os próprios ídolos, prefere a fórmula dos guias que detonam os ídolos alheios –os de esquerda, claro. Sua principal característica é confundir inteligência com escrever e falar corretamente o português.
 
2. o comediante imbecil politicamente incorreto: sua visão de humor é a do bullying. Para ele não existe o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor nonsense do Monty Python: o único humor possível é o que ri do próximo. Por “próximo”, leia-se pobres, negros, feios, gays, desdentados, gordos, deficientes mentais, tudo em nome da “liberdade de fazer rir.” Prega que não há limites para o humor, mas é uma falácia. O limite para este tipo de comediante é o bolso: só é admoestado pelos empregadores quando incomoda quem tem dinheiro e pode processá-los. Não é à toa que seus personagens sempre estão no ônibus ou no metrô, nunca num 4X4. Ri do office-boy e da doméstica, jamais do patrão. Iguala a classe política por baixo e não tem nenhum respeito pelas instituições: o Congresso? “Melhor seria atear fogo”. Diz-se defensor da democracia, mas adora repetir a “piada” de que sente saudades da ditadura. Sua principal característica é não ser engraçado.
 
3. o cidadão imbecil politicamente incorreto: não se sabe se é a causa ou o resultados dos dois anteriores, mas é, sem dúvida, o que dá mais tristeza entre os três. Sua visão de mundo pode ser resumida na frase “primeiro eu”. Não lhe importa a desigualdade social desde que ele esteja bem. O pobre para o cidadão imbecil é, antes de tudo, um incompetente. Portanto, que mal haveria em rir dele? Com a mulher e o negro é a mesma coisa: quem ganha menos é porque não fez por merecer. Gordos e feios, então, era melhor que nem existissem. Hahaha. Considera normal contar piadas racistas, principalmente diante de “amigos” negros, e fazer gozação com os subordinados, porque, afinal, é tudo brincadeira. É radicalmente contra o bolsa-família porque estimula uma “preguiça” que, segundo ele, todo pobre (sobretudo se for nordestino) possui correndo em seu sangue. Também é contrário a qualquer tipo de ação afirmativa: se a pessoa não conseguiu chegar lá, problema dela, não é ele que tem de “pagar o prejuízo”. Sua principal característica é não possuir ideias além das que propagam os “pensadores” e os comediantes imbecis politicamente incorretos. 

A riqueza de Lula

É incrível a quantidade de textos lançada na Internet quase que diariamente, com imensa carga de raiva e ódio. Os alvos são conhecidos: Lula-PT-Dilma. Em qualquer tempo, mas particularmente em tempos de eleição. Sem precisar fazer o menor esforço, qualquer sociólogo (acho que até Fernando Henrique Cardoso) sabe a causa disso, menos Demetrio Magnoli.
 
Nas eleições de 2010, a grande (?) imprensa tinha orgasmos múltiplos cada vez que falava da “suspeita” (sutil que nem um paquiderme) do envio de milhões de dólares de Cuba em garrafas de bebida para a campanha de Lula.
 
Gente, é dose. Teve quem acreditasse. Qual é a condição que Cuba tem para mandar milhões de dólares para quem quer que seja? Além disso, o sociólogo Marcos Coimbra fez uma experiência interessante. Juntamente com o seu filho, ele tentou colocar algumas cédulas de dinheiro em garrafas vazias. Ficou imaginando quantas pessoas e quantos dias seriam necessários para “engarrafar” milhões de dólares.
 
Preciso abrir um parêntese. Há alguns anos, vazou na imprensa a conversa de William Bonner com os jornalistas durante a edição do Jornal Nacional, com a presença de nove professores universitários que naquele dia visitavam os estúdios da Globo. Bonner comparou o telespectador do Jornal Nacional a Homer Simpson, do seriado Os Simpsons, conhecido por ser burro e preguiçoso.
 
Por mais que Bonner tenha tentado se explicar, pegou mal. Ele deixou escapar a imagem que a Globo faz de quem assiste ao seu principal jornal, o Jornal Nacional. Veja a matéria da Folha aqui  http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u55778.shtml.
 
Quem não conhece a história da fazenda do filho de Lula. Com a foto da fazenda, uma casa espetacular, mereceu reportagem e uma divulgação poucas vezes vista. 

 
A imagem divulgada na web da ‘fazenda’ que Lulinha (não) comprou. A foto é, na verdade, da 
Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Foto: Revista Istoé)

 

Por mais que essas farsas sejam desmontadas, como foram, nunca se mostra a verdadeira história. É possível que muitos não saibam, mas a “fazenda” do filho de Lula é na verdade a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (veja aqui  http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/12/fazenda-filho-lula-verdade-mentira.html). 

Confirma-se mais uma vez o que disse Joseph Pulitzer? “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.

Uma dessas mensagens, sempre repletas de inteligência e bom senso, dizia que Lula era o "quarto homem mais rico do Brasil, com uma fortuna estimada em US$ 5 bilhões".

De notícias como essa, que vi no Blog de Luis Nassif através de um comentário, não se ouve falar. Transcrevo abaixo.

Por Esquemas Táticos

Um blog do Financial Times publicou um artigo interessante sobre os dados de Lula vazados pelo hacker @nbdu1nder. A conclusão do artigo: pra quem esperava palacetes ou imóveis em condomínios de elite quebrou a cara. O que se revelou sobre o patrimônio de Lula mostra que o ex-presidente não é rico. Pelo contrário! Para o FT, os imóveis de Lula são classificados como "mal pintados" e "localizados em subúrbios perigosos". O FT conclui que o hacker, a despeito de querer incriminar o ex-presidente — considerado "ladrão" pela direita brasileira —, acabou por revelar que ele não tem nada de mais para quem tem mais de 30 anos de vida pública. Interessante que ninguém se preocupou com os imóveis subvalorizados do senador Aécio Neves (PSDB). Mesmo com um apartamento no Leblon e outro em Ipanema (entre outros imóveis em BH e Nova Lima, além da Rádio Arco-Íris), Aécio tem um patrimônio de pouco mais de 600 mil reais declarados em sua última prestação de contas eleitoral. Isso é
que é ser bom comprador!
 

Se quiser ver a reportagem original do Financial Times, clique aqui  http://blogs.ft.com/beyond-brics/2013/01/11/lulas-loot-not-much-to-look-at/#ixzz2HjCqvlTb  

E se o filho de Lula fosse sócio do homem mais rico do Brasil?

publicado em 19 de março de 2013 às 17:49
 
 
Mais rico do país, Lemann agora é sócio da sorveteria Diletto
Fundo do bilionário adquire 20% do negócio por R$ 100 milhões
 
 
Depois de Burger King e Heinz, Jorge Paulo Lemann, o mais rico bilionário brasileiro, comprou uma participação na butique de picolés paulistana Diletto.
 
O fundo Innova Capital, sociedade de Lemann e Marcel Telles com Verônica Serra, filha do ex-governador José Serra, adquiriu cerca de 20% da companhia por um valor estimado em R$ 100 milhões.
 
O acordo tem como principal objetivo transformar a marca em uma espécie de Häagen-Dazs brasileira, com presença no exterior.
 
Fundada em 2009 por Leandro Scabin, Fábio Meneghini (diretor de criação da agência WMcCann) e Fábio Pinheiro (ex-Pactual), a Diletto produz picolés cremosos com jeito artesanal e ingredientes selecionados.
 
A framboesa vem da Patagônia, o cacau criollo, da Venezuela, e as avelãs, do Piemonte, na Itália.
 
A produção começou de forma terceirizada, mas em 2011 foi inaugurada a primeira fábrica, em Cotia (Grande São Paulo), com capacidade para 300 toneladas ao mês.
 
A fábrica também permitiu a diversificação de formatos. Além dos picolés, hoje a empresa vende potes de 500 ml.
 
O faturamento no ano passado, segundo a empresa, foi de R$ 30 milhões. São 3.000 pontos de venda e uma loja-conceito nos Jardins, inaugurada em dezembro.
 
O plano dos sócios é abrir outra loja-conceito, no Rio, e manter a expansão dos pontos de venda. A internacionalização sempre fez parte da estratégia dos fundadores, que continuam no negócio, com Scabin na presidência.

Carta aberta de um advogado

Por Adir Tavares

Um dos mais importantes especialistas do País na área trabalhista, o advogado Valter Uzzo criou um fato político ao enviar para amigos e-mail remetido para um de seus conterrâneos da cidade de Pompéia, no interior de São Paulo, chamado apenas por Lara, listando uma série de argumentos contrários à proliferação de spams jocosos sobre o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Roussseff. Ex-presidente do Sindicato dos Advogados de São Paulo, Uzzo, no texto, descreve o cenário histórico da presença e influência das forças conservadoras na política brasileira.

O e-mail de Uzzo está sendo velozmente disseminado pela internet, ganhando status de peça política contra a discriminação ideológica às forças de esquerda.

Abaixo, o conteúdo completo:

Caros

Um amigo meu de infância passou a me mandar um volume enorme de e-mails com piadas, comentários e afirmações  sempre depreciativas em relação ao Lula, Dilma, PT, etc. A situação foi em um crescendo tal, que atingiu as raias da provocação e do insulto, até que, outro dia, resolvi responder. E mandei este pequeno texto, que é, em verdade, o que penso de pessoas como ele que, a  pretexto de criticar, escondem hipocritamente suas ideias e concepções.

Abcs.

Valter Uzzo

Sent: Tuesday, February 05, 2013 3:42 PM

Caro Lara:

Tenho, quase que diariamente, recebido os seus e-mails, que trazem piadas, “fotos interessantes”, e  propaganda daquilo que, politicamente, você acredita. Quero crer que estou me dirigido à pessoa certa, ou seja, ao Lara que conheci em Pompéia, na infância e adolescência. Se assim é, tenho algumas gratas recordações, de nossa convivência que, ao tempo, pela idade e sem as agruras que viríamos a experimentar durante a vida, era muito boa. Recordo-me mesmo que uma das suas habilidades, invejada por todos nós da mesma classe ginasial, era a incrível capacidade que tinha de “colar”,  já que você se abastecia  de um grande estoque das “sanfoninhas” (era o tipo de “cola” da época), que escondia perfeitamente em sua  mão direita e que lhe permitia  -grande perfeição !- colar sem interromper a escrita e, -perfeição maior !-, até mesmo diante do olhar atento do professor. Ao que me recordo, nunca, nenhum dos professores, na fiscalização que faziam, conseguiu algum êxito  diante de você. Nesse partícular, você era imbatível.

Mas, deixando-se de lado tais reminiscências, eu estou me dirigindo à você para tratar de assunto que, diante de sua volumosa correspondência eletrônica, parece lhe interessar: trata-se de questões que envolvem a visão que temos da forma como vem sendo dirigido este país,  melhor dizendo, a questão política. Para se ter uma conversa franca, devo dizer que temos uma visão de mundo muito diferente. Acho mesmo, oposta. Em minha profissão (sou advogado) acabei aprendendo a conviver na divergência, já que, diariamente, senta do lado de  lá da mesa de audiência, ou dos autos do processo, um colega de mesmo grau de escolaridade que defende justamente o contrário. Adversário. Mas, terminada a audiência, retomamos o relacionamento, ou seja, é um aprendizado constante e permanente, a nos ensinar que devemos respeitar os que pensam de forma diversa. Transposta tal relação para a política, também aprendi a respeitar aqueles que tem uma visão de mundo diferente da minha,  embora com eles não concorde. Entre tais “adversários” de pensamento existem dois tipos: os que assim agem por convicção, e os que agem por interesse. Creio que você se  enquadra entre os primeiros, ou seja, você tem ideias, a meu ver,  que eu classifico como “conservadoras”, mas que são catalogadas no jargão político comum  como  “reacionárias”, ou por alguns “direitistas”, ou, se formos levar ao extremo a sociologia política, “fascistas”. Para  mim, no entanto, você é um  “conservador”, por convicção. E é aí que eu quero conversar com você.

Existe  no Brasil uma forte corrente de pensamento conservador. Sempre existiu, aliás, durante o império e durante a república,  todos os presidentes e Governos , até 2003, sempre tiveram um perfil conservador, uns mais outros menos. Todos. Getúlio Vargas (1º Governo, ditadura) liderou uma “revolução” -que não era revolução no sentido sociológico do termo- contra práticas condenáveis da República Velha, só isso. Pertencia a elite agrária, era fazendeiro e fez um Governo ambíguo, criando uma  legislação trabalhista (que estava sendo criada, ao tempo, por quase todos os países de mesmo grau de desenvolvimento que o Brasil),  e criou dois partidos políticos  – o PTB, para lhe servir – e o PSD, conservadoríssimo, para ajudá-lo a governar. No mais, encarcerou a oposição e restringiu as liberdades públicas.. Em 45 foi substituído pelo Dutra (outro conservador), que dissipou todas as reservas cambiais  que havíamos acumulado com a substituição das importações, durante a guerra. Getúlio volta em 1950  e aí, após um início de governo meio indefinido, começa a aproximar-se de  ideias progressistas, mas não conseguiu implementá-las, já que, ameaçado de deposição, suicidou-se. Juscelino foi um inovador em realizações, mas seu governo, embora aparentemente liberal nos costumes, sempre  foi um produto das classes dominantes e um fiel seguidor da política americana. Jânio se foi muito rápido , e Jango também nada tinha de progressista: era filho de uma família  de riquíssimos fazendeiros, era despreparado para a função e sua queda  dá bem a medida de seus compromissos de classe: preferiu viver rico no exílio, do que participar ou liderar uma revolução popular com a qual não se identificava. Seguiram-se os governos militares, Sarney,  Collor, Itamar e  Fernando  Henrique. Se examinarmos todas as medidas tomadas por tais governos (algumas muito boas, até) veremos que  nenhuma delas teve a preocupação ou conseguiu alterar o sistema de distribuição de renda no país, -um dos mais injustos do mundo. A dívida externa sempre em patamares impagáveis, o salário mínimo medeando entre U$ 80 a U$ 120 dólares,  lenta queda da mortalidade infantil, poucos avanços na afalbetização, grande transferência de rendas para o exterior, sistema de saúde p&uacut

e;blica catastrófico, destruição da escola  pública,  gigantesca falta de moradias e favelização, polícia corrupta, Justiça que não funciona,  previdência privada mais cara do mundo, seguros mais caros do mundo, alta tributação e assim foi. Só discursos, só demagogia,  e muita roubalheira.

Aí vieram a eleição em 2003, reeleição do Lula e eleição da Dilma. Muitos erros, houve e há corrupção, muitas coisas não deram certo, os quadros do PT, em grande parte,  eram despreparados para administração, enfim, as coisas não saíram como o PT pregava. No entanto, o salário mínimo triplicou (em dólares), a renda familiar cresceu, a dívida externa foi paga, o consumo aumentou muito, o emprego cresceu ( e o desemprego despencou)  e o Brasil conseguiu crescer,   ao meio de uma grande crise internacional. Caro Lara, esses são fatos. Fato é fato, não é discurso, nem proselitismo político, nem palavrório. FATOS. O País está em regime de pleno emprego (é a 1ª. vez em nossa história que isso acontece), e no ano de 2011, em um universo de 200 países,  fomos o 4º. País do mundo em receber investimentos externos, só atrás dos Estados Unidos, China e Hong Kong (notícia do Times, reproduzida no Estadão e Folha na semana passada, com pouco destaque). A arenga  de que o Governo, em 2003, pegou uma condição internacional favorável é conversa para boi dormir:  muitos outros países não progrediram, muitos  entraram em crise, o sistema financeiro internacional  em 2008 quase ruiu, enfim, o Brasil navegou muito bem por sua conta e seus méritos. Pensar de  modo diverso é revolver a mentalidade colonialista.

Mas, estou eu a pretender que você se torne um apoiador do Lula e da Dilma? É claro que não, até porque na nossa idade ninguém muda mais. É que eu acho que essa sua “cruzada” contra,  poderia ser muito mais consequente e séria. Já que na clássica definição “partido político é a opinião pública organizada”, porque vocês, conservadores, não fundam um partido que expresse tal ideologia? A grande farsa que existe é que os conservadores, ou os direitistas, ou os neoliberais, não assumem o próprio rosto. O PSDB (neoliberal) não se diz neoliberal, diz que vai mudar, que é de centro esquerda, que é progressista, e outras baboseiras mais.    Porque não se diz  neoliberal, e faz um programa neoliberal? E vocês, conservadores, porque não se assumem, e fazem um programa com o conteúdo daquiIo que vocês acreditam; contra as cotas, contra o aborto, contra o casamento gay, pela redução dos direitos trabalhistas, dos impostos, por uma política externa mais invasiva, etc, etc, tal qual o Partido Republicano (Conservador) dos Estados Unidos? Se você fizer as contas, aqui como lá,  o eleitorado se divide, o que, aliás, ocorre em todos países civilizados  (França Inglaterra, Austrália, Itália, Espanha, Alemanha, Austria, etc, etc, etc). Ou seja, no mundo todo, o eleitorado se divide em conservadores e progressistas. Mas, aqui não, em razão da hipocrisia política da direita, a luta não é limpa.  Estimule a criação de um  verdadeiro partido conservador, que defenda  as teses conservadoras e o modo de governar  conservador e aí, sim, teríamos um debate limpo, direto, sem enganações, sem subterfúgios. A meu ver, essa situação da direita esconder suas verdadeiras propostas,    de vestir um manto progressista quando não o é, é a pior  forma de trapacear uma nação, posto que esconde seus verdadeiros desígnios.  Em suma, já é tempo de  sair do armário e vir corajosamente para o  debate de ideias.

O outro ponto que gostaria de conversar com você  é sobre a forma negativa e pejorativa de sua “crítica” política. As piadas, imagens, dizeres, etc, que se referem aos que não pensam como você, revelam um rancor que tem de tudo: preconceito, desinformação, insultos, etc. Se você acha que este tipo de crítica desperta alguma simpatia para as suas ideias, ou fazem mal a figura dos  criticados, então está na hora de você fazer algumas reflexões sobre o que muda as pessoas. Uma pessoa decente muda de opinião quando você demonstra que ela está errada. Só não mudará se tiver “interesses” em se manter  no erro, ou, então,  se por  alguma razão (preconceito, ignorância, intolerância, irracionalidade, etc) não entender o seu erro e o significado da mudança.  Fora disso, a  “propaganda” pejorativa  contrária é um tiro na culatra. E isso é tanto no aspecto individual como coletivo. O Lula cresceu eleitoralmente depois que mudou sua imagem para o “Lula, paz e amor”. Antes, o eleitorado  preferia  o FHC, com sua voz e modos blandiciosos. Serra com sua linguagem belicosa só perdeu votos. Obama derrotou duas vezes os seus adversários com um discurso suave,  sofrendo agressões de todo os  lados. O Berluscomi e Sarkosi, na Itália e França,  perderam as eleições, em razão de suas práticas autoritárias e arrogantes. Enfim, na medida que a sociedade evolui, essa linguagem truculenta, ofensiva,  enganosa, que intui uma falsa moralidade e prega medidas radicais  extremadas (para os outros, nunca para si) vai caindo em desuso, não engana mais ninguém. Pode ter servido em outra época, chegou a levar os hitlers  e mussolinis ao poder, mas, hoje em dia, ninguém mais cai neste canto de sereia. As pessoas querem é ser convencidas, sem imposições.

Bem, fico por aqui. Se você quiser prosseguir mandando-me os e-mails, gostaria que não mais me enviasse os relativos à política, a não ser quando nesta terra tiver um partido conservador, ou direitista, ou de natureza fascista ( o Plínio Salgado pelo menos teve coragem e  honestidade criando os “camisas verdes”), para que se possa ter um debate decente e honesto. Daí sim, quem sabe, talvez até eu me convença de que existe alguma verdade nessas ideias trapaceadas e escondidas sob o manto de uma falsa moralidade. Ideias tão escondidas, tal   como você fazia com as colas  e era invejado por toda  classe.

Abraços e saudades.

Valter Uzzo

PS:   Se você não é a pessoa que eu penso, peço desculpas.