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Selamento provisório

Dr. Pablo:
Caro Professor, parabéns por este site. A distância o sr acaba ajudando muitos pacientes e dentistas. Gostaria de saber a sua posição quando ao tipo de material restaurador provisório em duas situações: um simples acesso coronario e para uma ampla restauração subgengival? Paralelo a isso gostaria de saber qual o tempo máximo entre consultas q vc costuma deixar o curativo. Desde já agradeço pela atenção.

Pablo, acredito que você está falando para usar entre as consultas do tratamento endodôntico. Lembre que são materiais provisórios, portanto, não devem permanecer por muito tempo. O IRM oferece boa resistência aos impactos mastigatórios, mas não é um bom selador. Materiais como Coltosol, Cimpat… são melhores como seladores mas não resistem bem aos impactos mastigatórios. Faça a opção de acordo com a necessidade de cada caso. Sempre que possível, uma solução interessante é o selamento duplo ou triplo (geralmente, o primeiro é mais viável). Lembre também que há uma alternativa muito boa que é o ionômero de vidro. Quanto ao tempo máximo entre as consultas, é variável, depende de cada caso. O endodontista deve fazer sempre uma pergunta: o que eu quero do procedimento? Sendo estimulado a pensar assim, ele não ficará preso a regras (condenáveis na Ciência, que precisa de reflexão) e, o mais importante, ele começará a definir os seus próprios caminhos.

Endo-Perio

Renata Friedman:
Olá Prof. Ronaldo! Recebi hj uma paciente com sintomas de pulpite irreversível no elemento 26 e indiquei a endo, porém fiquei na dúvida porque ela tem a raiz palatina praticamente toda descoberta. Consultei a periodontista e ela acredita que essa retração apesar de muito extensa não condena o dente. Isso pode afetar o sucesso da endo ?

Renata, o dente pode ser perdido por questões periodontais, mas acho pouco provável que impeça o sucesso do tratamento endodôntico. Já tive casos assim e lembro agora de um 17 com lesão periapical nas três raízes e doença periodontal localizada. Algum tempo depois o paciente perdeu o dente pela doença periodontal, mas as três lesões periapicais tinham reparado completamente.

Óleo de laranja

Fabiana Chaves:
Olá prof.Ronaldo,estou retratando um canal de molar e gostaria de saber se o óleo de casca de laranja é melhor do que eucaliptol,e se existe alguma fómula p pedir na farmácia de manipulação?

Fabiana, apesar de alguns colegas apontarem para o óleo de casca de laranja como melhor, não vejo diferenças significantes. Para o consultório o cheiro é melhor, sem dúvida. Algumas farmácias de manipulação já têm pronto.

Vá com calma

Sama:

Olá Professor Ronaldo! Primeiramente gostaria de elogia-lo pelo Blog, é uma forma muito interessante e inovadora para discutirmos a nossa complexa endodontia. Ontem Apareceu um paciente do sexo masculino, com idade aproximada ente 35 e 40 anos, com próteses fixas nos elementos 11 e 21, ao exame clínico um abaulamento no palato muito grande, na região do 11, 12, 13, 14.Tratados endodonticamente, um no limite cd e outro 2 a 3 mm aquem e com pino. À palpação observa-se uma superfície amolecida e assintomática. Após Rx pude observar uma enorme lesão na região do 12 11, 21, 22, 23. Pedi radiografia panorâmica para melhor visualização da lesão e ainda não ficou pronta. O que fazer? Não sou especialista em endodontia ainda, porém, já tive sucesso em tratamento com grandes lesões, mas nunca desse tamanho. Desde já muito obrigada. E gostaria de receber noticias em meu e-mail sobre especialização em Salvador.

Sama, pelas características não parece um caso simples e acho que você deve conversar com alguém mais experiente que esteja perto de você, para trocar algumas idéias. Sugiro muito cuidado, pois há casos que parecem mais adequados a um especialista com experiência. Quanto ao curso de especialização, começamos uma nova turma agora em novembro.

Como resolver?

Lígia Jerez:
Olá Professor. Um problema. Muitas vezes qdo efetuamos a obturação, tudo está perfeito, mas na hora de cortar as pontas do cone com o instrumental aquecido, sai tudo, é frustante . O que fazer?

Lígia, já que está acontecendo isso, experimente o seguinte. Se o canal estiver com muitos cones, “afaste” dois ou três, aqueça o instrumento e corte. Depois “pegue” mais três, aqueça e corte, e assim… O instrumento deve estar bem aquecido. O condensador, frio.

Por que?

Elaine:
conclui uma necropulpectomia 1 em molar superior a 6 meses e agora a paciente voltou e relata sensibilidade a percursão lateral, não dói na mastigação, nem a calor ou frio.fiz o ajuste ocusal mesmo assim e radiografei.Confesso q houve sobreobturação do canal mv.devo desobturar e retratar ou aguardar alguma resposta após o alivio da restauração?

Elaine, seria interessante saber se ela apresenta isso há 6 meses, a partir de determinado momento ou somente agora. Não é comum a sobreobturação causar sensibilidade à percussão horizontal, mas sim à vertical. Sonde as possibilidades, como algum problema periodontal e fratura.

Endo-Orto

Maria Carolina: Olá Ronaldo, Parabéns pelo blog!! A minha pergunta é referente a um caso que tenho de um incisivo central superior com ápice aberto,  necrose pulpar e lesão periapical.
Iniciei o tratamento e o dente está com curativo de demora a base de hidróxido de cálcio e PMCC. Porém, somente agora, soube da intenção do paciente realizar tratamento ortodôntico. Gostaria de saber se é indicado continuar com a endo nessas situações. Obrigado

Maria Carolina, o tratamento endodôntico deve continuar. O ortodôntico é que deve ser planejado em função dele.

Obturação bonita e lesão periapical. E agora?

Rubia Mensch:
Olá, sou cirurgiã-dentista formada a 2 anos. Tenho o seguinte caso clínico. Paciente, sexo feminino, 30 anos,relatando “boha no céu da boca, que some as vezes e depois volta”, desconfiei de abscesso periapical, no entanto, ao radiografar deparei-me com o canal radicular do dente 11 tratato endodontocamente, apresentando estravasamento do cone ou cimento  ( aproximadamente 3mm) e um cisto de tamanho considerável, aproximadamente 6 mm de diametro. Acabei de atender essa paciente, meu colega endodontosta nao está aqui e estou com a dúvida. O cisto pode ter sido causado devido o estravazamento? ou é um cisto devido um granuloma que nao foi bem tratado e coincidiu com o estravazamento. Sei que é dificil diagnosticar, mas penso que o único tratamento para esse caso é a apicectomia e me surge mais uma dúvida. Mantem-se o tratamento que já existe, pois nao existe espaço e o canal está bem preparado, ou deve-se retratar e posteriomente realizar a cirurgia. Obrigada

Rubia, sei que está na moda, mas o extravasamento de material obturador não é recomendável. Ele nunca foi e não é a razão do sucesso, entretanto, não se pode responsabilizá-lo pela lesão. Em alguns casos atribui-se a ele a reação granulomatosa do tipo corpo estranho (imagem radiográfica de lesão periapical). Além disso, não devemos dizer que é cisto somente pela imagem radiográfica. Vou aproveitar parte da sua frase “Mantém-se o tratamento que já existe, pois não existe espaço e o canal está bem preparado…”. Como saber se o canal está bem preparado, só porque a imagem da obturação está bonita? Avalie bem, converse com “seu colega endodontista” e pensem na possibilidade de retratamento, mesmo com o extravasamento. Não é uma ciência exata, mas posso quase lhe assegurar que se for bem retratado, e não só bem (re)obturado, os sinais e sintomas deverão desaparecer, inclusive o “cisto”. Tudo isso, claro, não havendo nenhum outro problema, como fratura.

Limpeza foraminal

Ricardo Passos:
Prof. Ronaldo tenho lido muito sobre a ampliação foraminal, onde se questiona o limite desta ampliação na relação do sucesso do seu tratamento endodntico.Tenho acompanhado o seu posicionamento sobre a limpeza foraminal, a qual realizo nos meus procedimentos(lesão periapical).O que percebo é que esta preocupação não é novidade para os seguidores da limpeza ativa foraminal.

Ricardo, não sei se você está falando do limite lateral ou apical de ampliação. Sobre ambos emitem-se opiniões equivocadas. Faço limpeza foraminal como rotina há 23 anos. Já dei aula em diversas cidades do Brasil sobre esse tema e já publiquei alguns artigos (está também no livro). Por conta disso “apanhei” bastante, inclusive de colegas que hoje a defendem. Vejo com muita alegria que atualmente ela é realizada por muitos profissionais. Posso lhe assegurar que é um procedimento que aumenta o percentual de sucesso.

Calcificou. E agora?

Mirian Figueroa:
Olá prof.ronaldo!pergunto sobre canal calcificado o qual nao consegui fazer o acesso do elemento 21;entao preferi nao continuar.nestes casos o que devo fazer?o paciente nao apresenta sintomatologia e lesao. grata desde ja! mirian Figueroa

Mirian, costumo brincar dizendo que não faço canal, eu trato. Se o canal não existe mais, que é o que você está dizendo, nada deve ser feito. Antes, porém, confira se é isso mesmo. Há casos em que não se vê luz de canal na imagem radiográfica e ele existe e há aqueles em que a luz  não é vista e existe. Há explicação para isso. Não descarte a possibilidade de encaminhar para alguém mais experiente. Se de fato não há mais, restaure o dente e acompanhe.