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É preciso agir

Vivi a minha infância em Juazeiro (da Bahia). Tempos maravilhosos. Da pré-adolescência até hoje, Salvador.

Os ídolos chegando, Elvis Presley, Beatles, Renato e seus Blue Caps, Hayley Mills, soldados nas ruas, Chico Buarque, Edu Lobo, Gil, Caetano, festivais de música da Record, sentimentos se misturando.

Uma imagem marcante. Garoto ainda, vi nas ruas toda aquela movimentação por conta dos primeiros momentos da revolução de 64. Pessoas correndo, a polícia batendo. Livros sendo jogados fora, queimados, é preciso se esconder. Depois, filhos, irmãos, pais, presos, torturados, exilados. Tempos difíceis.

Hoje, tempos diferentes, mas ainda difíceis. O que, você não acha? Respeito a sua opinião, mas são sim, tempos difíceis.

A começar pela “ausência” da juventude de determinados momentos do país. Não, não precisa ir às ruas brigar com ninguém, muito menos com a polícia. Inteirar-se um pouco dos assuntos que interessam à sociedade já está de bom tamanho. Tudo bem, eu sei que participam ativamente do Big Brother Brasil, mas estou tentando falar de outra coisa.

Este é um ano muito importante. O país do futuro, o gigante adormecido, parece que finalmente despertou e vive um presente que pela primeira vez é prenúncio de algo bom e consistente, uma realidade um pouco menos injusta, como nunca antes na história desse país.

Vivemos hoje numa sociedade, ainda que muito longe do que se deseja, onde as desigualdades econômicas se tornaram um pouco menores, onde alguns “sem tudo” passaram a ter um pouco.

Não tenho a menor idéia do que é isso. Não sei o que é dificuldade para sobreviver. Tenho o privilégio de viver longe desses problemas. Por que me preocupar com algo que não me atinge. Será?

É PRECISO AGIR
Bertold Brecht (1898-1956)

Primeiro levaram os comunistas
Mas não me importei com isso
Eu não era comunista

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os sindicalistas
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou sindicalista

Depois agarraram uns sacerdotes
Mas como não sou religioso
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.

O país passará por momentos de decisão importantes neste ano e você será protagonista, você decidirá se ele avança mais ou retroage. Não veja só a grande mídia. Busque alternativas, e conheça mais o momento atual.

Feliz 2010.

Previsões para o Ano Novo

Fim de ano, ano novo chegando, momento propício para se avaliar o que foi feito, o que ficou por fazer, sacudir a poeira e começar de novo. Tudo será replanejado.

Alimentação agora só nutritiva, balanceada, nada de MacDonalds (no máximo 5 vezes na semana). Malhar todos os dias, inclusive a vida dos outros (faz um bem enorme para diminuir o estresse). Andar todos os dias (com um carro legal é tudo de bom). Mulher só com barriguinha de tanquinho, mulher feia… veja mais

Nova turma de especialização

No dia 06/11/2009 fizemos a seleção para a nova turma de especialização. Foram vinte inscritos para as doze vagas. Queremos agradecer a confiança que todos esses colegas depositaram no nosso curso e confirmar com aqueles que não foram classificados que numa próxima turma teremos o maior prazer em recebe-los.

Veja abaixo a relação dos classificados:

Camila Coimbra Pereira
Daniela Cristina Diniz Ferreira
Débora Maria Oliveira Cruz
Eliane Ferreira Campos
Gabriel De Souza Petró
Gabriela Martins Rodrigues
Igor Ricardo Fróes Cândido
Jenila Pinto Costa
Marcela Rocha Silva
Maria Fernanda Teixeira Bastos
Paula Silva Borges
Simone Cerqueira Cardoso

Previsões para o Ano Novo

Fim de ano, ano novo chegando, momento propício para se avaliar o que foi feito, o que ficou por fazer, sacudir a poeira e começar de novo. Tudo será replanejado.

Alimentação agora só nutritiva, balanceada, nada de MacDonalds (no máximo 5 vezes na semana). Malhar todos os dias, inclusive a vida dos outros (faz um bem enorme para diminuir o estresse). Andar todos os dias (com um carro legal é tudo de bom). Mulher só com barriguinha de tanquinho, mulher feia nem pensar (gera estresse). Serei um novo homem. Vocês vão ver.

Na Endodontia, fiz uma retrospectiva do ano que termina. O que foi dito, escrito, e num exercício de futurologia tentei ver o que deverá acontecer no ano que chega. Como bom futurólogo, consultei os búzios, orixás, pais de santo, mãe Gerrilde, Mico da Sorte, joguei tarô, fiz de tudo, e aí está o resultado: algumas previsões (seguras) para o ano de 2010.

– Alguns dirão que o microscópio clínico em Endodontia é a salvação do mundo.
– Alguns dirão que foram ao oftalmologista e agora enxergam tudo.
– José Saramago perceberá que o seu livro “Ensaio sobre a cegueira” é pouco e escreverá outro com o título “Ensaio sobre a estupidez” (não confundir com “Ensaio sobre a lucidez”, do mesmo autor).
– Alguns dirão que o localizador foraminal eletrônico é a salvação do mundo.
– Alguns dirão que o preparo automatizado é a salvação do mundo.
– Alguns dirão que a irrigação com hipoclorito de sódio a 100% é a salvação do mundo.
– Alguns dirão que a obturação 4D é a salvação do mundo.
– Alguns determinarão que a obturação de todos os canais laterais, de todos os canais recorrentes, de todos os canais acessórios, de todos os túbulos dentinários, de todas as foraminas apicais é a salvação do mundo.
– Alguns ficarão em dúvida se a obturação do canal mandibular já é para 2010 ou fica para 2011.
– Mais 535 trabalhos mostrarão que o hidróxido de cálcio é a salvação do mundo.
– Mais 5 trabalhos mostrarão que a clorexidina é a salvação do mundo.
– Alguns sonharão com o Enterococcus faecalis (faecalis para os íntimos).
– Alguns perceberão que o marketing é mais importante do que o tratamento endodôntico bem feito (alguns já perceberam).
– Alguns dirão que está na hora de se criar a nova salvação do mundo.
– Alguém dirá pela primeira vez que a Endodontia é a sua grande paixão.
– Alguns “professadores” professarão cada vez mais (alguns se tornarão insuportáveis).
– Alguns formadores de opinião (todo mundo é) dirão, pela centésima nonagésima vez, que a obturação do canal pela técnica da condensação lateral é a pior que existe.
– Trabalhos científicos, meta-análises e revisões sistemáticas, mostrarão pela centésima nonagésima primeira vez, que os resultados da obturação do canal pela técnica da condensação lateral e os das outras são iguais.
– Alguns irão sugerir o uso do MTA para queda de cabelo.
– Alguns formadores de opinião (todo mundo é) dirão que PDT é melhor do que PT, PSDB, PCdoB, PSB. Chegarão ao absurdo de dizer que é melhor do que o DEM.
– Alguns formadores de opinião (todo mundo é) irão perguntar ao espelho: “espelho meu, espelho meu, existe algum endodontista melhor do que eu”?

Essa lista é fruto de algumas horas de meditação, pesquisa e análise. Graças à profundidade com que alguns temas da Endodontia são abordados nos dias de hoje, fazê-la foi um processo árduo e cansativo. Ao final, confesso, estava cansado.

PS. Ia esquecendo. Feliz Natal e um Ano Novo repleto de realizações.

Prof. Carlos Estrela

Com algum atraso, registramos a presença do Prof. Carlos Estrela durante a sua aula para a VI Turma de Especialização em Endodontia da ABO-Bahia. Agradecendo mais uma vez a vinda desse amigo a Salvador e a sua participação no nosso curso, fica aqui o nosso abraço.

Estrela e a VI turma

Prof. Carlos Estrela e a VI Turma de Especialização em Endodontia da ABO-Bahia

Vendedores de ilusões

Uma vez assistia a um curso e ouvi o professor dizer para a platéia: “No meu curso eu ensino a fazer um canal assim (e fazia um gesto com o dedo sugerindo um canal bem curvo), e aí você pega o cone de guta percha e ‘tcham’, trava perfeitamente”.

Eu era jovem, mas ali já sabia; não é assim. Tive, e ainda tenho, muitas dúvidas e incertezas, mas uma coisa sempre foi clara para mim, mesmo quando muito jovem: ninguém faz ninguém.

Vejo, há algum tempo, chegarem alunos nos nossos cursos de especialização e aperfeiçoamento praticamente com um único objetivo; “fazer rotatório”. Alguns chegam dizendo, até de uma forma um pouco mais arrogante, que já fazem e só querem trabalhar daquela maneira. Já houve casos em que durante o curso alguns deles mostraram que eram os mais fracos da turma.

Hoje, é cada vez mais fácil “fazer canal bem feito”. As técnicas e materiais atuais permitem obturações que proporcionam belíssimas imagens radiográficas. As três ou quatro melhores são escolhidas, mostradas em aulas, conferências, jornadas, e aí vem o grande desfecho: são os nossos alunos que fazem.

Quantos professores você já viu mostrando os casos ruins dos seus alunos?

Em uma turma de doze alunos, como costumam ser os cursos de especialização, você acha que todos respondem igualmente? Todos têm a mesma habilidade manual? Não há aqueles com mais dificuldades, inclusive de compreensão? Não há aqueles que “dominam” mais a técnica do que outros? Sairão todos iguais? Farão tratamento endodôntico com a mesma qualidade?

Claro que não. Aí eu lhe pergunto: se é o curso que faz o endodontista, por que não faz com todos? No dia em que você encontrar doze alunos fazendo tratamento endodôntico com a mesma qualidade, pode dizer, o mérito é do curso. Porém, se uns são bons, outros não, de quem é o mérito? De quem se fez bom.

Seu fracasso é só seu. A glória, é só sua. Você é que se faz.

Uma vez em uma entrevista, estudantes de jornalismo perguntaram a Nelson Rodrigues* que conselho ele daria aos jovens estudantes e recém formados. Envelheçam, foi a resposta.

Percebe-se que Nelson Rodrigues não entendia de nada. Se entendesse faria como fazem alguns professores, que espalham aos quatro ventos que no seu curso fazem dos jovens alunos, especialistas. E o que é pior, melhores do que os outros.

Envelheçam, vivam, experimentem, acertem, errem, acumulem experiências, e aí vocês estarão mais preparados para serem, de fato, endodontistas.

* Nelson Rodrigues – nascido em Recife (PE), antes de completar 4 anos foi morar com os pais no Rio de Janeiro, onde fez carreira como dramaturgo, jornalista e escritor. Um homem muito inteligente e, como Chico Buarque, torcedor do Fluminense do Rio.

Extravasamento de hipoclorito de sódio

Rachel Zanoni:
Gostaria de saber qual a conduta no caso de extravasamento de hipoclorito de sódio…tenho um caso em que o rosto da paciente inchou em menos de 2 horas…a solução usada foi a 1%…

Rachel, vou repetir o mesmo texto que postei em 29/12/2007 em resposta à Caroline Santana. O extravasamento do hipoclorito de sódio promove grande destruição tecidual, cuja intensidade dependerá basicamente de dois fatores; o volume extravasado e a concentração da solução. Deve-se ter em mente, porém, que mesmo em baixas concentrações há injúria grave. No momento do extravasamento, o paciente pode acusar a sensação de “queimação” e inchaço imediatamente após. Procure irrigar bastante com soro fisiológico e faça uma boa aspiração via canal. São comuns a necrose tecidual e formação de feridas na mucosa, que precisam ser muito bem higienizadas. Deve-se afastar a possibilidade de infecção, por isso é usual a prescrição de antibióticos, além dos analgésicos. A aplicação de gelo externamente na face pode ajudar a diminuir as dores do paciente. O período de manifestação dos sinais e sintomas é variável, também dependente do grau de injúria. Sobre esse tema, permita-me sugerir a leitura de um dos nossos artigos anteriores aqui no blog – Cuidado com o hipoclorito de sódio.

Medicação intracanal somente?

Luciana:
Paciente com dor aguda, mordida profunda, dente com mobilidade e testes de vitalidade negativo. Foi feita a cirurgia de acesso e colocado medicação intra canal. Depois de 24hs, paciente com dor, o dente foi aberto e drenou muito puz, após 5 consultas decidi deixar o dente aberto e entrar com amoxicilina. Após 15 dias o dente ainda continua drenando via canal muito puz… O q ue fazer? Obrigada

Luciana, entendi que você não fez o preparo do canal, é isso? A colocação de medicação intracanal, seja ela qual for, só deve ser feita após o preparo do canal. É este quem remove a causa da patologia. A medicação intracanal entra como um complemento. Prepare o canal com hipoclorito de sódio (no mínimo a 2,5%) e EDTA, limpeza ativa do forame e faça medicação com hidróxido de cálcio. Esse procedimento pode ser repetido em função de cada caso.

Extravasamento de cimento obturador

Queila:
Olá Professor Ronaldo. Em primeiro lugar desejo parabenizá-lo pelo circuito de endodontia em Salvador. Estive presente e gostei muito. Tenho uma pergunta a fazer. Chega um paciente em meu consultório e através de exame radiográfico percebo que uma unidade dentária apresenta tratamento endodôntico e extravasamento de cimento obturador. Qual deverá ser a minha conduta? Desde já agradeço a atenção. Abraços.

Queila, permita-me concordar com você. Por absoluta falta de tempo ainda não falei do Circuito Nacional de Endodontia – Etapa Bahia aqui no site e no blog, mas foi muito bom. Recebi vários comentários como esse. Obrigado pelo seu. Quanto ao extravasamento, infelizmente, você vai se deparar com isso cada vez mais. Lamento que essa concepção absurda da necessidade de extravasamento de material obturador esteja se difundindo. Tenha em mente o seguinte. Se o dente estiver “sem problema”, não mexa. Se precisar retratar o canal (lesão periapical que persiste, presença de fístula…), retrate. Você não vai conseguir remover o cimento extravasado, mas retrate, não faça cirurgia parendodôntica. O extravasamento não contribui em nada para o sucesso, mas não é causa do insucesso. A presença dele, isso sim, impede o reparo que o verdadeiro endodontista busca, nos três níveis (clínico, radiográfico e histológico), mas geralmente não deve impedir o radiográfico.

Uma ocorrência comum?

Regina:
Obturei o canal do  36,e ele apresentou dor somente após 3 a 4 dias.Dor à percussão vertical e dor esponânea.Não há contato prematuro e não há extravasamento de material.O que pode ser?Gostaria muito que me desse alguma ideia do que pode ser.
Obrigada

Regina, precisaria de mais informações. A obturação nos limites finais do canal, mesmo sem extravasamento, é um fator de agressão. O tecido pulpar não totalmente removido é outro fator que pode gerar dor. Um canal extra. Examine também a possibilidade de fratura, um fenômeno que ocorre com alguma fraquência.